Can I Have This Dance?
9 It's Enough To Surprise You?
Notas iniciais
POV Stefan
Ah, como é doce seu beijo. Eu a quero. Porém precisava deixá-la ir. Senão não conseguiria fazer planos, muito menos executá-los. Ela disse que não é minha namorada porque eu ainda não pedi. É isso que ela quer de mim? É isso que eu vou dar a ela. Vou até o meu quarto, sento-me à pequena mesa e, apesar da hora, espalho algumas folhas em branco sobre ela. Para começar: vamos esboçar. Pego a primeira folha e começo a escrever ‘etapas’ para um possível pedido. Rebekah merece que seja diferente e especial.
1º Encomendar flores.
2º Planejar uma surpresa.
3º Ligar para alguns amigos pedindo ajuda.
Fui listando passos em várias listas diferentes. Quando parei para analisar meu trabalho, notei que cada lista continha uma ‘etapa’ muito boa. Juntei-as numa única lista, a qual intitulei ‘Pedido Oficial’. Ela que me aguarde. Aposto como ninguém nunca fez algo igual ou parecido por ela.
Na manhã seguinte, pego o celular e mando mensagens pedindo ajuda aos meus amigos mais próximos. Com certeza as meninas vão me ajudar a caprichar, e os meninos vão ajudar na ‘mão-de-obra’. A maior parte deles me responde dizendo que aceitam vir para me ajudar. Combino o horário com todos. Os outros se desculparam e disseram que infelizmente estariam ocupados. Já tinha a ajuda, agora precisava do material para o trabalho ‘sujo’. Decidi não ir à escola. Preciso organizar tudo agora pela manhã. Vou até o comércio no centro da cidade e entro em algumas lojas para comprar o necessário: enfeites, ingredientes, bebidas e descartáveis.
–Vai dar um jantar importante, hein, rapaz! – disse-me a vendedora do pequeno mercado diante de tantos ingredientes.
–Eu vou pedir alguém em...
–Casamento?! Mas você é tão jovem! Tem toda uma vida pela frente. – exclamou espantada.
–Não, em namoro. – disse rindo. – Mas quero que seja especial. Acho que ela sempre foi muito sozinha, e ninguém nunca fez isso por ela, antes dela vir morar aqui.
–Ah, é aquela menina loira, a que se mudou recentemente?
–Sim, essa. Linda, não?
–Sim, ela é. Meus parabéns.
–Obrigado.
Peguei as sacolas de compras e pus no carro que pegara emprestado com um amigo que, diante das circunstâncias, não se incomodou em emprestar-me.
–Agora preciso arrumar a casa. – penso alto, sem me importar com quem possa estar ouvindo.
Chegando a casa, ponho as compras no balcão da cozinha e concentro-me em dar ordem à bagunça que Peter deixou por aí. Acabo duas horas depois. São onze e quarenta e cinco da manhã agora. A aula do período da manhã está quase no fim. E no horário do almoço eles virão me ajudar a preparar tudo. Por sorte, os que vêm são de várias turmas distintas, não chamando, assim, a atenção de nenhum professor por eles estarem matando aula. É por um bom, aliás, por um excelente motivo. Meu celular sinaliza uma nova mensagem.
*Por que você não está na escola? Se minha companhia o tornar um irresponsável, me afastarei de você.*
A mensagem chegou há cinco minutos. Opto por respondê-la, evitando causar sua preocupação, o que a traria diretamente aqui. E eu pretendo que ela só venha à noite.
*Estou em casa. Não precisa se preocupar. Apenas perdi a hora. Amanhã recuperarei o dia.*
Espero sinceramente que isso a tranquilize. Nada pode dar errado. São, no total, vinte amigos. Eles chegam meia hora após eu terminar de arrumar a casa. As nove meninas, sempre objetivas, logo se dividem: três prepararão os petiscos e aperitivos e as outras três dividem o grupo de doze meninos em quatro grupos de três rapazes para ajudar a carregar o material de decoração. Os grupos de decoração enfeitam a varanda, a sala de estar, a sala de jantar e o quintal. Fico supervisionando os trabalhos aqui e ali de vez em quando para que tudo esteja do jeito que eu planejei.
Conforme o trabalho vai terminando, meus amigos vão indo para suas respectivas casas se arrumarem. Teremos uma festa, afinal. A comida, a bebida, a decoração e a música, tudo está perfeito. As meninas fizeram um trabalho incrível. Tenho de avisar à Rebekah que ela deve se arrumar antes de vir.
*Bekah, pensei em irmos jantar fora hoje. É por minha conta, mas antes de vir me encontrar, que tal passar na sua casa e ficar ainda mais linda? Bj, Tef.
PS: passe aqui às 20h00min, ok?*
*Se é assim, tudo certo. Passo aí às 20h00min. Quero te ver bem bonito, viu?*
Sorrio ao ler a mensagem. Pode esperar meu amor. Por você, tudo. Vou até o meu quarto para começar a me arrumar. Ao entrar lá, algo me passa pela cabeça. Desde que Rebekah veio aqui ontem, não fui perturbado por Peter. O que será que ele tem? Como não tenho muito tempo para bobagens, abandono o pensamento e vou até o armário separar algo para vestir. Escolho a minha melhor roupa e vou tomar banho.
