Candor Lunar - Livro 2

44 Capítulo 41 - Arian contra os Três Mil


Notas iniciais
Olá pessoal. Hoje estarei postando este capítulo... semana que vem tem outro ou, com sorte, dois. Pretendo terminar o livro 2 antes do fim do ano para que em Fevereiro comece a postar o livro 3 Grande abraço.

Provavelmente o silêncio foi o convidado mais inesperado na cerimônia, emanou de cada vampiro ali presente como uma substância grudenta aderindo ao pátio do Pináculo como um parasita vivo capaz de sugar a vontade de qualquer um em emitir algum tipo de som. Talvez o mais perspicaz – ou distraído – vampiro fosse capaz de, no fundo, ouvir o constante silvar do vento oceânico que fazia as tendas inflarem como se respirassem o ar puro e salgado, mas era tudo, pois ao surgimento de Edward Cullen qualquer outro som havia morrido.

Assim como havia morrido instantaneamente qualquer sentimento que por ventura Bella nutrisse por Aro.

Ao ver o vampiro por quem se apaixonara há mais de dez anos, o pai de sua filha, aquele a quem imaginara que tivesse perdido para sempre, foi como se os dois anos de agonia e escuridão não houvessem passado. Ela sentiu como se Edward jamais tivesse partido e que a malícia de Aro Volturi não houvesse se alojado pouco a pouco em seu coração, e agora era como se ela tivesse saindo de uma longa noite para uma manhã ensolarada de verão. A escuridão havia passado. Ele viera salvá-la. Edward tinha sido capaz de escapar de sua própria morte apenas para vir salvá-la.

Ele estava vivo... e apenas isso importava.

Bella instintivamente dá um passo em direção a ele, um passo para se aproximar de Edward, um passo para fora em direção aos degraus e para longe de Aro, um sorriso se delineia nos lábios dela, a felicidade pura tomando forma. Mas Bella sentiu uma mão de ferro impedir seu avanço e relutantemente, como se saída de um sonho, ela vira sua cabeça para procurar o que a impedia de ir ao encontro de seu marido e vê Aro Volturi segurando-a inexoravelmente.

Aro esta lívido de ira.

Seu rosto habitualmente tão austero e comedido estava retorcido numa máscara de fúria negra. Seus olhos rubros faiscavam como duas lagoas de sangue e os dentes afiados estavam travados num aperto de aço. Ali está o Rei dos Vampiros, a máscara da monarquia imortal, e estava deformada por uma raiva que Bella nunca vira, mas que era capaz de calcular: Aro acabara de perder a chance de se casar com ela. Perdera a chance de ter sua Rainha, pois ele sabia que com Edward ali Bella jamais se casaria com ele.

Não agora que ela sabia que ele estava vivo e que havia esperança no mundo, que nem tudo estava perdido.

– Edward Cullen – a voz de Aro soou como um açoite de aço, cortando o silêncio em dois. Os vampiros ali presentes sustentaram a respiração, mas com o canto do olho Bella viu Flávius Aurélius se movendo para seus Mercadores da Morte.

– Esta é a minha esposa, Aro Volturi – a voz de Edward era acusadora, tão afiada quanto uma lâmina – E aquela é minha filha. Não bastava você tentar dominar os vampiros do mundo? O que houve, você se cansou de governar e decidiu invejar e roubar a família de outros homens? Aqui estou eu para impedi-lo. Eu que fugi de um túmulo aquático, eu que caminhei até os confins do mundo, que vaguei por outras dimensões mágicas... aqui estou para fazê-lo pagar.

– Cullen – sibilou Aro e então sua voz tornou-se um grito – CRIMISONO!

– QUAL FOI O MEU CRIME, REI DOS VAMPIROS? — berrou de volta Edward que agora caminhou deliberadamente para o altar. A guarda Volturi pareceu ter despertado de seu estupor e fechou o caminho para ele, mas Edward não se intimidou, parou ante a linha de frente e olhou para Aro com o olhar mais frio que foi capaz de lançar, sua voz soou com desmazelo – Vocês três inventam as leis que lhe cabem melhor, não fazem isso pelo bem de nosso povo, mas para lhes dar o poder. Há meios de governar com sabedoria, meios de fazer tudo de forma igual e civilizada, mas há centenas de anos vivemos na Monarquia dos Três. Eu sou criminoso a seus olhos, Aro Volturi? Então diga aqui qual foi o meu crime? Qual foi a lei que eu desrespeitei?

– Que tal a de omitir uma nova raça? — bradou Aro e Bella sentiu o aperto do rei aumentar, parecia tudo muito surreal, centenas de vampiros sentados em seus lugares vendo um rei se descompondo com um desconhecido que havia surgido no meio do nada se dizendo marido de uma Rainha. Bella quase riu – Sua filha, esta menina aqui, Renesmee, é uma híbrida! E estava para se casar com uma entidade mágica, um filho de uma tribo antiga da América do Norte, um indivíduo capaz de transmoforsear-se em um lobo gigante! — neste ponto ouve um “Oohhhh” dos vampiros ao redor que mostraram-se surpresos com a revelação. A voz de Aro assume um tom aveludado e político, ele lança um olhar doentio para a multidão que o assiste – Meus amigos, este homem pertencia ao antigo clã Cullen de meu também antigo amigo Carlisle, um amigo que durante muito tempo participou de minha casa, de minha confiança. Este vampiro que esgueirou-se de modo surdinoso em meu casamento planejava cruzar sua linda e delicada filha Renesmee com Jacob Black, um lobo desta tribo Quileute para formar uma nova raça: vampiros com sangue mágico. Seres muito mais poderosos que nós! Eles pretendiam dominar-nos.

Aro atirou um dedo acusador contra Edward e as cabeças dos vampiros tornaram a olhar para o Cullen que enfrentava solitário aquele mar de vampiros. Bella pareceu despertar um pouco do choque de ver seu marido vivo e olhou para Aro com um horror crescente, onde estava aquele vampiro que havia demonstrado uma capacidade de mudar e ser melhor do que era? Onde estava o rei que provou a ela que os Volturi tinham um propósito nobre apesar de obscuro? O homem que a convenceu que seria perigoso Renesmee e Jacob darem início a uma nova raça? Aro simplesmente usou o temor dos Volturi como uma arma para se explicar aos seus vassalos, ele distorceu a mesma história que contara a Bella há muito tempo em um passeio em uma estufa de rosas, mentiu para que todos ali soubessem que ele tinha razão e o intruso não. Era esta a máscara dos Volturi? Ao invés de apoiar-se honestamente sobre os fatos, distorcia-os para que a realidade se encaixasse em seus propósito egoístas?

