Notas iniciais
Continuando de onde havíamos parado, agora vôs apresento o explorador de tumbas, salteador, o todo poderoso, invencível e inigualável Tales, o bruxo.

Já fazem muitas noites que me acontece e está foi uma delas, eu acordo no meu quarto tomado pelas trevas, as paredes que são brancas parecem cobertas de gosma negra, os pôsteres e capas de livros me olham diabólicos e sobre meu corpo imóvel e são um demônio me segura e me devora, as vezes com a boca cheia de dentes, mas o comum é que ela, uma súcubos, esta sentada sobre meu colo e engolindo meu... Enfim.

Ela tem asas rasgadas e mãos com garras que rasgam a pele dos meus braços, uma cauda que escorrega por entre as pernas e empala-me e me envenena, não deixa meus músculos funcionarem, exceto minha cabeça que me deixa ver e sentir o saboroso momento.
Sempre que isso acontece eu tomo um banho gelado antes de voltar ao campus, e esse é o único bom motivo de morar perto do campus. Já os ruins vou explicar contando exatamente o que aconteceu naquele dia:

No alto da torre de Kasa-M'nha, o poderoso bruxo, salteador de tumbas, invencível e inigualável Tales se ocultava da mãe dos dragões Tiamat e seu zumbi de estimação, que eu, quer dizer, o bruxo chamava de pai.
Traduzindo para o porco idioma de vocês, me escondi no sótão enquanto ouvia meus pais discutirem sobre o que aconteceu na escola e quanto aquele lugar era ruim para mim, na verdade minha mãe falava e meu pai, como sempre, apenas concordava. Ambos nem sequer perguntando a minha opinião ou o porquê de eu ter sacaneado os jogadores de futebol.

Eu nem conseguia pensar, pois não bastava o dragão com suas cinco cabeças dialogando com o zumbi sem boca, do outro lado dos muros havia a cidadela dos Emy, onde o povo de Emy festejava os frutos da nova colheita. Como eu sei disso?

Eu tenho uma luneta de astronomia que curiosamente funcionava bem no sótão para olhar os cômodos de Emy.
— Maldito Seja! — o bruxo Tales explodiu em fúria, também poderá, Sony, o elfo que acabou de entrar no colégio estava lá se divertindo com os Emy, enquanto eu, o todo poderoso jamais fui convidado para tais festejos — isso não ficará assim, tal qual Saruman, do alto de minha torre farei a montanha cair sobre eles, mas... Como?
O bruxo se disfarçou, trajou os mesmos apetrechos festivos daquele povo e, passando pelo hall de sua moradia teve de aguentar em silêncio a grotesca visão do dragão e o zumbi se divertindo, mas isso não o pararia agora.
Passou pelo jardim dos fundos, achou nos muros de madeira branca uma passagem e rapidamente encontrou o que queria. Presos num canil estavam os cerberus guardiões dos Emy, chamados horrivelmente de Fofinha e Comilão.
Mas antes que pudesse os libertar um serviçal dos Emy o interrompeu — a festa é só na região da piscina senhor?

— Prowder, sou Tales Prowder — meu nome de mortal me safou, rapidamente o criado me guiou ao coração das festividades, como numa taverna haviam bebidas não permitidas a bruxos de minha idade. Mas não podia o disfarce quebrar, tive sorte de não ser o único penetra naquele lugar: Nerds e Geeks riam sem parar, os jogadores de futebol e os vadios flertavam com as patricinhas, e os mauricinhos só sabiam se gabar.

— Está perdido moleque? — Dreads, quer dizer, o caçador Orc de cabelos vermelhos quase fez o bruxo se arrepender de ali entrar. Dois tapas no ombro me fizeram gaguejar — relaxa irmão, toma um gole, eu não vou te esculachar.

Não foi só um gole que o bruxo acabou por tomar, foram vários e quando eu menos percebi estava sorrindo e vendo tudo girar. Mal notei quando Emy, a própria, veio me abordar.

Ela me pegou pelo ombro e me levou para outro lugar, o que eu vi era descrito como um anjo a me esperar, estava com um sorriso lindo e os olhos verdes que eu demorei a lembrar. Na verdade ainda não faço ideia de quem era que veio me beijar, eu sai da festa muito tarde e não consigo lembrar, infelizmente a dor de cabeça no dia seguinte foi tudo p que restou, e o banho gelado que de praxe o bruxo tomou, pois a súcubos uma vez mais, naquela manhã o visitou, mesmo com dor de cabeça e ânsia de vomito.

Notas finais
No próximo episódio, Carlos "Dreads" Knukles de Souza, vindo duma cidade pobre, daquelas com becos onde nos fios de telefone parecem brotas cachos de tênis pendurados pelos cadarços...