Caminhos Cruzados

11 "Nada é para sempre..."


Notas iniciais
“OU VOCÊ ACABA COM AS ILUSÕES, OU ELAS ACABAM COM VOCÊ.” . Oi! *-* Eaí, como estão? Tranquilos? . Então, antes de iniciarem o capítulo, sinto informar que o “melodrama” está de volta... Eu sei, eu sei... Me desculpem, é involuntário. . Deixarei para comentar sobre o capítulo, no finalzinho... . Então, dessa vez vou encurtar nas notas iniciais, e deixa-los aproveitando o gostinho da leitura. (: Um grande beijo a todos! . Misuka.

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“OU VOCÊ ACABA COM AS ILUSÕES, OU ELAS ACABAM COM VOCÊ.”

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(Flashback)

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Sentiu alguns movimentos ao seu lado e soube que não era o único que não conseguia dormir.

O calor daquela pele macia contra a sua áspera lhe provocavam calafrios em toda coluna vertebral. Moveu a cabeça tentando fazer com que os olhos se adaptassem à escuridão, e segundos depois, foi capaz de contempla-la com maior clareza.

A pouca luminosidade fazia ainda mais erótica a silhueta daquele corpo envolvido pelos lençóis. A leve seda cumpria muito bem sua missão insinuando generosamente suas curvas. A situação parecia digna de uma fantasia com a qual havia sonhado muitas noites anteriores a essa...

E agora, ali estava ela. Completamente nua, dormindo em seus braços.

–Sam, está acordada? –

Ouviu ela se acomodar virando o rosto em sua direção. A fraca luz do quarto ainda era escassa, mas ainda assim, podia distinguir todas as perfeitas linhas de seu rosto.

–Não... – Murmurou com voz sonolenta.

Riu fracamente. –Certeza? – A viu balançar a cabeça. –Sam? –

–Hmm? –

–Como se sente? – Acariciou sua bochecha. –Te machuquei...? –

–Claro que não! – Moveu-se alguns centímetros em direção a ele, e Freddie voltou a experimentar aquele delicioso formigamento no estômago, fruto da íntima pressão de seus corpos. –Foi lindo Freddie... Muito... –

–Você que o tornou tão lindo. – A interrompeu.

Ela corou. –Benson...

Sentiu o calor de sua bochecha em seus dedos: –Você é perfeita, Sam...

Soltou uma suave risadinha: –Quem diria... Nós dois... Casados.

–Verdade... – Freddie acompanhou sua risada. –Mas, é melhor começar a se acostumar Sra. Benson... Porque a partir de hoje você é minha e de mais ninguém! – A abraçou com força.

–Não conhecia esse seu lado possessivo, Benson... – Riu outra vez. –Tome cuidado, ouvi boatos de que sua atual esposa tem um temperamento um tanto quanto difícil... Me parece que ela não gosta de ser vigiada, sabe? – Falou entre sussurros.

–Realmente...? – Ela assentiu e ele riu novamente. –Então deve ser esse um dos motivos para eu estar completamente apaixonado por essa mulher... –

O rubor no rosto da jovem se intensificou: –Você não muda, Benson... – Sorriu.

Inclinou-se e a beijou. –Eu te amo... – Murmurou contra seus lábios. –Sam... –

Ela sorria ao mesmo tempo em que respondia apaixonadamente a todos os seus beijos, apertando-se mais e mais contra seu corpo. Freddie intensificou o beijo enquanto suas mãos acariciavam sua cintura e se deslizavam até seu quadril por debaixo dos lençóis. Seus beijos foram se tornando cada vez mais amplos e ardentes, e quando se viu consciente do que acontecia, encontrou-se debaixo dela desfrutando de uma situação que não poderia ser mais torturante...

–O que está fazendo? – Gaguejou nervosamente.

A garota riu sedutoramente, apoiando as mãos em seu peito antes de sussurrar: –Aprendo rápido... – Freddie conteve a respiração ao advertir que ela substituía os dedos por seus lábios. –Estou tentando dizer que também te amo... –

Desde a posição em que estavam, sentia suas suaves pernas enlaçadas nas suas próprias. Sua pele quente e macia contra seu corpo masculino e firme. Os acontecimentos de horas atrás voltavam em sua mente revivendo cada pedaço da ansiedade e desejo que sentia. A nova sensação, ainda pouco familiar, se expandia por todos seus músculos, implorando por uma resposta. Mas Freddie sabia que deveria parar antes de não ser capaz de manter o controle sobre si mesmo por muito mais tempo.

–Sam... –

–Shhh... É a nossa primeira noite juntos, lembra? – O rosto dela estava a milímetros do seu. Seu cabelo solto caía de seus ombros lhe provocando cócegas. –É nossa lua-de-mel... – O beijou. –De agora em diante... Seu tempo pertence a mim, Benson... –

–Como quiser... – Respondeu num fraco sussurro, enquanto levava uma de suas mãos até sua nuca, aprofundando o beijo, no intuito de terminar o que antes ela havia começado. Sorriu. Então logo a pegou pela cintura, e rapidamente girou com ela até deitá-la sobre a cama, prisioneira entre o colchão e seu corpo. Rompeu o contato entre seus lábios e a observou por um longo tempo enquanto acariciava sua bochecha com a ponta dos dedos: –Tem certeza? –

Sam apenas balançou a cabeça. O rubor em suas bochechas se intensificou ainda mais, como também sua respiração. Aparentemente já tinha perdido o medo...

–Acho que posso facilmente me acostumar com este tipo de situação... – Sussurrou antes de cobrir sua boca com a dela novamente. Ela sorria todo o tempo enquanto lhe devolvia apaixonadamente o beijo. Freddie riu suavemente: –Definitivamente me acostumarei rápido... –

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Freddie imediatamente abriu os olhos. Acordado, sentou em sua cama ainda um pouco tonto e confuso. Atordoado, coçou a cabeça e soltou um gemido ao se encontrar sozinho naquela enorme cama. Se deixando cair novamente sobre os travesseiros permaneceu olhando fixo o teto.

