Notas iniciais
Último Capítulo!

Partimos cedo para Angra dos Reis, eu, Marina e Flávia, a produtora de moda. Mais uma vez, Marina mal olhou na minha cara. Definitivamente, seriam dias difíceis. Elas foram conversando animadas o voo inteiro e eu simplesmente tentei ignorar tudo a minha volta. Pelo pouco que ouvi da conversa, deu a entender que elas já se conheciam e tinham trabalhado juntas em algumas campanhas. Peguei meu mp3, fechei os olhos e só os abri quando o piloto tocou no meu ombro me avisando que já estávamos em terra firme novamente. Meu medo de voar é notável, mas aos poucos estou tentando superar esse trauma.

Chegamos na casa, deixamos as nossas coisas, saímos para almoçar, fizemos um tour pela propriedade e trocamos algumas ideias para as fotos e o layout das peças. Depois de um tempo percebi que estava sobrando e resolvi deixa-las a sós. Para dizer a verdade essa não era a minha vontade, mas achei melhor seguir a minha cabeça e não o meu coração. Retornei a ligação da Duda e depois fui me distrair lendo um livro sentada na sacada. A propósito, a vista era incrível!

O sol se pôs e a falta de luz natural começou a impedir que eu continuasse a minha leitura. Aproveitei que já estava batendo a fome e resolvi providenciar algo para comer. Não tinha muita coisa na dispensa, mas dava para fazer uma macarronada. Já que ia cozinha para mim, não custava nada perguntar se elas também iriam querer.

– Oi. Desculpa atrapalhar — disse quando cheguei na sala. Elas estavam sentadas no sofá tomando vinho, que compraram depois do nosso almoço — Vou fazer uma macarronada para mim, vocês querem?

– Não vai dar para mim. Combinei de encontrar um amigo que mora em aqui em Angra e não vejo há muito tempo. Ele já deve estar passando aqui para me buscar. — disse Flávia piscando para Marina

– Se você não se importar, eu aceito. — disse Marina

– Ok. Quando ficar pronta te aviso. — disse e saí

A Flávia já tinha saído quando terminei de fazer a comida. Estava terminando de colocar as coisas na mesa quando a Marina apareceu de banho tomado, com um vestido longo e solto. Cada dia que passa parece que ela fica mais bonita. Isso é impressionante!

– Oi — disse meio sem graça.

– Oi! Nossa essa macarronada está com um cheiro incrível — disse de forma gentil e doce. Nem parecia aquela Marina que vinha me tratando friamente durante estes últimos dias — Quer tomar vinho? Ainda tem uma garrafa inteira. — disse ela rindo.

– Pode ser.

– Vou buscar. Já volto.

– Eu não entendo nada de vinho, mas meu pai entende. Peguei as dicas com ele para escolher. Vamos ver se vai harmonizar perfeitamente com a sua macarronada — disse ela abrindo e servindo o meu copo e o dela.

– Me passa o seu prato, por favor. — disse

– Nossa! Não sabia dos seus dotes culinários — disse ela surpresa — Na época da escola você não sabia fritar um ovo.

– Não exagera vai, Marina! — disse rindo — Conheço um chef de cozinha, ele me ensinou alguns truques durante a faculdade.

– Muita coisa pode mudar em cinco anos, né?! — disse ela

– Né?! — foi o que me limitei a responder

Terminamos de jantar em silêncio. Passei o jantar inteiro evitando olhar diretamente para ela. Até que ela voltou a puxar assunto.

– Quer mais vinho? — disse servindo seu próprio cálice.

– Pode ser — respondi

– Um brinde!

– Estamos brindando a quê? — perguntei

– Ao sucesso da minha exposição, ao futuro, a este trabalho e aos reencontros que a vida nos proporciona. — disse ela alegre

Erguemos nossas taças e desta vez foi impossível não olhar nos olhos dela. Aqueles olhos sedutores. Meu corpo inteiro se arrepiou. Ela sabia ser sedutora quando queria.

– Sabe, por mais que a gente tente, às vezes, é melhor aceitar e para de remar contra a maré. — disse ela após um gole do seu vinho — Tem coisas que por mais que nos esforcemos, não conseguimos esquecer — completou com uma voz sedutora.

