Candor Lunar - Livro 2
9 Capítulo 8 – O pântano da desolação.
Notas iniciais
Bjks Diê Kellner.
Eu me perdi nas horas que passaram estranhas, parecia um sonho nebuloso… ouvia as pessoas perto de mim, eu as ouvia conversar e murmurar, ouvia o ronco do avião e notava distraidamente as nuvens alvas que flutuavam ao nosso redor formando um mar etéreo e infinito.
Eu ouvia chamadas nos aeroportos, cidades que passávamos... Phoenix, Nova Iorque, Toronto, Londres... Edimburgo. Neste percurso longo e de horas que eu não contei, Carlisle e Jasper vinham falar comigo e lembro de murmurar palavras me esforçando ao máximo para parecer lúcido, mas a verdade é que eu me encontrava perdido.
A minha falha em não conseguir proteger Renesmee não me saia da cabeça, sem contar que foi esta falha que arrastou Bella para uma batalha culminando no sequestro das duas. Eu tentava manter minhas forças, mas quando um homem tem tudo arrancado de si, não resta muita energia para continuar... eu me culpava e não havia nada que melhorasse esta dor. Eu havia perdido minha esposa e minha filha.
O que sempre desejei, acima de tudo... era que Bella tivesse uma vida normal e que desfrutasse de tudo o que ela teria se ainda fosse humana, eu me lembro de quando a vi na escola a tanto tempo atrás, e só de pensar em seu sorriso comedido meu coração se entristece. Mas talvez apenas aqueles que já sentiram saudade de um amor possam compreender o que eu digo, a opressão de uma ausência torna tudo monocromático e pesado, como se o ar fosse denso demais para entrar em nossos pulmões.
O som da voz de Bella sempre toma minha mente... embala minha saudade, aqueles olhos teimosos e a mania que ela tinha de tirar o cabelo do rosto empurrando as mexas para trás da orelha. Um sorriso rápido e tímido... o modo gaguejante que assume quando está brava ou nervosa... seu cheiro, seu jeito... tudo isso construía meu mundo.
Aro não tirou apenas minha esposa... tirou meu mundo... minha força. Sem Bella eu não sou nada.
Foi quando percebi, talvez quando minha consciência voltou a mim por um segundo, que eu estava sentado sobre uma cama num quarto escuro... era noite e não havia estrelas no céu; o quarto era pequeno e levemente charmoso, a cama era alta, larga e fofa coberta por uma colcha de retalhos esverdeada. Havia móveis antigos e desarmoniosos pelo aposento, uma cômoda caramelo desajustada quando observada ao lado de um guarda-roupa azul claro; o papel de parede seguia o mesmo tom desbotado da colcha e a janela me olhava desconfiada por trás de uma cortina de renda esvoaçante.
Eu me senti imediatamente perdido, não me lembrava direito de como cheguei ao quarto, tudo parecia tão nebuloso e desconexo, como se eu não conseguisse perceber o que se passava ao meu redor. Caminhei até a janela e me desvencilhei da cortina, lá fora uma ruazinha pacata adormecia tranquilamente, o pavimento úmido por uma chuvinha calma que caía como um pranto, os postes de iluminação lançando pela noite uma luminosidade fraca e amarelada. Tudo era silêncio.
Olhei para o relógio em meu pulso e os ponteiros marcavam 2 horas da manhã, eu estranhei o horário... não me recordava de ter anoitecido e muito menos de ser tão tarde. Seria o trauma de uma quase morte? Estes apagões de consciência seriam uma sequela de meu ferimento? Ou seria apenas a dor de estar longe de Bella e Nessie?
De qualquer forma... isso não estava bem. E foi assim, perdido em pensamentos e preocupado com meu comportamento isolacionista, que uma batida leve se fez ouvir na porta do quarto.
- Entre – eu disse me aprumando.
- Edward... – disse Kaori em sua voz farfalhante – Incomodo?
- Não, é claro que não. Em que posso ajudá-la?
- Eu temo parecer intrometida, mas uma vez que me acolheram em sua casa e que lutei ao lado de sua família, bem, eu tenho que dizer... estou muito preocupada com você – disse ela sentando-se na beirada da cama como se estivesse prestes a sair correndo dali.
- Estamos todos preocupados, Kaori.
- Não, desculpe-me... mas você está se perdendo, Edward – ela falou baixinho como se estivesse envergonhada de me dirigir um pensamento de forma tão íntima – Assim como eu me perdi quando meu marido e meu filho foram assassinados e me tornei menos que um fantasma errante; eu temo que sua consciência o abandone se não se esforçar em permanecer lúcido.
- Isso acontece contra a minha vontade – eu respondi sem emoção – Estes apagões de consciência, é como se eu desligasse de tudo... num momento estávamos caminhando pelas florestas da América Central e agora estamos aqui, neste país nublado e frio.
- Você precisa perseverar, Edward... não pode se deixar abater, se fizer isso, vai se tornar um espectro entristecido e vagará como um louco desatento pelos arredores do mundo. Se você se perder dentro de si mesmo... quem resgatará Bella e Renesmee?
