Relaxado.

Cá estamos, na curva do Sol, onde escolhemos vê-lo ou fechar os olhos negando-o.

É um dilema nu, grosso e que demanda reflexão e crença.

Andar. Andar, além de refletir, foi um dos atos que mais fiz em toda a minha jornada. Andar é diferente para cada pessoa, mesmo que possa ser simples translocação. Há quem veja em todo lugar tapete vermelho que incita o desejo de ter o mundo. Noutras instâncias, andar é sinônimo de enxergar, há quem não veja na posição do sedentarismo, o mundo pode rodar, as pessoas podem passar, mas, há quem não consiga ver nada, precisa estar sempre em movimentação, no encalço de algo, em fuga, ou numa simples andança que supra o desejo de sempre partir.

Dizem que voar pode ser um ato psicológico. Quem sabe há alguma razão nessa afirmação. A sensação sublime de levantar voo quando alcança-se algo muito desejado, quando consagra-se no quê tanto buscou ou não tinha vivido.

É poesia-filosofia de boteco. Esse estado veio quando apoie-me nas grades vermelhas da longa ponte e vi a baía, que para o meu espanto estava intacta quanto a poluição humana. Vi as árvores frondosas e a água calma rente aos cais para os nadadores, porém violenta e assassina em enorme parte de todo o ambiente aquático abaixo dos meus pés.

Andei um pouco mais para conseguir ver a cidade inteira. Poucos veículos, uma monotonia intocável. Não posso mentir dizendo que me sentia em paz, no entanto, posso afirmar que certa comodidade estava comigo.

A ponte era sustentada por colossais pilares estrategicamente posicionados. Cada um deles tinha um pedaço preponderante que, além da cerca, possibilitava duas pessoas corajosas ou doentias tomarem assento.

Nos primeiros flashes de visão demorei acreditar que eu via alguém sentado num dos pilares centrais. Conforme fui me aproximando, a visão se tornava mais clara e menos ilusória. Uma mulher.

Apoiei no pilar e sem dizer uma palavra, inclinei-me para ver se a minha mente não pregava peças em mim. Aqueles cabelos, a silhueta... Eu não poderia esquecer em nenhum momento sequer. Era Carla, balançando os pés ao ar, enquanto fitava o horizonte; tinha uma mala preta, a qual não tomava muito espaço, ao seu lado.

Com bastante esmero para evitar uma queda desproposital e evitar estridência, passei as pernas pela cerca e tentei alcançar o bloco de concreto que serviria de assento.

Quando já próximo, Carla sentiu a minha presença, olhou-me, arregalou os olhos enquanto eu terminava de descer da cerca, e gritou meu nome ao observar-me de cabo à rabo. Num só ímpeto, levantou, sem apoiar-se para se erguer.

— Cancro!

Carla nessa subida abrupta cambaleou e, certamente, despencava para o lado das águas violentas, se não fosse o meu braço segurando ainda a cerca e o outro empunhando o seu antebraço.

Puxei-a, ficamos uma olhando para o outro quando soltei o seu braço. Ela olhou para parte da minha calça ainda molhada de sangue e perguntou desesperada:

— Você se machucou? — Inclinou-se um pouco para procurar a fratura e começou a alternar os olhares entre o meu olho avermelhado pela pedrada e a minha calça ensanguentada.

Foi uma pergunta cabível. Sei que ela perguntava sobre machucados no quesito físico, mas, não pude deixar de pensar se eu havia me machucado de outras maneiras até chegar ali.

Havia um peso inegável nas minhas costas e uma vontade alarmante de deixar tudo aquilo para trás, de um jeito ou de outro.

Vi pessoas digladiando por uma bolsa, vidas e mais vidas sumindo em frações inconstantes do próprio tempo. Uma menina morreu baleada, junto a toda a sua infância, pude ver com os meus próprios olhos e toda a agonia lenta que aquela atmosfera proporcionava junto ao meu próprio cenário íntimo, o qual suspirava para que eu fizesse algo, para mudar aquilo de uma vez por todas. Nenhuma bala sairia do peito dela, nenhuma.

