Caminhos Cruzados
7 O aniversário de Carly
Notas iniciais
.
A IMPERFEIÇÃO É BELA, A LOUCURA É GENIAL. E É MELHOR SER ABSOLUTAMENTE RIDÍCULO DO QUE ABSOLUTAMENTE ENTEDIANTE.
.
.
(Flashback)
.
Subiu pela calçada e andou por um caminho familiar. A bela fachada de uma casa apareceu diante de seus olhos. Parou em frente à entrada, só por tempo suficiente para pegar as chaves em seu bolso e introduzi-las na fechadura.
Entrou sem fazer muito barulho.
Um som fraco, quase imperceptível chamou sua atenção.
Guardou as chaves e andou pela casa lentamente, tentando não fazer nenhum barulho... Seguiu em direção ao som, sorrindo. O eco distante de uma voz feminina agora se ouvia claramente. Cruzou o hall indo até o extenso jardim que ficava nos fundos da casa... Logo encontrou o que buscava... De costas pra ele, uma garota estava sentada sobre a grama. (N/a: O nome da música: Ordinary Day — Vanessa Carlton)
–Just a day, just an ordinary day j ust tryin' to get by... Just a boy, just an ordinary boy, b ut he was looking to the sky... And as he asked if I would come along I started to realize. That every day he finds just what he's looking for... Like a shooting star he shines –
Abraçada aos seus joelhos dava vida aos fragmentos de uma linda canção. Sua voz cristalina flutuava no ar como um pássaro suspenso em pleno voo, cantava afinadamente com tanta facilidade que parecia ser profissional.
O recém-chegado parou ficando a poucos passos detrás dela, estudando-a em silêncio. Ouvindo totalmente fascinado. Logo rompeu sua posição e começou a andar, até estar perto o suficientemente para rodeá-la com os braços.
Ela imediatamente se calou, ficando rígida. Seu corpo duro como uma fibra de aço.
Ele parecia não se dar conta disso. Abraçou a garota e lhe deu um carinhoso beijo na bochecha que se estendeu até terminar em seu pescoço.
A jovem soltou um gemido angustiado não se movendo de sua posição anterior. Seus sentidos estavam em alerta planejando se defender a qualquer minuto.
–Sam, o mundo da música não sabe o que perdeu, sem você... – Sussurrou Freddie, concentrado demais em beijá-la para reparar em seu comportamento estranho e (diferente).
Misteriosamente ao ouvir aquela voz familiar a garota relaxou. Soltou um suave suspiro de alívio, e virou-se até se encontrar com seus olhos. Sorriu correspondendo àquele abraço –Veio cedo. Se soubesse não teria vindo ao jardim, estou toda suja de grama... –
–Gosto de te ver assim natural, parece uma menina. –
–Eu sou uma menina Benson... Só tenho dezoito anos. –
–Uma menina de dezoito anos que “está casada”... –
Riu, apertando mais seu corpo contra o dele –Hmm... Então você é um corruptor de menores! –
–Por coincidência tenho a mesma idade que você... –
–Então ambos somos corruptores de menores! –
Freddie riu alto entrelaçando sua mão esquerda com a dela. A que levava a aliança. –Canta pra mim essa canção...? –
Sam o olhou surpresa e levemente corada –Não dou concertos privados e sabe disso. Ter um lhe sairá muito caro... –
–Canta pra mim... – Aproximou-se roçando seu nariz com o dela –Por favor? –
E a batalha estava perdida... Freddie sabia como ser muito convincente quando queria...
Sam sorriu e como se fosse a coisa mais natural do mundo, deixou o ar de seus pulmões escaparem de seus lábios criando uma nota suave e harmoniosa.
–He said take my hand... Live while you can... Don't you see your dreams lie right. In the palm of your hand –
.
(N/a: Fofinhos né? *---* Seria uma premonição?)
.
.
–--------------------------------------------------------------
.
.
Freddie sacudiu a cabeça afastando a lembrança de sua memória.
Serviu-se água em um copo e voltou a tomar assento junto à mesa. Bebeu um gole enquanto lutava contra a nova onda de pensamentos que surgiam em sua mente. Colocou o copo sobre a mesa.
Naquela época não havia notado, ou talvez alguma parte de seu cérebro tinha descartado de seus pensamentos. Mas agora que o tempo havia passado, podia ver o que significava com outros olhos. E cada vez mais se dava conta que aqueles não eram meros detalhes para se deixar passar em branco.
Começou a se lembrar de mais e mais detalhes, que naquela época havia deixado de lado.
Apoiou o queixo entre as mãos recriando a cena em sua cabeça lentamente.
–“Não foi à primeira vez que ela agia daquela maneira” – Disse a si mesmo –“Às vezes era como se não me reconhecesse. Seu corpo ficava imóvel, duro... Era como se a Sam se colocasse em modo de defesa, como se tivesse que se proteger...” –
Observou o copo de água à sua frente.
–“Era como se ela estivesse com medo.” –
Olhou ainda mais fixamente para o copo.
–“Como se alguém a estivesse... Perseguindo.” –
A palavra ecoou em sua cabeça por vários segundos, até que finalmente compreendeu o que significava. Descarregou sua raiva dando um golpe de punho fechado na mesa.
–Jonathan. –
Sentiu uma pontada dolorosa de impotência.
–“Maldito Jonathan... Como não me dei conta que ele vivia atrás dela...? Da minha Sam...” –
Endireitou-se fechando os olhos e respirando fundo. Sabia que não valia a pena entender tudo agora. Ele já tinha sua vida feita e ela também. O passado era passado.
