Cant Buy Me Love

6 Capítulo Seis: Finalmente Uma Família


Capítulo Seis: Finalmente Uma Família



POV Bella

Os seguranças nos levaram de volta para casa e me devolveram a mala. Edward devia ir trabalhar agora, mas tudo o que ele queria fazer era me agarrar.

Já eu estava tão feliz por ter voltado para aquela casa que senti minha cabeça leve. Tão leve que apaguei.



Eu estava andando pela rua, voltando da escola. Acho que eu devia ter uns quinze anos nessa época. Estava chovendo e poucas pessoas estavam por ali.

Passando por uma rua menos movimentada, vi dois homens chutando o que parecia ser um saco no chão. Quando cheguei mais perto, no entanto, vi que não era um saco. Era um homem.

– Ei! – Gritei, correndo naquela direção. – Socorro, alguém chame a polícia!

Os homens ouviram os meus gritos e fugiram correndo, sem olhar para trás. Aproximei-me do homem caído. Ele era jovem, apenas alguns anos mais velho do que eu. Abaixei-me, colocando o meu guarda-chuva sobre o homem, que estava de barriga para cima. A chuva estivera caindo diretamente em seu rosto.

– Você está bem? – Perguntei. O homem nada disse, apenas ficou olhando para cima. Acho que estivera olhando para o céu, mas agora era apenas o meu guarda-chuva florido que se refletia em seus espantosos olhos verdes.

Como ele não respondeu, dei-lhe uma tapinha no rosto. Então ele finalmente me olhou.

– Você está bem? – Eu repeti.

– Você devia ter me deixado morrer. – Ele disse apenas, a boca cheia de sangue. Peguei um lenço e limpei os seus lábios.

– Claro que não! – Eu disse.

– E por que não? – Ele quis saber.

– Todos merecem viver. Mesmo que esteja parecendo não valer a pena agora, a vida sempre nos dá segundas chances. – Eu afirmei.

Então foi que seus olhos realmente se focaram em meu rosto,

– Eu não tenho mais nada. Fui abandonado pela minha família, pelos meus supostos amigos, pela minha noiva, que dizia me amar. Tudo o que me restou foram dívidas e nenhuma esperança de pagá-las. Eu não sou ninguém, apenas um vagabundo. – Ele disse.

– Então se levante e seja alguém. – Instiguei. Ele sorriu levemente.

– Quem diabos é você? Um anjo por acaso, para acreditar em milagres? – Ele perguntou.

– Sou Isabella Swan, uma mera mortal, ao seu dispor. – Eu disse sorrindo. – E eu não acredito em milagres, moço, acredito nas pessoas. Todos somos capazes de mais do que esperamos.

– Espero que esteja certa, Isabella. – Ele disse. Então se levantou cambaleante.

– Quer que eu chame uma ambulância? – Eu perguntei preocupada.

– Não, você me salvou antes que eu ficasse realmente ferido. Obrigado. – O homem disse, afastando-se devagar. Fui atrás dele.

– Pelo menos leve o meu guarda-chuva. – Ofereci.

– Mas e você? – Ele quis saber.

– Eu gosto de andar na chuva de vez em quando. – Então sorri e entreguei-lhe o objeto. – Espero que encontre o seu caminho.

Virei-me, erguendo o rosto para a chuva que caía, sentindo o seu frescor com gratidão. Olhei mais uma vez para o homem, que me observava, acenei e fui embora. Com isso voltei para casa antes que minha mãe começasse a ficar preocupada.



Uma luz branca parecia querer me cegar. Apertei os olhos, abrindo-os devagar.

– Isabella! – Edward exclamou, sua voz cheia de alívio.

– O que aconteceu? – Perguntei com a voz fraca.

– Você desmaiou. Estamos no hospital. – Ele disse. Fiz careta. Nunca gostara de hospitais.

– Não precisava ter me trazido para cá. – Resmunguei.

– Claro que precisava, você não queria acordar! – Ele exclamou.

– Isso por que eu estava sonhando... – Murmurei. Então percebi que aquilo não fora um sonho. – Você é o cara que eu encontrei naquele dia, na chuva.

– Você lembrou! – Edward exclamou sorrindo, feliz.

