Caminhos Cruzados

18 Festas, Álcool e Verdades


Notas iniciais
“SEJA COMO FOR O QUE PENSES, CREIO QUE É MELHOR DIZÊ-LO COM BOAS PALAVRAS.” (WILLIAM SHAKESPEARE) Olá a todos! :) --Queria muito dizer que estou muito feliz mesmo com todos os comentários *-* Alegram muito o meu dia (: Não demorei tanto com a atualização dessa vez, o que é um alívio. Ah, queria avisar que criei um twitter pra redirecionar as imagens. Então caso ainda esteja dando erro ao abrir qualquer imagem vou deixar o link pra vocês seguirem, as fotos vão estar com legendas explicando o capítulo e ao que se refere, ok ? Ainda é um teste, por isso só vai ter imagens do capítulo 18 "por enquanto" (: . https://twitter.com/AzMisuka . -- Espero que gostem desse capítulo, tanto quanto eu adorei escrevê-lo. Me diverti muito :p Obrigada a todos, e continuem acompanhando, não enrolarei muito dessa vez... Boa leitura ! Misuka ;)

“SEJA COMO FOR O QUE PENSES, CREIO QUE É MELHOR DIZÊ-LO COM BOAS PALAVRAS.” (WILLIAM SHAKESPEARE)

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Sam abafou um suspiro e mudou sua postura na cadeira. Observou a bainha de sua blusa que escondia parte da longa saia crepe cor creme e voltou a mudar de postura, agitada. Brincou com seus dedos nervosa, e por fim falou.

–Charie? –

A nomeada estava à apenas alguns passos dela, verificando relatórios em uma pasta e consultando em seu notebook.

–Mmhm? – Acomodou seus óculos sobre o nariz, porém não a olhou.

–É que, sabe... – A jovem loira engoliu com dificuldade procurando as palavras adequadas para resumir o tanto quanto possível, a ideia que tinha em sua cabeça –Existe... Existe alguma possibilidade de que eu possa voltar para o Canadá? –

–Como? – Charlote fechou imediatamente seu notebook e virou-se para vê-la. Os óculos fazendo equilíbrio entre a ponta de seu nariz –Acho que não ouvi bem... Você falou sobre voltar...? –

–Sim Charie, eu... Eu quero voltar para o Canadá. Não sei, talvez voltar a estagiar na Catho, terminar minha pós-graduação por lá e voltar a resid... –

–Mas, por quê? – A mulher a interrompeu –O que é toda essa loucura de querer voltar agora? –

–Não posso mais ficar aqui! –

–Por quê? –

Sam olhou para a mulher que além de ser sua superior, era também sua amiga e conselheira. Fechou os olhos inconscientemente e suspirou.

–A situação se tornou insustentável pra mim... Preciso voltar para o Canadá... – E acrescentou em tom de súplica: –Por favor... –

Charlote guardou silêncio durante alguns segundos –É por causa daquele jovem, certo? – Não esperou que ela lhe respondesse –Não pode passar toda a vida fugindo dele, Sam. Freddie tem muito a ver com o que te rodeia, com seu trabalho. É uma parte de você e de Leslie, e já passou da hora dele saber –

Sam reconheceu o tom de ordem em sua voz. A sinceridade era algo que valorizava em sua amiga, porém, naquele dia em particular, lhe parecia tremendamente irritante.

–Sei que tem razão, Charie. E claro, que vou contar tudo... Mas agora eu preciso ir. Por favor, você é minha amiga, me ajude! –

A mulher suspirou: –Por mais que eu queira lhe ajudar. Da minha parte, não posso fazer nada por você... – Sam baixou os ombros em decepção –Mas, talvez Jake possa lhe dar uma mão... –

–Oh, sim. Seria perfeito! –

–Pode esperar ao menos seis semanas, ou tem muita pressa? – Ao ver que a loira assentia, continuou –Preciso que participe de um congresso em Los Angeles... No meu lugar... –

–O quê? –

–Um administrador qualificado irá lhe acompanhar não se preocupe. Trata-se de um importante congresso da ONU junto as maiores multinacionais do país, relacionada à possível diminuição de lixo tóxico exalado por estas no meio ambiente. E quero que se apresente. –

A jovem permaneceu imóvel sem compreender.

–Me perguntaram quem eu indicaria para tamanha responsabilidade, e não vejo outra pessoa em quem eu confie mais e que irá me fazer mais orgulhosa, se não você.

–Mas Charie, eu não... –

–Fique tranquila... – A interrompeu –Também estarei lá para lhe dar toda assistência que precisar – Sorriu tranquilizando-a –Confie mais em sua capacidade, Sam. Você vai se sair muito bem, tenho certeza! –

Sam assentiu um pouco atordoada –Obrigada, Charie... Mais o que Jake tem haver com tudo isto? –

–Ah, já iria chegar nessa parte... A maioria dos representantes está convocando investidores para financiar um novo projeto a fim de criar institutos voltados a encontrar soluções mais viáveis e que geram menos gastos. Jake é um dos administradores responsáveis pelo programa, e está em busca de pessoas qualificadas. E como você já tem experiência nesse campo... Talvez ele possa ajudá-la a escapar... –

–Charie eu... –

–Nenhuma palavra mais, menina. Quero que saiba que não estou de acordo com você, e peço a Deus que Leslie não chegue a te odiar pelo que vai fazer... –

Sam tentou absorver o golpe. E então assentiu: –Obrigada, Charie –

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Dias depois...

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Carly colocou a bandeja sobre a mesa oferecendo uma xícara de café a seu amigo.

–Como que está decidida a voltar para o Canadá? – Perguntou novamente.

–Bem, para dizer a verdade... – Tomou um gole de sua bebida –É a segunda vez que ela tenta. A primeira foi quando você descobriu que ela era mãe de Leslie... Naquele dia, consegui convencê-la a desistir... –

–Não sabia disso... – Freddie murmurou num tom triste –Não pode fazer o mesmo novamente? –

–Não –

–Por quê? –

–Já tentei isso e... Não há argumento que a convença... – Carly repassou cada uma das advertências e ameaças que havia feito a sua amiga. Mas nenhuma tinha servido para fazê-la mudar de opinião –Acho que dessa vez ela se vai para sempre... –

Freddie não quis pensar naquela última frase. Ouviu que sua amiga voltava a lhe servir café.

–Por que você mesmo não faz alguma coisa? –

–Eu? – Ele a olhou com tristeza –Sam não quer me ver sob circunstância alguma... –

–Pensei que na conferência com o pessoal da Apple... –

–Não... – A interrompeu –Se me dirigiu a palavra foi sempre usando aquele maldito tom indiferente e cortês –

–Vejo que ela encontrou uma nova maneira de te enervar* – Carly sorriu suavemente.

