Caminhos de Terraria

8 O Desaparecimento das Estrelas


Notas iniciais
AHHHH! Finalmente eu consegui terminar esse capítulo! Agora eu vou tentar regularizar um pouco os capítulos, e lançar um novo todas as semanas.... Ficou gigante, eu sei... Mas vai valer a pena depois de tudo, porque expõe um enorme avanço na história. Como sempre, aqui têm uma sugestão de música para acompanhar esse capítulo, é um pouco de irónica, tendo em conta o capítulo... https://www.youtube.com/watch?v=y5TE3BcF_VY)

As ondas abanavam gentilmente o barco, enquanto que as brisas que percorriam o ar era calmas e perfumadas com um belíssimo odor marítimo. O sol penetrava as nuvens que se colocavam entre ele e o oceano, expondo os seus raios. Aquele era um bom dia. Asherah, a sereia que havia ficado de ajudar os aventureiros, já havia partido há perto de um dia, e ainda não se notavam sinais dela. A sereia nadava rápido, contudo, talvez não o suficiente. A viagem náutica estava perto de ser encerrada, com eles quase a chegar ao seu destino. Robert estava junto do Capitão, a aprender a navegar o navio, enquanto os restantes se encontravam juntos. – “Afinal de contas, para onde é que vamos? Estamos quase a chegar e ainda não mencionaste uma única vez!” – Dirigia-se Mabel a Malcom, impaciente, caminhando de um lado para o outro no convés enquanto ele se sentava num barril, junto de Jean e Rahjin, Robert. Malcom contemplava-a para ela com diversão e interesse no olhar. – “Muito bem, eu digo-te… Mas primeiro, tens de trepar o mastro do navio.” – Ele sabia que ela não seria capaz, começando a rir. Jean manteve-se imóvel, apenas observando enquanto Mabel se afastava deles, e aproximava do mastro. Agarrando-se à madeira gasta, colocou um pé depois do outro, apertando o seu corpo tanto quanto conseguia de modo a não cair. Rapidamente alcançou o topo. – “Os treinos têm ajudado bastante, não achas Jean!?” – Gritava ela de cima, enquanto que o vampire acenava com a cabeça, libertando um pequeno sorriso de satisfação. – “Bem, já me podes contar onde vamos Mal…” – Uma corrente de vento inesperada aproximou-se, abalando todo o navio, Mabel foi empurrada, não conseguindo equilibrar-se, soltou o seu corpo e começou a gritar.

–“Ventus Fluctus” – Lançou Malcom, após estender as mãos de modo a apontar para ela, no minuto em que ela abriu a boca. A corrente de vento que a havia derrubado, carregava-a agora em direção ao chão. Malcom levantou-se, esperando que Mabel chegasse a ele, deixando-a cair nos seus braços. – “Sempre é melhor do que morrer.” – Gargalhou ele. De imediato Mabel colocou os seus pés no chão. – “Sim, sim… Agora, conta-me, para onde vamos?” – Malcom suspirou e retornou para o seu barril. – “Vamos para nem mais, nem menos, a Terra Natal do Jean. O lugar mais sombrio de Terraria, ou pelo menos, o mais conhecido por isso.” – Mabel abriu os olhos, numa mistura de choque e curiosidade. Robert logo se aproximou. – “E isso não vai pôr o Jean em perigo?” – Malcom olhou para ele. – “Desde que evitemos as pessoas certas, tudo correrá bem.” – Mabel aproximou-se de Rob. – “E quem são essas pessoas?” – Jean aproximou-se, colocando a mão no ombro de Malcom. – “Guardas do castelo, acompanhantes da corte… Praticamente toda a gente que trabalha para a realeza. Se eles não nos virem, ficaremos bem.” – Os dois suspiraram. – “Suponho que a tarefa não vai ser fácil?” – Os outros acenaram negativamente. – “E então porque é que temos passado por estes problemas todos?” – Questinonou Robert. – “O lugar para onde nós vamos, não só é extremamente perigoso, como também cheio de magia. Magia negra.” – Respondeu-lhe Malcom. – “É um tipo de magia extremamente instável, nunca sabemos o que pode causar, e ela acaba por se dispersar, por isso a atmosfera do lugar não deve ser muito agradável.” – Malcom fez uma pausa, e logo continuou. – “Os Krakens não são agressivos assim, aposto que deve ter apanhado alguma daquela energia e ficou daquela maneira.” – Mabel interrompeu-o. – “Pensava que tinha sido a família da Asherah… Pelo menos foi o que ela disse.” – Malcom olhou para ela e ponderou um pouco. – “Talvez sim, mas a magia envolvente agravou o ataque, ele também a ia atacar, elas?” – Ele pausou um pouco, e de seguida continuou. — “Felizmente ainda não encontramos mais nada, mas nunca sabemos o que encontrar naquele lugar.” – Malcom terminou, mas foi de imediato seguido por Mabel. – “E qual o nome, afinal?” – Jean olhou para ela, e depois para o convés. Suspirando, respondeu-lhe. –“Hallerdhale.”