.
(N/a: Desculpa, pensamos de formas diferentes, Freddie...)
.
.
******************************************************
.
.
.
Abriu os olhos preguiçosamente com a estranha sensação de que não estava sozinha.
Tirou algumas mechas de cabelo dos olhos e virou-se para o criado-mudo mais próximo de si observando o relógio despertador. Ainda era cedo.
Esticou os braços sobre a cabeça enquanto reprimia um pequeno bocejo, logo virou para o outro lado da cama. Era impressão ou alguém havia se metido em sua cama no meio da noite...? E certamente esse alguém era um anjinho de cabelos castanhos lisos... Leslie estava ali, dormindo tranquilamente com o rosto virado para ela. A jovem cobriu-a com suavidade, tomando cuidado para não acordá-la.
Sam a observou dormir.
Parecia uma situação normal de uma menina que vinha dormir com sua mãe por estar com medo de monstros em seu armário, ou de trovões durante a noite. Mas Leslie não era assim... Quantas noites de tempestade havia descoberto ela ali de pé, em frente à janela, assistindo ao vendaval e aos relâmpagos que iluminavam o contorno das nuvens com seus olhinhos abertos, sem o menor rastro de pavor.
Todavia agora aqui estava ela, na véspera de um belo dia ensolarado dormindo em minha cama... E isso só significava uma coisa. Medo. Leslie só agia dessa maneira quando estava com medo. E poucas coisas a deixavam assim, e conhecia muito bem todas elas.
Parou por um momento. Agora tinha certeza que ela tinha ouvido sua conversa com a Anne... “Será que ela conseguiu ouvir tudo?” Suspirou. “Por que tinha que dar tudo errado...? Agora vou ter que arrumar um jeito de diminuir essas preocupações da sua cabecinha, e garantir pra ela que não há nada do que sentir medo...”
A pequena não era indiferente aos constantes olhares do sexo oposto que sua mãe recebia. As insinuações, e atenções das quais Sam sempre fugiu... Já sabia que as crianças percebiam tudo que acontecia ao redor delas, apesar de que muitas das vezes não entendiam o tamanho da importância da maioria, não significava que eram indiferentes.
Leslie também já havia falado com ela antes. Para a pequena, o único que deveria ficar com sua mãe, era o pai. E só ele. Demoraria alguns anos até que ela entendesse que nem sempre os pais e as mães ficam juntos como nos desenhos.
E inconscientemente havia usado esse pretexto para permanecer só todo esse tempo. Porém, a verdade era que ela mesma se fechava a toda e qualquer relação amorosa que aparecia. Não queria voltar a sofrer... Sempre aparentou ser forte por fora, mas por dentro...
Ainda sentia falta daqueles anos, quando seu coração era dele. Quando seus sentimentos estavam inteiros e não se importava com mais nada. Tudo era tão mais simples... Quando ela e Freddie discutiam por besteiras e faziam as pazes logo depois... Quando suas maiores preocupações eram: pegar detenção depois da aula, bolar o próximo iCarly ou, conseguir mais bolinhos canadenses... Agora, tudo era mais complicado. E ás vezes se pegava pensando no quanto Leslie poderia sofrer nesse mundo de barreiras que começavam a desmoronar.
–Mami? – A voz da menina trouxe-a de volta à realidade. Virou-se sorrindo.
–Ei princesinha... –
–O que estava fazendo? – Leslie sentou-se esfregando os olhos.
–Por quê...? –
Ela bocejou –Parecia que estava dormindo... Mas, com os olhos abertos.
Sam riu –Só estava pensando... – Lhe beliscou o nariz –Agora eu que pergunto... Porque veio dormir aqui? –
–Estava com medo... –
–Less... – A jovem a observou atenciosamente –Medo de quê? –
–De você ir embora e me deixar... –
Sam a abraçou preocupada, tentando tranquiliza-la –“Aqui vamos nós outra vez...” –
Porém em vez de mostrar tranquilidade, a criança fechou os olhos e começou a chorar.
–Meu bem, isso foi só um pesadelo... Nunca iria embora sem você, sabe disso não é? – Falou em meio ao abraço, enquanto massageava suavemente suas costas.
A pequena simplesmente assentiu, enquanto aos poucos ia se acalmando.
.
.
********************************************************
.
.
.
Os pés da menina batiam contra o sofá. Tinha colocado um vestidinho verde e seu cabelo estava bem dividido em duas trancinhas presas com fitinhas brancas. Levantou-se, parecia inquieta.
–Anda mamãe! – Exclamou –Vou chegar tarde no jardim...! –
–Já vou, Less. Estou quase pronta! – A voz de Sam veio do quarto.
A pequena voltou a se sentar ainda mais impaciente. Porém, depois de dez minutos cansou-se de esperar e se levantou rapidamente, no exato momento em que Sam entrava no lugar.
–Então, o que achou? – Brincou, esperando a aprovação da filha.
–Hmm... – Sam girou duas vezes enquanto Leslie a observava atentamente inclinando a cabeça para um lado depois para o outro.
Tinha demorado muito para escolher a roupa de hoje. E depois de buscar vários tipos de modelos diferentes em seu guarda-roupa, por fim conseguiu selecionar entre algo básico e moderno. Um jeans azul ligeiramente colado e uma delicada blusa clara com mangas. Preferiu deixar o cabelo solto, e seus cachos estavam perfeitamente definidos.