Este era o verdadeiro Aro? O homem por quem ela começava a ter sentimentos?

– Aro! — Bella ouviu sua própria voz chamando-o e havia um tom de choque emanando dela.

O Rei desviou o olhar doentio de Edward e voltou-se para Bella. Por um segundo, um momento fugaz, ele abandonou a máscara do rei e olhou para ela como o Aro que ela passou a conhecer, e havia dor em sua expressão, como se dizer aquilo, mentir para todos diante dela, o magoasse. Mas o momento passou e o rosto dele tornou-se sombrio novamente e cheio de raiva.

Edward riu alto, um riso sem alegria, um riso de deboche e os olhos da multidão cravaram-se nele com ansiosa atenção.

– Este é o seu discurso, Aro? — desdenhou Edward – Você imagina que somos todos idiotas? O tempo dos Volturi passou, vocês não tem mais credibilidade a partir do momento em que destruíram a minha família pelo temor de um futuro hipotético. Você desceu ao ponto de tentar roubar a esposa de um outro homem, nem mesmo isso você é capaz de conquistar por si só, Aro? Agora os Volturi passarão a invejar o que os outros têm e destruí-los para adquirir o que possuem?

– Basta – uivou Flávius colocando-se ao lado do irmão. Os olhos de Marcus estavam brilhando e um sorriso afiado curvava seus lábios – Este homem é um criminoso. Não vamos ficar aqui parados enquanto somos aviltados por este vampiro fora-da-lei.

– Bella – chamou Edward ignorando Caius. Bella sentiu seu corpo formigar ao ouvir seu nome através da voz de Edward – Venha, vamos embora. Traga Renesmee consigo.

– Você não sairá daqui – bradou Aro furioso com o comportamento arrogante de Edward – General. Detenha-o.

– Não – gritou Bella – Aro, o que você está fazendo? Está louco?

– Um homem contra um reino de vampiros – riu Caius sobre o burburinho vindo da multidão que agora erguia-se aos poucos sabendo que um desfecho violento se seguiria – Você tornou-se ainda mais tolo, Edward Cullen.

– Eu não vim aqui sozinho, Caius – e um sorriso desenhou-se nos lábios de Edward, um sorriso que fez com que um arrepio corresse pelo corpo de Bella. Edward ergueu o queixo para os Reis – O Reinado de vocês termina hoje. Miguel, faça agora!

Assim, subitamente, ao lado de Edward um segundo vampiro surgiu. Magro e de cabelos furiosamente negros, com um olhar assombrado por olhos vermelhos, o vampiro camuflador lançou uma encarada glacial aos reis e depois, com um evidente relaxar de músculos, liberou seu poder.

Atrás deles, na clareira que se abriu ao redor de Edward quando os convidados afastaram-se de susto, um manto de invisibilidade descortinou-se revelando Carlisle, Garret, Vrau Urban, Didi, Matheu, Charlotte e Jasper; assim como Jacob e Seth na forma de lobos. Os vampiros afastaram-se ainda mais diante da visão daqueles dois lobos gigantescos que olharam-nos com raiva e soberba, seres mágicos e majestosos que eram conhecidamente mais poderosos que os vampiros.

– Motim – gritou Caius – Flávius Aurélius... liberte os Mercadores da Morte!

– Caius, pare já com esta loucura – gritou Bella retorcendo-se nos braços de Aro, o rei deu uma passo para trás e atirou-a nas mãos poderosas de Felix que se fecharam ao redor de Bella num abraço de aço.

– Você foram derrotados quando tinham o apoio de seu exército de lobos – Aro falou, seu rosto uma máscara de morte – Como ousam vir até nossa casa enfrentar-nos? Perderam completamente o juízo? General, cumpra o seu dever.

Mas Flávius Aurélius não se moveu, nem ele ou os milhares de Mercadores da Morte que cobriam o pátio principal como uma horda em seus mantos carmesim. Não houve um mínimo indício de que haveria qualquer movimento para enfrentar os intrusos e ante a expressão confusa de Aro e Caius, a resposta partiu de uma voz atrás deles. Uma voz que raramente ouviam.

– Eles não acatam as ordens de vocês, meus irmãos, mas as minhas – disse Marcus atrás deles, sua voz soou forte e severa e causou um choque quase tão grande quanto o surgimento de Edward. Havia um sorriso no rosto do Terceiro, um sorriso horrível, um esgar de curiosa espontaneidade como se ele estivesse aproveitando o momento, deliciado com algum segredo oculto — O General e os Mercadores da Morte não irão cumprir seu pedido.

– Mas que merda está acontecendo aqui, Marcus? – Caius estava furioso, mas havia algo mais em seu olhar, algo como hesitação.

– Os Mercadores da Morte terão uma tarefa mais árdua do que fazer frente à ameaça dos Cullen – respondeu Marcus, toda a lentidão, toda a retidão e os modos sonolentos havia desaparecido. Em pé no altar ao lado dos irmãos, Marcus parecia assustadoramente intimidador; o mais alto dos Três e com seu rosto muito mais austero e antigo. Ele sim parecia um Rei.

– Já tivemos surpresas demais por hoje, irmão – disse Aro com desgosto – Se você sabe de algo que não sabemos esta é a hora de revelar.

– Creio que a revelação não tarda – Marcus falou olhando para os recém-chegados – Não é mesmo, Edward Cullen?

– Não haverá espaços para joguinhos – foi Carlisle que respondeu e seu rosto continha um desgosto incalculável – Aro, meu velho amigo, nós não somos os que vieram aqui para enfrentá-lo, somos apenas o seu porta-voz. Vocês terão uma única chance de se renderem para serem julgados e receberem sua condenação, caso aceitem vão poder salvar a vida de vários vampiros que estão aqui. Mas se negarem a rendição...

– A perda de sua família o deixou louco, Carlisle – cuspiu Caius – Estão todos loucos!

– Está na hora – declarou Edward – Rendem-se?

– LOUCOS – bradou Caius como resposta e isso foi o sinal para tudo o que aconteceu depois.

Arian– chamou Edward usando o elo de Kaori — Eles vão resistir.

