Caminhos Cruzados
9 Siga seu coração!
Notas iniciais
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EU SOU FEITO DE SONHOS INTERROMPIDOS, DETALHES DESPERCEBIDOS E AMORES MAL RESOLVIDOS...
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Sam se agachou para amarrar seus cadarços. Observou sua aparência no espelho retrovisor e reprimiu um gesto de impaciência. Logo, em um puxão, abriu a porta do carro e saiu. Andou alguns passos, ativou o alarme, e colocou as chaves no bolso de seu desgastado jeans.
Ela parou ao lado de algumas outras pessoas enquanto amarrava os cabelos, ajeitando os cachos em um sofisticado coque.
O portão se abriu e várias crianças correram hiperativas.
–Mamãe! – Leslie imediatamente a reconheceu.
–Princesinha! – A pegou no colo enquanto dava meia volta e saía em direção a seu carro –Como foi o jardim? –
–Legal! Noah me convidou para ir brincar na casa dele! –
–Sério? – Sorriu se lamentando do fato de sua amiga Anne não estar ali para ouvir –E o que você disse? –
–Que gostaria, mas que tinha que te pedir antes... –
–É mesmo? Então acho que não haverá problema nenhum. Mas, primeiro tenho que conhecer a mãe do Noah, concorda? –
–Anhãm! –
A jovem riu e depositou um longo beijo na bochecha da filha, enquanto a colocava no chão e pegava as chaves do carro.
–Hey, mamãe? Quando vai me levar para a casa da minha tia? –
–Acho que amanhã, Less. Ainda tenho que... –
–Me desculpa... Mas, você é a mãe da Leslie? – Uma feminina voz interveio por detrás de si.
–Sim, sou... – Sam virou-se enquanto ainda falava.
E assim que viu quem era a recém-chegada, sua expressão imediatamente mudou de calma para absolutamente surpresa. Arregalou os olhos, enquanto encarava fixamente a mulher à sua frente. –Thaís? – Falou duvidosa.
A mulher que encontrou, obviamente, respondia as características da menina que conheceu há muitos anos no colégio. Seus olhos claros a olhavam com espanto e descrença, sinceramente não havia cogitado a possibilidade de encontrá-la aqui.
–Sam? – A mulher olhou para baixo, para a pequena menininha que a observava com curiosidade. –Você é a mãe da Leslie? – Imediatamente notou a curiosa expressão em seu rosto.
A jovem de cabelos loiros colocou uma mão sobre a cabeça da filha, como se tentasse se manter firme e não aparentar nenhum nervosismo. Esboçando um sorriso forçado logo assentiu enquanto permanecia observando a mulher de cabelos pretos com mechas loiras nas pontas. Ao contrário dela, Thaís se manteve estática, enquanto tentava assimilar toda a situação.
–Presumo então que você é a mãe do Noah, certo? –
–Hmm... Sim. – Abraçou um menino de cabelos castanhos que havia acabado de aproximar-se delas.
( Noah )
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–Parece que nossos filhos se tornaram amigos... – Sorriu. –Noah me pediu para conversar com a mãe da Leslie para que ela pudesse ir até a nossa casa brincar com ele... Mas, não imaginava que era você sua mãe... – O corpo de Sam endureceu.
–Sou... –
–Então, enfim voltou. – Thaís sorria todo o tempo –Você tem tempo? Que tal se formos até a minha casa conversar? –
–Bem, é que eu... –
–Olha Sam, sei que nunca fomos amigas. Mas é um convite totalmente amigável, e as crianças aproveitariam para brincar um pouco, assim podíamos conversar sobre elas... Claro, se não for nenhum inconveniente pra você. –
–Não é... – Passou a mão por sua testa, e em seguida voltou a pegar sua filha. –Vamos no meu carro, acho que temos várias coisas para conversar. E é melhor que a gente converse com calma... Além disso, prometi a Leslie que a deixaria brincar com Noah... –
Thaís notou um estranho tom em sua voz, soava como se acabasse de ser descoberta em uma grande mentira... O que era estranho. Porém, decidiu não fazer mais nenhum questionamento... Por enquanto.
–Como quiser... –
A viagem até a casa de Thaís não era muito longa, mas para Sam a realidade era outra. Estava tão preocupada que parecia levar uma eternidade para chegar. As crianças, por sua vez, se divertiam bastante dentro do carro. Thaís apenas se cerificava de que eles não se machucassem ao mesmo tempo em que ela tentava convencer os pequenos a esperarem até que chegassem em casa para brincarem de uma maneira mais segura... Sam, no entanto, justificava sua indiferença com a difícil tarefa de dedicar total atenção à estrada e a direção.
–Nós chegamos! – Gritou Noah animado descendo do carro.
–Eba! Vamos brincar...! – Completou emocionada a menina.
–Um momento jovenzinha! – Gritou Sam, porém sem nenhum resultado, já que Leslie já estava longe...
–Sam... – Disse uma voz num tom bastante calmo. –Temos que conversar, não acha? –
A citada queria negar, mas precisava desabafar com alguém. Queria conselhos, queria uma saída... Só não sabia se podia confiar em Thaís...
–Samantha, pode confiar em mim... – Falou a morena como se pudesse ler sua mente. –Qualquer coisa que me disser não contarei a ninguém. Podemos ir até o jardim, se preferir... –
–Não, de jeito nenhum! Se importa se conversarmos aqui mesmo? Não quero que Leslie ouça... –
–Tudo bem... Pode ser aqui, dentro do carro... –
–Sim... Eu prefiro – As duas mulheres voltaram a entrar outra vez no automóvel... De longe, dava para vigiar as duas crianças brincando no extenso jardim.
