Campistas contra Campistas
17 Capítulo 17- Problemas maiores
Notas iniciais
POV Carol
Já fazia quase uma semana desde que a Isa tinha chegado. Ela ia embora amanhã, então tínhamos que aproveitar cada segundo. A melhora no humor da Luli era visível, fazíamos de tudo pra com que ela se animasse e esquecesse do que tinha acontecido, mas apesar disso eu sabia que ela ficava algumas noites sem dormir. Sam explorava cada canto do jardim, e ficava fora o dia todo. Hannah estava bem focada estudando magia, tentava melhorar e ajudávamos quando dava, mesmo que isso significasse alguns móveis quebrados. O Mateo passava a maior parte do tempo na biblioteca (sim, biblioteca) lendo. Quando ele não estava lá ou ele praticava arremessos com a adaga ou estava ajudando as meninas. A Isa estava bem animada com as nossas histórias. Todos pareciam felizes. E por melhor que fosse vê-los assim, eu não conseguia ficar feliz também. A cada dia que passava eu me lembrava do Adam. Me perguntava como ele estaria, o que estava fazendo. E principalmente o que ele tinha achado da carta. Tinha pedido pro meu pai entregá-la apenas caso eu fosse embora. Espero que ele tenha cumprido a promessa. Eu tentava esquecê-lo, mas sabia que seria impossível. Ele era especial demais pra eu simplesmente agir como se nunca tivéssemos nos conhecido. Mesmo assim eu tentava ao máximo seguir em frente. Estava com as garotas no jardim da minha casa quando ouvi um barulho. Por puro instinto saquei a espada e vi que Luli tinha feito o mesmo. Olhei pra cima.
— Grifo!- gritei. Isa pegou as crianças e as levou pra dentro da casa. Luli começou a atirar flechas e eu atacava como podia do chão com a espada. O grifo era ágil, e desviava de todos os nossos ataques. Luli conseguiu atingi-lo com uma flecha, mas não antes de ser jogada pra longe. Ele caiu e eu fui em sua direção, para matá-lo. Já erguia a espada quando olhei em seus olhos. Ele me olhava com medo e, surpreendentemente, culpa. Ele fechou os olhos, como se aceitando seu destino. Não podia fazer isso. Ele tinha tentado nos matar, mas era a natureza, só estava seguindo seus instintos. Abaixei a espada. Sussurrei
— Não posso.
Ele abriu os olhos era quase como se tivesse me entendido.
— Carol, o que você tá esperando, vai!- pediu Luli. Não respondi. O animal me prendeu com seus olhos e, lentamente, estendi minha mão na direção de sua cabeça. Fui me aproximando até começar a acariciá la. Ele deixou. Ou seria ela?
— Oi.- disse.- Quem é você? Precisamos te dar um nome.
Luli foi se aproximando. O grifo olhou-a interessado. Ela sorriu e estendeu a mão, do mesmo jeito que eu tinha feito.
— Ela está muito ferida. Temos que cuidar dos machucados.- falou séria.
— Como você sabe que é ela?- perguntei.
— Não sei. Só… sinto isso.- respondeu.- Anda, vai no meu quarto e pega a minha bolsa o mais rápido possível.
Assenti e obedeci, correndo pra dentro da casa. Acho que tínhamos ganhado uma nova amiga.
POV Luli
Ela me olhava atentamente.
— Tá tudo bem.- disse.- Não vou te machucar. De novo.
Quando Carol chegou com a minha bolsa rapidamente peguei os medicamentos que tinha lá dentro e comecei a tratar dos ferimentos. Algumas ervas, medicamentos mágicos e gaze podiam fazer milagres.
— Como você sabe fazer isso?- questionou Carol assustada.
— Aulas com os filhos de Apolo.- respondi sem desviar minha atenção. Alguns minutos depois tinha acabado.- Agora que nome vamos te dar?
Pensei por alguns minutos antes de achar o nome perfeito.
— Que tal Adelfí?
— Irmã em grego? Pode ser. Combina com ela. Agora ela vai ser oficialmente parte da família- concordou Carol.
— O que acha garota?- perguntei. Ela mexeu a cabeça, concordando.- Ótimo, então Adelfí será.
Logo todos chegaram para conhecer Adelfí. Em poucas horas ela já estava curada. Andava lado a lado com ela no jardim observando o pôr do sol, quando ela se abaixou, como se para eu subir.
— Quer que eu suba?- ela assentiu e eu subi. Logo decolamos.- Pra onde vamos?
Voar era incrível. Sentir o vento nos cabelos, a sensação de liberdade era a melhor coisa do mundo. A vista era de tirar o fôlego. Eu me divertia e acho que Adelfí percebeu. Quando pousamos percebi que ela tinha me levado até uma caverna. Depois de passar por um corredor estreito na entrada, saímos em uma ampla câmara. E dentro dela tinha o filhote de grifo mais fofo que eu já tinha visto em toda minha vida.
— É seu? Entendi, quer que eu leve ele com a gente certo?- me aproximei do filhote.- Oi. Eu sou a Luli. Quer vir comigo e a sua mãe?- ele pulou em cima de mim. Ri da sua animação.- Então vamos! Vamos te chamar de…. Chrysós!- Ouro em grego. Ia ser perfeito pra ele, seus olhos pareciam ouro líquido.
Logo voltávamos pra casa, com Chrysós em meus braços. Todos amaram o pequeno grifo e ele se interessou bastante na Sam. Os dois brincaram bastante juntos. O dia tinha sido perfeito. Isa iria embora na manhã seguinte, e aquele com certeza foi um bom último dia. Estávamos todos jantando na casa na Carol, com os grifos deitados em um canto da sala, quando de repente Adelfí se levantou. Como grifos tinham os sentidos muito mais apurados que os dos humanos,seguimos ela até o jardim da minha casa. Ela olhava fixamente a trilha que ia na direção do pequeno bosque que tinha no condomínio. Então meu coração quase parou. Por que vindo na nossa direção estavam um grupo de adolescentes usando camisetas laranjas esfarrapadas, cheios de cortes no corpo e cansaço no rosto. Campistas do CHB.
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