–“Naquela época éramos jovens e inexperientes...” – Pensou consigo mesmo.

Todavia juntos viemos a conhecer e a explorar cada centímetro de nossa sexualidade. Sam era apenas uma garota inocente, só tinha 18 anos. E apesar de sempre ter parecido muito madura para sua idade, esse tipo de experiência ainda era um tabu para ela, assim como era pra ele. Mas, naquela noite, havia cruzado essa etapa e se tornado mulher em seus braços. E graças a ela, ele tinha se tornado um homem completo...

Mas agora... Os acontecimentos do dia anterior surgiram nítidos em sua memória. Teve que reunir muita coragem para parar o que estava acontecendo dentro daquele veículo. Nunca imaginou que dizer um “não” seria tão complicado assim. Podia sentir perfeitamente a tensão e a frustração de seus músculos, quando disse a ela que deveriam parar antes de perderem o controle da situação.

Só ele próprio sabia o quanto desejava sentir o calor de sua pele nua, contra a sua. Suas pernas entrelaçadas em sua cintura. Para então, logo depois, deitá-la sobre o assento enquanto removia até a última peça de roupa que usava. Desejava ouvir seus gemidos de prazer na medida em que a beijava cada vez mais urgentemente, e olhá-la nos olhos enquanto o ato mais íntimo os unia até que fossem um único ser e...

–Deus... – Gemeu segurando a cabeça entre as mãos: –“Em que raios estou pensando? Julgava que era o suficiente maduro para me controlar...” –

Estendeu a mão e acendeu o interruptor de luz. Eram cerca de quatro horas da manhã. Observou um pedaço de papel que estava sobre a mesa de cabeceira. Tinha vários números anotados, e pelo traço -pequeno e puro- não havia dúvidas de que tinha sido escrito pelas mãos de uma mulher. Com um rápido impulso pegou o telefone e o papel, mas assim que marcou os três primeiros dígitos se deu conta do que estava a ponto de fazer. Em frustração deixou cair ambos os objetos em cima da mesinha.

–“O que pensa que está fazendo?” – Repreendeu a si mesmo, tapeando sua testa –“Acha que ela, igual a você, também tem problemas para dormir? Que te receberá de braços abertos às quatro da manhã, só porque você quer terminar uma fantasia...?”

Depois de pensar por mais alguns minutos, riu: –Você é patético, Benson... – Murmurou em voz alta. –O mais provável é que Sam esteja apreciando o sono que você não tem... –

Suspirou pesadamente e voltou a se deitar. Em sua mente febril, ainda se lembrava perfeitamente das noites em que a observava dormir. Seu rosto doce e sereno. O leve sorriso que sempre encontrava em seus lábios destinados a ele. Poderia passar a vida inteira ali, apenas a olhando, que nunca se cansaria...

Apoiou a cabeça no travesseiro e com a imagem de certa deusa loira começou lentamente a adormecer...

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–Como que... O que é isso que tem no pescoço? – Perguntou Melanie, abrindo amplamente os olhos e se inclinando até a irmã.

–Nada, me deixa... – Sam afastou a mão da mulher, mas já era tarde. Esta já havia tirado uma mecha de cabelo que cobria seu pescoço.

–Deus... – Melanie murmurou. E logo levantou a vista: –Tem algo que queira me dizer...? Não espera que eu acredite que “isso” apareceu ai do nada, não é? –

As bochechas de Sam rapidamente mudaram de cor, e agora estava completamente envergonhada.

–Está namorado? – Melanie voltou a perguntar divertida.

–Bem... – Acomodou alguns de seus cachos outra vez de modo que escondia as marcas em sua pele –Freddie e eu... Nós voltamos... – E antes que pudesse pronunciar qualquer outra palavra, os braços de Melanie se fecharam em seu pescoço apertando-a animadamente. Realmente essa reação a pegou de surpresa. Imaginava que ela fosse repreendê-la por não ter lhe contado assim que resolveram se reconciliar.

–Isso é ótimo, Sammy! Estou tão feliz por vocês! –

Esta sorriu dentro do confortável abraço. Nunca foi de demonstrar muito carinho, ainda mais com a irmã, mas com o passar dos anos isso havia mudado completamente. Não saberia dizer o que seria dela e de Leslie, sem Melanie.

–Mas quando? –

–Há dois dias... –

–Sam, isso é maravilhoso! – Voltou a sorrir –Já contou à ele, sobre a Leslie? –

–Não, ainda não... – Suspirou. –Hoje à noite marcamos de nos encontrar, vou dizer tudo... –

–Tudo vai ficar bem, irmãzinha... Não se preocupe. –

–Espero que sim... –

–Fique tranquila... – Com ternura colocou as mãos em seus ombros –Você sempre foi uma garota forte e inteligente. Tenho certeza de que encontrará uma bela forma de dizer tudo aos dois... –

–Com minha filha sei que não terei problemas. Leslie adoraria a ideia de ter um pai. Mas quanto à Freddie... – Abafou um suspiro inquieto. –Não sei como vai reagir... –

–Fique calma Sam... – Repetiu abraçando-a fortemente. Tratando de lhe transmitir apoio e segurança. –É impossível não se apaixonar por Leslie. Ela é um anjo... Acha mesmo que ele vai recusa-la depois de conhecê-la? Vocês criaram esse pequeno ser, e Freddie com certeza vai se orgulhar da filha que tem... –

–Isso espero, Melanie. Isso espero... –

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Apoiada contra a parede, Leslie observava sua mãe enquanto se penteava. Era meio-dia e o ar fresco de outono começava a flutuar pela casa.

