Candor Lunar - Livro 2
16 Capítulo 15 – Jake e Nessie
Notas iniciais
Bom... Esse é um dos episódios que eu mais aprecio... Por causa do titulo e por causa da possibilidade tão casual que o Ang nos proporciona.
Apreciem.
Diê Kellner
Jacob Black despertou sentindo o colchão macio modelar seu peso sobre a cama, o cheiro adocicado de lavanda que impregnava os lençóis o fez inspirar repetidas vezes procurando absorver o perfume gostoso de limpeza. De alguma forma ele sabia que era fim de semana e que não precisaria se levantar para trabalhar, por isso, esticou o corpo e permaneceu deitado de olhos fechados e com um sorriso no rosto.
Entretanto, ouviu no limite de sua audição um ruído baixo como quando um lápis risca o papel... ergueu de leve o corpo para dar de cara com uma pequena criança sentada na beirada da cama; um menino de uns três anos de idade riscava com lápis de cor várias folhas de papel branco. Jacob sorriu imediatamente:
– Jason – chamou ele – O que está fazendo?
– Pai – respondeu o menino com a voz leve de criança e um sorriso iluminou seu rosto – Eu estou desenhando.
– Que legal... e o que está desenhando?
– Olhe – disse o menino estendendo para Jake o desenho rabiscado – Eu, você e a mamãe.
Jacob ergueu a folha de onde uma imagem intrincada surgia em cores vivas e mescladas, mas apesar da simplicidade do desenho podia-se discernir três bonequinhos palitos, um pequeno, outro grande e outro pouco menor com cabelos compridos. Todos sorriam abertamente.
– Está incrível, Jason – disse Jacob carinhosamente passando a mão no cabelo negro do filho, o menino era uma cópia escarrada dele mesmo, apesar de ter puxado os olhos da mãe.
Com um movimento lento e preguiçoso, Jacob arrumou o filho para mais perto da cabeceira da cama temendo que o menino caísse; lavou o rosto na água gelada do banheiro e deixou o quarto caminhando pela casa em direção ao jardim. Era uma casa simples, ampla, de estilo rústico e compleição alegre... pelas janelas largas era possível divisar uma floresta densa de coníferas esverdeadas.
O cheiro de resina de pinheiro tornava o ambiente mais campestre, como se a mata estivesse plantada em plena sala de estar... Jacob sorria sempre que o fim de semana chegava e ele podia permanecer em casa aproveitando sua família e o aconchego de seu lar no coração da reserva de La Push.
O dia estava aberto numa rara manhã de sol, o céu límpido respirava o ar puro e o frescor da aurora ainda não havia se dissipado totalmente da grama aparada do jardim. Jacob caminhou um pouco contornando o lado leste da casa até avistá-la... estava de costas para ele, ajoelhada sobre a grama, abrindo buracos no solo fofo para plantar sementes de flores.
– O que vai plantar desta vez? – ele perguntou achando graça.
– Tulipas... – respondeu a garota voltando-se para ele com um par de olhos castanhos faiscantes.
– Achei que não gostasse de tulipas... Bella.
– Ah, eu não gosto muito, mas Jason adora desenhá-las... aliás, acho que ele será arquiteto, o que me diz?
– Acho que sim – respondeu Jacob rindo – Pelo tanto que aquele menino desenha.
– Ele ainda está no quarto? – perguntou Bella se levantando e beijando o marido carinhosamente.
– Sim, está concentrado... – riu Jake retribuindo o beijo.
Eles ficaram assim por um longo tempo, abraçados, ilhados um no braço do outro apenas ouvindo a manhã que desabrochava para o mundo, Jacob não se importava de trabalhar como louco na oficina em Forks desde que pudesse saborear momentos como este.
Ele ainda se considerava um sortudo por ter se casado com Bella Swan. A garota que recém chegara de Phoenix há sete anos e que despertara o frisson no pessoal da escola de Forks... e quem conquistou o coração da bela fora um selvagem como ele, numa praia nevoenta e num dia chuvoso.
– Você fica cada dia mais linda, sabe? – disse ele admirando o rosto da esposa – Quando era pequena era sardenta...
– Ah Jake – riu Bella – Quando pequeno você era gordo.
– Que golpe baixo, mas ainda bem que ficamos anos sem nos ver até que nos reencontramos naquela praia, não é mesmo? Assim deu tempo da gente melhorar um pouco.
– Bobo – disse Bella mordendo de leve o rosto do marido – Agora, já que levantou e não está fazendo nada, preciso que dê um pulo até o mercado para comprar algumas coisas para o jantar... Charlie virá às 17h.
– Por que tão cedo?
– Para brincar um pouco com o neto...
– Nunca imaginei que Charlie ficaria tão apegado a uma criança – riu Jacob.
– Não seja mal, ele é sentimental... só não consegue demonstrar. Agora vá logo ou vai perder a carne fresca no açougue.
– Sim, madame – brincou Jake antes de deixar mais um beijo estrondoso nos lábios de Bella.
