Can't I Even Dream?
1 Can't I Even Dream?
Notas iniciais
Bom,espero que gostem :3
O ar gélido que entrava pela pequena abertura gradeada na parede cortava meu corpo parcialmente descoberto que se encontrava inerte no chão úmido e sujo.
A luz da lua fazia um enorme contraste com as paredes cheias de lodo enquanto iluminava discretamente o lugar onde eu me encontrava: uma enorme cela vazia onde eu podia escutar o barulho ensurdecedor que a água do mar lá de fora fazia quando batia com violência contra as já desgastadas paredes de pedra.
Ao mesmo tempo em que o barulho me incomodava ele me reconfortava por quebrar o silêncio mórbido que permanecia ali fazendo com que minha mente se tornasse cada vez mais insana.
Sento-me enquanto abraço a mim mesma na tentativa de aquecer-me e espantar o frio que se apossava do meu corpo fraco.
Lágrimas salgadas insistiam em escorrer pelo meu rosto enquanto meus soluços fracos quebravam minha linha de pensamentos.
Eu tinha deixado ir embora tudo que eu possuía para partir em uma busca infinita por você, mas todo meu esforço era inútil porque agora eu me encontrava condenada a permanecer presa nessa masmorra.
Eu não tinha mais noção do tempo, não sabia se estava ali há semanas, meses ou até mesmo anos. As memórias que eu tenho de você são as únicas coisas que me dão esperança de sair daqui ou continuar viva.
Meu corpo não sente mais nada, apenas dor. Uma dor alucinante, que era a única prova de que eu ainda estava viva. A dor era a única prova de que eu ainda não havia sucumbido à loucura.
As feridas externas não eram nada comparadas a dor que me sufocava por dentro.
Meus olhos azuis buscavam uma saída, mas a única passagem era um pequeno buraco no teto daquele lugar.
Suspiro enquanto meus braços pálidos tateiam a parede em busca de alguma chave.
Eu tinha que sair dali.
Minha voz quebrada grita por ajuda enquanto me esforço para ficar de pé.
–Eu estou aqui, me tire daqui.– Imploro chorosa enquanto deslizo ao chão novamente e meu rosto é tomado por lágrimas quentes.
–Isso realmente dói. Meu coração está cheio de dor.–Guincho desesperada enquanto cravo minhas unhas em minha pele, na tentativa de fazer a dor física desviar a minha atenção daquela dor interna.
Deito-me enquanto meus pensamentos insistem em tirar-me a esperança.
Você iria vir me salvar?
Meu amado príncipe,você chegaria montado em seu cavalo branco e me resgataria?
Minha consciência zomba de mim enquanto suas risadas ecoam tanto pela minha mente quanto pela fria cela rebatendo nas paredes e atingindo-me violentamente, como um golpe cruel.
–Não posso nem sonhar?.– Questiono a mim mesma enquanto tudo ao redor parece girar.
Nuvens encobrem cada vez mais a enorme lua cheia fazendo o lugar ficar cada vez mais escuro, causando arrepios em mim.
As sombras se projetam de todos os cantos e até o mar parece silenciar-se, como se tudo ao meu redor contribuísse para que meu estado mental piorasse.
O barulho de gotas desperta-me de minha análise,sinto algo frio cair em meus longos cabelos.Observo o teto constatando de onde provinha aquela água.
Mais e mais gotas de chuva caem pelo buraco no teto molhando meu rosto.Sorrio encantada enquanto a chuva penetra meus olhos.
Meu sorriso se alarga, porém agora de um jeito psicótico.
Eu pretendo ser louca com um sorriso.
–Eu estou aqui.– Sussurro de modo surpreso enquanto o barulho da chuva aumenta e ecoa pelos meus ouvidos.
Começo a soluçar novamente enquanto choro desesperada, a chuva aumenta parecendo compartilhar da minha dor.
Grito com toda minha voz enquanto soco a parede de modo descontrolado. O sangue começa a escorrer de meus braços porém não me importo.
Se meus gritos não lhe alcançarem serei totalmente inútil.
–Eu estou aqui,me tire daqui.– Grito com um fio de voz enquanto tudo ao meu redor gira e começa a se torna escuro.
Caio no chão e as sombras parecem brotar do chão novamente enquanto suas vozes assustadoras debocham de mim,encolho-me e tapo meus ouvidos enquanto elas se aproximam de mim com seus sorrisos doentios e olhos vazios.
Tire-me daqui,meu príncipe.Imploro mentalmente porém é tarde.
Eu continuarei te amando.
Ofego e abro os olhos desesperada,suspirando de alívio ao ver que as sombras não se encontravam mais ali e que a lua voltara a aparecer,iluminando a masmorra fria.
A loucura insistia em acabar com minha esperança e o céu continuava chorando por mim,encharcando meus cabelos enquanto o sangue escorria pelas minhas mãos e manchava meu longo vestido negro.
A chuva que caia sobre mim me fazia ter a sensação de derreter,como se a qualquer momento eu pudesse me transformar em água.
Como se eu pudesse escorrer pelos meus próprios dedos do mesmo modo que meus sonhos haviam feito.
Tudo parecia tão lento,tão distante,tão irreal.
Será que não posso nem sonhar?
Notas finais
Comentários,críticas são bem vindos >
Obrigada e espero que tenham gostado :/
Fale com o autor