– Sim, não sei como pude esquecer. – Eu disse.

– Foi há muito tempo. Muita coisa aconteceu a você desde aquele dia. Você salvou a minha vida naquele beco. – Ele afirmou.

– Não acho que aqueles caras fossem realmente te matar. – Eu disse duvidosamente.

– Não estou falando disso. – Ele revirou os olhos. – Eu havia perdido tudo, naquele dia. Minha empresa havia falido, estava endividado e meus supostos “amigos” haviam me abandonado. Mas você, uma completa estranha, conseguiu me salvar naquele dia. Você salvou a minha alma.

Meus olhos ardiam quando Edward disse aquilo.

– Mas você também me salvou. – Eu repliquei.

– Eu abusei de você na nossa primeira noite juntos. Perdoe-me. – Ele pediu, parecendo sofrer a cada palavra. – Eu sei que não há desculpa para o que eu fiz, mas desde que nos encontramos pela primeira vez, naquele dia de chuva, eu vinha observando você de longe. Eu apenas não disse nada por que eu queria que você se lembrasse de mim por si mesma, não valeria de nada se eu te contasse. Eu estava lá quando se formou no colégio. Comemorei quando entrou para a faculdade, fiquei triste quando seus pais morreram. Apenas não me aproximei por que não me achava digno de você. Ainda não acho que sou digno de você, Isabella, mas eu precisava te salvar. Mesmo que fosse impossível para um animal como eu me controlar ao seu lado.

– Você podia simplesmente ter me contado. Por que precisou fazer tudo isso? Por que... Por que me obrigou a dormir com você por dinheiro? Eu teria feito de graça. – Eu disse.

– Eu senti como se precisasse te prender ao meu lado, de alguma forma. Pensei que se não houvesse nada que você precisasse de mim, eu não seria de serventia alguma pra você, e você me deixaria. Por favor, Isabella, você pode me perdoar? – Ele pediu meio desesperado.

– Claro Edward. Nada disso importa mais. – Eu disse, acariciando o seu rosto e sorrindo.

– Eu te amo, Isabella. – Edward falou. Meu coração perdeu uma batida àquela declaração.

– Eu... Eu também te amo, Edward. – Eu disse. E sabia que era verdade. Pouco a pouco eu havia me afeiçoado a ele e nada podia mudar isso.

– Ah, Isabella acordou! – Um homem falou entrando no quarto, depois de bater suavemente na porta.

– Sim, doutor. Como ela está? – Edward perguntou, levantando-se.

– Os exames de sangue estão normais, exceto... – O médico começou, mas Edward não deixou que terminasse. Eu já havia notado essa mania dele.

– Exceto o quê? – Ele foi logo perguntando, nervoso.

– Calma, senhor Cullen. É uma boa notícia, espero. A senhorita Swan está grávida. – O homem finalizou. Eu tinha certeza de que a minha boca se abriu.

– Grávida? – Perguntei sem entender.

– Sim. – Ele confirmou. Olhei para Edward a tempo de ver um sorriso brotando em seus lábios. Ele veio até mim na cama e me abraçou.

– Vamos ter um bebê. – Ele murmurou em meu ouvido. Sorri largamente, feliz. Não podia acreditar que eu ia ser mãe, mas era a melhor notícia que eu recebia há muito tempo. – Quando ela poderá voltar para casa?

– Agora mesmo. A alta já está assinada, mas nada de extravagâncias. Há duas vidas para zelar agora, senhorita. – O médico disse.

– Obrigada, doutor. – Falei.

O doutor saiu do quarto e Edward me ajudou a sair da cama e me vestir. Então voltamos para casa. Ele ficava o tempo inteiro tocando a minha barriga, como se para ter certeza de que tudo estava certo.

Ao chegarmos em casa, Edward logo me abraçou.

– Agora nós seremos uma família de verdade. – Ele afirmou.

– Sim, seremos. – Concordei, fazendo-o rir.



~~



– Por que temos que sair para jantar? Eu já estou acostumada a cozinhar. E essa barriga chama muita atenção. – Eu continuava a dizer, mesmo que já estivéssemos perto do restaurante.