–“Esse lugar é tão sombrio assim? Eu nunca ouvi falar dele em toda a minha vida.” – Mabel e Robert conversavam, à medida que a noite se aproximava. – “Pelo que eles dizem, sim… E como é suposto teres ouvido falar, quando no máximo, durante a tua vida, aproximaste-te da entrada da floresta?” – Mabel colocou os braços entre as pernas. – “Nós já estivemos em alguns lugares, já devíamos saber alguma coisa…” – Robert interrompeu-a de imediato. – “Hey, nada disso. Nós já aprendemos imensa coisa, vai-me dizer que há um mês, sabias lutar como sabes agora?” – Mabel acenou com a cabeça, confirmando o que ele dizia. – “E eu por acaso conseguia lançar feitiços?” – Mabel continuou o ato. – “Então, já sabemos mesmo muita coisa. Mabel, nada disto é em vão, nós vamos conseguir explorar o mundo e ficar a conhecer todos os cantos…” – Foram interrompidos por Jean, que se aproximava num passo acelerado. – “A Asherah voltou, venham depressa!” – Assim fizeram, correndo para a outra parte do navio, na qual a sereia se encontrava. – “Saudações, humanos.” – Ela cumprimentou-os com um sorriso. O seu belíssimo cabelo loiro esta a ser cuidado pela brisa, à medida que a sua cauda verde batia calmamente no convés. – “Fico feliz por ver que todos se encontram em bom estado. Eu trago boas notícias do meu povo, eles concordaram.” – Malcom sorriu. – “Isso significa que agora vamos ter que fazer um feitiço de localização para encontrar a tua irmã.” – Asherah concordou. – “Perfeito. Existe alguma coisa que a possa fazer para vos ajudar?” – Malcom acenou com a cabeça. – “Na verdade, sim. Visto que não temos nada da tua irmã, precisamos de uma gota do teu sangue.” – Asherah concordou novamente. – “De que forma é que o sangue dela nos vai ajudar…?” – Questiovana Mabel, com a sua eterna curiosidade. – “É uma forma de estabelecermos um elo de ligação, entre nós e a irmã dela.” – Mabel abanou a cabeça, surpreendida. – “Quando é que vamos fazer isso?” – Interpelou Robert. – “O quanto antes. Asherah, qual é o nome da tua irmã?” – Malcom agachou-se, e dirigiu-se à sereia, que se encontrava no chão. – “Nanshe… O nome dela é Nanshe.” – Malcom envolveu as mãos dela com as suas. – “Eu prometo que a vamos encontrar.” – A sereia acenou com a cabeça uma vez.