–Carly está muito feliz com a sua volta –
–Eu sei. Ela me disse que vocês se tornaram muito amigas –
–Sim... Mas ela nunca disse que você tinha uma filha... –
Sam suspirou e fechou os olhos: –É porque ela não sabe. Nem ela, nem Dylan, nem ninguém... Além da minha família... – Abriu os olhos e a olhou de forma suplicante. –Thaís, por tudo o que é mais sagrado, por favor não conte a ninguém sobre a Less...!
A jovem morena colocou uma mão em seu ombro, reconfortando-a –Fique tranquila, não contarei a ninguém, pode confiar... – Na medida em que falou Sam a observou diretamente nos olhos, certificando-se de que estava sendo totalmente sincera. E a resposta veio logo em seguida –“Era verdade. Seus olhos não mentiam...” –
–Agora fale, desde o começo... O que aconteceu? –
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–Me diga o porquê! –
Freddie fechou os olhos se convencendo em uma silenciosa mensagem de que estava fazendo a coisa certa. Respirou fundo e os abriu para enfrentar Louise. Ela estava com as mãos apoiadas na borda da mesa, como se temesse perder o equilíbrio. Lágrimas escorriam por seu rosto deixando marcas de seu rímel preto. No entanto, isto parecia não causar qualquer mudança na decisão do alto homem à sua frente.
–Me diga o porquê! – Repetiu ela aumentando seu tom de voz, dando um duro golpe a punho fechado sobre a mesa.
–Preciso de espaço, já te disse – Murmurou em baixo tom –Isso não tem nada a ver com você, só não quero que arruíne seu trabalho por minha causa... –
–NÃO ME DÊ DESCULPAS! – Gritou Louise acertando outro golpe na mesa. (N/a: Pobre mesa...) –Quero a verdade! –
“Ainda não... Esse não é o momento”.
–Me diga o porquê Freddie... Preciso saber! – Passou a mão por seu cabelo, enquanto tomava ar em uma tentativa de se acalmar. –Por favor... –
–Precisamos de um tempo. Você tem um monte de trabalho atrasado e eu... –Pensou por um minuto antes de continuar. –Serão só dois meses, nada mais. E você nem sequer vai notar. O tempo passa rápido, antes mesmo de você perceber estaremos juntos novamente... –
–Quer dizer que com o tempo esquecerá o que sente por mim? –
–Não me refiro a isso! Só quero que seja feliz... Por isso me preocupa que descuide de seu trabalho por minha causa, é uma mulher bonita... – A abraçou. –Seria muito egoísta, privar o mundo de sua beleza... Não acha? –
–Freddie, não brinque comigo! Isso não é o que pensa... –
–Linda, me preocupo com sua carreira... –
Louise enxugou uma lágrima –De verdade? – Ele sorriu sem vontade e assentiu. –Promete que vão ser apenas dois meses...? –
–Prometo... – Disse simplesmente.
–Apenas dois meses? – Voltou a perguntar, como se quisesse convencer a si própria.
Voltou a abraça-la, dessa vez mais intensamente. –Só isso, linda. Os desfiles te manterão ocupada e nem sequer notará que o tempo passou... – Ela repousou a cabeça sobre seu ombro. –Esses dois meses passarão muito rápido, vai ver... – Separou-se do abraço olhando-a diretamente: –Além do mais, com certeza voltará ainda mais bonita. –
–Vou sentir sua falta. – Louise o abraçou mais uma vez.
–Também sentirei a sua... – Fechou os olhos enquanto mordia seu próprio lábio. –Realmente preciso desse tempo. –
–Freddie? – Louise se incorporou para olha-lo de frente. –Isso tem alguma coisa a ver com seu passado? –
“Sim...” Pensou, porém respondeu: –Não. Por que a pergunta? –
–Percebi que desde o aniversário da Carly, você anda estranho... –
Tentou sorrir –De onde tirou isso? –
–Sou modelo, mas não tonta! Vejo as coisas melhor do que pensa – Disse enquanto arrumava a barra de sua blusa, mostrava-se um pouco tensa. –É aquela garota, não é? –
–Louise... – Ele suspirou. –Deixa de paranoia... –
Voltou a abraçá-lo: –Só não quero te perder –
–E você não vai. –
A mulher levantou a cabeça em um claro convite.
Observou como seus lábios se aproximavam dele, fechou os olhos e por fim se beijaram. Depois de alguns segundos separou-se do beijo e a olhou. Porém, o que viu o surpreendeu. Já não era Louise quem estava em seus braços.
Era Sam.
Freddie sorriu, deixando facilmente se levar pela situação. A jovem loira o olhava com aquela mesma expressão terna que ele conhecia muito bem. Aquele olhar tão verdadeiro, tão genuíno e ao mesmo tempo tão sedutor, era o simples produto de que sim era ela.
Levantou uma mão e gentilmente a colocou em sua bochecha. Ela também sorria enquanto fechava os olhos, desfrutando daquele suave toque. Freddie conteve a respiração enquanto seguia tocando-a, queria reconhecer cada centímetro de seu precioso rosto.
Não havia dúvidas de que era a Sam. Sua Sam... (N/a: ACORDA FREDDIE!!! ’-‘ )
Ela apoiou uma mão sobre a que repousava em sua bochecha e o olhou ansiosa.
–Eu te amo... – Disse com aquela voz suave que o deixava maluco.
Em um movimento brusco, a encurralou contra a parede apertando-a contra o seu próprio corpo. Olharam-se em mutuo silêncio, ambos com a respiração acelerada, como se estivessem antecipando o que viria depois dessa confissão.
–Também te amo... – A apertou ainda mais contra a parede, e por fim, sua boca buscou a dela ansiosamente –Céus, eu te amo muito... –
E conforme profundamente o beijo evoluía, a paixão e o delírio aumentavam, criando um delicioso caos interno. E Sam lhe respondia da mesma maneira, com beijos e suaves mordidas que o faziam gemer, pedindo por um contato mais íntimo.