.
( Roupa Sam )
.
–Então? – Voltou a perguntar ansiosa.
Leslie deu um saltinho -Está muito linda mami!
–Muito obrigada! – Respondeu em tom divertido, pegando a filha e rodando-a em um abraço, ambas riam descontroladamente.
A menina afastou-se uns centímetros e apoiou uma mão na bochecha da mãe –Você passou batom... –
Sam corou levemente e assentiu –“Existia algum detalhe que ela deixava passar?” – Sorriu. Bom, era verdade que quase nem usava maquiagem... Preferia deixar seu rosto ao natural, e às vezes se submetia a mínimos retoques somente em ocasiões especiais. Todavia, agora seus lábios tinham um suave tom rosado... E seus cílios estavam mais escuros e volumosos por conta do rímel que havia passado, fazendo com que o azul de seus olhos se destacasse ainda mais.
–Está muito bonita! – A criança finalizou sorrindo antes de abaixar a cabeça.
–Que foi? – Perguntou a jovem ao ver a repentina mudança na pequena. Depois de não obter uma resposta imediata, colocou-a no chão e se ajoelhou à sua frente –Less...? – Aproximou-se ainda mais levantando seu rostinho.
Estranhamente a menina tinha os olhos bem aguados e uma expressão triste.
–Less, o que houve? – Perguntou preocupada, enxugando seus olhos.
Fungou ligeiramente e olhou outra vez para baixo antes de responder –Mamãe, você tem mesmo um namorado? – Indagou a criança com voz triste.
–Claro que não princesinha, quem te disse isso? –
–O Danny... Disse que você é muito bonita por isso tinha que ter um... E também você nunca usa maquiagem e... –
Sam balançou a cabeça e colocou as mãos sobre seus ombros –Leslie, olha pra mim... – A pequena levantou a vista agora com lágrimas escorrendo por seu rosto –Não estou e nem vou sair com ninguém. Entende? Less, você é a única que realmente vale a pena na minha vida. É o que eu tenho de mais importante... –
–Então... – Leslie a olhou –Pra onde vai? –
–Bem, é hoje o aniversário da minha amiga, lembra? – A menina assentiu –Então... Vou ir vê-la logo depois de te levar ao Jardim.
Sua carinha melhorou –Então não está namorando ninguém? –
–Não, princesinha... – Abraçou-a –E se estivesse, você seria a primeira à saber... –
–Mas não quero que você tenha um namorado mamãe. Quero que você... –
–Que eu...? – A observou, parecia incerta –Less? –
A pequena parecia pensar no que responder por vários segundos –Quero que fique com... – Olhou para baixo novamente antes de completar sua resposta –Com meu papai... –
–Less... – Sam suspirou e lhe deu um beijo na testa –Nós já conversamos sobre isso, não é? – A criança assentiu simplesmente. A jovem suspirou mais uma vez e logo tratou de mudar de assunto, decidindo que não queria voltar naquele tema em particular –Melhor irmos, se não vamos nos atrasar... – A criança assentiu e ela se levantou procurando as chaves do carro, antes de avistá-las em cima do balcão na cozinha.
–Mami, vamos! –
–Agora sim! Vamos, vamos... – Saiu pegando a mão de Leslie, sua carteira e ao mesmo tempo uma bolsa aparentemente leve –Já nos atrasamos muito... –
.
.
.
*********************************************
.
.
.
Casa da Carly...
.
.
–Então aquela é a namorada do Freddie? –
–Ela mesma Tasha... O que achou? –
A citada, uma jovem muito bonita no seu oitavo mês de gestação, balançou a cabeça –É bonita Carly, mas... –
Ambas observavam como Louise conversava animadamente com a Sra. Benson.
–Também acha estranho? – Carly falou por sua vez.
–Muito... Não é o tipo de mulher que nos acostumamos a ver com o Freddie... –
–Eu sei... – A jovem morena suspirou –Mas já sabe como é o Freddie, né? –
–Sim... – Tasha assentiu sorrindo –Homens... São todos iguais! ...Com exceção do meu Gibbyzinho, que sempre foi um ótimo marido –
–Também não posso reclamar do Dylan... – Exclamou Carly com ar sonhador –Não conseguiria me imaginar com um homem melhor. Para mim ele é perfeito! –
–Sorte a nossa então... Que somos completamente apaixonadas, e felizes! – Falou animadamente, provocando risos na morena –Hum? Gostei da reforma que fizeram no apartamento... Agora aparenta ser mais espaçoso –
–Obrigada! – Sorriu –Com a Nayla crescendo a cada dia mais, tivemos que colocar em ordem algumas coisas... Construímos mais um quarto lá em cima e arrumamos um jeito de colocar ambos os quartos o mais próximo possível, para que ficasse mais fácil escutar o choro dela durante a madrugada. Da última vez que veio aqui estávamos reformando a cozinha, se lembra? –
–Sim, gostei de como ficou! Sua nova cozinha é bastante ampla... –
Carly sorriu mais uma vez –Obrigada... Foi ideia do Dylan reconstruí-la onde eram o quarto do Spencer e a sala onde ele guardava suas esculturas. Precisávamos fazer algo com todo aquele espaço, e então ele surgiu com a ideia... Agora, nossa antiga cozinha ficou sendo a sala de visitas, e optamos por não mudar a sala de TV... Foi um jeito de conservar um pouquinho do Spencer no apartamento. Ele sempre amou tanto aquele sofá... – Lembrou-se dos dias em que via seu irmão dormindo no sofá, por medo de algum inseto que aparecia em seu quarto no meio da noite. Riu com a recordação.
