Camp Half Blood - INTERATIVA
2 New Life
Notas iniciais
–Finalmente. -Ouço ao abrir os olhos, confusa. -Bom dia, Cinderela.
Minha cabeça girava e eu não fazia ideia de onde estava. Olho para o garoto sentado nos pés da cama em que estou deitada. Ele me olhava, divertido. O sorriso em seu rosto era tão grande e brilhante que era quase impossível olhá-lo sem sentir minhas córneas derretendo.
–Q-quem é você?
–Hall. -Ele estende a mão. -Callum Hall, filho de Apolo.
–Como? -Digo surpresa depois do cumprimento.
–Callum.
–Essa parte eu entendi. -Reviro os olhos me ajeitando melhor na cama. -Você... Você disse filho de quem?
–Apolo. -Callum deu de ombros. -Sabe, deus da música, medicina, sol, cara mais gato do Olimpo...
Ele me fitava como se aquilo fosse óbvio. Desviei meus olhos do garoto pela primeira vez para olhar ao redor: Um lugar enorme e bem iluminado, adolescentes que aparentavam ter quase a mesma idade que eu andavam de um lado para o outro em jalecos brancos e alguns outros estavam deitados em macas espalhadas por todo o lugar que parecia ser um chalé. Um.. Hospital?
Dou uma olhada em mim mesma:Tudo parece estar no lugar, exceto o fato dos meus jeans escuros estarem completamente cobertos por uma estranha fuligem dourada e a camiseta xadrez, chamuscada. Quis perguntar ao Callum se eu havia passado por uma estranha experiência com explosões de purpurina, mas me contive ao perceber seus olhos em mim com um ar sério.
–O que...
–Você passou por muita coisa pra chegar até aqui, Alice. -O garoto falou, cansado. -Não se lembra de nada?
–Como sabe meu nome? Onde eu estou?
–Calma, calma, você vai ficar bem aqui. Somos seus amigos. Eu sou. Este é o Acampamento Meio Sangue. Quer dizer, a enfermaria dele. -Callum riu e eu sorri amarelo. -Você vai adorar isso aqui. Nos primeiros dias é um saco, mas você se acostuma: Vai conhecer outros como você e entender uma porção de coisas que podem estar confusas agora por causa da sua mãe e...
–Espera.
Aquilo era demais pra mim.
–Minha mãe me deixou quando eu tinha seis meses, abandonou meu pai desempregado e com uma criança pra cuidar porque tinha coisas mais importante pra fazer. Mais importante do que a filha dela. O que quer que seja isso aqui, se estiver relacionado á ela, eu. Não. Ligo. -Praticamente cuspi as palavras nele. Callum me olhava boquiaberto e ficou sem palavras por alguns segundos.
–Ouch. -Falou finalmente. -Essa doeu.
–Quero ir pra casa.
–Essa é a sua casa agora, Ally.
–Não, é, não! -Tentei me levantar e senti uma fisgada no abdômen. Olhei pra baixo e só então percebi o grande talho banhado a sangue na camiseta. Uma cicatriz começava se formar. -Ai...
–Vai com calma ai, senhora "ninguém manda em mim".
Callum segurou meus ombros e me guiou até a cama novamente, sentando-me. Habilidosamente o garoto pegou uma faixa e a untou com algum tipo de mistura com ervas. Pediu licença para levantar minha camisa e eu apenas assenti. Ele envolveu, cuidadosamente, meu quadril e abdômen com a atadura e logo terminou o curativo.
–Valeu.
Ele apenas deu de ombros.
–Toma. -Virou-se e me passou um copo. -Um gole e vai se sentir muito melhor.
–O que é isso?
–Você faz perguntas demais. -Falou e ergueu uma sobrancelha indicando a bebida.
Curiosa dei um gole e...
–Milk Shake de morango?
Callum riu.
