Candor Lunar - Livro 2
17 Capítulo 16 – Heróis anônimos
Notas iniciais
Queremos agradecer as recomendações da dan e da amando. Obrigada lindas... Capitulo dedicado a vocês
.
Recadinho do Ang:
Pessoal, Candor 2 passará, a partir deste momento, a ser escrita em terceira pessoal.
Sei que não é comum na história, mas é necessário dado o dinamismo que a fic precisa para ficar completa.
A narração impessoal vai me permitir explorar o ponto de vista de vários personagens ao mesmo tempo,
não deixando que as coisas fiquem muito lentas.
Obrigado.
A chuva não deu trégua. A caravana dos oito companheiros estava unida sob o aguaceiro que caía dos céus sem clemência, era como se as nuvens despejassem em forma de chuva toda a tristeza que sentiam em seus corações. Era uma sociedade de desesperados, uma pequena família de massacrados... um bando de desesperançados; ali, unidos ante o mesmo destino fatídico, sustentavam solitários sua própria cota de fracassos, incertezas e mágoas.
Em uma cruzada de agonia e dor, seguindo para a morte certa debaixo da chuva imperdoável, estava Jacob Black, Senhor dos Lobos de La Push e seu irmão de matilha Seth Clearwater; Carlisle Cullen, patriarca da família Cullen e seus filhos Jasper e Edward. Unidos por laços de amizade, seguiam para a mesma trilha obscura Kaori Sayuri e Garret que dispuseram de sua coragem para morrer ao lado dos amigos. E nesta sociedade estranha e improvável entre lobos e vampiros, havia também uma bruxa imortal chamada Charlotte que os seguia de perto com seus segredos estranhos e propósitos ocultos.
Agora, ali no meio da chuva, perdidos no limiar de dois países estrangeiros, todos aguardavam ansiosos o desfecho das atividades de Charlotte. A milenar vampira, filha de Salesiana, estava imóvel havia horas a poucos centímetros da fronteira que separava a França da Itália. Charlotte sentava-se no chão com as pernas cruzadas, suas mãos estavam voltadas para baixo com as palmas abertas a poucos milímetros uma da outra; entre elas havia uma graciosa névoa prateada que malmente podia ser vista, era como uma fumaça etérea e rala que se espiralava em suas palmas. A bruxa encarava o fenômeno com atenção e nada quebrava sua concentração... ela estava assim desde que o dia raiara e agora a tarde já avançava lentamente.
“Eu fico imaginando se ela realmente terá poder suficiente para detectar algum encantamento dos Volturi” – pensou Jacob através do elo mental de Kaori para não atrapalhar a bruxa.
“Isso deve levar tempo, Jake” – ponderou Carlisle – “Nós nunca tivemos contato tão direto com bruxas e magia, nem ao menos sabíamos direito que Aro era um Mestre dos Costumes com relação à magia. Então tenha calma, o importante é que consigamos adentrar os domínios dos Volturi sem sermos percebidos”.
“É!” – riu Seth – “Mas muito provavelmente morreremos todos afogados no meio deste aguaceiro antes de entrarmos na Itália”.
Tratava-se de um trabalho delicado que não dispunha de margem para erros, os Volturi eram a realeza do mundo dos vampiros e não consideravam serem pegos de surpresa por reles maltrapilhos que tentavam se agarrar a insípidos fiapos de esperança. Vampiros e lobos tinham a consciência de que seriam esfolados vivos por milhares de vampiros-guerreiros caso tivessem o azar de serem descobertos... neste ponto, fora uma sorte Charlotte ter decidido acompanhá-los, apesar de que as intenções da bruxa eram tão misteriosas quando os seus poderes.
A feiticeira não se incomodava com a chuva e tampouco parecia notar o mundo à sua volta, tudo o que fazia era exaurir cada grama de concentração para tentar detectar alguma armadilha volturiana no caminho... ela avisou que teria de vasculhar por uma longa área até encontrar algo e que os feitiços de Aro poderiam estar muito bem escondidos mesmo para uma bruxa com sua experiência.
A manhã passou e a tarde já findava e até então Charlotte não se movera um único milímetro... ela pedira silêncio absoluto e todos se comunicavam (quando o faziam) através do dom de Kaori. O tempo parecia passar tão lentamente que pareceu permitir aos viajantes ruminarem os pensamentos escondidos em suas mentes exaustas.
“Eu estive pensando, Carlisle” – começou Edward – “Lembro-me de que havia dito que Erestor conseguira fugir de Volterra na mesma época em que você morava lá... mas pelo que ele nos contou, fora muito antes disso”.
“Bem” – respondeu Carlisle depois de um minuto de silêncio e notando que todos se voltavam para ele interessados – “Isso é um problema de ordem cronológica, julgo eu. Como Erestor mesmo comentou, eu posso ser comparado a um pré-adolescente entre os vampiros mesmo sendo o mais velho entre nós... mesmo para Charlotte eu sou jovem. Ela já possui mais de mil anos de idade. Agora, quando eu mencionei que Erestor fugira das prisões de Volterra mais ou menos na época em que morei lá... entendam que fora um mero palpite; nenhum dos servos de Volterra sabia ao certo quem era Erestor e por que ele fora preso nas masmorras. Eu o considerava uma lenda do castelo. Enfim, tudo o que me diziam era que ele fugira há ‘um tempo
atrás’ antes de eu chegar... mas eu, obviamente, jamais poderia conceber esta ideia de tempo, principalmente porque se tratava de quase um milênio”.
