Notas iniciais
Aqui,seus lindos. Outro capítulo,espero que vocês gostem e-e'

Amanheceu. Senti alguém me cutucando e grunhi,me recusando a abrir os olhos. Depois me senti sendo suspensa e carregada, mas quando abri os olhosjá era tarde demais: haviam me joagado na água. Com a pouca habilidade que eu tinha em natação, consegui voltar à superfície e vi Ana Paula e Higor gargalhando no píer, de onde haviam me jogado.

— SEUS MALUCOS!EU PODIA TER MORRIDO!- Gritei irritada.

— Mas ainda está viva,então sorria,você encarou a morte. — Ana me respondeu, teatralmente.

— Um dia eu juro que mato vocês dois... -Resmunguei, enquanto nadava em direção à margem. Os dois logo correram de volta ao Acampamento e eu corri logo atrás.

Quando cheguei ao pátio dos chalés, perdi-os de vista e parei bem em frente ao chalé de Apolo. Samara estava saindo na mesma hora e deu de cara comigo: Uma menina magrela, com as roupas pingando, cabelo encharcado e grudado na cara, com uma expressão de raiva no rosto e os punhos cerrados. Uma cena que poderia muito bem ter saído de um filme de terror.

Samara sorriu e me perguntou o que havia acontecido. Quando eu contei,ela se pôs a rir mais ainda e disse:

— Ah,é normal Ana e Higor fazerem esse tipo de brincadeira com todo mundo. Se eles já se sentem à vontade pra brincarem desse jeito,é porque provavelmente foram com a sua cara.

— Ou não...

— Vai, deixa de drama,Mary. Vai participar da captura da bandeira?

— Tenho a escolha de não participar? — Meus olhos se iluminaram.

— Claro que não.

— Ah, então sim,vou participar desse troço. — A essa altura,já havíamos chegado à porta do meu chalé, e ela olhou-me com uma expressão divertida.

— Bem,se eu fosse você, me arrumaria logo,porque vai começar em pouco tempo. Vista-se com algo seco e vamos logo escolher o time.

Ela se foi, fazer alguma coisa importante e me deixou, sozinha na imensidão do meu chalé. Tomei um banho, tentei dar um jeito no cabelo e vesti um jeans e uma camiseta preta qualquer. Respirei fundo e me dirigi à floresta apenas com a cara e a coragem(na verdade,apenas com a cara). Perto da espessa massa de árvores,um grupo enorme de campistas estava reunido e eu me aproximei timidamente. Ingrid logo me viu e gritou "MARY!" bem alto,chamando a atenção de todosparaminha chegada. Quíron estava no centro do grupo,e de um lado estava Gikah(conselheira-chefe do chalé de Ares) e do outro estava Romulo(conselheiro-chefe do chalé de Apolo). Eles estavam resolvendo quem ficava no grupo de quem. Fiquei em silêncio, ao lado da Ingrid, e Higor se aproximou,dizendo:

— Ei,seu cadarço está desamarrado.- Murmurei um "obrigado" e quando abaixei para amarrar, levei um chute na bunda e caí de cara no chão. Irritada,levantei e todos riam, principalmente Higor e Ana Paula(que havia chutado minha bunda). Roniara(ainda rindo) me ajudou a me recompor, e eu mesma dei uma alta gragalhada de mim mesma. Quíron sorriu para todos e exclamou alto:

— Bem,campistas,tems aqui a captura das bandeiras. Os chalés anfitriões são Apolo e Ares. Vocês sabem as regras. Agora dividam-se e escolham seus times.

Bastou essa ordem para que os campistas começassem a se misturar, numa profusão de vozes barulhentas. Procurei Ingrid no meio do tumulto, mas fui arrastada pela multidão e encontrei Ana Paula,que me levou(meio puxando,meio arrastando) até o time de Apolo, que estava situado num ponto perto da entrada da floresta. Lá estavam Samara,Romulo,Rebeca, Ingrid,Raul, Carlos, Roniara e Higor,todos vestindo suas armaduras,escolhendo suas armas e montando estratégias. Roniara se ofereceu para me ajudar a me preparar e me levou a um canto,onde haviam algumas caixas com adagas, espadas,escudos e partes soltas de armaduras. Ela procurava algo em uma das caixas e eu me aproximei.