– Eu quis trazer você para sair. Qual o problema nisso? Além do mais, você está linda. Não é a barriga que chama a atenção, é você. – Ele disse, beijando meu ombro e me fazendo corar.

Não protestei depois disso.

O restaurante era aconchegante, mas não muito chique. E Edward fez questão de conseguir uma mesa mais reservada para nós. Ele sabia que eu não gostava de ficar no meio de multidões, mesmo eu nunca tendo dito nada a ele. Era incrível como ele prestava atenção em cada mínimo detalhe sobre mim. Chegava a ser constrangedor.

A comida estava perfeita e, quando estava comendo a sobremesa, mordi algo duro. Ao tirar o objeto da boca, percebi ser um anel. Um anel lindo, por sinal. De outro branco com um diamante em formato de coração enorme em cima.

– Como isso veio parar aqui? – Perguntei, limpando o anel no guardanapo, impressionada pela sua beleza.

– Eu mandei que pusessem aí. – Edward disse simplesmente. Olhei para ele com a testa franzida.

– Por que você faria uma coisa dessas? – Perguntei. Ele revirou os olhos, se levantou e ajoelhou-se ao meu lado. Não pude acreditar no que via. – Oh, meu Deus!

– É isso mesmo. – Ele disse sorrindo com o meu espanto. – Isabella Swan, você quer se casar comigo?

– Edward... Eu... Eu... Eu aceito sim. – Falei, uma lágrima solitária escorrendo pela minha bochecha. Edward então pegou o anel das minhas mãos e colocou no meu dedo.

– Eu te amo, Isabella. – Edward falou.

– Eu também amo você. – Repliquei.

Não tinha mais palavras para ele, por isso o beijei intensamente, esperando que ele pudesse sentir o que eu queria lhe dizer naquele beijo.



~~



Com a ajuda de Alice, o casamento ficou pronto em menos de um mês. Edward fazia questão que nos casássemos antes que o bebê nascesse e eu já estava com seis meses, por isso não havia tempo a perder.

Tudo estava perfeitamente perfeito.

A festa era na casa da própria Alice, que era enorme e tinha um gramado perfeito atrás, com um jardim lindo circundando-o. As cadeiras estavam dispostas pelo gramado com lírios brancos para adorná-las. Eram minhas flores preferidas.

Meu vestido era lindo. Simples, mas bonito. Combinava muito comigo, com o meu jeito.

Não foi uma cerimônia grande. Nem eu nem Edward tínhamos nenhum parente – exceto James, claro. Mas agora ele era empregado do Edward, encarregado dos trabalhos pesados. E Emmet havia colocado um localizador em seu calcanhar, daqueles que os presos usam, para que ele não tentasse fugir. Mas pelo que eu ouvira falar, ele não fizeram uma única tentativa. Esperava que agora ele tomasse jeito.

No fim foram apenas alguns dos nossos amigos, parceiros e sócios de Edward, alguns dos meus ex-colegas de escola e de faculdade. Nada demais. Ainda assim foi lindo.

Quando eu vi Edward me esperando no altar, eu sabia que aquilo era o certo.

Talvez fosse o destino que tivesse feito com que eu entrasse naquele beco, naquele dia de chuva. Aquilo havia nos aproximado. Fora apenas o primeiro passo.

Nosso caminho foi torto, mas no fim acabara bem.

Na hora da dança, todos queriam um momento para parabenizar o noivo e a noiva. Tive que rodopiar com estranhos e mais estranhos na pista de dança. Um deles, em particular, não foi dos mais agradáveis.

– Está linda, Isabella. – O homem falou.

– Obrigada. – Respondi educadamente. Nem mesmo sabia o seu nome.

– Uma pena casar com Edward Cullen. Com certeza estaria mais feliz ao meu lado. – Ele disse. Olhei melhor para o seu rosto, tentando descobrir quem era aquela pessoa tão sem tato.

Mas antes que outra palavra fosse dita, Edward me puxou pelo braço para me afastar do homem.

– O que você está fazendo aqui, Marcus? – Edward perguntou. Um arrepio me percorreu ao perceber quem ele era.

– Apenas estava cumprimentando a noiva. Fiquei magoado quando o meu convite não chegou. – Ele disse, sorrindo levemente. Edward estreitou os olhos e ele imediatamente parou de sorrir.