“Então as informações sobre ele nunca foram precisas”? – interessou-se Garret.
“Basicamente não” – respondeu Carlisle.
“Mas por que ele despertou o seu interesse”? – quis saber Jasper.
“Vejamos...” – murmurou Carlisle – “Eu soube por alto que ele conhecia todos os segredos dos Volturi... e naquela época eu desconhecia o que poderia ser estes supostos segredos. Então sempre procurei conhecer mais sobre Erestor e sua sabedoria, por isso, talvez, Flávius Aurélius tenha me dado a dica para procurá-lo”.
“Isso é algo que me deixa pensativo” – manifestou-se Jacob – “Eu estava lá quando o general romano lhe transmitiu esta mensagem... e foi algo muito estranho. Parecia que ele não queria que suas palavras chegassem aos Volturi, tanto que os Mercadores da Morte ficaram girando suas lanças para emitir aquele zunido esquisito no ar... por que acha que ele fez isso”?
“Eu não sei, Jake” – suspirou Carlisle – “E você terá de me perdoar, mas eu não faço ideia sobre o que levou Flávius a me dar este conselho, ele praticamente me mostrou a porta de entrada de Volterra”.
O silêncio reinou por mais algum instantes, cada integrante do grupo perdido em seus próprios devaneios e pensamentos, as palavras de Carlisle geravam mais dúvidas do que esclarecimentos. Afinal de contas, por que Flávius Aurélius, Senhor dos Mercadores da Morte, General das Hordas de Volterra, homem de confiança e criatura de Marcus Volturi... trairia desta forma os seus mestres?
Por que avisaria Carlisle que o único vampiro vivo que fora capaz de escapar de Volterra se encontrava refugiado à beira de um vulcão... e principalmente, por que Flávius Aurélius jamais revelara o paradeiro de Erestor aos Volturi? Havia muitos segredos antigos encerrados nas pedras que formavam o castelo de Volterra, seria impossível tentar determinar a extensão de todas as tramas e amarras perpetradas ao longo de tantos séculos pelos irmãos Volturi.
“Há mais coisas que me preocupam” – declarou Kaori deixando de lado o silêncio habitual – “O que Salesiana quis dizer quando pediu para você abandonar certos pensamentos, Edward”?
“É” – atalhou Seth – “Eu também fiquei pensando; afinal de contas Ed, o que está se passando dentro desta sua cachola”?
“Não é nada” — respondeu Edward talvez rápido demais dando a todos a impressão de que ele não falara a verdade – “Como ela poderia saber de algo? Ela lê pensamentos? Eu acho que não. Talvez ela apenas tenha imaginado que eu estivesse um pouco afoito demais, mas todos nós nos sentíamos do mesmo modo presos dentro daquele estranho mundo enfeitiçado”.
“Eu ainda não consigo confiar nesta bruxa” – disse Jacob apontando com a cabeça para Charlotte e levando uma fungada de contrariedade de Seth.
“Nós não temos escolha” – afirmou Carlisle.
“Pode ser, mas ela também pode ser uma traíra sem que saibamos” – contrariou Jake.
“Ainda assim não temos escolha” – disse Jasper findando os argumentos.
Jacob e Seth estavam transformados, parece que a pelagem dos lobos, densa e fofa, impedia que a chuva baixasse demais a temperatura de seus corpos... mesmo assim eles estavam ligeiramente entorpecidos com a demora de Charlotte. A noite já se aproximava quando a bruxa finalmente liberou um suspiro de estafa e levantou-se do chão com um leve sorriso misterioso no rosto.
- Só há encantamentos próximos ao castelo – disse ela triunfante – Aro Volturi não é um mestre feiticeiro, ele não tem poder suficiente para armar muitos encantamentos de detecção.
- E Aro não poderia ter encontrado mais vampiros para fazer isso? – perguntou Edward – Ele é astuto e pode ter escravizado alguém que formulasse feitiços que não pudessem ser percebidos.
- Acho difícil – respondeu Charlotte indiferente – Vampiros-feiticeiros estão em extinção, não há quase nenhum. Aro não conseguiria encontrá-los caso não desejassem serem encontrados... como é o caso de minha mãe e eu; eu não acho que
seja isso, imagino que os Volturi são por demais arrogantes para supor que alguém teria coragem ou juízo de se aproximar de Volterra na surdina.
- E com relação ao feitiço de ocultação? – quis saber Jasper.
- Nenhum feitiço de ocultação é completamente destituído de falhas – respondeu Charlotte dando de ombros – Entretanto, eu farei algo para sanar este empecilho, irei realizar um feitiço de detecção quando entrarmos na Itália e isso nos avisará com uma boa antecedência quando qualquer vampiro se aproximar de nós.
- Ótimo! – animou-se Garret – E o que estamos esperando?
- Eu não produzo feitiços do vácuo – irritou-se Charlotte – São necessários alguns ingredientes especiais para isso e ao entrarmos na Itália, vocês o conseguirão para mim.
