Caminhos Cruzados

2 Recordações


Notas iniciais
O AMOR É COMO O OURO; SE O PERDER NÃO O BUSQUE... QUEM O TENHA ENCONTRADO NÃO TE DEVOLVERÁ... . . A respeito da separação de Sam e Freddie, conheci um caso como o deles, na escola. A menina se chama Camila e ele Danilo se casaram aos 17 anos, com a permissão dos pais, claro. Ela terminou a escola e agora está em seu terceiro bebê. Hoje tem apenas 21 anos e vivem em crise no casamento, já se separaram e voltaram duas vezes. Então, sei o que quero dizer quando escrevo que... Freddie e Sam cometeram um erro em se casarem tão jovens, ainda não tinham terminado de apreciar a fase da adolescência. Sei também que esse é um caso abstrato. Do mesmo jeito que pode não dar certo por serem muito jovens, pode vir a funcionar. Nesse caso, infelizmente não funcionou. ): Espero que gostem deste capítulo. Boa leitura! *-*

O AMOR É COMO O OURO; SE O PERDESTE NÃO O BUSQUE...

QUEM O TENHA ENCONTRADO NÃO TE DEVOLVERÁ... (Aquino)

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Esse capítulo me fez lembrar um pouco da música: "Boston — Augustana"

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6 meses depois...

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–Te repito Melanie, estou bem... – Dizia uma atrativa jovem ao telefone sem fio, preso entre seu ombro e pescoço, enquanto batia algo em uma tigela de vidro.

Eram cerca de três ou quatro da tarde e havia um agradável sol de inverno.

Tem certeza, Sammy? Sabe que pode contar comigo e com a mamãe não é? Respondeu uma preocupada voz feminina do outro lado da linha.

A mencionada arqueou as sobrancelhas com um pouco de irritação. Estava ligeiramente alterada –Por acaso falo em chinês? Nem pense em aparecer por aqui! San Diego e eu sobrevivemos perfeitamente sem vocês! –

–Isso não foi engraçado!

–Escute Melanie... Pela enésima vez “estamos bem” – Afirmou impaciente. Colocando a tigela que segurava sobre o balcão, apoiou sua costas contra uma parede, desenhando com a mão livre uma suave curva em seu ventre –Faça Brad entender que não estou doente, que somente estou grávida... –

–Nos preocupamos com você, Sam. Está tão longe de todos nós...

–Eu sei, eu sei Mel... Mas não se preocupem tanto comigo, já disse que estou bem! Se isso ajuda, ligo se acontecer qualquer coisa –

–Promete que nos chamará diante de qualquer problema?

–Sim. Aliás, estou tendo um agora... –

–SAM! O que houve? Está com algum tipo de dor? O que... Foi interrompida pelos risos da irmã na outra linha.

–Não consigo encontrar o pote de chocolates que Brad me mandou! – Disse entre risadas

–Sam! Você não muda, não é mesmo? A repreendeu, mais a raiva já havia sumido –No armário da esquerda, atrás da lata de farinha...

–Como? – Não havia entendido a resposta.

Eu disse, que o pote de chocolates está no armário da esquerda, atrás da lata de farinha...

A jovem foi até o armário e retirou a lata de farinha. “Então era ali que estava o bendito pote...” –Mas como... Como sabia? – Perguntou espantada

A resposta é óbvia. Você sempre escondia os doces perto da lata de farinha quando éramos crianças, dizia que se continuasse a olhá-los por muito tempo acabaria comendo todos de uma só vez, e farinha era a última coisa que iria procurar em um armário de cozinha...

–Oh! – Respondeu simplesmente e reiterou: –Mas ainda tenho uma dúvida... Por que este repentino ataque de proteção sobre mim? De você até entendo, mais a mamãe? Por dez anos ela não fez outra coisa se não procurar alguma nova maneira de discutir comigo... –

–A mamãe sempre se preocupou com você, Sammy. De onde tirou isso?

