—Eu não me lembro...—Eu gaguejava.

—Ah você ficou louquinha ontem hm.—Ele fazia isso pra me provocar ..

—Eu...

Ele logo se afasta, pega uns papéis e caminha em direção a porta.

—Espera!—Eu o fiz parar.—Aonde vai?

Ele me olha surpreso.

—Trabalhar hm.

Ao dizer isso, sinto um frio na barriga. Olho pro relógio e percebo que faltavam exatos vinte minutos para dar minha hora de bater cartão...

—Espera!—Eu grito.—Eu não posso sair assim!—Fiz um gesto pra blusa que usava.

—Não é meu problema hm.—Ele diz, tomando um copo de café.

—Poxa , você é mal.—Digo fazendo bico.

Ele suspira.

—O que quer que eu faça hm?

—Me deixa em casa...—Eu digo.

Sem mais diálogos, ele me dá as costas e sai resmungando coisas. Eu o segui , constrangida, afinal... eu só usava uma blusa grande! Entramos no elevador , foi terrível... pois todos me olhavam. Notando que estava muito encolhida , ele coloca seu casaco em minhas costas.

—Por quê você jogou suas malditas roupas pela janela hm?—Ele perguntou, quando saímos do elevador.

Eu não digo nada , ainda estava sem graça. Ele então coloca seu braço em minha volta e caminha tranquilamente até o carro. De repente , ele não parecia tão malvado assim.

...

—Eu moro aqui.—Digo apontando para uma rua.—Obrigada!—Concluo abrindo a porta.Mas não saio.

—Algum problema hm?—Ele perguntou.

—Se importa de me dar uma carona pro trabalho?—Pergunto, eu sabia que estava abusando da boa vontade dele , mas a vida é feita de favores , né?

Desci do carro, entrei em casa e mal troquei palavras com meus pais. Não dava, eu não tinha tempo, estava mega atrasada.

—Ino, onde você passou a noite?—Minha mãe exclamava como louca.

—Com um amigo!—Eu disse sem pensar. Mas que burra...

E que blazer é esse?—Ela continuava.—Espera, você disse que passou a noite com um cara?

—É quase isso.—Chegando no meu quarto, corro pro armário e pego minhas roupas.

—Filha! Você tem namorado...

—Eu sei! E nada aconteceu...

—E de quem é aquele carro?

—É do meu chefe!—Digo irritada, estava sendo massacrada de perguntas chatas.

—Você dormiu com seu chefe?!—Ela perguntou incrédula.—Inoichi, você ouviu isso?!

—Não, não e não!—Eu digo já perdendo a cabeça.—Ele só me deu uma carona.

—Filha, feche uma porta antes de abrir outra.—Ouvi ele dizer.

—Pai...!

—Inoichi, você concorda?

—Claro que não..

—Bah!—Eu digo saindo do quarto e caminhando até a porta.—Não tenho tempo de conversar agora, até mais!

—Ino!!!—Ouvi ela gritar.

...

Quando chegamos de carro, todos nos olhavam... fiquei vermelha. Ele por outro lado parecia não se importar.

—O-obrigada.—Eu digo.

—Hm.—Ele murmurou sem se quer me olhar.

Sem demora, corri pro jardim e comecei a cuidar dele. Francamente, não tem nem quarenta e oito horas que as plantei, e já estão cheias de matinhos em volta..

...

Tive que ficar uma hora a mais do meu horário, para cumprir a minha hora de atraso. Foi cansativo, mas cumpri com sucesso. Minha cabeça ainda doía, mas eu não tinha tempo para pensar nela...

—E pronto.—Eu digo, quando guardo meu material de trabalho no armário.—Hora de ir pra casa!

Eu caminho animada até a saída. Estava planejando me jogar no chuveiro e tomar um longo e merecido banho. Quando saí, notei que já estava escuro... devo admitir que aquelas ruas eram sinistras a noite.

Notei que Deidara caminhava distraído pro seu carro, como eu já havia abusado dos meus pedidos a ele hoje, resolvi fazer meu caminho e ir embora a pé. Mas isso não durou muito.

—Yamanaka hm.—ouço ele me chamar.

Sinto meu coração pulsar, será que ele iria me oferecer uma carona?

—Sim?—Pergunto me virando.

—Você não me devolveu a blusa hm.—Ele diz em tom de cansaço.

Não era a resposta que eu queria ouvir, admito..