Asherah estava deitada sobre a popa do barco, em frente a Malcom, que por sua vez, estava sentado. Robert estava exatamente ao lado dos dois. – “Dêm todos as mãos, vá lá.” – Começou por dizer Malcom. Os restantes membros do grupo, junto da tripulação, observaram de longe para não interferir. Aqueles que estavam no triângulo fizeram como ordenado, dando as mãos. Asherah havia-se colocado numa pose tipo sentada para o fazer. – “Vamos começar, fechem todos os olhos. Robert, preciso que repitas as palavras ‘Conjuro te’, até ao fim do feitiço, está bem?” – Rob respondeu afirmamente, e começou a fazer tal. – “Asherah, preciso que visualizes a tua irmã, sente-a, sente o seu cheiro. Imagina que estás a segurar.” – Asherah respondeu com um simples ‘sim’. – “Muito bem, agora, mantém essa imagem na tua mente, e começa a diver o nome dele, logo após o Rob dizer a encantação.” – Novamente a sereia concordou. – “Conjuro te…” – Dizia Rob. – “Nanshe…” – Continuava Asherah, e assim o fizeram várias vezes. O ar entre eles ficou extremamente sombrio. Quaisquer luzes que iluminavam o navio haviam desaparecido, deixando-os em completa penumbra. – “Abram os olhos.” – No centro do triângulo estava uma figura prateada. Esta era quase transparente, apenas deixando alguns traçados das suas feições permanentes. Era facilmente identificada uma cauda, junto de logo cabelo. – “É ela!” – Exaltou-se Asherah. – “Muito bem.” – Seguiu Malcom. A figura flutuava, como se estivesse perdida, permanecendo assim por alguns minutos acabou por desaparecer. – “Asherah, eu sinto muito mas eu acredito que a tua irmã esteja mor…” – Asherah interrompeu-o. –“Não o digas! Ela não está morta!” – De súbito, a figura regressou, apontando para a rota tomada pelo barco. – “Isto só pode significar uma coisa, a tua irmã está em Hallerdhale.” – Asherah suspirou de alívio, com lágrimas nos olhos, precipitou-se para abraçar Rob e Malcom. – “Obrigada!” – Malcom parecia um pouco desconfortável, porém satisfeito por ter ajudado Asherah, enquanto Robert mantinha um sorriso enorme. – “Bom, agora resta saber quanto tempo até chegarmos lá.” – Disse Robert. – “Robert!? Malcom!?” – Uma voz procurava-os no meio da escuridão. – “Onde é que vocês estão!” – Robert levantou-se. – “Mabel, és tu!?” – Robert parecia confuso, ele ouvia Mabel mas não a conseguia ver. – “Sim, estou com o Jean e com o Rahjin, conseguimos ler o Capitão para dentro.” – Jean interrompeu-a. – “Estamos em completa escuridão, o que é que fizeram? Isto aconteceu do nada!” – De Rahjin, ouvíamos um pesado respirar e as suas pegadas facilmente identificadas no convés de madeira do navio. – “O Rahj não quer falar, ele tem medo do escuro… Ai! Rahj, estás a magoar-me, toma cuidado!” – Rahjin estava fortemente amedrontado. – “Desculpa… Mabel…” – Pediu entre respirações. – “Tudo bem, tudo bem… Robert, Malcom, onde é que vocês estão?” – Durante breves segundos, apenas era possível ouvir silêncio. – “Accende Ignem!” – Era a voz de Rob, ouviu-se um estalido e de imediato a área ficou iluminada. – “Estou impressionado, estava à espera que demorasses a fazê-lo.” – Robert soltou um sorriso em direção a Malcom. – “Eu vou acender as lamparinas que foram apagadas, talvez consigamos ver melhor.” – Malcom levantou-se. – “Jean, toma conta da Asherah, eu vou ajudar o Robert…”.

