Campistas contra Campistas

19 Capítulo 19- O retorno


Notas iniciais
Oie! Mais um capítulo pra alegrar o feriado de vocês kkkkkk. Bem agora vamos entender melhor as proporções da guerra. Feliz 7 de setembro!

POV Luli

Mais uma noite em claro. Impressionante a incapacidade do meu cérebro de descansar quando eu precisava, e sabia que nem devia tentar. Quando tinha a cabeça cheia, não conseguia dormir nem se meu corpo estivesse no auge da exaustão. Suspirei frustrada, andando em círculos pelo quarto. Era muita pressão. Por mais que ninguém dissesse nada, sabia que todos contavam comigo. Os campistas tinham vindo até aqui porque tinham a esperança de que nós pudéssemos ajudá-los. E a Carol sempre contou comigo para os planos e pra dar apoio, então…

Se alguma coisa desse errado seria minha culpa. Mesmo se eu não fizesse a estratégia sozinha, nem ficasse responsável por nada importante ainda me sentiria culpada. Como se tivesse falhado com a minha família. Precisava proteger meus amigos e recuperar minha casa a qualquer custo. Mesmo se isso custasse a minha vida.

Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos. Meu defeito mortal atacava de novo. Sabe, ser filha da rainha do Olimpo tinha suas vantagens. Podia fazer qualquer coisa com os meus poderes, além de ser filha única. As pessoas tinham uma tendência a confiar em mim como pessoa, a me deixar ajudá-las. Sempre sabia o que dizer pra consolar alguém. Era como uma mãe ou, no mínimo, uma irmã mais velha. Por outro lado, sentia sempre que devia cuidar de todo mundo o tempo todo. Então toda vez que algo ruim acontecia, eu achava que era minha culpa. Sabia que às vezes não ia poder salvar todos e qualquer pessoa normal aceitaria isso, mas eu não conseguia. E por mais que fosse um defeito bem específico, era em situações como essa que ele quase me destruia. A pressão e a responsabilidade ficavam quase insuportáveis.Me forcei a sentar na janela e a respirar fundo. Olhei pras estrela (coisa que já tinha virado rotina nos últimos dias) e deixei minha mente vagar.

Pensei em como minha vida tinha mudado nos últimos meses. Dois meses atrás eu era só uma garota relativamente normal (com ênfase no relativamente), tentando viver a vida ignorando o fato de sua mãe ser uma deusa grega. Tinha meus amigos, minha casa, minha escola. Então me mudei pros EUA e tudo mudou. Conheci o acampamento e, mesmo sendo difícil no começo, ele virou minha casa e os campistas, minha família. Então o Ian chegou, eu briguei com o James e deu tudo errado de novo. Agora eu estava ali, na janela do meu quarto na véspera dos preparativos pra uma guerra civil, que por acaso tinha começado por minha causa. Suspirei. Devia saber que a partir do momento em que dois deuses apareceram na minha sala de estar a 9 anos minha vida não seria mais normal.

Deitei na cama e desmaiei em um sono sem sonhos, esquecendo, mesmo que por um momento,de todos os meus problemas.

Já era manhã e todos se preparavam para sair. Isa já tinha ido pro aeroporto e prometeu que atualizaria os garotos e manteria contato. Ainda não tínhamos um plano pronto, só uma ideia do que fazer, mas já começamos a viagem de volta ao acampamento porque:

a) Era longe;

b)Tínhamos todo chalé de Atena pensando em um plano e eles eram MUITO rápidos;

c)No fim das contas o plano não ia ser seguido mesmo, porque no calor da batalha sempre acabava no improviso.

Além disso suspeitava que o Leo, os filhos de Hermes e todos os outros semideuses com alta hiperatividade iam ter um ataque se ficássemos parados por mais um tempo. Mas ainda tinha uma questão que tínhamos que resolver. Como iríamos levar 40 semideuses até o acampamento? A pé ia demorar, além de ser perigoso. Avião era uma má ideia. Ir pelo mar era uma opção, mas achar barcos pra todos era um desafio. Além de o mar ser a casa de vários monstros marinhos gigantescos, experiência própria. Tinha que achar uma saída rápido.

