Can't Take my Eyes off You
1 One.
Notas iniciais
Trilha sonora:
https://www.youtube.com/watch?v=jMeBAltloqo
https://www.youtube.com/watch?v=Ek0SgwWmF9w
Nico
A parte boa de ser (o único) membro de uma banda de um homem só é a falta de discussões. Na verdade, sou um cara bastante paciente, mas gosto de fazer as coisas ao meu modo.
Ah, meu nome é Nico di Angelo, e sou o único membro da banda Angelus. Descobri minha paixão por música logo cedo, ainda na infância, e desde sempre fui incentivado a seguir na área pelos meus pais, Hades di Angelo, empresário, e Maria di Angelo, engenheira. Minha irmã mais velha, Bianca di Angelo, 25 anos e é advogada, e minha irmã mais nova, Hazel di Angelo, 16 anos e estudante, costumam, sempre que podem, assistir meus shows.
Sobre minha carreira artística, admito que tinha uma certa fama nacional, mas eram raros os shows fora de Nova Iorque. Ora, não me crucifiquem! Tenho 22 anos e a preguiça ainda reina. Além disso, me dedico ao máximo à faculdade de artes musicais, afinal, é minha paixão. Estou “na estrada” há 8 meses, e hoje, numa bela noite de sexta-feira, tenho um compromisso no Knitting Factory, um dos melhores pubs do Brooklyn. Originalmente, Knitting Factory é uma gravadora, mais focada em artistas independentes, mas há um certo tempo abrangeu-se para a criação de pubs, sendo o melhor deles esse no Brooklyn.
Subi no palco, que ainda estava com as cortinas fechadas, posicionei meus 3 queridos companheiros encordoados (duas guitarra Les Paul e meu primeiro violão, que ganhei quando tinha 8 anos) no canto do palco e meu laptop em um local mais próximo de mim, numa base já posicionada. Em estúdio, eu gravava todo o resto do instrumental: o baixo, a bateria, o teclado, vozes de fundo e, quando necessário, o sintetizador, e, através do laptop, reproduzia essas bases previamente gravadas, enquanto, ao vivo, tocada violão/guitarra e cantava.
Levei cerca de 10 minutos para posicionar e ajeitar todas as coisas, então respirei fundo, joguei meus cabelos para trás e aguardei as cortinas se abrirem.
Annabeth
Aproximei a caneta do bloco de notas, porém a interrompi antes de tocar o papel. Pela primeira vez, eu não fazia ideia do que escrever. Normalmente, costumava ir a lugares inusitados em busca de inspiração, como aquele pub onde eu estava. Crônicas, poesias ou um pouco dos dois sempre brotavam em minha mente. Mas daquela vez foi diferente.
Talvez fosse a preocupação do fim do semestre de jornalismo se aproximando e eu ainda nem ter começado meu Trabalho de Conclusão de Curso. Talvez fosse a enorme pressão que todos colocavam em mim, em Annabeth Chase, a garota mais inteligente da turma, e por esse fato esperavam um trabalho estrondoso. Talvez fosse a TPM, os hormônios, ou o ambiente que não ajudava. Ou talvez fosse só paranoia da minha cabeça e eu estivesse simplesmente sem ideias.
Pedi um drink qualquer ao garçom para acalmar os ânimos. Uma quantidade razoável de pessoas ocupava o Knitting Factory naquela noite, espalhadas entre as mesas, cadeiras do bar e sofás ao fundo. Ouvi os boatos de um certo show de um artista em ascensão, Nico di Angelo. Já ouvira falar vagamente sobre ele. Bom, talvez a música fizesse minha mente funcionar melhor.
Um rapaz engravatado trouxe-me uma taça com um líquido avermelhado. Passei a mão pelos meus cachos loiros, prendendo-os num rabo de cavalo improvisado. Eu já estava começando a ficar impaciente com aquele meu bloqueio criativo.
Holofotes focaram no palco quando as cortinas finalmente se abriram, revelando um rapaz de pé segurando uma guitarra branca. Ele foi recebido com aplausos pelos espectadores. Nico possuía uma certa aura misteriosa. Mesmo com a iluminação do local, era bastante pálido. Sua pele clara contrastava com seus cabelos negros, lisos, que caíam-lhe quase na altura dos ombros. A barba aparada dava-lhe ironicamente um ar mais sério, responsável, algo que com certeza não fazia seu estilo.
Cumprimentou o público e começou a tocar Morning, do Beck. Devo reconhecer que o rapaz tinha talento. Dedilhava sua Les Paul com a maestria de um expert. Sua voz e afinação também não deixavam a desejar. Não era à toa que estava conquistando uma legião de fãs pelo país.
