Candor Lunar - Livro 2
12 Capítulo 11 – Princesa Alice
Notas iniciais
Mais um cap maguinifico que o Ang fez!
Apreciem!!
Bjks
Eu sempre desejei morar em um castelo.
Todos dizem que pareço com uma fada com meu sorriso exuberante, meus olhos brilhantes e meus passos leves; Nessie, quando era bebê, dizia que eu parecia uma princesa encantada e que eu deveria morar em um castelo... bem, eu nunca imaginei que acabaria morando em um.
Morar é eufemismo... sou prisioneira em um castelo, um castelo de vampiros loucos que pensam poder dominar o mundo através de sua vontade régia e sua ótica deturpada. Mas é uma pena, o castelo de Volterra é lindo e exuberante com todas as suas torres e torrinhas, corredores longos e ecoantes, tetos pintados por artistas seculares; suas fontes, jardins, móveis antigos e obras de artes raríssimas. Eu poderia me sentir bem aqui... se não fosse prisioneira.
Encarei de mau humor o meu guarda-roupas, era muito menor que o de Bella e eu sabia que minha querida cunhada jamais usaria metade das roupas enfiadas lá. As cores dos vestidos eram muito repetitivas assim como dos sapatos, ou as calças, ou as saias... assim como tudo dentro do móvel; e então focalizei um conjunto pesado de cor escura, eu nunca fui de usar preto mas seria uma boa ideia começar a ostentar a cor dos Volturi.
Eu sabia que aquele vestido não estava ali por mero descuido de quem quer que tenha arrumado estes guarda-roupas, as peças eram finas e caras e aquele vestido significava algo como “use quando você estiver acostumada à sua nova casa”. Era como se ele estivesse ali como um marco, como se fosse para ser usado quando finalmente estivéssemos acostumadas à Volterra... se não me engano, havia um vestido parecido no guarda-roupas de Bella.
O conjunto era semelhante ao que Renesmee ostentava agora que servia aos Volturi sob o domínio de Chelsea; havia uma saia plissada que não foi capaz de cobrir os meus joelhos e tampouco metade das minhas coxas, os
sapatos eram pretos e confortáveis de meio salto, havia uma camisa cinza chumbo que era delicada ao toque, por cima da camisa um corselete escuro (que fora horrível de colocar mesmo para uma intrépida vampira) e por fim as meias arrastão que ficavam levemente ocultas sobre esta micro saia.
Meio envergonhada de mim mesma caminhei até o canto do quarto e me encarei no espelho imenso que descansava ali, olhando meu reflexo não tive dúvidas: além de loucos, os três irmãos Volturi também eram velhos luxuriosos e sem vergonhas. Eu me encarei e me vi como um cosplay.
“Meu Deus!” – exclamei para mim mesma – “Alice, você parece Emily Browning em Sucker Punch”.
Eu não me lembro de ter visto Jane nestes trajes, mas pensando bem, ela vivia com aquele sobretudo e eu nunca observei o que havia por baixo, era um estilo meio Steampunk e eu me perguntei se os Volturi não andavam vendo muitos filmes... acho que eles adoram demais o visual Anjos da Noite para o meu gosto.
Enfim, Jasper teria um ataque se me visse vestida deste jeito... eu pareço uma dançarina de casas noturnas para vampiros, não que eu não me considerei sexy, mas era uma coisa um pouco fora do meu comum. Um suspiro acompanhou o meu desgosto, a vestimenta de sonhos fetichistas dos Volturi me encarava do espelho gritando algo como “o que aconteceu com você”?
Com mais um suspiro desanimado eu dei de ombros, afinal, era só uma roupa e eu já usara microssaias antes, a única diferença era que agora eu desfilaria por ai na frente da corte Volturi, mas se Nessie fazia isso... já era hora de seguir seu exemplo.
Levando em conta a minha atual estafa de permanecer trancafiada neste quarto, resolvi ir até Bella para ver se ela não estava com vontade de descer até os jardins e talvez visitar Quil em sua prisão que ficava no lado oeste do palácio. Levantei levemente e saltitei tocando de leve a porta, imediatamente
ela se abriu e um sempre sorridente Matheu me encarou com um sonoro “bom dia”; entretanto seu sorriso morreu assim que me viu nos trajes volturianos.
- Ah, se me permite a indiscrição, senhora Cullen... está indescritivelmente linda – ele disse dando uma bela olhada no traje.