Dando uma pausa para que ela recuperasse o oxigênio, desceu os lábios por seu pescoço e descansou a cabeça em seu ombro, acariciando seu cabelo. Os cachos loiros deslizavam sem nenhum inconveniente entre seus dedos, enquanto recuperava seu próprio controle.
Sam se inclinou e pegou sua mão entre as suas, cobrindo-a de beijos molhados e urgentes, comunicando a ele todo seu desejo e necessidade. Freddie a olhou sem fôlego, sendo incapaz de pensar enquanto sentia o desejo que aqueles deliciosos lábios imprimiam em sua pele. E então ele a beijou, com ainda mais urgência que anteriormente. Indicando a ela suas próprias necessidades. Lentamente se desprendeu da parede e começou a caminhar dando meia volta, ainda sem retirar sua boca da dele.
Entretanto, a mesa freou seu caminho.
Porém, sem dar importância a isso, enlaçou os braços atrás do pescoço de Freddie e intensificou o beijo encorajando-o a continuar. E ele não a fez esperar, rodeou sua cintura com ambos os braços e sem nenhum esforço aparente a levantou, fazendo-a se sentar sobre a superfície de madeira da mesa. E imediatamente o aprisionando com mais força entre seus braços, provocou um encontro ainda mais feroz entre seus lábios, para logo em seguida atormentá-lo com promessas de prazer, deixando-o louco.
Suas mãos ansiosas se movimentavam por conta própria pelo corpo dela. E na medida em que continuava lhe devolvendo o beijo, se divertia sentindo como os poderosos músculos de Freddie se tornavam tensos sob seu toque, liberando milhares de reações individuais em cada nervo. Repentinamente, Freddie parou a exploração. Suas mãos lhe indicavam que havia chegado à bainha da saia que ela usava. Rompeu o beijo e rapidamente a olhou. Suas grandes mãos já estavam sobre suas coxas, esperando permissão para continuar. Os olhos azuis de Sam reproduziam de igual forma a luxuria que também se mostrava em seu próprio olhar, e apesar de ela não ter dito nada, não precisou. Freddie podia ler claramente o convite em seus olhos.
Então, em um brusco movimento ela o puxou para si, de modo que sua saia cedeu revelando mais da bronzeada pele de suas coxas. Ele gemeu contra sua boca ao sentir a pressão quase dolorosa de sua áspera masculinidade contra aquele suave corpo feminino. Por um momento apoiou sua testa contra a dela olhando para sua boca. O sabor de sua pele e o aroma de seus cabelos flutuavam no ambiente, de um modo quase intoxicante. Com a ponta dos dedos contornou seus lábios... Estes estavam entreabertos, e tratavam de manter sua respiração a um ritmo totalmente regular. Porém, sua respiração estava tão acelerada que se confundia com a desesperada exaltação de seu próprio corpo. Deslizando uma mão por sua nuca, Freddie logo tratou de trazê-la e guiá-la novamente em direção à sua boca. Entre sussurros e suspiros, murmurou diversas vezes o quanto a amava, recebendo dela, idêntica resposta entre os suaves e delicados beijos.
... E a própria natureza se encarregou do resto, selando o momento e envolvendo seus corpos no ato mais íntimo e sublime que existe.
Saciado, apoiou a cabeça em seu ombro. E com os olhos fechados deslizou uma mão por suas costas, enquanto que com a outra, sustentava seu corpo sobre a mesa para não derrubar todo o peso de seu corpo sobre ela. Aproximou seus lábios e começou a beijar seu pescoço suavemente, como uma forma de agradecer o lindo momento que acabaram de passar juntos.
–Eu te amo... – Sussurrou em seu ouvido, saboreando o aroma de sua pele. Esse íntimo e familiar sabor que só Sam poderia ter.
Ouviu um suspiro: –Também te amo... –
Freddie abriu os olhos assustado. O súbito calor que corria em suas veias congelou, assim que ouviu aquela estranha voz. Um péssimo pressentimento se espalhou por sua mente confusa. Incorporou-se revoltado enquanto tentava buscar pensamentos sensatos que explicassem o que havia acontecido com sua sanidade.
Louise o olhou com uma expressão sonhadora e preguiçosa. Suas bochechas coradas denunciavam que ainda não havia se recuperado do acontecido.
Levantou as mãos e apoiou ambas em seu rosto –Oh, Freddie! – Sussurrou olhando-o languidamente*. –Foi tão lindo! Sabia que me amava, mas nunca havia dito antes... Comecei a pensar que era tímido... – Falou brincando, porém ainda meio sonolenta. (N/a: Rum ¬¬')
Ele não reagiu. Contudo, esperava que Louise fosse uma má jogada de seus olhos e que invés dela, era Sam quem ocupava seu lugar... Mas, a verdade era que, a insanidade de sua mente foi quem criou essa outra realidade. E tinha ficado tão surpreso e encantado com o que viu que se deixou levar pela sua própria ilusão e prazer. Deveria ter raciocinado, tratado de manter sua mente sã...! Agora esse momento de confusão só serviu para aumentar ainda mais sua tristeza e arrependimento.
Louise levantou-se lentamente e desceu da mesa. Ajeitou o tecido de sua saia que agora estava toda amassada e sorriu.
–Foi uma ótima maneira de demonstrar que sentirá minha falta – O olhou com aquele mesmo olhar sonhador. –Por um momento achei que havia perdido o interesse em mim, mas sei que isso é impossível...! – Riu: –Hoje você... –
Freddie finalmente reagiu. Estabeleceu suas próprias roupas rapidamente, e em um brusco movimento, desviou quando ela quis lhe tocar.
–Freddie? –
Ele retrocedeu com repugnância, passando as mãos nervosamente pelos cabelos.
–Freddie o que houve? –
Sentiu que ia vomitar se continuasse ali. Pegou sua jaqueta do chão e dirigiu-se até a porta.
