Campistas contra Campistas
9 Capítulo 9- Novos sentimentos
Notas iniciais
POV Luisa
Estava deitada na cama do chalé de Hera olhando pro teto. A conversa com as garotas mais cedo tinha realmente ficado na minha cabeça. E se eu gostasse mesmo do James? Não. Não podia ser. Só de pensar na hipótese eu ficava apavorada. Fiquei um bom tempo me perguntando o que fazer quando alguém bateu na porta. O que era estranho porque já passava da meia noite. Mesmo assim, decidi abrir. Adivinha quem era? Acho que a Carol é a única pessoa louca o suficiente pra vir bater na porta do meu chalé de madrugada.
— Oi, posso dormir aqui hoje?- perguntou.
— Sim, claro que pode, mas porque, aconteceu alguma coisa?- respondi curiosa.
— A, nada demais, é só que você não tem noção do quão barulhento Percy Jackson pode ser enquanto dorme. Mas não é como se eu tivesse te acordado. Por que não foi dormir?
— Não consigo, você sabe que não dá quando estou com a cabeça cheia.- expliquei.
— E sua cabeça está cheia de que? No que você tanto pensa?- questionou curiosa.
— Na conversa de hoje cedo.- resolvi contar logo,afinal ela ia descobrir de um jeito ou de outro.- Eu não sei o que que eu faço com o James.
— Pra mim a resposta tá bem óbvia.- olhei-a esperançosa- É só ir lá e falar com ele, não é tão difícil assim.
— É pior do que isso Carol. 1- Eu não sei se gosto dele. 2- Não sei se consigo aguentar um outro relacionamento. 3- Mesmo se eu gostasse dele não tenho coragem de ir lá e contar, você me conhece!- pontuei pra ela todas as questões que atormentavam minha cabeça a noite toda.
— É mais simples do que você pensa. 1- É óbvio que você gosta dele, se não não estaria quebrando a cabeça com isso a noite toda. 2- Uma hora ou outra você vai se apaixonar de novo. Eu sei que você sofreu bastante, mas seus medos são infundados. Compara o seu ex com o James. Eles não têm nada em comum. Além do mais o James te aceita como você é. O simples fato dele falar com você desde que chegamos aqui é uma prova concreta disso. 3- Quanto a isso não tem solução. Que eu saiba ele não pode ler mentes então você vai ter que contar.
Tudo o que ela disse estava certo. Sim eu gostava do James e sim, eu tinha medo. Mas ele sempre foi muito bom comigo e não parecia que ia parar de ser. E eu ia ter que dizer pra ele uma hora ou outra. Não podia continuar sendo amiga dele e fingir que não tinha nada de errado. Ia contar pra ele amanhã.
— Obrigada.- agradeci.
— Sempre as ordens. Boa noite.
— Boa noite.- e com isso apagamos as luzes e fomos dormir.
No dia seguinte…
Fiquei fugindo do James o dia todo. Bem, fugindo não é a palavra certa. Tivemos treino o dia inteiro, então eu não tive que me empenhar muito pra despistá-lo. Mas no fim da tarde eu realmente não tive desculpa. Todos os dias, depois do treino e antes do jantar nos encontrávamos para conversar em uma colina. Ela era meio afastada do resto do acampamento, mais perto dos campos de morangos.
Cheguei lá mais cedo do que de costume, não me aguentava mais de tanta ansiedade. A Carol era a única que sabia o que eu ia fazer, mas naquela altura, as outras garotas provavelmente já estavam sabendo. Minha cabeça estava dividida em duas partes. Uma queria que o James chegasse logo pra eu poder contar tudo pra ele e tirar o peso dos meus ombros. A outra queria sair dali correndo e inventar uma desculpa pra sumir, se enfiar em um buraco e ficar quieta até o pânico passar. Por mais tentadora que segunda opção fosse, uma hora ou outra eu teria que dizer. Era melhor acabar com tudo de uma vez.
Foi então que eu o vi. Ele subia a colina devagar, ainda não parecia ter me notado. Tinha um pouco de graxa na roupa por causa do trabalho e seu cabelo estava bagunçado por causa do dia agitado. Senti um nó no estômago. Tinha me preparado o dia todo, mas o discurso ensaiado sumiu da minha cabeça. Notei que ele estava nervoso. O que era estranho porque a estressada ali era eu. Ele geralmente era a pessoa calma que me tranquilizava e que acabava com as minhas paranoias. Não tive muito tempo de me atentar ao fato porque logo ele chegou e se sentou do meu lado. E nada, repito, nada no mundo poderia me preparar para o que veio a seguir.
POV James
O dia começou como qualquer outro. Acordei, tomei banho e fui pro café. Depois de uma manhã intensa de treinamento fui para as forjas trabalhar um pouco. Confesso que meu trabalho não foi dos melhores, estava um pouco distraído. Pelo visto a minha distração foi aparente, pois logo David começou a perguntar.