Jacob dirigia tranquilamente a velha pick-up de Bella pela estrada, o vento entrava assoviando pela janela e uma velha canção country tocava na rádio enchendo o ar com acordes afinados e versos tristes. Jacob está feliz consigo
mesmo, era casado com uma bonita garota, tinha um filho lindo... um emprego. Tudo havia corrido bem em sua vida até aquele momento.
Mas, repentinamente, freou o carro bruscamente, os pneus cantaram e o veículo deslizou pelo asfalto até parar completamente... ali, bem na sua frente, no meio da pista na auto-estrada, uma floresta inteira barrava-lhe o caminho.
– Mas o que diabos... ?! – indagou Jacob surpreso enquanto descia do carro.
Ele encarou o paredão de árvores sem compreender, como uma floresta inteira poderia estar plantada no meio da estrada? Subitamente ele encarou o céu e percebeu que havia nuvens cinza no que a pouco era azul, pesadas gotas de chuva tocaram-lhe a face sem piedade. A chuva caía por todos os lados e Jacob resolveu entrar um pouco na floresta estranha para descobrir o que estava havendo... não demorou muito para encontrar uma trilha em meio à mata fechada.
Caminhou rápido e sem medir o tempo chegou até uma clareia aberta, era perfeitamente arredondada como se as árvores em seu limiar tivessem sido podadas por algum jardineiro descomunal. Jacob deu alguns passos para dentro da clareira até que percebeu uma mulher o encarando... uma mulher jovem.
A garota tinha a pele extremamente clara e os cabelos de um castanho estranho e brilhantes, seus olhos eram quase dourados e Jacob a estranhou de imediato... ela se parecia com Bella. Mas o que uma garota estaria fazendo sozinha no meio de uma floresta que cresce da noite para o dia?
– Olá? – chamou Jacob, mas a menina não respondeu – Você está perdida?
Jake caminhou em direção a ela e quando chegou mais perto percebeu que a garota era familiar, ele a conhecia de algum lugar, mas não conseguia se lembrar de onde, era como se algo bloqueasse sua mente. Entretanto, no momento em que ela lhe encarou e prendeu seu olhar no dela... no momento em que ela sorriu, Jacob perdeu o ar.
– Renesmee? – ele perguntou sufocado.
– Você está feliz, Jake? – perguntou ela sorrindo com sinceridade para ele.
– Sim, eu estou – respondeu Jake de imediato e sem pensar muito – Mas, Nessie, o que está havendo?
– Você teria sido feliz sem mim... – ela respondeu ainda sorrindo – Vê? Teria casado com minha mãe e seria um homem feliz... um homem comum. Você é jovem Jake, ainda tem chance de ser feliz.
– Renesmee, eu não estou entendendo nada.
– Eu tenho que ir agora – ela disse se afastando, mas o sorriso continuava radiante em seu rosto – Mas saiba que eu torço por você Jake... que você seja feliz.
Jacob não compreendeu, e deu um passo incerto em direção à Nessie, mas parou imediatamente quando gargalhadas maldosas chegaram até ele, pareciam uma tempestade de ironia e seu corpo se congelou instantaneamente. Lá, no limiar da mata, na direção em que Nessie seguia, havia centenas de olhos vermelhos como sangue... Jacob podia sentir o hálito pútrido de suas bocas de presas a mostra. Ele gritou por Renesmee, mas ela apenas acenou e sorriu e se atirou em meio àquela legião de demônios de olhos ígneos.
Jacob correu e pulou no ar pousando ainda como homem, ele tentou se transformar num lobo, mas não conseguiu... afinal, agora ele era apenas um homem comum...
– Renesmee? – gritou desesperado...
– NESSIE????
– Jacob? Você está bem? – perguntou Seth próximo a mim.
– Estou – respondi meio tonto, a luz da fogueira me cegando levemente, havia um cheiro de salsicha assada empesteando o ar.
– Foi um pesadelo? – quis saber Kaori olhando-me com receio.
– Não, apenas um sonho... estranho – eu disse antes de levantar.
Eu olhei ao redor, Jasper estava em pé parado como uma estátua de encontro ao tronco de uma árvore, Carlisle e Edward sentavam-se perto um do outro... e Charlotte estava mais apartada do grupo, sentada no chão com um livro velho sobre o colo, ela me encarou com um olhar estranho, algo que não consegui identificar, mas que continha um significado oculto.
– Onde estamos? – perguntei desorientado pelo sono.
– França – respondeu Carlisle – Escondidos em algum ponto das profundas florestas de Lyon. Creio estarmos próximos às fronteiras da Itália... você não está lembrado?
As recordações dos últimos três dias vieram-me à mente com a força de um tornado; primeiro a espera pela noite na Escócia para podermos chegar ao aeroporto, depois a viagem até a Bélgica e a corria seguindo para o sul da França onde não seríamos barrados pelos quase intransponíveis Alpes suíços.
Provavelmente o cansaço me fez entrar em sono profundo de onde o sonho estranho me acometeu; eu fisguei da frigideira umas salsichas e me afastei um pouco dos outros me sentando sobre as raízes fortes que se desencavavam do solo. As árvores nesta região eram semelhantes às das florestas de Forks e La Push, coníferas em sua maioria, mas, entretanto, havia árvores que eu não reconheci; tinham o tronco extremamente largo, pelo menos quatro homens não seriam suficientes para abraçá-las, os galhos eram baixos e se espraiavam em longas distâncias como serpentes marrons interligando-se às outras árvores vizinhas. Eram árvores antigas e sábias.