- Do que precisa? – perguntou Carlisle.
- Os ramos de cipreste selvagem eu mesma conseguirei – avisou a bruxa – Mas vocês, meus amigos, irão atrás de teias de aranha para mim.
- Jacob quer saber por que teias de aranha – manifestou-se Kaori depois de verbalizar a dúvida do lobo, sem Edward, o dom de Kaori se mostrou preciosíssimo para que vampiros e lobisomens pudessem se entender e Jake, provavelmente, esquecera-se de fazer a pergunta a todos através do elo.
- Por que sim – chiou Charlotte com aspereza – Eu sou a feiticeira e vocês fazem o que eu peço quando preciso de algo para realizar um feitiço. E não pensem que se trata de teia de aranha qualquer... eu preciso da teia viscosa da Goliat Devoradora de Pássaros... é uma espécie de tarântula que vive na região da Itália.
“Merda” – xingou Seth na mente dos companheiros – “Uma tarântula que devora pássaros? De que tamanho ela é”?
- Do tamanho de sua mão – disparou Charlotte – Não me diga que um monstro do seu tamanho tem medo de uma aranha?
“Eu não tenho medo de nada!” – disparou Seth.
- Enfim – suspirou Jasper cansado – Como encontraremos a tal aranha?
- Ela é uma espécie muito grande – explicou a bruxa – Ao esfregar as patas umas contra as outras produz um ruído de alta frequência muito similar ao dos grilos... vocês poderão identificá-las com facilidade, suas teias são muito resistentes e sempre
estão nos galhos altos das árvores; como eu disse, elas costumam devorar pássaros. Eu preciso de uma boa quantidade... não me façam perder tempo. Vão!
- Jacob, Seth – chamou Carlisle – Façam a guarda de Charlotte enquanto ela busca os ciprestes pela mata, o resto venha comigo e tomem cuidado, estaremos cruzando a fronteira para a Itália... e como todos sabem este é o lar dos nossos inimigos.
Charlotte enfiou-se na mata molhada com os dois lobos em seu encalço enquanto os vampiros seguiram para dentro da Itália, todos com caminhos opostos em busca do que era preciso para Charlotte realizar o encanto. Seth ficara aliviado ao não precisar se deparar com aranhas gigantes... ele jamais admitira, mas todos sabiam que o jovem quileute temia aranhas mais do que Volturis.
Kaori e Garret se separaram do grupo e rumaram para oeste da floresta; Jasper seguiu para o sul enquanto Edward corria para leste e Carlisle para o norte. Os vampiros mantinham-se atentos para o som que a aranha Goliat produzia, entretanto sabiam que debaixo deste aguaceiro a aranha não estaria caçando e talvez seu som não fosse produzido até que a chuva cessasse.
Se a noite estivesse limpa e com lua cheia, seria mais fácil uma vez que o luar reflete-se na teia como um brilho prateado e puro... mas no meio da escuridão total até mesmo a visão aguçada dos vampiros era levemente afetada. Mesmo assim, contra muitas probabilidades, Kaori acabou topando com um pequeno ninho de Goliat... eram três aranhas gigantescas que habitavam a mesma árvore velha; cada uma envergava um corpo peludo e escuro de praticamente 30 centímetros de comprimento... mesmo Kaori acabou tendo um arrepio de medo ao ver aquele imenso corpo dotado de 8 pernas assustadoras, 4 pares de olhos desconfiados e presas longas e tiritantes.
- Olá pessoal – Kaori riu nervosa – Eu vim apenas buscar um pouco de suas teias... mas amanhã vocês fazem outra, não é mesmo?
Com cuidado, Kaori enrolou a teia das aranhas em um graveto formando um novelo gosmento, delicadamente ela esticou um pouco da teia e notou o quanto ela demorou a arrebentar e comprovou que realmente Charlotte falara a verdade quando comunicou que as teias destas aranhas eram resistentes. As aranhas ficaram ariscas no começo, mas logo se refugiaram em suas tocas no interior do tronco das árvores...
animais selvagens sempre conseguiam identificar quando um predador mais poderoso estava a espreita.
“Gente, eu encontrei um ninho bom” – comunicou Kaori através de seu elo mental – “Deu uma boa quantia de teia, será que Charlotte precisa de muita”?
“Eu encontrei um ninho solitário” – avisou Jasper – “Coletei um bocado também, estas aranhas tecem suas teias conforme seus tamanhos... esta daqui era bem grande!”.
Edward demorou pouco mais de uma hora para encontrar um exemplar do espécime exigido por Charlotte... ele correu por uma longa extensão de mata fechada até detectar quase sem querer o som estranho que as Goliat produzem, não é um zunido parecido com o dos grilos, era mais grotesco e monstruoso. Edward também se surpreendeu com o tamanho da aranha, a sua não era escura como a que Kaori encontrou... possuía um tom vermelho sangue com listas amarelas e agressivas, mas o aracnídeo também se escondeu quando Edward começou a desfiar sua teia.
Quanto retornou ao ponto de encontro, um local ermo pouco afastado da fronteira com a França, seu grupo já estava todo reunido; Carlisle fora o primeiro a retornar por não ter se demorado a encontrar as teias exigidas. Charlotte estava sentada no chão enlameado sob a chuva constante tratando de terminar de amarrar com cordas uma armação de gravetos de cipreste selvagem.