- Tudo está contra nós, Kaori. Tudo. Eu sinto Bella e Nessie tão longe, tão distantes de mim... parece que o mundo nos apresenta obstáculos intransponíveis a cada passo que damos rumo a Volterra. Eu não sei como encontrarei forças para alcançar nosso objetivo; antes éramos fortes e agora somos fracos... há um exército há nossa frente e dependemos do auxilio de duas feiticeiras que não irão querer nos auxiliar.
- Mas você não pode desistir Edward! – disse Kaori se levantando e me encarando com um olhar suplicante – Você foi forte durante os anos de solidão em que viveu triste pelos cantos, foi forte em não machucar Bella quando se apaixonaram... foi forte em manter-se ao lado de sua família quando aqueles malditos vieram para tomar Nessie de vocês; você foi forte quando enfrentou-os novamente e perdeu grande parte de sua família e amigos. E foi ainda mais forte quando se reergueu do lodo e voltou para nós quando todos achavam que estaria morto... Edwartd, você precisa se concentrar para salvar Bella e Nessie.
- Esse estado de inércia independe da minha vontade, Kaori. Eu sei o que tenho que fazer... sei que tenho que salvar minha esposa e minha filha, mesmo tendo consciência que não me resta quase nenhuma força.
- Eu sei disso. Mas você sabe tão bem quanto eu que grande parte das realizações deste mundo foram feitas por homens que se sentiam derrotados, mas que não tinham outra escolha a não ser prosseguir. Eu sei que você está com as forças minadas e que está fazendo mais do que consegue, mas Edward, eu não consigo imaginar Bella sem você ou vice-versa.
- Está tudo bem, Kaori – eu respondi sorrindo para aliviá-la – Eu não vou desistir de Bella e Renesmee... mesmo que eu não tivesse forças para procurá-las, eu não desistiria. Não precisa se preocupar, ainda verá essa família se reerguer... afinal, você acabou de chegar e seria injusto que não tivesse mais a nossa presença, não é mesmo?
- Obrigada, Edward... – disse ela sorrindo para mim, em seguida ela se virou e deixou o quarto com o som leve de brisa que era uma característica marcante em Kaori.
Eu me voltei novamente para o tempo nebuloso lá fora, a janela parcialmente embaçada pelo frio como uma lousa esfumaçada por giz branco, a bruma tomava conta das ruas deixando tudo como num ambiente de sonhos, onde você não consegue discernir se está realmente acordado ou se perdido em sonhos tortuosos.
Fiquei assim por um tempo, até que o cansaço me levou a deitar na cama, e ali fiquei estirado lembrando todos os momentos passados ao lado de Bella... eu fechei meus olhos cansados de encarar um teto estranho e suspirei baixinho para mim mesmo.
- Você tem que continuar, meu caro... você tem que continuar.
E foi quando senti um leve deslocamento de ar ao meu lado, como se o vento tivesse se deitado próximo a mim, senti a presença de alguém e sabia que novamente minha mente estava me pregando peças... eu não queria abrir meus olhos e ver o que sabia que veria, mas então, uma mão leve e delicada tocou meu rosto como o mais afetuoso dos ares.
Imediatamente abri meus olhos e me virei para encarar o rosto de Bella, ali, ao meu lado, estava aquele espectro dela que havia me tirado do leito lodoso do rio, uma projeção translúcida de minha esposa criada pela minha mente nestes momentos difíceis.
- Você está cansado... – ela sussurrou perto de mim, seu hálito doce como uma tempestade de flores tocando meu rosto, aqueles olhos dourados e espectrais me encarando com reprovação como Bella sempre fazia nos momentos em que ficava chateada comigo.
- Você não está aqui... não de verdade... – eu respondi com tristeza.
- Não aqui... não neste quarto... mas estou aí – ela disse tocando meu peito na altura do coração – Isso já é o suficiente para saber que eu estou esperando você.
- Estou perdendo minha sanidade?
- Não, meu amor... você está apenas com saudade, como eu estou... mas tenho que aguentar firme, por mim e por Renesmee; eu tenho certeza de que você conseguirá nos encontrar.
- Eu estou tentando, Bella – disse com a voz falhando – Mas o mundo todo parece estar contra nós, a cada passo dado parecemos regredir dez... agora estamos aqui neste fim de mundo procurando duas bruxas. E pensar que teremos que enfrentar Flávius Aurélius e os Mercadores da Morte, ainda mais com toda a distância que teremos de percorrer.
- Você vai desistir? – ela perguntou me olhando com atenção.
- Não, jamais desistiria mesmo que levasse mil anos... permanecerei buscando a sua liberdade e a de Nessie nem que isso exaura todas as células do meu ser. Eu prefiro morrer antes de deixar de buscá-la aonde quer que esteja.
- Então meu amor... venha para mim...
- Bella – eu chamei vendo que sua imagem se desvanecia ao meu lado – Não vá.
