Canção Da Morte

20 Capítulo 20 - Novas Constelações


Duelo. Foi essa a condição imposta pelo antigo cavaleiro de bronze de cisne e também cavaleiro de ouro de aquário. O discípulo de Camus queria saber se os atuais cavaleiros de Athena eram dignos de lutar por essa causa. Seu objetivo era provar o valor deles e descobrir até estariam dispostos a ir para vencer a Guerra Santa. Então ele mandou chamar uma de suas amazonas para que viesse até o Salão.

Aster era tão linda quanto Kizumi, seus cabelos eram negros, sua pele branca e seus olhos possuíam uma cor castanha num tom bem claro. Ela vestia uma armadura com uma cor prateada que possuía desenhos em toda sua superfície, um emaranhado de linhas como uma rede, não, não uma rede, uma teia de aranha. Ela entrou no Salão e ficou parada esperando pela ordem de seu mestre.

- Senhores, esta é Aster. A amazona da constelação de Aracne. Ela será o seu desafio, quem vai lutar contra ela? – disse Hyoga.

- Aracne? Que constelação é essa? Eu nunca ouvi falar e nem soube dela em outras Guerras Santas. – falou Ichiro, curioso.

- Isso meu amigo é uma das surpresas que nos aguardam nessa guerra. Imagino que vocês não estejam a par das novas constelações, não é? Deixe-me explicar: Existem inúmeras estrelas no céu, tantas que nem podemos contar. Algumas estão tão longe de nosso planeta que não podemos vê-las. Mesmo com a velocidade com que a luz se propaga no vácuo, a luz dessas estrelas ainda não chegou ao nosso campo de visão, mas isso não significa que elas não existam. E, obviamente, se existem estrelas distantes que ainda não brilharam diante de nossos olhos, também existem constelações que não tiveram a oportunidade de se mostrar, como atores e atrizes que aguardam o momento da grande estreia.

- Mas você não pode simplesmente imaginar que existam constelações distantes e fazer com que as armaduras surjam baseadas na sua proposição.

- Não é minha proposição. Eu não poderia fazer tal coisa nem que quisesse. Isso está além do meu alcance. Isso foi feito por um cosmo muito mais poderoso, o cosmo de Athena. – disse olhando para cada um dos cavaleiros. — Ela é a responsável pelo nascimento da constelação de Aracne e de algumas outras. Veja o nível de desespero da deusa, chamar uma de suas mais famosas rivais para juntar-se aos seus aliados. Provavelmente Athena está prevendo que essa guerra não será fácil. Uma prova disso é seu fracasso não apenas em proteger a hospedeira dela nessa geração como também em impedir que o Hades tomasse posse do corpo escolhido por ele. – Ichiro baixou os olhos. – E nós sabemos que quem dá o primeiro passo, geralmente é quem ganha. Agora vou perguntar mais uma vez: qual dos seus cavaleiros vai enfrenta-la?

Dante deu um passo a frente quase ao mesmo tempo em que Ryu. Ambos se olharam com um olhar de reprovação, um olhar que tentava fazer o outro recuar, porém nenhum deles se mexeu. Então Dante falou:

- Saia daqui! Você sabe que eu tenho uma missão a mais além de ganhar o reforço das amazonas.

- E é exatamente por isso que você deve se poupar. Ela não vai pegar leve e você precisa estar forte para ir ao Submundo e voltar inteiro! – retrucou Ryu.

- Não preciso poupar energia, sou o mais poderoso cavaleiro de bronze e isso vai ser um treinamento para que eu possa enfrentar o quer que me espere no andar de baixo.

Os dois continuaram discutindo até que Ichiro e Cleon se sentaram no chão, próximos da parede, Ryu e Dante olharam para o centro do Salão e viram Aquiles parado diante de Aster. Nenhum deles ousou discutir com o amigo, desde que havia começado seu último treinamento, o cavaleiro de Andrômeda vinha se comportando de um modo estranho. Ele falava pouco, mantinha-se distante e tinha sempre uma expressão de raiva no rosto. Mas nesse momento ele estava completamente diferente. Seu olhar já não exibia mais a mesma raiva e sua alegria era denunciada pelo enorme sorriso. O tipo de sorriso que Dante conhecia bem, já que toda vez que ele teria que enfrentar um desafio que ia além de suas forças, ele sorria. Não por deboche, nem por nervosismo. Mas sim pela felicidade de viver mais uma aventura. O cavaleiro de Fênix tinha certeza que se fosse ao Submundo, não conseguiria parar de sorrir. Mas sua preocupação atual era se Aquiles conseguiria manter o sorriso no rosto.

O Salão possuía um segundo piso que ficava a uns seis metros acima do chão, um largo corredor que percorria toda a lateral do lugar até encontrar a parede oposta, no fim do corredor havia uma porta escura com a silhueta de um cisne pintada em dourado. Hyoga e Kizumi estavam lá em cima para poder observar a luta e assim que percebeu o sinal do antigo cavaleiro, Ichiro dirigiu-se para lá com os garotos. Aquiles deixou suas correntes caírem no chão e uma aura rósea começou a envolver seu corpo e seu sorriso esmaeceu. Aster deu um passo para trás e deslocou o peso do corpo para frente. Ambos aguardavam pelo sinal de Hyoga. E com um aceno ele deu permissão para começarem.