Era uma armação simples em forma de quadro, apenas quatro gravetos pouco espessos formavam a irregular estrutura e no momento em que se viu satisfeita com a amarração, levantou-se sorrindo e exigiu dos viajantes a teia da Goliat.
- É uma quantidade suficiente para agora – declarou a bruxa.
- Como funciona o feitiço? – quis saber Jasper.
- Ele é simples – disse Charlotte – Eu defino um caminho em minha mente, uma área que quero proteger... como uma fronteira, em seguida amarro um fio da Goliat no quadro e invoco o encantamento; com isso, caso o fio da aranha se rompa, significará que algum inimigo invadiu minha área de proteção.
- E com isso vamos avançando até Volterra? – questionou Carlisle.
- Esta é a ideia.
Sem perder tempo Charlotte passou a fiar seu quadro de teias, ela parava por um momento encarando a escuridão e procurando visualizar o caminho que queria proteger com o feitiço... era uma espécie de sonar mágico que impediria qualquer um de se aproximar deles sem ser descoberto... estando ou não camuflado.
“Sabe” – disse Edward para Carlisle mentalmente – “Depois que tudo isso acabar, poderíamos pedir para Charlotte fazer um quadro destes para nós... seria bom ter detectores espalhados por todo o quintal”.
“Sem dúvida” – respondeu Carlisle rindo.
O feitiço de Charlotte tinha apenas um inconveniente: não podia cobrir longas distâncias. Com isso, eles teriam que avançar até o último ponto protegido e de lá a bruxa fiaria mais alguns encantamentos... teria que fazer isso até estarem às portas de Volterra.
O grupo respirou o ar gelado e molhado e iniciou a caminhada rumo aos portões da cidade dos vampiros que eram conhecidos como Le porte della morte: As portas da Morte. Poucos vampiros adentraram o lar dos Volturi e retornaram com vida, ou entravam para serem julgados ou para unirem-se aos três irmãos... Edward e Carlisle fazem parte desta minoria.
Caminhavam com uma lentidão quase teatral, no domínio dos Volturi não poderiam correr a toda velocidade, afinal de contas, a pressa determinaria sua derrota; os passos eram precisos e o silêncio que faziam beirava o exagero. Ali, sob a chuva inclemente, os viajantes colocavam à prova sua paciência enquanto seguiam para seu destino inexorável... lá encontrariam a salvação ou a morte.
Adentrando aos poucos a floresta escura começavam a perceber que aquela região era completamente diferente de onde moravam atualmente... na pequena cidade de Forks ou da Reserva La Push na América do Norte. A Europa era o velho continente. Até mesmo o ar ali parecia distinto do que estavam habituados a respirar... o terreno era sempre entrecortado por montes escarpados e às vezes altos demais para serem escalados obrigando os viajantes fatigados a contornarem as colinas e montanhas fazendo com que perdessem ainda mais tempo.
Justamente na hora fria que antecede a aurora, Jasper, que encabeçava a comitiva, parou bruscamente... assustados e alertas, todos os que o seguiam
assumiram posições de defesa, mas o vampiro apenas voltou-se para eles com uma expressão de dúvida no rosto.
- O que foi? – perguntou Edward na semi escuridão que se assomava.
- Não sei ao certo... – respondeu Jasper num sussurro.
A escuridão que pairava sobre eles apenas aumentou a expectativa do grupo, era uma escuridão estranha de quando a noite está terminando, mas o dia ainda não nasceu; onde tudo parece fantasmagórico e difuso como se um borrão de luz tivesse sido aplicado no rosto das pessoas e na floresta profunda.
- Acho que nos perdemos – declarou Jasper.
“E desde quando vampiros se perdem”? – surpreendeu-se Seth.
- O que está havendo, Jasper? – perguntou Carlisle se aproximando.
- Bem, logo abaixo desta colina nós deveríamos encontrar um campo levemente deserto segundo o mapa, mas, bem, há um rio lá em baixo.
Carlisle subiu no terreno um pouco acima de onde Jasper estava encarapitado para ter uma visão do vale lobo abaixo... o que viu com seus olhos sobrenaturais em meio a escuridão do fim da noite foi o mesmo que Jasper anunciou: havia um rio estranho passando onde não deveria estar. Suas águas eram ruidosas e a correnteza era violenta fazendo com que a água escura descesse em estardalhaço carregando tudo à sua frente.
- Não é um rio perene – declarou Carlisle.
- Perdão? – indagou Garret dando uma espiada.
- Não estamos perdidos e o mapa não está errado – explicou Carlisle – A chuva torrencial criou uma leve inundação no rio que passa ao norte desta região... veem a forma do vale? É semelhante a uma grande vala natural por onde o rio transborda quando muito cheio, as águas estão escuras demais e violentas demais para ser um córrego comum... a chuva incessante acabou causando uma cheia nesta região e acabamos de encontrar uma consequência disto.
- E agora? – quis saber Kaori.
- Bem, apesar de largo, acho que podemos transpor este obstáculo com um pouco de impulso e um salto bem alto... – determinou Jasper.
- E os lobos?
“Pulamos tanto e tão alto quanto vocês” – reinou Jacob.