–Me enervar é pouco. Me irrita sua cortesia – Reprimiu um suspiro –Gostaria que gritasse, xingasse ou me batesse. Isso seria mais parecido com ela e... Me ajudaria a saber como agir... –

–Isso demonstra que se tornou adulta e uma dama da sociedade –

–Para o inferno com a dama da sociedade e seu porte sofisticado! Eu amo a menina que se esconde sob esse disfarce... E desejo a mulher que... – Se cortou envergonhado, ao notar aonde levava a fio suas palavras.

–Caramba Freddie, fazia tempos que não via tanta determinação em você! O que houve? –

–Acabo de assumir que sou pai! –

Carly levantou os olhos espantada: –Como disse...? –

–É que... Apesar da criança não ter chegado a nascer, não me retira o mérito de que fui suficiente adulto para concebê-lo... –

Carly sorriu com um pouco de alívio e decepção. Por um segundo fantasiou com a ideia de que Sam teria lhe confessado a verdade. Confrontada com sua iminente viagem ao Canadá, já tinha lhe feito prometer que antes de ir contaria tudo à Freddie. Sem se opor ou se irritar, ela havia afirmado que estava totalmente de acordo, mais que fosse qual fosse sua reação, iria de qualquer maneira para o outro país.

–Carly... –

–Huh? –

–Perguntei se você sabe quando ela pensa em ir... –

–Oh, não tenho certeza... Segundo sei, todavia não tem nada confirmado e ainda precisa esclarecer alguns assuntos muito importantes... Assuntos que espero não lhe permitirem partir... – Deu-lhe um olhar sugestivo –Acredito que essas questões tratem de fazê-la ficar definitivamente por aqui. –

–Que assuntos? –

–Assuntos pessoais... – Olhou para suas mãos incapaz de olhá-lo nos olhos –Mas insisto que faça alguma coisa –

–Tentei tudo que estava ao meu alcance... – Suspirou inconsolado –Mas Sam não me quer –

–Freddie, por favor! Se não fizer algo ela e sua filha irão embora para sempre e nós não a veremos nunca mais... – Mordeu sua própria língua guardando aquele comentário para si mesma –Vai se dar por vencido? –

–Claro que não! –

Carly sorriu.

–É só que minha esperança começou a se abalar – Recostou-se na cadeira –Mas na festa de aniversário de Tasha, pretendo falar com ela... –

–Seu assunto com Louise já está resolvido? –

–Quase... –

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–Freddie! –

O rapaz virou-se ao ouvir seu nome. Leslie se aproximava correndo em sua direção, seu fino cabelo flutuando por trás dela como um vel. Em um salto se jogou em seus braços abraçando-o com força.

Desde aquele dia em que havia lhe dado às fotos, ia vê-lo com muita frequência. Quase todos os dias. E sempre reagia daquela mesma forma, como se nunca tivessem existido qualquer desentendimento entre eles. Como se nunca tivessem existido aquelas palavras tão duras pronunciadas pela pequena. Mágoa que rapidamente foi remendada parte em perdão e esquecimento.

–Hey linda – Sorriu –O que está fazendo aqui? –

–Vim te ver! –

Voltou a abraçá-lo forte lhe dando alguns beijos na bochecha. Freddie teve que reconhecer que nem mesmo de sua sobrinha Nayla recebia tanto carinho.

–O que aconteceu princesinha? – Perguntou quando ela se separou.

–Nada. É que eu gosto muito de você! –

Sempre respondia a mesma coisa...

–Quando virá visitar minha mamãe e eu outra vez? –

–Éh... – ele a olhou –Suponho que em algum dia desses... Você gostaria? –

–Sim! Vou pedir minha mamãe para fazer bolo de morango e você poderia ficar para comer com a gente, não é? –

Freddie franziu o rosto, pensativo. A atitude de Leslie parecia ter mudado da noite para o dia. Essas insinuações com respeito a Sam estavam acontecendo cada vez com mais frequência. E por algum estranho motivo, tinha certeza que ela estava lhe escondendo alguma coisa...

–Gostaria que eu ficasse? –

Sip! E mami também – Leslie assentiu muito convencida –Ela gosta que sejamos amigos... –

–Sério? – Ele voltou a franzir o rosto.

–Uhum. Ela sempre fala de você, da tia Carly, do Gibby, do programa... – Se cortou imediatamente como se acabasse de se lembrar de algo novo –Você vai à festa que irá acontecer amanhã à noite? –

–Sim –

–Legal! – Celebrou unindo suas mãozinhas –Minha mamãe também vai, então vocês poderão conversar muito, certo? –

–Leslie... – Ele sorriu divertido –O que Sam menos deseja é conversar comigo... Mas, por que tanto interesse em que eu converse com sua mãe, huh? –

Ela balançou a cabeça: –Bem... É que... Não gosto muito do Sr. Jonathan e ele também vai estar na festa... –

–Jonathan? –

–Uhum! Ele quer ser amigo da minha mamãe igual a você! – Exclamou e acrescentou com ênfase –Quer ficar com minha mamãe, e então virar meu papai... Mas eu não quero! –

–Pensei que gostasse dele... –

–Não! – Leslie fez uma careta: –Ele é legal... Mas não quero que ele fique com minha mamãe. Você tem que fazer alguma coisa! –

–“Você tem que fazer alguma coisa...” – A mesma coisa que Carly havia dito.

–Por que Less? –

A menina o olhou por um instante. Embora tivesse feito essa promessa à tia Carly, morria de vontade de dizer toda a verdade pra ele. Queria que ele soubesse... Talvez se ela falasse; tudo ficaria melhor, e os três viveriam juntos e felizes como ela sempre sonhou... Mas, não podia. Ela prometeu...

Apesar disso, sorriu alegremente: –Porque eu quero que seja meu papai... –

A abraçou, escondendo o rosto naquele perfumado cabelo tão parecido com o de Sam e também a algo ainda mais familiar, mas que não soube identificar. Não tinha ideia do significado real daquelas palavras.

–Eu também gostaria muito de ser... –

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No dia seguinte...

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–Vai ficar muito linda mamãe! – Leslie deu saltinhos muito emocionada girando ao redor da mulher enquanto batia palmas em admiração –Igual uma princesa! –

Sam riu sacudindo seu cabelo cacheado. Pegou-a no colo e deu voltas se divertindo com a menina rodopiando junto consigo.

–Então, você gostou? – Roupa Sam

–Muito! – A criança a abraçou. –Parece aquelas princesas que aparecem nos desenhos! –

Sam sorriu. Vendo a carinha feliz de sua filha soube que havia feito à escolha certa.

