Candor Lunar - Livro 2
21 Capítulo 20 - O Tempo e o Vento
Notas iniciais
Como nosso querida amiga Diê estará com muito trabalho este fim de ano eu estarei assumindo as postagens de Candor aqui no Nyah, mas esperemos que Diê volte assim que possível.
Como puderam notar, o capítulo atrasou um dia... srsr. Perdoem-me, mas eu estava viajando e retornei apenas ontem a noite.
Mas, sem delongas, segue o capítulo de hoje...
Grande Abraço.
Ang.
Renesmee acordou sem se dar ao trabalho de abrir os olhos, ela sabia onde estava, sentia os lençóis de seda fina amaciando seu peso morno sobre o colchão macio, o cheiro enjoativo das centenas de flores nos infinitos jardins de Volterra lhe tragava qualquer resquício de fome do estômago; ela não queria estar ali, mas sabia que não tinha escolha, entretanto, passaria dormindo por todo o tempo que pudesse até que finalmente viessem forçá-la a servir novamente aos Reis.
Mas, por mais que tentasse, por mais que o sono ainda lhe assombrasse, Nessie forçou-se a levantar e encarar o quarto velado pela noite profunda, uma luminescência prateada banhava o ambiente deixando uma sombra fantasmagoria sobre todos os móveis velhos. A menina sentiu um leve arrepio percorrer seu corpo coberto apenas por uma leve e curta camisola de seda, o ar da noite era frio naquele castelo de pessoas mortas... naquele túmulo vampiresco e antigo.
Seus pés descalços tocaram o chão de tacos do quarto, as paredes escuras feitas de pedra bruta acompanharam solenes e mudas enquanto ela se dirigia pé ante pé até a sacada da torre, as portas abriram-se silenciosamente e as cortinas alvas flutuaram ao seu redor... ali, pequena e linda, a menina parecia uma deusa sobrenatural banhada pela noite gelada. Nessie olhou para o céu limpo e encarou as estrelas sublimes brilhando a anos-luz de distância; “este é um céu diferente, um céu estranho, não são as constelações de Forks e de La Push... são as constelações da Itália, é um céu solitário”, pensou Nessie consigo mesma.
O único vestígio da lua era um sorriso fino gracejando dela pendurado num canto triste do céu, aquela lua singela e prateada parecia lhe sorrir em condolência por toda a sua dor. Então, ali, naquela fria e gelada madrugada, Renesmee suspirou baixo, seu coração amortecido se aqueceu de repente quando um uivo triste e solene rompeu o silêncio modorrento do castelo espalhando-se por todos os cantos como uma enxurrada de água torrencial.
Mas não era o uivo de Jacob.
Era apenas Quil liberando sua solidão para a noite.
Jacob Black. Alfa. Lobo. Quileute. Imortal. Senhor de seu coração.
“Onde está você, Jacob?” pensou Nessie. “Eu vi a lança traspassar seu peito, ouvi seu coração parar de bater; mas sei que você ainda está vivo, sinto isso em meu coração, mas Jacob, meu Jacob, eu não quero que venha até mim”.
A menina sentiu uma lágrima quente rolar por seu rosto, sentiu quando a gota correu por sua pele suave até deslizar de seu queixo para o chão, lá, dezenas de metros abaixo, no pátio.
“Se vier, vão matá-lo, Jake. Ou pior, vão aprisioná-lo como Quil e você será um servo dos Volturi, ou um escravo, como eu; mas você jamais se permitiria ser um escravo, ou será que sim, por mim? Seria egoísmo meu ficar te chamando, não é mesmo? Você está vindo, eu sei que sim, eu sinto em meu coração, eu tenho certeza de que você está se aproximando de mim. Mas não venha Jacob, você consegue me ouvir? Consegue me sentir? Então, por favor, não venha. Não venha”.
Isso lhe doeu tanto que seu coração ameaçou deixar de bater. Ela o amava, amava o lobo imortal que deixara tão longe, amara-o desde sempre, amá-lo-ia até a morte ou por toda a eternidade, e por amá-lo não poderia permitir que ele viesse a ela e morresse. Então, dilacerada, Nessie voltou para seu leito e com o rosto ainda úmido adormeceu olhando as estrelas distantes piscando para ela.
E acabou sonhando.
Era um local alto, iluminado, ventoso e o mar azul suspirava abaixo dela, Renesmee olhou para os lados e para trás até que identificou o farol atrás dela, um imenso farolete que incendiaria uma luz poderosa para guiar os navegantes perdidos. Então Nessie percebeu que à distância uma nuvem negra retumbava relâmpago e trovões e sobre sua sombra o mar era revolto e as ondas chicoteavam para cima e para baixo, Nessie ficou preocupada que aquela tempestade viesse até ela, mas percebeu que ela se afastava e seu coração ficou aliviado. De repente, lá embaixo, um barco pequeno passavazunindo por ela em direção à tempestade, na proa um rapaz bonito lhe sorria, e mesmo àquela distância ela reconheceu-o.
- Sam – ela gritou acenando e sorrindo – Sam Uley.
- Nessie – o rapaz retribuiu sorrindo abertamente, e Nessie se surpreendeu por poder ouvi-lo mesmo estando tão distante – Não se preocupe, eu estou indo buscá-lo para você.