–Freddie, o que diabos aconteceu? –
Com a mão na maçaneta da porta principal, virou-se para olhá-la. Seu rosto estava muito pálido –Isso foi um completo erro – Abriu a porta. –Sinto muito, eu... Preciso pensar... Vou passar a noite na casa da minha mãe, espero que tenha uma boa viagem... –
Louise o olhou pasma, parecia não acreditar no que ouvia. –Freddie! –
–Sinto muito... – Reiterou e imediatamente saiu.
A jovem deixou-se cair no chão e cobriu a cabeça com as mãos.
–“Por que ele tinha que estragar um momento tão bonito como o que compartilharam? Por que tinha que estragar tudo dizendo que sente muito?” –
–Não, nada disso! Freddie me ama! Se tivesse algo para dizer, com certeza me diria... Ele só precisa de um tempo sozinho, sim... Isso é tudo... –
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Era começo da noite quando Sam e Leslie voltaram para casa.
A jovem tinha ficado muito nervosa com seu encontro com Thaís... Só de pensar que ela poderia entregar seu segredo a quem mais temia que soubesse... (Freddie). Suava frio.
Porém, ao invés do que inicialmente esperava, a tarde correu tranquila. As duas conversaram e riram como se já fossem amigas de longa data... Além disso, Carly já havia comentado que ambas se tornaram muito próximas nesses anos, e que Thaís, retirando seu modo extravagante de se vestir, era uma pessoa de muitos valores.
E foi obrigada a concordar com ela. Embora ela e Thaís tivessem tido muito pouco contato antigamente, não entendia como, mas sentia que nela podia confiar plenamente... E cada vez mais se deixou relaxar, quando viu que tinha seu total apoio e que seu pequeno segredo estava seguro. Além do mais, Leslie realmente se encantou com a mulher... E as duas se deram tão bem que Thaís havia insistido para que ela a chamasse de tia.
Observou sua filha, que rapidamente adormeceu enquanto voltavam pra casa... Estacionou o carro na garagem e pegou suavemente a criança no colo tratando de não acordá-la. A pequena se acomodou nos braços de sua mãe descansando a cabeça em seu ombro. Sam sorriu e pegou o elevador indo até seu andar, agradecendo silenciosamente por finalmente estarem em casa. Abriu a porta e logo a fechou com um empurrão e dirigiu-se até um corredor que dava no quarto da criança.
–Mami? – A voz de Leslie foi apenas um sonolento sussurro.
–Hmm? – A cobriu com um cobertor e sentou-se ao seu lado na cama.
–Sua amiga é muito legal... –
–Tia Thaís... – Falou de forma divertida.
–A tia Thaís é muito legal...! – Leslie riu suavemente. –Mamãe, você a conhece faz muito tempo? –
–Uhum... Muito tempo. Estudamos na mesma escola –
–Verdade? – Perguntou Leslie com um enorme sorriso cheio de emoção.
–Sim, princesinha. –
–Então... Tia Thaís também conhecia meu papai? –
Havia entreaberto com muito esforço os olhos e esperava ansiosa pela resposta. Sam aspirou uma grande quantidade de ar e acomodou o cobertor até os ombros da criança –Já está muito tarde princesinha, é hora de dormir –
–Ela conhecia? – Insistiu em tom suplicante, porém determinante. Sem sombra de dúvidas era uma criança incrível. Disso já estava ciente, só não esperava uma pergunta tão corretamente formulada... E menos ainda com tal tenacidade*.
Sabia que por nada nesse mundo podia mentir para sua filha. Nunca teve coragem pra isso, mas não negava ficar tensa toda vez que ela chegava com todo esse interrogatório.
–Sim, Less... – Assentiu. –Assim como Jonathan, Thaís também conhecia seu pai... –
Ela sorriu levemente e fechou os olhos. Sam suspirou em silêncio e massageou cansada sua própria testa. O pulso pulsava acelerado.
–Mami? – Voltou a abrir os olhos. Agora estava mais desperta do que nunca –Fica com raiva quando fala do papai? –
–Claro que não! – Tentou acalmar o súbito nervosismo em sua voz –Por que está me perguntando isso, Less? –
–Tia Mel uma vez me disse para eu não falar dele com você, porque te fazia chorar... –
–Sua tia Melanie é uma exagerada... Sabe que pode conversar comigo sobre qualquer coisa, princesinha... – Falou –“Como Melanie pode ser tão intrometida? Vou precisar conversar com ela...” –
Leslie sentou-se na cama repousando uma mãozinha na bochecha de sua mãe: –Mamãe, você amava o papai? –
A jovem imediatamente notou a mudança em seu tom de voz. E a forma como seus olhinhos a observavam denunciavam o quão séria e importante era essa pergunta para ela...
–Claro que eu amava seu pai, Less... – Um involuntário rubor cobriu seu rosto. Inclinou-se e beliscou de leve o nariz da pequena. –O amava tanto que por essa razão nasceu você. E isso foi o melhor que fizemos juntos... – A garotinha sorriu amplamente e logo voltou a se deitar.
–Tenho certeza que ele também te amava muito, mami! –
–Como ele não poderia? – Brincou.
Acomodou outra vez a coberta e se endireitou. –Bom, é o suficiente por hoje. – Lhe deu um beijo na testa. –Durma bem meu anjo. –
–Boa noite, mamãe... – Fechou os olhos e seguiu sorrindo enquanto sua mãe saiu do quarto.
Sam continuou pensando em tudo o que disse para a filha. Leslie tinha vencido... Todos esses anos sem nem ao menos tocar no nome do Freddie, e em apenas uma noite sua filha a fez recordar de todos seus momentos... Suspirou. Agora, não importava... Leslie estava feliz. Não valia a pena continuar se preocupando com isso, pelo menos não essa noite.
Todas suas lembranças voltaram num segundo. –“Não imaginava que se pareciam tanto...” – Apoiou as costas contra a porta.