Pegou novamente a massa que antes estava batendo e colocou um dedo no creme provando-o –Jeito engraçado de demonstrar... – Afirmou enquanto colocava a mistura em uma forma redonda para logo levá-la ao forno –Bom, Melanie tenho que desligar. Estou com desejo e quero assar esse bolo –

–Promete ligar amanhã?

–Sinto muito, Melanie. Não te escuto –

–Sam!

A jovem tirou o telefone da orelha e apertou o botão cortando a chamada –Adeus... – Finalizou, lançando um olhar ao telefone deixando-o cair sobre a mesa. “Ainda vão me deixar louca...” Suspirou, enquanto prendia seus cachos loiros em um coque no topo da cabeça, deixando uns fios caírem no seu rosto e nuca.

Ligou o forno, programando-o para apitar depois de 30 minutos e saiu.

Agora vivia em San Diego – Califórnia, morava sozinha, e havia sido uma completa odisseia convencer sua irmã e a mãe para não interferirem em sua vida. A elas não agradava o fato de que houvesse se mudado para um lugar tão distante.

Sentou-se em uma poltrona e ligou a TV. Pegando o controle remoto começou a mudar de canal consecutivamente. Não encontrando nada que lhe interessasse, desistiu de procurar e a desligou.

Abraçou uma almofada, decepcionada. Estava entediada.

Deveria encontrar algo para fazer.

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O jato de água perfurou o ar se chocando com o sujo vidro esquerdo de um carro. Espalhando milhares de partículas transparentes em todas as direções.

Dois jovens, ambos com idade inferior a 20 anos, lavavam o carro que pertencia à jovem com longos cabelos negros. Ela, vestia uma camiseta lilás e um jeans azul, derramava uma quantidade generosa de detergente na esponja que usava para limpar as janelas do veículo. Observou desconfiada um homem que não aparentava ter mais de 27 anos se aproximando e parando frente a ela.

Este percebeu seu estranho olhar e sorriu maliciosamente. Pegou a mangueira que ela havia deixado no chão, e abriu a torneira na maior potência.

–Carly... – Murmurou.

A jovem levantou a cabeça: –Quê...? – Respondeu antes de ver horrorizada como um grosso jato de água vinha em sua direção a toda velocidade.

Depois de um tempo comprovou o resultado: Sua linda camiseta lilás estava encharcada e o jeans havia grudado em suas pernas, impedindo-a de se mover com facilidade.

–SPENCER...!!! – Gritou com toda a força de seus pulmões –Enlouqueceu? VAI ME PAGAR! – Gritou, tentando correr o mais rápido que podia atrás do irmão que dava gargalhadas, não conseguindo alcança-lo por conta das calças grudadas em seu corpo.

–Guerra d'água! – Respondeu o outro jovem que até então não havia se manifestado. Pegou um balde cheio de água que se encontrava perto de seus pés, e jogou-o em direção ao mais velho. Rindo alto diante do estado em que ele ficou.

–Freddie! Homem, ou está ao meu lado ou contra mim... –

–É guerra Spencer, não opto por um lado, luto pela minha sobrevivência...! – Disse dando ênfase a frase.

–Se é assim...– Falou o mais velho entre os três, pegando a mangueira, manipulou habilmente em direção à ele, que precavido, correu para se esconder atrás do carro. Isso fez com que o homem involuntariamente acertasse outro jato potente em sua irmã mais nova.

A água voava para todo lado, os gritos e as risadas eram como um agradável vapor no ar.

–E aí Carlinha, o que me diz? –

–Me pagará caro, Spencer! E você também Freddie. Não é divertido fazer guerra d’água no inverno! –

–Carly, deixe de ser tão histérica... – Riu o jovem sacudindo a cabeça que era a única coisa que havia molhado nele.

A garota olhou para si mesma, ensopada era a palavra certa. Seu longo cabelo negro pingava em gotinhas de pura água. Em sua roupa não havia sequer uma parte seca e suas sapatilhas estavam encharcadas.