- Obrigada Matheu – respondi num meio sorriso e ligeiramente encabulada, eu não estava acostumada a ter outras vampiros me elogiando além de meu marido – Achei este traje no guarda-roupas, acho que é o que as vampiras de Volterra usam, não é mesmo?
- De fato, mas se me permite, nenhuma outra vampira deste castelo, mesmo nestes trajes, parece tão linda quanto a senhora.
Eu passei por ele sem olhá-lo, percebi então, enquanto subia as escadarias até o quarto de Bella, que minha querida cunhada não era a única que tinha um admirador; pelo visto, Matheu estava levemente interessado em mim. Mas como usar isso a meu favor? De certo ponto fiquei ofendida, Bella consegue um rei e eu um mero guarda cavaleiro?
Mas balancei a cabeça vigorosamente. O que eu estava pensando? Que bobagem, era muito melhor ter um vampiro como Matheu do que um louco varrido como Aro, se bem que tudo isso era loucura. Era apenas parte do plano, se Bella seduzir Aro nós temos um ponto a nosso favor, se um guarda se interessa por mim, é outro ponto... as facilidades é que são interessantes.
Jasper me mataria se me pegasse pensando nisso. O plano estava se formando e se tornando cada vez mais arriscado.
Giordano me encarou com um olhar sério e levemente surpreso, mas não disse nada por eu estar trajando uma veste de Volterra; ele abriu a porta para eu entrar e agradeci com um sorriso. Dentro do quarto, Bella estava esparramada sobre a cama olhando para o céu através das portas de correr que conduziam à varanda.
- Pelo visto o desânimo é geral – eu disse e ela se levantou para me olhar, fazendo uma careta ao me ver.
- Ótimo, além de Renesmee, agora você me aparece vestida assim. Onde estão as outras dançarinas?
- Vamos Bella, estas são as vestes do palácio... ou você não notou que as roupas em seu guarda-roupas estão escassas? Eles literalmente nos obrigam a usar o uniforme da corte.
- Eu não vou vestir isso aí! – disse ela teimosa.
- É melhor não por enquanto, você é a rebelde lembra? – eu disse sorrindo e me sentando ao seu lado na cama – Eu vesti porque não tinha quase mais nada e é bom para fazer uma média.
- Não é precipitado? Eles poderiam desconfiar desta súbita boa vontade...
- Não depois de ontem, maninha – eu respondi baixinho – E o ego deles é tão grande que ficam satisfeito ao se verem sendo obedecidos. Nessie já foi?
- Pouco antes de o dia amanhecer totalmente – disse Bella desanimada – Nessie está muito chateada, ela acha que estamos nos entregando e que você literalmente desistiu de voltar para casa.
- Bem, é o que acontece quando não se tem muita saída – eu disse olhando Bella com intensidade para ela saber que eu estava interpretando – Renesmee verá com o tempo que nós teremos que nos adaptar.
- Eu sei, espero apenas que ela aguente – respondeu Bella também interpretando o nosso plano.
Por um momento permanecemos em silêncio, eu sabia que este plano maluco estava consumindo nossas forças, fingir para os Volturi não era problema, entretanto, fingir para nós mesmas estava nos desgastando além da conta. Bella sentia-se arrasada por mentir para Renesmee e nós duas ficávamos neste impasse de mentir entre nós mesmas.
Era complicado e estava se tornando ainda pior, temi que nos perdêssemos neste pântano de traições, afinal, a mentira é corrosiva e arrasta para o fundo aqueles que se aventuram durante muito tempo em suas ramificações. Apesar de necessário, eu temia este plano cada vez mais; ainda assim, tinha consciência de que agora não tínhamos mais como voltar atrás.
- Alice – chamou Bella quebrando o silêncio – O que Aro viu em sua mente, digo, como nós...
- Não foi nada demais – eu disse apressadamente temendo que Bella falasse demais e lhe lancei um olhar incisivo para que ela não se prolongasse muito no assunto – Viu apenas o que conversamos, ou seja, que precisamos orientar melhor o nosso futuro.
Eu tremi só de imaginar o que Bella pensaria se descobrisse que nós escapamos por um golpe de sorte, Aro simplesmente não espreitou os pensamentos exatos que nos entregariam; ele acabou observando justamente nossa última conversa quando, propositalmente, eu e Bella começamos a interpretar definitivamente nossas personagens.