–Sente muita falta do Spencer, não é? – Inqueriu Tasha suavemente.
–Sim... Mas estou feliz que ele e a família estão bem e que ele esteja trabalhando diariamente com suas esculturas. Mesmo que seja em outro estado... – Respondeu em idêntico tom suave.
–Que bom ouvir isso... – Assentiu feliz –Agora anda, quero conversar com essa nova “namorada” do Freddie... – Levantou-se fazendo aspas com os dedos enquanto ambas se aproximavam de onde Louise se encontrava. Esta sorriu amavelmente quando as viu.
–Está gostando? – Perguntou a morena em tom agradável.
–Sim... Seus amigos são muito agradáveis! –
–Já conhece Tasha, certo? –
–Sim, Freddie nos apresentou... É um prazer –
–Igualmente. –
–Ela... – Carly apontou para Tasha –Conhece Freddie desde pequeno. É uma amiga de infância... –
–Outra? – Louise questionou surpresa.
Carly arqueou as sobrancelhas –Outra? Já conhece alguma? Freddie não teve muitas... –
Louise sacudiu a cabeça aparentando nervosismo –Claro que não! Só... É que estava contando também com você... –
–Bom, mais que uma amiga... Carly é como uma irmã para o Freddie... – Corrigiu Tasha –Sempre foram amigos... Antes até, de eu os conhecer. Naquela época a turma do iCarly já era inseparável... –
Carly olhou para a amiga, pedindo-lhe desesperadamente em gestos silenciosos para que ela se calasse.
–Turma do iCarly? – Perguntou Louise confusa.
–É... É... Tínhamos muita imaginação naquela época... Coisas bobas, nada demais. – Interveio a morena.
–Hmm, mas o nome...? Não me soa estranho... – Carly trocou olhares nervosos com Tasha –Deve ser só impressão. – Sorriu Louise, deixando de lado o assunto.
–É, deve ser... –
.
.
*******************************************************
.
.
.
–É uma mudança muito grande em você, Freddie. –
–Não é pra tanto, Gibby. –
–Como não é pra tanto? Desde que te conheço esteve muito interessado em certa loira implicante, por quem se preocupava todo o tempo... –
–Shh... Baixe o tom de voz! – Murmurou Freddie fazendo sinais com a mão –Essa é uma história antiga! –
–Ah, por favor! Tem certeza de que é uma história antiga? Ainda me lembro muito bem dessa época... –
–Mas, eu não! –
–Não perca seu tempo, Gibby. – Interveio Dylan –Fazer com que o Freddie admita o óbvio é como esperar que cresça asas em um elefante... –
–Obrigado pela parte que me toca. –
–Não tem de quê...! – Acrescentou Dylan –O aceite assim, Gibby... –
–Pois essa é a minha vida! Não a de vocês... –
–Tampouco se coloque na defensiva, Freddie... Somos seus amigos. –
–Obrigado por me lembrarem disso...! Por um momento acreditei no contrário. – Ironizou.
Gibby enrugou a testa e trocou olhares com Dylan.
–E parem de me olhar assim, porque não estou louco.
–Calma cara... – Murmurou Dylan –Estamos fazendo um esforço para te entender... –
–Sim... – Gibby apoiou –Ela é agradável, parece ser simpática... –
Freddie abriu a boca para dizer alguma coisa, quando a mulher em questão aproximou-se deles carregando alguns copos de refrigerantes.
–Olá! – Os cumprimentou amavelmente –Achei que ficariam com sede e lhes trouxe algo para beberem... –
–Obrigado Louise –
–É muito gentil. –
Sorriu satisfeita –Não é nada, veja como uma forma de agradecer pelo fato de terem me aceitado no grupo. Fico feliz de conhecer os amigos do Freddie. –
–Cuidado com o que diz... – Lhe recomendou o jovem. –Em poucos dias pensará de outra forma –
–Hey, não a assuste! – Riu Dylan. E Louise compartilhou seu riso.
–Acho que Gibby apenas disse a verdade... – Murmurou Tasha vindo detrás deles, oferecendo aos rapazes um prato de salgadinhos.
–Do que estão falando? – Perguntou Carly, aproximando-se com outro prato de salgado em mãos.
–Bom, primeiro nos lembrávamos dos velhos tempos... – Começou Dylan. –Depois, recordamos certo romance que parecia sobreviver a tudo. –
–Pois é... Os velhos tempos são os melhores! – Concluiu Gibby.
–Nem sempre... – Replicou Freddie enviando um olhar assassino a ambos.
****************************************************
Dez minutos depois, o esportivo Volkswagen Beetle contornou a última curva até se encontrar a poucos metros do Bushwell Plaza. Sam soltou um longo suspiro antes de tomar coragem e descer do automóvel.
Seguindo devagar em direção à entrada do Plaza, a jovem entrou e deteve-se olhando um homem de altura mediana detrás de um balcão falando ao telefone.
–“Não pode ser...” –
Este, parecendo se dar conta de que estava sendo observado, retirou o telefone do ouvido e levantou a cabeça tendo quase a mesma reação que ela. A observou fixamente durante algum tempo antes de voltar a colocar o aparelho no ouvido. –Preciso desligar agora... Te ligo mais tarde – Desligou o telefone sem nem ao menos esperar pela resposta do outro lado da linha, e aproximou-se da jovem mulher com os olhos arregalados –Puckett? –
–Lewbert? É você mesmo...? –
( Lewbert )
.
