Campistas contra Campistas
10 Capítulo 10 -Sessão da meia noite
Notas iniciais
POV Luli
Depois do pedido, saí correndo pro jantar. Comi com o resto do pessoal do 1,2,3 e 13. Decidi pular a fogueira e fui ao chalé tomar banho. Enquanto deixava a água correr no meu corpo não consegui deixar de pensar no beijo do James. Meu banho foi relativamente rápido, e quando saí, encontrei com as quatro semideusas mais animadas do acampamento. Mal passei pela porta e Hazel, Piper, Carol e Annabeth me envolveram em um abraço coletivo. Elas avisaram que iam dormir comigo naquela noite. Não sabia se era uma boa ideia, afinal Annie e Piper eram as conselheiras- chefe dos seus chalés, mas não discuti. Não demorou muito pra elas se acalmarem e começarem com as perguntas.
— O quê aconteceu?- perguntou Carol.
— O quê ele disse?- questionou Piper.
— Fala logoooooooo!- implorou Hazel. Deuses elas estavam muito agitadas.
— Qual pergunta vocês querem que eu responda primeiro?- indaguei tentando manter a calma.
— Só conta o que aconteceu.- pediu Annabeth.
Sem mais demora contei pra elas o quê havia acontecido, cada detalhe. Elas ficaram quietas do começo ao fim de tão concentradas que estavam na história. Quando terminei, todas começaram a falar ao mesmo tempo. Por fim Carol disse o comentário final.
— Agora eu nunca mais te vejo na vida. Se quando vocês eram amigos eu quase não te via, agora vou ter que começar a perseguição.
Indignada, peguei o travesseiro mais próximo e joguei nela. Mas ela foi rápida e ele acabou acertando a Hazel. Ela revidou, mas eu consegui escapar. Ele foi parar na cara da Annie. Então você já sabe. Começamos uma guerra de travesseiros e ficamos nela até tarde da noite. Era incrível o quanto o tempo voa quando você se diverte. Quando nos demos conta, já era uma da manhã. Achamos melhor dormir antes que ficasse muito tarde e arranjássemos encrenca.
No dia seguinte…
POV Carol
Hoje só teremos treino de manhã. No café, eu vi a Luli o James se olhando. Deuses eles eram muito fofos. Antes do treino eu vi como eles deram uma “escapada” para poderem ficar juntos. Eu reparei em como a Luli tava feliz. Achei bom ir falar com o James pra botar um pouco de juízo na cabeça dele. Óbviamente não ia me meter no relacionamento deles, mas já que a Luli não tinha nem o pai, nem o Jacob ou o Bryan pra cuidar dela, era o meu trabalho assustar o garoto.
Depois do treino e do almoço notei que o James ia pras forjas. Provavelmente ele e a Luisa se encontrariam só no fim da tarde. Ótimo. Desse jeito eu poderia falar com ele sem que a Luli interrompesse. O segui de fininho e esperei até ele estar sozinho. Assim que ninguém estava olhando eu fui em sua direção e o pus contra a parede. Ele se assustou com a minha ação, mas nem deu tempo dele questionar antes de eu começar com as ameaças.
— Escuta aqui, você cuida bem da minha amiga ouviu? Ela já passou por coisa de mais e ela realmente gosta de você. Cuidado com as suas ações, porque se ela se magoar por sua causa você está morto. — disse ameaçadora. A cara de pavor que ele fez enquanto me ouvia foi indescritível. O resto eu falei mais pensando em voz alta.- Eu não suportaria ver ela sofrendo, não de novo….
— Espera, de novo? Aconteceu alguma coisa?- ele pareceu curioso, mas não dei chance dele perguntar mais.
— Se você fizer alguma coisa com ela, qualquer coisa, vai se ver comigo. Entendeu?- ele assentiu.