Tive o “prazer” de ser espancado e humilhado, cuspido como trapo. Fui ridicularizado por crianças. Descobri que a minha avó sofria por mim, para que eu pudesse ficar num retiro na minha adolescência inteira.

Vi inúmeras pessoas no celular enquanto o mundo despencava lá fora. Vi elas se afogando nas suas bolhas de proteção.

Tive a minha casa e os meus pais sequestrados pela insânia invisível. Tantos sonhos de menino obliterados pela realidade crua que ninguém tinha me avisado sobre.

Vi o problema da cegueira humana, a ponto de ser letal. Vi o custo do desperdício, todas aquelas carnes com cores anormais, por estarem tanto tempo mofando entre outros lixos, servindo de alimento para aqueles que sentiam fome, não a mínima fome que achamos que sentimos antes do almoço ou janta, ou quem sabe após um mínimo tempo sem comer. Fome, dilacerável, que tira a sanidade do humano mais calmo do mundo. Fome canibalesca.

Respondi Carla com certo pesar na consciência:

— Não é o meu sangue. Eu estou bem.

Refutou ao me ver naquele estado de andarilho:

— Bem?

Não havia acontecido apenas empecilhos no caminho, seria muita ignorância e nivelação sugestiva se eu pusesse em pauta só o sofrimento e agonia.

Vi como o ser humano pode ser hospitaleiro e amigo. Fui tratado como um filho por um cara que nem me conhecia. Rímel. Percebi o quão desejoso pode ser o ser humano e também o quão compreensível pode tentar ser. Carla. Uma mulher e um menino se esforçaram tanto para que eu sobrevivesse. Trataram-me também como um filho.

“Se o mundo que restou é esse, não merece ser vivido, mas, se continuamos vivendo, algo nos diz que o mundo que nos restou não é o definitivo. Faça valer a pena esse desejo de permanecer vivo”. Fui emplacado por um citação de um poeta desconhecido.

Pude ver cores e flores. Belezas brotando no entorno caótico e demonizado. Conversei sobre saudade com um homem interessantíssimo. Percebi que a memória não é abrigo apenas dos nossos vultos fantasmagóricos de melancolia torturante.

Ouvi de uma velhinha que sofria horrores gritar que queria viver. Como pode? Tanto sofrimento e queria lutar para ficar viva. Foi belo, teve seu encanto.

A singular bondade de Zumira conseguiu amaciar os meus dias pacatos no Ninho. Aceitou-me e fez de tudo para que eu ficasse ali. Nutriu-me de livros.

Inegavelmente, não é só maldade e nem mesmo só benevolência. Nesse exato momento substancia-se uma escolha quase cênica. Tanto apanhar faz a gente se perguntar se vale a pena continuar. Os dedos gelam, falta o ar, pensa-se em desistir e não é nenhuma monstruosidade chegar nesse ponto. Precisamos descobrir o quê nos motiva, ao contrário seremos apenas corpos andantes como outro qualquer, embalados aos poucos nalgum ritual funesto.

Ao responder Carla, sentei-me sem dar satisfação. Apreciei a vista. Os pensamentos se atropelavam na minha cabeça e o pranto veio acariciar a minha face cansada.

Carla sentou-se também e tentou olhar por muito tempo o Sol, porém, a luminosidade fez ela abaixar a motivação e olhar para a minha barba volumosa. Ergueu a mão para senti-la e depois abaixou-a.

Mexeu-se um pouco no mesmo lugar e começou a dizer enquanto minhas lágrimas escorriam sem pestanejar.

— Cancro, eu vim aqui para morrer. Não era bem esse o meu destino, mas, para chegar até aqui eu passei por cada coisa...

