Caminhos de Terraria
4 Como Matar o Seu Lobisomem
Notas iniciais
Alguns habitantes afastaram-se com receio enquanto que outros se aproximavam com as suas armas. Um mais corajoso subiu a escadaria que levava à porta com uma espada, preparando-se para atacá-lo. – “Que idiota.” – Pronunciou Malcom, ao erguer o seu braço em direção ao homem. Uma rajada de vento deslizou pelo seu braço, impulsionando-se da sua mão e dirigindo-se ao desafiante. Atingindo o homem para fora do palco, a criatura imediatamente olhou para cima, tal como todos os habitantes. Lá estava o nosso grupo, Rahjin, Sean, Malcom, Mabel e Robert olhavam diretamente para o lobisomem, que lhes retribuía o olhar. – “Lá se vai o nosso ataque surpresa.” – Apontou Robert. – “Mabel, Jean, pela videira. Rahj, salta lá para baixo e distrai-lo o quanto conseguires, ok?” – Todos acenaram com a cabeça. – “E eu?” – Perguntou Robert. – “Nós vamos ficar cá em cima, é o melhor lugar para lhes dar apoio. Começa a clarear a tua mente e a preparar feitiços.” – Rahjin saltou diretamente para o solo, a sua musculatura conseguia facilmente impedi-lo de obter danos. A população dispersou, fosse para suas casas onde pudessem assistir o combate, fosse para becos ou esconderijos que os mantivessem em segurança. O lobisomem atirou-se para Rahj, que o afastava com os seus punhos. A pele de Rahj era quase como pedra, e desta forma, impedia qualquer arranhão que o danificasse demais. Contudo, a besta era mais rápida, mais ágil. Conseguiu atirar Rahj para o chão, que se levantou logo de seguida. Mabel e Jean apareciam de trás da Igreja. – “Como combinamos.” – Mabel acenou com a cabeça, afastando-se em direção a um barril. Jean correu em direção a Rahj, para combaterem a besta juntos.
No topo da Igreja, Malcom estava de pé, em pose de ataque para lhe dar melhor estabilidade. Assim que a criatura lançou Rahjin para o chão, ele ergueu o seu braço e agitou-o num movimento circular, originando uma pequena bola de fogo, que ele se apressou a atirar diretamente ao lobisomem. À medida que viajava do topo da Igreja para o solo, aumentava pois estava a consumir o oxigênio em seu redor. O alvo previu-a devido ao seu olfato, contudo, foi parcialmente afetado, deixando o pelo um pouco chamuscado. Robert, por sua vez, estava sentando. As suas pernas estavam cruzadas e os pulsos em cima dos joelhos. – “Robert, despacha-te. Pensa com precisão e esvazia a tua mente, vamos lá!” – Mabel tinha recolhido um barril, como tinha acordado previamente, e levava-lo em direção a Rahjin. – “Rahj! Aqui!” – Gritou ela. A tenção do lobisomem estava, no entanto, desviada para os dois no topo. Ele começou a correr em direção a eles, trepando a parede da Igreja. – “Nem pensar…” — Malcom ergueu os dois braços, mas quando estava prestes a lançar um feitiço para empurrar a besta para o chão, o animal já estava a cair. Rahjin tinha lançado o barril que Mabel havia recolhido na sua direção, e acertou em cheio. Assim que bateu no chão, Rahjin e Jean correram em sua direção para o segurar, Mabel fez o mesmo. – “Robert, estás pronto?” – Perguntou Malcom. Robert levantou-se e acenou com a cabeça. Acedeu o pulso a Malcom que o agarrou, lançando os dois em direção ao chão. Uma leve corrente de vento veio ao seu auxílio, transportando-os cautelosamente para o solo.
Lá estava a besta. Fria no chão. As suas caraterísticas eram facilmente apontadas. O seu pelo era velho, estragado com o tempo; tinha uma cor de azeitona negra misturada com um vermelho morto, proveniente das vítimas mortas; a besta era grande e alta, talvez maior que Rahjin; o seu cheiro era horrível, era uma mescla de sangue, ratos e sofrimento que se encontrava morto no chão. Ou pelo menos era o que aparentava. Assim que o grupo se reuniu em torno dele, o bicho abriu os olhos, um tom de vermelho escarlate inspirava maldade aos que os olhos. Ergueu-se, arranhando Mabel e lançou-a em direção ao céu. Rahjin atirou-se para cima dele, empurrando-o para dentro da Igreja. Jean olhou para Mabel e seguiu Rahjin. Assim que Mabel foi golpeada, Robert correu na sua direção. Ela estava longe de mais e a queda seria mortal.