Ninguém se deu ao trabalho de se preocupar por mais tempo com meu súbito despertar, mas Edward ainda me observava com cuidado, eu percebi seus olhos dourados e luminosos me encarando... como se soubesse de algo. Charlotte, hora ou outra, também me lançava olhares furtivos... o verde fluorescente de seus olhos iluminando-se como olhos de gato na escuridão curvilínea da noite... com o brilho do fogo, a bruxa assumia uma aparência ainda mais espectral.
Eu não dei importância a eles e me perdi em meus próprios pensamentos. Teria alguma mensagem oculta o sonho que tive? O fato de eu estar casado com Bella revela o que muitos já me disseram, inclusive meu pai... se os vampiros Cullen não tivessem retornado à Forks, Bella e eu teríamos nos apaixonado e nos casado; provavelmente teríamos sido felizes juntos, levando uma vidinha sossegada.
Depois surge Nessie dizendo que espera que eu seja feliz e se atirando contra aquela horda de vampiros selvagens... o que significaria, afinal? Eu não poderia salvá-la? Não teria força o suficiente? Toda esta viagem seria uma empreitada vã...
– Caraminholas na cabeça... Jacob Black? – disse Edward de repente sentando-se perto de mim.
– Apenas pensando.
– Às vezes, pensar demais só trás problemas...
– Isso é o reflexo da sua incapacidade de ler os pensamentos dos outros ou apenas uma curiosidade mórbida?
– Provavelmente o reflexo de minha incapacidade de ler os pensamentos alheios... aliado à minha curiosidade mórbida – respondeu ele com um sorriso amargo nos lábios.
– Você era o maior bisbilhoteiro que eu conheci...
– Eu me esforçava para não ouvir os pensamentos dos outros, Jacob. Não era algo fácil e nem prazeroso, na maior parte do tempo eu só ouvia absurdos... não é difícil imaginar o quão estranha pode ser a mente de um humano.
– Eu posso imaginar sim.
– Com o que sonhou? – perguntou Edward me olhando com cuidado – Você gritou o nome de Nessie.
– Eu estava casado com Bella, e tínhamos um filho – falei de forma mecânica – Tudo parecia bem, e era tão real que eu não conseguia distinguir ou aceitar que era um sonho... mas então, num determinado momento, Renesmee surgiu dizendo que eu tinha a chance de encontrar a paz e uma vida tranquila. Disse isso antes de se atirar no meio de uma floresta tomada por vampiros sanguinários... me pergunto o que este sonho significou afinal, será que é um sinal de que não conseguirei salvá-la?
– Nem sempre os sonhos são o que parecem ser, Jake. Eu não descarto totalmente a possibilidade do esoterismo ou do que quer que seja relacionado ao ocultismo... ao menos não depois de termos encontrado Erestor e conhecido Charlotte e Salesiana. Mas pode haver ou não significados em sonhos, mas geralmente não compreendemos o que eles significam.
– Para ser sincero – continuou ele encarando o fogo crepitante – No momento em que eu despertei no fundo do rio, tive uma visão com Bella... ela me chamava para junto dela. Não foi um sonho, porque vampiros não sonham, então considero isso um sinal de que eu não posso desistir.
– Mas se Bella lhe chamava, por que Renesmee me quer distante?
– Não se pode prever o que os significados ocultos dos sonhos podem ou não dizer, Jacob. Eu creio que as pessoas que estão distantes são capazes de nos enviar seu pensamento independente do quão longe estão... sei que Bella me chama para junto dela, ao menos eu julgo ouvir seu coração e sei que esta é sua vontade assim como é minha. Talvez Renesmee prefira que você seja feliz ao em vez de ir atrás dela e morrer... obviamente não passa de especulação, além do mais, elas nem ao menos tem a certeza de que estamos vivos.
– Como assim? – perguntei sem entender.
– Eu estava semi-decapitado no fundo de um rio quando eles as levaram de nós, você estava empalado contra o tronco de uma árvore com uma lança cravada no peito e Jasper havia desaparecido no meio da fumaça e do fogo lutando com mais de sete inimigos. Jacob, elas não tem qualquer indício de
que estejamos vivos a não ser a fé em seus corações feridos... e a cada dia que passa, a certeza de que iremos salvá-las diminui gradualmente.
– Elas não estão esperando por nós... – afirmei num suspiro.
– Elas têm fé de que iremos, mas nenhuma certeza disso – respondeu Edward desanimado – Agora, eu sugiro que você durma mais um pouco, nem bem passamos da meia-noite e seu corpo não está acostumado com a constante alteração do fuso horário. E não se preocupe, afinal, qual é a probabilidade de ter dois pesadelos em uma só noite?
Era um campo longínquo, tão longe que era apenas barrado pelo horizonte distante e infinito... o trigo crescia baixo e prateado como se um oceano vivo de plantas se revolvesse tranquilamente ao sabor da brisa cálida de primavera.