–“Agora, mais do que nunca vou te encontrar papai...” –
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–Está louco, sabe disso não é? –
Freddie lançou um olhar assassino em direção à Carly e voltou a se concentrar no copo que segurava em suas mãos; que de repente se tornou muito interessante, apesar de estar vazio. Talvez fosse porque estavam no meio de uma calorosa discussão e Carly levava a vantagem. Ou, talvez porque a tal discussão de repente havia se tornado mais um sermão, e a essas alturas já estava bem claro quem estava sendo repreendido. Do contrário, não manteria o olhar fixo no chão e não estaria com essa expressão de arrependimento.
–Cada vez te entendo menos... – Seguiu dizendo a energética jovem. –Agora se nega a falar com sua namorada e ainda me obriga a mentir para ela pelo telefone? Do nada, chega a minha casa com a intenção de ficar e me pergunta se poderia dormir no quarto de hóspedes... E ainda acha que não farei nenhuma pergunta? –
–O que quer saber? –
–No mínimo, o que está acontecendo... Vocês terminaram? –
–Não, pedi um tempo... Aproveitando que ela vai para o exterior, por dois meses... –
–E ela se recusou...? –
–A princípio sim, porém depois entendeu que seria o melhor para nós dois, mas... – Suas mãos suavam frio, ao mesmo tempo em que sua temperatura corporal subia constantemente.
–Mas...? –
Obviamente não podia dizer tudo o que havia acontecido à Carly. Não tinha cara para fazer isso, e também já imaginava as belas palavras que ela lhe diria assim que acabasse de narrar o seu involuntário deslize.
–Digamos que cometi um grave erro que espero que não me traga consequências com o tempo... –
Ela o escutou e soltou um suspiro: –Ainda não entendo o que faz aqui, a essa hora da noite... –
–Não queria preocupar à minha mãe, por isso resolvi pedir ajuda a você. – Baixou o olhar outra vez –Estou confuso... –
–Isso não é novidade... –
–Falo sério! –
–Desculpa... – Carly sorriu. –E toda essa confusão tem a ver com uma certa loira...? –
Ele não respondeu, mas o rubor que apareceu em seu rosto era mais do que evidente.
–Fico feliz em saber que finalmente reconheceu seus sentimentos... – Carly seguiu dizendo. –Apesar de você ter levado quatro anos para fazer isso... Rum, você e esse seu orgulho besta. –
–Não sei se isso é uma coisa boa... – Disse em tom baixo. –Talvez ela já não sinta o mesmo por mim –
–Isso você vai ter que descobrir. –
–Além disso, ainda tem aquele bendito anel de compromisso... Maldição! – Nervosamente passou a mão pelos cabelos. –E Jonathan... –
–Ela não disse que não havia nada entre eles...? –
–Sim, mas eu os vi... –
–Deve aprender a confiar nela. Diz, por que ela mentiria? O que ela ganharia fazendo isso? Não há nada entre eles e ponto! –
Houve um longo período de silêncio. Freddie voltou a se concentrar em seu copo vazio, e pensou durante vários segundos até levantar a vista num acesso de desespero: –Já não sei de mais nada Carly... É tudo tão complicado! É uma situação muito difícil de resolver... –
–Mas não é impossível! – Exclamou. –Freddie, se não tentar, nunca saberá o que poderia ter acontecido e viverá com essa culpa em sua consciência... Agora só depende de você! –
–Então psicóloga... Conto com a sua ajuda? –
–Naturalmente. Estamos todos a seu favor! –
O rapaz sorriu fracamente –Prefiro não investigar o significado do termo “todos” – Suspirou. –Mas a Louise... –
–Tem que contar a ela, Freddie... Esconder seus verdadeiros sentimentos dela foi muito cruel de sua parte. –
–Eu sei, é que... Nunca soube como explicar... –
–Bem, agora vai ter dois meses para pensar em como começar... –
Suspirou. Olhou para a amiga, e sorriu mais uma vez. –Obrigado Carly... Não poderia pedir conselheira melhor –
–Sei disso! – Sorriu enquanto o abraçava. –Agora, vamos dormir que já está tarde... – Ele assentiu. –Já conhece onde fica o quarto de hóspedes... Então, lhe desejo uma boa noite! – Sorriu mais uma vez e começou a subir as escadas em direção a seu quarto.
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Uma semana depois...
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–Juro que não vai acreditar Carly... –
–Bem, é difícil acreditar em algo que ainda não me disse Thaís... –
–Não posso dizer... Você precisa ver com seus próprios olhos! –
Carly franziu o rosto e olhou para a amiga. O lugar por onde passavam também era desconhecido por ela. –Onde estamos? –
Thaís estacionou o carro ao lado de um grande edifício que ficava perto da costa e soltou um pequeno suspiro antes de sair.
–Está tudo bem? – Carly perguntou preocupada.
–Sim, é que esse tipo de emoções fortes, parecem causar um pouco de adrenalina no bebê. – Sorriu. –Só preciso de um tempo para retomar o controle... – Falou aspirando um pouco de ar puro.
–Mamãe? – Um pequeno garotinho saiu do carro e veio em sua direção.
–Estou bem, meu amor. – Thaís acariciou a cabeça da criança.
Carly aproximou-se do garoto: –Noah se preocupa muito com você, Thaís... O que seria isso, “Complexo de Jason?” –
–Não coloque meu filho em sua psicologia Carly! Isso é uma situação supernormal... Noah, assim como o pai dele, só se preocupam demais comigo... –
–Se você diz... – Riu a morena.
O pequeno olhou animadamente para Carly, com seus grandes olhos castanhos: –Tia Carly? –
–Sim? –
–Você veio conhecer minha amiga? –
E antes que ela conseguisse responder, Thaís se adiantou: –Claro que ela veio, meu bem... Mais pra isso, precisamos continuar andando. Vamos? –
–Seria mais fácil se eu soubesse pra onde... –
–Já-já saberá Carly, basta ter paciência... – Thaís pegou a mãozinha do filho e os três começaram a caminhar por um belo parque, que ficava do outro lado da rua.