–Mais é claro que sou eu. Quem mais seria? –
–Não, é que... –
–O quê...? –
–É que... Bom, está diferente... – Deteve-se o estudando seriamente –Ué, cadê? –
–Huh...? O quê menina? Fale coisa com coisa! –
–Sua verruga, Lewbert... Onde está? –
–Arrrg! Aquele troço? – Fez uma careta –Retirei. Gina não gostava... –
–Quem é Gina? – Estava começando a entender o verdadeiro motivo da grande mudança naquele homem. O humor, a aparência. Só podia ser...
–O grande amor da minha vida! Meu chuchuzinho, meu docinho de... –
–Tá, chega! Já entendi...! Então essa Gina é o motivo de toda essa mudança...? –
–Ela me faz querer ser uma pessoa melhor! –
–Bom pra você...! – Falou em tom sarcástico –Ela deve ser bem... Normal? – Riu.
–Continua a mesma não é, Puckett? –Argumentou irônico.
–Eu tento... – Deu de ombros.
–Já você, depois de passar todos esses anos sem me atormentar... – Suspirou feliz –O que faz aqui, depois de tanto tempo...? –
–Só... Revendo alguns velhos amigos – Suspirou –Deve estar sabendo que hoje é o aniversário da Carly, não é? –
–É eu sei... – Falou sem dar muita importância ao assunto –Se quiser pode subir... Como já se conhecem, não vou ter o trabalho de te anunciar pelo interfone. –
–Não, não Lewbert... – Exclamou negando com a cabeça –Será que você... Huh... Poderia me ajudar com uma coisa...? –
.
.
.
**************************************************
.
.
.
Nesse momento ouvia-se o alto timbre de um interfone, fazendo com que todos os presentes trocassem um olhar curioso.
–Eu vou... – Ofereceu-se Dylan.
–Obrigada, amor! – Carly acomodou-se no sofá e continuou a conversa que estava tendo com o restante do grupo. Observou Gibby e Tasha que estavam de mãos dadas recordando a época em que começaram a namorar e sorriu: –E então... Para quando é o bebê? –
–Bem, Tasha acabou de entrar no oitavo mês de gestação... – Falou Gibby suavemente –Mas já estamos em alerta, ele pode vir a nascer a qualquer instante. –
Carly sorriu, recordando sua gravidez.
–Fico assustada só de pensar que falta tão pouco para o nascimento. – Confessou Tasha.
–Por quê? – Perguntou Freddie surpreso –Por acaso Gibby está com medo da paternidade? –
Tasha riu –Não! – Olhou para o marido –Tenho certeza de que ele será um ótimo pai... – O mencionado sorriu contemplando a esposa radiante –Sou eu quem está mais assustada... Serei mãe de primeira viagem e tenho um pouco de medo de não estar preparada... –
–Não tem que se preparar para ser mãe... – interveio Louise –Acredito que seja algo que já nasce com você –
–Sim, concordo... Mas, mesmo assim não conseguimos deixar de lado o nervosismo... Poxa, é um bebê, uma vida sendo entregue em nossas mãos... É muita responsabilidade...! – Completou Gibby.
–Entendo vocês... – Indagou Carly suavemente. –Mas não se preocupem tanto... O nascimento é o momento mais precioso que irão testemunhar. Saber que o amor de ambos conseguiu dar vida àquele lindo rostinho... Não sei, só me parece mágico – Sorriu, acariciando a pequena que dormia em seu colo –Acreditem em mim, deveriam perguntar para a Thaís ou a Sasha quando chegarem. Tenho certeza de que elas dirão a mesma coisa. –
–Gostaria de ter um bebê... Acho que estou na idade perfeita para ter um filho... –
Freddie limpou a garganta, incomodado. As palavras de sua namorada pareciam ter ele como principal destinatário. –Neste caso... – Falou, ignorando o olhar debochado de Gibby –Concordo com vocês! A mim também assusta ser pai... Trazer uma criança ao mundo não é uma decisão que deve ser tomada apressadamente... –
Dylan aproximou-se com uma estranha expressão no rosto. E esperou até que Freddie terminasse de falar para dizer: –Éh... Amor? Pode vir comigo um minuto...? –
Todos se calaram.
–Com você...?
–Sim... –
A morena levantou-se suavemente, colocando a pequena criança que dormia em seus braços no carrinho com extremo cuidado, tomando toda precaução para que a filha não acordasse. Logo, ajustou as mangas de seu suéter, alisou a saia que vestia e caminhou até a porta.
Freddie observou Dylan ir até a cozinha e saindo logo em seguida segurando uma embalagem com lenços de papel. Franziu a testa no mesmo tempo em que um calafrio percorria todo seu corpo.
–Sam... –
.
.
.
*********************************************
.
.
.
–“A próxima vez que tiver um palpite, jogo na loteria...” – Refletiu Freddie observando disfarçadamente a bela loira que abraçava à Gibby. –“Então cumpriu sua palavra e por isso hoje está aqui.” _
Carly secava o rosto, denunciando claramente que havia chorado com o reencontro. De repente ela o olhou interrogativamente insistindo para que se aproximasse e cumprimentasse a recém-chegada. A jovem loira se separou do abraço que Tasha lhe dava e virou-se. Estava sorrindo. Sua expressão era calma e natural.
–Benson... –
Estendeu a mão esquerda. A que levava a aliança.
–Puckett... – Lhe cumprimentou com um aperto de mão.