Kaori havia ficado na retaguarda, oculta atrás das muralhas enquanto unia a todos com seu elo mental de comunicação, depois da batalha no Canadá Jasper percebeu que o poder de Kaori era fundamental e que precisava continuar funcionando para que todos soubessem a situação das diversas frentes de um combate. Com ela haviam permanecido Bianca e Alice

Arian estava há centenas de metros de altura pairando sobre o Pináculo da Luz, sustentado pela força de seu poder dos ares, quando a mente de Edward tocou a sua e o chamado se tornou claro ele desceu como um meteoro rumo ao solo... para enfrentar aqueles que o haviam encerrado há quase mil anos atrás.

Para enfrentar seu pai.

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A multidão ouviu um assovio, como se algo despencasse dos céus sobre suas cabeças. E o ruído aumentou de intensidade e culminou em uma explosão. Um homem imenso despencou das alturas e caiu entre o grupo liderado por Edward e o altar onde os Reis estavam, o impacto fendeu o chão atirando lascas de rocha e pavimento para todos os lados e quando a poeira dispersou todos os olhos rubros presentes voltaram-se para o gigante que deixava a cratera fumegante.

Imensamente alto, com seus cabelos dourados iluminando-se à luz do sol do meio da tarde, a barba dando-lhe um aspecto de selvagem realeza. Na bainha atada às costas um machado de lâmina dupla descansava, a lâmina de um aço azulado quase da mesma tonalidade da armadura que o revestia.

Tinha olhos de morte voltado para os Reis.

Arian Volturi.

Aquele que não pode ser detido.

O da fúria infinita.

Guerreiro-deus.

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O espanto. O choque. O estarrecimento estampado no rosto dos Três não podia ser descrito. Era quase como um não entendimento, a assimilação da presença daquele vampiro levou algum tempo para ser processada porque evidenciava várias tragédias simultâneas, toda a extensão daquela presença não era capaz de ser absorvida instantaneamente e toda a multidão de vampiros ficou admirando os seus Três Reis pelo simples fato de que nenhum vampiro ali presente algum dia havia visto seus soberanos com medo.

Mas era mais que isso. Era um terror puro que pulsava através da máscara dos Reis, um medo primordial, gelado como a morte, quente como um inferno de retribuição. Mesmo Marcus que já sabia da vinda de Arian sentiu-se subitamente nauseado, seus planos enfim haviam dado frutos e agora ali estava a sua frente o vampiro que colocaria um ponto final em tudo. Que atiraria o mundo numa fogueira de acontecimentos incalculáveis.

– Arian – disse Aro, sua voz régia soou sumida e abalada, seus olhos estavam arregalados num misto de surpresa, de dor e alegria. E no momento em que fitou os olhos recheados de fogo e vingança de Arian ele soube que iria morrer e um conformismo triste tomou conta dele na forma de uma amortecimento, como se seu corpo tivesse perdido toda a energia que por milênios o havia impelido através dos séculos. Então aquele finalmente seria o fim. Aro sorriu – O filho pródigo retorna ao pai.

Arian caminhou lentamente até um pouco antes dos degraus do altar, antes do cinturão de Guardas, ali encarou o pai com uma expressão ilegível. Edward sentiu um arrepio, poderia Arian ser persuadido a não perpetrar sua vingança? A multidão de vampiros olhava para Arian com um misto de interesse e medo, boa parte dos vassalos dos Reis não o conheciam e nem sequer havia ouvido falar do filho poderoso de Arian Volturi, mesmo por que o Príncipe fora durante centenas de anos um dos segredos mais bem guardados de Aro.

Mas o temor de Edward se mostrou infundado.

– Volterra caiu – declarou Arian para os reis, sua possante voz retumbando como o ronco de um trovão, como a voz de um deus – Vós tivestes a chance de escolher a rendição e impedir uma guerra, mas não está na natureza de Aro, Caius e Marcus a rendição. Eu fui libertado pela mão de um de vossos inimigos e aqui estou para sepultar a existência de teus nomes para sempre – e neste ponto ele ergueu mais a voz dirigindo-se a todos os outros vampiros – Servos de Volterra, eu sou Arian Melchiorre Volturi, Príncipe de Volterra, e fui encarcerado há quase mil anos pelas traiçoeiras mãos destes três corruptos reis que já não regem mais para a Nação Vampira, mas para seus próprios propósitos luxuriosos.

As palavras de Arian ecoaram por todos os pátios recheados de servos dos Volturi e eles o olharam com um olhar vazio, mas o Guerreiro Deus já esperava por isso, todos os vassalos de Volterra já sabiam como funcionava a política dos Reis. Reis são mesquinhos e aparentemente são levados pelas paixões próprias de suas próprias almas e por seus desejos egoístas, quase nem sempre fazem algo puramente para beneficiar seu povo, mas principalmente para beneficiar a si mesmos.

Ante a impotência dos Três, a Capitã da Guarda Volturi foi quem primeiro reagiu ao surgimento e à revelação de Arian. Jane estava atrás do cinturão de guardas que havia se posicionado nos primeiros degraus do tablado elevado, ela automaticamente virou-se para Felix com um olhar significativo e depois esbravejou ordens para os Guardas.

– Fechem o cerco, fechem o cerco – ela gritou enquanto os guardas assumiam uma posição circular ao redor dos reis e dos que estavam no altar.

Felix atirou Bella para um guarda corpulento e seguiu para o lado de Jane, Renata grudou em Aro e Chelsea deslocou uma Renesmee entorpecida pelo seu poder (e pela bebedeira de Quil que ainda fazia um certo efeito em sua metade humana) para atrás da linha de defesa. E só depois que estavam protegidos foi que Caius pareceu voltar à vida.

– Marcus – berrou ele – Faça alguma coisa com seu General de estimação! Vassalos, vassalos, o teu Rei os conclama a defender o poder de Volterra. Protejam seus Lordes e destruam este punhado de invasores.

– General – a voz de Marcus soou alta e irresoluta enquanto ele apontava para Arian – Eis aí o teu inimigo!

E com a voz do mestre os Mercadores da Morte moveram-se para enfrentar uma imensa ameaça, um inimigo que outrora havia desbaratado os seus companheiros de antigamente. Flávius Aurélius enfileirou seus guerreiros em colunas e colocou-os para marchar a curta distância que separava um pátio do outro. Era como ver uma máquina de combate mover-se. Arian sorriu com alegria, há séculos ele ansiava por uma guerra.

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Chelsea sentiu um baque contra sua nuca, algo grande e animalesco roçando as beiradas de seu poder, parecia que uma garra de prata raspava a porta de aço de sua mente fazendo-a titubear. Ela olhou para Nessie e viu que a menina franziu o cenho e piscava como se estivesse despertando de um sono longo, Renesmee deu um passo para frente e foi então que Chelsea sentiu que seu poder estava sendo suplantado.