- Bem – disse Edward com um sorriso zombeteiro, olhando para Charlotte e Kaori – Primeiro as damas.
Um a um, vampiros e lobos se posicionaram do outro lado da enchente que se derramava como uma onda negra sobre os campos ainda sonolentos da Itália; por alguns instantes se reagruparam sobre a proteção de alguns abetos que cresciam altos tentando se proteger dos pesados pingos de chuva.
O dia ainda estava distante de raiar por completo e as nuvens de chuva, negras e furiosas, não permitiriam que o sol surgisse para iluminar as florestas entristecidas... apesar disto, a chuva pareceu dar uma leve abrandada e uma garoa fina e monótona descia sobre o mundo como uma névoa sonolenta.
Mas, no instante em que os viajantes aprumavam-se para partir, gritos de agonia, medo e desespero chegaram até seus ouvidos. Houve um silêncio e olhares de apreensão entre o grupo; novamente assustados, colocaram-se em posição e alerta como sempre faziam desde que entraram nos domínios dos vampiros de Volterra.
“Que bagunça será esta”? – perguntou Jacob.
- Não sei, parece que há pessoas em perigo – opinou Kaori.
- Como assim? – estranhou Charlotte.
- Há pessoas em desespero – disse Edward – O que me diz Jass?
- De fato, os sentimentos estão afoitos – responder Jasper com os olhos fechados em sinal de concentração procurando sentir, com seu dom, a aflição ali próxima – Parece que há uma grande histeria aqui por perto... não entendo a causa, mas os humanos estão em desespero.
“O que há aqui por perto”? – quis saber Jacob.
- Pelo mapa, uma vila pequena chamada Castello.
- Uma enchente? – questionou Garret.
- Se a cheia atingiu a cidade, pode estar causando problemas aos moradores... – conjecturou Carlisle – Cidades pequenas como esta eram alvo muito frequente de enchentes antigamente... lembro-me que dependendo da quantidade de chuva, vilas inteiras eram arrasadas e moradores morriam às centenas.
- E o que faremos agora? – perguntou Kaori.
- Como assim, o que faremos? – exasperou-se Charlotte – Até onde sei isto não é problema nosso... estamos em uma missão suicida e não podemos nos desviar de jeito nenhum, vocês não estão pensando seriamente em ir até Castello e auxiliar as vítimas da enchente. Isso não é atitude de um vampiro.
“Bem, é exatamente o que nós faremos, bruxinha” – respondeu Seth.
- Usem toda a velocidade que possuírem – ordenou Carlisle – Vamos aproveitar que a noite ainda não cedeu e a escuridão será nossa aliada, não permitam que as pessoas os vejam... nosso anonimato é fundamental para não atrapalhar a nossa missão.
- Vocês estão loucos? – desesperou-se Charlotte.
- Jacob, Seth – continuou Carlisle – Subam a cabeceira do rio por onde toda esta água está vertendo e encontrem um meio de diminuir o fluxo.
“Sim, Dr. Cullen” – disse Jacob saindo em disparada para o norte seguido de perto por Seth.
- Vocês não podem fazer isso – berrou Charlotte – São apenas humanos, isso pode chegar aos ouvidos dos Volturi e nos matar... eles saberão que estamos aqui. Parem! Por que diabos estão fazendo isso?
- Porque foi assim que fomos ensinados – respondeu Jasper sorrindo antes de sumir na escuridão.
- Porque somos Cullen’s e não Volturis – completou Edward seguindo Kaori e Garret rumo à vila em agonia.
- A integridade da vida humana deve ser preservada, Charlotte – disse Carlisle com austeridade – De que adiantaria sermos seres imortais e velhos sem respeitar isso? Eu não sou como Aro que determina o destino dos outros, não sou prepotente o suficiente para declarar o que deve e o que não deve ser salvo... Aro crê que os Volturi existem para salvar o mundo da irresponsabilidade dos homens e nisso consiste seu erro. Ao em vez de ensinar, Aro determina. Ao em vez de salvar, ele destrói. Meu filho tem razão, somos Cullen’s... e morreremos para salvar uma vida se for preciso, mas você está livre para agir como bem entender.
E com isso, Carlisle partiu para auxiliar os amigos deixando Charlotte sozinha com seus demônios interiores e seu estarrecimento solitário.
Edward, veloz como o vento sibilante, tomou a dianteira e correu para a direção em que Jasper apontou. Kaori e Garret os seguiam de perto levemente apreensivos com a perspectiva do que poderiam encontrar... Kaori não estava acostumada a fazer este tipo de ação uma vez que passou parte de sua vida escondida, entretanto, a lealdade e o amor aos Cullen a impediam de sentir um grama de medo sequer. Garret, por outro lado, continha em seu cerne a coragem e a disponibilidade cegas.
“Jasper” – chamou Edward usando a conexão mental de Kaori – “Você conseguirá acalmar a ansiedade dos moradores da vila com seu poder”?
“Se ficar em um local alto... talvez”.
“Faça isso” – ordenou Edward e Jasper rapidamente esgueirou-se para longe deles procurando um local mais elevado próximo à pequena cidade – “Kaori... cuide da ala oeste; Garret vá pelo leste. Carlisle”?
“Estou aqui” – avisou o patriarca pouco mais atrás.