Levantou o seu braço, estendendo a mão, deixando-a plana. – “Accende Ignem.” – Lançou, num tom menos animado como o Rob, que ainda explorava magia como se fosse algo absolutamente novo. Os dois acenderam todas as lamparinas que conseguiram, e rapidamente o navio ficou iluminado. – “Pelo menos já conseguimos ver alguma coisa, mas porque é que isto está tão escuro à nossa volta? Nem sequer consigo ver a água.” – Observou Mabel, inclinando-se sobre a borda do navio. – “Estrelas… foram… embora…” – Disse Rahjin, que já estava muito mais calmo agora que conseguia ver o próprio nariz. Todos olharam para cima e tal como o Troll havia dito, as estrelas tinham desaparecido. – “Isto é possível!?” – Disse Mabel de imediato, num tom agitado. – “Não sei, eu nunca vi coisa deste tipo antes.” – Respondeu-lhe Malcom. – “Eu também não… Não faço a mínima ideia do que isto possa ser… Asherah, alguma vez presenciaste algo assim?” – Asherah parecia perturbada. – “Sim…” – Ela estava paralisada. – “Mas é algo muito raro, não pode ser.” – Malcom aproximou-se dela. – “O que é?” – Asherah suspirou. – “É um presságio, raramente acontece, apenas quando é um evento que causa demasiados impactos… Significa que alguém vai pagar um preço elevado.” – Malcom afastou-se de imediato, ignorando a possibilidade. –“Felizmente, a vida não se faz a partir de presságios. Pensei que seria algo de maior importância.” – Asherah parecia indignada. – “Se tu achas que não é nada de importante, tudo bem, mas eu avisei-vos. Agora, devolvam-me à água, devo ter melhor visibilidade do que aqui em cima.” – Rahjin fez como ela havia pedido, colocando um dos seus braços, que tinha praticamente a largura da cauda, em baixo desta última, e o outro, no pescoço dela. – “Vejo-vos em Hallerdhale…” – Ela olhou para Mabel, depois para Robert, parou um pouco em Jean, e depois de relance para Malcom, atirando-se para as ondas. — “Capitão!?” – Gritava Malcom, correndo em direção à roda do leme. – “Ele foi um pouco rude, não acham?” – Começou logo Mabel. – “Tendo em conta as circunstâncias, acho que ele só está estressado. Afinal, só nos falta um dia para chegar a Hallerdhale, e a situação piora cada vez mais.” – Robert olhou para o céu. – “Para onde foram as estrelas…?” – Jean olhou de seguida. – “Provavelmente estão acima desta coisa…?” – Mabel parecia um pouco impaciente. – “E se isto não desaparecer, como é suposto nós sabermos que rumo tomar?” – Rahjin estava sentando junto do mastro, observando-os a conversar, quando se levantou para falar. – “Asherah… embora… sem… perigo…” – O troll tinha uma extrema dificuldade em estabelecer diálogo, mas Jean compreendia-o perfeitamente, devido ao tempo passado juntos. – “Acredito que ele está a dizer que, se a Asherah estava ciente disto e se foi embora, quer dizer que não existe qualquer perigo.” – Rahj sorriu, felicitando Jean pela fácil interpretação, seguido de Mabel e Robert, que suspiravam em alívio. – “Pelo menos não estamos condenados.” – Seguiu Rob. – “Ainda.” – Concluiu Jean.