Não pode ser, pensou ela espantada, alguém está anulando meu dom? Isso não é possível. Quem?

Chelsea olhou através da multidão seguindo olhar fixo de Nessie e percebeu quem prendia sua atenção com tamanha força. Um lobo imenso com uma pelagem avermelhada e olhos castanhos encarava Renesmee lá de baixo, parecia beber a presença da menina, respirá-la como se Nessie fosse o ar que ele precisava para se manter vivo. E então Chelsea percebeu que não havia nenhum poder conflitando com o seu, o lobo mesmo sendo uma criatura mágica não estava se valendo de qualquer artifício para confrontá-la, não, aquilo que estava acontecendo ali tinha outro nome. O que estava interrompendo seu domínio sobre Renesmee era o laço entre ela e o lobo. O amor entre os dois rompia as barreiras.

– Jake? — sussurrou Nessie entre os lábios.

Oh, puta merda, xingou Chelsea, isso vai dar um trabalhão.

Rapidamente ela chamou um guarda que envolveu as mãos sobre os braços de Nessie, ela não poderia lidar com a menina já que seu poder estava enfraquecendo e para evitar que ela se atirasse pela multidão através dos guardas era melhor que permanecesse presa.

Nessie, por favor, permaneça quieta para não se machucar, rezou Chelsea, eu prometo que dependendo como as coisas se encaminharem eu te liberto para ficar com seu noivo. Mas agora fique quieta para não se machucar.

E assim que Renesmee foi conduzida para mais fundo nas linhas da Guarda um uivo de raiva ecoou e Chelsea teve certeza de que Jacob Black estava furioso. Aquele lobo não tinha vindo ali para brincar.

Ele queria sangue... e sangue teria.

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Aro ainda estava amortecido e Marcus tinha uma expressão de alucinado no rosto... um sorriso indiscreto pairava nos lábios como se uma piada secreta que apenas ele sabia lhe divertisse. Restou a Caius colocar as ordens em prática.

Sempre fora assim, Aro quebrava em situações extremas e Marcus nunca fora de muita ajuda há séculos, restava a ele tomar as rédias em situações assim, somente ele tinha a frieza necessária. Aro era o coração, Marcus o cérebro lento e ele a força motriz. Por isso funcionavam tão bem juntos.

– Guardas, vamos para dentro do castelo – ordenou ele com uma voz férrea – Tragam os Lordes para dentro e mantenham seus seguranças e guarda-costas fazendo a proteção enquanto partimos. Felix, deixe um pouco da guarda para cuidar do grupo dos Cullen e deixe que os Mercadores se entendam com Arian.

Apesar da lógica ainda estar pulsando em sua mente, uma vozinha lá no fundo de sua consciência dizia para Caius que aquele ali seria seu último dia como rei. Arian não podia ser detido e ele sabia disso, amaldiçoou a loucura dos Cullen em tê-lo libertado. E agora ali estava ele, como um deus entre os vampiros, e a única forma de vencê-lo seria colocar Bianca em perigo... mas Bianca não estava ali e Caius nem sequer poderia imaginar o que havia sido feito dela, mas provavelmente ela também estava livre... Arian não a deixaria por nada no mundo.

Carlisle, seu tolo – a voz de Caius soou raivosa em sua própria mente – O que você acha que fez? Libertou uma tormenta e acha que pode dar conta dela? Acha que pode controlar Arian? Você ainda não conhece sua verdadeira natureza... não sabe do que ele é capaz.

Subitamente a Guarda começou a andar. No centro da roda de proteção estavam os reis, Athenodora, uma Bella furiosa presa por mãos de ferro e uma Nessie entorpecida e relutante, todos começaram a mover-se como um único ser em direção às portas principais do palácio. Aos poucos os Lordes eram inseridos dentro do círculo de proteção da Guarda enquanto seus servos eram mantidos para fora, como bucha de canhão, para auxiliar os Guardas a se livrarem e repelirem o ataque dos intrusos.

Mas mesmo em movimento, Caius sabia que estavam encurralados. Estariam presos no castelo como ratos em uma ratoeira. A tempestade rugia ao redor dos Reis.

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Isso não vai ser nada bom, pensou Edward Cullen consigo mesmo.

Olhando friamente a movimentação dos Volturi ele considerou que haviam se enfiado em uma situação bastante semelhante a que ocorreu no Canadá. Estavam em uma terrível desvantagem numérica, a Guarda Volturi contava com pelo menos oitenta vampiros, mas também haviam os Lordes e cada um deles tinha uma média de dois serviçais e isto aumentava o número de inimigos combatentes para pelo menos cento e cinquenta.

Eles não poderiam contar com a ajuda de Arian que estaria ocupado com milhares de Mercadores da Morte. A situação resumiu-se rapidamente ao grupo dele tentar se manter vivo enquanto abria espaço entre guardas e servos para chegar até Bella e Nessie, e ainda teriam que passar pelos Reis.

Jasper – chamou ele através de suas mentes interligadas – Qual é o plano de ataque? Os reis estão se movendo e carregando Bella e Nessie com eles.

Deixe que vão – respondeu Jasper ampliando seu pensamento para todos os outros – Eles estarão encurralados dentro do castelo, vamos nos concentrar em eliminar ou expulsar os guardas que estão ficando aqui no pátio. Os servos dos Lordes não serão problema, é até capaz que eles fujam correndo de medo... são servos domésticos, não guerreiros.

Mas continuam sendo vampiros, Jass – lembrou Carlisle.

Apesar das habilidades nem todos são corajosos, Carlisle – afirmou Jasper – Jake, Seth... cuidem dos servos, vocês dois tem mais chances de matá-los de susto e nos economizar tempo. O resto de nós terá de se virar contra os Guardas que provavelmente vão montar uma barricada nas portas principais. Charlotte... use tudo o que tem.

Não foi necessária uma ordem para que todos se movessem. Jacob e Seth atiraram-se para o lado onde os servos dos Lordes – atirados para fora da bolha de proteção da Guarda – ficavam olhando-os horrorizados enquanto os lobos arremetiam contra eles. Mas no fim Jasper tinha razão, havia dezenas de vampiros que serviam de servos domésticos dos Lordes e a maioria deles não queria lutar, alguns encolheram-se no chão esperando que os lobos não os vissem ali, outros saíram correndo e alguns loucos atiraram-se da borda do penhasco para morrerem estilhaçados nas rochas cortantes lá em baixo.

