Canção da Sereia
7 Sonhando acordado
Notas iniciais
Leiam e verão do que estou falando, hehe
Boa leitura suas lindas.
Willian
Olho para a ponta da mesa. Kall conversa com Lancey. Estão completamente absortos de nossa conversa.
Chamo atenção deles e os comunico sobre o rádio e peço que as garotas não sejam deixadas sozinhas nem por um instante enquanto estivermos na ilha.
– E por falar nisso, onde está Meg? — Pergunto a Kall.
– Ela foi levar comida a Nora. — Quem me responde é Lancey.
– Não pedi para você fazer isso? — Cobro.
– É, mas ela insistiu.
Decido deixar passar, apesar da raiva por não ser obedecido.
– Olhos abertos nas garotas.
– Não deveríamos nem tê-las trazido. — Lancey me incomodando outra vez.
– Talvez você tenha razão. Mas reclamar não vai fazer o rádio funcionar e nem um navio aparecer. Ok?
Ele fecha a cara e fica quieto.
Passos vem do outro cômodo e Megan entra na sala. Ela tem uma bandeja em suas mãos.
– Onde está a Nora?
Os olhos de Lancey encontram os meus. O garoto sai correndo. Eu o sigo. Ele chega no andar de cima primeiro e começa abrir todas as portas e chamá-la. Eu vou direto a porta do meu quarto. O gato levanta a cabeça quando abro a porta. A luz está acessa. Ela está adormecida na cama e o gato de olhar demonico está em cima de sua barriga. Ele volta a baixar a cabeça.
Lancey me olha do fim do corredor. Eu aceno em confirmação e fecho a porta.
– Ela está dormindo. — Aviso o jovem e Gideon, quando eles se aproximam.
O garoto não contente com minhas palavras, abre a porta e estuda a figura deitada, então fecha a porta.
– Eu vou dividir o quarto com ela. — Ele anuncia.
– Não mesmo. — Digo a ele.
– Você mesmo disse que não devemos tirar os olhos delas.
– Você é bem abusado, para um estagiário.
– Eu vou ficar com ela...
– Não. — Ele me tira do sério – Falarei com Meg, ela não ficará sozinha. Mas não vou deixar um desconhecido cuidando de uma garota.
– Eu a conheço há muito mais tempo que você.
– Mas eu não o conheço e essa expedição é minha.
Ele se cala. Fecha a cara e saí pelo corredor, indignado.
Megan aparece com a bandeja de novo e Kall está com ela.
– Está tudo bem? — Ela me pergunta. — Esse clima ruim é por causa dos desaparecimentos, certo?
Kall passa o braço em volta de Meg. Os conheço há anos.
– Só ideias e precauções. Nada mais. — Sorrio para ela. — Mas não vá a lugar nenhum sozinha.
Ela concorda.
Pego a bandeja de sua mão.
– Cuido disso.
Meus amigos concordam e se afastam para o quarto deles.
Entro e fecho a porta atrás de mim.
O gato saí de cima da barriga de Nora e vai para o lado. O lugar vazio.
Ele fica de cabeça levantada, me encarando. Deixo a bandeja no criado mudo e saio do quarto. Não acho que ela precise de um guarda quando tem aquele animal saído direto do inferno para assustar quem quer que entre.
Vou para o banho. A água quente ajuda meus músculos a relaxar. Mas ainda posso sentir os dedos dela em minha pele. O trabalho me ocupa tanto que nem lembro quando foi a ultima vez que estive com uma mulher. O que torna tudo muito difícil tendo Nora por perto. Estou ciente da sua presença desde a primeira vez que a vi ao lado de George, não posso imaginar como será em uma semana. Quem sabe como as coisas estariam agora, caso eu tivesse a visto antes em meu prédio. Será que teríamos nos tornado amigo? Algo mais?
Eu deveria ter parado em algum antro de perdição, como George chamava. As coisas seriam difíceis daqui pra frente.
Dormi no quarto destinado a Nora, mantive a porta aberta e tentei ficar ligado a qualquer barulho, mas uma tempestade parecia se formar do lado de fora. O vento parecia gritar com mil vozes em todas as direções.
Desci, sem sono. As paredes de vidro davam uma visão privilegiada lá de fora.
As árvores agitadas pareciam prestes a sair do lugar. O mar agitava suas ondas ferozes. Me deito no sofá. Estou só de calça. A pele das minhas costas leva um pequeno choque pelo sofá frio.