–E que sapato vai usar na festa de hoje? –

–Não sei... – Colocou sua filha no chão –Quer me ajudar a escolher algum? –

Sip! –

A jovem sorriu ao vê-la correr pelo quarto. Depois dos dias em que havia se mostrado tão triste e desanimada. Que parecia chateada com ela e com Freddie. Quando percebeu -ou talvez descobriu- o que ela sentia por ele... Deus, esses dias haviam sido terríveis.

Mas agora, milagrosamente Leslie havia retornado ao seu habitual estado de humor. Já não parecia triste com ela, e muito menos com Freddie. Sorria todo o tempo e não parava de falar nele. Então logo descobriu que por ele, sua filha tinha uma grande admiração...

–E esse mami? –

A doce voz a despertou de seus pensamentos. O chão estava coberto por sapatos. E Leslie tinha em mãos um belo par de sandálias de cor mauve. Havia sido um presente de Melanie quando completara seus vinte e dois anos.

Balançou a cabeça –É linda, mas muito chamativa... – Levantou uma rasteirinha cor neutra. Muito mais simples, e sóbria –O que acha deste aqui? –

–Eca! – Fez uma careta em sinal de desgosto –Aquela é mais bonita, e você vai ficar muito mais linda, mami... –

–Sim, mas... – Era claramente sugestiva, e depois ainda que por vezes seu figurino exigisse, todavia continuava odiando salto alto, isso em si não havia mudado. Suspirou: –Tudo bem... – Falou dando-se por vencida –Se quer tanto que eu use... –

–Yeh! – Leslie exclamou dando saltinhos –O Sr. Freddie vai adorar te ver tão bonita assim, mami! –

–L-Less! – As bochechas de Sam viraram diferentes tons de vermelho.

A menina estava sorrindo. Um sorriso brilhante, feliz. Será que agora ela havia aceitado Freddie? Será que não havia mais nenhum ressentimento contra ele?

–Mami? –

–Mmhm? –

Leslie com um pouco de esforço subiu na cama e colocou o calçado sobre seu colo –O Sr. Freddie e você já foram namorados, não é? –

Sam virou-se quase deixando cair os sapatos que estava recolocando de volta em seu closet. Seus olhos abertos agora mais do que nunca –O quê...? –

Leslie riu. A mesma expressão que Freddie havia feito, estava refletida em sua mãe –Ele me disse... –

–Q-que...? M-mas... Como? Por quê...? –

–Ele me disse... Disse que já foram namorados quando eram pequenos. –Outra vez sorriu tranquilamente. Como se esse novo detalhe não lhe afetasse em nada –Por que nunca me disse, mami? –

Seu nervosismo de antes, agora foi substituído por outra emoção. Raiva.

–Por que ele te disse isso? – Apertou os punhos –Você não deve falar dessas coisas com ele! –

–Mas mamãe... – Leslie baixou o olhar –Ele só me contou isso... Não fique brava –

A jovem tentou se acalmar –Não estou brava, mas não quero que fale sobre essas coisas com ele, me ouviu? –

A criança levantou a cabeça confusa: –Mas mamãe, por que...? –

–Ele não deveria te contar essas coisas... –

–Mas você disse que meu papai tinha sido seu namorado... –

–Eu... Huh... –

O timbre do telefone a salvou da resposta. Ouviu o aparelho outra vez e mais outra enquanto suas bochechas empalideciam e seu ritmo cardíaco tentava se normalizar. No entanto, Leslie parecia tão tranquila e serena...

–Eu vou! – Gritou, descendo da cama em um salto, deixando sua confusa mãe no mesmo lugar em que a questão anterior havia a capturado.

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–Uma festa? – Louise levantou a cabeça da mala que arrumava e olhou para o jovem.

–Sim – Freddie sentou na cama –Gostaria de ir? – A viu dobrar mais alguns vestidos –Pelos velhos tempos? –

Ela assentiu.

–Não vejo por que não! – Fechou a mala –Suponho que uma última saída não me fará mal algum... –

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Naquela noite...

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–Está muito linda, mami! – Leslie exclamou dando saltinhos contentes em torno de sua mãe.

–Você acha? –

Sip! – Sam se olhou no espelho, e apesar de não ligar muito para a vaidade, teve que admitir que realmente estava muito bonita. O leve tom de sua pele se destacava graças à cor escura de sua blusa. Seu cabelo, como gostava, estava solto e caía levemente cobrindo seus ombros nus.

–Se lembra do que eu disse? – Aplicou umas gotas de perfume nas laterais de seu pescoço e espalhou com seus pulsos.

–Sip! – Leslie assentiu e começou a enumerar com os dedos –Para obedecer a tia Mel, para não brigar com o Dan, para não ver muita televisão, e para não falar com a boca cheia... –

–Mais alguma coisa? –

–Sip, para eu não ir dormir tarde –

–Muito bem – Levantou a menina e uniu sua testa com a dela –Vai se comportar, não vai? –

Ela assentiu e lhe deu um sonoro beijo na bochecha –Vem me buscar amanhã, não é mamãe? –

–Claro que sim, princesinha –

Naquele momento, se ouviu o timbre do interfone.

–Eu vou mami! –

Sam a depositou no chão e acabou de se arrumar. Apesar de estar fazendo calor era melhor se prevenir. Tomou um pequeno casaco, um presente muito bem embrulhado e uma fina carteira em sintonia e saiu pelo corredor.

Escutou vozes desde a porta e logo se apressou.

–Oi Jonathan, obrigada por ter vindo –

–Pelo contrário, eu que te agradeço por ter me deixado acompanhá-la – Sorriu galanteador.

A jovem olhou para a filha: –Princesinha, vai buscar sua mochila para sairmos... –

A menina não se mexeu. Apenas levava uma expressão séria no rosto. Notando isso o rapaz se colocou a frente: –Aconteceu alguma coisa, pequena? –

Esta sacudiu a cabeça e lhe deu um sorriso fraco. Sam deixou o casaco e o presente em cima do balcão e se ajoelhou diante dela. Logo voltou a pegá-la, concentrando toda sua atenção sobre a criança.

Jonathan lhe dirigiu um olhar constrangido e saiu, preferindo esperar pelas duas do lado de fora. Mas enquanto caminhavam pelo largo corredor, as palavras de Leslie chegaram a seus ouvidos como uma rajada de vento gelado, apesar daquela refrescante noite de Outono.

–Nada mamãe. Dá um oi ao Sr. Freddie pra mim? –

E para seu aborrecimento, Sam assentiu.