Carly observou a uma longa distância, uma extensa mancha azulada. O mar.
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–Óh Sam... É linda! –
–Eu sei... –
As três jovens estavam de pé assistindo as crianças enquanto brincavam.
–Ela gostou muito de te conhecer, Carly – Sam olhou para as duas mulheres –E a você também, Thaís... –
–De mim é impossível não gostar. Sou encantadora! – Brincou Thaís.
A loira soltou uma gargalhada e segurou sua mão: –Obrigada por trazer a Carly... Eu... Nunca teria coragem o suficiente para fazer tudo sozinha... –
–Sam... –
–Às vezes tenho medo de que toda esta situação fique fora de controle... – Observou Leslie. –Quero o melhor pra ela, mas aparentemente, tenho sido egoísta. A única coisa que tenho feito é fugir... –
–Não é bem assim, Sam... Você a criou sozinha. E sei que isso não é uma tarefa fácil... – Apontou Thaís.
Carly permaneceu em silêncio.
–Todo o trabalho caiu sobre seus ombros, isso não significa que é egoísta. Te entendo... – Se virou para Carly: –Não concorda? –
–Não, e sabe disso! Sam, você deveria ter falado sobre a gravidez em algum momento! Não por mim, mas por ele... –
–Como se fosse tão fácil... – Entrecerrou os olhos como se estivesse relembrando a época –Tínhamos acabado de nos separar quando descobri que estava grávida, os papéis do divórcio já estavam a caminho... O que queria que eu fizesse? Acha mesmo que ele teria aceitado assim de imediato? Deus! Freddie só pensava naquele maldito concurso...! – Sua voz se tornou instável, desviou o olhar. –Não tinha tempo pra mim, menos ainda para um bebê... –
–Sinto muito, Sam... Não sabia... – Carly a abraçou confortando-a.
–Vejo que vocês têm muito que conversarem... É melhor eu ir – Disse Thaís.
–Não Thaís, fique... – A jovem loira virou-se.
–Esse é um tema de família... E eu mais do que ninguém sei que a Carly sempre foi como uma irmã para você – Sorriu e continuou –Embora eu concorde com você Sam, Carly também tem um pouco de razão... – Piscou um olho para a morena –Convença ela a solucionar as coisas... –
–Farei isso, não se preocupe. –
Ao ver sua mãe se despedindo, Noah se aproximou seguido por Leslie. –Nós já vamos, mamãe? –
–Sim, querido. –
–Mais já? – O pequeno abaixou os ombros decepcionado. –Mas... Nós não brincamos quase nada! –
–Thaís... – Sam interveio. –Pode deixa-lo aqui se quiser. Less e eu o levaremos em casa depois, certo, princesinha? –
–Certo! –
–Quer ficar filhinho? – Thaís acariciou a cabecinha do pequeno e este assentiu com entusiasmo –Tudo bem... – Lhe deu um beijo na testa. –Se comporte e obedeça a tia Sam. – Se despediu das crianças e esperou que reiniciassem as brincadeiras antes de dar meia volta e sair em direção a seu carro.
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Ambas estavam na cozinha preparando um lanche para as crianças.
Desde a saída de Thaís, as duas preferiram continuar a conversa dentro do apartamento de Sam. Porém, agora o tom da conversa era de um aspecto muito mais sério. Obviamente, Carly já começava a entender várias coisas... Além disso, agora sabia dos planos de Freddie para recuperar o amor de Sam... Não iria ficar de braços cruzados.
Conhecia os sentimentos dele por ela. Mas, ao contrário dele, quando se tratava da loira sabia que não pisava em terreno seguro a respeito dos sentimentos dela por ele. A voz de Sam era grave, porém, não era firme, denunciando sua total instabilidade emocional. E em nenhum momento Sam havia demonstrado sequer um sinal de afeto por ele.
Carly começava a perder as esperanças. Não só pela indiferença da amiga a respeito do pai de Leslie, mas também pelo tom repulsivo e de raiva que marcavam suas palavras cada vez que se referia ao rapaz ou a qualquer lembrança daquela época.
A loira mostrava uma impecável aparência de frieza e autoconfiança. Criando um caótico contraste com o ardente vulcão de emoções que queimava dentro dela, que se por acaso cometesse algum deslize, poderia entrar em erupção a qualquer momento.
–Não sei se vou dizer a ele, Carly... – Respondeu a pergunta feita segundos atrás pela morena.
–Mas Sam... –
–Escuta, ele... Ele me odeia. E me odiará ainda mais quando souber. –
–Freddie não te odeia! – Exclamou suavemente, mas a loira pareceu não acreditar. –Além do mais, ele é o pai da Leslie. Ele tem o direito de saber, e a menina também... –
A jovem parou de espalhar manteiga nas torradas que preparava. –Sei que tem razão, Carly... – Seu tom de voz era triste. –Mas tente entender... Leslie é a única coisa que ele me deixou. A única coisa importante que sobrou da época em que éramos felizes juntos. Não quero perdê-la... Se Freddie souber, ele não hesitará em começar uma ação legal contra mim... E... –
–Isso é ridículo! –
–Vou dizer a ele, Carly! Vou dizer... Eu prometo. Quando Leslie conseguir compreender. Talvez daqui a alguns anos, não sei... –
–Isso é muito cruel...! –
Sam ficou pálida: –NÃO! – Baixou o olhar. –Você não entende... Tem muita coisa que você não sabe. Tantos mal-entendidos... Tantos... – Se cortou. As lágrimas começaram a cair involuntariamente. E todo o autocontrole que dizia ter sumiu em poucos segundos.
Carly também enxugou as lágrimas que caiam por seu rosto. Porém, as suas eram diferentes. Eram de alívio; de esperança... Com simpatia colocou uma mão em seu ombro.
