Can I help you?
2 II - Trabalho
Notas iniciais
Uma nova semana começou. Hinata acordou bem cedo e deixou tudo preparado para iniciar o novo emprego, fez um pequeno lanche para levar e arrumou a bolsa com todo o material necessário. Assim que terminou, tomou banho e vestiu sua roupa típica de trabalho, uma calça preta social, uma blusa rosa-bebê de alças finas e um blazer preto, optou por sapatilhas da mesma cor da blusa e usou poucos acessórios, somente um par de brincos discretos e o cordão que ganhou de sua mãe quando era criança. Estava com seu típico óculos redondo, que usava somente para leitura, pendurado em sua blusa.
– Pronto, vamos nessa Hinata, você vai conseguir! — A Hyuuga saiu de casa rumo ao metrô e uma hora depois estava em frente ao enorme Colégio Konoha.
Ela foi primeiro à sala de Tsunade conferir se a ementa das turmas estavam nos conformes e logo depois foi para a primeira sala que lecionaria.
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O primeiro turno havia terminado, as turmas de ensino médio não mostraram ser trabalhosas e todos estavam empenhados, foi bem recepcionada e pôde perder um pouco do nervosismo que estava sentindo desde que acordara. Durante o almoço, ela resolveu ir ao refeitório, escolheu uma mesa um pouco isolada e seguiu tranquilamente, mas uma pessoa se aproximou.
– Olá, posso me juntar a você? — Perguntou a pessoa.
– Ah, c-claro, fique a vontade! — Hinata sorriu para a pessoa, e acabou encontrando uma moça de cabelos vermelho bem vivo.
– Obrigada. — A mulher sorriu abertamente.– Sou Karin Uzumaki, uma das professoras de biologia.
– Olá, sou Hinata Hyuuga, professora de história.
– Oh sim, a professora recém-chegada, espero que dê tudo certo para você. — A ruiva sorriu transmitindo tranquilidade para a morena.
– Muito obrigada, ainda estou um pouco nervosa, eu estagiei com crianças pequenas, dar aula para alunos de sete até dezoito anos é um novo desafio.
– Não se preocupe você irá acostumar. Eu só dou aula para o ensino médio e vez ou outra substituo no ensino fundamental. Já vou te dando uma dica, de acordo com os outros colegas de trabalho, o 6° ano é o mais trabalhoso. São uns pirralhos arrogantes e acham que são donos do mundo, hunf. — Hinata riu com a fala da Uzumaki. Ela gostou da moça, simpática e engraçada.
– E a próxima turma que darei aula é justamente lá.
– Não deixe que eles te dominem, seja bem firme. A maioria dos alunos me acham chata porque sou bem durona com eles, não dou folga mesmo.
Hinata e Karin continuaram conversando até acabar o horário, trocaram número de telefone e a Hyuuga recebeu muitas dicas e informações sobre o Colégio Konoha.
– Até logo, Uzumaki-san! Vemos-nos por aí.
– Ora, pode me chamar só de Karin. — Ela riu abertamente outra vez.– Até logo, Hinata! - Karin acenou e foi para a sua sala de trabalho.
A Hyuuga terminou o almoço e a conversa, escovou os dentes e descansou um pouco. Quando o relógio marcou 14h00min, ela foi em direção ao temido 6° ano. Na sala só tinham três alunos, uma menina e dois meninos, aos poucos os alunos foram chegando, Hinata calculou que a maioria deveria ter entre oito e dez anos de idade.
– Bom dia turma! — Hinata falou, mas pelo visto todos ignoraram e ficaram fazendo outras coisas.– Sou a nova professora de história de vocês, meu nome é Hinata. Espero que tenhamos um ótimo ano. - A morena sorriu de forma amável, mas poucos estavam prestando atenção.– E-Eu gostaria de saber o nome de vocês primeiro e depois quais seus planos para o futuro.
– Como se você fosse lembrar o nome de todo mundo aqui. — Falou uma menina que mascava chiclete de forma exagerada no fundo da sala.
– Pode não parecer, mas tenho uma ótima memória. — Hinata colocou as mãos na cintura, algumas crianças riram.– Vou começar pela fileira do canto direito. Pode começar, por favor?