–Mami? –

Sam deixou a escova na penteadeira e virou-se sorrindo –Hmm? –

A menina caminhou em sua direção –Por que está tão feliz? –

–Por quê? – Sorriu e lhe estendeu os braços –Nada em particular. Só me deu uma vontade enorme de cantar hoje... – Riu: –Não gosta? –

–Gosto sim, mami. Gosto muito! – Exclamou. –Fica muito linda quando canta...! –

Sorriu. –Hey? – Cutucou seu nariz –Eu te amo... –

–Também te amo mami! Muito, muito! – Exclamou abrindo bem seus dois bracinhos: –Um tantão assim...! Não, não... Muito mais... Daqui até lá em cima no céu! –

Sam começou a rir, beijando-a na testa e nas bochechas. –Huh? Verdade...? Já que me ama tanto assim, vou poder fazer isso sem sentir remorso algum... –

Leslie apenas a olhou confusa. E num impulso Sam disparou a lhe fazer cócegas, causando risos incontroláveis na pequena. Fazendo com que implorasse entre risadas para que a mais velha parasse. Sorrindo, momentos depois a loira se deteve, deixando que a filha retomasse o ar e o controle. Por efeito da brincadeira a menina ainda ria enquanto ocultava o rostinho em seu pescoço. E após vários segundos de um confortável silêncio, a criança se separou assustada: –Mami! Mami! Você tem marcas no pescoço! –

Sam afastou-se bruscamente. Levando as mãos até o pescoço em uma inútil tentativa de esconder os hematomas. –I-Isso não é nada carinho... – Disse um pouco nervosa.

–Como você machucou? – Leslie parecia realmente preocupada.

–E-ehm... – Seu nervosismo era imenso e o rubor em suas bochechas também. –É uma história muito complicada de explicar... –

–Mas... –

O som da campainha cortou a frase da menina. Sam tentou não suspirar de alívio enquanto a colocava no chão e se levantava para atender a porta. Acomodou o short em seus quadris, e ajeitou alguns cachos do seu cabelo sobre os ombros, de modo que ocultasse as pequenas marcas ainda visíveis em seu pescoço. Aproximou-se da porta com passos firmes, e imediatamente a abriu, imaginando que fosse sua amiga Anne.

(Roupa Sam)

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Um jovem, alto e loiro a observou cuidadosamente.

–Oi... – Sorriu e acenou com uma das mãos. –Desculpa, sei que deveria ter avisado antes de vir, mas imaginei que gostariam de sair para almoçar. Então, pensei melhor, e achei mais conveniente uma “entrega a domicílio...” – Riu lhe indicando as caixas que levava nas mãos. Duas caixas finas e pequenas que cheiravam maravilhosamente bem. –Espero que gostem de pizza! –

Sam riu balançando a cabeça: –Jonathan... –

(Jonathan)

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–Não me diga que já almoçaram...? –

–Não, ainda não... –

–Não gosta de pizza? – Perguntou incrédulo. –Se preferir, podemos ir até o Mc Donalds, sei que as crianças adoram os hambúrgueres de lá. –

Sam voltou a rir: –Jonathan... –

–Ou podemos ir para outro lugar... –

–Jonathan! –

–Quê? – A observou inquieto.

–Nós amamos pizza! – Sorriu e o convidou para entrar –Mas acho que não deveria ter se dado ao trabalho... –

–Mamãe, quem chegou? – A voz de Leslie veio desde o corredor, acompanhada por alguns passos rápidos. E antes que a mulher pudesse lhe responder a menina já estava de frente para eles.

–Se lembra do Jonathan, Less? – Começou com toda naturalidade possível, esperando que ela o cumprimentasse.

–Olá gracinha... –

–Oi, Jhonnie... – Respondeu timidamente, provocando uma nova onda de risos em ambos os adultos.

–Princesinha, ele veio almoçar com a gente. E olha, ele trouxe pizza! –

–Oba! – Exclamou dando pequenos pulinhos felizes.

–Vem, vamos pegar os pratos... – Indicou, sorrindo aliviada com sua reação.

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Já tinham acabado de almoçar e se encontravam conversando sobre assuntos triviais.

Jonathan não deixava passar despercebido nenhum detalhe da mulher a sua frente. Captava atentamente cada gesto que fazia. O encantador rosado de suas bochechas cada vez que sorria, ou o brilho intenso em seus olhos quando involuntariamente, estes paravam nele. Neste dia, sem dúvidas, parecia diferente. Mais animada, menos fechada, mais real. Mais sexy... Até sua beleza parecia diferente.

–Está diferente... –

Sam levantou uma sobrancelha reprimindo uma risadinha: –Quê? –

–Está estranha... –

–Defina “estranha” –

–Tem algo de novo em você... Não sei... – Sorriu. –Não fui muito claro, não é? –

–Na verdade, não. Mas imagino aonde quer chegar... –

–Então, o que aconteceu de tão maravilhoso para estar assim? –

Sam baixou o olhar, em seguida levantou a vista observando a filha. Leslie brincava com suas bonecas a alguns metros além deles. Era impossível que ela ouvisse a conversa.

–Freddie e eu, voltamos... – Sussurrou quase inaudível.

Foi como um balde de água fria. –C-como? –

–O mesmo que ouviu. –

–Mas... – Jonathan mediu as palavras antes de continuar. –Tinha me dito que não se falavam... Que estavam piores que antes. Que ele te odiava e... E você também... –

Um suave rubor cobriu suavemente suas bochechas. –Pensava que fosse assim... Mas ele se encarregou de me provar o contrário... – Suspirou. –Não consigo explicar precisamente, Jonathan. Tudo foi muito repentino... –

–Entendo... –

Houve um curto período de silêncio.