–Sam, fique calma... Se acalme amiga. Assim assustará Leslie. –
–Carly... – Falou com a voz trêmula, cortada pelos soluços que mal conseguia controlar. –Sou uma tonta, não é? Nem a você, nem a mim mesma, posso enganar... –
–Sobre o que está falando? –
–Leslie é a coisa mais importante que a vida me deu, depois de Freddie... –
A morena sorriu.
–Meu maior medo é que a tirem de mim, mas... Seria ainda pior se ele a rejeitasse. Acho que não aguentaria o seu desprezo por obrigá-lo a assumir a paternidade... –
–Mas... –
–Não aguentaria... – Voltou a passar manteiga nos pães. –Além disso, ele tem a Louise. Eles são um casal. Não há espaço para a Leslie... –
–Sam, ainda o ama? –
Sua pergunta pareceu roubar todo o ar do ambiente. Voltou a abaixar a cabeça e Carly notou como ela apertava os punhos lutando consigo mesma e com seus sentimentos. Passou bastante tempo até que finalmente ela soltou um suspiro e a encarou. Suas bochechas estavam levemente coradas e seus olhos pareciam estar mais claros e azuis do que nunca.
–Sim... – Murmurou. –Apesar do tempo... E apesar de que fui eu quem foi embora... Eu o amo... –
Carly muito animada correu para abraçá-la. –Sam, isso é maravilhoso! –
–Não, não é. É horrível! –
A morena riu: –Tonta, a felicidade está ao seu alcance! –
–Não é tão fácil como pensa... –
–Claro que é! Só precisa dizer a ele o que sente... –
–Isso não será suficiente... –
–Mas Sam, Freddie te... – Começou a morena disposta a dizer tudo o que sabia. Mas se deteve há tempo. Não era ela quem deveria falar... Além disso, tinha prometido a Freddie que não interferiria mais do que devia. Todavia, havia conseguido o mais difícil... Fazer com que a Sam admitisse seus sentimentos. Agora era a vez dele fazer o resto. Tomou ar. –Prometa que contará a ele sobre a existência da Leslie? –
Houve um pequeno momento de silêncio. –Sim... – Suspirou. –Vou dizer a ele. Só preciso encontrar o momento adequado... –
Carly voltou a sorrir e assentiu. Sabia que Freddie ficaria mais do que feliz com a notícia de ser pai... Apesar dele não admitir, era legível no modo como cuidava de Nayla ou, como cuidava das crianças no orfanato. Sem mencionar que não há nada mais lindo do que ter um filho com a pessoa que se ama.
A porta de repente se abriu mostrando uma menininha correndo.
–Mamãe, o que aconteceu com o nosso lanche? – Colocou as mãos atrás das costas e mostrou uma expressão de impaciência tão parecida com sua mãe que Carly não pôde evitar rir.
–Realmente é sua filha, Sam!
A loira também riu: –Está aqui, meu amor... – Respondeu, terminando de arrumar tudo na bandeja. Para logo seguir a pequena até a sala de jantar carregando os lanches.
–“Freddie e Leslie saberão da verdade, só preciso encontrar o momento certo para contar a eles...” –
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Duas semanas depois...
(N/a: E essa fic cada vez se parece com uma novela...)
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Sam olhou para o céu nublado do Hall de entrada do seu prédio. As escuras nuvens pareciam ameaçadoras e cheias de água, dispostas a liberarem seu conteúdo a qualquer momento. Franziu o rosto e meditou se deveria sair ou não para fazer sua habitual ronda de exercícios... Voltou a observar o céu, e em um rápido movimento levantou o capuz de sua capa de chuva e cobriu a cabeça. Iria sair de qualquer maneira, com chuva ou sem chuva. Além disso, um pouco de água não lhe faria mal algum.
Já tinha feito meia hora de corrida e adentrava o grande parque que beirava o bairro de Magnólia, quando começou a chuviscar. A jovem não pôde evitar sorrir ao sentir a chuva se espalhar pelo seu rosto. (N/a: Quem é que de vez em quando não gosta de ficar na chuva...? É tão divertido! :D ...Ok, concentração!)
Água. Um dos quatro princípios sagrados. Um elemento que parecia ser parte integral de sua natureza.
Sem dar importância ao clima, tomou o caminho que normalmente usava para fazer seus exercícios e começou seu circuito entre as árvores, continuando a correr em um ritmo bem mais acelerado.
Após alguns poucos minutos a chuva ficou mais intensa. Mas, estranhamente, Sam quase não estava molhada. Confusa, diminuiu a velocidade e olhou para cima. Porém, o que viu a fez parar imediatamente.
Um homem segurava um grande guarda-chuva preto, que o protegia da chuva.
Se deteve surpresa ao reconhecer quem era o portador do guarda-chuva. Como se pela primeira vez após esses quatro anos, ela o estivesse vendo.
–Bonjour mademoiselle... – (N/a: Como eu amo Francês! *-* )
Por pura descrença deu um passo para trás. –Freddie...? –
–Levei duas quadras te seguindo... – Tomou ar. Respirava com dificuldade, demonstrando que estava agitado. Colocou a mão no peito. –Acho que estou um pouco fora de forma... –
Ela riu: –Bem... Sinto muito, mas não tinha te visto Monsieur... –
–Me dei conta... – Olhou a seu redor. –É um bonito lugar para correr, mas as pessoas comuns costumam fazer em um dia claro, ensolarado e seco, mademoiselle... –
O riso dela aumentou: –Já me conhece... –
–Por isso mesmo sabia que te encontraria aqui. Algumas coisas nunca mudam... – A olhava de um modo tão intenso, que foi impossível para Sam não corar.
Freddie sorriu e logo depois franziu o rosto: –Se continuar se molhando assim, ficará doente. –
–Tenho uma capa à prova d'água... – Respondeu, pegando a borda de sua capa de chuva entre os dedos para mostrá-lo. Seguia a observando com aquele olhar protetor que era tão particularmente seu. Estava sempre pronto, disposto a protegê-la. Como seu guardião...