Uma luz acendeu-se na minha mente. Uma entrevista em primeira mão com um cantor em ascensão com certeza dava um ótimo TCC de jornalismo. Eu juntaria o útil ao agradável. Vasculhei minha bolsa à procura do meu crachá da faculdade, que havia conseguido para estágios, e por sorte ele estava lá. Agora era só curtir o show e esperar até o final, para tentar falar com Nico.
Seu repertório variava em Beck, Coldplay, Pink Floyd e músicas próprias, em maioria. Após tocar a última música, Di Angelo soltou a guitarra, deixando-a suspensa somente pelo cinto. Aproximou-se do microfone e convidou, com um sorriso malicioso.
- Quem quiser autógrafos, pode me encontrar no meu camarim.
As garotas presentes no estabelecimento tiveram um surto de empolgação, com gritinhos animados. Revirei os olhos dramaticamente.
Quando as cortinas se fecharam, peguei minha bolsa, posicionei meu crachá e segui a corja de garotas para o corredor ao lado do palco.
- Ossos do ofício — Suspirei.
Em frente à porta do camarim, Nico estava de pé autografando um caderninho de uma menina. Atrás dela, uma fila aguardava. Eu teria que esperar com um monte de tietes para fazer meu trabalho. Ótimo.
- Muito bem, quem é a próxima? — O rapaz ergueu os olhos do papel e os correu pelo perímetro, observando as garotas com ar de tédio.
Nossos olhares cruzaram-se por um momento. Ele me analisou, como se absorvesse cuidadosamente cada detalhe meu. Aquilo pareceu durar uma eternidade.
- Você aí — Ele dirigiu-se a mim, para minha surpresa.
Arqueei as sobrancelhas e apontei o dedo para meu próprio corpo, para ter certeza de que ele estava mesmo falando comigo. O moreno sorriu.
- Sim, você mesma. Venha comigo.
Okay, agora eu estava confusa. Não tive outra escolha a não ser aproximar-me do cantor. Talvez ele tivesse notado o meu crachá. Era a única resposta plausível.
Nico abriu a porta do camarim atrás de si e sinalizou para eu entrar. Virou-se para a primeira garota que estava na sua frente, uma morena com um pôster para autografar. Acariciou uma das mechas castanhas dela e falou suavemente:
- Hoje não é seu dia, baby. Hoje.
Observei, boquiaberta, a menina ter um pequeno infarto. Nico conduziu-me para dentro do camarim e entrou em seguida, fechando a porta atrás de si e fitando o teto, em uma pose dramática. Em seguida, o multinstrumentista passou a mão pelos cabelos, que antes estavam sobre a testa, jogando-os para trás e baixou lentamente seus olhos na minha direção.
- Então... loira... você é... – O moreno indagou lentamente, enquanto me analisava minuciosamente.
- Annabeth. Annabeth Chase. Estudante de jornalismo. Atualmente estou no último período e...
- Tá – ótimo, odeio ser interrompida — acho que entendi. Provavelmente está desesperada por um TCC e achou que uma entrevista com Nico di Angelo, “a estrela em ascensão” fosse satisfazer os desejos dos seus orientadores. Tudo bem, compreendo. Mas fale-me mais sobre você. Quantos anos tem? Onde mora? – Essa era a hora para retribuir a interrupção.
- É, você acertou, quero entrevistar você – falei, apontando para o homem misterioso à minha frente -, e não eu mesma. – Definitivamente, Nico tinha ficado surpreso com a resposta.
- Touché. Tá, me rendo, você venceu. Sente-se por favor – ele, com uma expressão dramática de derrotado, fala, e em seguida senta-se em uma das diversas cadeiras da sala, apontando-me uma de frente. Posicionei o bloco de papel e a caneta, pronta para as suas esperadas respostas.
- Quer começar? – Pergunto.
- À vontade, lady.
***
- Como está sua empolgação para esse momento de lançamento e tudo mais. As fãs já estão se manifestando?
- Bem, sobre o lançamento, estou tranquilo, satisfeito com minha obra. Umas das vantagens de ser o membro de uma banda de um homem só é o poder de decisão. Eu pude fazer o que quis do jeito que quis. Sobre as fãs, posso abrir a porta e te dar uma resposta melhor... – E então o cantor fez menção de abrir a porta do camarim.
- Eh... melhor não. Quem são seus ídolos musicais?
- Me inspiro bastante no Billie Joe Armstrong, do Green Day, embora eu não toque suas músicas. Não quero ferir a música deles – Falou com um leve sorriso. Também me inspiro bastante no Matt Bellamy, do Muse, e seu jeito de incorporar instrumentos eletrônicos numa música “analógica” – A loira observava o moreno gesticular aspas no ar. Embora não estivesse entendendo muito do assunto, mantinha a pose séria – e sua presença de palco.