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A casa de Tasha e Gibby era muito confortável e aconchegante. Também foi muito longe de qualquer lugar que ela conhecia. De certo modo havia tido muita sorte que Jonathan tinha lhe oferecido de leva-la.

O pequeno Nicholas parecia gostar de estar sendo o centro das atenções. Era um bebê lindo e muito animado que observava a tudo que o rodeava com grande interesse, apesar de tão pouca idade. Olhava para cada pessoa com seus belos olhos castanhos bem abertos, característica que havia adquirido de seu pai. De Tasha, se espelhava sua boca, ou talvez fosse impressão sua... Mas realmente o mais importante era a felicidade eminente estampada no rosto dos novos pais.

Aproximou-se cumprimentando a ambos com um abraço, para logo entregar a aniversariante o presente que havia lhe comprado –Hmm, Gibby? – Este a olhou –Pensei que seria uma festa surpresa... –

O nomeado suspirou em frustação: –Era pra ser... –

Ao ouvir sua resposta, Tasha riu abertamente: –Não fique assim meu amor, dá próxima vez fingirei surpresa, prometo! – Voltou a rir ao ver o olhar que seu marido lhe enviava –Estamos muito felizes que tenha vindo, Sam –

O casal se mostrava muito animado ao vê-la. Ambos acreditavam que com todos os problemas que teve mês passado, e nas últimas semanas, não ficaria para a festa. Sam sorriu inocentemente, escondendo para si que os pensamentos de não vir, haviam dado voltas por sua cabeça em vários momentos. Com a maior tranquilidade possível questionou sobre o paradeiro de Freddie, recebendo como resposta que depois daquela noite não haviam se encontrado, e que muito provavelmente não viria. Ela tentou não se mostrar aliviada, e fez um gesto vago indicando que não se importava em absoluto.

Mais tarde, enquanto caminhava pela copa entediada, distinguiu a silhueta de uma mulher que sorridente lhe fazia sinais com uma mão.

–Thaís! Enlouqueceu? O que está fazendo aqui, deveria estar descansando! –

A nomeada sorriu: –Estou bem, Sam. Jason exagera muito quando o assunto é sobre mim... – Suspirou –Acredite, sei que estou em perfeitas condições. Ninguém melhor do que eu conhece meu próprio corpo, foi só uma leve queda de pressão. –

Ela assentiu, aceitando a nova taça de vinho que um garçom acabara de lhe oferecer. A tomou em um gole enquanto ouvia sua amiga comentando algo sobre Carly não estar se sentindo muito bem e que por isso não viria à festa. Sam apenas deu de ombros, ultimamente a outra mulher estava se comportando de maneira estranha com ela, e sabia até onde essa conversa chegaria...

–Como assim, está pensando em ir embora? – Thaís perguntou de repente.

–É isso... – Brincou com sua taça vazia –Não pensei que as notícias viajassem tão rápido... –

–Mas e Leslie? –

–Ela virá comigo –

–Sabe o que eu quero dizer, Sam... –

A loira suspirou e guardou silêncio durante alguns segundos. A melodia de uma música se ouvia desde a sala principal.

–Vou lhe dizer, Thaís... Só que ainda não sei quando vou, assim tampouco posso especificar o momento exato que vou contar para Freddie –

–E se ele n... –

–Independentemente do que ele disser, eu vou. É uma decisão tomada! – A interrompeu –Nada vai mudar meus planos –

–Leslie aceitou? –

–Ela não sabe... –

Thaís se desprendeu da parede na qual estava encostada. E acariciou seu ventre.

–Não estará aqui quando Aaron nascer... Não pensa em voltar, não é mesmo? –

–Não sei... –

–Mas por que quer ir? –

–Não posso ficar. Isso não tem funcionado... –

Thaís balançou a cabeça –Ainda o ama. Não é verdade? –

A outra não respondeu. Seus olhos se mantiveram fixos em algum ponto da sala. Seus olhos azuis se abriram de golpe e seu rosto perdeu um pouco da cor. A extrovertida amiga só bastou um olhar para descobrir o que se passava.

Freddie havia chegado, juntamente com Louise.

Ele recorreu com a vista o mar de pessoas que se encontrava de pé, conversando na vasta sala e na grande copa. Algumas pessoas conhecidas lhe cumprimentaram sorrindo educadamente. E então ele viu. Ali, junto a uma sorridente mulher.

O ar ficou preso em seus pulmões ao observá-la com mais cuidado. Estava linda!

Não pôde deixar de notar, agora estava mais parecida com a menina com a qual havia se casado. Vestia-se de forma simples e ao mesmo tempo tão elegante. “Para quem se arrumou daquele jeito?” A pergunta ficou presa em sua garganta.

“Sam teria lhe visto também?” Franziu o rosto, aparentemente que sim, a jovem acabava de deixar uma taça vazia e pegava uma outra cheia, de uma bandeja próxima a elas. “Desde quando bebia?” Ela nunca teve cabeça para o álcool, bastavam três taças do que quer que fosse para que começasse a cambalear e perder os sentidos.

–O que há com você? –

A voz da mulher o fez virar para o outro lado. Louise o estudava com seus olhos desconfiados.

–Nada – Sorriu.

Viu por sobre seu ombro as duas mulheres. E escondeu sua surpresa sob um sorriso condescendente –Quer ir até lá cumprimentá-las? –

Hesitou durante alguns segundos. E em seguida, concordou. “Que mal poderia ter isso?”

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–Não olhe agora, mas estão vindo pra cá... – Thaís anunciou sob um sorriso forçado. Dirigindo um novo olhar de desaprovação a sua amiga que tinha outra taça do líquido dourado nas mãos –Está bebendo muito... –

–Não exagere – Foi à resposta, enquanto acomodava com gestos práticos seu cabelo para um só lado. Deixando seus ombros completamente nus –É apenas a sexta taça e desta vez é champagne... – Riu.

–Sam... –

–Thaís, fique tranquila. Sei muito bem o que estou fazendo – Balançou um pouco a cabeça ao ver que o casal se aproximava.

Louise estava exatamente como se lembrava; um pouco mais bronzeada talvez. Ele parecia sério. Muito sério de fato. Tinha o rosto franzido, e Sam rapidamente adivinhou a quê se devia o gesto. O olhar preocupado que enviava a ela e a taça de cristal –vazia– que levava entre seus dedos, falava por si só.

–Olá, boa noite – Louise foi a primeira a cumprimentar, sorrindo para ambas.

–Olá, querida. Tem sido um longo tempo – Thaís disse por sua vez com uma estranha cortesia.