Ele parou, respirou fundo e numa fração de segundo ergueu os seus braços. – “Fluunt ex me, ventus!” – Gritou ele, e de seguida sentiu a sua energia fluir-lhe pelos braços, e finalmente lançada a partir das palmas das suas mãos. Uma corrente transparente encaminhava-se para Mabel, socorrendo-a. A aterragem foi calma, pousando-a no chão com cuidado. O sangue rapidamente se dispersou. Tal como Júlia, Mabel estava numa condição horrível. – “Rapazes, atrasem-no!” – Gritava Malcom, enquanto seguia Robert que ia em direção à sua amiga. Numa pequena poça de sangue, estava ela, gemendo pelas dores dos cortes. –“Mabel! Mabel!” – Berrava Robert. Aproximou-se dela e ajoelhou-se junto ao seu corpo. –“Ajuda-a! Cura-a!”- Malcom seguiu-o, ajoelhando-se com uma perna do lado oposto. – “Tem calma… Tem calma, isto não é nada.” – Ele agarrou nos pulsos de Robert, colocando as mãos dele sobre os cortes, de seguida, posicionou as suas. – “Clareia a tua mente, vou usar-te para expandir os meus próprios poderes.” – Robert olhou para Mabel e logo de seguida fechou os olhos. Abriu-os poucos segundos depois. –“Eu não consigo!” – Malcom agarrou-lhe novamente o braço, agitando-o. – “Concentra-te, porra! Queres que ela morra!?” – Os olhos de Robert estavam em choque, no entanto ele colocou as suas mãos novamente em posição. A respiração estava ofegante, distraindo-o, mas tentando ignorá-la, limpou a sua mente. Ao fazer isto, passaram-lhe algumas memória que tinha com Mabel nos olhos, causando algumas lágrimas.
Malcom repetiu o processo, colocando as mãos em cima das de Rob. – “Fige vulneribus debilem…” – Pronunciou Malcom, num tom de sussurro. Desta vez, emanou alguma energia branca, direcionada diretamente a Mabel através das mãos de Robert. Esta inalou de imediato uma enorme quantidade de ar e sentou-se, colocando as mãos no peito. Os arranhões feitos pelas garras tinham desaparecido, contudo as marcas deixadas na camisola e no corpete eram bem visíveis, o sangue que tinha escapado do seu corpo também. Robert olhou para ela, precipitando-se para um abraço longo e sem quaisquer palavras. – “Rapazes, estamos prontos!” – Gritou Malcom, dirigindo-se para a rapariga de seguida. –“Mabel, preciso que te vás esconder, isto vai ficar muito feio.” – Dizia ele quando uma janela se partiu, era Jean, que saia a voar pela Igreja aquando destas últimas palavras. – “Vai! Robert, fica comigo!” – Jean aterrou perto deles, e logo de seguida vinha Rahjin a correr pelas portas. A besta seguia-os, e num salto glorioso aterrou em frente a Rob, Malcom e Jean. De imediato, o mais poderoso ergueu os seus braços e vociferou. –“ Terram Ascendere Sursum!” – Assim que o fez, invés da típica corrente energética nos seus braços, os seus pés revelaram uma aura verde, que de imediato escorreu para o chão. Milissegundos depois um pedaço de terra que ficava em baixo da posição onde a criatura se encontrava ergueu-se, levando-o consigo. Subiu de imediato para cima, apenas para se virar e precipitar para baixo. Malcom agarrou no no braço de Robert e no de Jean, correndo com eles para longe da queda. O lobisomem tentou dar a volta ao pedaço de terra, contudo não foi rápido o suficiente. Assim que atingiu o chão, a sua pata direita ficou esmagada. Um uivo petrificante soltou-se, inspirando medo em todos que ouviam. Mabel, que se encontrava num beco a uma boa distância, sentiu a sua espinha arrepiar-se.
