Dois homens e duas garrafas de uísque, o que mais poderia acontecer? Ele se inclinou em direção do amigo e colou seus lábios com os deles. Logo ele já havia caído, em conseqüência do empurrão que o outro lhe dera.

O rapaz olhava para ele, assombrado, mas antes que qualquer pedido de desculpas pudesse ser dito, ele havia fugido correndo.

---

Não era como se ele se arrependesse, não se arrependia... Não era como se não quisesse, queria muito, mas a reação do ‘amigo’ já era esperada, por isso ocultara por tanto tempo... Havia sido um erro se deixar levar pela bebida, havia acordado naquela manhã com dor de cabeça, sem lembrar de muita coisa, mas se lembrava perfeitamente do que havia feito.

Agora ele estava no hospital, seu amigo o havia evitado o dia todo, não atendia o telefone, não respondia as mensagens e já havia saído quando ele havia ido procurar em sua casa e oferecer carona para o trabalho. Mas no hospital ele não podia fugir, havia se esforçado demais para conseguir aquele emprego na ala pediátrica e não podia decepcionar ninguém, fugindo.

Ele colocou a mão no bolso da calça, confirmando se o papel e o anel ainda estavam lá... Havia escrito uma carta, um pedido de desculpas contando toda a verdade, entregaria se o rapaz não o deixasse falar, e não sabia exatamente o porquê de ter gravado um ‘Eu Te Amo’ na parte interna de um anel para dar para ele, mas preferia pensar que era apenas para completar o pedido de desculpas.

Entrou no hospital e seguiu direto até a ala pediátrica, sim, ele estava lá, conversando com outros dois médicos, ele ergueu o olhar e viu o outro parado o encarando, perto da escada, voltou a conversar com os médicos.

- Preciso falar com você – ele se aproximou e tocou o ombro do outro

- Não, não tem – o outro disse, friamente, mas sem conseguir ocultar a confusão em seus olhos

- Ser pediatra anda afetando seu cérebro? – ele perguntou – É claro que eu tenho que falar com você, idiota

- Olha, cara – um dos outros médicos entrou na discussão – Se ele não quer falar com você, é melhor você deixar ele em paz

- Não se mete, o assunto não tem a ver com você – ele devolveu, o sofrimento em seus olhos lentamente se transformando em raiva

- Não fale assim com eles, eles são meus amigos – o outro disse, trincando os dentes

- SEUS AMIGOS, CERTO? – ele gritou, havia passado do limite de sua paciência – ATÉ ONTEM VOCÊ DIZIA A MESMA COISA DE MIM!

Ele viu o outro congelar, a boca entreaberta como se fosse dizer algo, os olhos arregalados... Mas foi só, pois logo após dizer aquilo ele correu, descendo as escadas, procurando a saída do hospital, não queria que vissem ele chorando, desde quando era tão sentimental? Mas não conseguiu impedir uma pequena lágrima de fugir de sua prisão e deslizar por seu rosto.

Ele saiu do hospital e ouviu gritarem seu nome, ele se virou, era seu ‘amigo’, que corria atrás dele, ele levou a mão ao bolso da calça, sentindo o metal frio do anel, puxou o papel e o anel para entregar ao rapaz antes de ir embora...

O som de uma buzina, a dor de um impacto forte demais, um grito... E tudo ficou escuro.

---

Ele havia corrido atrás do amigo, só então percebendo o nível da idiotice que havia feito, viu ele sair do hospital e gritou seu nome, ele se virou e tocou o bolso da calça, como se procurasse algo... E então o caminhão veio, ele não pode evitar o segundo grito ao ver o caminhão se chocar com seu melhor amigo.

Ele correu e se ajoelhou ao lado do rapaz, agora caído no chão com uma poça de sangue do lado. Ele segurava um pedaço de papel e um anel com uma das mãos. O outro colocou o anel no dedo e pegou o papel, finalmente liberando algumas lágrimas enquanto estava lendo

“ Se você está lendo essa carta, significa que eu não pude eu mesmo fazer esse pedido de desculpas... Eu sinto muito pelo que aconteceu, não que eu não quisesse, eu queria muito e a muito tempo, mas eu apenas respeitava o seu espaço, acho até que posso dizer que te conhecia melhor do que qualquer um e sabia que você não aceitaria e eu acabaria perdendo sua amizade... Aparentemente foi o que aconteceu... Espero que algum dia você possa me perdoar...”

Notas finais
--- eeeee... cabou :B quem teve paciência de ler até aqui, obrigads '-' ahm... Reviews? *---*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!