–Já contou sobre a Leslie? –

–Não, ainda não. – A velha pontada de angústia cobriu o brilho em seus olhos e lhe causou uma dor bem no fundo do estômago. –Pretendo dizer a ele hoje a noite... –

Se aproximou e tomou suas mãos: –Te desejo muita sorte Sam... –

–Obrigada. – Sorriu calorosamente.

Leslie se endireitou imediatamente ao ver o que acontecia bem diante de seus olhos. A tranquila expressão foi imediatamente substituída por uma triste e deprimida.

–Mami? – Chamou baixinho.

A jovem se levantou: –O que aconteceu, Less? –

Em vez de responder a pequena saiu correndo pelo corredor em direção a seu quarto, com os olhos cheios de água.

Sam virou-se para Jonathan, preocupada: –Vou ver o que ela tem... – Disse antes de seguir a criança pelo mesmo corredor ao mesmo tempo em que ouviu o telefone tocar.

–Está esperando alguma chamada? –

A mulher voltou a andar sem dar muita importância ao som. –Poderia atender pra mim, Jonathan? –

–Claro, sem problemas... –

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Batia nervosamente os dedos sobre a mesa, enquanto ouvia como o telefone chamava repetidas vezes sem que ninguém o atendesse.

–"Talvez ela tenha saído... Ela mesma disse que cursava relações internacionais..." –

Já estava prestes a desligar quando alguém do outro lado atendeu.

–Alô? Disse uma profunda voz masculina.

Freddie hesitou por alguns segundos e desligou, convencido de que em sua pressa tinha marcado o número errado. Com mais paciência e controle, tentou novamente, tratando de anular toda a sua ansiedade.

–Alô? A mesma voz grave de antes.

Talvez Sam se confundiu e errou ao anotar algum número. Ou, talvez...

–Quem é Jonathan?

Freddie quase deixou cair o telefone quando reconheceu aquela inconfundível voz feminina.

–Não sei Sam. Ninguém responde... –

Aquilo foi o suficiente. Atordoado, cortou a ligação. Permaneceu imóvel durante vários segundos, perdido, olhando apenas o vazio. Um arrepio percorreu suas costas fazendo-o estremecer e reagir do transe no qual se encontrava.

Com força, repetiu várias vezes a si mesmo que não deveria tirar conclusões precipitadas... Mas, era impossível parar os milhares de pensamentos contraditórios que gritavam em sua mente.

As mesmas dúvidas e medos de dias atrás reacenderam como pólvora, triplicando seus próprios ciúmes. Cerrou o punho acertando um tremendo golpe na mesa, e o fez com tanta fúria que o telefone se moveu consideravelmente de lugar.

–“Fique calmo, Freddie... Fique calmo...” Repetiu a coerente voz em sua cabeça –“Tenho certeza de que isso tem uma explicação...”

Recostou-se na janela e enfiou uma das mãos no bolso de sua calça jeans, puxando um pequeno anel.

(Anel de Noivado)

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O belo diamante azul brilhava sob os raios de sol, e refletia a cor em seus olhos castanhos. Sufocou um triste suspiro e olhou para o céu.

–“Por favor, me ajude...”

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–Desligou... – Jonathan recolocou o telefone no gancho e virou-se para Sam: –Não disse quem era, e tenho certeza de que havia alguém do outro lado, mas por algum motivo a pessoa não quis responder... –

Ela encolheu os ombros e beijou os cabelos de Leslie que agora, se encontrava em seus braços. A criança se agarrava em seu pescoço e não parecia disposta a mudar de posição.

–Vou levar isso para a cozinha... – Jonathan observou as caixas vazias de pizza e as recolheu –E enquanto me encarrego dessa nossa bagunça, por que não vão pensando num lugar onde possamos continuar nos divertindo? –

Leslie levantou a cabeça desanimada. E Sam pôde notar sua expressão.

–Princesinha, se quiser podemos ficar aqui em casa. –

A pequena assentiu e a abraçou ainda mais forte.

–Vai ser como eu disse Less... Mamãe e papai vão ficar juntos outra vez... Prometo. –

A criança voltou a assentir com entusiasmo. Então, fechou os olhos com firmeza, agradecendo aos anjos que sua oração foi ouvida lá em cima.

–“Mamãe e papai juntos... Como uma família de verdade...” Não deixava de repetir para si mesma de novo e de novo.

–Então? – Jonathan voltou para a sala, observando-as com expectativa. –O que acham de sairmos para tomar sorvete? –

–Bem... –

–Mamãe? – Leslie interveio afastando-se um pouco do seu abraço. –Posso ir pra casa da Lise? –

–Outra vez? – Olhou desconfiada. –Princesinha, ela já ficou aqui em casa ontem à noite, não acho... –

–Por favor, mami! Por favor! –

–Mas não há motivo, Less... Vai se encontrar com ela na creche ainda hoje. –

–Por favor! A tia Erika pode me levar pro jardim junto com ela... – Sam pensou por alguns segundos. –Por favooooor...! –

Soltou um suspiro. Sua filha podia ser muito convincente quando queria. –Ok, pegue sua mochila... –

–Oba! Obrigada, mami! – A abraçou com verdadeira adoração. –Vou ir brincar com a Lise! –

–Posso levá-las se quiser... – Jonathan se ofereceu. Não havia perdido nenhum detalhe da conversa das duas.

Ambas se olharam por alguns segundos e logo Sam assentiu: –Claro, seria ótimo... – Deixou a pequena no chão e esta saiu correndo pelo corredor para buscar sua mochila.

–Então, depois podemos tomar um café ou um suco, se não se importar... – Falou com um tom de voz baixo, parecia um pouco nervoso e envergonhado.

