Candis
11 É por amor...
Notas iniciais
"É por amor que brilha o sol
e por seguir seu coração
Chegará aonde quiser…"
Es por amor
—2001-
Tentou se ajeitar no banco, seria uma viagem longa, e desconfortável em um veículo pequeno carregando ainda sua guitarra no colo.
Abraçou o instrumento, sendo observado atentamente pelo mais baixo.
— Natsume, algum problema? — a voz dele, fez com que o rapaz de cabelos falsamente vermelhos o olhasse, por longos segundos antes de vocalizar uma resposta, que veio após o carro passar por uma lombada, e os fazer baterem o ombro um no outro com o solavanco.
— Deki-chan… só estou com medo… O que vamos fazer agora, tendo que começar do zero mais uma vez. Estou cansado… — sussurrou, tentando evitar que os outros integrantes escutassem, mesmo que achasse que isso era impossível.
— Eu sei que é difícil… — o menor olhou adiante, encarando as costas do vocalista, que dirigia o carro sem muito cuidado, ainda visivelmente irritado com a decisão de todos de que a banda não daria certo. — Mas estamos juntos nisso, certo. não vou deixar você desistir. — o menor sorriu levemente, fazendo com que o outro correspondesse de forma tímida.
Voltaram a ficar em silêncio, não daria para conversar tão bem ali, mas logo o carro parou bruscamente.
— EU NÃO VOU LEVAR VOCÊS. SE VIREM PRA VOLTAR — o vocalista perdeu a calma, e sem esperar mais gritos, Natsume e Dekith abriram a porta e saltaram do carro, assim como o baixista que estava cochilando e acordou assustado.
O menor seguiu para a traseira, e com rapidez, recolheu a sua bateria, que estava ali desmontada. O mais alto o ajudou a colocar no meio-fio, e logo viram o carro sumindo na estrada, e os três se entreolharam, rindo da própria má-sorte.
— Que egoísta! A porra da banda não estava indo pra lugar algum. — o baixista reclamou. — E vocês, como vão levar essa bateria até Tokyo? — olhou para os dois.
— Vamos tentar uma carona. — disse Dekith. — Talvez tenhamos sorte.
— Bom, eu vou andando… A gente se vê por aí… — fez um aceno, e seguiu pelo acostamento.
— Dá para carregar, se quiser acompanhar ele.
— Não vou carregar uma bateria nas costas. — o menor reclamou. — Alguém vai ficar com dó e dar uma carona. — Se escorou no guarda-corpo, e observou a estrada vazia. Ainda era muito cedo, e demoraria para passarem carros em direção a cidade.
Natsume o imitou, logo sentindo ele encostar a cabeça em seu ombro.
— A gente sempre se mete em problemas. Devíamos ter dado o ultimato quando já estivéssemos chegando em Tokyo — Natsume reclamou.
— Não aguentava mais aquele almofadinha. Que diabo de conceito ele queria pra banda? Não decidia nada. Um saco. — disse. — Vamos ainda brilhar muito sem ele, você vai ver… — balançou a mão no ar, como se mostrasse para o outro o futuro que imaginava.
Dekith era muito sonhador, e isso fazia o mais alto o admirar, era como se fosse um sol no dia nublado de Natsume.
— Você sempre imaginando o melhor. Não sei como eu estaria se não encontrasse você quando resolvi vir sem ideia do que fazer para esse lugar. — Natsume acabou rindo.
— É um bom exercício ser positivo, Natsu, deveria tentar.
— Então você pode me ensinar? — beijou levemente o menor, que riu por ser pego de surpresa.
— Vou tentar mais uma vez, Yuu-chan. Vou te ensinar a ver o futuro brilhante que tem!
Sorriu para o mais alto, logo selando seus lábios mais uma vez.
Se afastaram, ao notar um carro vindo no horizonte, Natsume se levantou do guarda corpo e fez sinal pedindo carona.
[...]
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