Ficaram alguns minutos a observar o céu, mas rapidamente preferiram retornar aos seus camarotes. – “Não se preocupem filhos, o vento levar-nos-á no rumo certo, e amanhã vamos de vento em polpa!” – Gritou o capitão enquanto que eles entravam. – “Está escuro demais, eu não consigo ver nada!” — Queixava-se Mabel. – “Jean, calcaste-me!” – Continuava. – “Rahj, cuidado, estás a empurrar-me.” – Pediu Jean. – “Acho que encontrei o meu quarto.” – Disse Robert, abrindo a porta. – “Rob, não podes usar aquele feitiço de fogo?” – Questionava Mabel. – “Este lugar é apertado demais, eu não quero incendiar o barco, Mabes.” – O som de reprovação era facilmente identificado proveniente dela. Robert entrou no quarto, e antes de fechar a porta, libertou uma despedida. – “Até amanhã!” – De imediato, caiu na cama. A escuridão que lhe era comum ao fechar os olhos para adormecer de noite, era facilmente confundida com aquela na qual ele se encontrava. Os seus olhos sentiam-se cansados, mas ele não conseguia perceber se estava a dormir ou simplesmente de olhos abertos. Do nada, sente a cama a abanar, como se alguém se tivesse sentado nela. O seu estado pré-sono impedia-lo de reagir, como se estivesse a observar a cena num plano superior. Quem se tinha sentado, estava agora a descalçar-se, pelo menos era o que se conseguia ouvir. Assim que o fez, deitou-se, e de imediato se levantou. –“Oi, quem és!?” – Falou num tom exaltado, a voz era facilmente identificada como a de Malcom, o que causou Rob a acordar de imediato. – “O quê?” – Malcom suspirou. – “Este é o meu quarto, Robert.” – Rob sentou-se na cama, tentando olhar na direção da qual vinha a voz. – “Desculpa, estava extremamente escuro e eu pensei que era o meu…” – Malcom murmurou o feitiço comum. – “Accende Ignem.” – No seus dedo, surgiu uma bola de fogo em miniatura, esta era o suficiente para iluminar toda a divisão. Nela apenas ficavam uma cama, uma mesa e uma cadeira, na qual estava a bolsa de Malcom e algumas roupas. Este último olhou para Rob. – “Custava-te muito ter criado uma fonte de luz?” – Rob estava envergonhado. – “Eu não queria que acontecesse nada, estava com receio que pudesse incendiar o navio…” – Malcom suspirou. – “Por favor… Eu estou aqui para te ajudar caso isso aconteça, da próxima, já sabes. Fica aqui, eu vou para o teu quarto.” – Rob concordou. –“Obrigado Malcom.” – Este último saiu do quarto, e fechou a porta atrás de si, permitindo que Robert voltasse ao seu sono.

O nascer do dia tomou lugar. Os raios de Sol chegavam às janelas, como era habitual, para cumprimentar aqueles que residiam no seu outro lado. Os raios de Sol… Robert acordou de imediato, saindo do quarto a correr com a sua roupa absolutamente amaçada pela noite que passou com ela. Bateu à porta de Malcom, de Jean, de Mabel e de Rahj. – “ACORDEM! ACORDEM!” – De imediato saiu a correr para o convés, descalço também. A manhã era deslumbrante. A brisa passava pelo cabelo loiros de Rob, que já havia notavelmente crescido desde o início da viagem. Mabel foi a primeira a sair, despertando imediatamente um sorriso, tanto na sua cara como na de Rob. Jean veio depois, com Rahjin, e por fim Malcom. – “Afinal, parece que tudo se resolveu.” – Dizia o Capitão, que já estava a segurar o leme. –“Tão cedo em pé, Capitão?” – Questionou Jean. – “Queremos chegar lá ainda hoje, certo?” – Jean acenou com a cabeça concordando, e após isso, o grupo afastou-se um pouco para falarem em privado. – “Este homem é impressionante, desde o início da viagem, e com tudo o que aconteceu, ainda não se queixou.” – Começou Mabel. – “Isso não me deixa muito confortado em relação a ele.” – Malcom arquejou a sobrancelha. – “O que é que estás?” – Rob parou um pouco, inalando algum ar. – “É um pouco suspeito, não acham? O facto de ele não ter entrado em pânico sempre que algo acontece? De nunca se ter queixado uma única vez?” – Jean abanou a cabeça para os lados. – “Talvez seja porque ele já viu isto, e muito mais, afinal de contas, ele viaja pelo mar, está sempre a andar de um lado para o outro…” – Robert segurou o queixo entre o polegar e o indicador, olhando para o convés. – “Não sei… Ele parece-me um pouco falso.” – Os restantes ouviam-no com atenção. – “Então teremos que determinar uma forma de saber se as intenções dele são boas ou não.” – Disse Malcom. – “Mas como?” – Questionou Mabel, enquanto Rahjin, que estava de pé ao seu lado, partilhava a dúvida. – “Malcom, eu acho que escrevi alguma coisa sobre isto…”

(…)