–Sinto muito. Mas já tenho compromisso mais tarde... –

–Óh... – Franziu os lábios. –Freddie? –

Ela assentiu.

Jonathan estava prestes a acrescentar algo quando a pequena apareceu. –Vamos? – Perguntou ansiosamente.

Ambos os adultos assentiram.

E enquanto Leslie se adiantava saindo correndo pela porta, Jonathan deteve Sam, levemente a agarrando pelo braço. Ela o olhou de forma interrogativa.

–Olha, se as coisas não saírem do jeito que você espera... – Involuntariamente acariciou sua bochecha. –Saiba que eu... Sempre estarei esperando por você... –

A jovem moveu-se alguns centímetros rompendo o contato. –Jonathan, eu... –

–Tudo bem, não precisa dizer nada. – Sorriu e acrescentou: –Deveria dizer ao Freddie para ter mais cuidado... Essas marcas não ficam bem em seu pescoço. –

Envergonhada e com as bochechas vermelhas, levantou uma mão até a base de sua garganta e começou a caminhar, deixando o rapaz para trás...

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Depois de deixar Leslie na casa de Erika e convencer Jonathan de que poderia voltar perfeitamente sozinha. Sam se encontrava em casa, de pé, em frente ao seu guarda-roupa. Com o rosto franzido observava cuidadosamente cada peça que estava lá. Parecia estar procurando algo para vestir essa noite, mas nada a convencia.

Virou-se para a cama onde havia ainda mais roupas e escolheu um bonito vestido de seda. Era simples, porém não deixava de ser elegante. Também não era muito curto, abraçando perfeitamente seu corpo. E seu comprimento permitia completamente, admirar suas belas pernas.

(Vestido Sam)

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Aproximou-se do espelho e alisou suavemente o tecido, ajustando-o em seu corpo. Sorriu.

Observou sua própria imagem e foi inevitável impedir que sua mente viajasse no tempo, há quase cinco anos.

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Uma noite limpa de verão. O som das cigarras e dos grilos no ar. A maneira como Freddie a olhava enquanto caminhavam de volta pra casa... Não havia tirado os olhos de cima dela desde que a viu descer as escadas, usando esse mesmo vestido. Tinha lhe sussurrado no ouvido pela milésima vez naquele dia, sobre o quão linda estava vestida com ele, e o enorme desejo que tinha de tirá-lo... Coisa que não tardou a fazer.

Conseguia se lembrar perfeitamente da cena. Podia ver o requintado e suave tecido esparramado pelo chão ao lado de suas roupas, enquanto os gemidos se confundiam com os beijos e os sons de prazer.

Dois meses depois se separaram e pouco tempo depois soube que estava grávida.

Sim, naquela noite haviam concebido a Leslie. Sabia com uma certeza que não deixava lugar para dúvidas. Era algo que não podia explicar, uma segurança que só estava dentro dela mesma.

Depois daquela noite, só havia voltado a usar esse vestido uma vez, em um importante coquetel. E se lembrava de como lhe pareceu extremamente desconfortante usá-lo de novo. Aquela peça lhe trazia muitas lembranças de Freddie... Já que antes sua maior luta era se agarrar a esperança de que algum dia poderia vir a esquecê-lo.

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Sacudiu a cabeça retirando todo e qualquer pensamento triste, e voltou a se concentrar em seu reflexo frente ao espelho. Sorriu ao ver a forma como a delicada seda insinuava seu corpo. Era muita vaidade sua admitir, mas sabia que o vestido a fazia parecer muito bem. Se fosse o contrário, os homens não teriam ficado a olhando todo o tempo naquele bendito coquetel.

Um fraco tom rosado apareceu em suas bochechas.

Apesar de não aparentar, era tímida com relação aos homens. Nunca soube como reagir diante dos elogios que recebia, já que Freddie foi seu único namorado sério, -e logo depois marido- não estava acostumada com outros a olhando da forma como “ele” antes costumava fazer.

Suspirou ao recordar parte da noite passada. A maneira como havia respondido a seus beijos e carícias... Deus, conseguia se esquecer por completo de sua sanidade e estabilidade, quando se encontrava em seus braços. Agora, sentia um pouco de vergonha por se comportar assim... Contudo, Freddie não poderia se importar menos. Parecia muito seguro do que fazia... Riu, se lembrando da expressão que ele tinha no rosto antes de sair do carro.

Piscou um olho para o espelho e virou-se. Colocou a peça de volta no cabide com delicadeza, e desejou por um segundo, que Freddie voltasse a olhá-la com a mesma intensidade que demonstrou na primeira vez em que a viu usando aquele vestido.

Mais tranquila reprimiu um repreensão ao reparar na hora. Dando-se conta que por culpa de suas recordações já estava atrasada. Ainda tinha que se arrumar para buscar a filha na creche. Mais atenta, pegou uma roupa casual que havia separado quando estava à procura do vestido, e entrou no banheiro a fim de tomar um banho.

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–Isso não é muito legal, Lise? – Exclamou a pequena.

–Então é verdade o que disse Less? – A menina mais velha encostou-se em uma das paredes do pátio. –Sua mamãe e seu papai voltaram a conversar? –

–Ahãm! E não é só isso...! Ela também me disse que eles voltariam e que nós três ficaríamos juntos...! Como uma família de verdade... –

–Isso é tão legal, Less! – Lhe deu um carinhoso abraço e ambas riram por vários segundos. Logo se afastaram: –Então, você falou que viu aquelas fotos pra tia Sam? –

Leslie negou, não tirava o sorriso do rosto.