David era meu irmão e um dos meus melhores amigos. Ele estava aqui desde que eu cheguei no acampamento e me conhecia melhor que eu mesmo. No começo não foi nada de mais ele chegou e começou a puxar assunto, tipo qual era o meu projeto, o que faltava fazer, se precisava de ajuda, etc. Eu fui respondendo meio vagamente, sem prestar muita atenção. Até que ele muda completamente o rumo da conversa, me tirando dos meus devaneios.
— James o quê aconteceu com você?
— Comigo? — perguntei um pouco confuso.- Nada ué, tô que nem sempre.
— É mesmo?- questionou- Então por que você não diz mais que duas frases o dia todo? Por que que você desconversa todo mundo que tenta puxar assunto? E por que que você tá apertando o mesmo parafuso desde que eu cheguei aqui?
A fala dele me despertou completamente. Parei o que estava fazendo e o olhei.
— Bom, qual é a sua grande ideia David? Alguma aposta no motivo da minha distração?- falei sarcasticamente. Ele ignorou meu tom completamente e respondeu às minhas perguntas.
— Se eu sei? Eu tenho certeza. Posso resumir toda a sua falta de atenção em uma palavra: Luisa. E não me olhe com essa cara, você sabe que é verdade.
Eu olhava pra ele perplexo.
— De onde você tirou isso? Por que eu estaria distraído por causa da minha melhor amiga? Aliás eu nem sei de onde você tirou que eu tava desconcentrado.
— James, você ficou no mundo da lua o dia todo, isso tá óbvio pra todo mundo, nem precisa tentar disfarçar. Agora quanto a sua pergunta a resposta é bem simples. Você não a vê mais como sua amiga e não sabe lidar com isso.
— Do que que você tá falando? Eu realmente não te entendo.
— O que eu quero dizer é que você gosta dela.
— A meus deuses.- o que ele disse era verdade. Nunca tinha escutado uma coisa tão importante vinda dele. Eu acho que já sabia que eu gostava dela. Vinha me dando conta daquilo nos últimos dias. Mas eu simplesmente não podia aceitar que estava apaixonado pela minha melhor amiga. Tudo o que eu precisava era de alguém me dizendo isso. Exatamente o que o David tinha acabado de fazer.- O que que eu faço agora?
Ele suspirou e disse:
— Olha cara, na sua situação não tem muito o que fazer. Você tem que contar pra ela.
— Não, nananinanão, eu não posso fazer isso! Ela não vai retribuir, eu vou pagar o maior mico e ainda vou perder a amizade dela! Não dá.- pronto, meu pessimismo entrou em ação e com ele veio o desespero.
— Desculpa, mas o que você acha que é melhor? Contar a verdade pra ela e correr o risco dela ir embora, ou continuar mentindo pra ela e pra si mesmo?
— Tem razão.- disse cabisbaixo-Eu tenho que contar, mas como eu faço isso?
— Só diz o que você sente. E seja direto. Como eu te conheço, sei que se enrolar aí que não vai dar certo mesmo.
Passei o resto da tarde pensando no que ele me disse. Ficava mais nervoso a cada minuto que passava. Até que chegou a hora ir. Íamos nos encontrar no mesmo lugar de sempre, provavelmente pela última vez. Fui andando devagar tentando adiar o momento o máximo possível. Fui subindo a colina e percebi que ela já estava lá. No momento que seus olhos dourados encontraram os meus não pude deixar de encará-los por um momento. Afinal, essa poderia ser a última vez que os veria me olhando daquele jeito. Sem poder adiar mais o momento me sentei ao lado dela e disse as palavras que mudariam a minha vida.
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POV Luisa
— Eu te amo.
Foram essas as três palavras que ouvi ele dizer. Pensei que minha cabeça tivesse me pregado uma peça, ou que estava sonhando acordada, não era possível. Só para esclarecer perguntei:
— O quê?
— Eu te amo Luisa. Sempre te amei e sempre vou te amar. Devia ter te contado antes.
— James eu….- tentei falar mas ele me interrompeu.
— Não precisa dizer nada. Eu sei que é estranho, a gente nem se conhece a muito tempo, mas eu não podia continuar sendo seu amigo e fingindo que estava tudo bem, porque não tá. Você provavelmente nunca mais vai querer olhar na minha cara, mas eu tinha que te contar. Agora eu acho melhor eu ir embora.- falou enquanto se virava.
— James espera.- disse enquanto segurava em seu braço para impedi-lo de ir. Eu senti um alívio tão grande naquele momento. Isso me deu coragem de me declarar.- Eu também gosto de você.
A cara que ele fez depois daquilo foi impagável. Tinha um misto de surpresa, alívio e medo. Dessa vez, foi a vez dele de confirmar.
— O quê?
— Eu também te amo. Ia te contar hoje, mas você fez isso primeiro.
Ele me olhou como surpreso. Logo depois sorriu de um jeito que eu nunca tinha visto antes. Depois, ele me beijou. Foi um beijo calmo e doce, e não foi muito longo. Quando nos separamos, fiquei alguns instantes só olhando em seus olhos. Mas então a corneta do jantar tocou. Ia descer a colina, mas ele pegou minha mão, me impedindo.
— Luli, antes de ir eu tenho que te perguntar uma coisa. Quer namorar comigo?
Não pensei duas vezes antes de responder.
— Sim!
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