- Eu preciso, Edward... você sabe que sou fruto da sua mente, não posso ficar... mas eu e Renesmee estamos te esperando; contra todas as possibilidades e acima de qualquer esperança, estamos te esperando.
E a imagem de Bella se foi como fumaça lançada ao vento, se desfez entre meus dedos quando tentei alcançá-la, uma névoa liquefeita cuja voz ficou ecoando em minha mente alquebrada. Mas isso serviu para eu despertar de um estupor letárgico em que eu me enfiava, levantei da cama subitamente e observei meu reflexo apagado na janela do quarto escuro... fiquei surpreso comigo mesmo por ter perdido tanto tempo em devaneios desnecessários.
O trauma por ter sido quase morto e ter perdido meu poder me fizeram automaticamente perder um pouco de minha autoconfiança; eu me sentia aleijado por não poder mais ouvir os pensamentos dos outros e sabia que isso me tornaria muito mais vulnerável numa luta, entretanto, eu não podia ficar me lamentando... era hora de voltar à realidade e me concentrar em trazer minha Bella e Renesmee novamente para casa.
Respirei fundo e deixei o quarto, apurei minha audição para captar a voz de Carlisle e me dirigi direto para seu quarto, o corredor era mal iluminado e as paredes mantinham o padrão de papel de parede verde descascado, o cheiro de mofo impregnava o ambientem mas não me importei... parecia ser o charme do lugar e eu só senti devido às minhas características sobrenaturais. Bati uma vez na porta e entrei dando de cara com Jasper e Carlisle me olhando atentamente.
- Boa noite – eu disse.
- Você está melhor? – perguntou Jasper – Andava meio... distraído.
Por um instante eu me senti mal, um peso surgiu em minha mente deixando-me envergonhado diante de Jasper... ele estava sendo muito mais forte do que eu, Alice também fora sequestrada e sofria agora os mesmo horrores que Bella, mas Jasper não se entregou nem por um segundo. Ali estava ele junto de Carlisle e os dois se encontravam debruçados sobre mapas físicos e políticos da Escócia, Jass não havia se desesperado ou se deixado abater, ele havia aceitado o destino e o enfrentava de cabeça erguida... eu também faria isso.
- Desculpem minha distração – eu respondi – Eu estava com muita coisa na cabeça, mas agora já clareei minha mente e vim aqui para ajudá-los a traçar planos para nossa viajem.
- É bom saber que você está se concentrando – disse Carlisle sorrindo.
- E então? Para onde vamos? – eu perguntei me aproximando dos mapas espalhados sobre a mesa.
- Bem, como pode ver estamos muito longe de nosso destino – disse Jasper me mostrando Edimburgo, onde nos encontrávamos, e a vila de Wick no extremo norte do país – Será uma longa caminhada.
- E quanto a avião?
- Não compensa – respondeu Carlisle – Se dependermos de todas as conexões em aeroportos nós perderemos um tempo precioso, sem contar que o clima da Escócia é bastante complicado para tráfegos aéreos, basta uma manhã de neblina intensa para nos atrasar em algum lugar.
- Deste modo – continuou Jasper – Queremos aproveitar as imensas áreas desabitadas deste país e cruzar seu interior praticamente em linha reta até o extremo norte, e só então guinarmos para o leste em direção ao litoral e à cidade de Wick.
- O trajeto não é complicado?
- Não muito... a geografia da Escócia favorece nossa corrida, é claro que há montes escapados e de altura considerável, mas podem ser facilmente contornados. Temos que aproveitar as highlands e a extensa área do Caimgorms National Park que estará em nosso caminho, isso nos dará mais agilidade para cruzarmos o país mais rapidamente.
- Garret e Kaori foram reconhecer o terreno – disse Carlisle – Mas pelo que Jasper e eu analisamos... não teremos tantos problemas e talvez em menos de dois dias consigamos chegar a Wick correndo a toda nossa velocidade.
- E quanto aos lobos? – eu perguntei sabendo que apesar da força dos quileutes, Jacob e Seth ainda eram humanos por baixo de todo aquele pelo, e certamente a viajem os fadigaria.
- Conversamos sobre isso – respondeu Jasper – No momento eles estão dormindo, mas nem pestanejaram em aceitar o plano, eles não se importam de correr daqui até o norte e acho que a resistência deles não é um problema para nós. Os lobos são muito fortes.
- Então basicamente... há uma rota para seguirmos?
- Sim – disse Carlisle – Aqui, veja... a idéia é seguirmos para oeste até o Parque Florestal Queen Elizabeth, e então subirmos até Fort Willian, de lá circularemos o Lago Monar e continuaremos em direção às vastas planícies de Braemore e finalmente seguir em linha reta até Wick.
- Será um percurso longo... – eu suspirei.
- Sim, e nosso tempo é escasso – disse Jasper – Por isso propus a Carlisle que deixemos Jake e Seth dormirem mais algumas horas para sairmos antes do amanhecer.
- Concordo... – respondi enquanto analisava novamente o traçado que Carlisle me mostrara no mapa.