–Não é justo... – Murmurou observando sua desagradável situação –Estou com frio –

Spencer voltou com uma toalha seca para a irmã –Não se sinta mal, foi só uma brincadeira Carly –

Ela pegou a toalha e colocou-a sobre seus ombros.

–Pedi aos dois que me ajudassem a lavar meu carro, não a mim! – Retrucou em tom ofendido –E se eu ficar doente e não puder voltar para a faculdade...? Perderei as aulas e consequentemente a bolsa, e a culpa será de vocês! –Apontou –Mas me vingarei, podem apostar! Vai acontecer quando vocês menos esperarem... – Alertou-os em um tom mais brincalhão do que sério, que era o que verdadeiramente queria aparentar.

Freddie riu e estava a ponto de responder, mas o timbre do telefone celular da jovem o cortou.

Caminhou com dificuldades até sua mochila para pegar o telefone e o irmão caiu em gargalhadas –Está tentando imitar um pato andando? – Exclamou muito divertido.

Ela o fulminou com seus olhos castanhos e se apressou para atender a chamada.

–Alô? –

Carly?

–Sim –

–Não diga meu nome em voz alta, sou eu Sam

A jovem arregalou os olhos e se virou, afastando-se do grupo –Amiga, onde tem estado? –

–Não posso dizer agora, mas tinha muita vontade de falar com você...

–Eu também, estava muito preocupada! –

Freddie se aproximou detrás dela: –Quem é Carly? – Lhe perguntou.

Ela pareceu não escutá-lo.

–Freddie também está aí?

–Sim... –

Houve um pequeno suspiro do outro lado da linha: –E como ele está?

–Pois... Como está você, Sam? –

Freddie levantou a cabeça ao ouvir esse nome. Sam?

–Eu estou bem, Carls. De verdade, bem...

–Sam, tenho que te dizer uma coisa, não sei como vai reagir... –

Quê?

Carly suspirou com tristeza: –Sam, ele iniciou os trâmites da separação –

–Ah, já sei... Brad disse. Ao menos vejo que não estava errada no que pensava...

–Oh, Sam... Isso me chateia tanto, vocês se amam! Por que tudo tinha que ser assim? –

–Foi culpa de ambos, Carly Fez uma pausa Cuida dele, sim?

–Sam, me diz onde está...? –

–Não posso...

–Amiga... –

–Sinto muito Carls. Tenho que desligar... Volto a entrar em contato com você depois. Se cuida amiga, dê um oi ao Spencer por mim

–Sam, me ligue! –

–Eu prometo. Adeus Carly...

–Adeus... – Colocou o telefone de volta na mochila e se estremeceu de frio. Virou-se de volta e deu de cara com Freddie –Desde quando está aí? – Interrogou-o.

–Não muito tempo... – Murmurou –Quem era? –

–Uma amiga – Carly começou a subir as escadas até seu apartamento.

Freddie a seguiu vendo como deixava uma marca d'água a cada passo.

–Uma amiga... – Completou –Sam? –

A garota já estava dentro do apartamento; buscava roupa seca. Então se deteve levantando a cabeça: –Sim, era ela –

–Ah... – Freddie saiu do local. Pegou uma cadeira na cozinha e se sentou. Apoiando os cotovelos sobre a mesa deixou cair o queixo sobre as mãos.

Sam... Desejava saber dela, como estava, onde vivia, se precisava de algo... Se sentia sua falta. Sacudiu a cabeça, não queria pensar mais.

Carly entrou na cozinha já trocada e com o cabelo mais ou menos seco. Arregaçou as mangas de seu suéter verde, e retirou um coador de dentro do armário –Quer um café? – Lhe ofereceu enquanto colocava a água para ferver.

–Sim... – Disse o rapaz, ajeitando sua cadeira de frente para ela –Então, Carly... –

–Hmm? –

As perguntas davam voltas por sua cabeça. Queria saber dela. Mas no lugar disso delegou–Me alegro que não tenha perdido contato com a Sam... – Sua voz saiu em um tom grave.