- Eu estou indo dar uma volta nos jardins e visitar Quil – eu falei rápido mudando de assunto – Você quer ir comigo?
- Não, estou pensando em ficar por aqui mesmo, não estou disposta a andar pelo palácio – respondeu Bella desanimada, eu sabia o que ela tentava me dizer: não estava feliz com a ideia de topar com Aro pelos cantos do castelo.
- Está bem então... depois eu passo aqui para ver como você está.
Saí um pouco mais quieta de quando entrei, Bella estava muito introspectiva revelando que tudo isso estava pesando demais para ela, eu sentia o mesmo problema, sentia minhas forças sendo consumidas e minha mente perigosamente se perdendo nesta loucura que pairava sobre Volterra.
Assim que deixei Bella, pedi para Matheu me levar até os jardins e até a ala oeste do castelo onde Quil era mantido prisioneiro, a ele não houve tratamentos especiais, era visto como um selvagem irracional e eu detestava isso... mas como sempre, permaneci calada.
Era bom caminhar pelos jardins, havia sebes altas e bem aparadas com flores alvas crescendo entre seus galhos emaranhados, árvores frondosas se espalhavam em linhas rigidamente traçadas que formavam um caminho natural entre os muros altos e acinzentados. As árvores eram de uma espécie que eu nunca vira antes, seus caules eram esguios e levemente desbotados, como um cinza fraco, suas folhas eram longas e luzidias num tom de verde forte e aveludado, desprendendo no ar um cheiro doce de primavera.
Flores espalhavam-se por todos os canteiros numa miríade semi-infinita: havia narcisos, begônias, beladonas, gardênias, crisântemos, rosas (vermelhas, amarelas, brancas), hortênsias, copos-de-leite, amores-perfeitos...
Uma variedade tão absurda que eu me vi pasma e flutuando num mar de flores, cores e cheiros; de tão embasbacada, simplesmente parei em meio a tudo aquilo e permaneci estarrecida contanto a variedade das flores que floresciam ao meu redor.
- Eu nunca imaginei... – suspirei surpresa.
- Que haveria um lugar assim em Volterra? – riu Matheu – Francamente, senhora Cullen, é um erro julgar que Volterra seja um antro de trevas e desespero.
- É o jardim mais inacreditável que eu já conheci.
- E há mais beleza ainda – disse Matheu me mostrando com a mão um arco de pedra que se erguia pouco mais a frente.
Eu caminhei até lá e atravessei o arco chegando a um lugar pouco mais baixo onde uma gigantesca fonte jorrava água para todos os lados; tratava-se de uma bacia descomunal onde estátuas de anjos em tamanhos naturais se erguiam jorrando água por suas harpas e cítaras de pedra branca. Era uma imagem tão impressionante que eu fiquei hipnotizada com a limpidez da água e
o som que ela fazia quando caía em cascata jorrando dos anjos estáticos, eram tão detalhadamente perfeitos que quase pareciam reais.
- Fora o próprio Michelangelo quem as esculpira – disse Matheu num sopro respeitoso.
- Sério? – perguntei espantada.
- Sim, eu lembro de tê-lo visto trabalhando noite e dia aqui neste jardim até terminá-los... um sujeito genioso e extremamente talentoso; muito brincalhão, sinto falta dele e de seu riso.
- Você conheceu Michelangelo?
- Conheci – respondeu Matheu e seu rosto assumiu uma expressão saudosa, como se as lembranças de dias antigos lhe viesse à tona – Assim como conheci mestre Galileu, um homem além de seu tempo; Leonardo Da Vinci, tão circunspecto e tão belo em sua arte; Botticelli, o quieto pintor que de tão genial não parecia humano, por sinal fora ele quem pintara o afresco que orna a cúpula de seu quarto. Houve tantos, em tempos diferentes, tempos mais artísticos... mais românticos.
E dito isso me lançou um olhar tão profundo que eu fui obrigada a desviar de seus olhos, se eu pudesse ruborizar, teria ficado vermelha no mesmo instante.
- Parece surpreendente que homens assim tenham trabalhado para os Volturi, como Aro não tentou imortalizá-los?