Ela inclinou ligeiramente a cabeça –Obrigada... –
–Disse que não falaria nada e cumpri –
Ela sorriu mais abertamente, fazendo com que duas pequenas covinhas se formassem em suas bochechas –Já sei, por isso estou agradecendo... –
Os que observavam a cena ficaram pasmos. “Era daquela forma que duas pessoas se cumprimentavam depois de ficarem tanto tempo distantes?”
Carly conseguiu recuperar a compostura e aproximou-se de ambos com o rosto bastante franzido –Perdão, desculpe por interrompê-los mas... – Murmurou desconfiada, estudando alternadamente entre os dois –Vocês já haviam se visto? –
–Claro, ontem. –
A morena abriu enormemente os olhos, porém não disse nada. Ao perceber a expressão confusa de sua amiga, Sam soltou uma suave gargalhada. O restante dos olhares confusos de todos os outros aumentaram ainda mais, quando ela continuou a saudação de forma afetuosa à única pessoa que não participava das boas-vindas.
–Louise, sabia que te encontraria aqui. –
–Oi Sam... – Respondeu a mulher –Esperava que viesse –
–Sim... –
Carly dirigiu um olhar perplexo a Freddie, e para a surpresa dos expectadores este só encolheu os ombros fingindo não dar importância pelo que acontecia.
–Huh, Sam...? – Começou Carly rompendo aquela atmosfera extremamente desconfortável –Por que não me acompanha até a coz...? – O resto da frase morreu em sua garganta e todos ficaram em silêncio mais uma vez.
Marissa Benson havia aparecido na sala boquiaberta, quase não acreditando no que via. Seus olhos se encheram d’água. Hesitou por alguns segundos, parecia reformular a nova ideia de que aquilo estava realmente acontecendo. Aproximou-se devagar logo abraçando com ternura a jovem loira. Freddie observou a cena atentamente. Se fosse há alguns anos atrás, nunca acreditaria na cena que agora estava presenciando... Porém sabia muito bem que o relacionamento de ambas havia melhorado bastante desde que os dois se casaram.
–Senhora B! – Disse a loira sorrindo –Vamos, o que é isso? Nunca foi de chorar... Quer que eu acabe ensopada? – Marissa riu desfazendo o abraço e secando as lágrimas do rosto com a palma da mão.
–Sentia falta de você me chamar assim... –
–Do quê...? Senhora B? – Marissa assentiu sorrindo e Sam soltou uma gargalhada –Engraçado, me lembro de você sempre me repreender por isso... – Agora foi a vez de Marissa soltar uma gargalhada.
Apesar do tempo ainda não havia se conformado com a separação de seu filho com Sam... Tinha demorado muito para aceitar a ideia de ambos se casando tão jovens, mas com o tempo aprendeu a gostar da menina... Havia presenciado muitas cenas dos dois juntos e concluiu que ela era realmente a mulher de sua vida, e que não podia mais lutar contra esse fato... Além disso, depois de tudo, a admirou ainda mais quando soube que só havia decidido se separar, pois queria que seu Freddie seguisse atrás de seus sonhos e construísse o futuro que ela tanto havia sonhado para ele... Porém, acabou aceitando tarde demais que o futuro imaginado por ela para seu filho, não significava nada se seu Freddie não estava feliz de verdade.
Os olhos de Sam pareciam mais cristalinos e azuis agora. “Por acaso ela estava chorando?” O rapaz balançou a cabeça.
Louise havia se isolado em um canto com a cara emburrada. Era óbvio que a situação não a agradava.
–Que foi? – Se aproximou.
Ela o olhou –Parece que sua mãe gosta muito da sua amiga. –
–Éh, sim... – Involuntariamente virou-se para vê-las. Sua mãe elogiava Sam num tom bastante maternal, e esta negava com a cabeça sem jeito com cada elogio que ela ou Carly lhe davam –É minha amiga desde que éramos pequenos, e minha mãe acabou se apegando muito a ela e a Carly... –
Louise assentiu –E você? –
Ele, que seguia com a vista fixa em Sam. Virou-se de repente com a repentina pergunta da namorada –Eu...? Bem, ela é... É uma grande amiga... –
.
.
*******************************************************
.
.
.
Carly não pôde evitar rir alto quando desembrulhou o presente. Logo virou-se para a pessoa ao seu lado.
–Uau Sam...! –
A citada corou vividamente –Foi Anne quem escolheu... – Explicou –Eu... Pensava em te dar outra coisa –
–De todos os modos vou ler...! – Prosseguiu a morena divertindo-se muito com o repentino embaraço da loira –Parece muito... Interessante –
–Se você diz... –
Carly voltou a rir –Oh, Sam. É a mesma de sempre...! – Abraço-a –E agradeça ao Brad e a Melanie pelo presente que me enviaram –
–Claro! – Respondeu feliz, mas logo sentiu seu sorriso desaparecer enquanto seu corpo se colocava tenso sem nenhuma razão aparente.
–Me deixe vê-lo, Carly – Murmurou uma voz detrás dela.
Observou como Freddie se aproximava de Carly e pegava o livro de suas mãos, olhando para ela por cima da capa. Franziu o rosto, era por causa dele que seu corpo ficou tenso. Suspirou suavemente tratando de se acalmar.
–O que há com vocês dois? – Perguntou a jovem morena percebendo a fria troca de olhares.
–Nada! – Ambos responderam olhando-se fixamente.
