No dia seguinte , chego no trabalho com cara de morta. Não tive forças nem para dar um bom dia para o porteiro, estava fraca. Em todos os sentidos.

Faço meu trabalho, com a cabeça nas nuvens... não conseguia deixar de pensar nas duras palavras dele.

—Ino?—Alguém me chamava.

Levanto a cabeça e vejo Konan.

—Sim?—Pergunto, pronta para o pior.

—Sei que chegou recentemente na empresa.—Ela tinha um pequeno envelope nas mãos... seria minha carta de demissão?—Mas todo ano, no feriado que vai ter nesse final de semana, nós da empresa viajamos para um passeio, e convidamos todos os funcionários...—Ela estende o envelope.—Se quiser ir, tá ai sua passagem de avião.

—Obrigada.—Eu tentei esboçar um sorriso.

Ela me analisava com cuidado.

—Aconteceu algo ?—Ela perguntou.

—Nada, só ... uma enxaqueca brava.—Respondo qualquer coisa que veio em minha mente.

—Quer um remédio?—Perguntou.

—Já tomei.—Menti.

—Então descansa um pouco.—Ela sugeriu.

Largo minhas ferramentas e me recosto num banco. Fiquei observando aquele lindo céu azul por muitos minutos.. perdi a noção do tempo.

Eu não iria chorar, afinal eu não fiz nada de errado. Espero...

-Yamanaka hm.—Ouvi alguém me chamar, era Deidara.

Eu não o respondo , apenas encaro minhas mãos.

—Está bem hm?—ele perguntou.

—É...—Respondi seca.

Ele não fica ali muito tempo, estava trabalhando.

...

Devo admitir que fazer ás malas me fez ficar menos chateada. Eu precisava esquecer um pouco daquilo.

Contei só para meu pai que estava indo passar um final de semana fora, não estava conversando com minha mãe então...

—Boa viagem.—Meu pai disse me dando um beijo na testa.—E ... que tal na volta , dialogar com sua mãe?

—Obrigada. E ... vou pensar no assunto.

Eu logo sai de casa, para ela não acordar. Corri até um ponto de Táxi e fui ao aeroporto. Lá , eu me encontro com o pessoal do trabalho.

—Oi.—Eu digo tímida.

Depois de cumprimentar todos, resolvi pegar a fila pro embarque. Chegando lá, por ironia do destino , me sento do lado de Deidara.

—Só pode ser piada.—Eu digo perplexa.

Ele não responde, apenas volta sua atenção pro celular. Sem rodeios, me sento ao seu lado e fico observando a paisagem da janela distraída.

—Você está quieta hm.—Ele disse, quebrando o silêncio.

Eu não respondo.

—Bom... só espero que não dê aquela crise de pânico de novo hm.

Novamente, eu não respondo.

—E que esteja com uma roupa confortável hm..

Me viro , pronta para lhe dar um sermão, mas ás palavras não saem da minha boca. Em vez de palavras, lágrimas saem do meu rosto. Isso foi totalmente involuntário pois eu não queria chorar... eu não fiz nada de errado para chorar. Mas a culpa, de ter acordado na cama dele me corroía..

—Loira hm?—Ele diz , assustado.

Viro meu rosto pra janela e tento parar de chorar. Mas não conseguia.

—Você está bem hm?—Ele coloca uma mão no meu ombro.—Eu disse algo errado hm?

Chorei por mais dez minutos, antes de parar por completo. Respirei fundo.

—Eu levei um balde de água fria.—Digo entre soluços.

Ele ficou sem entender.

—Do Sai... a uns dias atrás.—Digo por fim, segurando para não chorar de novo.

—Hum? Por quê hm?—Ele parecia nervoso.—O que aquele esquisito fez hm?

Novamente, respiro fundo.

—Deidara, a gente não fez nada, né?—Perguntei um pouco sem graça.

Ele pisca várias vezes, e se recosta na poltrona.

—Aquele babaca terminou com você por causa disso hm.—Não parecia uma pergunta.

—A gente...?

Ele me olha irônico.

—O que você acha hm?

Fico pensativa, definitivamente não sabia como reagir. Então ele se aproxima do meu rosto , me deixando vermelha.

—Você acha mesmo que um cara como eu, ficaria com alguém como você hm?—Ele perguntou.

Definitivamente não era o que esperava ouvir.

-Eu...

—Além do mais..—Ele fecha os olhos e cruza os braços.—Eu não fico com a mulher dos outros hm.

Então não rolou nada entre a gente naquele dia. Fiquei aliviada.... e um tanto quanto triste, lá no fundo.

—Bem , teria evitado esse meu choro se tivesse me dito que não rolou nada !—Eu digo secando minhas lágrimas, que alívio.

—Tchs.—Ele resmungou.

—Teria evitado uma conversa desconfortável entre meus pais!—Agora eu estava brava.—E de ter levado um banho de água fria...

—Você realmente levou água na cara hm?—Ele perguntou sério.

Eu não respondo, apenas viro meu rosto pra janela. Parecia que finalmente o avião ia decolar.

Sinto que ele se aproximou do meu ouvido.

—É bom eu não ver aquele esquisito de novo hm.

Uma onda de calor me invade.

—Por quê.... por quê está me dizendo isso se... você diz que não se interessa por alguém como eu?

Sinto que ele voltou a se recostar na poltrona.

—Porque não me interesso hm. Mas não gosto de saber que foi tratada assim hm, chantageada ...

Viro meu rosto pra ele.

—Mas você me chantageou algumas vezes.—Eu o lembro.

—Comigo foi diferente hm.—Ele se defende.

Eu apenas o encaro, irritada.

—Olha, eu não preciso de sua ajuda no meu relacionamento ! Você já fez o bastante...

Ele ficou surpreso com minha ‘agressividade’. Apenas concorda com a cabeça.

Não conversamos mais durante a viajem , e para minha sorte , naquele voo não houve turbulências. Chegamos numa linda pousada , numa pequena ilha ao sul do Japão. Nunca estive aqui, era tão paradisíaco... coisa de gente rica.

—Vamos pegar as chaves do nosso quarto.—Konan disse , colocando sua mochila nas costas.

Todos concordamos, peguei a chave do meu quarto.

—Vamos para a praia daqui a pouco, você vem?—Ela perguntou pra mim.

—Sim.—Digo animada, afinal ... fazia anos que eu não entrava no mar.

Entrei no quarto , e fui direto me trocar. Coloquei meu Biquíni verde e fico me observando no espelho. Numa hora estava bem e noutra não mais... ás palavras de Sai martelavam minha cabeça.

Você é bonita e cobiçada... e todos te querem... mas não sabia que era capaz de trair..

Grrr , eu não o trai ! Eu não sou tão bonita assim e nem cobiçada! Deidara me rejeitou...

Balanço a cabeça, para espantar essas palavras. Pego uma bolsa , que tinha uma toalha de banho e uns produtos para o corpo e saio do quarto.

Caminho com Konan e outras meninas até umas cadeiras.

—Não sei vocês.—Ela tira a saída de praia que usava.—Mas eu vou entrar no mar.—E caminha.

As outras fazem o mesmo. Eu por outro lado, apenas tiro minha saída de praia e caminho distraída pela areia. Observava aquelas belíssimas ondas distraída.

—Loira!—Ouço alguém me chamar.