— Ótimo- disse enquanto tirava o braço do seu pescoço e arrumava a roupa. Ele me olhou com uma cara estranha do tipo “vai me matar ou já acabou?” antes de continuar o caminho pras forjas. Saí andando até um banco que tinha perto da floresta e me sentei pra descansar um pouco. Um tempo depois alguém se sentou ao meu lado.
Era o Adam. Ele olhou pra mim e sorriu. Com ele eu me sentia melhor do que nunca. Me sentia segura. Ele conseguiu derrubar as barreiras que eu criei a minha volta ao longo dos anos. Sabia me fazer falar e sempre dava os melhores conselhos. Conseguia me fazer relaxar. Pra alguém que viveu lutando pela própria vida desde pequena sem descanso como eu relaxar era uma coisa incrivelmente rara. Não demorou muito para começarmos a conversar.
— Então o que você fez hoje?- perguntou.
— A, nada de mais. Só assustei um certo filho de Hefesto com algumas ameaças de morte básicas, mas só isso mesmo.- disse com tranquilidade.
— Coitado do James, não vai poder dormir por uma semana depois dessa.- comentou rindo.
— Ei!- falei indignada.- Eu não sou tão terrível assim!
— É mesmo?- perguntou.
— Tá, talvez um pouco, mas em todos os relacionamentos sempre tem alguém pra por terror no menino. E esse é o meu papel. — cedi um pouco.
— Sério? Nem o Percy nem o seu pai fizeram nada comigo.- disse pensativo.
— E por que você acha que não? O Percy sabe que eu mato ele se ele te fizer alguma coisa, e nem ele é burro o suficiente pra vir brigar comigo.- expliquei.
— Convencida ela, não é não?
— Para com isso!- dei um tapa em seu braço enquanto fingia estar com raiva.
— Ei, era só uma brincadeira, todo mundo aqui sabe que é bom não mexer com você.- disse se desculpando. Se fosse qualquer outra pessoa ainda ficaria irritada pelos próximos dias, mas eu não conseguia me estressar com ele. Então decidi pôr o assunto de lado e aproveitar o resto do dia.
…
Já estava escuro e bem tarde. Devia ser próximo a meia-noite. Acordei de um sonho. As últimas palavras que foram ditas nele ainda ressoavam na minha mente. “Prepare-se”. Fiquei me perguntando o que aquilo significava. Decidi sair pra esfriar a cabeça. Com muito cuidado para não acordar o Percy, pus meu tênis e saí do chalé. O ar da noite estava fresco e olhar pro céu me confortava. Ele me lembrava de casa.
Fui andando calmamente entre os chalés quando ouvi um barulho. Foi tão sutil que por um momento pensei que o tinha imaginado. Mas lá estava ele de novo. Sons de passos na escuridão. Fui andando devagar na direção do barulho. De repente ele parou. E alguém surgiu das sombras. Sam me olhava envergonhada enquanto eu suspirava de alívio.
— Sam! Você quase me matou do coração! O quê faz aqui fora a essa hora?
— Desculpa……. Gosto de vir aqui fora e ver as estrelas.
— Quem está aí?- perguntou Hannah enquanto apareceu no telhado.
— O que vocês estão fazendo aqui fora?- questionou Mateo, vindo na nossa direção.
— Hannah? Mateo? O quê estão fazendo fora dos seus chalés?- aquela situação já estava me tirando do sério. Eles me olhavam enquanto tentavam se explicar.
— Gosto de ler a noite com a janela aberta pra sentir a brisa fresca, mas aí ouvi vozes e vim ver quem era.- falou o garoto.
— Simplesmente gosto de passear a noite.- respondeu a filha de Hécate.
— Muito bem, dessa vez passa. Eu não vi vocês e vocês não me viram ok?- disse tentando dar um tom autoritário a minha voz. O quê eu podia ter feito? Estaria tão encrencada quanto eles se fosse pega fora do chalé a noite. Ninguém teve tempo de me responder, porque logo em seguida ouvi um grito baixo vindo do chalé de Hera.
“Luli” pensei antes de correr até a porta.
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