Notas iniciais
A história é narrada pela Clara.

- Diga.

- A Clara não chegou ainda?

- Ela teve de ir à gráfica. Parece que deu um problema na impressão de um material, mas daqui a pouco deve estar estourando por aí.

- Entendo... Seguinte, vai ter uma exposição de uma fotógrafa brasileira que mora em New Yorkaqui no Rio no início do mês que vem. A sócia dela solicitou o orçamento para criação, impressão e distribuição de flyers, diagramação e impressão do livro-catálogo da exposição, a criação de um banner online, de um banner físico para colocar na entrada da exposição e a criação da arte para cemusa. O orçamento já foi aprovado. Você e a Clara ficaram encarregadas da produção desse material. O ideal é que este material esteja finalizado e pronto para a impressão em, no máximo, uma semana. Assim que estiver tudo aprovado, a gente manda rodar o material e contrata algumas pessoas para distribuírem os flyers. As cemusas já estão definidas e devidamente reservadas.

- Ok. Assim que a Clara chegar falo com ela. Elas te mandaram algum material de referência? E as informações mais precisas sobre a exposição?

- Mandaram. Vou te encaminhar tudo que elas me passaram. Assim, já pode ir adiantando os textos ou está enrolada?

- Estou finalizando umas coisas, mas pode deixar que a gente vai começar isso ainda hoje.

***

- Alô!

- Oi, Clara.

- Estou saindo só agora da gráfica. Já almoçou?

- Ainda não. Estava pensando em te ligar. — disse Maria Eduarda

- Chego em 20 minutos na agência.

- Tá. Me dá um toque quando você chegar que eu desço.

- Ok. Beijo.

- Beijo.

***

- Um suco de abacaxi, sem açúcar, uma limonada-suíça e dois filés ao molho inferno com fettuccine alfredo, por favor. — Clara fez o pedido das duas para o garçom do restaurante.

- Conseguiu resolver lá na gráfica? — perguntou Maria Eduarda.

- Demorou, mas resolvi.

- Deixa eu te falar. O material da Olympikus já estava aprovado, certo? Eles só tinham pedido uma alteração no texto, né?

- Que eu saiba...

- Já refiz o texto. Quando a gente voltar para a agência, você só altera lá na peça e a gente envia o material para aprovação final.

- Ok. Nem acredito que teremos a tarde livre... Que tal um cineminha? — perguntou Clara animada

- Bem que eu queria, mas o Gustavo pediu para a gente criar umas peças para uma exposição de uma fotógrafa que ocorrerá no início do mês que vem aqui no Rio.

- Pow, que triste! Estava crente que teríamos a tarde livre.

- A tarde não, mas a noite. Não quer dormir lá em casa hoje? Estou com vários filmes novos lá para assistir. — perguntou Maria Eduarda empolgada

- Não sei se é uma boa ideia. Minha mãe ainda não aceitou muito bem. Já tem umas semanas que ela não olha direito na minha cara.

- Clara, sinceramente, não tem muito o que fazer. Ela tem de respeitar a sua orientação sexual. Não vale a pena ficar infeliz a vida inteira só para agradar a sua mãe. A gente está namorando a quase um ano e só agora que você criou coragem para contar para sua família. Assim, como foi difícil para você se aceitar, será difícil para eles também. De tempo ao tempo. Ela vai acabar se acostumando.

- Pow, não sei não... Os meus irmãos e meu padastro aceitaram numa boa, mas minha mãe está estranha desde que eu falei.

- Relaxa. Vocês vão acabar se acertando. E se quiser, sabe que pode mudar lá para casa a hora que você quiser.

- Porque ela tem de ser tão “atrasada”?! Seria tão mais fácil se ela gostasse de você, como gosta do Cadu.

- Quem disse que ela não gosta de mim, hein?! — disse Maria Eduarda de forma descontraída — Ela só não teve a oportunidade de me conhecer direito ainda. Quando me der uma chance vai se apaixonar!

- É acho que não foi uma boa ideia fazer uma reunião familiar e ainda levar a namorada junto.

- Talvez não tenha sido a melhor forma de contar, mas esquece isso. Em breve, vocês se acertam... Já que não acha uma boa ideia passar a noite lá em casa, podia pelo menos ir para lá depois que a gente sair do trabalho. Esses dias andam tão corridos, a gente só se vê, praticamente, lá na agência.

- É to precisando espairecer mesmo. Como anda a geladeira? Vazia como sempre? — perguntei debochando.

- Não avacalha vai. Dá para a gente fazer um sanduíche ou podemos pedir pizza.

- Nesse ritmo, terei de intensificar minhas corridas matinais.

- Larga de ser noiada. Você está ótima!

- Sei, sei... Quando a gente sair da agência, passo no supermercado e levo algumas coisinhas para prepara um jantar saudável e gostoso para gente.

- Se não fosse você na minha vida. Além de linda e inteligente, ainda cuida de mim. Como vivi este tempo todo sem você, hein?! Te amo! — disse Maria Eduarda toda apaixonada

***

- Pronto. Material da Olympikus enviado para aprovação final! Diga lá, qual é a nossa próxima missão? — disse rindo

- Então, elas já tem um modelo de arte pré-definido. Essa já é tipo a 3 exposição dela, mas será a primeira em sua cidade natal. Elas querem que a gente mantenha a mesma linha, mas ao mesmo tempo querem que os banners dessa exposição sejam especiais. Querem um toque de brasilidade, tipo de volta as raízes. Pelo que percebi no e-mail, ela morou muito tempo em New York, mas agora está pretendendo voltar para o Brasil. Comentaram algo sobre produção de material gráfico para o estúdio, mas isso é só para depois da inauguração da exposição.

- Entendi. O Gustavo já te passou as referências?

- Aqui. Essas são as fotos que elas liberam para a gente colocar nas artes e...

- Nossa! Tenho a impressão de que já vi em algum lugar esse estilo de fotografia. — disse com um ar de surpresa, interrompendo a Maria Eduarda.

- É capaz de já ter visto na internet ou em alguma revista algo sobre ela. Ela está conseguindo uma grande reconhecimento por seus editoriais de moda e fotos publicitárias, principalmente. Já fez trabalhos para Vogue, Vanity Fair. E agora está ficando famosinha por seus trabalhos autorais, que exploram a nudez feminina de uma forma mais “crua”, também.

- E deve ser... Atualmente, a informação está por toda parte. Só não é visto, quem não quer ser visto. As redes sociais estão aí para isso, mas me mostra os banners para eu começar a desenvolver isso logo já que estão com pressa. Por um dos acasos você já começou a pensar nos textos ou vamos começar do zero?

- Comecei hoje de manhã, mas deixa eu te mostrar os banners referências.

- Não acredito! — disse surpresa — O nome da fotógrafa é Marina Meirelles?

- É. Por quê? Você conhece?

- Estudamos juntas no Colégio. Éramos muito amigas, mas o pai dela foi transferido e ela foi com ele para New York. Acabamos nos afastando... — disse meio triste.

- Ah...