“Cuide do norte, eu vou ficar no sul... Jacob, você consegue me ouvir”?
“Alto e claro, Edward” – retumbou a voz do lobo.
“Quando se aproximarem do local onde o rio está extravasando da margem nos comuniquem imediatamente... precisamos conhecer o grau de estragos a que a vila está submetida”.
“Pode deixar, estamos correndo às margens da cheia... mas até agora não encontramos sua nascente”.
A situação da pequena vila era arrasadora. A água da cheia corria pelas ruas da pequenina cidade cobrindo quase os telhados das casas... eram construções antigas em estilo medieval erguidas em pedras brutas e mal assentadas. A água lodosa e escura parecia um rio de lama transbordando em todas as direções e carregando em sua fúria tudo o que pudesse arrancar de seu caminho, as pessoas refugiavam-se nos telhados das casas e onde podiam se segurar, entretanto, muitas foram pegas desprevenidas.
Kaori encontrou uma mulher tentando de todas as formas segurar-se em um poste de iluminação urbana... mas a água furiosa a estava sugando para um turbilhão letal e escuro. Mesmo sendo uma vampira, Kaori sabia que a força da natureza era
incomensuravelmente mais poderosa que a sua e que não devia ser confrontada, assim, cuidadosamente, Kaori saltou de encontro ao poste mantendo-se encarapitada e rapidamente, com apenas uma mão, colheu com força a mulher de dentro da água atirando-a de qualquer jeito sobre a marquise de uma loja de ferragens... a mulher pode ter fraturado algum osso na queda, mas pelo menos não iria morrer afogada.
Jasper, por sua vez, enfiou-se com dificuldades no alto de uma torre de energia que se aproximava da cidade e procurou sugar o desespero e o medo das pessoas abaixo, a onda de ansiedade era imensa e Jasper a canalizava para fora da alma procurando liberá-la de si mesmo. Com um esforço descomunal ele empurrava de sua própria vontade a força necessária para as pessoas não se desesperarem, influenciando seus sentimentos e tentando de todas as formas imbuir em suas almas a tranquilidade e a calma.
Muito lentamente os gritos começaram a diminuir.
Garret encontrou uma família inteira condenada à morte... estavam presos dentro de casa, o pai e a mulher segurando como podiam os filhos, estavam sendo empurrados pela água contra o teto de laje concretada da casa; sem condição de sair pelas portas ou janelas tomadas pela correnteza voraz, estavam prestes a serem afogados em seu próprio lar.
Garret, astuto, subiu no telhado da casa arrancando com violência as telhas de barro e a armação de madeira até encontrar a base de concreto; atento, detectou com seus ouvidos de vampiro a posição das pessoas e arrebentou com um murro a laje, abrindo com força um buraco grande o suficiente para que os adultos passassem sem problemas.
O homem, pai de família e sapateiro de profissão hereditária, sofria para manter sua pequena filha de apenas quatro anos de idade respirando nos poucos centímetros de ar que sobravam... ele se considerava condenado e pediu perdão ao criador implorando que os filhos pudessem partilhar do mesmo paraíso que ele e a esposa. O humilde homem mal pode acreditar quando do nada, no meio da escuridão, uma mão desceu da laje arrebentada e puxou sua esposa e o filho mais velho de uma vez só... desesperado e com medo o homem tentou lutar contra a correnteza para chegar mais próximo do vão e ao fazê-lo sentiu uma força sobrenatural arrancá-lo da água gelada.
O homem piscou várias vezes na escuridão turbilhonante enquanto a esposa e os filhos o abraçavam com fervor... ele procurou por todos os lados pela pessoa que os salvara, mas não encontrou ninguém. Chamava-se Anacleto e nos anos seguintes até o dia de sua morte... jurava para quem quisesse ouvir, que a mão que arrebentara a laje e salvara sua vida e a de sua família fora a mão do Criador que atendera ao seu pedido no último instante.
Garret não teve tempo a perder... quando a família de Anacleto fora colocada a salva ele já corria para outra construção onde a voz de uma menina clamava por ajuda.
Carlisle encontrou uma senhora de idade presa em sua casa com um cesto de gatos na mão... ela provavelmente não viu o que acontecera quando seu corpo, subitamente, fora carregado para uma construção mais elevada. Apesar de tremer de frio a velha mulher sentiu quando seu desespero pareceu se extinguir em seu coração e que a tranquilidade a embalava como uma brisa cálida e quente... ela pode apenas divisar um vulto sorridente atirar-se em meio ao aguaceiro quando mais alguém, na escuridão, clamava por socorro.
Edward se deparou com uma cena aterrorizante... um carro havia sido carregado pela água e pousara sobre um homem na rua... a água ameaçava afogá-lo e havia pelo menos mais cinco pessoas tentando levantar o pesado automóvel para salvar o homem em agonia.
As pessoas usavam uma alavanca de ferro num esforço quase inútil de libertar o homem aprisionado, no colo de uma mulher, poucos metros da cena fatídica, uma criança gritava em desespero pelo pai que estava preso.
Os homens ali reunidos gritaram de susto quando alguém pousou com estardalhaço ao lado deles, Edward se atirara do alto de um pequeno edifício de três andares e explodiu em água quando caiu próximo ao carro virado; imediatamente ele se colocou na parte de trás do automóvel e encarou os homens com urgência.