O monstro empurrou o pedregulho para sair de cima da sua pata, arrastando-se em direção à Igreja. Rahjin já corria em sua direção e assim que o alcançou, saltou para cima da besta, apontando com os seus punhos para a sua espinha. Novamente, um uivo de dor. Algum sangue podia ser visto a escapar da sua pele, e desta vez, não era das suas vítimas. Rahjin pegou na criatura, erguendo-a no ar atirou-a novamente para dentro da Igreja. – “Boa! Muito bem!” – A população batia palmas, junto de Mabel. Rob e os outros dois correram em direção a Rahj, que sorria face às aclamações. – “Rahj, para com isso. Aquela coisa ainda está viva.” – Os três continuaram a prosseguiram em direção à Igreja, seguidos por Rahj e finalmente por Mabel, que já tinha recuperado a vontade de combater. O rasto de sangue era visível. Ele tinha rastejado pelas escadas, em direção ao altar. E era onde ele estava deitado, todos os objetos tinham sido lançados para o chão para que a besta tomasse o seu lugar. O sangue já não estava a escorrer. – “Pessoal… Ele está vivo.” – Disse Mabel, assim que alcançou os outros. Rahjn acenou com a cabeça, concordando. – “Jean.” – Disse ele, apontando para uma cruz de prata que estava pendurada na parede diretamente atrás do animal. – “Vai buscar aquilo… E tem cuidado, tudo bem?” – Jean acenou. Caminhando subtilmente em direção à cruz, ele contornou o corpo. Os outros aproximaram-se, mantendo alguma distância ao inimigo, rodearam-no, formando um círculo em torno dele. Jean recolheu a cruz, como combinado, e entregou-a a Malcom, que a esperava. Este aproximou-se da criatura, e quando se estava a preparar para o cruficar, o lobisomem ergueu-se nas duas patas traseiras.
Atirando-se diretamente a ele, causando com que ambos caíssem no chão, a besta uivou ferozmente. Todos os outros correram na sua direção. Malcom tinha o pesado corpo em cima de si, sufocando-o ou pior…. Rahjin pegou na criatura, atirando-a para long e lá estava Malcom, soltando enormes gargalhadas. Nas suas mãos, segurava a cruz de prata, cheia de sangue. Os outros olharam em choque. –“Estão a olhar assim para quê?”- Disse ele, levantando-se do chão. – “Tenho a certeza de que não é meu.” – Jean começou a rir-se também. E os outros seguiram-no, com risos de alívio. A besta, por sua vez, estava no chão. Morta, finalmente. A par da fatalidade, surgiu o Sol, penetrando as janelas da Igreja que se encontravam decoradas com várias cores que eram agora refletidas no chão. A bestialidade que tinha sido morta já lá não estava, invés dele, viam a presença de um homem. Deitado no chão, com uma facada no seu peito a escorrer sangue. Aparentava ser um individuo de meia-idade. Os seus cabelos já eram grisalhos. Tal como na sua forma animal, os seus cabelos eram pretos, contudo, os olhos deste eram castanhos. – “Rahjin, antes que os habitantes cheguem, carrega o corpo dele para longe daqui.” – Rahjin avançou em direção ao falecido, pegando nele e erguendo-o em seus braços, caminhou pela porta traseira da Igreja. Os outros seguiram-no.
Algumas horas passaram. O corpo estava pousado na areia, eles estavam agora numa praia, junto a um barco. As ondas estavam calmas, e o vento soprava gentilmente. – “Isto é mesmo necessário? Ele ainda não está morto?” – Questionou Mabel. – “É. E sim, ele está morto. Mas a sempre é melhor prevenir do que remediar.” – Rahjin ergueu o corpo novamente, colocando no barco. Este tinha sido decorado com alguma madeira suplementar e com uma cama de feno. Assim que o corpo foi repousado lá, o barco foi empurrado para o oceano, prosseguindo e sendo guiado pelas ondas em direção ao alto mar. –“Robert, queres fazer as honras?” – Dirigiu-se Malcom a Rob. Este último acenou com a cabeça. Suspirou como se estivesse a libertar-se de algo, e de seguida, fechou os olhos. Erguendo os braços para cima, começou a pronunciar em latim. – “Accende Ignem!” – A partir dos seus braços uma aura vermelha seguiu para as suas mãos. Uma bola de fogo saiu das suas palmas, sendo lançada em direção ao barco. Quando o atingiu, a chama alastrou-se por tudo quanto era batel, incluindo o corpo que nele residia. Malcom virou as suas costas, ajoelhando-se na areia repetiu o seu círculo de teletransporte. Todos saltaram, um por um, surgindo novamente na profunda floresta. Iniciaram a caminhada de volta para a cidade, quando Malcom puxou o braço de Robert, pedindo-lhe que ficasse para trás. Os outros concordaram em prosseguir, apesar de que Mabel ficou um pouco hesitante.