E o barco se enfiou na tempestade, saracoteando sobre as cristas das ondas até sumir em sua sombra obscura, Renesmee ficou se perguntando o que Sam estava fazendo em seu sonho, mas então compreendeu: ele fora buscar Jacob para trazê-lo até ela, e ela ficaria esperando. Na verdade pareceu-lhe que ficou esperando durante meses e anos até que finalmente a portinhola do farol se abriu e ela escutou passos pesados, com um relance de alegria ela se virou e ali estava Jacob.
Seu coração se encheu de felicidade ao vê-lo, estava sujo e seus olhos pareciam cansados, mas o brilho de felicidade ao vê-la estava ali, um alívio se instalou em todos os músculos do corpo do rapaz e ela sentiu vontade de abraçá-lo e beijá-lo... mas sabia que não era possível, alguma coisa dentro dela dizia que ela não deveria ir até ele. Era inútil, era um sonho.
- Está atrasado – disse ela.
- Eu sempre me atraso – respondeu Jacob rindo — Sam disse que você estaria aqui.
- Sim, ele me prometeu que o traria.
- Nessie, eu sempre virei até você... não importa o que aconteça.
Aquilo fez seu coração saltar, mas ela não deveria dar esperanças a ele, não era possível, ela o amava mais do que tudo, amava-o mais do que a si mesma, então, assim sendo deveria salvá-lo. Deveria abdicar dele para poder salvá-lo.
- Mas você não sabe que pode ter uma vida normal? Se vier até mim, Jake... poderá se machucar ou morrer.
- Eu morrerei se não tiver você perto de mim — Jake respondeu-lhe com paixão caminhou até ela e segurando-a com força – Olhe para mim Nessie, eu preciso dizer a única coisa que importa neste momento...
Mas então ela despertou.
Despertou no quarto da torre, de pedras frias e seda macia... despertou num castelo, sozinha e longe do seu amor. Mas ela deu o recado a Jacob, deu o recado e agora sofreria, mas não se arrependeu mesmo com seu coração dilacerado, ela tinha que afastar Jacob de Volterra, tinha que mantê-lo a salvo, ela deu seu recado... ela tinha que impedi-lo. Mas seu coração não deixava de se aquecer, pois ela sabia.
Jacob Black estava vindo.
E sua fúria seria implacável.
Depois disso não conseguiu dormir por um bom tempo, rolou nos lençóis refinados e mesmo as estrelas lhe foram incapazes de pesar os olhos cansados. Ainda faltava muito para amanhecer e não lhe pareceu interessante ficar acordada durante tanto tempo; por fim, alcançou o livro de que Alice estava lendo e começou a correr os olhos pelas palavras tentando evitar sentir a ansiedade em seu coração... mas era impossível: agora ela sabia.
Depois de muitas páginas estranhou a ausência da mãe e da tia e se perguntou o que os Volturi estavam fazendo para que elas ainda não tivessem regressado, incomodada, ergueu-se da cama e passou um olhar carrancudo pelo guarda-roupa de Alice; todas as vestimentas ali eram escuras, sombrias, vultorianas e... fetichistas.
Por um segundo a menina se perguntou por que Alice se permitia vestir aquelas roupas, mas ela sabia que a mãe e a tia estavam guardando algum segredo dela, a troca de olhares repletos de significados era constante entre as duas. Nessie não entendia o porquê deste comportamento, mas desde que se enfiara sozinha na floresta aquela vez em que Felix quase a matou, Nessie aprendera a esperar antes de agir por impulso.
Dando de ombros, Renesmee vestiu o primeiro traje que encontrou que era pouco mais luxuoso do que o que ela vestia enquanto envergava as vestes da guarda; a micro saia a deixou escandalizada e ela se perguntou o quanto aquele corpete lhe apertaria os seios que já estavam a ponto de vazar para fora. Olhando-se no espelho ela deu um muxoxo de desalento: se Jane já pulara sobre ela com a veste pesada da guarda, imagine o que faria se a visse vestida como uma Princesa de Volterra.
“Malditos velhos tarados” ela pensou consigo mesma.
Olhou para o corredor vaziou com receito, então galgou-o sem pressa e cuidadosamente até descer as escadas em espiral que a conduziria ao térreo do palácio, ali, guinou para a esquerda enveredando-se rumo aos pisos inferiores e subterrâneos onde o Salão dos Tronos permanecia... não havia guardas nas portas naquele momento o que a fez compreender que os Três não estavam no salão.
Cuidadosamente deu uma espiada para dentro e encontrou o local vazio, entrou e parou no meio do caminho quando notou um vampiro no canto extremo à esquerda fechando um grande baú repleto de documentos que Nessie não sabia para que serviam ao certo. O vampiro era velho e tinha um semblante estranhamente bondoso... Nessie gostava dele.
- Boa noite, Ícaro – ela disse quando ele a olhou surpreso.
- Menina Renesmee – respondeu o velho – O que faz longe de sua cama? Ou será que adquiriu o hábito dos vampiros e não dorme mais durante a noite?
- Perdi o sono, eu dormi muito nos últimos dias, você sabe onde estão minha mãe e minha tia? – quis saber Nessie, mas, neste ponto, uma sombra de hesitação perpassou pelo semblante sempre calmo do velho vampiro.