Robert piscou os olhos, e de repente estava de volta à planície na qual tinha começado os treinos com Malcom. Os seus cabelos não se mostravam tão grandes aos de alguns minutos atrás, isto só podia significar uma coisa, isto era uma memória. – “Hey, estás a ouvir-me!?” – Malcom estava de pé, Rob sentado. – “Isto é essencial, é algo complexo, mas acho que vais gostar.” – Robert levantou-se, para demonstrar que estava absolutamente empenhado. – “Muito bem, vamos a isto.” – Malcom agarrou nas mãos de Robert, posicionando-as sob as suas. – “Fecha os olhos, limpa a tua mente, e pensa num vazio…” – Rob acenava com a cabeça à medida que Malcom lhe dava instruções, e ao mesmo tempo sentia que a voz dele se aproximava. – “Vou ensinar-te um feitiço difícil, mas fácil assim que o dominares. Ele permite-te sempre saber quando os outros te mentem…” – Robert continuava atento. – “Inspira… Expira… Controla os teus sentidos. Controla o teu corpo.” – Malcom estava tão perto de Rob, que este último sentia-lhe a respiração quente no pescoço, que entrava em contraste com as brisas do oceano, perto da planície em que estavam. – “Afferte mihi, veritatem tuam…” – Malcom pronunciou estes versos em dois leves suspiros, e logo que o fez, Robert sentiu uma sensação calorífica vinda de dentro. Era como se ele pudesse confiar a sua história de vida ao Malcom. – “O que fizeste?” – Malcom riu-se um pouco. – “Chamemos a este o Feitiço da Verdade. Praticamente obriga o enfeitiçado a contar toda a verdade, a expor os seus sentimentos.”

(…)

Robert piscou os olhos de novo, retornando ao barco. – “Malcom, o Feitiço da Verdade!” – Malcom parecia um pouco atrás com o que Rob havia dito, mas eventualmente concordou, e foi em direção ao Capitão para o preformar. Os restantes observavam de longe. No máximo, conseguiam ver que o Capitão e Malcom sorriam num sentimento recíproco, gargalhando aqui e ali. Robert, contudo, ainda estava insatisfeito, e desta forma, foi em direção aos dois. – “Olá Capitão!” – Dizia, quanto chegava perto deles. – “Quanto tempo acha que vamos demorar a chegar a Hallerdhale?” – o Capitão parou gradualmente de conversar com Malcom e virou-se para ele. – “Meu filho, eu acho que chegamos lá em algumas horas, mesmo na altura do anoitecer.” – Rob sorriu. – “Obrigado, Capitão. Já agora, tem alguma notícia da Asherah, sabe se ela chegou a Hallerdhale em segurança?” – O Capitão sorriu para ele, mas parou alguns segundos antes de responder. – “Ah, sei, sei! Ela enviou uma pequena pomba branca com uma mensagem. Parece que me esqueci de vos avisar! A minha cabeça já não é o que era!” – Rob continuou a sorrir. – “Sim, suponho que a idade não seja fácil em ninguém. Bom, muito obrigado Capitão, vou deixá-lo continuar a conversar com o meu amigo aqui…” – Robert afastou-se e regressou junto dos outros. – “Ele não está enfeitiçado.” – Mabel precipitou-se. – “Como é que sabes disso?” – Rob olhou para ela. – “O Capitão não sabia que a Asherah ia para Hallerhale. Quando ela partiu, estávamos rodiados de escuridão, seria impossível ele saber a direção dela, no entanto, quando eu mencionei que ela foi para lá, ele nem sequer me questionou.” – Os outros pareciam concordar aos poucos. – “Então o que é que fazemos com ele?” – Precipitou-se Mabel. – “Esperamos até chegar perto de Porto, e depois prendemo-lo. A ele e à tripulação. É a única opção que temos.”

Notas finais
Então? O que acharam? O próximo capítulo é a chegada a Hallerdhale, e finalmente, um novo marco na nossa jornada! Será que eles vão realmente conseguir apanhar o Capitão? Chegarão todos vivos a Hallerdhale? O que acontecerá com Mabel, agora que a transformação está mais perto que nunca?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!