Cansei-me de sentar em mesas cheias de pessoas vazias.

Cansei-me da solidão crescente de uma roda de ‘alegria’.

Cansei-me de textos furados cobertos de fantasia.

Cansei-me desse choro entalado na minha garganta fria.

Cansei.

Cansei-me de sentir tudo enquanto a pele arrepia.

Cansei-me do passado presente que me espia.

Cansei-me do futuro carente que pela janela se via.

Cansei-me do vazio no peito que me detinha.

Cansei.

Cansei-me da humanidade doente que me destruía.

Cansei-me do peito descrente em que eu vivia.

Cansei-me da vida diferente em que a esperança não vinha.

Cansei-me deste texto enquanto o escrevia.

Cansei.

Cansei-me da destruição que absorvia.

Cansei-me do mundo de repente que me definharia.

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