- Eu não saberia dizer, menina. Desconfio que sua mãe esteja na companhia de mestre Aro, mas sua tia Alice eu não faço ideia...
Com o silêncio que se instaurou diante da dúvida de Renesmee, o velho Ícaro percebeu que Bella não havia contato à menina que havia jurado lealdade aos Volturi e, muito menos, que o pai e o noivo dela haviam morrido. Isto era problemático até onde ele via, apesar de ter passado informações aos Cullen não era seguro relatar nada além disso... e para tanto, não era um problema dele, mas o olhar perdido de Nessie o fez apiedar-se dela.
- Eu posso preparar algo para que o sono lhe venha mais facilmente – disse ele.
- Não gosto da ideia de ficar sem saber notícias de minha mãe e minha tia.
- Elas estão bem, menina. O que poderia acontecer de mal a elas dentro dos muros do palácio?
- Além de estarem presas dentro deles? – fungou Nessie – Nada. Mas tem razão, o que eu posso fazer? Ainda é capaz de eu topar com aquela bruxa da Jane pelos corredores... o que você poderia fazer para o meu sono?
Ícaro riu um riso velho regado de sabedoria escondida, mas não era um riso malicioso como o de Caius, era apenas um riso de alguém que simpatizava com a ingenuidade dos jovens, e Ícaro era velho também, não apenas na aparência... mas a menina sabia que ele tinha alguns séculos de idade. O vampiro de olhos vermelhos encaminhou a menina para o térreo, conduziu-a para os fundos do palácio através de corredores escuros e sombrios até as cozinhas.
Obviamente, eram cozinhas ornamentais, mas não deixavam de serem elegantes com seus móveis rústicos de tons leves e claros, fogões, fornos, freezers, mesas... aquilo deixou Renesmee levemente surpresa, mas apenas por um momento, Volterra não a surpreendia mais tanto assim.
- Uma cozinha cenográfica? – ela perguntou num tom irônico.
- De certa forma, mas você consegue entender que nossos três Reis mantém muitos laços políticos, invariavelmente é necessários que haja banquetes para humanos nestes salões, aos olhos de muitos, eles são homens ricos e poderosos. A política vive no sangue de Volterra.
- E do sangue de Volterra... não é mesmo?
- De fato – respondeu o velho enquanto abria a geladeira.
- O que vai fazer?
- Leite temperado.
- Leite?
- Sim. Você é humana em parte, não é mesmo?
- Sou.
- Então o leite fará efeito. Leite morno com canela e mel, minha avó costumava fazer para mim quando eu não conseguia dormir bem à noite, acredite, faz uma diferença reconfortante, é relaxante. Você terá sono antes mesmo de voltar ao quarto.
- Estou pagando para ver – duvidou Nessie.
Mas o velho Ícaro tinha razão, o leite quente criou uma leve azia em Nessie, entretanto, era doce e morno, e a menina não achou ruim apesar de que o gosto pastoso do líquido não era tão bom quanto sangue. Ainda assim, depois de Ícaro enxotá-la das cozinhas rumo ao quarto, um sono leve começou a instalar-se vagarosamente em suas pálpebras. Nessie atirou longe o vestido enfiando-se sobre as sedas da cama ainda nua... um leve arrepio de frio percorreu seu corpo, mas ela não ligou para isso e um segundo depois já havia adormecido novamente.
E, estranhamente, ela sonhou.
O anfiteatro era gigantesco e ela lembrava-se dele, seu pai a levara ali quando era pequena, ficava em Boston. O teto incomensurável erguia-se sublime numa abóboda decorada com gravuras e afrescos representando os heróis e antigos deuses gregos. As vigas de sustentação eram ornadas com mármore branco e trançadas em filetes delicados de ouro e prata como grandes árvores de pedra branca. O cheiro de espaço ocioso estava presente ali, bem como o aroma do chão de tacos de madeira do palco, os bancos estavam dispostos em fileiras exatas e inumeráveis... o eco do silêncio anunciava-se com o pulsar do coração.
No palco havia atores ensaiavam suas falas, parecia ser uma audição de elenco e as pessoas cantarolavam, gesticulavam e recitavam versos para o espaço vazio do teatro; alguns tinham o rosto pintado de branco, as mulheres vestidas de bailarinas pareciam fadas encantadas... havia anões, palhaços, vagabundos e toda uma miríade de personagens encarnados que se espalhavam pelo palco.
Ela ficou por um tempo ali, admirando os atores e seus movimentos circenses milimetricamente ensaiados e aprimorados, até que, finalmente, escolheu uma fileira qualquer de bancos e sentou-se para aproveitar a encenação. Não compreendeu como, mas encontrou ali ao lado um saco de pipocas e não hesitou em pegá-lo; ela não gostava de pipocas, mas Jacob adorava e ele sempre devorava um saco grande quando iam ao cinema em Forks.
Assim, passaram-se horas e horas, naquele lugar atemporal seu coração ficou leve novamente, era um refúgio da realidade dura e crua em que se encontrava, os sonhos eram sua fortaleza contra Jane e os Volturi e, principalmente, era em seus sonhos que ela encontrava Jacob. Foi assim que, de repente, ela sentiu um calor imenso brotar ao seu lado, um calor sobrenatural... um calor lupino.