- Mestre Aro tentou, sondou a possibilidade, mas decidiu que homens como eles deveriam ser imortalizados pela história e não apenas em corpo físico, homens como Galileu, Da Vinci, Michelangelo e Botticelli não precisam permanecer vivos para serem lembrados, o que importa é o seu intelecto imortal... não sua existência carnal.
Eu fui obrigada a admitir que olhando Matheu trajando uma armadura resplandecente, ali ao lado daquelas obras de arte, falando de uma época
antiga... era impossível não admirá-lo. Um vampiro tão educado, forte e sábio... despertava uma certa inveja.
- Eu invejo a sua chance de tê-los conhecido – eu disse verbalizando o meu pensamento.
- Foram épocas memoráveis... mais tranquilas eu diria.
- Por quê?
- Não havia tanta confusão e o mundo era mais simples – disse Matheu – Os homens eram menos complicados, menos tolos e nós imortais podíamos vagar com mais liberdade este imenso mundo.
- Matheu... por que você serve aos Volturi? – eu perguntei sem poder resistir, Matheu não parecia com os outros Volturi que andavam sorrateiros pelo castelo.
- Originalmente, eu fui um Mercador da Morte – ele falou e logo notou minha expressão de susto – Fui criado por Flávius Aurélius pouco depois dele mesmo ter sido transformado em imortal; mas com o tempo, mestre Aro decidiu que eu poderia servir melhor como guarda pessoal do palácio do que com um exército de vampiros.
- Por que ele escolheu você?
- É complicado – disse Matheu e havia sinceridade em seus olhos – Capricho talvez, ou simplesmente precisava de mais guardas, enfim, aqui estou eu a servir como guarda-cavaleiro de um palácio de vampiros. Nunca tive a ambição de conhecer outro senhor ou ser senhor de mim mesmo, os Volturi têm um motivo de ser, de existirem, a causa deles é nobre.
- Como destruir famílias inteiras? – eu perguntei chateada.
- Infelizmente sim.
- Bom para eu lembrar que há maldade por trás de toda esta beleza – respondi bruscamente e dei as costas para Matheu, segui para longe da bela
fonte através do caminho verde que me levaria até onde Quil era mantido prisioneiro.
Durante o resto do caminho eu tentei não ser influenciada pela beleza exuberante dos jardins de Volterra, Matheu não me dirigiu palavra e isso me irritava ainda mais, pois mostrava que ele respeitava os meus sentimentos e isto era horrível vindo de um Volturi.
Finalmente, depois de um longo trecho, cheguei à entrada de uma pequena vala que separava o jardim de um lado mais amplo da grande muralha, ali se viam várias janelas com grades grossas e pesadas; era onde ficavam as prisões que simulavam aposentos, eu não gostava de ver Quil ali, mas era melhor do que as temidas catacumbas subterrâneas.
Matheu não me acompanhou enquanto eu cruzava a passarela até o outro lado, a vala não era profunda apesar de estar cheia de uma água escura e estagnada, não servia para isolar os prisioneiros, apenas para informar que aquela área era restrita. Do outro lado um guarda baixo me cumprimentou educadamente quando me viu e permitiu minha passagem até o lado mais distante do muro; ali estava um grande portão quadrado e a cela de Quil.
A cela era grande como uma gruta onde uma cama e um guarda-roupas flutuavam no espaço ocioso do lugar, era iluminado apesar de tudo e um banheiro simples estava acomodado no fundo do quarto, a porta aberta mostrando que as pedras escuras e brutas estavam em todos os lugares dando ao ambiente um estranho ar de isolamento.
Quil estava deitado na cama olhando através da grade que se abria na parede como uma pequena janela, o céu azul o encarava com escárnio se gabando de sua insuperável liberdade.
- Ei você – eu chamei sem jeito – Não tem nem Tv por aqui?
Ele se levantou lentamente e me encarou, um sorriso sincero brotou de seus lábios apesar de que seu abatimento era visível; Quil se ergueu da cama estalante e gingou seu corpo imenso de Quileute em minha direção, passou os braços quentes através da grade e segurou minhas mãos.
- Legal, vamos ter um baile a fantasias? – ele disse sorrindo esquadrinhando o meu uniforme Volturi, eu apenas retribui com um sorriso triste – Como estão as coisas no castelo?
- Acredite, eu preferiria mil vezes ficar presa numa caverna como esta.
- É, neste ponto eu levei sorte... como estão Bella e Renesmee?