Olhei para ela, sem repreensão, apenas um pouco espantado, toda aquela animação doutrora, tinha sido resumida num desânimo visível. Vi a sua mão que repousava ao lado da minha, aquela com uma marca de mordida que não havia antes. Tentei não focar o meu olhar. Ela persistiu:

— O mundo é uma avalanche, Cancro. Uma total avalanche. Vem e leva tudo. Não dá tempo para respirar e então vem o frio...

Procurei as palavras certas e nem sei donde veio tanto ímpeto para dizer.

— Uma total avalanche é falácia... Pode até parecer, afinal, a ignorância é mais aparente, geralmente... Mas, o mundo tem as suas belezas e elas se substanciam, muitas vezes, nas pessoas que você encontra no caminho... Você foi uma dádiva para mim, Carla.

— Eu? — Perguntou e mexeu ligeiramente a cabeça, sentindo-se em clara dúvida.

— Você é facilmente impressionada, como eu... Não esqueço da estória da borboleta-dálmata... Impressionar-se com isso é profundo... Saber também que há quem ame cultura além da Indústria Cultural é de intensidade sem tamanho... Nas entrelinhas, tenho na minha consciência que pensar que tudo está perdido é pedir que a água invada os pulmões... Seria negar o bem que existe.

Riu, timidamente, aficionada com alguma frase ou lembrança que remiti, abalando minimamente a sua tristeza. Disse de cabeça baixa.

— No dia que você se foi.... Rímel achou que eu tinha contado a você sobre algumas coisas... Sobre o quartinho que você achou... Os retratos e tudo mais... Ele fez eu “pagar” por essa afronta...

— “Pagar”? Como assim? — Perguntei de relance.

— Todas as caixas empilhadas tinham fotos que ele tirou de mim. Forçava-me a escrever cartas para ele como se fosse uma prima ou uma amante dizendo que gostava de toda a dominação que ele me exercia. Não sei se chegou a ver um quarto com apenas uma cômoda, vago. Lá ele guardava os seus “brinquedos”. Batia-me, alargava-me e fazia algumas outras coisas...

Senti nojo, asco, repúdio, cerrei os punhos e a um ódio veio em encontro a minha alma. Perguntei, sem disfarçar a fúria.

— Onde está o Rímel?! — Ela apoiou a sua mão na minha e quando senti os dedos gélidos, acalmei-me aos poucos, liberando a tensão numa baforada ao horizonte.

— Relaxe, meu bem. Ele não fará mais mal a ninguém.

Eu queria saber o quê havia acontecido com o Rímel, mas, se ela quisesse me contar já teria dito, então, confiei na sua palavra e deixei-a seguir. Afirmei buscando saber mais.

— Você trouxe uma mala consigo...

— Não foi fácil conseguir. O Rímel foi contra eu levar as suas despesas.

— É o dinheiro dele?

— Meu, agora.

Não sabia o quê sentir, confesso. Ela alongou-se:

— Eu preciso me purificar, Cancro. De uma vez por todas. Eu devo isso a mim.

Tirou a sua mão da minha e começou a olhar fixamente toda a água que percorria a imensidão. Veio o pavor, implacável. Eu sabia, feito água cristalina, o quê ela estava prestes a fazer e o quê eu também desejava fazer. Comecei a tremer e os olhares fixos de Carla nem conseguiram perceber o meu descontrole. Tentei fechar os olhos e veio a vertigem que parecia me puxar para o nada.

As mãos trêmulas. Uma delas foi de encontro ao saco plástico no meu bolso e lembrei da mensagem daquela mulher e até do aceno de Zói, quando parti.

Tirei o envelope do saco plástico. Abri-o, primeiro vi o pedaço pequeno de papel em branco e girei lendo o seu conteúdo que me fez despencar em lágrimas agudas de uma emoção inestimável. Li. Fui abalado muito alto pela saudade, memória e... Desejo de redenção.

“Desculpe não ter terminado de ler ‘Os monstros ciclópicos do Everest’ para você. Eu te amo”.