–Esse é o gosto que tem pra você? Pra mim sempre foi chocolate quente. Isso é Néctar, a bebida dos deuses. Cervejinha de domingo pra eles, mas para os mortais... Bom, digamos que podemos ter problemas se exagerarmos. E eu não estou falando da ressaca de segunda-feira.
Eu ri e entreguei o copo a ele.
–Callum... Sério, por que estou aqui? E que papo é esse de deuses e mortais? -Falei, séria.
Seu grandes olhos azuis perderam um pouco do brilho com a minha seriedade e ele parecia estar ponderando se me contava alguma coisa ou não. Callum se levantou da cama e passou as mãos pelos fios loiros e bem cortados de seu cabelo, bufando.
Ele murmurou um "Vem" e puxou da cama, guiando-me por entre os corredores de outras muitas macas e depois de alguns segundos estávamos do lado de fora da enfermaria.
–Uau... -Deixei escapar.
O lugar era enorme e eu não conseguia ver até onde iam os limites da propriedade: Provavelmente a colina toda fazia parte daquele lugar. Continuamos andando e por todos os lugares por onde Callum me puxava haviam jovens praticando algum tipo de atividade, a maior parte delas envolvendo arcos ou espadas.
No caminho vi muitos outros chalés espalhados formando um semicírculo e, apesar de se assemelharem no tamanho e arquitetura, todos eram diferentes um dos outros e traziam números talhados em suas portas: Enquanto o número 8 parecia estar vazio há muito tempo, o 11 estava lotado, e eu podia jurar que haviam camas até na varanda.
Os chalés de número 1 e 2 eram os maiores ali, e também os mais "luxuosos". Fiquei um tempo observando as grandes portas douradas do 2. Callum pareceu notar e sorriu com o meu interesse.
–Hera.
–Como?
–Esse é o chalé destinado aos filhos de Hera, a rainha do Olimpo. -Ele sorriu ao ver a curiosidade em meus olhos.
–Está vazio?
–Sim. E sempre esteve. Hera é a deusa da fidelidade e do casamento, portanto nunca teve filhos que não fossem com Zeus: Sendo assim, todos eles são deuses. -Hall deu de ombros, como se não fosse tão impressionante assim.
–Acho que... Isso tudo é demais pra mim. -Me sentei nas escadas que davam a varanda do chalé. -Está me dizendo que deuses da mitologia existem? E que os filhos deles tem um acampamento de férias?
O loiro riu balançando a cabeça.
–Você tem muita coragem em chamar isso tudo de mito. -Ele caminhou até mim e sentou-se ao meu lado. -Tudo é real. Os deuses, os monstros, tudo. Nós somos reais.
–E o que... -Tomei folego. -O que nós somos?
–Semideuses. Sabe, não somos imortais como os poderosos do Olimpo, mas também não somos mortais como os humanos. Somos Meio Sangues: Metade deuses. Metade humanos. Somos o resultado das aventuras de nossos pais com humanos e somos poderosos por isso. E por sermos poderosos passamos por grandes perigos.
–Por isso esse lugar?
–Sim. O Acampamento é o único lugar seguro para pessoas como nós. É protegido por barreiras mágicas para que apenas semideuses e outros seres permitidos passem pelas portas no topo da colina. -Callum apontou para um pinheiro lá em cima. -Aqui somos treinados para sobreviver fora dessas barreiras. Temos irmãos e aprendemos a controlar nossas habilidades. Cuidamos para que o mundo mortal e o mundo que nós conhecemos estejam em constante equilíbrio. Nós somos a ponte entre os nossos pais e o mundo terreno.
–Nossa... -Eu suspirei e ele riu. -Mas... Se eu sou metade humana e metade deusa... Minha mãe...?
–É.
–Mas... Por quê?
–Os deuses não podem ter contato com seus filhos. Eu mesmo só falei com o meu velho uma vez, enquanto estava em missão.
–Você é filho de Apolo, certo?
–Certo.
–E aqui existem filhos de vários deuses, certo?
–Checado.
–Então... Quem é minha mãe?
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