– Vamos deixar algo bem claro aqui, Lord Marcus. Se veio aqui querendo pregar alguma peça, ou tentar me assustar de algum modo, desista. Eu sei o seu segredo. Minha língua coça para contar cada vez que seu nome e o do seu maldito clube de aberrações é mencionado. Mas acho que não vai demorar muito até você cair na miséria sem precisar da minha ajuda. – Edward falou.

– Não sei do que... – Marcus tentou, dando um passo atrás.

– Poupe-me sua negação. Se quiser, peço para os meus seguranças para segurá-lo aqui enquanto ligo para os seus investidores. Acho que eles não vão gostar muito de saber que você está falido, pedindo empréstimos em todos os bancos da cidade, menos o meu, obviamente, pois você ainda tem um pouco de inteligência. – Edward disse.

– Não, não faça isso. – Marcus pediu.

– Você achava que viria até aqui, na minha festa, atormentar a minha noiva e sairia ileso? – Edward questionou. Então olhou para mim. – Mas por respeito à minha mulher e ao nosso casamento, eu vou lhe dar uma vantagem de meia hora antes de chamar a polícia, o que acha?

Marcus não disse nada, apenas saiu de perto de nós o mais rápido possível.

– O que foi tudo isso? – Eu quis saber, quando finalmente recuperei a voz. Edward me puxou para dançar uma música lenta, me fazendo relaxar.

– Não se importe. Marcus está falido, seu clube está sendo investigado pelo FBI e ele logo estará na cadeia, provavelmente condenado à pena de morte pelos seus crimes. Vamos apenas dançar e esquecer que um verme como ele se quer existe. – Edward pediu.

E foi o que eu fiz. Eu tinha medo desse lado meio mal do Edward, mas sabia que com ele estava segura. Em seus braços eu não tinha o que temer.

Meia hora depois Edward ligou para o FBI, que conseguiu capturar Marcus enquanto este tentava fugir do país. Junto com ele, vários homens importantes e de “respeito” também caíram, inclusive Aro Volturi. Nenhum deles tinha esperança de sair da cadeia em menos de trinta anos, se saíssem.

~~



Renesme nasceu dois meses depois do casamento, forte e exigente. Parecidíssima com o pai, ela me dava apenas alegria. Edward com frequência ficava em casa para cuidar dela, ultimamente. Eles se davam tão bem que era de doer o peito de tão fofo.

Alguns meses atrás eu não podia fazer ideia de que algo assim pudesse me acontecer. Aquele apartamento, aquele lugar que antes havia sido a minha prisão, agora era um lar de verdade.

Apesar de tudo ter acontecido de modo torcido e estranho, acabara bem. E eu não poderia estar mais feliz na vida. Agora eu tinha a minha própria família, quando antes eu não tinha nada.

Agora eu tinha algo pelo que viver, o que amar. Tinha tudo o que precisava.

Notas finais
Bom gente, foi bom enquanto durou. Mas agora é o fim, acabou, não tem mais jeito, ai de mim... (Acho que a música é assim...). Mas em fim... Espero que vocês tenham gostado da fic. Se gostaram, não se esqueçam de recomendar. ;) E agora tã dã dã dã... Bom, estou prevendo para postar minha nova long na sexta-feira. Provavelmente ela irá se chamar NO AMOR E NO CRIME. Lá vai a Sinopse: "Edward é o melhor ladrão de todos. Tão bom que nem se quer sabem que ele existe, apenas se perguntam quem foi capaz de cometer um roubo tão grande sem deixar pistas. Mas isso não é tudo o que ele é. Vocês verão que por baixo desse criminoso há mais do que mero desejo por dinheiro. O que ele fará quando a filha de seu mentor aparecer na sua porta, desamparada, o pai tendo acabado de ser preso? Terá que aceitar Bella Swan debaixo de seu teto e lidar com aquela mania que a garota tinha de dizer que o amava." E vocês que leem (ou liam) INOCÊNCIA PERDIDA, não pensem que eu me esqueci dela. Estou tentando dar um jeito de desempacá-la. Veremos o que sai. Bjuuuuus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!