A manhã não havia despontado no céu e nós já nos encontrávamos muito distantes da capital escocesa, as infinitas highlands deste país eram um espetáculo aparte que emocionava mesmo os corações mais pesados. O céu permanecia quase sempre num misto de nuvens espaçadas e banhos solares, hora ou outra um raio luminoso rompia o teto imensurável de nuvens e banhava áreas imensas com uma luz dourada e quente tornando tudo ainda mais impressionante.
Os pastos longínquos se abriam para nós com seu verde eterno e vívido, algumas rochas sempre despontavam do solo como caroços rochosos nesta pele esverdeada das planícies, colinas se erguiam aqui e acolá em montes de turfa verde orvalhada pela madrugada. Os campos da Escócia podiam se estender como um dos locais mais ermos, mas, ao mesmo tempo, de uma exuberância tal que era raramente encontrada em qualquer outro canto deste mundo imenso.
Kaori corria a nossa frente, ela mostrou-se incrivelmente veloz... até mais veloz que eu, pelo visto, perdi meu posto de mais rápido dentre os Cullen; Carlisle seguia ao meu lado e Jasper e Garret um pouco atrás já que estavam mais pesados carregando as mochilas de Jacob e Seth. Os dois quileutes nos acompanhavam a passo cerrado, correndo em nossos flancos como dois ventos furiosos... Jacob estava tão quieto quanto eu nos últimos dias, a ausência de Nessie e o peso da morte de quase todos os lobos de La Push recaiam sobre seus jovens ombros.
A tarde nos encontrou assim como a noite, estávamos nos arredores de Rhian, logo após o grande Lago Shin... e paramos para que Jacob e Seth se alimentassem e descansassem um pouco, afinal, já havíamos percorrido metade do caminho em pouco mais de vinte e quatro horas de viajem. Com os mantimentos adquiridos em Edimburgo os dois jantaram consideravelmente bem e acabaram dormindo imediatamente após a refeição.
- Eu sempre me impressiono com a capacidade que estes meninos têm para dormir rápido – disse Kaori num meio sorriso.
- O metabolismo deles é muito acelerado – respondeu Carlisle – Eles queimam muita energia mantendo o corpo numa temperatura tão alta para suportar as transformações quase instantâneas a que se submetem.
- Apesar de que Seth é uma coisa de outro mundo – riu Jasper – Entre o inclinar e o travesseiro ele já está dormindo... era uma coisa de louco, sempre caía no sono em nossas partidas de pôquer.
- Eles parecem tão tranquilos dormindo, chega a quase me dar sono – completou Garret.
- Vamos deixá-los dormir até amanhã cedo? – eu perguntei preocupado com nosso tempo.
- Acho melhor – respondeu Carlisle – Não acho bom que corram tanto, a uma velocidade tão grande, sem terem descansado de forma adequada. De nada adianta se os dois tiverem uma crise de exaustão devido à estafa demasiada.
Assim, Jacob e Seth só foram despertos quando o sol estava quase raiando nos céus do oeste, tomaram o desjejum rapidamente e Jake ficou de mau humor por termos deixado que dormissem tanto...
- Eu ainda não consigo correr dormindo, Jake – fungou Seth com um pedaço de carne seca na boca.
- Então comece a aprender Seth... eu não quero perder meu tempo dormindo – respondeu Jacob bruscamente.
E com os dois resmungando recomeçamos nossa viagem, mas isso me fez refletir em como a situação nos afetava... estávamos todos muito mais quietos que o normal. Mesmo Carlisle e seu incansável otimismo já dava sinais de fraqueza; Jasper, quando podia, se afastava do grupo e ficava sozinho num canto perdido em seus pensamentos tristes... assim como o resto de nós.
Nossa velocidade espantosa nos arremessava através das planícies verdejantes da Escócia rumo ao nosso destino traçado; corríamos desesperados e contra o tempo, rumávamos ao encontro de duas vampiras antiguíssimas que provavelmente não nos auxiliariam de boa vontade... nos apressávamos para rumar em direção à Volterra e lá encontrar nossos amores... ou nossa morte.
Assim, as milhas passavam velozes sob nosso pés, nossos corações muito distantes de nós e nossa força de vontade, apesar de trincada, impelia-nos a continuar nossa busca por justiça... e vingança. E foi com este espírito inabalável e cansado que finalmente chegamos a Wick, uma cidade costeira cuja larga e faiscante baía de Wick desembocava suas águas doces e claras no gelado mar do Norte.
Era próximo ao meio dia quando pisamos em suas circunvizinhanças, nosso objetivo não era permanecer em Wick uma vez que Erestor nos alertou de que as bruxas moravam muito afastadas da cidade, entretanto, assim que o sol se escondeu atrás de um grande aglomerado de nuvens, Kaori correu até um bairro próximo para colher informações... infelizmente não as que esperávamos.
- Não tenho boas notícias – ela falou se aproximando de nós que a aguardávamos sentados no alto de uma pequena colina gelada – Os habitantes daqui desconhecem a existência de um pântano pela região.
