Camélias

1 Camélias. - Le Langage des Fleurs


Notas iniciais
Gente, essa one é meu xódo, e ela faz parte do planejamento de uma trilogia, seguida por outras duas ones chamadas "bouquet" e "jardim" e que eu vou esperar pra ver o que vão achar dessa pra liberar.

Boa leitura!!!!

Muita gente acha que sorte e destino são duas faces da mesma moeda. Exemplo, se você tropeça na rua, cai e quebra seu nariz. Você está com azar, certo? Não, aquilo era parte do seu destino.

Não é como se houvesse um arquivo com seu nome no céu, dizendo que no dia X, na rua X, você ia tropeçar e quebrar seu nariz, não é assim.

Porque você não veria um buraco no meio da calçada? Porque você obviamente não estava prestando atenção.

É aí que o destino entra.

O seu destino nunca foi quebrar o nariz, e sim o fato de que você é avoado, e eventualmente, você não iria notar um buraco na calçado, tropeçar e quebrar o nariz por causa disso.

O destino também é o motivo do porque Remus John Lupin estava sentado atras do balcão de uma pequena floricultura numa cidade pequena contando o tempo para o seu horário de almoço.

Ele nunca sonhou em vender flores, mas quando ele nasceu, algo cósmico decidiu que ele seria muito ruim em exatas. Ele era filho de um professor de física e uma professora de matemática, mas tudo que ele sabia sobre números era a regra de 3, e seu favorito, o número de paginas em um livro. E é por isso que ele escolheu se graduar em literatura.

Ele não sabia por qual infortúnio do destino nenhuma escola em Londres, ou na sua cidade natal, tinham uma vaga permanente de ensino na sua área (talvez ele tivesse nascido tarde demais e todos os que se formaram antes dele pegaram os empregos fixos?).

Mas 3 anos depois de se formar ele ainda trabalhava de substituto e tutor e dividia um flat com suas melhores amigas do ensino médio, Marlene e Dorcas, o mesmo que se mudaram quando deixaram a cidade onde cresceram pra fazer faculdade.

Dorcas é estudante de medicina então ainda tem muitos anos de estudo pela frente. Marlene é atriz, ou seja, sofre tanto quanto ele com a falta de trabalhos fixos.
Isso mudou no início do ano anterior quando ele conseguiu, só Deus sabe como, um emprego num internato super chique numa mínima cidade a algumas horas de Londres.

O pagamento era a soma do que ele e as duas amigas ganhavam e ainda mais uma boa quantia. Sem falar em não precisar pagar aluguel, já que o contrato de "teste" de um ano incluía moradia, com luz, água e até tv a cabo e internet pagas, num apartamento perto do campus, tudo pago pela escola. E o fato de poder fazer todas as refeições na escola faziam com que o salário de Remus não fosse para nada além de comprar livros e passagens para Londres ou para sua cidade natal nos finais de semana.

Outra coisa que o destino fez a Remus, foi fazê-lo nascer com um apreço por homens. Remus era gay. E não demorou muito até que a escola descobrisse. Aparentemente o que a escola tinha de qualidade, tinha de conservadorismo também. Ele foi demitido no 8º mês de seu contrato.

Foi provavelmente a situação mais humilhante da vida dele, e olha que ele havia o único garoto gay assumido, melhor amigo das únicas garotas lésbicas assumidas, durante o ensino médio numa cidade tão pequena quanto essa.

Ele não podia nem processar, porque o contrato era imbatível quanto a qualquer coisa considerada imoral pelo conselho de pais, e eles quitaram os 4 meses restantes. Remus também poderia usufruir do apartamento até o fim do contrato se quisesse.

Ele ficou tão irritado que se recusou a deixar o apartamento e arranjou o primeiro emprego que conseguiu só pra ficar na cidade. E foi assim que ele acabou naquela floricultura.

O movimento estava fraco hoje, poucas pessoas pensam em flores numa segunda feira.