Jacob Black passou a mão pelo trigal jovem enquanto os raios do sol da tarde aqueciam seu rosto... ele respirou o ar fresco e sorriu para o céu; um céu tão azul e tão próximo que fez Jake imaginar que estava caminhando dentro de uma aquarela pintada por algum pintor genial. Estava vestido de branco, uma camisa de linho macia se alinhava em seu corpo, caminhava a esmo pela plantação impressionante e seu coração estava sereno.
O som da brisa era tão baixo que Jacob podia ouvir as nuvens alvas singrando pelo céu, o murmúrio do vento contra o trigal lhe dava sono, mas ele sabia que não adormeceria. Notou, então, uma colina de grama verde se erguendo um pouco mais distante e caminhou em sua direção, talvez lá de cima ele pudesse ver até onde o campo de trigo se estendia...
Não demorou a chegar, na verdade, nem ao menos sabia se o tempo corria neste campo onírico; a grama da colina era fofa e parecia uma plantação de algodão verde que se estendia como um tapete até o cume não muito alto. Jacob ficou surpreso quando chegou ao topo, lá havia uma árvore frondosa e imensa, seus galhos verdejantes apontando em todas as direções... era uma árvore alegre e Jake reconheceu a enorme figueira... era semelhante a árvore que crescia nos jardins da casa de Carlisle.
E um de seus imensos galhos, havia um balanço e nele uma criança pequena se embalava com dificuldades já que seus pés mal tocavam o solo. Os cabelos castanhos da menina ondulavam ao sabor do vento e seu vestido branco faiscava ao sol como neve recém caída. Jacob sorriu e foi ao encontro da menina, chegando próximo empurrou levemente o balanço dando impulso, não demorou muito parra que o riso infantil enchesse a colina de alegria musical.
– Por que demorou tanto, Jacob? – perguntou a criança numa voz esganiçada.
– Me perdoe Nessie – respondeu ele alegre – Mas a verdade é que não sei por que me atrasei.
– Mas você prometeu que não iria mais se atrasar – fungou ela voltando seu rosto para ele.
Jacob riu, ele olhou Nessie e reconheceu a cena... fora em seu quinto aniversário e Jacob chegara atrasado, Alice havia preparado uma festa imensa nos jardins da casa de Carlisle, mas quando Jake chegou, Nessie estava afastada dos convidados, sentada emburrada no balanço da figueira. Ela só melhorou de humor quando Jacob começou a impulsionar o balanço...
– E mesmo que eu me atrase – completou ele – Eu jamais deixarei de chegar...
– Mas você está atrasado agora, eu estou te esperando.
– Mas eu não estou aqui, Nessie?
– Não, não está – respondeu a menina – Sua mente sim, mas seu corpo está longe.
– O importante é você se lembrar de mim – disse Jacob – Não é mesmo?
– O importante é que você não deveria vir me balançar, talvez seja melhor permanecer longe, assim você não se machucará. Você é meu amigo e eu não quero que se machuque.
– Ora, mas quem iria me machucar?
– Ele – disse Renesmee apontando para longe.
Jacob olhou para onde Nessie mostrava e lá embaixo, no campo de trigo, um homem alto com uma armadura dourada o encarava, seu elmo tinha uma longa pluma vermelha e em sua mão descansava uma arguta lança prateada.
– Flávius Aurélius... – suspirou Jacob.
– Ele está esperando você... – disse Renesmee descendo do balanço – Ele sabe que você virá, fique em casa Jake... eu não quero que você se machuque.
– Mas Nessie... – chamou Jacob virando, mas a menina já havia desaparecido.
Tudo o que restou foi a árvore frondosa, o balanço solitário e o céu azul faiscante, o vento ainda cantava uma canção de despedida unindo sua voz etérea ao trigal majestoso. Mas a alma de Jacob Black se sentiu solitária ali, no meio do paraíso... sem a menina.
– Jake? Jacob? Vamos cara, acorda aí – ouvi a voz de Seth me chamar enquanto chacoalhava meu corpo – Está quase amanhecendo.
Gelado é o vento da Europa, mesmo com meu corpo em altas temperaturas graças à constituição dos Quileutes, um leve arrepio me tomou no momento em que deixei a proteção do saco de dormir. Mirando o céu, foi com tristeza que constatei o fato de que não tardaria a chover... senti falta do céu de meu sonho que era tão azul e imaculado que parecia jamais ser superado por nuvens escuras e úmidas.
Arrumei minha bagagem em silêncio e em silêncio a estendi para Jasper antes de rumar para a floresta me despir e tomar a forma do grande lobo, quando nossa formação estava enfileirada, notei novamente o olhar estranho que Charlotte lançava para mim. Ela parecia saber de algo que eu não sabia.
Seth correu se postar ao lado da bruxa como um vira-lata serelepe, mas ela não pareceu lhe dar atenção... esta Impressão de Seth veio numa péssima hora, ele estaria desviando o foco apenas para tentar conquistar Charlotte.
A ideia era chegar às fronteiras da Itália para que Charlotte pudesse realizar seus feitiços para garantir que entrássemos seguros no território dos vampiros italianos.
