Notas iniciais
Oi galera. Nem demorei tanto agora né? Desculpa pelo capítulo passado, mas era necessário. Sem muito pra falar. Dica: ouçam a música Home ( with Machine Gun Kelly, X Ambassadors, Bebe Rexha. Eu achei muito a cara dos semideuses. Agora, o capítulo.

POV Carol

Me doía ter que deixar o acampamento e, principalmente, o Adam pra trás, mas a Luli precisava de mim. Vivíamos juntas desde sempre, não podia abandoná-la agora quando ela mais precisava de mim. Descemos a colina apressados, quanto mais tempo ficássemos parados pior. Já tínhamos nos afastado bastante quando sugeri uma pausa.

— Precisamos parar. Não podemos simplesmente sair correndo sem um plano. Para onde vamos?- nos sentamos em um beco escondido pra pensar.

— Se formos rápidos, podemos ir até a estação e pegar um trem até NF. Aí ficamos com os nossos pais até decidirmos o que fazer.- sugeriu Luli. Assentimos.- Já que estão todos de acordo, é melhor irmos indo, somos cinco semideuses, com uma filha dos três grandes e uma filha de Hera, que não sabemos se atrai muitos monstros ou não, mas prefiro não arriscar.

Dito isso, continuamos o nosso caminho indo o mais rápido possível em direção a estação de trem, mas mesmo assim ia demorar um pouco. Os monstros apareciam o tempo todo, mas graças ao treinamento intenso no acampamento, sempre conseguíamos escapar com poucos ferimentos. Quando já passavam das nove da noite, decidimos parar pra dormir e continuar o mais cedo possível na manhã seguinte. Deixei as crianças dormirem e fiquei com o primeiro turno de vigia. Olhava distraidamente pras estrelas quando Luli veio e se sentou do meu lado.

— Você deveria estar dormindo.

— Não consigo. Aconteceu coisa demais pra eu conseguir simplesmente fechar os olhos e dormir agora.

— Vai me contar o que aconteceu pra gente sair correndo assim do nada?

— Já que você insiste…- suspirou e começou a contar tudo o que aconteceu desde que nos separamos na arena. De como o Ian a beijou e ela não tinha conseguido fugir; de como ele fugiu covardemente depois daquilo; da aparição do James na floresta; da briga; do discurso do Ian no refeitório; das pessoas a xingando sem parar; enfim, tudo.- E no fim foi pressão demais pra suportar, não dava mais. Eu tinha que ir embora, escapar, mas vocês me alcançaram antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Desculpa. Você tava feliz lá, por minha causa você teve que deixar o seu irmão e o Adam pra trás, as crianças tiveram que fugir de novo, desculpa.- ela soluçava. A abracei e comecei a acariciar seus cabelos.

— Ei, não foi nada culpa sua. A gente veio porque quis, ninguém obrigou ninguém a nada. O James só teve uma crise gigante de ciúmes, mas pelo menos, você respondeu dessa vez, ele não te merece. Quanto ao Ian ele só estava irritado porque foi rejeitado. Nada foi culpa sua.- ela começou a se acalmar aos poucos e logo estava dormindo do meu lado. Ela ficava tão calma quando dormia. Na nossa dupla ela sempre foi a responsável, que cuidava de mim. Eu geralmente me metia em confusão e problemas. Mas mesmo assim eu me prometi que nunca mais deixaria nada acontecer com ela. Sem perceber, dormi e sonhei com um dia, tantos anos atrás, onde não devíamos ter nem nove direito, e ela tinha me feito uma promessa parecida.

Sonho Carol on

Eu via tudo como observadora, como se estivesse em um filme. Mas em vez disso, o que eu assistia era uma memória minha. Duas garotas corriam em um parque assustadas de algo, que pelo barulho, não devia estar muito distante. Uma tinha pele escura e olhos verde-mar, e estava com os cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo. A outra tinha os cabelos castanhos escuros caindo pelo rosto pálido e tampando seus olhos dourados. Eu e a Luli. A morena tomou dianteira, se aproximando da porta de uma construção abandonada.

Eu me lembrava bem daquele dia. O pai da Luli tinha levado a gente pra acampar, mas enquanto ele tinha ido buscar lenha, duas dracaenae apareceram e começaram a nos atacar. No começo tentamos revidar, mas éramos muito pequenas, então logo saímos correndo.

— Anda Luli, vamos por aqui!- gritou a que estava na frente. A outra se apressou, e as garotas rapidamente entraram e fecharam a porta, colocando o máximo de coisas possíveis na frente. Se afastaram enquanto os monstros tentavam arrombar a porta.

— Vem, isso não vai segurar elas por muito tempo.- falou Luli, enquanto puxava a amiga em direção a escada que levava ao segundo andar. Elas mal conseguem terminar de subir as escadas antes da porta ser bruscamente aberta, e de lá saírem duas mulheres com pele escamosa e língua bifurcada. As garotas apressaram o passo, tentando achar uma saída.

— Ali!- exclamou a outra (no caso, eu), enquanto apontava para uma janela aberta, do outro lado do corredor e muito alto. Atrás dela era possível ver uma árvore.- Se conseguirmos chegar lá podemos descer pela árvore.

— O problema é, como?- perguntou Luli. Naquele momento seus olhos brilharam.- Tive uma ideia. Tá vendo aquelas vigas ali?- disse apontando pras vigas horizontais que sustentavam o teto. A outra assentiu.- A gente sobe e anda em cima delas até a janela.

O plano tinha uma grande chance de dar certo, então elas foram tentar. Luli já estava começando a avançar, mas a amiga paralisou no momento em que pisou na viga e olhou pra baixo.

— Vem Carol!- pediu a outra.

— Eu não consigo! Eu morro de medo de altura. Vai que eu desço e tento sair pela porta.- eu sabia que as chances de eu sobreviver se descesse eram mínimas, mas era a única opção no momento.

— Nem pense nisso! Vem, eu te ajudo.- pediu a Luli, olhando-a com conforto. Carol assentiu assustada e pegou as mãos que a amiga lhe estendia.- Isso. Não olha pra baixo. Olha pra mim. Vem.

Devagar, elas começaram a atravessar o corredor, uma olhando fixamente para a outra. Eu lembro de estar apavorada. Morria de medo de altura desde que me entendia por gente. Depois de chegarem na janela e descerem a árvore, elas correram o mais rápido possível de volta pro acampamento.

— Obrigada.- agradeceu a de olhos verdes.

— Que isso. Tudo bem.

— É sério. Você podia ter me deixado lá. Se salvado.

— Olha pra mim.- pediu. Depois que ela obedeceu, continuou.- Você é a minha melhor amiga, eu nunca vou te deixar sozinha. Estamos nessa juntas, agora e para sempre. Vai ser sempre assim, você se encrencando e eu te ajudando a resolver os seus problemas. Sou tipo a sua irmã mais velha. Não vai conseguir se livrar de mim tão fácil.

Elas riram e se abraçaram, logo voltando a arrumar o acampamento.

Sonho Carol off

Acordei com um pulo. Olhei pra Luli dormindo serenamente. Era raro vê-la assim, relaxada. Depois daquele dia as coisas aconteceram exatamente do jeito que ela tinha dito.Toda vez que eu me metia em confusão ela estava lá pra me proteger. “É, pensei, acho que tá na hora de eu ser a irmã mais velha pra variar”.

Notas finais
Espero que estejam gostando. Bjs