- Ótimo – bufou Jacob – Fomos enganados.
- Calma – pediu Carlisle – Kaori, os habitantes daqui conhecem bem a região?
- Sim... e eles não sabem de nenhum Pântano da Desolação e até estranharam a minha pergunta.
- E agora? – perguntou Garret.
- Talvez tenha alguma coisa relacionada ao feitiço das bruxas... – conjecturou Jasper.
- Tem razão – eu falei imaginando isso também – Pode ser que o encantamento impeça as pessoas de descobrirem o pântano, Erestor nos avisou disso... de um encantamento de proteção.
- Então sou a favor de seguir para o oeste até toparmos com este pântano – disse Seth.
- Acho que não temos muita escolha – respondeu Carlisle.
Com isso, e sem uma alternativa segura a não ser a conclusão de Jasper, seguimos correndo em linha reta para o oeste a fim de tentar “ver” com nossos olhos sobrenaturais algum vestígio invisível aos olhos humanos. Mas descobrimos, depois de muitas milhas, quando chegamos à Kinloch Lodge que havíamos ido longe demais sem encontrar o pântano.
“E aquele lamaçal lá atrás perto de Shurrery”? – perguntou Seth em nossas mentes enquanto sua forma maciça de lobo emparelhava comigo.
“Aquilo não passava de um charco” – respondeu Jacob mentalmente – “Se aquilo era um pântano então eu sou um buldogue francês”.
“Também acho” – concordou Kaori usando o dom mental, era ruim falar enquanto corríamos – “Já estamos quase do outro lado do continente, chegando no litoral oeste, corremos o dia todo e não encontramos vestígio de um pântano de verdade”.
“O que faremos então”? – perguntou Jasper.
- Estamos com um problema – disse Carlisle fazendo-nos parar – Não podemos ficar correndo de um lado para outro sem qualquer rumo, Erestor deixou claro que ao oeste de Wick existia um pântano, nós nos afastamos demais... não deveríamos ter deixado a região da cidade.
- Vamos voltar? – perguntou Garret.
- Acho que sim.
“Aí fica difícil, Carlisle” – disse Jacob ainda na imensa forma de lobo – “Nós perdemos um dia todo vindo até aqui só para termos que voltar para lá? O que faremos quando chegarmos a Wick”?
- Sinceramente, Jake – respondeu Carlisle cansado – Eu não sei, mas o que quer que façamos, temos que fazer lá... o segredo está em Wick e não fora dela.
E com o coração pesado e a vontade dilacerada, retornamos nossa corrida desabalada em direção a Wick... mas nada me preparava para uma desilusão tão grande.
11 dias depois
- Mas não é possível!? – berrou Jacob, ele tinha assumido a forma humana e agora sua voz raivosa reverberava pela campina – Há quase duas semanas nós perambulamos por este país sem qualquer vestígio deste maldito pântano.
- Jacob, por favor, fique calmo – pediu Kaori numa voz baixa.
- Não há como ter calma... nós estamos perdidos no meio do nada enquanto Nessie está presa com aqueles malditos tarados italianos... como eu posso ter calma? Eu desisto! Danem-se aquelas bruxas estúpidas... eu vou para a Itália.
- Você não ouviu nada do que Erestor nos falou, Jacob? – eu perguntei quase tão impaciente quanto ele, estes dias perdidos na Escócia já havia minado minha paciência.
- Claro que ouvi! – ele respondeu num grito – E como nós poderíamos confiar num maldito vampiro fazendeiro que nos mandou para lugar algum? Se duvidar ele está mancomunado com os Volturi e nós estamos apenas zanzando como baratas tontas, prestes a sermos atacados.
- É uma possibilidade... – concordou Jasper.
- Eu não acho que tenhamos sido enganados por Erestor – ponderou Carlisle – Tenho comigo que isso se deve à magia das duas bruxas.
- Elas não podem ser tão poderosas a ponto de ocultar um pântano inteiro, Carlisle, isso é loucura, a sua mania de confiar nas pessoas pode estar nos fazendo perder tempo... já devia ter aprendido a lição com os Volturi.
- Detesto ter que concordar com Jake, Carlisle – eu disse – Mas com ou sem encantamento, já deveríamos ter encontrado este lugar.
- Vocês não têm noção do poder que estas bruxas possuem... – respondeu Carlisle pacientemente – Mas compreendo a impaciência de vocês, tudo o que peço é que procuremos uma última vez... acho que tenho uma ideia que vale a pena tentar.
Aproveitando o dia nublado e contrariando nossa opção por viajar apenas pelos campos, nosso grupo seguiu pela estrada principal, B876, caminhando no passo mais humano que conseguimos o que deixou Jake e Seth ainda mais impacientes, eles detestavam caminhar na forma humana, tanto pela lentidão como pelo fato de cansarem mais rápido.
A estrada era bonita, havia acostamentos amplos e cercas nas propriedades rurais que corriam ao seu largo, os campos semeados eram exatamente retangulares e proporcionados de maneira a encaixarem perfeitamente entre os vincos no solo que serviam de irrigação. Pareciam formas de bolos verdes gigantes.
