Caminhos Entrelaçados
2 Uma Luz
Notas iniciais
O tempo passou, dias, messes mas ainda sim a dor estava lá, sempre presente. Eu esperava que com o tempo a dor fosse se tornado menor, mais suportável pelo menos, contudo não, em nada ela diminuiu, na verdade aumentou, a cada dia mais intensa e presente. A respeito de meus amigos, bem eu pouco os via, sempre os evitava ao máximo, não apenas eles qualquer ser vivo, simplesmente para que não os ver sofrer por mim. Era melhor assim, sozinha eu poderia expressar o que realmente sentia.
Hoje era um dia especial para todos ali na guilda, podia ver suas animações, expectativas, sorrisos e euforia. Me sentava sozinha em uma mesa afastada, apenas observando o local e a todos, queria tanto estar como eles, mas simplesmente não conseguia, não me achava digna disso. Comi o ultimo pedaço da fatia do bolo que antes estava sobre a mesa a minha frente, meu favorito, mas que agora parecia descer como se eu comesse borracha. Uma movimentação me chamou a atenção, era o Mestre que fazia uma comunicação, me concentrei em ouvi-lo.
–Meus filhos hoje é o ultimo dia do ano, é tempo de recomeçar, refazermos planos e deixamos o passado para traz e sermos feliz.- Lindas palavras, porem não fazia efeito para mim eu estava perdida, meu mundo se resumia a solidão e sofrimento.- Sendo assim eu exijo que todos meus filhos compareçam hoje a noite para a festa de ano novo, veremos o começar de um novo ano todos juntos como uma família.
Quando ele terminou todos gritaram e sorriram em concordância, me mantive quieta, sim eu sentiria falta de todos eles, cada um com suas qualidades e defeitos. Era hora de ir, me levantei e sem chamar muita atenção sai da guilda, eu precisava de um tempo a só, eu precisava chorar, não aguentava mais me manter estável, quando meu único desejo era chorar e chorar. Segui pelas ruas sem realmente me importar com o que ocorria a minha volta, só tinha um alvo em mente meu quarto, minha cama, meu travesseiro. Meu eu do passado se sentiria envergonhada, aquela não era eu, a mulher forte que sempre lutou.
Adentrei meu quarto sem mais delongas e reequipei-me com uma simples camisola de flanela, era bem mais confortável. Me deitei apoiando minha cabeça no travesseiro, olhei o céu azul pela janela, parecia radiante, como todos que eu conhecia, parecia que ate o céu comemorava a chegada de um novo ano, ao qual eu não iria conhecer.
“Erza”, era a voz infantil dele, de Jellal que me chamava, não consegui mas as lagrimas brotaram dos meus olhos, porque eu fazia aquilo com migo mesma, era loucura, era masoquismo“Porque esta chorando?” , ele me perguntou.
“Porque estou sofrendo!”, respondi em pensamentos, enquanto um soluço brotava de meus lábios.
“Porque esta sofrendo, Erza? Se todos estão tão felizes, se um novo ano estar tão próximo?”.
“Por favor pare, eu não aguento mais, pare!” ,eu implorei em pensamentos, se aquele dialogo continuasse, eu perderia a noção da realidade.
Relaxa, apenas algumas horas mais e logo terei minha paz, repeti essa frase muitas e muitas vezes em minha mente. Só mais algumas horas.
Vi o tempo passa, as horas sem nunca parar uma depois da outra, a manhã se tornar noite, o sol dando lugar as luzes das e estrelas, e a lua que parecia mais bela que nunca aquela noite, não chorava mais, minhas lagrimas haviam secado, apenas fitava a tudo com um olhar vazio, um olhar perdido.