O sino da porta tocou e uma menina de uniforme escolar entrou, ela tinha uma pose de menina má. Os cabelos eram pintados de rosa-shock e iam até a cintura e ela tinha uma quantidade notáveis de piercings para alguém que não poderia ter mais de 16 anos.

Ele reconhecia aquela menina porque ela sempre passava em frente à loja mais ou menos naquele horário, junto de uma outra menina de cabelos castanhos na altura dos ombros e franja, que sempre usava um tênis dourado com meias de estampas divertidas.

Elas andavam sempre de mãos dadas e Remus suspeitava que elas matassem o último horário de aula todos os dias.

A 2 quadras dali havia um parque, com algumas lojinhas e cafeterias, Remus costumava almoçar num lugar com música indie ao fundo e que era exatamente de frente a maior árvore do parque. O lugar era agitado nas noites de fim de semana, mas no resto do tempo, ficava quase tudo as moscas, principalmente no parque, exceto por uns relances de cor naquela mesma árvore.

Remus sempre via, meio escondidos pelas folhas, flashes de um cabelo rosa, um tênis dourado com meias super coloridas, alguns cigarros, mãos esmaltadas e lábios pintados a se encontrarem, sempre se encolhendo contra o tronco ou uma contra a outra se alguém passasse por perto.

Elas lembravam tanto suas melhores amigas que quando ele começou a notar as meninas, ele precisou ligar pra elas e contar sobre as garotas, e os 3 haviam criado quase um fã-clube secreto.

Remus espiou por cima do ombro da menina e viu a morena do outro lado da rua, com um moletom por cima do uniforme, comprando cigarros.

A garota pediu por uma rosa, vermelha, e Remus sorriu enquanto recebia e embalava. Ele entregou a menina que tinha um sorriso doce apesar de toda a pose punk.

— Espero que sua namorada goste! Sempre vejo vocês passando por aqui.

A garota ficou da cor do cabelo, e logo depois branca como um papel e quando começou a ficar verde conseguiu gaguejar sobre elas serem melhores amigas e Remus se sentiu mal, nada sobre elas dava a entender que elas não eram assumidas. Antes que ele conseguisse se desculpar, ela cambaleou por sobre os coturnos até o lado de fora, e respirou fundo com a mão sobre o peito até que a morena veio atravessando a rua.

A de cabelos curtos tinha um piercing no septo igual ao da outra menina e um sorriso no rosto. A de cabelo rosa pareceu se acalmar no momento que encontrou o sorriso da outra, e lhe estendeu a rosa. Os tênis dourados, hoje com uma meia cor de rosa com estampas de copos de café, correram o resto do percurso até a outra e passou os braços ao redor da punk, que era adoravelmente mais baixa. Remus sorriu e parou de olhar.

O que quer que tivesse ali, elas iriam se resolver. Ele ainda se lembrava sétimo ano, quando Marlene e Dorcas se beijaram pela primeira vez, e ele recebeu uma ligação de Marlene com a frase "Remi, eu sou super sapatão. Acho que é bom você saber" e depois desligou na cara dele. 12 minutos depois Dorcas estava chorando na porta dele, o exato tempo de ir da casa de Marlene até a dele de bicicleta.

Depois que as garotas foram embora, 10 longos minutos se passaram até a hora que ele finalmente pode sair para almoçar. É claro que isso significa um pedaço de bolo de chocolate e algumas xicaras de chá.

Quando ele chegou no café de praxe a barista sorriu para ele. O nome dela é Héstia e ele tem o cabelo mais claro que Remus já viu. Ele era uma das únicas pessoas a ir lá de dia, então ela era sempre gentil e já havia decorado o pedido dele. Ás vezes eles conversavam, ela é estudante de história na faculdade local, também queria trabalhar como professora e usava um pin da bandeira bissexual no seu uniforme, eles nunca entraram no assunto, mas ela já tinha notado a bandeira gay na bolsa do laptop dele.