–Ela é minha melhor amiga, apesar de tudo que aconteceu entre vocês... –

–Eu sei... – Murmurou –Vejo que ainda não aceita o fato de termos nos separado... –

Carly ficou em silêncio, afirmando suas palavras. A água já estava fervendo. Separou duas xícaras derramando o líquido nelas. Entregou uma a ele. –Está bem... – Afirmou calmamente.

–Como? –

Carly sorriu –Sam... Está bem! – E completou em voz baixa –Não era isso o quequeria saber...? –

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2 meses depois( ...E isso já está parecendo novela... )

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Foi um dia cinzento e ventoso. O céu nublado se via ameaçador e sinistro. Parecendo que a qualquer momento iria liberar sua raiva e desencadear uma terrível tempestade.

Sam abriu as cortinas da janela e apoiou a testa no vidro. As pessoas lá fora corriam desesperadas com guarda-chuvas, ou capas de chuva.

Um trovão retumbou com todas suas forças, indicando o início da tempestade.

–Parece que o inverno não quer acabar... – Sussurrou.

O vento golpeava com fúria, sacudindo o vidro da janela, atirando vários pingos de chuva contra ele.

–Bela maneira de comemorar um aniversário... – Riu amargamente –Felicidades Sam, 20 anos... Está ficando mais velha... – Debochou de si mesma.

Escutou alguns passos vindo detrás dela e a luz se ascendeu –Sam, com quem está falando? –

A garota se virou. A claridade do dia marcava sua silhueta. Não havia aumentado muito de peso, só o indispensável para a saúde do bebê. A curva de seu ventre tampouco era grande, como em outras mães no oitavo mês de gestação, mas deixava transparecer claramente seu estado de graça.

Prendeu seu longo cabelo loiro para trás deixando alguns cachos soltos na parte da frente e colocou as mãos nos bolsos dianteiros de sua jardineira de grávida cor azul. A pele de seu rosto nesse dia estava mais pálida do que nunca, permitindo que o tom azulado de seus olhos se projetasse ao máximo.

Observou sua irmã gêmea não tão idêntica em silêncio. Melanie tinha se mudado para cá há um mês para ficar com ela.

–Sam, aconteceu alguma coisa? –

–Não, Mel... – Fez uma pausa e virou a cabeça em direção à janela –A chuva que ameaçou cair durante toda a noite, finalmente chegou... –

–Quer comer alguma coisa? –

–Não, não estou com apetite. Hoje, tudo me dá náuseas –

–Náuseas? –

–Sim, desde cedo... Por outro lado sinto pequenas pontadas na boca do estômago.

Melanie se aproximou preocupada: –Isso não é normal, Sam... –

–Eu sei, mas estou bem –

A outra garota se adiantou indo até o telefone –Chamarei o doutor! –

Sam a deteve –Não! – Falou fracamente –Ainda faltam um mês para nascer... –

Melanie a enfrentou seriamente –Está se arriscado Sam... Tem certeza de que não quer que eu chame o doutor? Eu ficaria bem mais tranquila se ele te examinasse... –

–Estou bem, de verdade – Completou –Se te deixar melhor, poderia tomar um chá... –

Melanie suspirou mais relaxada, dirigindo-se para a cozinha.

A futura mãe voltou a ficar sozinha no quarto. Envolveu seu redondo ventre com ambos os braços e sorriu calorosamente, fechando os olhos.

“Eu me pergunto se alguém se lembrou que hoje é meu aniversário...”

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Freddie se encontrava deitado no sofá da casa dos Shay, com os braços cruzados atrás da nuca, tinha a vista fixa no teto. Escutando como o vendaval fustigava tudo em seu caminho. A tempestade parecia não dar trégua.

–Que dia horrível... – Comentou.

–Eu sei... – Reiterou Spencer em baixo tom.