- E para suas músicas? Como é o processo de criação?
- Bem, não é bem um processo em data marcada, sabe? Não me sento e digo “é agora, mente, comece a trabalhar”. As ideias simplesmente surgem, por isso tento sempre manter um bloco de papel e uma caneta por perto.
- Então somos parecidos nesse aspecto – a loira fala, quebrando o ritmo da entrevista.
- Desculpe, estou cansado e não entendi bem. Como assim? Em qual aspecto? – O moreno avoado pergunta.
- Eu escrevo algumas coisas. Crônicas, romances, poesias... Um pouco de tudo. Mas não estamos aqui para falar de mim – ela respondeu, com um sorriso.
- Ah. Entendo. Mais perguntas?
- Sim. Qual foi o show mais marcante que você foi até agora? E por quê? – O moreno pensa um pouco e então responde:
- Sabe, cada experiência é única. O ambiente, o público, a vibe. Mas creio que o show de hoje, pelo que aconteceu... depois dele – fala a última parte lentamente, com um sorriso carregado de malícia.
Annabeth fica meio desconcertada com a insinuação de cantada contida na resposta, porém, se recompôs rapidamente. Com um ruído seco da sua garganta ao ser limpada, deu continuidade à entrevista.
- Muito bem. O que uma garota precisa ter para atrair você? As fãs gostariam de saber – olhando-a de cima para baixo repetidas vezes, Nico responde:
- Cachos loiros, calça jeans, camisetas estampadas e olhos acinzentados. – Após a clara descrição, a loira fica confusa. Vendo isso, Nico vai até um canto de parede do camarim, pega um espelho e coloca-o de frente para a loira.
- Bem, para facilitar, tá aí. É isso que uma garota precisa ter para me atrair.
Mais confusa ainda, Annabeth responde:
- Co... como assim?
Annabeth
Inesperadamente, o moreno puxou-me pela cintura, fazendo-me levantar da cadeira, e uniu nossos lábios.
Depois do estado momentâneo de choque, mergulhei meus dedos no seu mar de fios, puxando-o para mais perto e entreguei-me ao beijo. Nico di Ângelo cantava muito bem, mas posso afirmar que beijava ainda melhor. Ele encostou-me na parede do camarim, deslizando suas mãos pelas minhas costas e cintura. Quando seus dedos brincaram na bainha da minha camiseta, querendo explorar aquele local, finalmente a ficha caiu.
Interrompi o beijo abruptamente. Nico me observava da sua forma misteriosa característica, dessa vez com as bochechas e lábios levemente vermelhos. Nossos pulmões buscavam desesperadamente por ar, enquanto eu tentava processar o que tinha acabado de acontecer.
- Uau. — Nico disse, simplesmente, ainda com a respiração pesada.
Ele ainda estava me na minha frente, com as mãos apoiadas na parede, uma de cada lado do meu corpo. Afastei-o.
Levei uma das mãos à testa, pensativa.
- Isso não deveria ter acontecido — Afirmei.
Nico, repetindo seu gesto habitual de jogar o cabelo para trás, calmamente respondeu:
- Deveria sim.
Apressadamente, comecei a juntar minhas coisas. Foi um erro ter ido ali. Droga.
Na pressa, deixei virar a bolsa com tudo que eu já havia arrumado. Lápis, livros, maquiagem... tudo se espalhou pelo quarto. Suspirei. Eu só queria dar o fora dali o mais rápido possível, mas o tempo e espaço pareciam conspirar contra. Maldito Einstein. Nico abaixou-se para me ajudar, mas sem dizer uma palavra, até mesmo sem me impedir de ir embora. Saí o mais rápido possível daquele maldito pub.
Quando cheguei no meu apartamento, lembrei-me da entrevista. Procurei meu caderno, para ver se tinha ficado prestável. Mas quando abri a bolsa, ele não estava lá. Retornei ao estacionamento do prédio, revirei meu carro inteiro e nada. Praguejei em uns 10 idiomas diferentes. Deve ter ficado naquele maldito camarim, e de jeito nenhum eu voltaria lá. Pois é, Annabeth, pode começar a pensar em outro maldito TCC.
O maldito telefone não me deu muito tempo para lamentações e começou a tocar. Olhei o visor, vendo então um número desconhecido, mas resolvi atender.