Ele talvez pudesse considerar ela uma amiga se ele fosse para todas as festas e coisas do tipo para qual ela lhe convidava, mas ele se sentia estupido andando com pessoas da faculdade, mesmo que a diferença não fosse mais que quatro ou cinco anos.

Quando caminhava de volta para loja, Remus viu as garotas de novo, elas estavam descendo da arvore “delas” e a morena sorriu para ele enquanto oferecia uma mão para a de cabelos rosa descer.

Ele sorriu de volta, mas não estava prestando atenção. Estava pensando no presente, ou tentação, divino que ele havia ganhado desde que começou a trabalhar na floricultura.

Sirius Black, o nome do anjo (ou diabo?). Ele toca guitarra em frente à loja no período da tarde. Ele era alguma espécie de deus grego obscuro, um maxilar esculpido e cabelos longos e escuros.

O dia estava quente, e ele estava usando uma calça preta que ia além dos limites do rasgado e justo, um retalho inteiro de tecido faltava no joelho esquerdo e na coxa direita, e a sua blusa, também recortada dos lados, deixava a mostra o abdomêm do guitarrista. O coração de Remus acelerou quando o moreno o cumprimentou com uma piscada e um aceno despreocupado.

Deus, porque fazer ele ter abismos por caras super héteros?

Até a hora de fechar, tudo correu como o normal, com o update da voz rouca do guitarrista adentrando pela porta do estabelecimento, que ele deixava aberto quando o rapaz estava lá.

A dona já conhecia Sirius, e instruiu Remus logo de cara que o deixasse tocar na calçada, e que ele poderia oferecer água ou o banheiro do local pra Black. E caso chovesse, o que acontecia o tempo todo nesse maldito clima inglês, que puxasse o toldo e o oferecesse o local.

Como se ele fosse tentar expulsar um homem daqueles de seu campo de visão!

Black entrava algumas vezes pra cobrar um desses favores, e foi assim que Remus ficou sabendo um pouco da vida do músico. Ele já era formado em administração, por pressão familiar, mas não aguentou 2 meses no primeiro emprego e entrou na faculdade de música, que era o seu verdadeiro sonho. Estudava de manhã, tocava por ali a tarde e a noite em bares.

Uma das vantagens de trabalhar num lugar bastante parado, numa cidade ainda mais pacata, era o horário. Ele fechava o lugar quando começava a anoitecer, e todos os dias esperava por apenas um acontecimento.

O guitarrista entrou na loja, com o instrumento já nas costas, separando uma nota entre as diversas jogadas aos seus pés.

Todos os dias, antes de ir embora, o moreno entrava na floricultura e comprava uma flor. Mais especificamente uma camélia branca. Não havia uma ocasião em que ele não comprasse a flor. Mesmo nos dias em que ele não tocava, ele sempre vinha buscar sua camélia.

Remus não fazia a menor idéia de quem era a dona das flores. Mas pelo jeito que os olhos dele brilhavam quando Remus lhe mostrava as flores, como ele sempre vasculhava pela mais bela e vívida de todas elas, fazia com que ele sentisse inveja, e torcesse pra que imagem loira e escultural que formulou em sua cabeça soubesse a sorte de ter alguém assim.

— Você sabia que, antigamente, existia uma linguagem, chamada linguagem das flores, aonde cada flor tinha seu significado e eram usadas para passar mensagens?

Sirius olhou para a camélia em suas mãos e sorriu.

— Qual o significado das camélias?

— Beleza perfeita.

Um brilho de entendimento e um sorriso, dessa vez um daqueles sorrisos sinceros e íntimos, que a pessoa provavelmente nem sabe a luminosidade que está emitindo ao seu redor.

— Faz bastante sentido.

...

— O dia que eu arranjar um cara, eu espero que ele me trate como você trata sua namorada.

