Canção do Infinito

16 Atuar/ Dúvidas


Atuar

Tento me lembrar

Achar motivos para ficar

Ignorar os gritos

Nessa onda que vem e me devora

Poesias, literatura

História, desenho, fotografia

Apêndices, escapes

Dessa realidade vazia

Nunca é como planejo

Nunca é como imagino

Presa nessa rotina

Na qual já não vejo sentido

O mundo é corrompido

Por esse câncer chamado humanidade

Que só causa dor, guerra e sofrimento

Por onde quer que passe

Desapontada? Sim

Hipócrita? Com certeza

Com esse sorriso de plástico

Em alguns dias engano até a mim mesma

Um grito que ecoa na eternidade

Fútil e vazio

Por todos os motivos

Essa é a verdade

Não adianta lutar

Não há motivos para ficar

Colado em minha pele como uma tatuagem

No final, o vazio sempre irá ganhar

Disfarce e sorria

Ninguém vai perceber

Continue atuando nesse papel medíocre e fique calada

Pois ninguém mais vai entender

Sempre sozinha, sempre a excluída

A estranha, a piada

Vale a pena viver

Para ser sempre esquecida?

Dúvidas

Chama apagada

Sabedoria renegada

Voz ancestral esquecida, abafada

Mas jamais completamente ignorada

Queima agora

Inferno flamejante

Na dança das chamas escarlates

Endurece e se forma um diamante

Crenças mudam

Pessoas vem e vão

Os anos passam com celeridade

O fogo não ruge em vão

Forja

Sob um céu cinza de tempestade

Enojada com esse mundo

Sempre tão cheio de maldade

Falsidade

É a palavra dominante

Os que ousam optar pela verdade

São monstros, renegados, em exílio permanente

Sob o céu azul infinito

Brilhando como safira

Acompanhando o balé das nuvens

A esperança ainda dança

Turvada pelo ódio

Escondido pela ganância

Quem entende essa raça mísera e mesquinha

Que se considera humana?