Can't go Back
4 IV. Strangers
Notas iniciais
Ela entrou na floresta. À luz do dia, não se via névoa e era bem mais difícil de se perder, mas Grace sabia que não se perderia nem se fosse a noite. Não era exatamente ela quem estava caminhando. Ela sentia como se algo a puxasse em direção ao meio da floresta. Os seus instintos de lobisomem, talvez?
Ela seguiu uma trilha sinuosa. A relva arranhava as suas pernas nuas e as folhas faziam cosquinhas nos seus pés, mas ela não se importava. Ela estava quase em transe.
De repente, ela viu uma casa demolida, protegida por uma cerca. Ela parou de andar. Era aquele lugar.
Ela abriu o portão da cerca sem nenhuma dificuldade. Ninguém estava vendo, de qualquer forma. Grace caminhou vagarosamente em direção a casa e se sentou no chão, tocando alguns pedaços de madeira empoeirados com os dedos.
De repente, ela ouviu alguém perguntar:
– O que você está fazendo aqui?
Ela virou a cabeça na direção da voz e viu um homem alto, de cabelos pretos e olhos azul-esverdeados. Ele parecia bonito, mesmo com a expressão séria e quase vazia de emoções.
– Quem é você? — Ela perguntou de volta. O homem ergueu as sobrancelhas.
– Eu perguntei primeiro.
– Nada. — Ela respondeu, batendo as mãos no short de malha para tirar a poeira dos dedos. — Eu não sei, para falar a verdade.
– Você não deveria estar aqui. — Ele falou. — Encontraram um corpo na floresta. É perigoso andar sozinha. Mesmo à luz do dia.
Ele não disse mais nada, apenas se virou e entrou na floresta, sumindo em meio às árvores. Grace ficou parada no mesmo lugar onde estava, encarando o lugar onde o homem estivera antes.
Depois de alguns minutos, ela decidiu ir embora. Não sabia o que estava procurando lá, não tinham motivos para ficar mais tempo.
Além do mais, o homem tinha razão. Era perigoso. Ela, inclusive, poderia ter sido outro corpo na floresta se Scott não tivesse a salvado na outra noite.
Ela caminhou de volta para casa e, assim que chegou, jogou-se em sua cama e dormiu.
...
Na manhã seguinte, Grace acordou mais cedo do que o normal. Ela se sentia tão bem disposta que, após tomar um banho, foi direto fazer o café da manhã.
– Bom-dia, querida. — Ela ouviu o pai dela falar, assim que entrou na cozinha. Ele sempre era o que acordava mais cedo na casa, pois o trabalho era na cidade vizinha. — Você acordou cedo hoje.
– Eu sei. É só que... eu fui dormir muito cedo ontem. Eu estava pensando em preparar um café para vocês, mas você já está terminando o seu.
Ele sorriu e levantou-se do banco alto onde estava sentado, pegando a maleta preta de cima da mesa, dando um beijo na bochecha de Grace e se dirigindo para a porta da frente.
– Eu preciso ir agora, Grace. — Falou. — Até mais tarde.
– Até. — Grace respondeu, indo em direção a geladeira para poder preparar o café.
Alguns minutos mais tarde, a mãe de Grace desceu as escadas, ainda de pijama. Grace já havia posto duas xícaras de café na mesa e os pratos já estavam postos também. Haviam pães torrados, manteiga de amendoim e geleia e biscoitos em cima da mesa.
– Alguém acordou de bom humor. — A mãe de Grace brincou.
– Engraçadinha. — Grace disse, sentando-se e tomando um gole de café.
– Você acordou cedo hoje. Tem alguma coisa de especial na escola?
– Na verdade não. — Ela respondeu. — Mas eu vou mais cedo hoje. Vou conversar com alguns colegas para ver se perdi alguma coisa importante das últimas aulas.
– Ah, claro. — A sra. Chamberlain fez uma pausa. — Fico feliz que você já tenha amigos.
– Eu só falei com duas pessoas. Eu nem cheguei a... você sabe, conversar sobre algo realmente interessante.
– Sobre o que vocês conversaram então?
Grace, ao ouvir aquela pergunta, sentiu as bochechas esquentarem de ansiedade. Ela não poderia dizer “Oh, bem, nós conversamos sobre eu ser um lobisomem. E sobre eu ter sido a primeira pessoa a encontrar aquele corpo. Ah, eu esqueci de dizer que tem alguém tentando me matar. Legal, né?”
– Eu disse... Nada interessante. — Ela respondeu, levantando-se rapidamente e subindo para o quarto, antes que a mãe fizesse mais perguntas.
Ela fechou a porta do quarto e respirou fundo, dirigindo-se ao closet para separar as roupas. Ela optou por um suéter soltinho, cinza-chumbo, uma calça jeans preta com as barras dobradas e um salto alto de bico redondo preto.
Quando Grace desceu as escadas, a mãe já havia ido embora. Então, simplesmente pegou a sua bolsa em cima do sofá e se dirigiu para a escola.
...
– Hey, Grace. — Stiles disse, assim que Grace se aproximou dele, de Scott e algumas garotas.
– Hey. — Ela disse, não tão animada quanto o garoto.
– Essas são as nossas namoradas. — Scott disse, apontando para uma garota de aparência asiática e a garota de cabelos caramelo que estava na aula de economia com Grace. — Kira e Malia, que é namorada de Stiles.
– Prazer. — Kira disse, educada. Malia não disse nada, apenas deu um leve sorriso.
– Nós vamos te apresentar para o resto da alcateia ainda hoje. — Scott disse. — Faltam a Lydia, o Liam e o Derek.
Grace assentiu com a cabeça, sem saber o que dizer. Ela, de certa forma, não queria criar laços fortes com eles.
– A Lydia está chegando. — Malia disse, olhando em direção a uma garota não muito alta, de cabelos loiros-morango.
– Ei, gente. — A garota disse, virando-se para Grace. — Você deve ser a Grace.
– Sou. — Grace conseguiu dar um sorriso.
– Bem, eu sou a Lydia. — Ela disse, pouco antes de o sinal bater. — Acho que nós deveríamos ir agora.
E assim, cada um seguiu para as suas respectivas classes.
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