O jovem se virou –O que foi Spencer? – Viu que ele parecia preocupado e ao mesmo tempo triste.

–Sabe que dia é hoje? – Proferiu num tom de voz abalado, enquanto apontava para um calendário. Freddie abaixou a cabeça, olhando para as mãos –Se lembrou, não é? –

–Como poderia me esquecer? – Sentou-se –É aniversário da Sam... –

–Sim... –

–Está fazendo 20 anos... – O jovem suspirou, caindo de costas sobre o sofá –Sabe Spencer, tínhamos planejado que quando chegasse esse dia, faríamos uma enorme festa e depois sairíamos em viagem... – Fechou os olhos –Não tem ideia do quanto eu sinto a falta dela... –

O homem permaneceu calado, sentia que Freddie precisava desabafar, e como bom ouvinte...

–Voltei a morar aqui pois tinha a esperança de esquecê-la. Mas... Aqui há mais lembranças dela do que em qualquer outro lugar... Quando a gente namorava, dormia no chão e deixava que ela ficasse com a cama, pois adorava o perfume que ela deixava impregnado no lençol... Foi na escada de incêndio que confessei o que sentia e também foi ali que a beijei pela primeira vez... –

–Por que resolveu vender a casa onde moravam? – Perguntou Spencer sentando-se ao seu lado.

–Aquela casa era da minha mãe, mas por falta de tempo ela não ia muito pra lá. Mas, quando Sam e eu começamos a namorar, íamos pra lá sempre que podíamos... Ficávamos conversando, rindo e muitas vezes brigando... – Soltou uma pequena risada sem vontade –Não tinha condições de continuar vivendo ali, não com tantas lembranças dela por todo lado... – Soltou outro riso sem ânimo –Me lembro de uma árvore... Ficava nos fundos do quintal. Gravei nossos nomes nela... – Sua voz tornou-se apenas um sussurro. Sua mente retrocedeu dois anos, e uma clara imagem apareceu diante de seus olhos.

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Era um belo dia. O céu tinha uma intensa cor turquesa e o sol fraco iluminava com finos feixes de luz o verde esmeralda da grama. A brisa da primavera se esparramava pelo ar e sentia-se de longe o doce aroma de pequenas flores púrpuras-Gardênias.

Freddie havia encontrado Sam na sombra de uma árvore. Estava dormindo profundamente com a cabeça apoiada sobre um de seus braços. Sabia que a encontraria aqui, vinha sempre a este lugar quando queria ficar sozinha ou pensar.

Ele a contemplou fascinado.

Com o sutil vestido branco que ela usava, Freddie fantasiou que ela parecia um lindo anjo. Não era muito acostumada a usar vestidos, mais com a chegada do verão, a temperatura havia subido constantemente e para seu pesar não podia continuar a usar jeans todo o tempo.

Já havia se tornado rotina vir até a casa que pertencia a Marissa Benson, mas como todos já sabiam, não era difícil para ela destravar fechaduras. Ele não ligava, adorava ter um tempo só para os dois e adorava essa casa, era afastada da cidade e aqui se sentia bem, era tudo tão calmo e simples.

Continuou a observá-la sem ser notado, ela deve ter sido surpreendida pelo sono para logo cair inconsciente baixo a copa da enorme árvore.

As mechas de seu cabelo loiro moviam-se à suave pressão do vento, mostrando seu rosto e a agraciada forma de seus ombros descobertos. A saia de seu leve vestido se deslizou, revelando por um curto período de tempo, as linhas femininas de suas pernas.

Naquele momento compreendeu o quão profundo era o amor que sentia por ela.

Sentou-se ao seu lado e com a ponta dos dedos acariciou seu rosto. Um pequeno sorriso delineou os rosados lábios da jovem. Freddie afastou alguns cachos de seu rosto e aproximando seus lábios dedicou-se a depositar uma fileira de beijos na pele de seu pescoço.