–Regressou mais cedo do que esperávamos – Sam acrescentou –Suponho que deveria ter sentido muitas saudades de seu namorado, certo? – Se virou para ele –Boa noite, senhor –

Ele não alterou sua dura expressão –Boa noite. Também para você, Thaís –

–Uh... Obrigada –

Louise olhou Freddie fixamente e depois para Sam.

–Como foi de viagem? – Thaís perguntou com rapidez ao notar que as outras duas pessoas pareciam muito concentradas uma na outra. Ou ao menos uma parte deles sim estava.

–Bem, muito bem. Na próxima semana tenho que viajar outra vez... –

–É dura a vida de uma modelo –

–Sim. Muito sacrificada realmente, mas eu gosto – Sorriu.

O silêncio se fez notável. Sam parecia estar perdida em seu mundo, enquanto Freddie a vigiava captando minuciosamente qualquer gesto por menor que fizesse. Louise os observava com desconfiança, um pouco surpresa.

–O que acha de... – Thaís começou ansiosa a fim de distraí-la quando a voz de Sam foi ouvida por sobre a sua, interrompendo-a.

–Vou buscar alguma coisa para beber, querem que eu lhes traga algo? –

–Não, obrigada –

–Sam... – Thaís murmurou de forma suplicante.

A nomeada deu de ombros, aparentemente irritada dando meia volta. Seu escasso equilíbrio foi muito evidente. Afastou-se brincando com sua taça vazia.

–Ela bebeu muito, Freddie... –

–Vou atrás dela – O jovem não pensou duas vezes e se afastou seguindo os passos da loira.

Louise entrecerrou os olhos. Seus lábios formavam uma palavra muda. Thaís suspirou cansadamente e a olhou.

–Ainda não sabe, não é? Ele não te disse... –

Esta voltou seu olhar, imediatamente. Balançando a cabeça.

Thaís estava farta. Não lhe importou o que Freddie ou Sam pudessem chegar a lhe dizer. Estava cansada de tantas mentiras, das meias verdades e do estúpido jogo de gato e rato que ambos pareciam jogar desde que se reencontraram.

–Sam e Freddie estiveram juntos há quatro anos... Juntos... Casados... Logo se separaram –

Bem, agora já havia dito...

–Quê...? –

–Lamento ter sido eu quem tenha lhe contado... – Sorriu discretamente –Mas Sam tem uma filha de três anos... Entende o que estou dizendo, não é? –

Louise cobriu a boca com as mãos. Seus olhos se arregalaram.

–Sinto muito, de verdade. Mas eles ainda se amam... Mesmo sendo demasiado orgulhosos para admitirem... –

A outra apenas sacudiu a cabeça –Por isso é que... Oh Deus! – Deu meia volta se enfiando em qualquer direção possível.

Thaís suspirou de alívio: –Espero não ter feito nada de mal... –

“Não... Que maldade tem em lhe dizer a verdade...?

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–Por que está me seguindo? – Sam o olhou irritada por sobre a nova bebida que estava a ponto de tomar.

Ele tentou não sorrir ao notar que já estava enrolando. Seu belo rosto estava corado em aborrecimento. Assim, se parecia mais com a adolescente irritante e teimosa que era.

–Está bebendo muito... – Murmurou preocupado –Antes não costumava fazer –

–Bem, pois já sou grandinha – Riu fracamente.

–O álcool muitas vezes lhe fazia mal, lembra? – Seguiu suavemente –Na terceira taça do que fosse que estivesse tomando, já perdia o controle –

–Não sou mais assim. Por acaso não está vendo? – Bebeu o líquido de outra. Sua garganta queimava –Não deveria estar cuidando de sua namorada? –

–Louise já não é mais minha namorada –

Sam mordeu os lábios abafando uma repentina risada que não sabia muito bem porque havia chegado –Oh, sinto muito –

–Mentira, não sente. Te alegra... –

Ela abriu a boca para dizer algo, mas descobriu que já não podia pensar com clareza. Talvez agora, as nove taças que havia tomado durante a noite estavam começando a fazer efeito –Fique longe de mim! – Disse em troca e levou suas mãos frias até suas bochechas quentes –Preciso de ar fresco... –

–Hey Sam, quer dançar? – A terceira voz –masculina– foi ouvida ao seu lado como uma espécie de salvação. O jovem loiro sorriu levemente lhe estendendo a mão, e então notou o alto homem que a acompanhava. Corrigiu-se: –Boa noite, Freddie. Já conheceu meu sobrinho? –

Este assentiu: –Sim, Nicholas é um bebê muito bonito e fico muito feliz em saber que ele herdou as características de Tasha e Gibby, e nada de você... –

–Tomarei isso como um elogio... –

–Pois não é –

Jonathan deu de ombros e se virou para a mulher que massageava sua testa com a mão e que parecia estar a milhas e milhas dali –Sam, aceita dançar? –

–Huh, sim – Sorriu –Adoro essa música! –

Freddie mordeu os lábios, vendo como o casal se afastava. O braço de Jonathan repousando sobre a fina cintura da jovem loira. Não poderia continuar vendo aquilo.

Deu meia volta e saiu.

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Encontrou Thaís agora acompanhada por Jason no mesmo lugar que estavam antes. A futura mãe colocou um sorriso inocente no rosto assim que o viu se aproximar. O marido cumprimentou o recém-chegado rapidamente recebendo o mesmo gesto em troca. E com estranheza Freddie olhou a sua volta.

–E Louise? –

–H-huh... Acho que foi embora –

–Acha? – Freddie encolheu os ombros –É estranho que ela não tenha me avisado... –

–É que... Huh... – Thaís voltou a sorrir inocentemente –Eu lhe disse algumas coisinhas que ela não sabia... –

–Algumas? –

–Éh... – Deu uma piscadinha –Como que Sam e você haviam estado juntos no passado... –

–Thaís! –

–Sinto muuuito... – Baixou a cabeça em um falso gesto triste –Mas estava farta do que... Andam fazendo... –

–Andam? – Freddie perguntou arqueando uma sobrancelha –A cabeça dura de sua amiga é a única que está complicando as coisas! –

Thaís levantou a cabeça –Não está chateado comigo? –

Ele pensou por alguns segundos –Não. Foi melhor assim. Deveria ter contado a ela há muito tempo, mas por uma razão ou outra nunca fiz. Não é como se me importasse muito sua reação –

–O que quer dizer? –

–Louise e eu nos separamos definitivamente. Terminamos –

Thaís ficou estática, olhou para seu marido e em seu rosto espelhava sua mesma expressão. Aquilo foi novidade.

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A mão em seu ombro se deslizava.

O calor de seu corpo se tornava mais notável conforme a música ia tocando, as demais pessoas faziam com que seus corpos se tocassem involuntariamente. Ele estremeceu igual como lhe ocorria quando era adolescente e propositadamente tocou seus braços, sua bochecha, seu cabelo sem que ela desse conta.