Os lobos obviamente corriam entre eles empurrando-os e atormentando-os, mas nem Jacob e nem Seth tiveram coragem de matar aqueles pobres palhaços enfeitados que serviam como copeiros para os Lordes. No fim eram escravos de sala, não guerreiros e nem lutadores e a despeito de todas as suas habilidades de vampiro, pareciam tão inofensivos quanto humanos.

Seth estava se divertindo.

Lá vai mais um! – gritou ele na mente de Jacob quando cabeceou um vampiro para o lado – Isso é mais divertido do que derrubar pinos com uma bola de boliche! Olha aquele cara ali de cabelo azul, está vestindo uma saia? Meu Deus, que coisa ridícula... vou lá espantar ele – e seguiu um coro de gargalhadas do garoto lobo – Você viu, Jake? Ele voou como um pato!

Seth... concentre-se – repreendeu Jacob – Espalhe estes idiotas para derrubarmos os Guardas, lembre-se que Nessie ainda está presa com aqueles reis nojentos.

Sim, mestre – fungou Seth rindo.

Mas alguns dos servos eram corajosos, atiraram-se contra os lobos para impedi-los de chegar até o cinturão de Guardas que escoltava os Reis, Jacob matou três deles com um leve acenar de suas garras e Seth deu cabo de mais dois, depois disso mesmo os mais bravos se contentavam em permanecer próximos à Guarda.

Fiquem espertos – avisou Garret – Quando os Reis entrarem eles vão formar uma contenção nas portas de entrada, dentro e fora, será difícil passarmos por ali e convenhamos que os números estão contra nós, mesmo com a ajuda de Charlotte.

A feiticeira havia entregado a cada um deles um ramo de figueira antes de entrarem no Pináculo, os ramos encantados lhes dariam alguma proteção contra ataques físicos, mas a magia deles era limitada, toda vez que recebessem um golpe o encanto enfraqueceria até terminar deixando-os a mercê dos inimigos. E este era um fato que provavelmente aconteceria dado que os inimigos eram muito mais numerosos que eles.

Alguma ideia genial?– perguntou Vrau Urban visivelmente insatisfeito.

Mas não houve uma resposta imediata, o que os forçou a agir foi um grito estrangulado e urgente vindo do centro do cinturão de defesa da Guarda, um grito de mulher que todos eles conheciam.

– Edward! — gritou Bella desesperada.

Os reis já estavam quase seguros dentro do castelo e independente de estarem se auto encurralando, a visão de Bella sendo carregada para longe de sua visão fez a fúria de Edward borbulhar como magma.

Eu não vou esperar mais – bradou ele na mente de todos – Jacob, Seth, vamos atacar a Guarda. Agora!

Com um rugido os lobos fizeram uma curva no pátio e se chocaram contra a parede de tijolos do primeiro círculo da Guarda, os vampiros haviam formado três camadas de fileiras para defender seus reis, a primeira era a mais larga e também a mais fraca. Vampiros caíram ante as garras dos lobos e quando o grupo de Edward chegou para ajudar foi com grande raiva e ódio que não hesitaram em destruir seus oponentes.

O primeiro impacto foi realmente caótico, eram muitos guardas contra eles, mas os lobos conseguiam manter a maioria afastados. Charlotte também mostrou-se um ás na manga, ela tinha muitas coisas interessantes nos bolsos de seu casacão, principalmente umas estranhas bolotas que explodiam quando atiradas, não eram suficientemente poderosas para destruir um vampiro, mas serviam para aturdi-los por alguns instantes e isso dava tempo suficiente para que fossem destruídos sem maiores problemas.

Mesmo Carlisle com seu ponderamento altruísta e humano foi engolido pela fúria e seus tantos séculos de idade fizeram a diferença de força na hora da luta, ele era mais ágil e mais forte que os vampiros jovens e teve sua vantagem no ataque. As palavras de Aro tentando incriminá-los por algo que jamais pensaram era o que mais o irritava, depois de tudo que ele fez ainda tinha a cara de pau de mentir descaradamente daquele jeito? Não, aquilo já tinha ido longe demais e Carlisle não estava disposto a deixar Bella e sua neta por nem mais um segundo na companhia cáustica dos reis.

Lentamente os Reis aproximavam-se das portas do palácio e Edward indagou-se se permitir que os reis se encurralassem fora uma boa ideia, afinal de contas, dentro do castelo seria ainda mais perigoso lutar. Ele desviou-se do ataque de um vampiro da guarda, ergueu a perna direita e golpeou o atacante no plexo solar atirando-o contra a parede de guardas, mas sem seu dom de ler pensamentos Edward se tornava muito mais vulnerável a ataques e isso mostrou-se terrivelmente válido quando recebeu um potente murro no lado direito do rosto fazendo-o estatelar-se no chão. Edward sentiu o formigamento do golpe, mas por sorte Garret estava lá para afastar o agressor.

Um uivo de lamento e raiva atravessou os pátios no momento em que Jacob Black avistou Nessie sendo arrastada para longe dele, a raiva fora tamanha que o lobo atirou-se contra a barreira de Guardas abrindo um rombo em sua formação e colocando-se dentro do primeiro círculo de proteção dos Reis... mas havia guardas demais. Seth não conseguiu acompanhá-lo, pois os guardas fecharam a brecha, Jacob foi duramente golpeado e teve de atirar-se para fora novamente e apesar de ter conseguido destruir pelo menos quatro inimigos não foi capaz de se aproximar de Renesmee.

Sua raiva estava borbulhando como uma lagoa de lava.

Jacob – chamou Jasper em sua mente – Não ataque o cinturão de defesa deles a não ser que queira ser destruído.

Eu não estou disposto a deixarem levar Nessie desta forma... como uma prisioneira qualquer. Aquela Chelsea a está influenciando, olha para ela! Parece até como uma bêbada... — a voz de Jacob era raivosa e impaciente.

É uma questão de números – respondeu Jasper – Eles estão em maior número e não podemos nos dar ao luxo de atacar desvairadamente. Dentro do palácio o ataque contra nós será limitado pelos corredores e pelos aposentos, poderemos nos defender melhor... em campo aberto somos alvos fáceis. Ataque apenas os desgarrados.