— Pensando?- perguntou Carol.

— Sim.- suspirei.- Me diz como levar todo mundo de volta pro acampamento?

— Olha, não faço ideia. Por onde a gente iria?

— A estrada provavelmente. Mas não dá pra ir a pé…

— A estrada é mais isolada e fora de vista certo?-pude ver uma ideia se formando em sua cabeça. Assenti.- Bem, é loucura mas temos alguns semideuses bem poderosos por aqui. Acho que eu e Percy podemos tentar chamar o máximo de cavalos/pegasus possível, Nico pode chamar alguns cães infernais além da Sra.O’Leary e acho que os de Hécate e Deméter podem ajudar também.

— Carolina você é um gênio!- exclamei.- Já sei o que vamos fazer.

Uma hora depois, já estávamos prontos pra partir. Tinham quarenta e três campistas do nosso lado, contando com a gente e as crianças. Carol e Percy tinham conseguido chamar sete equinos cada. Percy pegasus e Carol cavalos normais. Menos 14. Nico conseguiu a ajuda de cinco cães infernais mais a Sra.O’Leary, cada cão podia levar até três campistas nas costas sem viagem das sombras, então menos 18. Adelfí podia levar duas pessoas. Os filhos de Hécate e Deméter conseguiram fazer cinco cavalos encantados usando vinhas e magia. Sobraram quatro campistas sem transporte. Eu já não tinha mais ideia nenhuma.

— Luli.- Annabeth se aproximou.

— Oi Annie.

— Acho que você devia pedir ajuda pra sua mãe.- falou.

— Por que? Não acho que ela vai conseguir ajudar. Os animais sagrados dela são o pavão e a vaca, mas não acho que eles podem ajudar agora.

— Luli, sabe porque a Adelfí se apegou mais a você em vez da Carol que salvou a vida dela?- perguntou.

— Não faço ideia.- confessei.

— Porque ela é uma mãe. E a sua mãe é a deusa do casamento e da maternidade. Então acho que se você pedir ajuda pra sua mãe ela pode chamar animais que são naturalmente protetores com seus filhotes.- explicou a loira.

— Vale a pena tentar.- disse. Fechei meus olhos e me concentrei. “ Mãe, se você estiver ouvindo, por favor me ajude. Preciso levar todos em segurança de volta pro acampamento”. Ainda estava com os olhos fechados quando senti a terra tremer. Abri os olhos e me virei. Vindo na minha direção estavam dois elefantes. Não me pergunte por que tinham elefantes nos Estados Unidos, porque eu não tinha ideia. (N/A Eu escolhi o elefante porque as mães elefante ficam com os filhotes por 22 meses na barriga e quando eles nascem nascem cegos, então a atenção que eles precisam é maior.). Olhei abismada na direção deles. Me aproximei do primeiro e acariciei sua tromba.- Acho que isso resolve nosso problema.

No fim, Leo foi com Sam em um elefante, os Stolls foram no outro (N/A só peço que parem por um momento e imaginem o Leo, o Connor e o Travis em cima de um elefante. Obrigada pela atenção, podem voltar pra história.), eu fui na Adelfí com Piper, Percy foi em BlackJack, Nico foi na Sra.O’Leary, e Carol foi na Crystal. Os outros semideuses se dividiram e pudemos partir.

— Tchau pai.- falei enquanto o abraçava.

— Toma cuidado filha.- pediu.

— Pode deixar.

Carol se despediu de sua mãe e pudemos começar a viagem de volta pro CHB.

Não vou mentir dizendo que a viagem foi tranquila, porque não foi. Monstros nos atacavam a cada cinco minutos mas, felizmente, em pequenos grupos, então não tivemos dificuldade para derrotá-los. O sol já se punha quando chegamos em Nova York. Deixamos os animais irem embora e os filhos de Hécate desfizeram seus encantamentos. Acamparíamos no Central Park naquela noite, e atacaríamos de manhã. Depois de acomodar todo mundo fui conversar com Annabeth e os outros conselheiros de chalé que estavam ali.