“Ela foi arranhada por ele.” – Robert olhou para Malcom com a sobrancelha erguida. – “É possível que o vírus de licantropia lhe tenha sido transmitido. Geralmente quando o original é morto, o vírus é curado, mas isto só acontece quando aquele ou aquela que foi amaldiçoado comete o assassinato.” – A preocupação na face de Rob era notável. – “Queres dizer que ela…” – Ele estava em estado de choque. –“Sim, existe uma possibilidade de que a Mabel contraia o vírus dentro dela.” – A respiração de Robert tornara-se mais pesada. – “Existe alguma forma de a tratar?” – Malcom começou a caminhar, Robert seguiu-o. – “Existem mitos. O Jean contou-me alguns de onde ele vem…” – Ele interrompeu-se por alguns segundos para verificar que estavam a uma distância segura. – “Durante um eclipse lunar, se o hospedeiro lutar contra a sua forma animal interior e vencer, alguns supõem que é possível que a besta seja dominada.” – Robert parecia desconfortável ao ouvi-lo discutir a sua amiga como uma besta. – “Precisamos de contar-lhe. Agora.” – Malcom concordou. – “Conta-lhe. Tu conhece-la, explica-lhe tudo.” – Rob acenou com a cabeça. – “Quando é o próximo eclipse lunar?” – Inquiriu ele. –“Daqui a duas semanas. E felizmente, nenhuma lua cheia até lá.” – Robert suspirou de alívio. – “Isto quer dizer que ainda existe esperança, certo?” – A sua voz parecia menos angustiada. – “Sim. Acredito que sim.” — Robert agarrou no braço de Malcom e olhou-o diretamente nos olhos. – “Obrigado. Muito mesmo.” – Malcom acenou com a cabeça. – “Nunca explicas-te concretamente de onde vieste.” – Apontou Robert, mantendo o seu olhar em Malcom. – “Longa história, o que achas de eu ta contar sobre um copo?” – Robert riu-se. “Eu não bebo…” – Malcom riu-se de volta. – “Eu também não.”
Logo que chegaram à cidade foram recebidos com aplausos e vivas. Apesar de existir algum receio sobre Rahjin, todos foram bem-vindos de volta e celebrados pelos seus esforços. Os cinco regressaram à taverna, onde a típica mesa estava reservada para eles. Puxando outra, especialmente para Rahjin, sentaram-se todos em torno dela e assim que o fizeram a funcionária habitual aproximou-se deles, mas invés de lhes perguntar o que queriam, ofereceu-lhes a todos uma bebida, colocando sobre a mesa sumo de abóbora. – “É por conta da casa, queridos. Por terem salvado a cidade… E vão querer mais alguma coisa?” – Todos disseram que não, tirando Rahjin que pediu uma perna de porco. – “Isto é… novo.” – Disse de imediato Jean, que parecia extremamente surpreso por todas aquelas atitudes. –“Salva-lhes o crânio e eles adoram-te. Típico.” – Suspirou Malcom. –“Vocês têm um quarto aqui, não é?” – Mabel confirmou. –“Importam-se que eu me deite? Estou cansado.” – Robert, que estava a beber o sumo gratuito, voluntariou-se para o levar. Enquanto os outros ficavam a beber, eles os dois subiram as escadas e entraram no quarto. Robert fechou a porta e começou a falar. – “Aqui está. A minha cama é aquela, mais perto da janela.” – Malcom foi em direção à apontada e caiu lá, igual a Rob, que por sua vez, se sentou na de Mabel. – “Antes de dormires, quero que me contes… De onde vens? Como aprendes-te magia? Quem é Malcom?” – Ele, que já quase adormecia, levantou-se, sentando-se na cama, frente a Rob. – “Se queres mesmo saber, vamos lá. O meu nome é Malcom Eridanus. Venho de Farion. Uma cidade absolutamente constituída por magos, bruxos e feiticeiros. Obviamente, aprendi lá magia. Cresci lá, passei toda a minha vida lá, quer dizer… Depois de ter sido deixado para trás. O meu dom é natural, já o manifesto desde bebé. Ao contrário de ti, não precisei de o procurar.” –Malcom pausou um pouco para respirar. – “Foi isso que levou os meus pais a abandonarem-me. Tudo corria bem em Farion, até que um dia me envolvi com quem não devia. Nessa altura eu tinha perto de doze anos e já conhecia o Rahj. Ele escapou comigo.” – Pausou novamente. –“Alguns meses depois conhecemos Jean. Ele estava na mesma situação que nós, a fugir do passado, aceitamo-lo no nosso grupo, e cá estamos. Fomos atraídos a esta cidade pelo festival, e o lobisomem seguiu-nos… Seguiu o Jean.” – Ele deitou-se. – “Alguns dias depois, apareceram vocês.” – Robert exaltou-se. –“Não podes ser tão vago! Tenho a certeza de que ainda estás a a segurar imensas coisas e pormenores!” – Malcom bocejou. – “Sim, claro, mas se te contasse tudo, onde ficaria o mistério?” – Este caiu para o lado, adormecendo. Robert suspirou. Saiu do quarto e desceu novamente para junto dos outros.
