Candis
4 Eu vivo por...
Notas iniciais
"Passamos o verão nos apaixonando
Aumentando o rádio, respirando o sol
Contigo escapei do mundo em seu carro azul,
Vivendo o destino que sempre foi você."
Yo vivo por ti
—2006-
O loiro ajeitou a mochila pela terceira vez, era uma decisão um tanto doida, mas iriam ficar um longo tempo sem se encontrar, e queriam passar um tempo juntos antes disso.
Teria que passar no estúdio antes disso, e tentou ser o mais discreto possível com sua enorme mochila, o que conseguiu até o fim da sessão, quando todos já estavam preparando-se para sair, tentou continuar parado no sofá esperando todos se levantarem, mas Aoi foi o primeiro a notar, já abrindo um sorriso para soltar alguma piada sobre.
— Ué? A viagem é hoje U-san? — o moreno parou ao seu lado, cutucando seu ombro como sempre.
— Não… eu só vou passar o fim de semana em outro lugar… E vou direto daqui…- sussurrou envergonhado, logo sendo notado pelo mais velho.
— Ah… tá de romancezinho. — riu mais uma vez, voltando a se sentar no sofá, ainda olhando para o mais novo, que apenas desviou o olhar envergonhado, o que fez com que ele risse mais.
Kai e Reita se aproximaram rindo, e tentando descobrir mais informações, enquanto Ruki observava atentamente o amigo.
Depois de segundos constrangedores, o vocalista finalmente se pronunciou.
— Deixem o Shima em paz, vamos, temos mais o que fazer do que infernizar ele. — se aproximou puxando Reita para fora da sala.
Kai entendeu a indireta e apenas se despediu brevemente, seguindo os outros dois.
— Desculpa te zoar… — Aoi sorriu. — Eu sei quem é… você não é tão discreto assim… — piscou, se levantando — Fala pro Toshiya que ele não é discreto também… — continuou e seguiu para fora da sala, fazendo com que Uruha continuasse tão vermelho quanto antes.
Ficou alguns minutos ali, ainda pensativo, talvez estivessem acelerando as coisas, e isso fosse o que quebrava sua discrição, mas ele não era mais um adolescente para enrolar toda a história, só precisava seguir seus instintos e viver a vida como queria.
Não deveria se preocupar com os demais.
Acabou sorrindo sozinho, e logo ouviu o seu telefone tocando, anunciando a chegada de uma mensagem, abriu o flip, sorrindo ao ver.
“Tô esperando aqui fora, seus amigos já saíram…”
Ajeitou a mochila nas costas, e saiu do estúdio, fechando a porta calmamente, seguiu até o estacionamento, com um sorriso no rosto, que aumentou ao ver a silhueta alta encostada num dos carros.
— Hey, Totchi! — acelerou os passos, logo abraçando o mais velho, o fazendo rir com a animação.
— Hey… — beijou seu rosto. — Está mais animado agora, já imaginava que não iria querer ir mais...
— Ah… eu…só estava pensando demais… Vamos voltar no dia certo né?… — se afastou.
— Vamos, eu também tenho que voltar antes. A banda vai voltar para a tour também. — riu. — Não fique assustado, sou responsável aqui…
— Pare de falar num tom como se você fosse ultra velho. — Uruha deu um tapa no ombro de Toshiya, que se afastou rindo, entrando no carro, e assim que o mais novo o imitou, já saiu rapidamente.
O sol já estava a pino, e chegariam ao destino no pôr do sol. Um fim de semana inteiro sem se preocupar com ninguém além deles mesmos.
O mais novo ligou o rádio, deixando tocando uma do Deftones, e cantou a música desafinadamente, fazendo Toshiya rir, mas logo o acompanhar também.
Toshiya olhava durante o trajeto, discretamente, para o mais novo, que sempre parecia estar distraído com algo no caminho, seja uma construção ou uma área muito arborizada. Uruha quase sempre parecia estar no mundo da lua, e isso era um charme na sua personalidade, que o mais velho achava que ele nem deveria tentar mudar.
— Acho que foi a melhor decisão que eu já tomei… — deixou escapar, fazendo com que o loiro o olhasse sem entender. Percebendo o ‘deslize’, o mais velho sorriu. — Kou… você é minha melhor decisão, juro.
— Não minta na cara, Toshiya. Eu sou o maior pesadelo. — riu alto.
— Não estou mentindo. Eu sempre tenho decisões questionáveis no quesito relacionamentos. — disse. — E nada flui tão bem quanto o nosso…
— Destino? — o mais novo sorriu. — As vezes eu acredito… — voltou o olhar para a estrada, vendo o sol já pondo. — Acho que posso usar a frase: “Vivi pra isso”.
— É… acho que também posso usar… — Toshiya concordou. — Espero que isso dure para sempre…
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