Canções de Westeros
8 Egoísmo
Notas iniciais
"Egoísmo"
Porto Real
Joffrey
Sua. Ela era sua.
O sangue que escorria pelo peito da prostituta lembrava-lhe os cabelos de Sansa. Vermelho vivo. Vermelho sangue. Sangue de traidora.
Os olhos sem vida haviam sido azuis, mas não como os dela, nunca como os dela. Sempre que o via os olhos de Sansa vibravam com fúria contida e medo.
A sua mãe não entendia a obsessão que tinha pela jovem loba e até mesmo ele era incapaz de explicar. Quando estava perto dela queria arrancar o maldito sorriso que lhe iluminava o rosto para que mais ninguém o visse. Queria humilhá-la ao ponto de fazê-la chorar e acabar com a sua inocência, simplesmente porque podia.
E agora o seu tio tentava impedi-lo. Maldito. Maldito Tyrion. Repudiava o facto de ele ser da sua família. Se o duende achava que teria o que era seu, estava enganado. Sorrindo, chamou os guardas para que se livrassem do corpo e caminhou a passos largos até ao quarto de Sansa, abrindo a porta sem se importar em bater.
Sansa estava de costas e uma aia ajudava a apertar os botões nas costas. Assustada, a pobre aia largou imediatamente o vestido sem acabar de apertá-lo, saindo imediatamente sob o olhar dele. A ruiva permaneceu imóvel, virada de costas para ele, respirando com dificuldade e, talvez nervosismo.
Aproximou-se, tocando-lhe nas costas desnudas e percorrendo-lhe a espinha. Ela estremeceu com o toque e ele sorriu, satisfeito – Ora, pergunto-me se o meu tio já fez o seu dever como marido.
– Sim, meu senhor – Ela respondeu, rapidamente demais para ser verdade.
Joffrey rodou-a para si, sorrindo – Mentirosa. Nunca lhe disseram que é feio mentir lady Sansa?
Ela engoliu em seco, sorrindo entredentes – Perdão, meu senhor, não era a minha intenção.
– Claro que não era – Respondeu, descendo as alças do vestido e vendo-o deslizar até ao chão.
Sansa encarou-o, com grandes olhos azuis, repletos de medo e surpresa. Joffrey observou-a de cima a baixo. Primeiro, os peitos médios, subindo e descendo á medida que ela respirava rapidamente, depois, a barriga lisa e por fim o segredo ruivo que tinha entre as pernas torneadas. Passou a língua pelos lábios, sorrindo de seguia, e agarrando-a pelo braço antes de arrastá-la até á cama.
Atirou-a com certa violência para cima dos lençóis – Nem pense em gritar, milady – Disse, enquanto desapertava o cinto e retirava a camisa. Sansa mordia os lábios com força, e ele pensou ter visto até sinais de que sangravam.
Puxou-a para si, beijando-a e sentindo o gosto metálico do sangue. Quando ela não correspondeu, bateu-lhe, gritando furioso que o beijasse de volta. Temerosa, a ruiva retribuiu o beijo, um pouco incerta, até que a porta do quarto abriu bruscamente e Tyrion Lannister entrou seguido de seus guardas.
– Fora, antes que eu seja forçado a chamar a Mão – O seu tio disse, num tom controlado. Joffrey riu, levantando-se da cama e pegando a camisa do chão, enquanto Sansa se encolhia e puxava os lençóis para si, começando a chorar silenciosamente.
– Só fazia o meu dever como rei – Disse, sorrindo de lado e vendo o resto do seu tio ficar vermelho de raiva. Aproximou-se, antes de sair, e abaixou-se de forma a que apenas Tyrion o pudesse ouvir – Se o senhor meu avô ficar a saber de alguma coisa, haverá consequências anão. Sansa é o meu brinquedo.
Saiu, caminhando a passos largos até á sala do trono enquanto pensava no quão doce a pequena traidora era e sonhando com o quão doce seria vê-la sofrer nas suas mãos.
Sua, só sua. Era egoísta a esse ponto.
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