— Ei,Ronny,posso te fazer uma pergunta?

— Claro,o que foi?

— Que tipo de atitude se espera geralmente de um filho de Hefesto?

— Bem... Geralmente os filhos dele têm força bruta,para poderem construir coisas,mas no geral são antissociais,e impulsivos... Aqui,achei! — Ela levantou uma espada de bronze celestial,pequena e que parecia bastante leve. — Pra você usar por enquanto,Mary.

Peguei a espada e fiquei observando-a, quando Romulo passou e colocou um capacete na minha cabeça,fazendo minha franja cobrir meus olhos e me impedir de enxergar direito.

— Você entra no território inimigo e pega a bandeira,ok?

— EU O QUÊ? EU VOU CONTRA OS FILHOS DE ARES? — gritei,levantando um pouco o capacete.

— Relaxa,nós temos uma equipe pra te dar cobertura. — ele apontou três campistas que eu ainda não tinha visto. — Esses são Gigi,Juninho e Evellyn. Gigi é filha do Sr. D, Juninho é meu irmão e Evellyn é filha de Atena,mas quis ajudar a gente,ao invés de ficar com os irmãos.

Gigi era alta,mas tinha uma cara de criança,com um sorriso largo e alegre. Juninho era baixinho, com cara de enfezado e jeito de metido. Já Evellyn era baixinha,com cabelos pretos e um sorriso doce e amável. Eu os cumprimentei o mais alegremente que consegui(Já que o medo da iminete surra que eu provavelmente levaria,estava embrulhando meu estômago). Ouvimos gritos de "VAI COMEÇAR!" e ficamos a postos. Como seria uma das primeiras a disparar quando a trompeta tocasse, eu fiquei na frente do grupo. Virei-me de relance e perguntei:

— Por que mesmo que eu é que tenho que ir?

— Porque você é magricela,dá pra passar por qualquer canto. Mas principalmente porque você é novata,então,boa sorte caloura. — Raul respondeu prontamente,com um sorriso irônico. Murmurei um "que ótimo" e virei para a frente.

Eu não tinha nenhum plano pré-estabelecido,por isso,quando as trombetas soaram, eu simplesmente corri para o meio da floresta,sem direção(já que o capacete me incomodava muito). Alguns campistas adversários passaram por mim,mas eu apenas continuei correndo,como se fosse futebol americano, e um deles chegou perto de me acertar,mas uma saraivada de flechas da Gigi e do Juninho obrigou-o a recuar. Virei para agradecer,mas eles apenas me fizeram sinal para seguir em frente e eu continuei correndo. Numa pequena clareira,eu parei e tirei o capacete,jogando-o no meio das árvores. Pus as mãos no joelho e fiquei olhando o chão,tentando recobrar o fôlego. Foi quando vi meus tornozelos serem enrolados por rosas trepadeiras que brotaram do nada.

Me desequilibrei e caí no chão. Outras flores brotaram e se enrolaram em mim, fazendo com que eu começasse a me desesperar. De trás de uma das árvores saiu Joy,com um sorriso triunfal.

— Desculpe,Mary,mas eu não posso te deixar passar daqui,ou a Gikah me mata. — Eu tentei falar,mas estava tomada de imenso terror(do contrário,teria soltado todos os palavrões da face da terra) e não conseguia me mover. Algo em mim dizia "PERIGO" e eu senti minha mão formigando. Joy se aproximou mais, e arregalou os olhos,incrédula. Eu senti cheiro de queimado e ao mesmo tempo,senti que as flores se soltavam e eu podia me mover. Quando olhei para meu tronco,as flores pegavam fogo! Eu me levantei sobressaltada,e vi que minha mão também queimava! Gritei e sacudi a mão desesperadamente,tentando apagá-la,mas acabei(sem querer) jogando uma bola de fogo no chão,perto dos pés da Joy, que começou a tentar apagar o fogo,pisoteando-o. Aproveitei a oportunidade e fugi,para tentar cumprir minha tarefa,mas ainda atordoada com o que havia acabado de acontecer.