Notas iniciais
Como são capitulos bastante pequenos, decidi colocar o segundo aqui :) Talvez coloque o terceiro e quarto dentro dos próximos dias, tenho a dizer que são uns 30. Pode ser confuso, mas lembrem-se que são one-shots, e os capitulos são completamente aliatórios quanto ao tempo em que se passam.

"Arrependimento"

Porto Real

Sansa



Naquela manhã Joffrey, não, o Rei Joffrey, ordenou que o acompanhasse num passeio de liteira pela cidade, afinal, estavam noivos e Sansa não passava de mais um objeto da sua posse para ele mostrar. O problema é que aquilo dificilmente podia ser chamado de passeio. Os seus passeios costumavam ser alegres, com paisagens que a maravilhavam, e conversas animadas. Mas Porto Real fedia numa mistura de esterco, suor e sangue. Fedia a mentiras, a putas e a bêbedos. Sentia-se enojada e segurava-se o máximo que podia para não vomitar. O seu desconforto parecia divertir o Rei, afinal, este sorria de uma maneira que lhe causava arrepios, e poucas palavras tinham sido trocadas entre ambos.

Por momentos, a memória da cabeça do seu pai na estaca assombrou-a. Naquele dia, Joffrey sorria da mesma maneira. Enjoada demais, pediu que parassem e vomitou para o meio da rua. Alguém que passava do lado de fora reclamou, mas Sansa ignorou o comentário insultuoso acerca de si e voltou a esconder-se no interior. Limpou a boca á manga do vestido e encarou os olhos gelados do Rei.

– Indisposta, minha Lady? – Sansa quis arrancar o ar zombeiro do seu rosto com as próprias unhas, mas, controlando-se, forçou um sorriso. Era uma boa menina, e lembrava-se sempre da boa educação.

– Melhor agora, meu senhor.

– Ótimo, agora, talvez possamos voltar a falar sobre o lugar em que irei colocar a cabeça do vosso irmão quando vos a oferecer, afinal, traidores merecem ter o seu mérito na estaca.

A memória ainda fresca dos maus tratos sofridos ás mãos de Sor Meryn impediram-na de voltar a dar a mesma resposta atrevida, invés disso, permaneceu calada e observou Joffrey perder o sorriso presunçoso – Não vai responder-me? – a irritação dele era visível, e isso quase a fez sorrir. Quase.

A vontade de Sansa era cuspir-lhe na cara. Dizer-lhe o porco que ele era e que nunca iria ter filhos dele, pois seriam monstros. Queria dizer-lhe que nunca iria amar crianças que nascessem com o mesmo sangue bastardo que lhe corria nas veias, pois Sansa conhecia os rumores e desconfiava que fosse por ter descoberto a verdade que o seu pai tinha sido morto. Agora, arrependia-se de ter sido tola e voado para Cersei como o passarinho tonto que era. Tinha traído a própria família, e a única pessoa a quem queria pedir desculpas, tinha perdido a cabeça graças a ela.

Sorriu amargamente.

– Perdoe-me meu senhor, mas não sei o que lhe dizer. Creio que decidirá o melhor lugar para colocar a cabeça do meu irmão traidor – ou ele decidirá onde colocar a vossa. Mordeu a língua, impedindo-se de o dizer em voz alta, e sentiu o sabor do sangue. Sabe a ferro. Joffrey sorriu, satisfeito com a resposta e não lhe voltou a dirigir a palavra no caminho de volta ao castelo.

Notas finais
Espero que gostem, não se esqueçam de comentar :) O próximo será Bondade.