Naquela época era uma menina ainda. Uma menina de dezoito anos que estava casada com um idiota que não a merecia. Amarrada a alguém que se importava primeiro com suas prioridades, que pela jovem, que perante a lei era sua responsabilidade.

No caso de Jonathan havia sido amor à primeira vista. Ainda podia se lembrar da forte sensação que lhe percorreu naquela tarde de primavera, quando sua prima lhe apresentou a ela. Ele ofereceu educadamente sua mão em cumprimento e ela aceitou, sorrindo. Ele ficou fascinado vendo-a. Isso nunca tinha acontecido antes. Claro, havia saído com muitas meninas, porém nunca tinha sentido nada parecido com o que estava correndo por seu corpo, enquanto segurava a mão daquela linda garota. Foi algo que o marcou para sempre. Naquele dia soube que estava apaixonado.

Então descobriu que estava casada e seu novo castelinho de areia se despedaçou. Mas logo, esse detalhe não significou problemas para ele. A situação civil de Sam não era com o que tinha que se preocupar. Sua cabeça estava no fato de que ela não correspondia aos seus sentimentos.

Sempre dizendo o mesmo: “Eu amo o Freddie...” Apesar do tempo, todavia podia ouvir claramente aquela encantadora voz dizendo aquilo com a determinação e firmeza que a caracterizava.

Nunca. Nunca respondeu a nenhuma de suas tentativas de conquista. Sempre se manteve fiel. Fiel ao idiota do Freddie...

Mas nesses momentos, a mulher que agora estava em seus braços era completamente livre. E ela mesma havia se encarregado de lhe confirmar.

Deslizou sua mão de seus ombros até as costas. Sua pele era suave e quente. Tudo nela parecia ser assim, tão suave, tão terna como a própria seda em si.

Involuntariamente seus braços abraçaram seu corpo contra si. A cabeça da jovem buscou uma confortável posição em seu peito, enquanto enlaçava os braços atrás de sua nuca. A influência da música os unia em uma leve dança. Jonathan reprimiu um gemido quando as curvas da mulher se chocaram contra si. Seu hálito quente através de sua camisa.

–Sam? – Sussurrou, deslizando os dedos com delicadeza por seu cabelo até chegar a sua nuca.

–Mmhm? –

Quase machucava manter sua voz normal –Que tal se sairmos e formos até o jardim? –

Ela se incorporou com certo trabalho. Piscando alguns segundos: –Jardim? – Olhou ao seu redor um tanto desorientada. Concentrou sua atenção sobre ele, e ao notar a confiança com que estava totalmente recostada sobre seu peito, se separou rompendo o contato confusa –Acho que é uma boa ideia... –

Ela o seguiu por todo o corredor. Caminhava com passos inseguros, quase tropeçando. O quanto estava tonta?

–Vem aqui... – Ele lhe estendeu uma mão e a conduziu por uma porta entreaberta que os levaram até um amplo jardim.

–Nossa, é lindo... – Ela sussurrou caminhando pelo piso de pedra. Seus passos curtos, como se analisasse cada passo com antecedência. De repente se deteve.

–O que houve? – Colocou uma mão em seu ombro.

–A-acho que fui longe demais com a bebida... – Riu fracamente se virando para ele –Nove taças de vinho misturadas com champagne fizeram um excelente trabalho... –

Ele também riu. Logo a empurrou gentilmente até que suas costas se chocaram contra uma parede –Aqui se sentirá melhor –

–Sim... – Apoiou a cabeça contra o muro e voltou a rir –Me causou efeito muito rápido, não é justo! –

–Quer que eu te arrume um café? –

–N-não... Só se assegure de que eu não faça nenhuma besteira... – Inclinou a cabeça, olhando-o. Não notou o quão próximo ele estava a ela. –Geralmente o álcool contribui para sacar... A pior parte de mim... –

Ele não disse nada. O silêncio se fez presente em torno deles. Apenas a olhava fixamente sob a luz da lua. Sam não tinha ideia do quanto extremamente sedutora parecia agora recostada contra o muro, seu cabelo despenteado caía para o lado como se tivesse vontade própria ao redor de sua cabeça, as mãos abertas junto aos lados de seu rosto enquanto conservava os olhos fechados como se estivesse dormindo. Parecia uma linda donzela quase implorando para ser beijada.

Jonathan deslizou os dedos por sua bochecha, sentindo sua pele lisa. Ela sorriu entre seus sonhos e murmurou algo que ele não chegou a ouvir. Isso fez com que ele aproveitasse e se aproximasse mais a seu corpo. Sabia que essa seria sua última oportunidade, e queria aproveitá-la ao máximo.

Pegou-a pelo queixo e correu seu rosto até que ela pudesse ser capaz de vê-lo. Seus olhos azuis se abriram.

–Sam... –

–Jonathan – Levantou a mão e a pressionou contra seu peito –O-o que acha que está fazendo...? –

Ele franziu o rosto. Continuava rejeitando-o?

–Nem sequer... –

–Já sabe minha resposta... – Ela o interrompeu.

Apertou os punhos furioso antes de agarrá-la pelo queixo trazendo-a mais próxima a ele: –Por que não me da uma chance...? –

Tinha os dentes cerrados e a mandíbula tensa. Sam percebeu a perigosa situação em que estava. Havia sido uma muito má ideia sair até o jardim com ele. Com Jonathan, por Deus! Quando sempre, sempre soube as intenções que ele tinha para com ela...

–Sinto muito... – Começou a dizer em um tom suave, enquanto tentava se libertar. Mas, considerando seu estado e suas escassas forças, era como tentar mover uma montanha com as mãos –Por favor... –

–Por quê? – Perguntou sem ouvi-la, ignorando seu apelo. Prendendo-a contra a parede, unindo-a a seu corpo como sempre quis fazer. Escondeu o rosto em seu pescoço. Seu perfume era tão embriagador. –Por acaso não sou o suficiente bom para você? –

Se colocou rígida, apertando as mãos contra ele para evitar o contato total –Essa não é a razão... P-por favor... –

Mas Jonathan não a ouvia. Não lhe atingiam seus pedidos, nem suas súplicas. Estava tão cego...

–Por favor... –

Se incorporou um segundo. Sam viu suas pupilas se dilatarem de luxúria, de desejo contido para ela. Logo, deslizou uma mão por seu pescoço, e ela recuou assustada –Ainda me pergunto como Freddie pôde ter te deixado ir... – Repetiu o movimento, deslizando os dedos por sua pele com agonizante lentidão –Foi a decisão mais estúpida de sua vida... –

Ela respirava com dificuldade.