Se endireitou esperando que ela abrisse os olhos, coisa que não tardou a acontecer. Seus olhos se encontraram com os dela que se viam mais claros que o normal por conta do sol, parecia mesmo um anjo, pensou.

–O que está fazendo aqui? Perguntou enquanto estendia-lhe uma mão ajudando-a à se levantar.

–Apenas dando um tempo...

Freddie franziu a testa: Poderia ter avisado, você me deixou preocupado

–Mas, não é você o sabe-tudo? Poderia adivinhar por conta própria meu paradeiro... Por acaso, não é o que fez?

–Sam, não sou um sabe-tudo. E... Apenas deduzi que estaria aqui, já que não estava com a Carly e nem com sua mãe... Retrucou –Me preocupo com você...

–Fredonho, sozinha consigo derrubar um homem de dois metros usando apenas uma mão. Sei me cuidar!

O jovem começou a rir. Sam o olhou fixamente Está rindo de mim?

–Não, por que acha isso? Replicou soltando outra gargalhada involuntária.

Brutalmente ela se inclinou para frente. Por um segundo o tempo pareceu parar prevendo a tempestade que viria depois. Em seguida, virou-se para trás.

Os sensuais lábios apertados com fúria denunciaram o alto grau de raiva que sentia. Pegou Freddie pelos ombros e bruscamente o empurrou.

Ouviu um baque, causado pelo encontro violento das costas do jovem ao acertar o chão duro.

Os dentes dele se apertaram diante do impacto. Sem dúvidas,ela tinha força.

Sam estava sobre ele, ainda apertando seus ombros com raiva.

Freddie tentou reverter à situação, mas ela o tinha dominado de tal forma que ele não podia se mover. E não era porque ela pesava demais, muito pelo contrário! Ela era leve. Na verdade, era mais forte do que ele... E isso representava um golpe baixo em seu orgulho masculino... (N/a: Awn! Pobre Freddie...)

O rosto de Sam estava levemente corado de raiva, e seus lábios se curvaram em um sorriso irônico. Estava desfrutando plenamente ao vê-lo assim!

Freddie corajosamente engoliu toda frustração que sentia e observou como o cabelo loiro caía de seu pescoço à sua frente, quase roçando seu rosto, deixando seus braços e ombros descobertos. Agora, sorriu de modo perverso, havia encontrado seu ponto fraco.

Lentamente, mas muito seguro do que fazia, levantou sua cabeça e levou sua boca ao braço direito de Sam. Começou pelo pulso, deixando um leve rastro de beijos impressos. Seguiu, atingindo a altura de seu cotovelo.

A olhou.

–Não... Não... Isso não vale...! Murmurou à jovem enquanto Freddie beijava e mordiscava suavemente sua pele.

Freddie seguiu delineando com seus lábios a curvatura de seu ombro, até que finalmente, chegou em seu lugar mais sensível: O pescoço. Ali se deteve.

–Não, não é justo! – Gemeu Sam, ainda não se dando por vencida.

Freddie então recomeçou sua missão. Beijando de modo mais intenso e apaixonado a delicada área de sua garganta.

Sua pele quente pulsava sob o toque de seus lábios. Havia descoberto a vida secreta de suas veias através dessa carícia.

Estava perdida. Assim, lentamente, a garota começou a afrouxar a pressão que exercia sobre ele.

Freddie percebeu que ela havia baixado a guarda e então rapidamente girou com ela, invertendo as posições.

–Tirano! – Exclamou Sam, olhando para seu rosto em cima do seu Isso foi trapaça!

Ele riu No amor e na guerra vale tudo... Estava com uma das mãos apoiada sobre a grama e a outra enrolava os dedos em seu cabelo, que graciosamente se encontravam esparramados na grama. Os fios loiros pareciam tomar uma cor mais clara quando iluminados pelo sol.

Sam suspirou e por um momento seu peito se uniu com o de Freddie. Sentindo o macio contato de suas curvas com a firme e pesada pele masculina. Não pôde evitar que ficasse vermelha.