E ela olhou para o lado, e Jacob estava ali a apenas uma poltrona vazia de distância.
- Atrasado mais uma vez – ela disse sorrindo, decidiu que era melhor manter distância, assim, talvez, Jake desistisse de vir buscá-la e, com isso, permaneceria a salvo.
- É o meu charme – riu Jacob.
- Você não vai ouvir os meus conselhos, não é mesmo?
- Não — respondeu Jake determinado.
- Então o que faz aqui? – perguntou Nessie sem tirar os olhos do palco.
- Eu vim me despedir – disse Jacob sério – E dizer que a amo.
- Só estas duas coisas?
- Sim, Renesmee. Eu poderia ficar recitando poemas de amor, estrofes de canções que falam de paixão e perda, poderia ficar elogiando seus cabelos, o contorno de seu corpo e a maciez de seus lábios... mas, infelizmente, eu preciso ir.
- E para onde você está indo? – ela tornou a perguntar sem olhá-lo ainda.
Jacob, então, inclinou-se sobre o banco vazio e alcançou a mão da garota enlaçando-a entre a dele, Renesmee desviou a atenção do palco e encarou o noivo com seus olhos brilhantes e tristes, Jacob sorriu com carinho sustentando o olhar da menina.
- Eu estou indo encontrá-la, Nessie – disse ele – Estes dias eu ficava ansioso para dormir e poder vê-la, mas descobri que está errado porque você não está aqui, não neste mundo. Eu não virei mais vê-la aqui, estou me despedindo para ir te buscar no mundo real onde nosso amor é real... onde nós poderemos ser felizes de verdade.
- Fico feliz que esteja partindo então, Jacob Black – falou Renesmee dando-lhe um sorriso ainda mais maravilhoso.
Jacob retribuiu o sorriso e levantou-se, olhou Nessie mais uma vez e inclinou-se para dar-lhe um beijo no rosto. Seus olhos se prenderam por um momento nos da menina e ela soube que o amor superaria tudo, com isso deu meia volta e caminhou até o fim da fileira dos bancos; Nessie permaneceu ali no sonho, assistindo à peça que se formava neste teatro perfeito.
- Mais uma coisa apenas – disse Jacob – Seu pai está com saudades.
- Eu e minha mãe também – respondeu Nessie sem se virar.
Jacob sorriu e saiu pela porta.
E quando Nessie despertou o sol da manhã já iluminava o quarto... e o rosto perfeito de sua mãe que a olhava com cuidado. Renesmee notou que ao sentar-se na cama o sono não a abandonou, sentia-se zonza e a luminosidade do quarto a obrigava a manter os olhos entreabertos. Ela ouviu sua mãe rir e afagar seu rosto com a mão gelada.
- Você ainda está com sono? – perguntou Bella achando graça.
- Ainda, acabei perambulando pelo castelo ontem de madrugada atrás de você e de Alice, mas como não as encontrei, Ícaro preparou uma antiga receita caseira para despertar meu sono; acho que por eu ser uma híbrida, o efeito acabou sendo mais potente do que ele planejava. Estou morrendo de sono ainda.
Bella não conseguiu deixar de se preocupar com Renesmee, a filha dormira praticamente o tempo todo durante os últimos dias desde que voltara para Volterra; ela ainda não tinha tido a oportunidade de contar à Nessie sobre o juramento aos Volturi e sobre a morte de Jacob e Edward. E agora, ali, olhando-a tão frágil e sonolenta, Bella novamente perdeu a coragem de lhe entregar notícias tão ruins.
Seria um problema explicar à filha sobre os motivos que levaram ela e Alice a jurar lealdade aos Volturi, ela não podia nem ao menos verbalizar sobre o plano de Alice uma vez que isto sempre ficou apenas subentendido entre as duas e Quil. Renesmee não aceitaria bem o que estava para ser revelado, mas aos poucos, talvez, ela percebesse que não havia outra saída. Era isso ou enfrentar os Três e acabar aprisionada em uma cela eterna.
Mas, além disso, Bella tinha outros motivos para estar preocupada naquele dia, depois da notícia que Felix trouxe assim que o dia raiou sua esperança de viver como uma sombra no castelo fora dissipada. Haveria um julgamento no Salão dos Tronos assim que a tarde caísse... e ela não poderia permitir que Nessie assistisse àquilo.
- Querida – começou Bella – Eu preciso de um favor seu.
- O que foi mãe? – estranhou Nessie notando a hesitação nas palavras de Bella.
- Prometa-me que não sairá do quarto hoje até que eu retorne à noite.
- O que está acontecendo?
- Nada, apenas não saia, está bem? – disse Bella sabendo que não estava conseguindo esconder sua aflição de Nessie – Assunto dos Volturi, você sabe, haverá uma reunião de vampiros hoje e preciso que você fique aqui para não se expor.
Renesmee, mesmo sonolenta e grogue, percebeu que a mãe estava preocupada com alguma coisa, era feitio de Bella tentar preservá-la de qualquer preocupação, mas tratando-se de Volterra, Renesmee não gostava que houvesse segredo entre elas... poderia ser perigoso e até mortal.