Levo menos tempo do que imaginei para me arrumar. A campainha toca. Deve ser a galera começando a chegar. Ao abrir a porta, encontro Pam aos beijos com Kevin, um dos meninos do time de futebol.
–Oi, Stefan. Voltei e trouxe meu acompanhante, tem problema?
–Por mim, tudo bem. Sintam-se à vontade. E Pam, obrigada por toda a ajuda. Tudo está incrível.
–Que isso, Stefan. Não foi nada. Conte sempre comigo. Acho que vou me tornar organizadora de festas no futuro. Já tenho até um slogan: ‘Tem festa? É só chamar! Pam Festas.’ Não é lindo? – notei que Kevin e eu segurávamo-nos para não rir.
–Ér... Entrem e se acomodem, tem mais gente chegando.
Comecei uma maratona. Andava por todo lado perguntando aos convidados se estavam confortáveis ou se precisavam de alguma coisa. Até que ao soar da campainha, eu congelo.
–É ela! – alguém sussurra.
–Vão todos vocês até o canto da sala, o mais longe possível. Vou abrir a porta.
Ando até a porta contando mentalmente cada inspirar e expirar no curto caminho. Dou uma última olhada para trás, e ao receber a confirmação e o apoio de meus amigos, apago a luz e abro a porta.
–Oi, Tef. Sei que cheguei um pouco mais cedo, mas...
–SURPRESA! – gritamos em uníssono, no mesmo momento que eu acendi a luz, revelando o grupo atrás de mim e toda a decoração da festa.
–Uau, o que é tudo isso?
–É uma festa. Pra nós dois.
–Quem está comemorando o quê? – sussurra ela um pouco confusa e desconfiada perto do meu ouvido enquanto nos abraçamos.
–Ninguém, ainda. Mas essa nossa festa tem um propósito.
–E qual seria esse?
Minha deixa. Ali, na minha casa, frente a frente com a garota mais incrível do mundo, tomo coragem, respiro fundo e começo a falar:
–Rebekah, desde que você chegou, eu fiquei impressionado com tamanha beleza e delicadeza. Desde o primeiro momento em que falei com você, não consigo tirá-la da cabeça. Durmo e acordo pensando em ti. E tudo isso – gesticulo ao redor da sala, mencionando a festa – é uma comemoração para este momento. Você quer namorar comigo?
Wow! As palavras fluíram sem que eu gaguejasse ou me enrolasse em um momento sequer. Fiquei impressionado com a capacidade que eu tive de me mostrar relativamente calmo e de ser claro e direto no meu objetivo. Peguei sua mão e a apertei suavemente enquanto ela deliberava, para meu nervosismo, muito silenciosamente. Toda essa quietude estava acabando comigo, me deixando uma pilha de nervos. Responda logo, Bekah! Ninguém aqui quer me ver desmaiando de nervoso. Querem simplesmente saber a sua resposta.’ Quando finalmente pareceu que ela diria alguma coisa, fiquei ainda mais nervoso. Tinha claramente muito medo de receber um não como resposta. Sua boca abria e fechava sem emitir som algum, me deixando ainda mais tenso. Porém, um pensamento me ocorreu, estampando um sorriso no meu rosto. Há! Eu tinha razão. Ninguém nunca fez nada assim por ela antes. Deixei-a sem palavras. Vitória, Stefan. Por fim ela consegue dizer:
–Stefan, eu realmente não sei o que dizer... Isso tudo está lindo, todo o trabalho que deve ter dado... Mas ficou incrível. E tudo isso foi por mim. Nunca antes alguém fez algo assim pra mim. Obrigada. – ela me surpreende, abraçando-me com tanta força que parece que me falta ar.
–Hã... Bekah... Não... Consigo... Respirar... – ela me solta, assustada e preocupada. Sorrio, indicando que tudo está bem.
–Desculpe-me. – pede ela, um tanto envergonhada.
–E então, quanto a minha pergunta?
–Não sei o que dizer. Ainda não consegui absorver toda essa informação.
–Que tal ‘sim’? – gritou um de meus amigos que se escondeu no meio do grupo para não ser facilmente reconhecido. Sua sugestão fez com que explodíssemos em gargalhadas, aliviando um pouco da tensão palpável formada na sala.
–Sem pressão. – disse apenas movendo os lábios para que somente Rebekah entendesse.
–Eu aceito! Sim, sim, sim! – e ao ouvir a resposta dela todos na sala puseram-se a ovacionar e aplaudir. Bradavam ‘É isso aí, Stefan!’ ou ‘Parabéns, casal!’.
Abraço minha agora namorada para um beijo apaixonado.
–Então, pessoal... Música, comida, bebida?! A noite acabou de começar.
Pego a mão de Rebekah, puxando-a e vou até a escada, subindo tão discretamente quanto possível.
–Há algo que eu gostaria de lhe dar.
–E o que seria?
–Espere e você vai saber.
Chegando ao quarto, solto sua mão e vou até a minha cômoda pegar a caixinha que guardei ali para este momento. Se Peter não a pegou, ela deve estar exatamente... Aqui!
–Feche seus olhos e estenda uma de suas mãos. – ponho a pequena caixa aveludada em sua mão estendida. – Agora já pode abri-los.
–O que tem aqui? – pergunta ela sacudindo a caixinha.
–Por que você não a abre? – respondo e assisto-a abrir.
–Ah, Stefan, é lindo! Quer pôr ou eu o faço?
–Dê-me a honra.
Fale com o autor