– Já terminou? — disse desconversando nervosa levantando da mesa — Posso levar seu prato?

– Eu te AMO! — disse ela levantando e segurando a minha mão — Sempre te amei e por mais que eu tente, não consigo te esquecer. Você é única para mim!

Simplesmente não consegui mais resistir. Ouvir aquelas palavras me fizeram esquecer o mundo, minhas inseguranças e meus medos. E eu a beijei com intensidade, paixão e muito tesão. Precisava sentir seus lábios nos meus novamente desde que ela partiu para New York.

Fomos caminhando para o quarto entre beijos, quase sem se desgrudar. Ela começou a desabotoar minha blusa beijando meu pescoço, meu maxilar e logo em seguida nossos lábios voltaram a se tocar em um beijo cheio de paixão...

***

Acordei e ela estava abraçada em mim. Olhei para ela adormecida em meus braços e veio o sentimento de culpa. Não restava outra coisa a fazer. Assim que voltássemos para o Rio, precisaria ser sincera com a Duda. Não dava mais. Gosto muito da dela, mas não posso me enganar e a enganar. Preciso me permitir viver essa história, mesmo que eu quebre a cara futuramente. Às vezes, é necessário arriscar! Por que sem AMOR, nada vale a pena. NADA!

– Bom dia! — disse Marina despertando.

– Bom dia! — disse com um sorriso nos lábios.

– Clara, eu acho que nunca conseguir sentir nem 5% do que sinto por você por qualquer outra pessoa. — disse Marina com jeito de apaixonada

– Marina, eu tentei te esquecer, eu fugi, namorei outras pessoas, mas simplesmente não dá mais. — disse me ajeitando na cama e olhando nos seus olhos — Eu te AMO! Acho que nunca amei e nunca serei capaz de amar alguém como amo você!

– Eu também te amo! Para sempre! — disse Marina fazendo carinho no meu rosto

Fui me aproximando lentamente dela focalizando sua boca e nos beijamos...

***

Passei o resto dos dias em Angra ignorando as ligações da Duda. Não tinha coragem de falar com ela, como se nada tivesse acontecido, e não poderia terminar com ela por telefone. Ela merecia pelo menos o mínimo de consideração da mim parte.

Eu e a Marina aproveitamos o domingo para namorar e curti o município. A Flávia só apareceu na casa no final da tarde de domingo e o resto do pessoal chegou por volta das 19h do domingo. Correu tudo conforme o planejado na segunda. As fotos ficaram incríveis. Voltamos só na terça de manhã para o Rio e acabei convencendo o Gustavo de que precisaria resolver algumas coisas com a Marina sobre a campanha da Hope. Assim, não apareci na agência aquela dia.

Anoiteceu e não tinha mais como adiar essa conversa. Fiquei esperando a Duda no hall do elevador do apartamento. Ela saiu elevador e nem me viu, assim que abriu a porta do apartamento dela, eu a chamei.

– Duda!

– Nem precisa falar nada — disse Maria Eduarda com uma voz triste virando em minha direção — Já entendi tudo e nem sei de nada realmente, mas o seu sumiço é muito claro.

– Podemos conversar? — pedi quase suplicante com a voz triste.

– Clara, eu sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Estava na cara. Você nunca esqueceu ela e ela nunca te esqueceu, isso era óbvio. Eu sabia que não tinha chances reais com você depois que ela reapareceu. Ainda tentei me iludi quando você pediu para a gente não terminar, mas nossa relação começou a desmoronar no momento em que você descobriu que ela iria fazer uma exposição aqui no Rio. Não temos o que falar uma para a outra. Por mais difícil que seja para mim te ver com outra, uma hora isso vai passar. Pelo menos espero que passe… — disse ela chorando — Só espero que ela te faça muito feliz, porque você é uma pessoa incrível e merece.

– Desculpa, Duda — só consegui dizer isso com lágrimas nos olhos e fui embora.

Notas finais
Acabou :( Obrigada por todos que leram, acompanharam, comentaram e favoritam! I ai? O que acharam? Observação: comentaram que eu deveria fazer uma segunda temporada. Vocês concordam? Ideias?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!