Durante mais de 3 horas caminhamos até chegar às cercanias de uma pequena cidade chamada Killimster, não mais que um pequeno amontoado de casas e um correio, do lado esquerdo da estrada havia um campo imenso de pasto onde a cerca caía aos pedaços, não havia plantações ali. Durante alguns longos minutos, Carlisle ficou olhando para aquela terra e em seguida caminhou para dentro da cidadezinha em direção a uma praça. Lá nos fez sentar e ficar olhando os jardins como se fossemos meros turistas... Kaori até tirou umas fotos com o celular de Jasper que, por sinal, estava quebrado... mas tudo em prol da encenação.
Carlisle, por sua vez, caminhou até um banco de praça onde se sentava um senhor de meia idade, todos ficamos a postos e com nossa audição ouvindo a conversa. Carlisle pediu licença e sentou-se ao lado do homem puxando assunto logo em seguida, perguntou do clima e da cidade, elogiando a limpeza das ruas e apreciando os jardins da praça com seus calçamentos de pedras brancas recortadas em paralelepípedos. O homem ficou muito feliz em contar para Carlisle sobre a estória do povoado, talvez nem sempre houvesse bons ouvintes e um homem jovem, belo e de bons modos parecia uma plateia que superava suas expectativas.
- Durante um bom tempo, eu quis me mudar para a Escócia – disse Carlisle ao homem – Acabei comprando uma casa em Liverpool na Inglaterra, um arrependimento, deveria ter vindo morar nesta pequena e graciosa cidade chamada Killimster.
- Ah, o senhor encontraria bons amigos por aqui – disse o homem de forma alegre.
- Mas acho que seria difícil encontrar lugares bons para morar... ou terras, o senhor conhece alguém que esteja vendendo um pouco de terra ou uma propriedade pequena? Talvez eu ainda me interesse.
- Ah, o velho MacGrugger tem uma terra pra vender, poucos alqueires aqui para o lado de North Killimster, mas não é uma terra boa, é muito inclinada e esburacada.
- Entendo, mas eu estive olhando esta propriedade aqui – disse Carlisle apontando para as terras do lado esquerdo da estrada que ele a pouco observara – E ela parece estar abandonada... será que o proprietário não teria interesse em vendê-la?
- As terras da velha família Nimue? – respondeu rindo o homem – Não, não... estas terras estão abandonadas a gerações... antes mesmo de meu bisavô nascer as lendas sobre estas terras já existiam.
- Puxa! – exclamou Carlisle interessado – Eu adoro lendas locais...
- Bem, há muitos anos, séculos dizem alguns mais velhos que eu, mudou-se para cá uma senhora estranha e sua filha, chama-se Nimue, sempre viveu escondida numa casa caindo aos pedaços no alto da colina de suas terras... jamais conversava com as pessoas dos povoados e parecia uma mendiga envolta em farrapos, mas apesar da aparência miserável... era dona de muitos hectares de terra. Morreu e acabou não tendo herdeiros, pois sua filha jamais se casou, as pessoas tinham medo delas, diziam que matavam homens para lhes beber o sangue... quando morreram, os assassinatos terminaram e as terras são tão estéreis que ninguém tentar plantar nada lá. E quem tenta... volta meio louco.
- Meio louco? – perguntou Carlisle.
- É... sabe, tem algo errado nestas terras, quando você sobe a colina e entra nas ruínas do que foi a casa da mulher e sua filha, você simplesmente começa a caminhar em outra direção e se afasta... parece magia. Uns moleques daqui da cidade foram à noite até lá para provar sua coragem, coisa de adolescente, sumiram por dois dias e foram encontrados em Halcro... como se estivessem em transe.
- Muito estranho... – suspirou Carlisle – Então quer dizer que ninguém vai até estas terras?
- Ninguém... por isso, caso esteja interessado em comprar propriedades por aqui, nem pense em procurar as terras de Nimue, elas não estão a venda... e acho que jamais estarão.
Carlisle agradeceu a atenção do homem e voltou para nosso grupo, deixando de lado nossa encenação, caminhamos novamente para a estrada e atravessando-a fomos nos postar diante da cerca apodrecida onde apenas poucos carreiros de pedra ainda formavam uma espécie de mureta dividindo as terras da estrada.
- O que acharam? – perguntou Carlisle.
- Nimue é uma personagem do folclore bretão... enfeitiçou o mago Merlin – eu disse refletindo um pouco – Seria um nome apropriado para uma bruxa que pretendeu mudar o nome.
- Acha que elas estão aqui? – questionou Jasper – Isso significa que todo este lugar está encantado há quase mil anos e estas pessoas nunca souberam de nada?
- Ao que parece... – concordou Carlisle.
- Isso não parece um pântano – observou Seth.
- Talvez esse seja o encantamento... – disse Garret – Está camuflando toda esta área.
- Esperem! – disse Jacob surpreso – Estão dizendo que há um pântano por trás desta paisagem de campo abandonado?