Num relance certeiro e inesperado, lembrei da capa do livro que mamãe fingia ler para mim. Percebi que a tremulação de agonia se transmutava numa emoção boa e límpida.

Sim, aquela mulher que cuidou anos do meu corpo febril encostado naquele poste, deu-me alimento e ninou-me de longe, era a mesma que havia me levado na escola todas as manhãs, havia lido para mim e havia sumido sem deixar carta ou vestígio. Toda a emotividade, diante a minha partida, não era de menos. Era uma mãe despedindo-se do filho, pela primeira vez, numa segunda partida.

Mamãe queria, mesmo relutante, que eu partisse; ela sabia, de alguma forma, que eu tinha algo a enfrentar e algo a perceber e constatar. A carta reacendeu uma chama acalentadora no meu peito, a sensação de não estar desamparado.

Depois das lágrimas de júbilo e dos sorrisos bobos, misturados a um misto de enigma irrespondível e de esperança, retomei a visão do todo e vi que Carla estava ereta, com os braços abertos, olhando para baixo; um olhar vago e efêmero.

Pus rapidamente uma das minhas mãos no seu calcanhar e disse:

— Fica... Fica?

Ela abaixou-se, sentou e abriu um sorriso meio sem jeito, verdadeiro. Respondeu:

— Eu só queria saber como é sentir o ar passando pelo corpo ao abrir os braços. Tenho um pouco de Rose DeWitt dentro de mim.

Rimos, ela tinha acabado de citar a protagonista de Titanic (1997). Disse, após a citação inteligente:

— Antes de escolher me jogar. Eu estava indo para aquela colônia naturalista que citei numa das conversas que tivemos. Lembra-se?

— Acho que sim... Disse rapidamente...

— Então... Sempre tem lugar para mais um. Lá eles tratarão você como um igual, irão cuidar de você, como cuidam de todo mundo.

Matutei. Nem eu e nem você, leitor, esperávamos, creio eu, que uma informação jogada numa conversa informal, lá atrás, sobre uma colônia naturalista, seria umas das saídas que eu encontraria para recomeçar, ver o mundo por outro ângulo e senti-lo de uma outra forma.

Carla pontuou:

— É até engraçado pensar agora, que eu pensei que roubando esse dinheiro e gastando na cidade grande, teria paz e uma casa altiva, isenta dos males. O dinheiro não é salvação para mim, mas, ainda ajuda muita gente. Sabe um bom uso para ele?

Matutei. Soltei:

— Eu conheço uma família bem necessitada que com esse dinheiro em mãos faria bom uso, não só para ela, mas, para a comunidade também.

— Conhece? — Sorriu.

— A nova família da minha mãe.

— Olha que ótimo! A colônia tem os seus “entregadores”, que fazem contato entre a cidade e o terreno em que vivem, são sigilosos e rápidos. Eles podem levar o dinheiro, se assim achar melhor. Têm bicicletas rápidas.

Pensei e pensei. Eu podia voltar e entregar eu mesmo o dinheiro, porém, refleti melhor e tomei uma decisão. Às vezes, o necessário é saber olhar para frente. Eu soube que a minha mãe estava viva e que teria ganhos para que cuidasse da casa e também dos moradores, pois, a benevolência dela saía dos limites do âmbito privado. Qualquer sensível captava aqueles olhos vigilantes. Pensei sobre o meu pai, eu não o havia visto... Ou quem sabe, esqueci sobre. Ainda assim, a incógnita ficou comigo, dúvidas não somem tão rápido. Mas, uma coisa eu sabia, não podia voltar atrás; havia chegado o momento de reaprender a viver.

Voltamos a andar na ponte. Dessa vez, juntos. À caminho da colônia. Carla descalça e eu com as minhas botas rasgadas.

Uma outra incógnita quase insignificante ainda permanecia comigo: como Carla sabia tão bem da colônia. Claro que poderia ter seu conhecimento baseado nos acontecimentos pregressos à sua trancafiação, contudo, eu não sabia.