–Huh...? Bem, qualquer coisa estarei com os outros na cozinha – Virou-se não muito segura de que eles tinham ouvido o que falou. Afastou-se saindo pelo corredor, deixando ambos a sós na sala de TV.
–Pensei que não viria –
–Por quê? –
–Uma coisa é ter que me enfrentar, e outra bem diferente, é fazer isso na frente de todos... –
–Carly é minha amiga –
–Estranho que tenha se lembrado disso depois que se passaram quatro anos... –
–Não era por ela... – Endureceu o olhar outra vez –Foi por você. –
Ele pareceu surpreso –Por mim? O que te fiz? Se me lembro bem, foi você quem partiu naquele dia...! –
–Não desejava voltar a te ver. –
–E acha que eu queria ver você? – Soltou uma gargalhada sarcástica –Minha vida tem sido perfeita desde então. – (N/a: Falar mentiras é muito feio, Freddie!)
Sam ficou pálida. O olhou fixamente tratando de ler essa verdade em seus olhos. Ele permaneceu sério.
–Fico feliz por você... – Murmurou suavemente –E também por Louise. –
Freddie observou seu rosto na medida em que falava. Engoliu o nó que se formava em sua garganta e preferiu não responder. Como desculpa, lembrou-se do livro que ainda tinha em mãos e o estendeu: –Rede de Sedução, escrito por Julia Darcy, se lembra? – Por conveniência Sam se aproximou do livro e o puxou para si própria. Agora, a distância que os separavam era bem escassa. Vários expectadores observavam a cena com muito interesse.
–Ganhou uma vez... – Falou Freddie sem soltar o livro –Da próxima... Não será tão fácil... –
Os dedos dela se apertaram contra a capa –Você se confia demais... – Respondeu em idêntico tom –Apesar de considerarem a mulher o sexo frágil, tenho mais força que você... – Deu um leve puxão fazendo com que o objeto caísse perfeitamente em suas próprias mãos. Logo se aproximou ficando relativamente próxima de uma distância não considerada “segura” e o empurrou afastando-se.
A expressão de Louise naquele momento era mais do que incerta...
.
.
.
***********************************************
.
.
.
Fazia uma hora desde que havia se esquecido por completo de seus problemas com Sam, dedicando-se a ficar ao lado de Louise e permanecer sentado todo o tempo. Não resistindo, espiou rapidamente por cima dos ombros da namorada, e ali estava ela. Saindo da cozinha e se aproximando lentamente com um prato em mãos.
–Provem isso... – Lhes ofereceu o conteúdo do prato que segurava.
Louise olhou para o prato –São doces ou salgados? –
–Doces. –
A moça se afastou –Ai não, eu passo! Estou de dieta com coisas doces –
–É uma pena... – Dirigiu-se para o rapaz que estava ao seu lado –E você? –
–Não estou de dieta... – A observou ironicamente –Foi você quem fez? –
–Sim... –
Deu uma mordida e voltou a olha-la –Sério? –
A jovem assentiu sorrindo e as covinhas voltaram a aparecer em seu rosto. Ele nunca as tinha visto antes.
–Ainda que não acredite, aprendi a cozinhar. Ter Brad como cunhado tem lá suas vantagens... –
Freddie riu e comeu mais um –Tem razão. Está muito bom...! – Murmurou enquanto engolia –Com você é uma surpresa atrás da outra... –
A jovem loira inclinou um pouco a cabeça e se incorporou, fazendo com que seus olhos adquirissem aquela sedutora expressão que ele conhecia muito bem.
–Te surpreenderia saber quantas coisas aprendi a fazer nesses anos... – Sua voz foi de um tom tão suave que lhe provocou uma espécie de calafrios prazerosos na espinha.
Louise observou a expressão do namorado.
–Deixarei outro caso tenha fome... – Se inclinou de frente pra ele e ao lhe dar outro doce seus dedos se uniram momentaneamente aos do rapaz –Se quiser mais, é só ir até a cozinha. –
–Obrigado – Freddie se perguntou se havia entendido direito aquele sinal, e se realmente ela queria seguir com o jogo que haviam começado na livraria.
Especialmente ali, na casa da Carly.
A loira sorriu para ambos e se afastou. A calça que ela usava envolvia perfeitamente seu quadril, deixando-o louco. Fazendo com que imaginasse com seria ter suas mãos presentes no suave contorno de suas pernas.
Louise limpou sonoramente a garganta, fazendo Freddie se virar e rapidamente engolir o doce.
Encontrou-se de repente se questionando o porquê de Sam parecer tão segura de si, enquanto ele mal podia coordenar normalmente as reações de seu corpo. Ou, por que se tornou tão afetado diante de sua presença... Talvez as lembranças que tinha dela em seus sonhos estavam frescas demais e, todavia temia cometer alguma loucura se ficassem a sós tendo-a toda para si. Ou, quem sabe devia repensar na ideia de que apesar do tempo, ainda continuava apaixon...
Desfez rapidamente esse pensamento. Tinha seguido em frente sem ela uma vez, e poderia fazê-lo de novo.
–Por acaso sua amiga passou por alguma experiência traumática? –
A pergunta de Louise o pegou de surpresa –Huh? Por quê? –
–Bom, todos ficam a bajulando, a tratam de um modo especial... Parecem mimá-la e protegê-la de algo ou... Alguém. –
–Hmm... Algo assim... – Ao ver que ela esperava uma explicação mais detalhada, continuou... –Seu primeiro casamento não deu certo... –
–Oh –
Freddie a olhou –“Oh? O que significa esse “oh”?” –
–Agora entendo. Parece que ela deve ter sofrido muito com isso... –
Freddie baixou o olhar –“Seria verdade? Será que Sam sofreu tanto quanto eu?” – Recordou as tortuosas semanas que viveu deprimido, trancado em seu quarto. Isolado do resto do mundo. – “Mas se foi assim... Por que permaneceu tanto tempo se escondendo de todos?” –
.