- Estão bem, na medida do possível é claro – eu respondi – Bella preocupada com Nessie, Nessie desesperada quando retoma a consciência longe do domínio de Chelsea... enfim, o de sempre. E você, eles têm te incomodado muito?
- Um pouco, sempre vêm aqui me oferecer pra ser um guarda Volturi, imagine só, se eu quisesse já teria arrebentado estas grades idiotas e fugido daqui, só não faço isso por vocês três.
- No fim das contas Quil, eu penso se não seria melhor nós ficarmos um pouco mais... dóceis – eu disse lançando-lhe um olhar cheio de significados, pedindo aos céus que Quil compreende-se o que eu tentava lhe dizer, diferente da cabeçuda da Bella que não pegava nada.
- Você quer dizer... – Quil balbuciou tentando entender.
- É complicado – eu respondi batendo de leve na minha cabeça e meus ouvidos para que Quil compreendesse que meus pensamentos e palavras eram vigiados – Mas acho que talvez nós não devêssemos ter tantas esperanças, estamos a milhares de quilômetros de casa, nossas famílias e amigos foram mortos... seria mais prudente avaliarmos a nossa situação atual. Afinal, o mais importante é ficarmos juntos...
Quil me encarou e eu sustentei seu olhar deixando as últimas palavras soarem um pouco mais forte, eu queria que ele compreendesse que
deveríamos fazer o jogo dos Volturi para não ficarmos separados como estávamos. Quil era um rapaz inteligente e pelo modo como eu o encarei ele notou que eu tentava dizer algo, virou levemente a cabeça para olhar além de mim e notou os dois guardas a postos, depois voltou a me encarar e aquiesceu levemente num sinal de entendimento.
- Você acha que é seguro? – perguntou ele apertando minhas mãos com um pouco maias de força e eu sabia que ele havia compreendido o plano e estava se referindo a isso, fiquei feliz em saber que Quil teve consciência que deveríamos manter uma conversa num tom dualista.
- Claro que não! – respondi gravemente – Mas você vê alternativa? Escute a proposta deles da próxima vez, tudo o que queremos é nosso amigo perto de nós, eu não suporto vê-lo preso aqui e com você por perto nos sentiríamos mais... seguras.
- Há algum futuro nisso tudo?
- Eu não sei ao certo – eu respondi sabendo que Quil se referia ao fato de haver um plano ou não – Mas acho que poderá haver respostas com o decorrer do tempo, talvez outras portas se abram para nós.
- Eu estou entendo, está bem... vamos ver onde isso tudo nos levará.
- Ótimo, venho te visitar novamente na semana que vem – eu respondi com um sorriso minguante, Quil retribuiu e se afastou da grade permitindo que eu me afastasse; minhas mãos aquecidas do contato com a pele fulgurante dos quileutes.
Fiquei satisfeita que Quil entendeu o que eu disse a ele, a nossa conversa de duplo sentido vai esconder a verdade de Aro, além do mais, os Volturi ficarão felizes que Quil os reconheça como senhores. O plano estava caminhando, os Volturi pensariam que estávamos nos associando a eles e, durante este momento de confiança, encontraríamos um jeito de fugir... sem Demetri para nos rastrear, teríamos chances de nunca mais sermos encontradas novamente.
Eu passei pelo guarda que se colocou a postos assim que me viu, atravessei a passarela para encontrar um Matheu fielmente me aguardando do outro lado, na entrada para os jardins; por algum motivo que eu desconhecia, a visão dele me irritou instantaneamente.
Segui rápido atravessando o jardim procurando não permitir que a beleza do lugar me seduzisse, entretanto, alguma coisa me irritava a cada passo dado; Matheu me irritava. Eu gostava dele, sempre fora educado comigo, Bella e Nessie e até mesmo com Quil ele demonstrou respeito, eu não o considerava um idiota como os outros Volturi... mas ele me revelou que nasceu Mercador da Morte e serve aos Volturi por livre vontade, isso me deixou extremamente irritada: o fato de Matheu me lembrar que é um Volturi.
Seu silêncio me acompanhava e eu não aguentei mais, me virei para encará-lo e ele me olhou surpreso com meu comportamento brusco.
- Como você pode defendê-los? – eu disse meio que gritando – Eu sou prisioneira aqui e detesto o fato de ter tido a minha família destruída pelos vampiros que você segue com tanta fidelidade.