Perguntei, ela me olhou e naquela bipolaridade característica, já saltitante, disse:

— Minha família inteira mora lá! Com exceção de Rímel. Rímel sempre foi possesso e com características peculiares. Deu seus blefes... Eu fui a única que não consegui fugir junto ao resto da minha família. Foi um preço caro a ser pago ter falhado na fuga. Você já até sabe... Meus parentes preferiram fugir a entregar o meu irmão à polícia, por questões morais e íntimas. — Pensou e completou — Enfim, ele não fará mal a mais ninguém... Lembra-se da janela aberta que permitiu a entrada da borboleta? Foi por aí que eu recebia as cartas da minha família e me comunicava com ela. Você me lembrar da borboleta-dálmata fez eu trazer à recordação todos os meus parentes que eu deixaria para trás se resolvesse me juntar aos peixes... Obrigado, Cancro!

Não sabia como reagir. Apenas uma alegria gostosa de se sentir abraçava meu coração com firmeza. Pensei na Mente Perdida e logo esqueci. Eu não desconsiderava todas as atrocidades que continuavam a acontecer no mundo, mas, eu considerava muito haver uma parcela mundana de pessoas dispostas a fazerem da vida algo mais aprazível e permitir que outros sintam-se bem também.

De batalha em batalha, ergue-se. Aquela vida sem rótulo, apenas o pacifismo.

Fui para a colônia e não sei se é motivo de congratulações e afins, ou represálias e críticas destrutivas. Foi a forma que encontrei de recomeçar. Nanocéfalo aquele que crê que busquei a colônia em busca de fechar os meus olhos e isentar-me dos males terrenos. Lá eu encontraria outros problemas, outros obstáculos e também adeptos a uma nova visão de mundo, com pessoas subjetivas como as outras, com novas vivências e novas esperanças. Julgue como quiser, aceitei o escapismo ou decidi mudar de janela para não soltar as pontas, debruçado na antiga janela abarrotada de lama. Eu estava prestes a conhecer um ponto de resistência contra o sistema vigente... Nem todas as partidas são definitivas e nenhuma resistência é perfeita. Mas, esse assunto não cabe mais aqui. Segure-se.

Permita que eu deixe claro, leitor. Muito do que vive ou viverá parecerá não fazer sentido algum, outras coisas só esperam o momento certo para se encaixar. Não permita que a tempestade que oblitera e nos testa, faça você esquecer a chuva mansa. O caos continua e nem sempre é sinônimo de negatividade.

Nem todas as questões que deixei em aberto foram respondidas e durante a escrita dessa obra eu posso ter ocasionado contradições, afinal, sou um ser humano como qualquer outro. Quantas vezes já dissemos não faça, enquanto fazíamos. Sou falho e mesquinho muitas vezes, a imperfeição tem essa múltipla face.

Você não precisa concordar com tudo que eu disse ou dissertei. Feliz aquele que concorda e também discorda. O mundo tem essa irregularidade peçonhenta, pois, andamos aceitando muitos fatos como se fossem realmente fatos naturais.

Se esses excertos fizeram você pensar um pouco, mexeram contigo, a escrita valeu. Mentes pensantes e minimamente transcendentais não são boas para os sistemas que ainda estão em vigor: entre eles, o sistema societário e o nosso sistema interior, além do biológico. Os dois pautados num terrorismo sem espécie. Precisa-se de agentes que vão contra pontos desiguais que tornamos atávicos e naturais nesses dois sistemas. Para que um sistema funcione é necessário o outro, por isso, onde puder descontruir os alicerces da nossa corrupção, procure fazer ou... Simplesmente não faça.

Temos a escolha de sermos coniventes com o quê cremos. E a crença e o ato são forças poderosas, caro leitor.

Poderosas como o caos que me levou até aqui, sendo parte do câncer que acomete o sistema que tenta nos reger.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!