.
************************************************
.
.
.
Não queria reconhecer, mas as palavras de Louise continuavam dando voltas em sua cabeça.
Repassava em sua mente seus sonhos, e as palavras de Gibby a respeito de Jonathan... Sentia que havia muito nessa história que ainda não sabia... E queria ouvir tudo pela boca de Sam.
Apoiado contra uma parede a observou caminhar tranquilamente diante dele dirigindo-se à cozinha. Desculpou-se com Dylan e Gibby que estavam ali, e esperou alguns minutos antes de sair calmamente, seguindo-a.
Meteu as mãos nos bolsos e enquanto caminhava se perguntou como iniciaria uma conversa, sem soltar de vez tudo que pensava e tudo que manteve guardado por tanto tempo em sua mente. Rezava para que todos os pensamentos que davam voltas em sua cabeça não fossem verdade e que aquilo não traísse o que realmente sentia.
Falar com a Sam nunca tinha sido fácil. Mas assim que a viu, ali de pé, de costas pra ele; esqueceu completamente o que pensava.
Ela ainda não o tinha visto, e se ocupava em servir-se de um pouco de suco em um copo de vidro.
Enquanto sua mente vagava buscando ajuda, dedicou-se a estudá-la mais uma vez. Percorreu com o olhar suas longas pernas, seu quadril e sua cintura que dava pra ser admirada muito bem sob a leve blusa que usava. Quem não a conhecia poderia pensar que aparentava ser frágil graças ao exótico azul de seus olhos. Mas ele melhor do que ninguém sabia que a loira não tinha nada de frágil...
Sam soltou um fraco suspiro devido à rapidez que havia tomado sua bebida e a súbita sensação refrescante que logo a envolveu. Tossiu, e imediatamente seu sexto sentido lhe indicou que não estava mais sozinha. Sentiu seu corpo enfraquecer e virou-se sabendo já com antecedência quem é que estava ali.
–Deve estar com fome... –
Freddie se sobressaltou ao ouvi-la, porém continuou a observando. Seu corpo imediatamente se tornou tenso, numa rápida resposta aos seus hormônios que mudavam drasticamente diante daquela mulher.
–Huh, não exatamente... –
A jovem o olhou de maneira interrogativa.
–Na verdade tenho sede. – Se adiantou um passo e observou uma bandeja cheia de copos por cima de seu ombro –Se importa se eu pegar um dos copos que estão atrás de você? –
Virou-se e pôde ver uma fileira de copos vazios no balcão. Virou-se outra vez com a intenção de lhe dizer que ela mesma podia pegar um para ele, quando descobriu que já estavam frente a frente.
–Se importa? – Voltou a questionar observando o quão rápido variava a luz em seus olhos.
–Não – Respondeu. Apertou-se contra a borda do balcão e esperou até que ele se aproximasse mais.
Freddie deteve-se diante da mulher. Estendendo um de seus braços, logo agarrou um dos copos vazios, enquanto que com o outro, roçou suavemente sua cintura. Sua mente lhe perguntava a gritos o que diabos ele pensava fazer. Aquilo era brincar com fogo, e não se encontrava muito estável por assim dizer... Ainda sentia-se bastante confuso com as palavras de Louise e pelos seus sonhos... Especialmente o último que teve. Se lembrar do louco um ano e meio que havia vivido junto dela como marido e mulher, derrubava lamentavelmente suas defesas.
Seus dedos fecharam-se sobre o copo, porém não se afastou. Não podia. Aquela situação íntima lhe parecia tão familiar, que não estava disposto que acabasse tão facilmente. Estavam tão perto um do outro, que era praticamente impossível não respirar seu doce perfume, e mesmo que tentasse não conseguiria controlar os movimentos involuntários de seu próprio corpo.
Ela por sua vez, deixou de desviar seus olhos para os lados. Suas mãos se agarraram ainda mais à borda do balcão, era como se temesse perder o controle de si mesma... O observou. Ele não parecia muito seguro do que fazia. Seu queixo quase lhe roçava o ombro.
–Benson...? – Não obteve resposta. Esperou alguns segundos e tentou mais uma vez –Freddie... Está tudo bem? – Perguntou suavemente levantando com renuncia uma mão para logo colocá-la nesse braço que a aprisionava.
O rapaz virou um pouco a cabeça e roçou o canto de sua bochecha com os lábios. Logo, esse ligeiro e imperceptível roce se converteu em um beijo vívido e cheio de desejo.
Sam fechou os olhos no momento em que ouviu o barulho do copo se chocando contra o balcão. E aquele outro braço que antes, segurava o copo. Agora, se unia ao que rodeava sua cintura, pressionando-a contra uma sólida parede de músculos. Suas próprias mãos haviam tomado à liberdade de descansar sobre seu peito, e pôde sentir perfeitamente como ele respirava com certa dificuldade.
Buscando ar, os lábios de Freddie traçaram um caminho por seu rosto e pescoço, e de repente, ela se encontrou desejando que ele o buscasse em sua boca...
.
.
Continua...
**************************************************************
Fale com o autor