Sirius arregalou os olhos e quase derrubou a flor, já na embalagem pra presente, que Remus havia acabado de lhe entregar. Remus corou violentamente, e quis se jogar do terraço da loja. Aquilo era um pensamento dele, jamais deveria ter saído pelos seus lábios.

— Espera... Você acha que eu levo essa flores pra uma namorada? — Black estava rindo — Elas são pra minha mãe!

Black ria cada vez mais, e Remus gostaria de ser um avestruz, e passar o resto da vida com a cabeça enfiada na terra.

— Na verdade, não pra minha mãe mesmo, eu com certeza não levaria flores pra ela. — O sorriso irônico e a sobrancelha arqueada deixam implícito o que ele já havia mencionado antes, que não se dava com sua família. — Mas Euphemia é como se fosse minha mãe, na verdade tipo uma mãe adotiva... Bom! De um jeito ou de outro, são pra ela. Ela tem alzheimer avançado, e camélias são as flores favoritas dela. Ela não lembra de muita coisa, mas as flores a fazem feliz e ainda ajudam a lembrar do marido dela, que trazia uma todo dia, quando era vivo. Desde que meu irmão se casou, só sobrou nós dois em casa, e eu levo as flores pra ela.

Era Sirius quem corava agora, e Remus se sentiu derreter por dentro, ao ver aquele rosto de rockstar todo energonhado, e a história que ele contava.

— Enfim, é melhor que eu vá. A enfermeira da minha mãe não vai embora enquanto eu não chego. Tchau, Remus, até amanhã.

...

Pra compensar o sol da segunda e da terça, o dia havia amanhecido com ares de fim do mundo. Chovia tanto que Remus desconfiava que se aquela água escoasse de alguma forma para o mar, os níveis dos oceanos subiriam tanto que todos os continentes seriam engolidos em horas.

Black não havia aparecido, mas o mais estranho era que já havia fechado a loja havia 5 minutos e ele não havia aparecido pra comprar sua flor.

Remus decidiu esperar mais 5 minutos na porta, sabendo da real importancia da flor, ele duvidava que o guitarrista não fosse aparecer.

E ele apareceu, ensopado, apenas a jaqueta pra protegê-lo da chuva torrencial.

— Ai graças a deus! Eu fiquei morrendo de medo de não conseguir chegar a tempo.

Remus sorriu e lhe estendeu a flor.

— Ah, espera, hoje serão duas!

— Eu já fechei a loja, as camélias ficam lá dentro, só me dá um minutinho!

— Não! Não precisa ser uma camélia. — Sirius puxou um cravo amarelo de um dos baldes que ficavam do lado de fora da floricultura — Qual o significado dos cravos? Na linguagem das flores.

— Sofrimento amoroso. Mas especificamente a frase "Ai, meu pobre coração".

Sirius riu e lhe estendeu o dinheiro das duas flores.

— Perfeito. — Depois de passar os dedos pelo cabelo ensopado, estendeu o cravo a Lupin, que nem ao menos percebeu que a flor estava sendo oferecida a ele — Um cravo para o carinha com informações aleatórias e incríveis com quem eu venho flertando a meses, mas não me dá bola, e só ontem eu percebi que na verdade, ele é inteligente pra caramba, mas muito mais lerdo do que eu esperava.

Remus ficou branco, e depois vermelho e Black gargalhou alto.

— Meu irmão vai ficar com a minha mãe hoje. Depois que eu entregar a flor, você aceitaria tomar um chá comigo, garoto das flores?

Remus sorriu, seu coração batendo forte nos ouvidos, e pegou a flor para si.

Notas finais
Gente, as meninas mencionadas (Stella e Madeleine) são OC's e elas nem iam aparecer mt, mas eu me apaixonei pela ideia que criei delas, e elas irão aparecer mais nas outras ones e talvez ganhem uma one só delas jwdjdwu

Nas outras tbm vai ter mais da Euphemia, e um pouco de Jily pq nesse AU eles já são casados e já tem o harry

Espero que tenham gostado, XOXO
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!