Durante a caminhada eu permaneci desligado, às vezes me afastava do grupo e Seth gritava em minha mente para que despertasse de meus devaneios... mas os sonhos com Nessie dizendo para eu não me arriscar a ir salvá-la me deixavam confuso. Se Bella chamava Edward, por que Renesmee não me queria por perto?
A chuva desceu de forma implacável sobre nós, a água despejava-se do céu para pesar no fardo que já carregávamos nos ombros sob a forma do horror que nos aguardava. Tudo se tornou úmido e entristecido, ao meio-dia o mundo estava coberto por um lusco fosco monocromático e denso... em silêncio caminhávamos já que a tempestade não nos aliviava o caminho.
Quando o meio-dia chegou e passou, Carlisle fez todos pararam para que eu e Seth nos alimentássemos e descansássemos por alguns minutos, a parada também serviria para Jasper se posicionar no mapa. No momento em que encontramos uma pequena e frágil reentrância num barranco rochoso, Seth se apressou em fazer uma fogueira a fim de assar as ultimas salsichas que carregávamos.
– Cara – reclamou ele assim que desembrulhou o pacote de comida – Eu não quero ver salsichas assadas na minha frente pelos próximos duzentos anos.
– Não se preocupe – riu Carlisle – À noite provavelmente cruzaremos a ultima cidade francesa que faz fronteira com a Itália, lá encontraremos uma hospedaria para nos lavarmos e você e Jake poderem dormir em uma cama confortável. Garanto que haverá comida quente para forrar seu estômago sofrido.
Eu belisquei três salsichas e me enrosquei num canto da pequena gruta onde a água espirrava menos, ali me sentei e afundei em meus próprios pensamentos, os sonhos que eu tinha toda a vez que pegava no sono era o único contato que tinha com Renesmee.
O som da chuva, monótono e interminável, passou a embalar o meu sono e meu cansaço, o ritmo constante dos pingos da chuva pousando sobre as poças formava uma dança hipnótica que obrigava meus olhos a se fecharem. Senti meu corpo pesado, molhado e dormente e quando menos percebi... já não sustentava mais a minha consciência.
O balanço do barco o atirava de um lado para o outro, Jacob sentiu uma onda descomunal chocar-se violentamente contra a amurada de madeira; o gosto de sal cozinhou sua boca no momento em que a onda o atingiu também. O céu estava negro e feroz, relâmpagos furiosos iluminavam a tempestade que roncava ao seu redor... o barco parecia um brinquedo em meio ao oceano furioso.
Jake se agarrou com força no mastro e olhou para a proa do navio, lá havia um rapaz alto e forte e ele se equilibrava tranquilamente apenas segurando um cordame atado à amurada; parecia não se incomodar com a tormenta e tampouco com as ondas que açoitavam sua face... ele estava ali, com o rosto levemente inclinado para o alto, como se procurasse alguma coisa em meio à escuridão.
– Sam? – berrou Jacob – Sam, onde estamos?
– Jacob – riu Sam Uley – Venha para cá... ande, não tenha medo, você não caíra no mar.
– Mas o que está acontecendo... – tornou a berrar Jacob tentando se fazer ouvido sobre a balburdia da tempestade, ele conseguiu caminhar com dificuldade até perto de Sam que ainda parecia buscar algo no espaço sinuoso.
– Nós estamos perto, Jake... você precisa falar com ela.
– Perto de onde? Falar com quem?
– Você está sonhando, Jacob Black – gritou Sam – Mas mesmo assim você precisa falar com ela, precisa dizer o que está sentindo e precisa afirmar que não irá desistir... nós já estamos perto.
– Mas com quem você quer que eu fale, Sam? – perguntou Jacob aflito – Nós vamos afundar neste maldito barco, o que está procurando afinal?
– Aquilo! – berrou Sam apontando para o meio do nada.
De repente, sem qualquer aviso, uma luz potente caiu sobre o barco iluminando tudo como se o próprio sol tivesse saído do manto escuro da noite para findar a tempestade numa explosão de luz quente e generosa. A luz então correu pelo mar e deixou-os novamente na escuridão, por um momento Jacob se viu confuso e assustado, a chuva ainda caía com força e mais uma vez a luz o cegou... só então ele soube do que se tratava: um farol.
– Veja, está ali na costa... a uma centena de metros – berrou Sam agarrando Jacob – Eu sabia que estava por aqui, agora vá Jacob, nade até o rochedo, ela está no farol... vá encontrá-la.
– Mas do que diabos você está falando, Sam?
– Renesmee está no farol... vá – disse Sam sorrindo – Vá vê-la... vá dizer que não irá desistir nunca e que irá encontrá-la.
Sem tempo para pensar, Jacob sentiu quando Sam o empurrou na água turbilhonante do mar revolto, a água gelada o fez gritar em agonia e ele não teve escolha a não ser flutuar, quando voltou à superfície viu que o barco com Sam já estava longe, o amigo sorriu para ele e gritou:
– Vá encontrá-la... vá Jake... nade até ela.
Jacob olhou a luz circular ao longe iluminando a água ao seu redor por um momento, endireitou o corpo e com dificuldade passou a mover os braços em
direção ao rochedo... sentia o corpo pesado e mal teve como se agarrar nas rochas quando as ondas pulsantes o atiraram de encontro ao rochedo.