E assim foi até que finalmente os reis fecharam-se no palácio, parte da guarda entrou com eles e uma parcela permaneceu para fora, os pobres diabos que os Reis deixaram para morrer, afinal de contas era muito mais simples defender um castelo de dentro do que de fora. Os guardas de hierarquia mais baixa, assim como os servos dos lordes, permaneceram na frente do portão não com o intuito de derrotar o avanço dos Vingadores, mas apenas retardá-los tempo o suficiente para que os Reis pudessem se recompor.

Este tênue defesa não se moveu e o grupo liderado por Edward parou encarando-os com uma leve hesitação.

Bom, o que fazemos agora?– perguntou Garret.

Atacamos com tudo?– sugeriu Jacob.

Talvez, eles vão nos retardar o suficiente para que os guardas de dentro do castelo tenham a chance de bloquear a porta pelo outro lado. Devemos atacar em duas frentes, nós de fora e nossa arma secreta de dentro. Jacob – chamou Jasper olhando para o lobo com um sorriso diabólico nos lábios – Liberte nosso Cão de Guerra.

Jacob Black anuiu com sua cabeçorra de lobo, ergueu-se em toda a sua majestosa altivez de Alfa e uivou. Um uivo que desconcertou os guardas a sua frente fazendo-os encolherem-se de receio, o uivo ecoou por sobre os pátios até perder-se acima das ondas do mar abaixo... um uivo que na verdade era um chamado. Jacob dirigiu sua consciência para dentro do castelo até encontrar uma mente conhecida e emitiu a sua ordem.

Quil, meu irmão – disse a voz dupla do alfa – Chegou o momento. A mim... meu lobo guerreiro!!

E outro uivo estrondou de dentro do palácio, mas aquele uivo fora tão arrepiante quanto o do lobo vermelho no pátio. Era um urro de vingança por irmãos tombados, pela liberdade ceifada e pelos dias de prisão... e aquele uivo congelou a espinha dos guardas de dentro do palácio e eles souberam que haviam caído em uma armadilha: estavam presos com um monstro poderoso cravado em aço, platina e ferro.

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Quil estava deitado em alerta no fundo do salão. Dali mesmo os seus ouvidos sensíveis não eram capazes de sobrepor as camadas de rocha sólida do castelo para ouvir a cerimônia, mas quando a confusão começou o lobo compreendeu que seus amigos finalmente tinham chegado e começado a festa.

Então, subitamente, depois de uma espera que pareceu demorar eras ele sentiu uma consciência gigantesca tocar sua mente e um segundo depois a voz de seu líder ecoou dentro de seus pensamentos:

Quil, meu irmão, chegou o momento. A mim... meu lobo guerreiro!!

E quil rugiu um meio urro, meio uivo. Um desalento carregado de vingança que reverberou pelos corredores do castelo, retinindo toda a sua raiva para que os vampiros do Pináculo da Luz soubessem que estavam condenados. Com um impulso poderoso ele saltou para a porta, as suas garras afiadas raspando o chão com um som agourento, sua armadura retinia com o entrechoque das articulações de metal, ele parecia uma locomotiva furiosa recheada de dentes e garras em forma de navalha. Dificilmente haveria um vampiro naquele palácio capaz de fazer frente a Quil Ateara.

As portas duplas e pesadas de carvalho velho não foram capazes de sustentar a fúria do lobo, estilhaçaram-se em fragmentos que voaram por todos os lados, Quil se chocou contra o corredor de pedra, sua armadura de aço sólido cavando sucos nas rochas brutas. O lobo endireitou o corpo e olhou para o corredor apinhado de vampiros estarrecidos. No meio deles estava o seu carcereiro, o maldito vampiro que durante dois anos o insultou, chutou e atirou bifes crus na sua cara; os olhos de Quil fumegarem e sua visão tornou-se vermelha.

Deus sabe o que os vampiros pensaram ao avistarem um lobo de quatrocentos quilos correndo em sua direção. A verdade é que dos sete guardas ali presentes, cinco morreram com o impacto, o outro perdeu a cabeça num tapa de Quil, mas o pior foi deixado para o seu carcereiro cujo corpo foi minuciosa e demoradamente retalhado pelo lobo.

Quil enveredou pelos corredores, encontrou oponentes que depois do uivo claramente viam ele como um inimigo e não como o bichinho de estimação dos Três. Aliás, os Três sem saber criaram sua própria ruína quando armaram Quil com aquela armadura de aço, platina e ferro... agora o lobo era totalmente intocável e as armas ou os punhos dos guardas eram incapazes de molestá-lo... os mais fortes apenas criavam leves moças na couraça indestrutível. Aproveitando esta vantagem Quil desmantelava todos os oponentes que tolamente atiravam-se em seu caminho, o furioso lobo ia limpando o interior do castelo com garras, dentes e urros endiabrados, muitos vampiros apenas saíram correndo depois de vê-lo em movimento.

No salão principal, Quil parou e olhou através do parapeito, do outro lado um cinturão de guardas subia as escadarias principais arrastando consigo os Reis, Bella e uma Nessie titubeante. O lobo vagou para o lado tencionando cair no meio daqueles guardas, fatiar os reis e libertar suas amigas, mas seu corpo estava pesado e depois de um segundo de dúvida ele percebeu o motivo: seu líder exigira sua presença perto dele e era isso que a ordem do alfa o ordenara a fazer... nada além. Quil olhou para a porta principal e percebeu que estava apinhada de guardas e o entendimento veio imediatamente, ele precisava limpar o lugar para dar acesso aos amigos para o interior do palácio.

Quil rugiu e saltou a amurada caindo como um cometa armado no meio do salão de entrada, a Guarda toda virou-se para olhar o que havia causado a explosão e seus rostos assumiram um horror escancarado no momento em que os olhos irados de Quil os encarou por debaixo do elmo de aço; o lobo ouviu ao longe a voz de Felix berrando para o cinturão de guardas avançar as escadarias, o importante era defender os reis.

Os guardas haviam começado a entulhar alguns móveis contra as portas pesadas e havia até mesmo os corpos de alguns companheiros tombados, Quil quase sentiu pena deles... quase. Com um arrombo de força ele pulou para o meio dos guardas desbaratando-os por completo, sentia no dorso os golpes retinirem na armadura, mas sabia que a força dos vampiros era insuficiente para feri-lo; aproveitou a surpresa dos inimigos para dilacerar mais alguns tantos guardas que ousaram enfrentá-lo. Quando muitos deles atiraram-se em sua direção, Quil girou 360º escoiceando e lançado garras a todos os vampiros, ferindo alguns e afastando outros, depois virou-se para a porta e com o impulso de suas patas traseiras atirou-se para frente com a força de um tsunami.