- Fare forza ancora una volta! – berrou o vampiro para se fazer ouvir entre o ronco da inundação.
Edward não precisava da ajuda deles, mas seria melhor que eles se lembrassem de terem feito esforço; num impulso sobre-humano, Edward sustentou o automóvel destruído até que um dos socorristas puxasse o pobre homem ferido. Infelizmente, a água era forte demais e carregou os dois para longe para desespero da pobre criança... Edward, instintivamente, largou o carro e se atirou na água escura atrás dos dois homens.
Encontrou-os com dificuldade agarrados a uma placa de rua... gritou para que o homem são segurasse seu corpo com força enquanto ele sustentou o ferido; com destreza, Edward cravou suas mãos nos tijolos de um muro erguido ali e passo a passo lutou contra a correnteza até reunir os dois homens desgarrados ao grupo assustado. Teatralmente ficou ali resfolegando enquanto as pessoas puxavam os feridos para o alto da rua livre das águas... quando levantou-se, a menina no colo da mãe sorriu para ele e acenou.
Edward desapareceu em um segundo da cena do salvamento, mas carregou pelo resto da eternidade o sorriso de gratidão no rosto da criança.
“E agora? Alguma ideia genial, ó grande Chefe”? – perguntou Seth encarando Jacob.
Os dois imensos lobos estavam parados no meio de um oceano de águas turvas como a noite, o som parecia o ronco de um furacão por onde a água desembocava do rio caudaloso. A margem havia desaparecido, a inundação se agigantava ante os quileutes como um deus líquido e onipotente de destruição.
“Nenhuma” – respondeu Jacob – “É muito grande o canal que a água abriu, pensei que poderíamos atirar umas árvores ali para tentar diminuir a vazão, mas elas seriam carregadas como palitos”.
“Está vendo aquele pequena ilha que divide as águas”? – perguntou Seth apontando com seu focinho de lobo para um amontoado de terra que separava as águas da cheia – “Se um de nós se posicionasse ali, poderia tentar segurar os troncos atirados na água...”
“Não sei” – retrucou Jake “A correnteza é forte demais... até mesmo para nós”.
“Não para a Magia” – disse a voz de Charlotte enquanto a bruxa surgia na frente dos lobos como num passe de mágica.
“Feiticeira!” – disse um Jacob surpreso – “De onde você veio”?
“Não percam tempo, atirem na água qualquer entulho que encontrarem... eu darei um jeito de mantê-los unidos, mas para isso terei de me concentrar bastante; não percam tempo”.
“Tô perdido...” – suspirou Seth de repente fazendo com que Charlotte o olhasse com curiosidade.
Mas Seth e Jacob não perderam tempo. Enquanto Charlotte se sentava na habitual posição (pernas cruzadas e as mãos ligeiramente unidas), os lobos arrebentavam árvores para atirar na água... as primeiras foram carregadas pela correnteza, mas, gradualmente, começavam a se unir e sustentar a violência das águas. Seth e Jacob, incansavelmente, atiravam pedras imensas na água para unirem-se aos troncos e detritos que a cheia começava a juntar.
Logo, os lobos não precisaram mais fazer esforço, a própria correnteza, agora levemente sobrepujada pelo dique improvisado de Charlotte, carregava entulhos de todos os tamanhos para se unirem aos troncos que a bruxa unira por magia. Era um trabalho espantoso que assombrou até mesmo o descrente Jacob Black... pois ali, no meio da enxurrada, uma represa se formou diante de seus olhos devido à poderosa magia secreta da bruxa.
Charlotte tinha o cenho franzido e a já conhecida fumaça prateada e desvanecente entre suas mãos estava agitada como nunca... o esforço da feiticeira era visível. A represa, obviamente, não era capaz de conter toda a fúria da inundação, mas, entretanto, conseguia diminuir a força ruidosa da correnteza... os troncos e rochas atirados ali, estalavam e crepitavam, mas foram capazes de manter as águas quase que plenamente represadas.
“Edward” – chamou Jacob – “A inundação foi parcialmente contida... não conseguiremos fazer mais do que isto”.
“Está bom assim” – respondeu Edward – “A água já começou a diminui aqui, a correnteza está perdendo velocidade e baixando aos poucos... nos encontrem no
ponto de encontro onde nos separamos mais cedo, nós também já fizemos tudo o que podíamos”.
Meia hora depois o grupo estava reunido no meio da mata, a chuva não parou de cair, porém sua intensidade estava nitidamente diminuída. Os vampiros tinham o semblante tranquilo e nitidamente satisfeito... suas roupas estavam imundas e seus cabelos cheios de lama; os lobos estavam deitados no chão molhado, não se deram ao trabalho de voltar à forma humana. Charlotte estava deitada com a cabeça aparada pelo corpo de Seth, ele a trouxe nas costas até o local de encontro, a bruxa estava exausta pelo esforço.
Todos estavam imersos num silêncio mudo de entendimento.
- Foi um excelente trabalho, Charlotte – sorriu Carlisle, mas a bruxa nada respondeu; ela não contou sobre os motivos que a levaram a ajudar os lobos numa empreitada que considerava irrelevante.