Nico
Pensei que tinha tirado o maior prêmio da loteria, mas descobri que era apenas uma “raspadinha premiada”. Eu esperava que aquele caderno fosse um manual de como Annabeth Chase funcionasse, porém continha apenas anotações sobre escola, entrevistas, crônicas, poesias, etc., e tenho que admitir: ela escrevia bem. Do mais, apenas uma informação me foi útil: o número do seu celular.
Ao chegar em casa, peguei meu celular e disquei o número. Após 4 toques, alguém atendeu.
- Alô? – Pela urgência e pelo tom, definitivamente, era ela.
- Olá, Annie – após um longo silêncio, ela respondeu:
- Não acredito nisso. Devolva meu caderno.
- Lamento, mas não tenho como fazer isso por telefone.
- Mande por táxi, avião, helicóptero, navio, qualquer coisa, mas devolva!
- Você tem duas opções. Primeira: Pode vir buscar seu caderno no meu apartamento, ou...
- NUNCA!
- Ou posso ficar com ele, ler todas as suas anotações. Ah! Posso até ter ideias pra novas músicas baseadas nelas! Vejamos aqui... belas poesias, Annie!
- Idiota... tá, vou pegar. Onde você mora?
- Rua James Stratman, 875, apartamento 1801. Até mais tarde, loira – e desliguei.
Fui direto pro banheiro tomar um rápido banho. Após arrumar-me, me deitei no sofá e fiquei dedilhando algo aleatório no violão enquanto esperava Annabeth. Poucos minutos depois, escutei a campainha. Abri a porta um pouco e me deparei com a Chase em uma postura impaciente. Ela vestia uma saia azul com uma blusa branca e seu cabelo estava solto.
- O caderno, Nico – ela falou, batendo o pé. Abri a porta por completo e dei passagem para ela.
- Boa noite, Annabeth Chase. Pode entrar. Já vou pegar seu caderno – ela entrou e ficou observando detalhadamente o local. – Não quer se sentar?
- Ah, não, obrigado. Gosto de observar as coisas, já que minha mãe é arquiteta e ela me passou esse bom costume.
- Tudo bem. Já volto – fui rapidamente no meu quarto, peguei o caderno e voltei para a sala. – Bem, aqui está – ela pareceu surpresa.
- Vai simplesmente me entregar? Sem pedir nada?
- Como assim?
- Achei que você iria se aproveitar da situação, ou algo assim – ela respondeu, pegando o caderno. Soltei uma leve risada e dei as costas para ela, indo em direção ao balcão de bebidas. Peguei um bom vinho e duas taças.
- Tenho cara de aproveitador, Chase? – Perguntei, em tom debochado.
- Na verdade, tem – eu já esperava uma resposta desse tipo. Voltei em sua direção com as duas taças razoavelmente cheias. Estendi uma em sua direção.
- E esse foi seu segundo touché, Annabeth.
- Não, obrigado.
- Bem, não é muito educado recusar uma taça de vinho quando ela já está cheia, Annie – levantei uma sobrancelha para ela, que, após alguns segundos me encarando, pegou a taça
- Eu deixei que você me chamasse de Annie?
- Não. Na verdade, nem planejei pedir sua permissão – respondi, enquanto colocava Muse no som da sala. Ela estava passando as páginas do caderno, como se conferisse se tudo estava no lugar que ela deixou. – Não se preocupe, Annie, não mexi em nada. Na verdade, até escrevi uns detalhes a mais na entrevista — ela abre a boca para protestar, ou provavelmente soltar mais um comentário sarcástico, porém desiste e decide levar a taça aos lábios, coisa que eu já tinha feito há algum tempo.
- Bom vinho, di Angelo.
- Concordo. É um Wolf Blass Gold Label – falei, em seguida me sentando no sofá, ação que foi repetida por ela em seguida. – Você continua um mistério para mim, Annie.
- Como assim? – Ela pergunta, se inclinando para frente.
- Veja bem, você fez uma entrevista comigo e sabe muito sobre mim, mas eu não sei nada sobre você. Conte-me um pouco das suas muitas histórias.
- Não tenho o que contar — ela afirma, tímida, enquanto tamborila os dedos na capa cheia de adesivos do caderno.
- Não seja tímida, Annie. Você não foi para recusar aquele beijo – falei, provocando-a.
Annabeth ruborizou. Repousou a taça na mesa de centro e levantou-se.
- Melhor eu ir embora – segurei-a de leve pelo pulso e falei:
- É sexta-feira. Está cedo – tentei fazer algo parecido com a cara do gato do Shrek. Por uns segundos ela me olhou séria, mas depois explodiu em uma gargalhada. – O que foi?
- Sua falha tentativa de imitar o gato do Shrek. Como imitador você é um ótimo músico – ela falou, voltando a se sentar e a tomar um pouco do vinho.