–E quem disse que eu a deixei ir? –

Jonathan não teve necessidade de se virar para saber a quem pertencia à nova voz.

–Freddie – Afirmou com indiferença –Em que posso lhe ajudar? –

O referido veio à luz, e Sam observou seu rosto sério envolvido em uma expressão indecifrável. Seus olhos se cruzaram com os dela, e então baixou a vista, assombrada.

–Você, em nada – Respondeu –Quero falar é com ela –

Jonathan balançou a cabeça: –Acredito que não será possível... Estamos um pouco ocupados. –

Sam conseguiu liberar uma de suas mãos e se afastou o quanto pôde dele se juntando de novo a parede.

–Me parece que está equivocado – Freddie se aproximou –Deixa-a em paz! –

–Perdão? –

–Largue ela! –

Jonathan soltou a mulher e se virou até se encontrar de cara com ele.

–O quê? –

–Vá embora, eu me encarregarei de levá-la para casa –

–Obrigado pela sugestão, mas, ela veio comigo e voltará comigo –

–Não foi uma sugestão – Freddie sorriu –Foi uma ordem – Deu um passo mais e o pegou pelo colarinho, quase o levantando do chão –Falo sério Jonathan. Suma daqui... –

Tratando de manter a maior dignidade possível, este se virou para Sam.

–Quer ir com ele? –

Ela abraçou a si mesma, observando toda a cena –Eu... –

–Virá comigo, não se preocupe – Freddie a interrompeu –Agora... Sei que deve ter outras coisas mais importantes para fazer, Jonathan –

O nomeado se endireitou furioso enquanto ajeitava a gola de sua camisa, sob o olhar rigoroso de Freddie. Sam sentiu pena por ele. Era um bom homem apesar de tudo, ninguém podia culpá-lo por se apaixonar daquela forma.

–Jonathan... – Chamou-o quando ele já se preparava para sair. Se virou para vê-la –E-eu... Sinto muito... Queria que fosse diferente... Deveria... –

–Já está tudo muito claro, não diga nada. Eu lamento... Meu comportamento – Então se virou, como se nada tivesse acontecido, caminhando até a porta para logo desaparecer por trás dela. O silêncio se fez presente outra vez, a lua se moveu um pouco mais no céu.

Sam apoiou todo o peso de seu corpo contra a parede. Freddie a olhava seriamente.

–Tinha a situação sob controle, podia controla-lo eu mesma, não precisava da sua ajuda... –

Ele se aproximou –Sério? Se eu não tivesse intervindo... –

–Não aconteceria nada, porque eu não teria permitido –

–Ah, é? Por isso ele estava com as mãos sobre você...? –

Ela abaixou a cabeça e voltou a se apoiar na parede sentindo-se tonta outra vez –Não pode culpar alguém por se apaixonar – o olhou –Não escolhemos a quem amar –

Ele sustentou o olhar –Tem razão –

Houve um pequeno período de desconfortável silêncio. A jovem mantinha os olhos fechados ignorando toda tontura e a constante sensação de enjoo que lhe rodeava.

–Bem – Respondeu secamente –Já pode ir –

–Ir e perder a oportunidade de vê-la assim? Não, obrigado –

Um leve sorriso foi acompanhado por essas palavras. “Ele estava rindo?” Aparentemente, estava se divertindo com seu novo estado...

–Então, vou eu! – Afirmou irritada, erguendo o queixo.

–À vontade. Quero ver se é capaz de dar três passos seguidos sem tropeçar –

Sam se incorporou de sua posição ignorando seu comentário. Alisou o delicado tecido de sua saia e jogou seu cabelo para trás. No primeiro passo se deu conta que se conseguisse chegar até a porta seria um verdadeiro milagre. Se deteve.

–E agora, o que houve? – Murmurou observando-a com o rosto franzido.

Ela não respondeu. A cabeça havia começado a girar novamente e não se sentia tão centrada como antes. Avançou um pouco mais, mas o terreno parecia feito de gelatina. Ou eram suas pernas que não conseguiam se sustentar?

Segundos depois, Freddie estava mantendo-a com seus próprios braços e ela o observava com certa inocência. Sorrindo como se nada tivesse acontecido.

–Acho que estou bêbada... – Inclinou a cabeça para trás observando-o.

–Percebi... –

–Sim... Não é maravilhoso? – Riu, como se essa descoberta fosse realmente genial.

Freddie a observava com o rosto franzido. O riso fresco, livre, desinibido dela se contrastava com a mulher de gelo que era há poucos segundos atrás. Agora era toda sorrisos, abandonada a ele, em seus braços. Seus olhos claros brilhavam febrilmente.

Rapidamente se fez uma nota mental de que não deveria se aproveitar disso.

–O que acha que diria Leslie se te visse nesse estado? –

Quase se arrependeu de ter dito aquilo. O sorriso gentil se converteu em uma linha tensa. Soube que estava apertando os dentes, seu olhar quente imediatamente se tornou frio, inflexível.

–Por que colocou a menina? –

Ele tentou manter o tom de voz controlado –Que tipo de exemplo acha que está dando com isto? –

Sam o empurrou furiosa. Cambaleou e Freddie voltou a agarra-la pelo braço –É tudo culpa sua! –Ele levantou uma sobrancelha, mas percebeu que ela ainda não havia terminado –S-se você não tivesse feito tudo isso, eu não estaria assim... –

–Tudo isso? – Repetiu ele.

Ela assentiu, afastando-se de seus braços outra vez. Assim que a raiva se evaporou, uma preocupada expressão apareceu em seu lugar.

–P-por que você tinha que dizer a Leslie...? –

–Lhe dizer? –

–Que fomos namorados! Que estávamos juntos! – Exclamou em frustração, deixando cair a cabeça em seu peito, os punhos cerrados agarrando-se a sua camisa –E-ela agora vai saber... –

–Saber? O que ela vai saber? –

Ela não respondeu, se abraçando mais forte ao corpo do rapaz fez com que este se sobressaltasse diante da proximidade.

–Me deixará ir, não é? – O olhou, seus olhos agora subitamente mais brilhantes –Depois que eu te disser poderei voltar para o Canadá, certo? –

–Por que quer voltar, Sam? – Colocou a mão em sua bochecha. Ela o olhava fixo, parecia tão assustada.

–Não quero mais sofrer... N-não suporto te ver nos braços de Louise, beijando-a como costumava me beijar... E-eu... Eu te amo, Freddie... –

A última frase, ela disse em um sussurro, abafando o som contra o tecido de sua camisa, misturando-se com suspiros indefesos e muxoxos de derrota. Ele não pôde evitar sorrir ao recordar certa frase que havia ouvido uma vez, há muito tempo.