—Ahn... amanhã eu devolvo... desculpa.—Eu digo sem graça.

Ele revira os olhos.

—Não vai me oferecer uma carona?—Pergunto.

—E por quê eu faria isso hm?

—Porque cavaleiros fazem isso!—Digo irritada.

—Ata , e por quê não chama o seu cavaleiro pra vim te buscar hm?—Ele enfatizou a palavra ‘seu’.

Bufo.

—O que foi ? Tem ciúmes do meu namorado? Você gosta de mim? Por acaso?—Eu o provoco.

—Não hm!—Ele responde.—Você é quem se jogou na minha cama ontem...

Sinto meu rosto esquentar, droga! Esqueci desse nosso detalhe. Sem demorar, eu fico na frente do carro dele.

—Mas o quê está fazendo hm?—Deidara pergunta.

Corro até a janela, estava quase cuspindo fogo.

—Nada disso aconteceu!—Eu tentava me conter.—Você está falando dessas coisas , só pra me deixar pra baixo...

—Não estou hm.—Ele lambe os lábios , de um jeito sexy.—Você estava incrível com aquele fio dental hm.

Não preciso mencionar, que fiquei vermelha como um tomate. Me afasto do carro e faço meu caminho pra casa. Eu nem se quer ousei olhar pra trás.

—Certeza que não quer a carona hm?—Pude ouvir.

—Seu depravado!—Resmungo.

...

Cheguei em casa , ainda nervosa com aquela conversa.

—Filha, temos que conversar..—Minha mãe disse.

—Ah não! Quero um banho primeiro!—Resmunguei caminhando em direção ao meu quarto.

—Não, isso pode esperar..—Eu podia ouvi-la.—Eu contei pro Sai sobre seu paradeiro ontem..

Eu paro na hora, ela fez o quê? Eu me viro e corro na sua direção.

—Você fez o quê?!—Exclamei.

—Falei com seu namorado.—Parecia que ela não havia entendido a gravidade daquilo, pois estava calma.

—Mãe... diz pra mim que é uma brincadeira...

—Ino, você dormiu com outro homem!—Ela diz ríspida.

—Mãe, foi um mal entendido...—Eu tentava achar as palavras certas.

—Então me explica!

—É que ontem eu tomei uns drinks a mais e... acabei ficando bêbada...

—E dormiu com seu chefe!—Ela concluiu , me interrompendo.

—Não!—Eu digo irritada, ela nunca me ouve..—Você está entendendo tudo errado...

—Eu só estou falando o que você não tem coragem!

Abro a boca para debater com ela, mas percebo que aquela discussão não levaria a nada. Eu lhe dou ás costas e vou direto pro banheiro. Tomo um banho relaxante, logo me visto e saio de casa. Precisava concertar a burrada que minha mãe fez.

Chegando na casa de Sai, toco a campainha frenética. Droga, eu precisava arrumar um telefone novo , para avisar que eu estava chegando...

Ele abre a porta e fica surpreso em me ver.

—Oi...—Eu digo tímida.

Ele tinha um semblante sério.

—Sobre o que minha mãe disse... –Eu queria encontrar as melhores palavras.—Não escut...

—Sinceramente , não penso nada sobre você Ino.—Ele cruza os braços.

—Como assim?

—Eu entendo e aceito que você é um garota bonita e cobiçada..—Parecia que estava cansado.—Que todos te querem.. mas, nunca pensei que fosse capaz de me trair.

—Eu não te trai!—Afirmei, devo admitir que aquelas palavras machucaram.

—Então explica por quê diabos você estava semi nua na casa de um cara ?!—Ele exclamou.

—É que eu estava com uns amigos, tomando uns drinks no bar e... eu exagerei...—Eu me enrolava nas palavras.—Dai ele me levou pra casa e...

—Tch! Vá se foder Ino.—Ele disse , batendo a porta na minha cara.

Fiquei sem chão. Ele nunca foi grosso comigo. Ele nunca me tratou dessa maneira...

—Sai?—Eu insisti , não iria deixar nosso relacionamento ir por água a baixo assim.—Eu posso explicar, nada aconteceu!

Eu batia mais forte, e ele não me respondia. Até que ouço as trancas das portas se mexerem. Me afasto e aguardo ansiosa para vê-lo. Aposto que agora ele está de cabeça fria...

—Vai pra casa!—Ele disse, me jogando um balde de água fria