Can You Protect Me?
4 IV. Um primeiro toque de rancor.
Notas iniciais
A pequena vila continuava coberta por um sol escaldante este que não era confrontado por nuvens passageiras. No entanto, ele não abrandava as pessoas nas ruas que continuavam com os seus afazeres: vendas, compras e também passeios. Os jovens se habitavam nas sombras das árvores sentindo a brisa refrescante onde os raios de sol não conseguiam penetrar. Rapazes jovens que conversavam com as suas amadas, ambos escondidos à beira dos lagos longe da população. Instalava-se um cheiro fresco, um cheiro do mar. Era um dia harmonioso como a maior parte das vezes. Os pássaros a chilrear, a aragem que baloiçava as flores, folhas e ervas dos prados e dos jardins. Ah, doce paz e calmaria que este lugar tinha, porque negar a Natureza dessa vila era o mesmo que desprezar a beleza e paz.
Kurosaki Ichigo galopava por entre a floresta frondosa. Talvez para fugir do sol escaldante ou simplesmente por ser o caminho mais curto para voltar para a sua casa. Mas uma boa hipótese é ele ter juntado o útil ao agradável. Nessa mesma floresta estava um clima fresco. As folhas balançavam ao som e ao ritmo do sopro suave e gentil do vento. As enormes árvores faziam uma sombra quase que completa no local mas no espaçamento entre os ramos e folhas existiam brechas de sol que trespassavam onde podiam, dando aquele toque de beleza e formosura. Ichigo, sendo um jovem de dezoito anos ainda meninos em si, tinha uma boa visualização do futuro e presente. Apaixonado, romântico e gentil, era o tipo de homem que deixaria qualquer menina se sentir atraída não só pelos seus olhos âmbar brilhantes e vivos como também pelo seu físico másculo e sorriso encantador. No que toca a vida social, pertencia à família Kurosaki, uma das mais importantes famílias nobres de Soul Society. Possuía um coração mole e esse foi o seu túmulo durante anos sem Orihime. Por não a amar tanto como pensaria a amar, se sentia culpado se os sentimentos que a ruiva o dava ainda eram reais e fortes como antes porque os deles já haviam sido tomados por outra garota.
– KUROSAKI!
A voz alarmada e um pouco grave de uma menina baixa e com uma estatura delicada e que parecia ter por volta dos catorze anos, o chamou a atenção e assustado Ichigo ergue a cabeça e olha para a menina no meio do caminho e puxa abruptamente as rédeas fazendo o cavalo parar mesmo em frente dela. Ela possuía uma pele clara e olhos roxos, o seu cabelo era negro como a noite e não passava do meio do seu pescoço e algumas mechas de cabelo por entre os olhos mais concretamente a passar pela testa, a davam um ar mais bonito.
– Rukia, o que fazeis aqui? – Olha-a sentado no seu cavalo.
Rukia era uma nobre garota de dezasseis anos, não faltaria muito para que completasse os seus dezassete. Pertencia à família Kuchicki e era muito cobiçada por muitos outros rapazes da nobreza por ser rica, esbelta e misteriosa. Possuía uma personalidade bastante violenta e forte. Não era delicada nas palavras e isso usava para a sua autodefesa, para que pensassem que ela não era de meias palavras embora isso não fosse uma verdade absoluta. Na sua mão direita e dedo anelar, tinha um anel prateado com um diamante na ponta, era esse um símbolo de que uma menina se encontrava noiva de alguém.
– O que faço? Vós quase me matastes com esse bicho.
– Estava distraído. – Desce do animal ainda vagando nos seus pensamentos. – Não é um bicho… é um cavalo. Um cavalo bastante fiel a mim. Mas tirando essa parte, é perigoso estardes na floresta sozinha, Rukia.
A pequena olha para o seu cesto de cortiça e tira de lá uma baga vermelha.
– Nesta floresta tem as melhores bagas da ilha. Eu adoro pegar em algumas e levar para o meu irmão.
– Poderíeis ter esperado que fosse a visitar e viríamos juntos.
– Eu esperei, mas demorastes. E eu não tenho paciência para esperar por pessoas. Vós sabeis disso.
Ichigo pega a baga da mão da Kuchiki e come-a. Era doce, bastante boa por sinal.
– Sim… são muito boas. – Confessa o maior sorrindo assim como Rukia que pega a mão dele ao de leve.
Normalmente, quando a pequena segurava ou tocava na mão de Ichigo era porque queria um ato de carinho, ele bem o sabia. Kurosaki encara a pequena e curva-se a depositando um beijo na sua bochecha esquerda. Rukia ri com tal ato e o mais velho parece não entender.
– O meu irmão não está aqui. – Sorri pondo alguns fios de cabelo por trás da sua orelha. – Gostaria que fosse um pouco mais atrevido.
Ichigo sorri e mais uma vez se curva e deposita os seus lábios nos do dela a fazendo ficar rosada nas suas bochechas e fazer o seu coração palpitar um pouco. Para muitos aquilo poderia ser algo completamente normal, mas para alguém como Rukia, aquilo era mágico, estranho e a fazia sentir bem. O beijo durou um pouco pois, Ichigo tentava a fazer-se abrir um pouco naquilo mas ela era inexperiente nisso. Afastam-se e o maior beija o anel de Rukia com um sorriso encantador.