As portas da entrada do castelo eram medievais, antigas e reforçadas com rebites de aço, uma coisa escura que erguia-se quadrada na base e circular no alto quase tocando o teto, mas mesmo aquela maravilha que em outros tempo pode ter segurado uma horda de invasores não foi capaz de suportar a carga do poder do lobo de La Push. A porta estilhaçou-se em cacos de madeira, fragmentando-se em pedaços e lascas que voaram para toda a parte, Quil aterrizou dentro do círculo de guardas que fazia uma barricada na porta impedindo seus companheiros de entrarem, suas garras derraparam pelo piso do pátio e ele derrubou vários vampiros como pinos de boliche.

Ao parar ele olhou para os guardas desmantelados e solta um rugido ensurdecedor que fez os pobres servos dos Lordes debandarem correndo de medo... os guardas estavam tentando levantar-se.

Ô Quil – chamou a mente de Seth na sua – Meu amigo, como é bom ver você. Bela roupa, onde consigo uma dessas?

Seth, seu molengão – riu Quil olhando para o amigo com uma felicidade incontida – Como senti falta desta sua voz na minha cabeça.

Quil – a voz monumental de Jacob chegou a ele e o alfa colocou-se à frente dos dois companheiro – É muito bom revê-lo, meu irmão. Mas infelizmente não temos tempo de comemorar agora. Precisamos matar três reis, você limpou o caminho?

Está limpo, boa parte dos guardas está atordoado, se for para invadirmos vamos logo, Felix está levando os reis para o alto, ao salão dos tronos do Pináculo.

Os outros formaram um grupo ao redor deles, todos olhando admirado para Quil, felizes, dando-lhe tapinhas e elogiando a armadura de combate, apesar de que ele sabia que ficava pavoroso com aquilo nas costas. Entretanto, os cumprimentos foram rápidos, pois a voz de Edward soou na mente do todos através do entrelaçamento de seus pensamentos.

Meus amigos – disse – Vamos, vamos destruir os Volturi.

E Arian? — perguntou Carlisle preocupado.

Arian pode cuidar de si mesmo.

Neste momento Quil deu uma olhada para a parte mais distante do imenso pátio principal e viu uma figura sombria e alta parada na frente da horda dos mercadores da morte, aquele deveria ser o sujeito de quem eles estavam falando, mas o lobo ficou sismado com o último comentário de Edward.

Contra três mil Mercadores da Morte? – perguntou Quil incerto.

Ele dá conta – informou Jacob – Concentrem-se... temos um trabalho a fazer.

Sim – concordou Carlisle – O derradeiro fim para esta história.

Os vingadores aglutinaram-se num grupo fechado e rumaram para os guardas que tentavam formar uma barreira em frente a porta devastada por Quil, mas seria inútil, nesta altura eles já haviam percebido que a Guarda Volturi estava separada e desbaratada, espalhada por todo o castelo e com aqueles três lobos selvagens não haveria chance de eles se defenderem. Tirando isso, Jasper já usava seu dom para influenciar os inimigos causando-lhes medo ou estupor e ninguém seria capaz de fazer frente ao determinado grupo de Edward.

Jasper, o brilhante estrategista, tinha razão.

Os reis encurralaram-se a si mesmos, poderiam ter tido vantagem numa batalha em campo aberto, mas agora com sua Guarda fragmentada e apartados de seus preciosos Mercadores da Morte... era questão de tempo até que tombassem.

E sua queda seria fenomenal.

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Havia milhares deles, Arian observou, olhando-o com apreensão por debaixo dos elmos emplumados, os mantos rubros esvoaçando com o vento que soprava do mar... e na frente da horda de Mercadores da Morte encontrava-se seu general. O poderoso Flávius Aurélius, alto e corpulento, com seu manto alvo adejando atrás das costas e a armadura dourada faiscando ao sol, sua espada romana curta encaixada na bainha em sua cintura e o elmo de plumas rubras e longas pousado suavemente sobre a cabeça.

Seus olhos brilhavam de expetativa.

– Meu antigo oponente – disse o general com um sorriso amargo – Estamos prestes a travar mais um embate?

– Oponente? — a palavra soa com desdém na voz possante de Arian – Oponente é um indivíduo que demanda igualdade de força, Flávius, tu e teus soldados nunca foram oponentes para mim... não há oponentes para mim neste mundo. Da última vez saíram vencedores sob o pretexto da artimanha e da traição quando Aro ameaçou a vida de Bianca, mas ela está segura agora e não há nada que vos separe da minha fúria. E isso não será um embate... estou aqui para destruí-los em definitivo.

Os olhos do general se estreitaram.

– A despeito de todo o seu poder você não é Deus, Arian.

– Não um deus de todo, general, mas neste mundo sou o único deus que há.

– Então estava conversa será realmente curta.

– De fato – o rosto de Arian escureceu ante a antecipação do combate.

– Estes homens foram treinados em táticas de combate anti sobrenaturais, Arian. Não pense que não aprendemos nada com seus truques antigos.

– Eu agora tenho truques novos.

– Então será você contra os três mil? — Flávius riu um riso sem humor – Você está sozinho.

– Não vejo isso como um impasse.

O general ergueu a mão muito alto e uma trompa de combate ecoou por cada agrupamento dos soldados e este foi o chamado para que os Mercadores da Morte avançassem como uma onda armada sobre Arian. Eles vieram em falanges ou em grupos menores, simplesmente lançando-se sobre o guerreiro-deus como um só bloco furioso.

Arian sorriu um sorriso diabólico.

Durante quase um milênio ele ficou no escuro planejando uma forma de se vingar de todos os que o haviam aprisionado, os que haviam negado a ele a luz do sol, e formulou novos dons que assombrariam o pobre Carlisle Cullen tanto mais que a sua capacidade de fulminar com fogo os inimigos ou paralisá-los de horror. O principal deles para um combate era o de prever o futuro, não era um dom extenso ou amplo como o de Alice, Arian podia ver apenas cinco segundos do futuro, era o máximo que conseguia, mas num combate, cinco segundos pareciam uma eternidade. Aliando este dom aos outros tantos que tinha e à sua perícia em guerras... Arian era praticamente insuperável.

Antes da primeira leva de Mercadores da Morte chegar até ele, Arian invocou seu dom e uma visão rápida e caleidoscópica invadiu sua mente, ele previu os movimentos dos soldados antes mesmo que eles acontecessem e um sorriso diabólico formigou em seus lábios. Aquela pobre legião de imortais não teria chance, pois enquanto lutariam no presente, Arian estaria sempre cinco segundos adiantado. Seria um massacre... e assim foi.