Sam sacudiu a cabeça tratando de remover todos aqueles pensamentos contraditórios.
–Se importa se caminharmos um pouco? –
–Na chuva...? – Perguntou hesitante.
Ele observou o escuro céu e logo voltou sua atenção para ela: –Sim, se não se incomodar... –
Sam concordou simplesmente e ambos começaram a caminhar em silêncio. Seguiram pelo caminho das árvores, adentrando ainda mais no parque. O lugar estava completamente vazio e parecia ainda mais bonito sob o brilhante manto da chuva.
Freddie de repente sentiu-se muito tímido e indefeso. Ainda estava no processo de aceitar a não-tão repentina mudança de sentimentos dentro de si...
Tal como ele, Sam se perguntava o que deveria pensar de toda aquela situação. Não sabia o quanto Carly havia dito a ele... E de repente foi extremamente consciente de cada movimento e gesto que o rapaz fazia. Como se temesse que a qualquer momento ele fosse saltar sobre ela, cheio de acusações e repleto de interrogatórios...
Desviou o olhar por um segundo e se surpreendeu com ele a observando. Tinha seus olhos bem atentos e completamente fixos nos dela. Lhe devolveu valentemente a mirada e caminharam assim por vários segundos mais, até que pararam.
Então, sem sequer dizer uma palavra, Freddie atirou seu guarda-chuva no chão e sem aviso prévio a tomou entre seus braços. Sam o olhava muda, fascinada, sentindo a força viril em torno de seu corpo.
Com uma mão, o jovem deslizou o capuz de sua capa até seus ombros, liberando seus longos cachos loiros. Feito isso, buscou por um segundo seus olhos, até finalmente sucumbir ao desejo que o consumia. Com firmeza, mas também com suavidade a pressionou contra seu corpo e aproveitando seu gesto de surpresa a beijou.
A princípio Sam se manteve rígida contra ele, não se atrevendo a fazer qualquer movimento recíproco. No entanto, as carícias sobre seus lábios persistiram, buscando por uma resposta. As mãos do rapaz moveram-se dos seus ombros até o nascimento de sua cintura, traçando um caminho que lhe provocavam calafrios por todo o corpo. Então, com um suspiro, assumiu a derrota. Seus braços finos fecharam-se atrás de seu pescoço, e instintivamente se apertou ainda mais contra ele retribuindo seus beijos com a mesma perfeição. Freddie sorriu contra sua boca, diante da familiaridade daquele contato.
Ambos não pareciam se importar com a chuva que caía sobre eles. A água representava um poderoso afrodisíaco naqueles lábios úmidos que se rendiam de novo, e de novo ao seu silencioso pedido. Agora, não restavam dúvidas de que aquela era a sua Sam... Quanto mais a beijava, mais desejava sentir o frescor de sua pele e o sabor de seus beijos.
E a essas alturas, era inevitável que os beijos se tornassem mais íntimos e exigentes, reclamando mais entrega e prazer.
Freddie a arrastou consigo e começou a caminhar sem tirar sequer um segundo sua boca da dela. Parecia não colocar atenção por onde ia, até que Sam sentiu algo duro em suas costas. Foi o tronco grosso de uma velha árvore.
Depois de apoiá-la, separou-se alguns centímetros, colocando suas mãos em ambos os lados do rosto da loira. Seus lábios ainda tremiam, e sua respiração não estava completamente normal.
–Eu te amo... – Murmurou com voz rouca, lutando contra a vontade de agarrá-la e gritar para o mundo todo ouvir. –Deus, eu te amo tanto... – Voltou a beijá-la, como se não pudesse resistir. –Como poderia esquecer...? Eu te amo...! –
E não cansava de repetir. Talvez, porque tinha medo de que ela não acreditasse, ou que tudo aquilo não passasse de um dos muitos sonhos que sempre tinha... A olhou fixo, bem no fundo dos olhos, e logo sorriu amplamente. Era tudo real... –Eu te amo... – A jovem mulher apenas o observava, sorrindo cada vez mais diante daquela explosão de loucura.
Porém, tão subitamente como havia começado de repente se deteve. Afastou-se dela.
–Sam, eu preciso saber... – Havia sofrimento em suas palavras. –Existe alguma coisa entre você e o Jonathan...? –
Ela observou a dolorosa expressão em seus olhos. –Não. –
–O anel... – Prosseguiu, com o mesmo tom de agonia. –Está comprometida...?
A angústia se confundia com ansiedade em seus olhos escuros. Havia também uma forte expressão de desespero, que fez com que ela sentisse pena por ele.
–E-eu... –
Baixou o olhar e observou a aliança em seu dedo anelar. –Como explicar pra ele o que aquela simples aliança representava pra ela? Como dizer a ele, que aquele anelzinho representava o voto de cuidar de sua filha e de se guardar pra ele...? – Levantou a cabeça.
–Você está...? – Insistiu Freddie, apertando involuntariamente sua outra mão.
Hesitou por alguns segundos, antes de enfim dizer: –Não... –
–Era tudo o que eu precisava ouvir... – Então logo a rodeou com seus braços e descansou sua testa contra a dela, olhando-a um minuto antes de liberar a violenta tempestade de emoções que vivia dentro de si. Era óbvio que lhe sobravam palavras, porém, preferiu deixar toda à conversa para depois, unindo seus lábios aos dela novamente. Sem se preocupar com o estado em que a chuva deixava a ambos. Concentrado somente em seu desejo mútuo...
Em meio à tranquilidade, suavemente Sam cobriu sua boca com os dedos enquanto recuperavam o ar. Agora era a sua vez de falar, e queria estar completamente segura de ter toda a sua atenção.
–Também te amo, Freddie... –
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Continua...
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