- Fizemos o que tínhamos de fazer – completou Edward – Agora é hora de seguirmos caminho em direção à morte...
“Sim” – disse Jacob – “Fizemos nossa boa ação do dia, vamos aproveitar e cobrir mais alguns quilômetros”.
“Você quer que eu lhe carregue mais um pouco”? – perguntou Seth para Charlotte.
- É claro que não! – declarou a bruxa num tom agudo fora do normal – Eu posso caminhar com minhas próprias pernas... criança.
O dia amanhecera e a chuva tornou-se uma garoa fina, as florestas da Itália eram frias e monocromáticas e a marcha lenta dos viajantes os cobriu novamente com um manto de silêncio monótono. A comitiva rumava agora para a região de Gênova onde, dizem, era mais fácil se locomover em segredo levando em conta as matas que cercavam a cidade portuária e, além disso, era o caminho mais distante do interior do país onde provavelmente a guarda era menos reforçada.
A tristeza se abateu novamente no coração dos integrantes da comitiva, após salvarem inúmeras vidas inocentes como heróis anônimos, agora rumavam para a morte. E por mais que procurassem juntar algum grama de esperança em suas almas, a
certeza de um destino trágico não lhes permitia acumular muito desta substância tão delicada e quebradiça.
Cansados e maltrapilhos, eles caminhavam adiante pelo simples fato de que não havia outra escolha a não ser dar um passo a seguir do outro... mas, no silêncio que se seguia de seus pensamentos solitários, um som repentino os despertou do estupor e os trouxe novamente para a realidade. Foi um som semelhante ao de uma corda de violão que fora retesada ao extremo partindo-se em seguida, um som que acelerou o coração dos lobos e que jogou os vampiros num estado de alerta instantâneo.
Charlotte rapidamente buscou em sua bagagem até encontrar o quadro de teias de aranha encantado que ela tecera com tanto zelo, ali, nitidamente, brilhando à claridade fraca do dia... uma corda de teia de Goliat pendia frouxa de sua amarração firme. O som que ouviram fora o aviso de que a teia se rompera e de que um inimigo entrara no perímetro encantado de Charlotte.
- Jacob, Seth – chamou Carlisle com urgência sem desviar o olhar da teia arrebentada – Vão!
Este fora o planejamento traçado por Jasper, em caso de algum vampiro desconhecido se aproximar do grupo, Jake e Seth teriam de se afastar para que seus cheiros tão peculiares não fossem sentidos e despertassem a curiosidade de algum possível Volturi. Mesmo que Jacob não tenha gostado desta iniciativa, ele não tinha escolha, se um vampiro sentisse o cheiro de outro vampiro o máximo que faria seria ir encontrá-lo para verificar quem era... mas detectar o cheiro de criaturas mágicas e desconhecidas como transmorfos poderia alertar os inimigos prontamente.
- Jasper – tornou a chamar Carlisle assim que os lobos partiram para uma distância segura – Você e Edward servirão de batedores; Kaori, Garret, Charlotte, vamos recuar um pouco.
Velozes como flechas, Edward e Jasper se deslocaram como sombras na direção em que Charlotte apontou como sendo o local onde o perímetro fora invadido, corriam com elegância e cuidado fazendo ainda menos ruído do que de costume. Percorreram quase 30 quilômetros até encontrarem uma clareia aberta onde a floresta terminava dando espaço para um campo aberto de plantação. Rapidamente, os dois
vampiros se esconderam no alto de uma árvore procurando se manter a favor do vento evitando que seu cheiro fosse carregado até os intrusos.
“Vendo alguma coisa”? – perguntou Jasper se valendo do elo mental de Kaori, ele não arriscaria emitir um único som.
“Sim” – responde Edward – “Há umas duas milhas daqui, ali, na borda leste onde a plantação faz fronteira com um terreno descampado”.
Jasper aguçou a visão até encontrar um grupo pequeno formato por sete indivíduos cobertos por capas escuras, caminhavam com a leveza sobrenatural dos vampiros em direção à floresta escura.
“Você viu os mantos”? – perguntou Jasper.
“Volturis” – sibilou Edward – “A julgar pela cor são da guarda da corte, é estranho... eles não costumam deixar a presença dos três reis”.
“Venha” – chamou Jasper – “Vamos tentar nos aproximar mais”.
Se valendo do vento a favor e sem emitir qualquer ruído, Edward e Jasper seguiram na direção que os vampiros invasores entraram na floresta; não fora preciso esperar muito para encontrá-los, era uma clareira pequena que se abria no meio da mata como um pequeno picadeiro de circo. Edward e Jasper se encarapitaram no alto de uma árvore para observar melhor os vampiros... seis estavam parados um pouco mais atrás, mas um deles, pouco menor que os outros, estava mais à frente olhando exatamente na direção aonde Jasper e Edward estavam escondidos... ao reconhecer o vampiro desgarrado, Edward soltou um muxoxo de raiva.
“O que foi”? – perguntou Jasper.
“Alec” – respondeu Edward lívido – “Ele é o líder deste grupo”.
“Bem, agora as coisas começaram a complicar consideravelmente” – disse Jasper soltando um suspiro de desagrado.
Notas finais
Bjks e até semana que vem.
Die Kellner.
Fale com o autor