- Mãe, confie em mim, eu aguento o que for, mas preciso que me conte o que estiver acontecendo, não sou tão miseravelmente frágil para ficar de fora dos problemas que você e Alice estão enfrentando. Aliás, por que vocês duas estão sempre com eles agora?
- É complicado, Nessie. Acredite em mim.
Bella beijou o rosto da filha e não disse mais nada, Renesmee teve certeza de que o problema era muito mais grave do que a mãe permitia transparecer, entretanto, o calor da cama e o sono estranho e pesado não permitiram que a menina discutisse mais. Ela apenas recostou-se nos travesseiros macios e permitiu que os olhos se fechassem para um novo sono... pesado e denso, mas, que ao mesmo tempo, permitia a seu corpo ficar leve e desimpedido para vagar através de seus sonhos; era como se seu espírito se desprendesse do corpo e vagasse alheio a todos os acontecimentos de forma livre.
E quando percebeu, Nessie estava sonhando novamente.
A floresta era densa, fechada, escura e úmida. Definitivamente não era a floresta de La Push ou a que cercava Forks; parecia mais profunda e misteriosa e de certa forma intimidadora. O silêncio só era quebrado pelo som do vento alto mordiscando as copas das árvores, um sibilo suspeito enchia o ar e fez com que a menina tivesse a impressão que palavras sussurradas flutuavam pela mata... era como uma prece. Um encantamento que a deixava em transe.
Tão logo, notou que estava correndo e não tinha controle de seu corpo, mas não era bem uma corrida, Nessie sentia seu corpo flutuar e não estranhou, afinal... era um sonho e nos sonhos sempre há coisas estranhas. As árvores nodosas e escuras erguiam-se a dezenas de metros de altura, o chão da mata era forrado por um tapete marrom de folhas mortas e o céu acima era azul celeste, mas encoberto parcialmente pelas folhas das árvores altas.
Renesmee parecia seguir um caminho pré-determinado, um caminho que era impelida a se dirigir, como se uma força descomunal a conduzisse para sabe-se lá aonde; ela não achava ruim, era como relaxar em um local ermo e silencioso e aquelas palavras estranhas no vento etéreo acalmavam seu coração. E por muitas horas ela vagou pela mata densa, horas ou dias, talvez meses... sempre flutuando, sempre acompanhando as árvores silenciosas até que, finalmente, sua velocidade diminuiu até quase parar e ali, em meio ao verde da floresta ela se pegou caminhando atrás de um grupo de pessoas. A princípio um pessoal estranho e difuso, mas, assim que a imagem focou, ela os reconheceu.
Garret caminhava ao lado de Kaori, a linda vampira oriental que salvara sua vida há tempos atrás, o vampiro estava absorto em seus pensamentos, mas o semblante de Kaori era tenso e preocupado. O rosto bonito da vampira virava de um lado para o outro como se procurasse algo oculto na mata...
Mais a frente ela viu seu avô Carlisle e seu coração deu um pulo de felicidade ao contemplar aquele rosto bondoso e complacente, mas Carlisle parecia também tenso e ansioso. Ao seu lado, Jasper caminhava com cuidado pela mata sem fazer qualquer ruído e Nessie também ficou feliz ao contemplar o rosto do tio, era bom vê-lo ali, com seus olhos atentos e cuidadosos.
Mas ela quase gritou mesmo quando viu seu pai. Edward estava pouco mais à frente, andando com fluidez e tranquilidade, o rosto levemente contrariado enquanto conversava com outro vampiro mais baixo que ele. E neste ponto, Nessie teve um susto, quando emparelhou com o pai notou quem era o vampiro-menino que acompanhava Edward e foi com contrariedade que admirou Alec Cullen com seus olhos leitosos e cegos.
O que seu pai fazia caminhando com Alec?
Mas então notou que Alec não era o único vampiro a destoar sua familiaridade, ali, pouco a esquerda, dois indivíduos completamente estranhos à Nessie acompanhavam a comitiva pelo meio da mata. Um era alto e magro como uma agulha, tinha os cabelos longos e embaraçados de um loiro escuro, os olhos eram rubros e sanguinolentos, sustentava sorriso enviesado e jocoso nos lábios e sua face era agradável de se ver. Ao lado dele caminhava o vampiro mais bizarro que Nessie contemplara, só conseguiu descobrir que tratava-se de um vampiro devido à tonalidade rubra dos olhos e pelo fato de sua pele cintilar à luz do sol; mas era pequeno, parecia uma criança de seis anos de idade, andava bamboleando-se com dificuldade pela mata, tinha um nariz bulboso e olhos muito próximos e um cabelo cortado curto espetava negro em todas as direções.
“Estranhos vampiros” pensou Nessie.
Mas foi ao desviar o olhar para um ponto mais distante à direita que um sorriso se abriu em seus lábios: Jacob. Ele caminhava junto com Seth e seus olhos eram olhos de caçador, atentos, perspicazes, como se ele estivesse atrás de alguma coisa; olhos destemidos... confiantes. Atrás deles seguia uma mulher estranha, de cabelos negros como a noite e olhos verdes e fosforescentes, trajava uma túnica longa e gasta por sobre a roupa negra, e uma mochila pesada pendia desajeitada em seus ombros.