- Isso foi um elogio?
- Sim – ela respondeu, dando de ombros. – Mas não se acostume com isso.
- Tudo bem. Então, Annabeth, não posso deixar de perguntar... quais são seus gostos musicais? – Percebi que ela tinha um ato de olhar para cima antes de responder perguntas do tipo, o que dava uma linda visão iluminada dos seus olhos acinzentados.
- Bem, gosto de várias vertentes do rock. Progressivo, pop rock, rock psicodélico... enfim. Não é à toa que fui para o seu show. Ouvi que você tocaria lá e resolvi ir. E tenho que admitir, você domina bem os gêneros.
- Uau, mais um elogio. Obrigado, Chase.
Ela rolou os olhos e, apressadamente, falou:
- Deixe-me te fazer uma pergunta semelhante, o que você gosta de ler? – Ela, novamente, se inclinou para frente. Percebi que fazia isso quando estava curiosa.
- Gosto muito de ler sobre sociologia. Max Weber e outros atores modernos que não aderem à moda do pós-modernismo, coisa que eu odeio.
- Hm, impressionante, Nico. Não sabia desse seu lado mais... intelectual. Quer dizer, não que música não necessite de inteligência, pelo contrário, precisa muito e... ah, você entendeu.
- Relaxe, entendi. Mas também gosto de ler crônicas e poesias. E parabéns, você domina a arte muito bem – pude notar um certo tom rubro nas suas bochechas.
- Obrigado, Nico – agradeceu, tomando o último gole do seu vinho. Nesse momento, Madness toma conta do ambiente. – Madness. Amo essa música.
Pela sua expressão e reação, percebi que ela já estava um pouco “alegre”. Levantei-me e falei:
- Pois bem, eu também. Aceita uma dança, Annie? – E estendi uma mão em sua direção.
- Não sei dançar — ela recuou.
- Vamos fazer um trato: eu te ensino a dançar... E você me ensina a beijar — convidei com um certo sorriso malicioso
- Mas você já sabe fazer isso – ela responde, ainda hesitando. Continuei com minha mão estendida.
Não sei se foi devido à bebida, mas ela acabou cedendo. Veio em minha direção, tomei suas mãos e ela se encostou em mim. Fui guiando-a com todo cuidado na música, como se fosse de porcelana. Não preciso dizer que só o fato de sentir sua respiração no meu pescoço me levava ao céu.
- Está indo muito bem, Annabeth – falei, fazendo ela se afastar um pouco, o suficiente para me olhar no fundo dos olhos.
- Isso foi um elogio, Nico di Angelo? – Perguntou, com um sorriso travesso estampado.
- Foi, e eu poderia passar a noite inteira aqui te elogiando.
Ela voltou a encostar sua cabeça no meu peito, um pouco ruborescida.
- Está me deixando sem graça, di Angelo – sorri de leve e afastei-a um pouco de mim, levantando seu rosto um pouco.
- Annabeth Chase, eu não consigo tirar meus olhos de você.
Seu olhar estava fixo na minha boca, com desejo.
- Nem eu de você, Nico di Angelo.
Então ela ficou na ponta dos pés e me beijou, matando a vontade que ambos compartilhávamos. Seus lábios tinham o gosto doce do vinho. Minhas mãos percorriam toda a extensão de suas costas, ora descendo até a cintura, ora subindo até sua nuca. Queria trazê-la para mais perto de mim, se é que isso é possível.
A loira movia os lábios contra os meus com a maestria de uma profissional e com a pressa de quem soubesse que os próximos momentos de sua vida seriam os últimos, e, ao contrário do último beijo, ela não fazia menção de parar, a não ser quando o ar faltava, mas assim que era recuperado, voltávamos pro beijo.
Não sei quanto tempo ficamos nesse romance, mas isso não importava, afinal, eu tinha aqueles lindos lábios colados nos meus.
E tudo isso ficou ainda melhor quando, no outro dia, a primeira coisa que vi foi um par de lindos olhos acinzentados me fitando, enquanto se aproximava para me beijar, ainda na minha cama.
“You're just too good to be true
Can't keep my eyes off you
You feel like heaven to touch
I wanna hold you so much
At long last love has arrived
And I thank God I'm alive
You're just too good to be true
Can't take my eyes off you”
“Você é boa demais para ser verdade
Não consigo tirar meus olhos de você
Você é como tocar o céu
Quero tanto te abraçar
Enfim, o amor verdadeiro chegou
E agradeço a Deus por estar vivo
Você é boa demais para ser verdade
Não consigo tirar meus olhos de você”
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