– Eu amo-a, Rukia.
A pequena sorri e apoia-se no ombro de Kurosaki que a coloca em cima do seu cavalo, e a mesma fica sentada nele com uma cara meio perturbada, o rapaz sobe de seguida e olha para Rukia.
– Passa-se algo?
– E se este bicho cair? – Preocupa-se olhando para o chão, tendo uma enorme vontade de pular mas o seu vestido era demasiado “ frufru” para permitir tal ato.
– Rukia, só precisais de te agarrar a mim.– Pega delicadamente na mão dela e entrelaça na sua cintura. – Assim.
– Espero que este bicho não seja tão perigoso assim.
– Calma, até parece que não conheceis um cavalo. – Sorri e assim que Rukia posiciona agradavelmente o seu cesto de bagas Ichigo avança o seu cavalo e vão juntos para casa.
~*X*X*~
No quarto de Ao, tudo estava calmo e arrumado. O pó que parecia ter-se acumulado naquele local desapareceu e agora se encontrava brilhante e limpo. Orihime estava sentada no banco da pequena varanda do aposento de sua mãe pensativa sobre Ichigo, sobre Ulquiorra, sobre sua mãe e seu irmão. Sorria. Mas sorria por se sentir feliz por saber que Ichigo a visitara sempre enquanto se encontrava de cama. Isso a fazia pensar no quanto ele a devia amar… E começa a pensar em futuramente o seu nome ser Kurosaki Orihime. Pensar nas vantagens de passar a sua vida com Ichigo eram tantas. Mas Ulquiorra passava pela sua cabeça e estragava tudo. Era como aquela pessoa que queria vê-la sofrer. Não importa o quanto tentasse ser feliz, ele tiraria a sua felicidade. Ela queria sair por aquelas portas trancadas de casa e correr para os braços do seu amado “príncipe” e nunca mais o largar.
– Orihime. – Ulquiorra entra no quarto de Ao e olha em direção à varanda.
– Saia deste quarto.
– Precisais de falar comigo.
– Não tenho nada que falar com uma pessoa como vós.
Ulquiorra avança o passo passando pela porta e assim Orihime se levanta da sua cadeira e sai da varanda.
– Eu disse: Saia deste quarto.
O olhar dele não mudou e olhou para a ruiva com o mesmo de sempre.
– Não sois bem-vindo a este local. Não sois bem-vindo a esta casa e muito menos na minha vida pessoal.
– E-
– Não quero ouvir nada! – Berra olhando-o de forma revoltada. – O que pretende afastando-me daqueles que amo? O que pretende vendo-me sem liberdade e infeliz? Ichigo irá voltar, e quando o fizer, vós ireis desaparecer desta casa e desta vila. Porque todos irão saber o quão injusto as suas ações são e Yamamoto irá o expulsar desta ilha.
Ulquiorra ficou olhando-a de forma calma. Sabia que mais cedo ou mais tarde ela iria acabar por agir dessa maneira rancorosa. Se questionando das coisas e se irritando com essas mesmas coisas. No entanto, não tinha intenções de mudar de ideias em relação ao que tinha em mente. Afasta-se de Orihime andando de volta para a porta.
– Não ouse tentar contrariar quem está no comando desta casa.
– Podeis estar no comando desta casa mas não estais no meu comando.
– Depois de tantos anos adormecida entre a vida e a morte, achais que alguém como Kurosaki Ichigo, membro da nobreza e todo galã, iria perder tempo em esperar uma mulher qualquer de classe média acordar enquanto tem muitas outras na fila?
– Quem pensais ser em dizer tais palavras acerca de Ichigo? -- Orihime mostra-se resignada com essas palavras que tanto a feriam.
– Além disso dever-me-ia agradecer porque estou evitando que algo pior possa acontecer…
– Não sabeis nada da minha vida e pensardes que é só chegar e acarretar decisões e dizer aquilo que vos passa pela cabeça? Pois bem, as coisas não são assim.
– Acredite… Enquanto estardes a dormir ele, com certeza, andou com prostitutas, e tentou achar uma donzela que fosse capaz de viver com ele.
Orihime não pensa duas vezes e corre bruscamente em direção ao homem o transmitindo um enorme tapa na face e fazendo o homem recuar um misero passo atrás. Orihime não estava consciente de suas ações apenas não tolerava tais palavras. Não aceitava que tratassem o seu amado como um simples pedaço de bosta que iria atrás de todas as raparigas da rua. Ela não queria permitir tal ato. Mas Ulquiorra, esse, permanece com a mesma posição. A marca que Orihime o havia deixado na face fazia contraste com a sua pele pálida. Esse sai do quarto e fecha a porta passando os seus dedos pela bochecha quando abandona o quarto da mãe de Ao e Orihime olha para a sua mão e coloca sobre o peito e sobre o coração acelerado. Vira-se de costas para a porta de saída e anda até a varanda uma outra vez e se senta na cadeira deixando-se ficar ali e a pensar o quão errado ou certo pedira ter ela agido.
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