“Se não fosse um sonho” – pensou Jake – “Eu estaria ferrado”.
O vento o fazia tremer de frio e o ronco dos trovões o obrigava a se manter abaixado, na penumbra da noite ele escalou o rochedo molhado com dificuldade até chegar ao cume, lá ele percebeu um caminho de pedras claras que conduziam até uma porta na base do farol. Uma construção circular imensuravelmente alta e pintada em listras largas de branco e vermelho, no topo, a cabeça fulgurante do farol despejava na noite negra uma luz amarela e faiscante procurando salvar os navios desviados da perdição juntos às rochas da ilha.
Jacob abriu a porta e a fechou assim que se pôs a salvo, o som da tormenta não era alto ali e ele sentiu alívio, o interior do farol era inacreditavelmente oco, apenas uma escada circular que conduzia às alturas se fazia presente como uma alma solitária sustentando todo o esplendor do edifício. Sentindo as pernas pesadas, ele iniciou a subida penosa até o cume... sem saber ao certo o que encontraria lá.
Levou horas, talvez dias ou meses... mas Jacob finalmente alcançou o topo, a escada terminava num teto de onde podia-se divisar a marcação de uma porta de sótão. Ele respirou fundo, levantou a porta e subiu para o andar restante. Ficou sem ar por alguns momentos, esperava ouvir a chuva e esperava encontrar o imenso farolete que dava vida à luz do farol... mas ao contrário, encontrou um dia lindo e aberto com um céu azul límpido e faiscante. Ao fundo, havia o som de gaivotas tagarelando com o vento e suas roupas estavam estranhamente secas.
Olhou além da sala de vidro e lá fora, no mezanino do farol, uma garota de cabelos castanhos levemente avermelhados admirava a paisagem de costas para ele. Jake levantou-se, saiu para a sacada e caminhou até ela, imediatamente a menina se virou e lhe lançou um sorriso estrondoso.
– Está atrasado – disse ela.
– Eu sempre me atraso – respondeu Jacob rindo.
Renesmee o encarou e Jacob perdeu a linha do pensamento ao admirá-la ali, sob a luz do dia; a pele alva como a neve, os olhos castanhos e faiscantes, a boca delicadamente delineada e o cabelos desprendendo-se ao vento como uma floresta de folhas marrons no outono.
– Sam disse que você estaria aqui – falou Jacob.
– Sim, ele me prometeu que o traria.
– Nessie, eu sempre virei até você... não importa o que aconteça.
– Mas você não sabe que pode ter uma vida normal? Se vier até mim, Jake... poderá se machucar ou morrer.
– Eu morrerei se não tiver você perto de mim – disse Jake com convicção indo até Renesmee e segurando-a com força – Olhe para mim Nessie, eu preciso dizer a única coisa que importa neste momento...
– Jacob... ô Jake, acorda cara – berrou Seth – Mas que diabo, você só sabe dormir agora? Todos estão te esperando.
– O quê? – eu disse me levantando rápido tentando organizar meus pensamentos.
– Vamos, veja, já estão todos te esperando.
Eu olhei ainda zonzo e notei todos parados próximos à floresta me esperando, a chuva ainda caía forte e foi com um leve desgosto que eu saí da proteção do barranco. O pessoal caminhou na frente e assim que cruzei as árvores comecei a tirar a roupa para me transformar quando percebi que Charlotte estava me esperando encostada em uma árvore. Olhou-me com curiosidade com aquele par de olhos verdes e sobrenaturais, aquele mesmo olhar que eu recebia desde a noite passada... como se soubesse de algo.
– O que foi? – perguntei sem paciência.
– Sugiro enfaticamente que pare de fazer isso – ela respondeu séria.
– Fazer o quê?
– O que está fazendo desde a noite passada...
– E seria?
– Caminhar nos sonhos – respondeu ela como se isso fosse algo óbvio.
– E o que significa exatamente?
– Você busca respostas nos seus sonhos, adormeceu agora a pouco apenas para sonhar com ela... não faça isso.
– São apenas sonhos – eu disse com raiva – Nem mesmo sonhar eu posso mais?
– Pode sonhar o quanto quiser, eu não me importo... desde que não comprometa nossa missão. Se você ficar vagando apenas nos sonhos sua mente estará longe quando precisarmos de sua força, mantenha seus pés e sua mente plantados na realidade ou todos morreremos.
– Eu estou focado.
– Não está – rebateu a bruxa – Está tentando encontrar alento nos sonhos quando não há qualquer possibilidade de ser feliz naquele mundo... os sonhos pertencem à outra dimensão além de nosso plano real. Não adianta nada ficar vagando pelo mundo onírico e ilusório. Renesmee está neste mundo e não no outro.
– E o que devo fazer então? – questionei me sentindo derrotado.
– Diga em seu coração que irá resgatá-la – respondeu Charlotte um pouco mais calma, era como se tivesse pena da situação – Se você sonhar novamente, diga a ela e a você mesmo que irá fazer o possível para resgatá-la e isso deverá acalmar seu coração... e sua alma.