— Muito bem.- começou a loira.- Vamos fazer o seguinte. Nêmesis e Hécate lidam com suas outras metades do acampamento. Deméter e Hermes cuidam do resto do chalé de Deméter e Dionísio. Quero metade do chalé de Apolo mais o chalé de Atena cuidando dos filhos de Afrodite. A outra metade do chalé de Apolo, junto com Hefesto e Hipnos lutando contra os filhos de Ares.

— E porque devíamos fazer assim?- questionou Percy. Sabia que ele só queria ver a explicação dela. Annabeth rolou os olhos diante da pergunta do namorado.

— Os de Deméter e Dionísio podem ter poderes, mas o chalé de Hermes é o que tem mais campistas. O chalé de Afrodite me preocupou por causa do charme e da manipulação emotiva que eles conseguem fazer, mas os filhos de Apolo lutam a distância e a cabeça lógica dos filhos de Atena nos dá vantagem. Quanto os filhos de Hefesto são quase tão grandes quanto os de Ares, os outros ficam mais no suporte.

— Certo, mas e quanto a gente?- perguntou Jason apontando para si, Nico, Carol, Percy e eu. Essa eu respondi pela loira.

— Nós vamos atrás do Ian. Se eu bem conheço ele, deve saber que eu não desistiria fácil e, do jeito que é covarde, vai fugir da luta com alguns guardas para proteção. Carol e Nico vem comigo. Jason, você e Percy podem ir com os filhos restantes de Afrodite libertar os prisioneiros. Conheço o Ian. Ele vai se concentrar no ataque e vai deixar as prisões praticamente desprotegidas. Quanto mais aliados tivermos, melhor.

— Depois disso, é só prendermos eles e tentar conter a tropa do Ian até Quíron e o Sr.D voltarem. Aí é com eles.- comentou Carol.

— Isso, e de preferência sem matar ninguém.- disse Annabeth. Pude ouvir alguns protestos, provavelmente da Giulia, conselheira chefe do chalé de Nêmesis e, claro, do Nico.- Temos um plano. Atacamos pela manhã.

Assentimos e fomos descansar. Amanhã seria um grande dia.

POV James.

Fui atirado de volta no chão da minha cela. Meu corpo estava coberto de hematomas e tinha um corte sangrando no braço. Eu fazia o possível para acalmar os semideuses mais novos presos comigo.

— Vai ficar tudo bem.- disse para uma garota filha de Iris, que chorava quieta em um canto. Ela não devia ter mais que onze anos.

— Tem certeza?- perguntou uma voz atrás de mim. Cerrei meus punhos com força tentando controlar a raiva.- Por que pelo que vejo, “bem” seria a última palavra que eu usaria pra descrever a situação de vocês.

— O que você quer Ian?- questionei seco enquanto o encarava.- Deixe-me adivinhar. Vendo o sofrimento dos outros pra tentar esquecer o seu, acertei? Esquece, a Luli nunca vai ficar com você, não importa o que faça. Ela já deve estar bem longe daqui, no Brasil, seguindo com a vida dela.

— É sério? Quer mesmo se livrar dela tanto assim? Desse jeito acabo ficando grato que ela me rejeitou.

— Quer saber? Eu amo ela e quero vê-la feliz, não importa o custo.- retruquei.

— Bom, não acho que você vai ver isso, sinto muito. As paredes dessa cela vão ser a última coisa que vai ver na vida. Sua vida está por um fio. Se eu fosse você, aprendia a me comportar.

— Isso, isso, aproveite o poder enquanto ele existe Ian. Por que alguma hora os campistas vão voltar com Dionísio, então seu reinado estará acabado.

— É mesmo? Que venham. Já derrotei aqueles campistas uma vez e posso fazer de novo. Quanto ao cara do vinho? Ele é um bêbado irresponsável. Até as ninfas têm mais chance de me derrotar que ele.- falou enquanto se afastava. Pude ouvir um trovão ao longe. É, o Sr.D não gostava nem um pouco de quando chamavam ele de “cara do vinho”. Sorri com esse pensamento.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Quem aqui quer matar o Ian? Gente, talvez o próximo capítulo demore um pouco pra sair porque eu estou sem criatividade nenhuma. Bjs.