Aster era bem rápida e em menos de um minuto já havia golpeado Aquiles várias vezes. O cavaleiro usava sua força e seu peso para se proteger e aparar os golpes da amazona. Suas correntes continuavam caídas no chão e a aura de energia brilhava com cada vez mais intensidade.

Do alto do segundo piso, os companheiros de Andrômeda observavam atentos.

- Porque ele não faz nada? Será que vai ficar lá apanhando? – perguntou Cleon.

— E porque o cosmo dele está com uma cor rosada? Ele não costumava ser azul? – perguntou Dante.

Ryu permanecia com seus olhos voltados para a batalha, ele parecia ser o único dos jovens que percebeu o que estava acontecendo. Hyoga tinha um leve sorriso no rosto e Kizumi estava tão séria e silenciosa que nem parecia estar ali. Então Ichiro falou:

- Primeiro Cleon, ele vai fazer alguma coisa, apenas dê algum tempo a ele. E Dante, o cosmo pode mudar a cor com que se apresenta se o sentimento que o ativa mudar também.

- Sentimento? O cosmo não é ativado por sentimentos, é ativado pela vontade não é?

Ichiro se moveu na direção do jovem cavaleiro e deu um soco no seu rosto. Um ato que pegou todos de surpresa, inclusive o próprio Dante. Quase que imediatamente uma chama de fogo surgiu na mão de rapaz e uma pequena aura vermelha cobriu seu rosto. Seus olhos tinham um olhar que expressava raiva e também um desejo de vingança.

- O que você sentiu? – perguntou o cavaleiro dourado.

- Dor? – Dante falou de modo irônico.

- E?

- Raiva. Muita Raiva.

- Exatamente. – disse Ichiro enquanto retornava para o seu lugar.

- Mas, se a raiva faz o cosmo assumir uma cor vermelha... O que os outros sentimentos podem despertar? Quais cores eles dão ao cosmo e que habilidades eles aumentam? – perguntou Cleon.

- Ótimo. Você percebeu que vai além de apenas colorir o cosmos. Bom, a cor verde indica que a esperança é o que ativa o cosmo. Laranja mostra que a pessoa está feliz e por isso o cosmo se eleva. A cor púrpura releva que o ódio é o combustível para queimar o cosmo. Dourado é a cor que assume o cosmo dos orgulhosos. –Dante lembrou-se de Hikaru nesse momento. – Aqueles que alcançam a paz em seus corações, geralmente tem um cosmo branco e brilhante. E a cor azul...

- Calem a boca! Olhem! – disse Ryu.

A luta estava num estágio diferente agora e Aquiles parecia reagir, suas correntes já estavam mais próximas de suas mãos e agora flutuavam no ar. Embora seu elmo estivesse a vários metros de distancia, ele não parecia estar ferido. Ele investiu contra Aster e atacou de várias maneiras, suas correntes cercavam-na e tentavam prendê-la, seus golpes eram firmes e certeiros, embora ele não estivesse usando toda sua força. Ryu percebeu que grande parte dos golpes concentrava-se no lado esquerdo da amazona. Ela procurava desviar e contra-atacava algumas vezes, porém Aquiles parecia antecipar seus movimentos e defendia-se com as correntes de Andrômeda. Sua vitória parecia certa, até que Aster mudou de estratégia.

Aquiles usava suas correntes na maioria dos seus ataques, isso mantinha Aster distante dele, mas não muito para que ele pudesse alcança-la e atingi-la com as correntes. Então a amazona começou uma corrida frenética para fugir das correntes de Aquiles. Ela corria em círculos em volta do cavaleiro. Sua expressão demonstrava medo e ela parecia querer evitar a qualquer custo que as correntes chegassem até ela. Enquanto ela corria, suas mãos ficavam para trás e seus dedos se moviam de uma forma estranha. Ryu percebeu rapidamente o que estava para acontecer, diferentemente de Aquiles que se preocupava somente em atacar e não atentou para a estratégia de sua rival. Então a amazona de Aracne mudou de ação e parou de fugir, rapidamente ela se moveu na direção de Aquiles e correu para golpeá-lo, o cavaleiro prontamente usou suas correntes para impedi-la, mas a jovem parecia dançar no ar e desviava-se de todas as suas investidas e se aproximava cada vez mais. Até que eles ficaram a uma pequena distância um do outro e Aster desferiu um soco de cima para baixo, a mão dela abriu um buraco no chão, porém Aquiles não estava mais lá. O cavaleiro de Andrômeda havia pulado no momento exato e agora flutuava no ar, vários metros acima. Mas quando sentiu uma estranha resistência impedindo-o de subir e ao perceber que seu corpo não retornava ao chão, o cavaleiro pareceu se dar conta de que ser vitorioso não seria tão fácil quanto ele pensava. Aster permanecia no chão com um sorriso no rosto e com um cosmo laranja brilhando em suas mãos.

— Casulo da Aranha! – gritou a menina enquanto observava uma verdadeira teia de aranha feita com seu cosmo envolver o corpo do cavaleiro e esmaga-lo lentamente.

Pequenos pedaços de um metal rosado caíram no chão demonstrando que a armadura de Andrômeda não estava resistindo aquele ataque, o som do metal caindo no chão ecoava por todo o salão, bem como os gritos de dor de um jovem cavaleiro.