Charlotte se afastou e eu me transformei, entretanto, suas palavras não deixaram minha mente; o fato de eu buscar Renesmee nos sonhos me tornou um pouco distraído dos outros, visivelmente uma postura muito pouco benéfica. Talvez a bruxa tivesse razão no fim das contas... talvez eu devesse deixar de procurar nos sonhos o que não possuía na realidade: a companhia de Nessie.
Durante toda a tarde nós caminhamos, depois de alguns quilômetros correndo na forma de lobo, Carlisle fez Seth e eu voltar à forma humana... pelo visto, aquela era uma área muito aberta e de bastante movimento de humanos e não seria bom arriscar assustar as pessoas. Desta forma, nossa progressão foi bastante lenta e penosa, a chuva não deu trégua e nossos corações estavam tão cinzentos e pesados quanto às impiedosas nuvens no céu.
Quando o crepúsculo chegou, eu e Seth estávamos cansados e agradecemos aos céus quando encontramos a pequena vila de Névache; um vilarejo pequeno e acolhedor quase oculto entre as colinas altas da região sul da frança... era, segundo Carlisle, a última cidade antes da fronteira com a Itália. Esta revelação nos trouxe alegria e também apreensão.
Conseguimos poso, comida e banho quente em uma singela hospedaria à beira da estrada, a proprietária era uma mulher baixa e corpulenta de rosto vermelho chamada Paulette; falava alto e tinha um sorriso escrachado nos lábios... mas parecia possuir um coração imenso. Foi muito educada e ficou feliz por ter recebido turistas viajantes em seu estabelecimento.
Os quartos eram apertados e simples e os colchões antigos e de molas que rangiam ao menor suspiro de peso, mas os vampiros de nossa comitiva não se deitariam neles e eu e Seth estávamos tão doloridos de dormir no chão das matas que um colchão destes seria o mesmo que dormir sobre as nuvens fofas do paraíso.
Após um banho quente descemos para nos alimentar, Paulette insistiu muito para que os vampiros comessem algo, mas eles recusaram categoricamente afirmando que já havia jantado num restaurante precário no início do vilarejo. Não era mentira. Carlisle e os outros haviam caçado pequenos mamíferos que corriam pelas matas da França, veados e raposas...
Charlotte estranhou um pouco o sangue quente e adocicado dos grandes animais, mas não reclamou.
Seth devorou completamente dois pratos cheios de uma sopa fumegante e grossa feita de vegetais e carne cozida... eu mal toquei no meu, não estava sentindo fome.
“Sugiro que depois dos meninos comerem” – disse Jasper usando o elo mental de Kaori que nos mantinha conectados – “Ocupemos nossos aposentos até amanhã cedo quando partirmos, os quileutes caminharam muito na forma humana hoje, desconfio que estejam exaustos”.
“Quanto tempo você precisará para saber se há algum tipo de barreira na fronteira com a Itália, Charlotte?” – perguntou Garret.
“Não muito” – respondeu a bruxa – “Eu desconfio que Aro não instalou barreiras tão longe de sua casa, mas provavelmente haverá alguma coisa quando nos aproximarmos da região da Toscana”.
“Excelente” – manifestou-se Carlisle – “Então vamos nos recolher, amanhã será um dia interessante”.
Enquanto todos subiam para os quantos eu fiquei sentado na sala pequena e aconchegante da hospedaria, não queria dormir e perder novamente a noção das coisas... era quase como se eu não quisesse me encontrar com Nessie em meus sonhos. Fazia-me mal. Sempre que eu a via servia apenas para me lembrar do que havia perdido... talvez para sempre.
– Continua pensando longe, Jake? – perguntou Edward surgindo na sala e atrás da poltrona onde eu me sentava – Deveria ir descansar.
– Eu não quero dormir – respondi pesaroso – Sempre que durmo sonho com Nessie e não estou com vontade de ficar depressivo quando acordo.
– Isto está na sua mente, é algo que incomoda você... algo que talvez você tenha que provar a si mesmo. Afinal, qual é o seu medo?
– Morrer sem dizer a Nessie o quanto ela significava para mim...
– Neste caso, Jake, saiba a resposta você mesmo. Não é possível, no momento atual, contar para Renesmee pessoalmente, mas se você sabe a resposta com convicção... então ela também saberá.
– Como? – perguntei sem esperanças.
– Sabendo – respondeu Edward com um sorriso sábio – As mulheres sempre sabem, elas sentem. Vá dormir agora...
Eu me levantei considerando tudo o que Edward disse e desconfiando de que descansar era a única coisa a se fazer no momento, entretanto, antes de deixar a sala, Edward tornou a me chamar.
– Jacob, por favor, se vir a minha filha em seus sonhos... diga que estou com saudades.
Era um anfiteatro imenso. O teto incomensurável erguia-se sublime numa abóboda decorada com gravuras e afrescos representando os heróis e antigos deuses gregos. As vigas de sustentação eram ornadas com mármore branco e trançadas em filetes delicados de ouro e prata como grandes árvores de pedra branca. O cheiro de espaço ocioso estava presente ali, bem como o aroma do chão de tacos de madeira do palco, os bancos estavam dispostos em fileiras exatas e inumeráveis... o eco do silêncio anunciava-se com o pulsar do coração.
