Caminhos da vingança
8 Capítulo 8 - Stein Fashion Store
Alessandro se sentia perdido, não se lembrava de absolutamente nada, se sentia uma folha em branco. Para todos os efeitos isso era verdade. Victor assim que soube da alta do amigo se ofereceu para leva-lo para casa de carro junto a Tatiana e Sérgio.
Victor era amigo de Alessandro desde os tempos do ensino médio quando os dois estudaram no Prado Júnior. Fizeram amizade de cara. Viviam indo pro TTC juntos e quando completaram dezoito anos passaram a frequentar os bailes do salgueiro. Bons tempos em que ambos moravam no Andaraí. Depois da morte da mãe, Alessandro foi morar em Petrópolis, mas sempre estava na área da Tijuca e Andaraí para tomar uma “cerva” gelada com os bons colegas do bairro. Victor se sentia culpado pelo acidente do amigo, sabia que tinha vacilado. Preferiu não se pronunciar, o amigo tinha perdido a memória, então não tinha o porquê de tentar ficar se justificando. Passou. Já foi. Já era.
Alessandro olhava curioso pela janela do carro durante o percurso de Caxias para Petrópolis, não reconhecia nada. Era como se tivesse nascendo novamente e devesse aprender tudo outra vez. Avistou um letreiro. Stein Fashion Store. Sem perceber leu em voz alta, aquele nome não era estranho.
— Stein Fashion Store— Repetiu Tatiana – A loja do velho que morreu no dia do casamento.
— Eu li isso em algum lugar... – Falou Sérgio
— Quando aconteceu, saiu em todos os jornais – Respondeu Tati.
— Mas que azar do velho em?! No dia do casamento bate as botas – Victor falou entrando no meio do assunto.
— O pior vocês nem sabem... Parece que a filha do coroa estava brigando com a viúva do pai por causa da herança. O velho morreu depois de falar o “sim”, então metade é da viúva. — Sentencio Tati.
— Tem dinheiro na jogada já é de se esperar briga – Falou Victor pondo fim no assunto.
Alessandro apenas observava. Aquele nome não saia de sua cabeça, tenta buscar nas profundezas de sua mente algo que se relacionava a isso. Forçou tanto a memória que teve dor de cabeça. Parou de tentar assimilar quando chegaram frente a uma casa. Era ali que ele morava? Se questionou. Nada daquilo lhe era familiar.
O pai todo bobo ajudou o filho a sair do carro. Assim que entraram foram recepcionados por umas vinte pessoas, todos felizes pela chegada de Alê. Era uma festa de boas-vindas. Júlia foi toda alegre abraçar o marido, sentia saudades, para ela era o fim do sofrimento. Alessandro olhou o rosto de todos os presentes, se sentiu culpado por não reconhecer ninguém. Para ele era um sentimento de desfeita, principalmente com a esposa que lhe tratara a noite toda como um rei. Apesar de não reconhecer ninguém, resolveu se dar a chance de enturmar-se. Brincou, conversou, pensou naquele momento como ele deveria ter sido feliz ali e como queria voltar a lembrar de tudo.
Todos já haviam ido embora, agora era só ele e Júlia na casa. Ajudou a esposa a arrumar a bagunça, nem ligou para isso tudo tinha sido válido pela simples animação da festa.
— Você se divertiu em?! – Júlia falou em tom de brincadeira.
— Sim, essa festa foi muito boa... – Respondeu Alê com certa animação. De alguma forma essa recepção lhe revigorara.
— Você lembrou de algo ou alguém?
Essa pergunta desanimou Alessandro, não queria desapontar a esposa, porém não queria mentir.
— Acho que preciso de mais algum tempo.
— Aos poucos você vai lembrando. O médico disse que essa falta de memória é temporária e que não é para forçar a lembrança.
Júlia chegou bem perto do marido, ficou de frente para ele. Alessandro sentiu os seios rígidos da esposa contra seu corpo, se arrepiou. Júlia passou os braços ao redor do pescoço de Alê e olhou fixamente para os olhos do homem. Alessandro não sabia como agir, era inegável o tesão que sentia, mas não estava à vontade. Sentiu-se um castrado, pensou: como um homem poderia se negar a uma mulata dessas. Os lábios de Júlia tocaram os seus. Retribuiu. Porém quando a esposa tentou avançar Alê recuou.
— Desculpa, eu não posso...
— Tudo bem, eu te entendo, é como se eu fosse uma estranha para você. Eu vou esperar o seu tempo – Falou Júlia de forma calma e compreensiva.
— Me desculpa.
— Você vai querer dormir aqui na sala?
— Eu acho melhor. – Respondeu desapontado.
Rodou no sofá, mas no fim conseguiu dormir. Estava cansado. Sentia que o dia seguinte seria cheio.
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