- Pelo visto sim...
- Quando desconfiou deste lugar? – eu perguntei a Carlisle sem desviar o olhar do campo a nossa frente.
- Do outro lado deste campo, em linha reta, fica Winless... há dois dias nós passamos por lá e eu senti algo estranho, estas terras podem ser vistas de lá e quanto mais nos aproximávamos mais alguma coisa nos dizia que era o caminho errado. Talvez o feitiço não tenha tanto efeito em nós como nos humanos... nós apenas sentimos como se estivéssemos no caminho errado ao em vez do feitiço nos repelir enviando-nos para longe como foi o caso dos garotos.
- Pensando bem... este lugar tem um cheiro estranho – disse Seth encarando o campo – Parece estar aqui e ao mesmo tempo não está.
- Também sinto isso – completou Kaori – É como se todo o lugar fosse cercado por uma névoa fina...
- Qual é o plano? – quis saber Jacob.
- Vamos caminhar mais um pouco pela estrada até sairmos de vista – disse Carlisle – Então poderemos pular esta mureta e entrar no campo, acho melhor não chamarmos a atenção ou as pessoas daqui ficarão curiosas com turistas entrando em terras alheias e amaldiçoadas.
Deste modo, caminhamos por cerca de dois quilômetros antes de entramos nas terras abandonadas, e logo que pisamos nos campos estéreis ficou evidente que o encantamento estava presente; era como se sua mente ficasse confusa com alguma coisa, como se você tivesse certeza de que não deveria estar aqui, e constantemente parávamos de caminhar permanecendo olhando para os lados como se procurássemos alguma coisa... por sorte, sempre um de nós conseguia puxar os outros.
- Esta confusão parece nublar minha mente – reclamou Jacob.
- Bella fez falta agora para proteger nossos pensamentos – disse Garret.
- Vamos, concentrem-se – incentivou Jasper – Faltam menos de 500 metros até o topo da colina onde ficam os restos da morada.
Com um custo elevadíssimo chegamos cambaleantes até os escombros do que antigamente fora uma pequena casa de pedras, o cume da colina não se elevava muito acima da planície, mas o vento rondava mais forte este local ermo, o silêncio era tão agudo que parecia fazer barulho e o cheiro era estranho, como se o ar estivesse estagnado há muito tempo e o vento não fosse capaz de soprar este estranho odor de umidade e mofo.
Permanecemos perambulando pela colina por muitas horas até que o dia virou noite e a noite madrugada, as estrelas estavam encobertas por um véu espesso de nuvens e mesmo o vento frio que soprava parece ter silenciado neste monte morto e amaldiçoado. Todos caminhamos por toda a extensão do terreno sabendo que havia algo errado com o lugar mas, ainda assim, incapazes de descobrir qualquer vestígio do pântano ou das bruxas que buscávamos.
- É impossível – disse Jacob frustrado – Caminhamos por todos os lugares e até agora nada, voltamos neste maldito ponto, nesta casa caída, para nada! Ouçam, nós deveríamos partir.
- É exatamente isso que as bruxas querem, Jake – falou Kaori – Que nós desistamos sem jamais tê-las encontrado.
- Eu só sei que quando encontrá-las… vou pessoalmente arrancar suas peles de diamante para elas aprenderem a não serem covardes – rugiu Seth impaciente.
- Talvez... – disse Garret depois de alguns minutos pensando no que Seth dissera – Este seja realmente o nosso problema... estamos errando justamente em não pensar no feitiço. Vocês lembram o que o velho Erestor contou? O feitiço mantém afastado aqueles que possuem ofensa no coração, somente os que buscam as bruxas, sem lhes desejar mal, poderão encontrá-las. Acho que nossa hostilidade está tão arraigada em nossa mente, que o feitiço não nos permite passar por seu domínio.
- Há verdade nas palavras de Garret – opinou Carlisle.
- Então é isso? – quis saber Jacob – Temos que fazer de conta que está tudo bem para poder bater na porta das bruxas? Eu tenho que lembrá-los que já faz quase meio mês que estamos perdidos nestas malditas terras?
- Não é fazer de conta, Jake – eu disse seriamente – E sim acreditar nisso. Enquanto mantivermos hostilidade para estas feiticeiras o encantamento não nos permitirá passar, todos nós estamos ansiosos para encontrá-las e até obrigá-las a nos prestarem ajuda. Esquecemos, entretanto, que esta atitude esconde a iniciativa da coerção, e isso é prejudicial... este sentimento faz com que o encantamento não nos permita passar.
- Talvez eu possa ajudar... – disse Jasper e havia uma expressão pensativa em seu rosto – Posso usar meu dom para acalmá-los ao ponto de pensamentos hostis não virem à tona... mas isso iria nos deixar muito vulneráveis a possíveis perigos que este lugar guarde.