Ele admirou como as bochechas da jovem se coloravam e ficavam com um rosado acentuando nos perfeitos traços de seu rosto. Naquele momento, parecia mais bela do que nunca.

–Eu te amo... – Lhe sussurrou.

–Também te amo, Freddie...

O jovem tirou algo do bolso O suficiente para... Se casar comigo...? – Estendeu um pequeno anel de noivado diante dela.

O diamante azul brilhou diante dos imensos olhos azuis de Sam. Virou-se para ele: Está me pedindo em casamento?

–Sim Freddie pegou sua mão esquerda e colocou a fina aliança em seu dedo anular Este anel pertenceu a minha avó paterna, depois passou para meu pai, que o deu para minha mãe e agora eu estou lhe dando...

–Freddie... Eu não... Não sei o que dizer... Estava com perda de palavras, foi pega totalmente de surpresa.

–Pode começar dizendo que sim, que aceita se casar comigo... Ele estava suando frio.

Ela envolveu os braços em torno de seu pescoço, agora ele estava deitado completamente sobre ela –Eu aceito... Claro que aceito! E giraram outra vez, até ficarem novamente como no começo de tudo, ela sobre ele.

Os apetitosos lábios de Sam se fecharam com prazer sobre os dele, devolvendo o suave beijo que ele havia lhe dado antes. E suas bocas se encontraram uma vez mais, e mais outra, e outra, e outra...

–Te amo Freddie...

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Um ruído o trouxe de volta a realidade.

Percebeu que ainda estava no sofá do apartamento de Spencer. Os sons dos raios retumbavam em toda parte. A tempestade seguia com toda sua fúria.

–Freddie? – Spencer o olhava preocupado.

O jovem piscou. Recordava toda a cena como se tivesse acontecido ontem.

–Como sou patético! – Bufou escondendo a cabeça por baixo de uma almofada.

Foi ouvida uma batida na porta.

–Está aberta, pode entrar... – Gritou Spencer.

Marissa Benson entrou com um telefone sem fio na mão, buscando seu filho –Oi Spencer –

–Como vai Sra. Benson? Eu estou ótimo! – Falou o homem apressadamente sem esperar por sua resposta –Já ia me esquecendo, tenho que encontrar mais tinta spray para minha escultura... – Arrumou essa desculpa, enquanto andava em direção ao seu quarto, fechando a porta assim que entrou.

Marissa olhava seu filho deitado no sofá –Freddie filho, telefone para você... –

O jovem mostrou seu rosto com má vontade –Quem é? –

–Gibby –

Pegou o telefone e esperou que sua mãe saísse. Ela se deteve na porta, olhando-o cuidadosamente –Freddie? –

–Quê...? – Respondeu, tentando não parecer tão mal-humorado.

–Está se sentindo bem? –

–Por quê...? –

Em resposta viu seus olhos vermelhos –Esteve chorando?! Oh... Meu pobre Freduardo está triste...! –

–Mamãe, por favor... – Resmungou –Lembre-se que Gibby está no telefone... –

–É verdade, sinto muito – Saiu e fechou a porta atrás dela.

Freddie suspirou, e pegou o telefone –Alô? –

–Hey, Freddie!

–Ei, Gibby –

–Sabe que dia é hoje?

–Sim –

–Tasha pediu para te perguntar se tem o telefone da Sam...

–Sua namorada está louca? Sabe perfeitamente que não tenho contato com ela. Diga a ela para perguntar a Carly –

–Ela já fez isso, mas ela não fala...

–Pois, não sei! –

–E você, como está? Parece... Deprimido?

Freddie sentou-se no chão, apoiando as costas contra o sofá –Sim, desde que me levantei não paro de sentir autocompaixão e recordar coisas do passado... Momentos... Ela... – Golpeou a testa com a palma da mão –Pareço tão patético! –

–Ainda é apaixonado por ela?