Hinata foi gravando o nome e rosto de cada um, até que chegou ao último menino da sala. Ele era o menor em relação a toda turma, tinha os cabelos negros como a noite, olhos castanhos beirando o preto e com alguns traços avermelhados. Sua expressão era séria e de puro desprezo, parecia ser bem isolado. “Não vou pressioná-lo, ele parece uma criança bem fechada e que não dá a mínima para nada”, pensou Hinata.
– Você poderia falar seu nome? Seria o suficiente para mim.
– Yuuta. — Ele respondeu friamente.
– Tudo bem, obrigada. — E mais uma vez ela sorriu.– Alguma pergunta? — Um menino do meio da sala levantou a mão.– Sim?
– Seus olhos são estranhos, o que aconteceu? — Bom, ela já esperava uma pergunta desse tipo, afinal, todo mundo perguntava dos seus estranhos olhos lilases.
– É uma falha genética, todos na minha família são assim. Uma hora você acostuma. Alguma outra pergunta? — Ninguém disse nada.– Bom, então vamos começar a aula.
Hinata começou a passar o início da matéria tranquilamente, mas com pouco menos de vinte minutos a sala já estava conversando em uma altura inacreditável, por mais que ela mandasse todos fazerem silêncio e copiar o que estava no quadro era quase impossível. Crianças mexendo no celular, crianças andando de um lado para outro, realmente era uma turminha bem bagunceira. Porém, a Hyuuga continuaria firme e forte.
O sinal tocou, sua aula havia terminado, conseguiu fazer o planejado e saiu até que satisfeita, ela conseguiria manter tudo sobre controle... ou não.
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Passados dois meses de aula ela já estava bem cansada e os alunos não ajudavam em nada. Agora ela entendeu porque ninguém se candidatou para lecionar nessa turma, professores passados deveriam ter saído de lá e avisaram o quão complicada era a situação no colégio de meninos mimados. Os alunos mexiam no celular sem o mínimo de vergonha, davam respostas malcriadas, saiam da sala sem pedir permissão, era realmente inacreditável.
Hinata achava aquilo realmente estranho, pois sua família sempre foi muito rica, mas o patriarca fazia questão de dar uma boa educação e fazia com que tudo fosse conquistado com muito esforço. Os tempos eram outros, as coisas mudaram muito em tão pouco tempo.
Mais uma aula havia terminado, Hinata entregaria o relatório do dia para Shizune, a secretária de Tsunade que ficava na recepção. Logo começariam as primeiras provas e ela já previa que não teria bons resultados na turma de 6º ano, ninguém fazia as tarefas de sala ou os exercícios de casa, era realmente frustrante. “História é uma matéria divertida”, pensou a morena, “tenho que dar um jeito de se envolverem com a matéria”, continuou em devaneios. Até que, atravessando o grande pátio do Colégio Konoha, ela viu uma grande movimentação num canto bem afastado.
Quando foi possível ver dentro da rodinha o que acontecia ela colocou os materiais em um banco e correu até a confusão. Afastou todas as outras crianças e mandou que fossem embora antes que chamasse a diretora, um menino mais velho sem perceber que a professora estava lá, continuou batendo no menino mais novo que caiu no chão, mas que foi sagaz o suficiente para dar uma rasteira no oponente.
– Chega! — Hinata deu um grito, ato este que fez os dois meninos se assustarem e um deles conseguiu fugir, o outro tentou correr, mas acabou caindo e machucando mais ainda.
A professora tentou correr atrás do que fugiu, mas o menino foi mais rápido, vendo que não conseguiria alcançar desistiu e foi até o outro caído no chão. Quando ela colocou a mão no ombro da criança, recebeu um empurrão na mão e um olhar de ódio, muito parecido com um olhar já recebido anos atrás.
– Sai daqui. — Falou a criança.
– Yuuta? O que aconteceu?
– Não te interessa. — A voz trêmula e um pouco fina saiu alta o suficiente para causar um espanto na professora. Ela viu que o queixo, o joelho, a bochecha, os cotovelos e a boca estavam machucados e que deveriam ser tratados logo.
– Vamos para a enfermaria. — Ela falou no tom normal.
– Não, me deixa!
– Vamos para a enfermaria. — Ela repetiu, no mesmo tom calmo.
– Eu já disse que não! Mulher chata.
– Eu não fiz uma pergunta, deveria prestar mais atenção nas aulas de japonês. – Hinata segurou no braço da criança e o levantou. Ele era leve, estaria desnutrido ou algo do tipo?
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