- Jake, quem são estas pessoas? – perguntou Nessie, mas não obteve resposta.
Renesmee notou que este sonho era um sonho diferente dos outros que teve, ela não era notada ou ouvida, parecia meramente uma expectadora da cena; Jacob e os outros continuaram caminhando como se nada importasse, ela tentou tocá-lo, mas não adiantou, pois Jacob nem ao menos sentia sua presença.
E a menina também percebeu que aqueles rostos que amava agora sustentavam uma dureza que antes não existia, como se uma tristeza amarga houvesse se instalado em seus olhos deixando-os mais sombrios que antes. Mesmo Kaori que sempre fora triste agora carregava um olhar desconfiado e duvidoso, Nessie imaginou que isso tenha sido obra de tudo o que eles passaram... a batalha e o rapto dela, de Bella, Alice e Quil.
Mas para onde eles se dirigiam? Para onde se encaminhavam?
Sua resposta veio do chamado de Garret mais a frente.
- Vejam – disse ele para os demais – Podemos aproveitar esta plantação para cortar o caminho...
Quando todos haviam se emparelhado a ele, Nessie olhou para além da borda da floresta onde as árvores faziam uma linha fronteiriça com uma grande plantação de trigo que já crescia verdejante e dourada, tão alta quanto ela. Numa planície próxima podia-se divisar uma casa grande de dois andares com um telhado pintado de cinza... Nessie conhecia aquele lugar.
- Não podemos nos desviar muito para o norte ou perderemos o caminho seguro – declarou Alec num tom de voz monocórdio.
Mas antes que ela pudesse ouvir mais alguma coisa, uma força descomunal a impulsionou para trás na forma de um vento feroz, era como um tornado invisível que açoitava seu rosto a impedindo de permanecer com o grupo. A menina tentou lutar contra, mas era impossível, o vento era muito mais forte do que ela e aos poucos seus pés começaram a ser arrastados pelo chão. Desesperada, Nessie só pode gritar uma palavra:
- JACOB!
E então, ela voou para trás, forçada pelo vento e lá, muito além, quando já não podia quase distinguir o grupo de pessoas, ela pode jurar que Jacob olhara para trás ao ouvir seu nome gritado. Um segundo depois Renesmee despertou em sua cama de um salto, sentando-se assustada, pensando no do sonho mais estranho que tivera...
Mas não fora um sonho.
Ela sabia agora, aquela plantação, aquela casa de telhado cinza... ela conhecia o lugar, já passara por lá uma vez quando saiu com Felix e Jane resolver problemas de Caius... a plantação pertencia à uma cidade rural nos arredores de Genova, ao norte de Volterra. Seria isso? Estariam tão perto assim? O que Nessie havia tido fora um sonho... ou uma premonição?
Fosse o que fosse ela precisava contar isso para a mãe, e a sua ansiedade era tamanha que apenas quando já estava vestida e pronta para deixar o quanto percebeu que a noite já caíra sobre o mundo. Isso a deixou levemente desconcertada por alguns momentos, ainda era de manhã quando Bella lhe pedira para não deixar o quarto durante aquele dia, isso significa que ela dormiu por muitas horas além do que esperava. Realmente, a poção de Ícaro tinha um efeito impressionante.
Saiu para os corredores já familiares do castelo, o silêncio sepulcral informava-a de que boa parte da guarda estava no Salão dos Tronos, ela não se sentia disposta para ficar na presença prepotente de Aro, Caius e Marcus e ainda menos perante o olhar insaciável de Jane, mas sua euforia sobrepôs completamente os seus receios. Ela tinha de contar à mãe o que acabara de sonhar.
Diante da grande porta dupla do Salão dos Tronos, Nessie encontrou os dois habituais guardas postados de cada lado do corredor com suas lanças compridas e prateadas cruzadas na frente da grande entrada. A porta estava fechada, mas ao se aproximar, os guardas descruzaram as lanças para permitir sua passagem, era uma vantagem fazer parte da guarda (mesmo a contragosto), afinal, podia-se caminhar para qualquer lugar do palácio.
Mas nada poderia preparar Renesmee para a cena que ela encontraria ali dentro.
A guarda estava reunida em volta de seus Três Reis que a tudo espiavam deliciados, sentados em seus três tronos esculpidos e altos; os vampiros ali reunidos, vestidos em tom negro de veludo fino, pareciam hipnotizados com a cena que se desenrolava diante de seus olhos atentos e rubros. E havia um ruído baixo, quase no limite da audição, um rosnado mal contido que zumbia num gesto claro de reprovação e ódio. E mesmo entorpecida pelo ato em si, Nessie percebeu que o ruído era o ronco de ódio vindo de Quil, ali, acorrentado em sua corrente forjada em aço, prata e ouro branco, pouco abaixo dos degraus dos Tronos.
Mas além do ronco de Quil, havia o horrível som baixo de sucção, o som que o sangue fazia enquanto era retirado delicadamente de artérias humanas, sendo sorvido ainda quente por dois pares de presas afiadas e precisamente cravadas na garganta de dois rapazes jovens.