–Não...? –

–Lise, se lembra do amigo da minha mamãe que eu te falei? – Esperou até que ela se lembrasse, e logo em seguida, continuou. –Tinha pensando que eles fossem namorados... Mas, minha mamãe disse que eu não deveria me preocupar com isso. Que ela amava meu papai, e que namoraria só com ele. –

–Mas... –

–Deixa eu terminar! – Riu Leslie. –Mamãe prometeu que meu papai voltaria e ficaria com a gente aqui pra sempre...! Então vou esperar... E quando meu papai chegar, vou mostrar as fotos pra ele e pra minha mamãe juntos... –

Elizabeth ouviu a tudo atentamente. Não havia dúvidas, de que a pequena estava muito convencida do que dizia, ao julgar pela sua expressão feliz. –Fico muito feliz por você, Less...! –

Esta assentiu e se levantou ainda sorrindo: –Vamos, temos que contar para o Freddie! –

Ambas correram pelo corredor principal da instituição até chegar a um imenso pátio, onde várias crianças se aproximaram delas, reconhecendo-as. Depois de cumprimentar seus amigos, Leslie abriu caminho e voltou a correr, logo se aproximando de um alto homem, que ao parecer, não havia se dado conta da presença da pequena criança.

Tomou ar depois de sua longa correria e acomodou as dobras de seu vestidinho branco.

–Oi Freddie! –

Este não respondeu. Estava com o olhar fixo no chão, e parecia estar perdido em outro universo. Sua testa estava franzida e tinha uma expressão triste.

Leslie segurou seu braço: –Freddie? –

Imediatamente o rapaz levantou o olhar e ao reconhecê-la sorriu: –Desculpa, não te ouvi chegar... –

–Huh? Eu tava brincando no pátio... –

Freddie assentiu e acariciou sua cabecinha: –Está muito bonita hoje, sabia? –

(Leslie)

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–Uhum! – Ela balançou a cabeça sorrindo amplamente: –Esse é o vestido favorito da minha mamãe. –

O olhou com atenção. Ele havia lhe devolvido o gesto, mas até ela podia dizer que seu sorriso não era verdadeiro. Seus olhos tinham uma expressão triste e vazia.

Leslie ainda era muito pequena para conseguir compreender os problemas dos adultos. A felicidade e a alegria eram tão comuns em seu mundo que não havia lugar para a tristeza e a dor que rodeavam os maiores. Sua mãe sempre teria sorrisos e palavras doces para ela. Era tão natural como o calor do sol e o frio do inverno...

–Freddie, outra vez está triste... –

–Um pouco. Mas não é sua culpa... –

–Brigou com sua namorada? Ela não gostou do anel? –

Ele sorriu. O primeiro sorriso real desde aquela ligação. –Nem uma coisa, nem outra... – Inclinou-se até vê-la de frente: –Mas, pelo o que vejo parece que você sim, está muito feliz, ou estou errado? –

A pequena deu um pequeno saltinho, e num rápido impulso se jogou para frente, abraçando-o e enterrando a cabecinha em seu peito: –Vou ver meu papai! –

Este compartilhou vários segundos de sua alegria e logo se incorporou: –Mas como? Pensei que tinha dito que sua mãe não... –

–Mamãe me contou! – O interrompeu rindo. –Ele vai vir morar com a gente, e vamos ser como uma família de verdade! –

Os olhos da pequena amplamente brilhavam enquanto lhe narrava tudo com detalhes. Mas, embora ele estivesse muito feliz por ela, não podia deixar de sentir uma estranha dor no peito. Uma dor diferente daquela que sentia sobre Sam, esta da qual preferia nem se lembrar. Era uma dor pequena, quase imperceptível. Como uma pontada.

–Da próxima vez vou vir junto com meu papai e minha mamãe! –

–Então, não precisa mais da minha ajuda? –

Leslie balançou a cabeça. E por um momento parou com uma pensativa expressão. –Hum... Freddie? –

–Hmmm? –

–Você já me ajuda...! – Exclamou feliz. –Você cuida do Tolby ué... – Seguindo seu inteligente raciocínio, Freddie soltou uma suave gargalhada divertida.

(Tolby)

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–Então o Tolby vai poder continuar morando comigo? –

–Ahãm... Eu divido ele com você! – Sorriu e voltou a abraçá-lo.

Freddie lhe devolveu o abraço fortemente. Era incrível a forma como havia se apegado a essa criança... Gostava tanto dela que chegava a ponto de sentir algo parecido com ciúmes por “esse” que poderia ser seu pai.

–Já falou com sua mãe que anda vindo até o orfanato para brincar? – Perguntou. –Ou, a Erika já contou por você? –

–Não, ainda não... Quando minha mamãe me contou do papai, acabei esquecendo de falar pra ela... – Voltou a rir. –Mas vou contar pra ela hoje, prometo! Quero que você a conheça... Minha mamãe é muuuuuito linda, sabia? E ela também canta muito, muito bem! –

Freddie sorriu e lhe deu um beijo no rosto. –Se ela é como você, não tenho dúvidas de que é muito bonita.

–Leslie...? –

Uma terceira voz entrou em cena. E apesar de suave, notava-se o tom de preocupação no fundo. Uma mulher.

–Leslie...? –

A menina permaneceu quieta por vários segundos. E assim que se deu conta de quem se tratava, esboçou um enorme sorriso. –Mamãe... – Sussurrou surpresa. –Olha Freddie, agora você vai poder conhecer minha mamãe...! – Exclamou e num rápido movimento separou-se dele e correu para a recém-chegada com os braços abertos. –Mami, mami! –

A essas alturas o rosto do rapaz era indescritível. Olhava para ela, enquanto a viu caminhar até o centro do pátio completamente alheia ao fato de que estava sendo observada. Conteve a respiração ao advertir como a luz que se infiltrava através das altas janelas da instituição a iluminavam como se fosse a mais bela das criaturas.