Desta vez, eles não estavam sozinhos. A mulher que tinha feito o discurso previamente estava sentada junto deles, numa posição serena e celestial, e ao mesmo tempo responsável e autoritária. As suas roupas eram as mesmas, talvez fosse costume dela usar aquilo durante as celebrações. Mabel olhou para Robert, que se aproximava deles. –“Robert, esta é a presidenta da cidade, Alicia Glomerara.” – Robert sentou-se junto de Mabel, que estava junto a Jean, que por sua vez estava seguido de Rahjin. Este último tinha trocado de lugar, de modo a que a presidenta ficasse com a cabeça da mesa. – “Olá, Robert.” – Pronunciou a mulher na sua voz doce. – “Geralmente, eu não venho a estes sítios a estas horas do dia, no entanto, senti a necessidade de passar por cá para vos felicitar pela vitória. Foi um feito glorioso.” – Ela pausou o discurso, e sorriu de uma forma maternal. –“Vocês são tão novos e já fizeram algo deste tamanho, é realmente algo que deve ser celebrado.” – A beleza presente na sua voz era impossível não notar. – “Em vossa honra, eu gostaria de oferecer-vos um baile. Amanhã à noite, suponho que hoje estão extremamente cansados para fazer o que seja.” – Ela riu-se cordialmente. – “A minha casa é aquela no final do caminho à direita da Igreja, perto do rio. É lá que tomará lugar. Ficarei muito feliz se aceitarem este convite.” – Trocaram olhares entre si. – “É claro que aceitamos.” – Disse Jean, sorrindo de volta. A presidenta levantou-se. “Bom, espero ver-vos amanhã.” – Terminou ela, com um último riso. De seguida, dirigiu-se para à porta, pela qual saiu.
“Pessoal, isto é ótimo! As pessoas estão a mudar aquilo que pensam sobre vocês!” – Disse Mabel, com um sorriso na cara. – “Como… Malcom… disse…” – Respondeu-lhe ele com a sua voz grossa e o seu típico tom vago. – “Exatamente. É como o Malcom disse, se os salvar-mos, eles adoram-nos.” – Robert acenou. – “Pelo menos já não vos querem matar…” — O grupo riu-se. – “Seria melhor vocês arrendarem um quarto aqui na taverna, não?” – Perguntou Mabel. – “Bem, na verdade é como lhes explicamos. Os tempos têm sido difíceis e nós realmente não temos muito dinheiro.” – Enquanto que Jean falava, Rahjin acenava com a cabeça, concordando. – “Talvez seja possível conseguirmos um quarto maior, Robert. De certo que eles não nos negam isso.” – Robert, por sua vez, concordou. Os dois levantaram-se e dirigiram-se à dona da taverna, que se encontrava por trás do balcão a atender os habitantes. Retornando alguns minutos depois, dirigiram-se aos outros dois. – “Ela aceitou! Agora só resta vocês irem buscar as vossas coisas.” – Disse Mabel, assim que se sentou de volta na mesa. – “Que ótimo!” – Sorriu Jean. Rahjin demonstrou felicidade também, através de um sorriso um pouco inapto. – “Agora, eu preciso muito de uma cama.” – Falou Mabel, misturando a frase com uma gargalhada.
Todos subiram, Rahjin com alguma dificuldade a passar pelas portas recolheu um Malcom dormente e a reduzida bagagem dos outros dois, carregando para o novo quarto, um andar acima. Logo que entraram, Rahjin colocou Malcom numa cama, enquanto que os outros se deitavam. Assim que Rahj pousou o seu corpo na última cama livre, esta afundou, partindo completamente. Os outros riram sonoramente. Rahj soltou também algumas gargalhadas, aconchegando-se no colchão. Robert, que se tinha deitado perto de Mabel, olhava para ela, que já tinha adormecido. – “Conto-lhe agora…?” – Questionava-se ele, interiormente. – “Não… é melhor esperar por amanhã.”
Fale com o autor