Renesmee ouviu os dois corações humanos fracos e sem força deixando de bater, ouviu a pulsação vital remeter-se a um mero sussurro morno que marcava o tempo da morte daqueles dois estranhos. Ela encarou os olhos dos rapazes, abertos e brancos, escancarados como duas janelas de horror, o medo cravejado nas íris... e ela viu, aturdida, quando o olhar dos rapazes os deixou e o brilho vital tornou-se opaco quando a morte lhes encontrou. Uma morte doce, gentil, quase indolor... mas não menos horrível.
Mas, mais horrível do que isso, foi Nessie ter assistido à sua mãe e sua tia ali, com as presas cravadas nos rapazes, sugando seu sangue rubro e pegajoso... matando-os. O salão pareceu rodar, sua cabeça tornou-se leve e Renesmee não se recordou de ter feito qualquer som, mas, ainda assim, num único e fluído movimento, os olhos selvagens de Bella e Alice se cravaram nela e, por um segundo, os rostos que a menina tanto amava não a reconheceram... somente depois de largarem os corpos mortos no chão foi que a centelha de entendimento perpassou pelo semblante de Bella.
- Nessie? – chamou Bella com os lábios úmidos de sangue fresco.
Alice olhou aturdida para o cadáver aos seus pés e então encarou Bella e em seguida Renesmee, o horror se instaurou em seu rosto, como se somente naquele momento ela tivesse percebido que o que fizera era hediondo demais e pior ainda, Renesmee assistira a tudo.
- O que vocês fizeram? – perguntou Nessie num sopro fraco de voz.
- Renesmee – chamou Bella que parecia assustada, contrariada e levemente irada com o flagra – Volte para a torre agora mesmo, nós conversaremos depois.
- Sobre o fato de vocês terem acabado de assassinar dois rapazes humanos?
- Não discuta comigo, Renesmee – reforçou Bella agora visivelmente alterada – Eu sou sua mãe e não lhe devo explicações, volte para o quarto.
- Você não é minha mãe – gritou Nessie, sua voz reverberando pelo salão e diante de um olhar impaciente de Caius – Minha mãe jamais mataria um humano...
- Eram dois estupradores! – retorquiu Bella gritando também – Malfeitores, até mesmo o seu pai levou a perdição a homens de má índole no passado. Estes dois humanos, se é que podemos chamá-los assim, agrediram e estupraram duas moças, meninas com seus quinze anos de idade que se dirigiam à escola. Uma delas está em estado grave no hospital e jamais será mãe algum dia. Esta é justiça que lhes foi aferida.
- Esta é a justiça dos Vampiros e não dos Homens. Está é a justiça de Volterra.
- Onde eles habitam.
- Mãe, a lei dos homens deve ser aplicada aos homens e a lei dos vampiros aos vampiros. Estes dois rapazes deveriam ter sido julgados num tribunal por seus atos, deveriam ter sido trancafiados em celas e de lá só saírem depois de estarem arrependidos por seus crimes bárbaros... mas a morte não é justiça.
- Eu não discutirei com você – e nesse ponto a voz de Bella era uma súplica e uma máscara de dor e sofrimento tomou seu rosto, era como se ela tentasse passar a Renesmee uma mensagem secreta, algo que não podia dizer em voz alta – Por favor, minha filha, volte para a torre e deixe eu e Alice cuidar destes assuntos.
- Em que foi que vocês duas se tornaram? – teimou Nessie – Vocês foram corrompidas por esta corte nojenta?
E mesmo antes das palavras terminarem de deixar seus lábios, a menina soube que fora longe demais, num instante, rosnados e ranger de dentes a atingiram como lâminas afiadas e a voz enfurecida de Caius se fez ouvir sobre todo o alvoroço.
- Meça as tuas palavras, menina – disse ele – Como ousa falar assim no Salão dos Tronos... diante de teus reis?
- Eu jamais jurei lealdade a qualquer rei, Caius Volturi – disse Renesmee, sua voz saiu alta e clara, havia um fogo alimentando sua coragem.
- Então é a única, pois sua amada mãe e sua tia já o fizeram.
Um esgar de medo perpassou o rosto de Alice enquanto ela olhava para a menina, Bella fechou os olhos como se uma dor muito profunda a tivesse sido infligida... ela não foi capaz de encarar a filha.
- Vocês o quê? – a voz da menina saiu tênue como a neblina da manhã – Juraram lealdade aos Volturi, pertencem à guarda agora?
- À realeza, minha cara – respondeu Caius com um sorriso malévolo, ele parecia deliciosamente satisfeito por Renesmee ter descoberto a verdade naquele instante – Isabella e Alice são princesas de Volterra e nós não nos alimentamos de animais; estes dois foram executados conforme as leis de nossa cidade. Aqui nós somos o Juiz e o Executor. Não permitimos que humanos pratiquem suas monstruosidades dentro dos muros de Volterra, esta é uma cidade santa para os de nossa raça, a Meca dos Vampiros e aqui forjamos nossas tradições... aqui julgamos e aqui condenamos.
- Vocês foram coibidas? – perguntou Nessie ignorando as palavras vazias de Caius.
- Vieram até nós por livre iniciativa, criança – riu Caius – Não tiveram escolha, afinal, agora Volterra e o lar de vocês e com sua família destruída...