Arian atirou-se contra os soldados, desprendeu o machado de guerra da bainha e ergueu-o no ar, os Mercadores da Morte ficaram confusos quando o guerreiro-deus desviou facilmente de todos os seus golpes combinados e treinados à exaustão, mas a confusão deles não durou muito, pois o machado de Arian varreu suas vidas imortais com a violência e a rapidez de um tornado. Arian ceifava membros e cabeças um atrás do outro metodicamente, esquivava-se dos golpes e das lanças com uma fluidez graciosa, como se participasse de um espetáculo mortal de dança; bailava por entre os Mercadores da Morte que pareciam incapazes de lhe acompanhar a velocidade.

Quando o primeiro batalhão havia sido aniquilado, um batalhão composto de pelo menos uma centena de soldados, o ataque cessou e Arian viu-se no meio de uma clareira de corpos destroçados e armaduras partidas dos seus inimigos tombados, à distância o resto da horda cercava-o como uma floresta de olhos raivosos que o encarava com ódio e comedimento. Mas a resposta do guerreiro foi um riso que culminou numa gargalhada divertida e maldosa que ecoou pelos pátios apinhados de inimigos, e esta gargalhada originou-se da súbita consciência de que os Mercadores da Morte eram inferiores a Arian.

Antigamente, há quase mil anos, as fileiras de Flávius Aurélius eram compostas por guerreiros romanos que haviam sido descartados dos exércitos de Roma, soldados que a beira da morta nos campos de batalha ganharam uma segunda chance e foram selecionados para combaterem para sempre ao comando de um general vampiro. Mas aqueles guerreiros antigos, aqueles soldados treinados e experimentados a sangue e dor, haviam sido destruídos por Arian na primeira vez em que ele enfrentou os Mercadores da Morte. Agora, entretanto, os soldados não passavam de guerreiros rasos e inexperientes, vampiros que os Volturi coletaram pelo mundo e que Flávius treinou por quase menos que uma década apenas para alimentar a ânsia de poder dos Três, mas este novo exército de Mercadores não era nada comparado ao antigo... e se Arian os havia vencido quando eram poderosos, então estes pobres vampiros não teriam a mínima chance contra ele.

E os Reis sabiam disso, Flávius Aurélius sabia disso... e foi por este motivo que todos correram para dentro do castelo pensando que estariam mais seguros, tolos, Arian iria devastar o Pináculo da Luz assim como fizera com Volterra. Nada poderia impedi-lo.

Um nova leva de Mercadores caiu sobre ele e Arian uma vez mais repeliu-os com seu machado, cortando e cortando como um jardineiro sanguinário podando uma selva de membros marmóreos, ele desviava-se dos ataques com facilidade e matava com a mesma facilidade, aqueles eram vampiros jovens enquanto ele, com quase um milênio de vida, era muito mais veloz e ágil. A idade servia apenas para deixar os vampiros muito mais poderosos e no caso de Arian... deixava-o apenas ainda mais divino.

Arian estava se divertindo como uma criança no natal. A matança, o som do entrechoque das lâminas, o uivo de medo dos inimigos, a ciranda da morte... tudo isso pelo qual ele aguardou durante oitocentos anos. Mas apesar do contentamento também havia o ódio pelos Três, eles o haviam aprisionado a custas de milhares de vidas imortais e agora, uma vez mais, obrigam-no a ceifar mais alguns milhares e tudo pelo quê? Pela loucura do controle que os reis mantinham sobre seu próprio povo? Arian se sentia tremendamente furioso pelo comportamento dos líderes. Mas isso estava perto de terminar.

Mas enquanto Arian seguia destruindo tudo e rindo, uma voz exasperada tocou a sua mente através do laço mental de Kaori.

Nós estamos enfrentando um problema sério aqui dentro, Arian – Edward estava irritado – Será que poderia terminar com isso de uma vez e vir aqui nos ajudar? Ou será que você foi libertado apenas para brincar com os Mercadores da Morte e deixar que nós mesmos matemos os reis?

Sois um homem desprovido de humor, Edward Cullen – respondeu Arian, ele não estava zangado, para ser franco sentia-se intrigado com a ousadia de Edward por falar com ele, um deus, naquele tom. E talvez fosse justamente por isso que gostava do Cullen, ele lembrava-o Matheu na forma como o tratava mesmo ele sendo o vampiro mais poderoso do mundo – Irei cortar meu divertimento para poder assistir a derrocada dos Três. Não se aflija meu amigo, eu estou a caminho.

Arian decidiu que estava no momento de levar as coisas a sério. Quando um batalhão moveu-se para ele, seu dom de combustão atingiu-os incinerando a todos de uma só vez; centenas de vampiros caíram de joelhos gritando enquanto as chamas consumiam seus corpos e isso foi o suficiente para que o batalhão que vinha logo atrás entancasse apavorado. A visão horrenda de seus companheiros em chamas causou temor em cada Mercador da Morte, e todos olhavam para o gigante guerreiro parado no centro da clareira, rodeado por corpos mortos e carbonizados e souberam que ali seria o cemitério onde sua vida imortal encontraria o fim.

Mas Arian não tinha tempo para perder, não tinha tempo para piedade, com seu dom de imobilizar os adversários a distância ele aproveitou para ceifar com seu machado mais algumas cabeças e depois ateou fogo no próximo círculo de inimigos, acionou seu dom dos ares e alçou voo para longe do alcance das mãos dos Mercadores, vez ou outra dava um rasante passando a lâmina do machado pelas cabeças expostas.

Depois disso foi apenas uma sucessão de investidas de poder e morte, Arian construiu uma rotina onde ele queimava, paralisava, matava, voava; queimava, paralisava, matava, voava... e assim por um longo tempo. Mesmo para o mais poderoso dos vampiros, um imortal como Arian, o uso repetitivo de seu poder o estava exaurindo, não era fácil lutar contra uma horda inteira e havia muitos deles, Arian já havia matado pelo menos uns mil e quinhentos Mercadores da Morte e mesmo assim ainda faltava um número igual para ser destruído.

Mas Arian era astuto e ele soube que se o líder caísse, os soldados debandariam.

A única forma de fazer isso rápido seria matar Flávius Aurélius diretamente.

E depois reunir-se com os Vingadores de Edward Cullen para assistir a quedados Três.

Ele avistou o General.

O momento havia chegado.