Matheu, que estava alguns passos distante de mim, se aproximou de repente. Aproximou-se mais do que havia se aproximado até hoje e me olhou com tanta intensidade que eu fiquei levemente incomodada; sua armadura brilhante resplandecendo como nossas peles ao sol, eu desviei o olhar e por algum motivo tive vontade de me afastar dele... mas não o fiz.
- Alice – disse ele usando pela primeira vez o meu nome – Nós pertencemos a mundos diferentes, eu sempre vivi aqui e você não; entendo o quão difícil deve ser para você compreender os motivos através dos quais os Volturi existem ou fazem o que deve ser feito. Não é uma vida privilegiada, mas entenda, alguém deve fazer o trabalho sujo. Eu sinto muito por sua família, sinto mesmo, mas fico feliz que você esteja aqui.
- Eu não me sinto feliz, só de pensar que me tornarei uma das várias serviçais dos três reis...
- Alice – disse Matheu me interrompendo – Você acredita mesmo que seria uma serviçal como Chelsea ou Jane? Está enganada, você e sua irmã pertencerão à corte, serão princesas de Volterra...
- Eu não quero ser uma princesa, Matheu.
- E há alguma chance de ser outra coisa?
- Sim, ser uma vampira normal no meio de uma família normal.
- Você acabará se acostumando...
- Você acha isso mesmo? – eu disse mais magoada que irritada, a proximidade de Matheu me deixando confusa – De que serviria ser uma princesa em Volterra se o meu coração está distante daqui?
- Eu também não gosto da ideia de que você seja uma princesa, Alice – ele falou muito sério, seus olhos vermelhos me hipnotizando – Porque um guarda-cavaleiro jamais teria permissão de possuir o coração de uma princesa, mesmo que este coração estivesse distante daqui.
- Eu... eu... acho que é melhor nós irmos andando... Matheu – eu disse quase perdendo a fala, estava literalmente desacostumadas a levar cantadas.
- Como queira, senhora Cullen – respondeu Matheu assumindo imediatamente sua postura de guarda.
O caminho de volta para o meu quarto foi ainda mais estranho e silencioso, pensei em subir falar com Bella, mas decidi que não iria, afinal, não poderia contar-lhe que Quil estaria no plano junto conosco. Além do mais, as palavras de Matheu não deixavam minha mente, então era verdade, ele gostava de mim; era algo perturbador saber que um Volturi me desejava... só agora compreendi o que Bella estava sentindo.
Ainda assim, apesar de tudo, a presença de Matheu me perturbava, o som lamurioso do violino de Alec me deprimia ainda mais e no momento em que
chegamos ao corredor de meu quarto, Matheu adiantou-se e abriu a porta para mim.
- Tenha uma boa noite, senhora Cullen.
- Boa noite, Matheu – eu disse, mas então, subitamente, antes que Matheu fechasse a porta, eu me virei para ele – Sabe, mesmo que eu fosse uma princesa, eu preferiria mil vezes entregar meu coração a um guarda do que a um rei.
E dito isso me virei, não antes de captar um sorriso radiante no rosto de Matheu, com a porta fechada eu me sentei na cama sob o caprichoso teto pintado pela genialidade de Botticelli; ali, sozinha, um sorriso estranho brotou nos meus lábios, desaparecendo um segundo depois.
Aquilo fora um flerte?
Meu Deus! Há algumas semanas atrás eu me separei de Jasper sem saber se ele havia sobrevivido e agora aqui estou eu flertando com um Volturi? Não, que bobagem, aquilo fora parte do plano, afinal, tínhamos que conquistar a confiança dos vampiros de Volterra, nem que isso significasse começar pelos guardas.
Mas era isso mesmo? Ou estaria eu apenas mentindo para mim mesma? A solidão, a mágoa, a tristeza e a carência estavam me afetando deste jeito? Será que seríamos pegas em nossas próprias mentiras?
Eu fiquei com raiva de tudo, e me sentindo suja me despi imediatamente daquelas roupas negras atirando-as para o outro lado do quarto, enrolei minha nudez na colcha macia e fina da cama e me deixei ficar ali observando o céu azul que iluminava uma tarde perfeita.
Onde estaria Jasper?
Meu destino, no fim, seria este? Uma princesa de uma cidade de vampiros?
Princesa Alice de Volterra... por essa eu não esperava.
Notas finais
Semana linda!
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