Jacob permaneceu boquiaberto com a magnitude do teatro. Era de tal forma nobre que ele teve certeza que em sonhos ou no mundo real jamais entrara em um lugar tão belo. No palco ele notou que os atores ensaiavam suas falas, parecia ser uma audição de elenco e os atores cantarolavam, gesticulavam e recitavam versos para o espaço vazio do teatro; alguns tinham o rosto pintado de branco, as mulheres vestidas de bailarinas pareciam fadas encantadas... havia anões, palhaços, vagabundos e toda uma miríade de personagens encarnados que se espalhavam pelo palco.
Jacob sorriu abertamente, era algo impressionante.
Depois de alguns momentos preso aos atores, Jacob passeou o olhar para a cúpula, as paredes e as poltronas vazias até que seu olhar recaiu para uma garota bonita sentada quase ao seu lado, apenas uma poltrona vazia separando-os. A garota o observou e sorriu, um sorriso esfuziante como os primeiros raios de sol quando tocam uma praia de areias brancas.
– Atrasado mais uma vez – disse Renesmee.
– É o meu charme – riu Jacob.
– Você não vai ouvir os meus conselhos, não é mesmo?
– Não.
– Então o que faz aqui? – perguntou Nessie sem tirar os olhos do palco, ela estava com um saquinho de pipocas no colo e mordiscava uma ou outra enquanto falava com ele.
– Eu vim me despedir – disse Jacob sério – E dizer que a amo.
– Só estas duas coisas?
– Sim, Renesmee. Eu poderia ficar recitando poemas de amor, estrofes de canções que falam de paixão e perda, poderia ficar elogiando seus cabelos, o contorno de seu corpo e a maciez de seus lábios... mas, infelizmente, eu preciso ir.
– E para onde você está indo? – ela tornou a perguntar sem olhá-lo ainda.
Jacob, então, inclinou-se sobre o banco vazio e alcançou a mão da garota enlaçando-a entre a dele, Renesmee desviou a atenção do palco e encarou o noivo com seus olhos brilhantes e tristes, Jacob sorriu com carinho sustentando o olhar da menina.
– Eu estou indo encontrá-la, Nessie – disse ele – Estes dias eu ficava ansioso para dormir e poder vê-la, mas descobri que está errado porque você não está aqui, não neste mundo. Eu não virei mais vê-la aqui, estou me
despedindo para ir te buscar no mundo real onde nosso amor é real... onde nós poderemos ser felizes de verdade.
– Fico feliz que esteja partindo então, Jacob Black – falou Renesmee dando-lhe um sorriso ainda mais maravilhoso.
Jacob retribuiu o sorriso e levantou-se, olhou Nessie mais uma vez e inclinou-se para dar-lhe um beijo no rosto. Seus olhos se prenderam por um momento nos da menina e ele soube que o amor superaria tudo, com isso deu meia volta e caminhou até o fim da fileira dos bancos; Nessie permaneceu ali no sonho, assistindo à peça que se formava neste teatro perfeito.
– Mais uma coisa apenas – disse Jacob – Seu pai está com saudades.
– Eu e minha mãe também – respondeu Nessie sem se virar.
Jacob sorriu e saiu pela porta.
Despertei com um suspiro leve... um suspiro de alívio.
Estava feito.
Ao me levantar e caminhar até a janela pude presenciar o despontar da aurora, o sol ainda não havia deixado completamente o horizonte, mas o firmamento já estava clareando apesar da chuva não ter deixado de cair.
Eu fiz o que Charlotte me prevenira e o que Edward me aconselhara... provei para mim mesmo que não permitiria que Nessie se perdesse de mim, eu a encontraria nem que fosse obrigado a correr para o fim do mundo ou tivesse que lutar com um exército de vampiros.
Suspirei para o dia que nascia e para os pingos de chuva sabendo que não sofreria mais com os sonhos.
E com o coração renovado de coragem e força eu sussurrei para mim mesmo e para o quarto solitário...
– Não se preocupe, Renesmee... estou indo buscá-la.
Notas finais
Reviews? Recomends? Serio mesmo... Uma história fantástica como essa e vocês não fazem nenhuma recomend? Alguns nem review deixam... E eu me pergunto é porque não tem sexo explicito (Apelei mesmo!) Cara o Ang nem se importa porque ele escreve por prazer, mas o prazer da postagem aqui no nyah é todo meu, porque foi eu quem pediu pra ele autorização pra postar essa história aqui. ...Pensei.. Que história fantástica.. Poxa o pessoal do nyah iria apreciar tanto! Que nada! Um review sim outro não... "Ah Die, mas eu ja recomendei o livro 1" Bom "colega" o livro 1 não é o 2. Bom... Se no livro 3 o Ang não quiser postar eu não vou insistir. Alias se ele não quiser mais postar aqui eu não vou me importar. Pra mim ta ótimo eu ja sei qual é o final, fora que vou continuar tendo acesso aos livros. To vendo que realmente não vale a pena postar aqui!
Boa semana.
Diê Kellner
PS. Tenho respaldo pra falar isso com vocês!
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