Can this be real?
22 Capitulo 21 - Descoberta
Notas iniciais
Sofrimento
Desamparo
Solidão
Desesespero
LUTO!
Esses sentimentos eram conflituosos dentro de mim, eu não sabia a quem recorrer, eu não em que acreditar, em que me segurar, meu Deus, eu nem sabia mais quem eu era ou o que fazer agora, era tudo confuso e intenso, tudo muito doloroso, minha mãe estava morta e meu pai e marido desaparecidos, mas todos diziam que não tinha como eles sobreviverem altura que a carruagem caiu, e nada me tirava da cabeça que aquilo tudo foi armado e arquitetado, minhas esperanças eram escassas e eu não dormi a noite depois que Pavel trouxe essa terrível noticia, depois do meu desmaio, eu acordei e passei a noite conversando com ele sobre o acontecido, Pavel tinha a mesma desconfiança que eu apesar de ser mais reservado ao falar sobre o assunto, depois que o dia amanheceu eu tive que me obrigar a me arrumar para o funeral da minha mãe.
Minha mãe, com certeza uma vitima, assim como meu pai e marido, mas ao contrario deles, para ela não havia esperança, acharam o corpo, e tudo o que me disseram é que está desfigurado e que só a reconheceram pelos seus cachos ruivos, uma lagrima involuntária me escapou e eu logo tratei de seca-la, eu tinha que ser forte, ser forte e sábia, pela morte da minha mãe, pelo meu pai e marido, por mim, mas principalmente seria forte pelo pequeno ser que jazia em meu ventre, ninguém poderia saber da minha gravidez até eu descobrir o que aconteceu ao certo e se eu e meu bebe corríamos algum risco, eu tinha que descobrir o motivo dessa tragédia toda.
Já no funeral da minha mãe tomaram o cuidado de cobrir seu corpo desfigurado com um pano preto, eu não entendia como um corpo se desfigurava em uma queda a ponto de não lhe reconhecer o rosto, esse era um dos motivos de toda a minha suspeita que isso tudo foi arquitetado por algum doente, por um motivo que eu ainda desconheço, ainda, se eu soubesse o motivo eu poderia ter alguém a quem culpar, mas ninguém e nenhum motivo vinha a minha mente, nada fazia sentido, meus pais nunca tiveram desavenças no reino a não ser com Jesse, mas esse já estava morto a tempos, e Dimitri, ele mal tinha chagado a viver aqui, não existia motivos ou justificativas, e isso tudo apenas me frustrava.
Eu ignorava as pessoas que vinham me desejar meus pêsames, eu não queria ouvir, eu não queria saber, eu só queria descobrir o porque e queria descobrir onde estavam meu marido e meu pai, até a ideia de um sequestro me passou pela mente, mas como sempre eu não sabia o porque, eu suspirei fugindo de todas aquelas pessoas, me paparicando, tentando em vão me consolar, somente a verdade me consolaria, mas enquanto eu não a tivesse eu iria fazer o que tinha que fazer, me despedir daquela que me deu a vida.
Me aproximei do corpo inerte da minha mãe e não controlei a lágrima teimosa que caiu em meu rosto, eu a amava tanto, ela era tão jovem e cheia de vida, tão linda com seus cabelos cheios e avermelhados, com todas as suas regras e imposições, com todas as qualidades e com todos o defeitos, eu a amava, era como se parte de mim tivesse sido arrancada, um pedaço enorme do meu coração foi tirado de mim e eu o sentia sangrar, eu queria morrer junto com ela, mas eu sabia que ela não desejaria isso, ela iria querer que eu fosse forte e descobrisse quem fez isso e era o que eu iria fazer, pegando sua pequena mão por debaixo daquele pano eu sussurrei minha promessa a ela.
– Eu vou descobrir quem fez isso com você mãe, eu vou descobrir e vou fazê-lo pagar.
Eu acariciei sua mão e senti calos, franzi o cenho, calos? Minha mãe não tinha calos nas mãos ela nunca fez algum tipo de trabalho braçal, aquela não era a minha mãe, eu ia levantar o manto sobre aquela mulher, que agora eu sabia que não era Janine, quando Pavel me impediu.
– Rose – ele me abraçou de lado e sussurrou em meu ouvido – Eu explico isso em sua casa, eu sabia que você era esperta e iria descobrir.
– Pavel, o que está acontecendo essa não é...
– Sim querida não é a senhora Mazur, como eu disse em casa eu explico, isso foi um plano de seu pai, termine o funeral e vamos, eu explico tudo em casa, mas por favor não estrague isso, é para sua segurança e de sua mãe também.
E dito aquelas palavras ele me deixou ali olhando aquele corpo inerte, a primeira coisa que eu senti foi alivio, minha mãe não estava morta, a segunda foi duvida, se aquela não era a minha mãe aonde ela estava? Será que tinha desaparecido junto com meu pai e Dimitri? A terceira foi esperança, Pavel disse que era para minha segurança e de minha mãe, ele sabia aonde ela estava e Dimitri e meu pai poderiam estar com elas, respirei fundo e deixei as lagrimas caírem sobre meu rosto, mas ao contrario das de antes que eram de tormenta e desespero, essas eram de alivio e esperança.
Tratei de terminar o enterro, eu estava ansiosa para chegar em casa e saber o que realmente estava acontecendo, porque a mentira sobre a morte da minha mãe? Porque o acidente? Porque só a morte dela foi forjada? Onde eles estavam? E porque eu não sabia de nada? Era obvio que isso tinha o dedo do meu pai, não era em vão que ele era conhecido como zmey, a serpente, ele era astuto e inteligente, tinha os melhores planos e as melhores ideias, e era por isso, por causa dele, que os Mazur se tornaram tão grandes e poderosos, nossa família não foi sempre rica, meu bisavô era um camponês, meu avô conseguiu casar com uma jovem que herdou uma fazenda, o suficiente para termos uma vida melhor, mas quando meu pai era jovem, antes mesmo de conhecer minha mãe ele começou a trabalhar com o pai e foi nesse momento que o sobrenome Mazur ficou conhecido e importante, meu pai fez com que nosso patrimônio crescesse e hoje estamos na elite, então sem sombra de duvidas meu pai tinha um dedo nesse plano todo, alias não só um dedo ele tinha arquitetado tudo, eu tinha certeza disso.
Assim que cheguei em casa acompanhada de Pavel, me sentei nos sentamos na sala um de frente para o outro e nos encaramos, eu mexia as mãos ansiosa e esperançosa e ele me olhava como se estivesse em um conflito interno, ficamos assim por alguns minutos até que eu cansei do silencio, era a hora de saber a verdade.
– Muito bem Pavel, me conte logo.
Ele me olhou por mais um tempo, como se estivesse discutindo consigo mesmo, deu um suspiro cansado e depois um meio sorriso.
– Eu disse ao seu pai que você iria desconfiar, você é esperta que nem ele, muito bem vou te contar tudo.
Fale com o autor