Era pouco mais de onze horas da noite quando me levantei, com um banho rápido me vesti com a roupa de sempre e segui rumo a guilda, eles deveriam estar preocupados com minha ausência. Também eu precisava ver a todos, meus amigos, meus rivais, meus companheiros, uma ultima vez. Próxima a guilda eu já podia ver as luzes e ouvir os gritos, parecia mais animada que nunca, adentrei a guilda e olhei ao redor gravando cada um em minha mente, cada momento especial, cada palavra, cada rosto, eu não esqueceria de nenhum dele seja lá onde eu fosse parar.
Faltava poucos minutos para o ano novo, para a guilda explodir em gritos de euforia enquanto assistiam o show de fogos de artificio, mesas voado e brigas rolando. Mas eu não estaria lá para assistir a nada disso, pois naquele momento eu caminhava sem rumo, queria um lugar distante e vazio para me despedir de tudo, não tinha mais volta, tinha minha decisão tomada não queria mais aquela dor.
Me vi parada em uma pequena praça, ela era distante e isolada, mal iluminada ate, mas era o suficiente. Sentei em um simples baco feito de madeira, por um tempo observei o luar, realmente belo, se refletia nas flores que ali havia que parecia fazer o lugar brilhar como magia. Segurei firmemente a adaga que eu fizera aparecer com minha magia, era uma adaga simples mas que seria o suficiente, não estava com presa queria me despedir de tudo e todos. Lagrimas aquela altura já rolavam livremente por minha face, e eu apertei a adaga contra meus pulsos, cotei um de cada vez, em um corte profundo e sem dó, com um único objetivo em mente, me juntar a ele, Jellal. Vi o liquido negro deixar meu corpo, meu sangue que se esvaia levando com sigo minhas forças, aquilo acontecia lentamente entretanto acontecia.
Adeus Natsu, Lucy, Gray, Mestre Makarov, Mirajane minha eterna rival, Laxus, Juvia, Levy, a todos os meus irmãos e irmãs de guilda. Adeus Fairy Tail, sentirei falta das brigas, das ironias, das risadas, das missões, dos meus companheiros.
A dor latejava em meus pulsos e se espalhava por todo meu corpo que se tornava cada vez mais e mais fraco. Fechei meus olhos, era isso então era o fim, de tudo, nada mais de sofrer, sorrir fracamente com esse pensamento.
O tempo passou...
Senti a dor se extinguir aos poucos, um formigamento tomava cada parte de meu corpo, da unha do pé ate o ultimo fio de meu cabelo, e logo eu não ouvia nada, não sentia nenhum cheiro, acima de tudo eu não via nada apenas a escuridão. Aos poucos senti os braços da morte acolher-me como uma mãe acolhe seu filho recém nascido nos braços, de forma delicada porem frio, e então meu coração bateu uma ultima vez e caiu em silencio. A morte não tinha cor, não tinha rosto, não tinha cheiro, não tinha sons. Me senti mais leve, livre e feliz, queria sorri, queria gritar e pular, correr. Olhei para baixo e então comecei a cai e mais e mais afundei no lago de escuridão, senti as dores voltarem, senti o cheiro de sangue e ouvi uma voz.
–Lute, Erza!- Eu ouvi a voz dele, a voz de Jellal.
Mas aquela voz era real, eu sabia, não era fruto de minha imaginação, não era nenhuma voz infantil. Foi apenas por ele, foi por não acreditar, que eu lutei me agarrei a vida com minhas ultimas forças, com unhas e dentes, não eu não desistiria agora enquanto não tivesse certeza se era realmente real.
Mesmo que minhas pálpebras pesassem uma tonelada eu as abri, e com a visão meio turva eu o vim. Seus cabelos azuis que desciam por sua face, sua boca bem feita, seu roto, cada traço, mas então eu o olhei nos olhos de cor verde escura e vi algo. Não era o mesmo olhar apesar de serem olhos idênticos, o modo de olhar era diferente, aquele não era meu Jellal, não podia ser ele, pois o que eu conheci estava morto.
–Jellal...- Ouvi-me pronunciar com uma voz fraca e rouca, ao mesmo tempo que eu pude ver o céu ser preenchido de luz, era ano novo.
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