Seu cabelo loiro, seu modelado suéter liso, o ajustado jeans que havia posto... Parecia fora do tempo. Como naquela chuvosa manhã na qual haviam se visto. Como se voltasse há ter 17 anos...

Ela se inclinou e estendeu os braços para receber a pequena sorrindo todo o tempo. Ambas se abraçaram e então ele pôde ver, aquilo que nunca se atreveu a pensar por medo. A ideia que havia lhe atormentado durante anos, deixando-o indefeso. Agora se recriava bem diante de seus olhos...

Tinha a perdido para sempre...

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Apertou a filha contra seu peito e suspirou de alívio. Céus! Havia se desesperado tanto quando não a encontrou.

–Less... – Sussurrou abraçando-a. –Nunca mais volte a desaparecer assim! Tem ideia do quanto me assustou? Você me deixou muito preocupada... –

–Mas, mami... – Questionou. –Lise e eu sempre brincamos aqui... –

–Eu sei... Erika me disse. Apesar de ter se recusado a me dar mais detalhes... – Acariciou seus cabelos lisos antes de beijá-la na testa e olhá-la severamente. –Leslie, não pode sair assim sem me dizer aonde vai antes. Se acontecesse alguma coisa com você nem sei o que faria... –

–Desculpa mamãe... – Abaixou a cabeça tristemente.

–Agora me prometa que não vai mais a lugar algum sem me consultar. –

–Eu prometo! Me desculpa mamãe... –

Sorriu. –Você está bem? –

–Sim! –

–Então vamos pra casa... –

–Espera! – A interrompeu. –Quero que conheça um amigo meu... –

–Outro amigo? – A jovem riu e se endireitou. –Como o Noah? –

–Não... – Balançou a cabeça, enquanto pegava sua mão. –Ele é quase como você e o tio Brad... –

–Huh? – Murmurou deixando que a pequena a guiasse. O sol da tarde -que se encontrava muito forte- batia diretamente em seu rosto, lhe impedindo de enxergar direito por onde ia. Enquanto sua filha continuava lhe puxando, podia dizer que havia uma pessoa mais a frente, mas não chegava a ver seu rosto.

Finalmente a pequena parou, e sem soltá-la, uniu a mão de sua mãe com a do ”desconhecido” em questão.

–Mamãe esse é o meu melhor amigo... –

Sam cobriu os olhos com sua mão livre, com o objetivo de fazer uma sombra e poder ser capaz de vê-lo. Mas assim que o viu, ficou rígida.

–Sr. F... –

–Freddie...? – A palavra saiu de sua boca quase por inércia. Não sabia como reagir, aquilo realmente a pegou de surpresa.

Leslie olhava alternadamente para ambos esperando que se cumprimentassem.

–Sam... – Para ele o quebra-cabeça já estava completo e armado.

Ao ouvi-lo, sua expressão se variou para um encantador sorriso.

–Óh... Mami, você já conhece ele? – Perguntou Leslie em dúvida, vendo que os dois se olhavam estranhamente e não diziam nada.

Para Sam, a situação era completamente diferente de como era para ele. Via aquilo como o começo de um novo capítulo na vida dos três. Uma etapa feliz...

É claro, meu bem... – Olhou para a filha. –Freddie e eu somos amigos desde pequenos... –

A notícia deixou a criança com os olhos arregalados, expressão que logo mudou quando percebeu a ”forma” como Freddie olhava sua mãe.

–Não esperava te encontrar aqui... –

–Eu tampouco. Isso te pegou de surpresa, não é? – A voz dele saiu com um certo tom sarcástico.

Sam arqueou uma sobrancelha estranhamente e virou-se para a menina: –Princesinha, poderia nos deixar um minuto a sós? –

–Tá bem... – Olhou uma última vez para Freddie e acrescentou: –Vou brincar mais um pouco. –

A jovem esperou até que a pequena se afastasse antes de voltar sua atenção para o homem à sua frente.

Sorriu suavemente: –Oi... –

Este apenas a observou friamente. Com o rosto sério e sem emoção.

Sam levou uma mão à boca e abafou uma pequena risada. –Por que está tão sério? –

–Então esse era o seu grande segredo? Aquilo tão importante que tinha que me dizer! – Começou com um tom de voz mais alto do que deveria.

O sorriso dela desapareceu. –Quê? –

Freddie cruzou os braços sobre o peito, e continuou: –Então acha que foi divertido brincar comigo, não é? Estive ao alcance de suas necessidades, ou ainda requer os meus serviços...? – Ela seguia muda, como se não conseguisse entender o que ele dizia. –E o que vem agora? Vai querer me mostrar o quanto felizes é você e seu marido...? –

–Chega! – Ordenou Sam. De soslaio observou a filha, que corria junto com Lise e as outras crianças, e tentou se acalmar. –Não sabe o que diz... –

–O que eu não sei? Pra mim, está tão claro quanto à água! – Com determinação aproximou-se dela e levantou -em um puxão- sua mão esquerda, de modo que ambos pudessem vê-la. A pequena aliança dourada brilhava entre seus pálidos dedos. –O que significa a aliança, então? Como consegue usá-la e depois tirá-la como se fosse a coisa mais natural do mundo? Por acaso não pensa em sua filha e em seu marido? –

As lágrimas começaram a aparecer em seus olhos. Sam lutou inutilmente para detê-las. –Não meta Leslie em tudo isso. Ela não tem culp... –

–Claro que ela não tem culpa! – A interrompeu, desviando os olhos para não ceder diante daquele olhar suplicante. –Ela não tem culpa de você ser sua mãe. Mas, felizmente Leslie não se parece com você. – Levantou ainda mais a voz ainda sem soltar sua mão esquerda. –A menina é pura, é inocente... –

Finalmente, as lágrimas vieram até seus lábios. Fechou os olhos, mas foi impossível que elas não fluíssem descontrolavelmente por suas bochechas. –Me deixa explic... –

–Não quero suas desculpas, nem suas mentiras! – A soltou bruscamente e franziu os lábios. –Hoje liguei pra sua casa, e adivinha quem me atendeu? Quer que eu diga ou prefere adivinhar...? – Falou com arrogância.