–Não pode fazer uma pergunta mais inteligente? –

–Me desculpe, mas se Sam te deixou, tem que recomeçar sua vida! Freddie, não pode passar o resto da vida trancado em seu quarto, ou no apartamento de Spencer...

–É que, não sei o que fazer... –

–Se lembra do concurso que você queria participar a meses atrás...? Pois estão dando uma segunda chance para quem não foi bem na primeira etapa e existem estágios fora do país... Por que não se inscreve? A prova será em menos de um mês...

–Não sei Gibby, não me preparei para essa prova e com a pontuação que tirei na primeira etapa, precisaria tirar uma nota muito alta para ter alguma chance... –

–Só estou sugerindo que tente mais uma vez Freddie, naquele dia tinha muita coisa na sua cabeça, e ambos sabemos que você é capaz, era o melhor da turma! Pense... Essa chance é única! Poderá sair do país... Colocar sua cabeça em ordem e não ficar todo o tempo pensando na Sam... Deixe que seu advogado tome parte nos trâmites da separação...

O rapaz ficou em silêncio –Sabe Gibby? Nunca imaginei dizer isso... Mas você tem razão! –

–Óbvio!

–Vou começar a estudar dia e noite e vou passar nessa prova! Sairei daqui... Talvez eu vá para o ocidente... A Europa seria um bom lugar... –

–Essa é uma grande decisão!

–Obrigado, Gibby. Vejo que envelhecer te fez bem, pelo menos agora fala como um homem... –

Gibby rosnou: Não sei se tomo isso como um elogio, ou crítica...

O outro rapaz riu, pela primeira vez de verdade naquele dia.

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Sam respirou profundamente uma e outra vez.

Estava na cozinha.

Se agarrando à mesa de mármore, como se o mundo girasse em grande velocidade. Mordeu o lábio inferior.

As pontadas eram tão intensas que quase não podia se manter de pé.

As contrações iam acontecendo cada vez com maior frequência. Se curvou de dor e perdeu o equilíbrio. Chegando a amortecer a queda apoiando suas mãos débeis no chão.

Algo invisível apertava seu peito impedindo-a de respirar.

Lágrimas saíam de seus olhos. Soluçou.

–Melanie! – A voz saiu quebradiça, como se estivesse rouca.

Silêncio. Somente um silêncio assustador.

Reuniu suas últimas forças em outro grito: –Melanie! –

A garota apareceu segundos depois na porta. Ao ver sua irmã no chão correu horrorizada

–Sam... –

Ajoelhou-se junto a ela e então viu algo. Um líquido vermelho... Sangue. Uma pequena poça começava a se formar em baixo de suas pernas, manchando a calça.

–Isto não está certo... – Murmurou assustada.

Sam observou em câmera lenta como Melanie pegava o telefone. Sentia o corpo mais pesado que nunca e frio. Muito frio... Um frio cruel de inverno. Apertou os dedos, a dor estava vencendo suas defesas e logo não se lembrava de mais nada.

Apenas o piso frio de cerâmica na bochecha; a escuridão da noite, ainda que fosse dia e um sono profundo e suave, que apagou todos os seus sentidos.

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Continua...

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Notas finais
Bem, mais um capítulo extremamente brega, terminado. Na verdade não estava muito inspirada. Como notaram... Peço desculpas por meus erros de ortografia, mais meu verificador ortográfico simplesmente resolveu parar de corrigi-los. E não tive ânimo de buscar cada palavra no dicionário. Não sei quando postarei o terceiro capítulo, já que estou sem meu notebook esta semana. Peguei o do meu irmão, mais ainda tenho que passar todo o capitulo para o dele, ou seja, vou ter que arranjar tempo e ser bem rápida se quiser postar algo ainda esse fim de semana. **O capítulo deveria ter sido chamado de Telefone, já que os personagens gastam quase a maioria do capítulo com o aparelho na mão... Mais achei que ficaria meio óbvio. Então fiquei com recordações mesmo. Por favor comentem e me contem o que estão achando da fic, tenham paciência comigo. Beijos ;* Misuka