Fico deitado assistindo a força da natureza do lado de fora. Então eu vejo.
Uma fraca figura vaga pelo lado de fora da casa. Uma mulher. Ela caminha lentamente, de encontro as ferozes ondas. Está nua. Seu cabelo é comprido e voa a redor de seu corpo por conta do vento. Levanto imediatamente do sofá e vou para fora. O vento frio causa choque em meu corpo quente. Ando em direção a praia, onde vi a mulher. Não há nada.
– Alguém? — Chamo.
Não há ninguém. Ando a beira do mar, com a água fria molhando meus pés. Procuro algum sinal de vida. Não há nada. Não há ninguém. O que eu vi teria sido uma ilusão? Ou teria acabado de presenciar outro sumiço?
Noto que nem a areia tem sinal de pegadas. Claro que o vento as apagaria, mas não tão rápido. Ainda posso ver as minhas.
Uma miragem, só pode ter sido isso. Volto, atento a todo e qualquer movimento não causado pelo vento. Quando me aproximo da porta, me deparo com Nora.
O cabelo negro esvoaçante ao redor do rosto. Mas não é a mesma pessoa que pensei ter visto, Nora tinha cabelos ondulados nas pontas e apesar de comprido, não chegava perto dos da outra mulher.
Ela está parada, bloqueando a passagem, tem uma manta em volta do seu corpo.
– Nora? — Eu a chamo.
Ela pisca, parece sair de um transe. Tira a manta de seus ombros e me entrega, então entra. Eu a sigo. Tranco a porta e passo a manta ao redor de mim. Está muito frio, estou gelado.
Ela senta no sofá, colocando as pernas em cima do mesmo.
– Eu te vi... lá fora. — Ela diz. — Pensei que ia entrar no mar...
– Pensei ter visto uma pessoa. — Explico. — Mas não era nada, só estava meio adormecido.
– Um sonho? — Ela está diferente. Não parece ela mesma. Não que eu a conheça para ter um padrão de comparação. Mas tem algo que não encaixa. Me sento a seu lado. Ela me olha nos olhos. Em nenhum momento desvia o olhar. Ela usa outras roupas. Uma espécie de vestido, ou é um lençol, apenas amarrado no ombro.
Olho para sua canela. A bandagem já não está lá e os furos... quase não podem ser notados.
– Isso parecia bem pior. — Toco as perfurações, são quentes. Subo meus dedos e sua pele está gelada. Volto para as marcas, quente. Então volto a minha atenção para a tatuagem, está quente também. Meus dedos sobem curiosos pelo caminho de algas que rodeia sua pele. — Quando fez isso?
Levanto a cabeça para olhá-la. Ela tem os olhos fechados.
– Nora? — Não se mexe. — Nora... — Toco seu braço. Ela abre os olhos e se afasta de mim.
– O que você tá fazendo?
Ela quase caí do sofá tentando se manter longe de mim.
– Calma – Me afasto e levanto as mãos em sinal de paz. A manta que me cobre cai. — Está tudo bem, Nora. Você veio aqui.
Ela olha a sua volta e depois me encara. Tem os olhos arregalados. Fica em pé e olha em volta.
– Você é sonambula? — Pergunto torcendo para que sim, caso contrario terei de admitir que algo está acontecendo nesse lugar.
– É o que dizem, mas...
Relaxo e me deixo cair no sofá.
– Porra! — Deixo escapar. — Nós conversamos, sabia? Você até foi lá fora. Nossa. — Isso era estranho e perigoso. Ela poderia ter ido pro mar nesse estado. — Não lembra de nada?
Ela nega. Pego a manta no chão e fico em pé. Passo por seus ombros.
– Vamos dormir.
Ela nega de novo, quase mecanicamente e fico em dúvida se ela está acordada ou dormindo de novo.
– Estou com fome. — Ela me diz.
– Deixei uma bandeja ao lado da cama.
Ela não me responde, apenas me encara. Está pálida.
Me dou por vencido.
– Me espera aqui, ok? Vou pegar uma camisa.
Ela acena. Eu subo.
No quarto que eu estava não tem roupas minhas, então entro no que Nora estava dormindo. Acendo a luz e o gato levanta a cabeça, junto com Nora, que acorda assustada.
Ela senta na cama, a coberta escorrega, revelando um pijama rosa. A bandeja ao seu lado está vazia.
Notas finais
Alguém quer arriscar algum palpite sobre o que acontece nessa ilha? XD
Bj bjs ♥
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