Imediatamente ficou pálida. –Entre eu e o Jonathan não existe nada! –

Freddie balançou a cabeça –Já disse que não me importo com o que diz! –

–Freddie... –

–Não quero voltar a te ver! –

Ela levou uma mão até os lábios. Olhando-o tristemente através de seus cristalinos olhos. –Pode se arrepender do que está dizendo... –

–NÃO! Não vou me arrepender! Depois da viagem que fiz ao exterior há quatro anos, essa foi a coisa mais sensata que eu disse em toda a minha vida. –

E aquela foi a gota que fez o copo transbordar.

Os lábios dela tremiam e quanto mais tentava conter as lágrimas mais elas saíam. Freddie nunca a havia visto assim. Nem sequer quando ela o deixou anos atrás, naquela manhã.

–E quer saber de uma coisa? – Perguntou em um tom de voz sarcástico. –Você tem me feito de bobo, mas eu fiz o mesmo com você... Louise apenas foi cobrir uma campanha no exterior, nós nunca nos separamos. Muito pelo contrário, estamos tão bem que... – Suavizou a voz de modo que ela colocasse uma atenção especial à suas palavras. –Vamos ter um bebê... –

Não havia pensado no que dizia, e quando o fez já era tarde demais. Bastou só olhar para a expressão de dor em seu rosto. A amargura se aderia puramente naqueles belos olhos... E isso imediatamente fez com que se arrependesse do que havia dito. Só queria que ela sentisse parte de seu sofrimento. Feri-la um pouco talvez, mas nunca chegar a esse extremo... Desejou que tivesse se calado, calado sua boca estúpida. Inconscientemente deu um passo para frente, ansiando apagar as lágrimas que ela derramava com beijos.

Sam retrocedeu com medo. Insegura de sua ação e do que ele poderia fazer, levantou as duas mãos em modo de proteção.

–Sam... –

–Já ficou claro, Freddie... – Sussurrou com a voz entrecortante, enxugando os olhos com a manga do suéter. –Entendi perfeitamente... – Respirou fundo tentando se acalmar. –Está tudo muito claro... – O olhou. –Sinto muito por Leslie ter te incomodado, mas não sabia que ela vinha aqui. –

–Não fiquei incomodado que a Les... –

–Não se preocupe, vou garantir para que ela nunca mais apareça no orfanato. – Observou a menina durante vários segundos e logo se virou para ele: –Parabéns a você e a Louise... –

Agora foram os olhos de Freddie que se tornaram aguados. Estavam separados alguns poucos passos, porém para ele lhe pareciam quilômetros e quilômetros de distância. Ela soltou um suave suspiro e ele soube que nunca mais esqueceria a fria expressão que agora via em seus olhos.

Ela caminhou alguns poucos passos antes de lentamente se virar uma última vez. –No dia da chuva no parque, você disse que algumas coisas nunca mudam... – Olhou para baixo. –Estava errado. Isso sim mudou... –

Freddie se manteve em silêncio.

A mulher chegou até onde estavam as crianças. –Leslie, vem. Precisamos ir... –

–Mas, já? – Abaixou os ombros em desilusão. –Posso me despedir do Freddie? –

Do outro lado, deu uma rápida olhada na séria figura que não havia se movido de seu lugar. –O Sr. Benson está ocupado agora Less, ele não vai poder te dar atenção. – Pegou sua mãozinha e começaram a caminhar em direção a saída. Fechou os olhos fazendo um tremendo esforço para não chorar na frente dela. –Vamos pra casa... –

Freddie permanecia firme em seu lugar, observando toda a cena. Leslie virou-se enquanto ambas caminhavam, acenando tristemente com sua mãozinha livre, em sinal de despedida. Apressou-se em fazer o mesmo tentando seu máximo para sorrir.

Quando as duas desapareceram de vista, apoiou as costas contra a parede e se deixou cair até chegar ao chão. Então, como se fosse um menino indefeso enterrou a cabeça entre os joelhos, e não conseguindo suportar mais o peso das lágrimas. Chorou.

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Continua...

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Notas finais
Olá! (: . Então... . Antes de tudo, peço desculpas por acabar com a alegria Seddie... Realmente, queria muito poder continuar com o clima “love” pelo resto da fic, mas aí não teria história, né? Rsrs... . Bem, esse capítulo realmente foi complicado pra mim... Só sei que passei semanas escrevendo e reescrevendo as principais cenas... Isso porque de jeito algum conseguia gostar de como ficava. E por fim, me dei por vencida e resolvi acabar logo de uma vez, ainda que isso significasse postar algo que eu não estava completamente satisfeita. . --Agora é esperar pra ver o que vocês acharam. Apesar de já saber mais ou menos o que me espera... Tenham compaixão e peguem leve comigo nos comentários, por favor...  . A respeito do Capítulo: . --Olhem, tentei ao máximo ser imparcial. Penso que ambos -Sam e Freddie- estão errados nessa história... Então, não deixei de mostrar compaixão nem por ela, nem por ele... E também não culpo o Freddie. Poxa, o coitado pensou que estava sendo enganado... E é claro que isso não justifica suas palavras e atitudes, mas o redime o bastante para a compreensão. Então, é isso gente... Por hoje é só. Espero que não tenham se esquecido de mim e realmente espero vê-los no próximo capítulo. (: . Fiquem com Deus, e um beijo a todos! *-* . Misuka.