-... cale-se Caius – disse Nessie numa voz baixa e letal.
Então finalmente o silêncio baixou sobre o salão como um véu gelado.
Vampiro algum jamais poderia mandar um Rei se calar.
E várias coisas aconteceram ao mesmo tempo.
Bella gritou. O vento cantou e Felix se plantou atrás de Renesmee com as mãos em forma de garra para prendê-la, mas, em meio a isso tudo, um uivo furioso varreu o lugar e garras afiadas rasparam no chão de mármore do salão.
Quil ergueu-se em fúria e atirou-se na direção de Felix, a corrente que o prendia deu um puxão violento e o grilhão soldado no mármore fez um barulho perigoso de trituração. A corrente em si fora obra de Caius que a mandara forjar com mistura de três metais resistentes: aço, prata e ouro branco. Foi confeccionada por Lotho, o artífice-ferreiro dos Volturi, o mesmo que outrora confeccionara as lanças dos Mercadores da Morte em prata pura para lutar contra as hordas de lobisomens do leste europeu. Era uma corrente inquebrável e encantada e somente por isso a força descomunal do poderoso quileute foi incapaz de rompê-la. E também foi uma sorte, caso contrário, Felix estaria com problemas sérios.
Mas isso significava também problemas para Quil e assim que ele se exaltou, Alice atirou-se sobre o lobo coberto por sua armadura brutal a fim de impedi-lo de causar mais problemas, a vampira ergueu o olhar para o elmo monstruoso de aço até encontrar os olhos amarelos e furiosos do lobo e então sussurrou baixinho para ele:
- Pare Quil, por favor, isso apenas vai piorar ainda mais a situação.
E Nessie fora mais rápida do que Felix, assim que o vampiro envolveu seus braços ela se desvencilhou e deu-lhe uma cotovelada potente no peito obrigando-o a trambalhar alguns passos para trás. O grito de Bella ainda ecoava no salão no momento em que Jane corria para Nessie, mas ela nem ao menos chegou a se mover metade do caminho quando Aro falou:
- BASTA – sua voz retumbou alta como o ronco de um trovão e todos pararam e olharam para o Rei que agora erguia-se de seu trono com a fúria estampada no rosto jovem – Basta desta loucura no Salão dos Tronos.
- Irmão – chamou Caius – Esta criança está fora de controle, eu estou farto de tantos problemas causados desde que estas três chegaram aqui; elas apenas perturbam a nossa paz e o silêncio de nossos pensamentos antigos. Exijo que esta criança indisciplinada seja trancada até aprender a ter bons modos.
- Não! – gritou Bella desesperada encarando Aro – Meu mestre Aro, por favor, não prenda minha filha nas catacumbas...
- E de que outro modo ela adquiriria disciplina? – rebateu Caius novamente.
- Basta – repetiu Aro – Sua filha precisa aprender o seu lugar, Isabella. Ao mesmo tempo, a prisão não é a solução para ela meu irmão – e neste momento ele dirigiu-se para Renesmee — Então eu lhe darei apenas duas escolhas, criança: jure sua lealdade a nós aqui, neste momento... ou Chelsea continuará a usar seu poder para mantê-la calma. Você terá a liberdade que sua mãe e sua tia gozam atualmente ou permanecerá sendo manipulada até que sua resistência seja destruída.
Todos os vampiros presentes encararam Nessie. Ali, sozinha, a menina parecia uma estrela delicada, cujo brilho tênue e prateado recusava-se a apagar diante dos Reis; uma centelha de luz rodeada por uma escuridão pesada com olhos rubros e selvagens. Por um segundo Nessie baixou o rosto, mas quando o ergueu em direção aos Reis, seu olhar era resoluto e inflexível.
- Você pode possuir meu corpo e minha mente, ó Rei dos Vampiros, mas jamais possuirá minha alma ou meu coração – disse Nessie numa voz alta, clara como a luz, inquebrável, incorruptível e firme – Eu prefiro morrer mil vezes como uma Cullen... a viver um só dia como uma Volturi.
Bella fechou os olhos. Alice gemeu baixinho.
Mas Renesmee Carlie Cullen não sentiu medo.
Ela não temeu quando Caius estreitou seus olhos ou quando Marcus sorriu-lhe de forma maliciosa.
Não fraquejou nem mesmo quando Aro, com um aceno de mão, impeliu Chelsea a dirigir-se para ela.
E não sentiu medo quando o dom da vampira a atingiu, nublando sua mente e obscurecendo seu passado, tornando-a vazia e sem alma... uma casca frágil controlada a força pelos Reis.
Não sentiu medo porque sabia. Em seu coração ela tinha esta certeza. A mensagem que tanto o tempo quanto o vento lhe transmitiram em seus sonhos. A verdade que agora sua alma conhecia e se regozijava em alegria. Um conhecimento que sua mãe e sua tia pareciam ser incapazes de enxergar. E não importava as ameaças a que a submetessem, não importava o quanto Chelsea a manipulasse com seu dom.
Agora seu coração sabia.
Jacob Black está vindo.
E a sua fúria reduzirá a pó as muralhas de Volterra.
Notas finais
Segunda-feira que vem prometo postar cedinho.
abs.
Ang.;
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