- Além disso, temos que nos concentrar para não pensar em nada que desagrade o encantamento, ou este lugar entenderá que estamos planejando algo ruim à suas senhoras... – completou Garret – Acho que estamos muito tempo perdidos por este lugar para desistir agora... sou a favor de nos concentrarmos e minarmos todos os pensamentos ruins que direcionamos a Salesiana e sua filha, com a ajuda de Jasper... poderemos passar pelo encantamento.
- O que acha? – eu perguntei me virando para Carlisle.
- Não temos alternativa – ele respondeu convicto.
- Eu não sei se vou conseguir não pensar em esganar aquelas bruxas – disse Jacob cruzando os braços e me olhando de mal humor.
- Jake, você ama minha filha? – eu perguntei a ele encarando-o.
- Mas é claro que sim... – ele respondeu estranhando a pergunta.
- Talvez o único modo de libertar Nessie seja através dos poderes destas duas vampiras, você nem ao menos vai tentar?
- Está bem... claro que vou, faço qualquer coisa por Renesmee – ela disse relaxando os ombros e me olhando com tristeza.
Reunimo-nos no alto da colina num circulo fechado, a pedido de Carlisle ficamos de mãos dadas para que todos conseguissem passar pelo encantamento, fechamos nossos olhos e tentamos limpar nossas mentes para as hostilidades que podíamos reservar para Salesiana e Charlotte; aos poucos senti meu corpo relaxar e minha cabeça desanuviar, como se tudo estivesse bem, como se uma quentura revigorante brotasse do solo e tomasse meu corpo, meus membros e minha mente me embalando numa tranquilidade apaziguadora e reconfortante.
Soube que todos estavam assim, como se o dom de Jasper fosse capaz de afastar a nuvem negra e pesada que o encantamento causava em nossos pensamentos, parecia que pensávamos com mais calma e assim pude dirigir meus sentimentos de paz para as vampiras que habitavam este lugar. Eu desejei do fundo de meu coração, não lhes causar mal, apenas pedia que nos escutassem e que nos permitissem passar para lhes encontrar.
Não sei por quanto tempo permanecemos assim, juntos, não sei se minutos, horas ou dias... eu estava tão relaxado e tão confortável nesta esfera de tranquilidade criada por Jasper que não percebi o tempo passar; só fui despertar de meu sono quando a voz de Kaori tocou minha mente.
“Oh, meu Deus!”
Ao abrir meus olhos fiquei imediatamente estupefato. O campo de pasto longínquo havia desaparecido por completo, havia árvores velhas e altas nos cercando, seus galhos nodosos e longos se entrelaçavam formando um teto natural sobre nossas cabeças, suas folhas eram longas e esguias, de um verde luzidio e havia longos musgos caindo de seus galhos como barbas onduladas num tom verde acinzentado.
Havia sons de animais noturnos e o solo era úmido e escorregadio, não se podia enxergar o céu, era frio e escuro e parecia que estávamos num cenário fantástico... num mundo paralelo ao mundo que conhecíamos.
- Eu não posso acreditar nisso! – admirou-se Jacob.
- Se você não pode acreditar nisso... imagina quando ver isto aqui – disse Seth que se afastara um pouco e se encontrava próximo a um barranco que descia verticalmente no terreno lamacento.
Quando nos reunimos ao redor de Seth e olhamos para onde ele apontava, tivemos novamente uma surpresa apavorante... lá, muito abaixo de nós, estava um pântano profundo onde a água escura se acumulava estagnada por todos os lados como um imenso lago morto, árvores aquáticas cresciam ali expondo suas raízes aéreas para fora da água parada. De dentro do pântano brotavam estranhas formações rochosas na forma de seres humanos, seus rostos de pedra estampando sofrimento e desespero, seus braços lançados para o céu e em suas mãos espalmadas queimava uma estranha chama amarelada... havia dezenas destas elevações iluminando todo o pântano como lampiões medonhos.
No meio do caminho havia uma espécie de ponte velha, não mais que uma paliçada erguida para evitar que se atravessasse o pântano pela água parada, e lá no fim da ponte... sobre um platô de madeira velha, repousava uma choupana decadente. Seu telhado circular era forrado com turfa verde e suas janelas atiravam uma estranha luz azulada para fora; foi neste cenário fantástico, neste cenário de sonhos e pesadelos, que encontramos a casa de Salesiana e Charlotte, as duas vampiras feiticeiras que guardavam os segredos de Volterra.
Carlisle nos olhou com receio, em seguida virou-se e começou lentamente descer a colina em direção à ponte que flutuava sobre o pântano e suas luminárias estranhas.
As luzes amareladas lançando sombras dançantes na água parada... o silêncio das árvores nos oprimindo dando-nos certeza de que estávamos nos domínios da magia e que havíamos deixado o mundo dos homens.
A noção de que agora estava mais distante de Bella me tomou instantaneamente... afinal, eu agora estava vagando num mundo irreal e onírico.
Estava preso nos domínios de duas feiticeiras...
Muito distante de casa, do meu amor... e do meu próprio mundo... irremediavelmente perdido num pântano de desolação.
Salesiana e Charlotte... atenderiam ao nosso chamado?
Notas finais
Bjks e até semana que vem!
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