“As crianças e os alcoolizados sempre dizem a verdade...”

–Eu também te amo, Sam – Disse lutando contra a urgência de beijá-la, de fazê-la acreditar, de perder-se junto a ela naquele mar de descontrolada ingenuidade que o álcool produzia. Não se lembrava de que a inocência pudesse ser tão sedutora, tão apaixonante. Porém era inocência de todos os modos, e ele era um cavalheiro, ainda que não quisesse ser. E sabia que nunca, nunca poderia se aproveitar de uma situação como essa.

–Verdade? V-você realmente me ama? – Soou a feminina voz. Seu rosto próximo ao seu –Me ama apesar de tudo o que fiz...? –

–Eu tampouco tenho sido um santo – Lhe sorriu. Ela fez o mesmo. –E... Te amo muito, Sam –

–Mas eu menti! –

–É sobre o anel? – Deu uma rápida olhada na aliança presente em sua mão esquerda.

Sam sacudiu frenética a cabeça. –Este anel foi uma promessa... – Retirou-o com certo esforço, segurando-o com os dedos –Apesar de que estávamos separados era o juramento de me manter só para você... E com o tempo serviu para espantar a todo ocasional sujeito que ousasse se aproximar de mim... Funcionou muito bem! – Soltou uma leve gargalhada vendo a séria expressão de Freddie –Mas... Mas não era a isso que me referia... –

–Tem haver com Jonathan? Foi pra ele que se arrumou tanto assim essa noite? –

Deixou escapar outra sensual gargalhada e ergueu o queixo.

–Tonto! Foi Leslie quem escolheu o que estou vestindo e calçando... –

Sua expressão se suavizou. Deslizou um dedo por sua bochecha corada –Está linda, você sabe... –

Sam levantou a cabeça em resposta. Seus lábios a uma curta distância dos seus.

–R-realmente não sabe Freddie? Carly não lhe disse...? –

–Me dizer o quê? –

Baixou a vista, seu rosto corado ainda mais –Pensei que fosse descobrir logo que conhecesse a Leslie... Ela também disse que você lhe mostrou algumas fotos... –

Freddie franziu a testa.

–Não há dúvidas de que Leslie puxou muito mais de mim! – Riu involuntariamente, e logo como se entendesse o que havia acabado de dizer, cobriu a boca com uma mão: –Quase que falei! –

Freddie continuou estudando-a seriamente.

–Quer mesmo que eu diga? – Uniu suas mãos, entusiasmada –Ainda que seja um segredo que ninguém deva saber...? –

–Nem mesmo eu? –

Sam voltou a rir –Você é a última pessoa que eu quero que saiba...! –

–Mas... –

–Eu vou dizer, e logo você vai ter que prometer que não vai dizer pra ninguém, de acordo? – Se colocou na ponta dos pés. Seus olhos tremendamente brilhantes.

–De acordo – Freddie assentiu em seu melhor tom neutro. Céus, estava lhe custando um esforço sobre-humano para ser totalmente indiferente ao desejo que corria por seu corpo cada vez que ela se apertava mais a ele. Certo, que deveria se lembrar de que estava bêbada e o mais provável fosse que no dia seguinte se esqueceria desse encontro e de tudo que estava dizendo.

–Diga... –

Sam bateu palmas alegremente, aproximando seu rosto do seu –E-eu... Eu te amo, Freddie... Te amo tanto, que há quatro anos, preparei um presente para você... – Ele permaneceu quieto –Um bebê seu e meu... – Sorriu –L-Leslie, Freddie. Leslie é sua filha. Nossa filha... –

O tempo parou para o jovem. Não conseguiu dizer nada, nem fazer nada. Ao longe ainda se podiam ouvir os murmúrios das pessoas, e os acordes da música... O clima da festa continuava, mas para ele, o mundo estava suspenso no ar.

Sam se colocou séria: –Parece surpreso... – Logo voltou a sorrir –Não gostou da notícia? –

Freddie finalmente reagiu. Tomando seu rosto entre as mãos –É verdade o que acabou de dizer? –

–Claro! Por acaso não notou as semelhanças que ela tem com você? A cor do seu cabelo, o jeito como sorri... A mesma careta de desgosto que costumava fazer quando a gente discutia... –

Pouco a pouco, as peças daquele confuso quebra-cabeça começavam a se encaixar em sua mente, deixando o caminho livre para as pistas que o conduziam até a verdade. Pistas que sempre estiveram na frente dos seus olhos...

Por isso sentia esse enorme desejo de cuidar e proteger a menina. Esse pequeno anjo, que agora mais do que nunca significava tudo para ele... Sua Leslie. Seu bebê. Sua filha.

Sam estava abraçada a ele novamente. Sentia o suave par de lábios vagando por seu pescoço. Os sussurros apenas lhe chegavam, tão impressionado e feliz que estava.

–Você morre por me beijar...? –

Sua voz soava tão sedutora. Freddie a abraçou por sua vez, confuso, atordoado, chocado com tamanha notícia. A boca dela chegou ao seu ouvido –Eu também morro porque não me beija... Me beije... –

Ele tragou com dificuldade. Observou aqueles lábios rosados se oferecendo sensualmente para serem acariciados. Entreabertos, quentes, ofegantes.

Ela corria seus ombros com as mãos, apertando deliberadamente seu corpo contra o seu.

Freddie estava perdendo o domínio e ele sabia...

–Não negue... Me beije... – Sussurrava, sua respiração queimando.

–Sam... –

–N-não acha que mereço...? – Seus delgados braços se cruzaram por trás de seu pescoço. Seus olhos estavam fechados –Te dei a maior prova que uma mulher pode dar ao homem que ela ama... O fruto da nossa união. Uma parte de você e de mim... Do nosso... –

–Amor... – Finalizou. E isso foi tudo, depois daquela última palavra dita, ele se rendeu. Capturando com um prazer desconhecido a boca da mulher.

De sua Sam. A mãe de Leslie. Sua filha...

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Continua...

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Notas finais
Tcharãm ! Feliz, feliz ... E aí gostaram??? Espero respostas huh ! Estou editando a fic aos poucos... O primeiro e o segundo capítulo já foram. Ah teria como me avisarem se as imagens desse capítulo não estiverem abrindo? Sei que tem outros capítulos com imagens em erro, mas estou fazendo um teste primeiro com este capítulo. Criei um twitter pra redirecionar as fotos... *-* Mas se ainda permanecer os erros nesse capítulo, vou procurar corrigir de outro modo. Para então conseguir editar os outros... Obrigada ! Muitos beijos, e Agradeço a todos pela paciência...Estamos quase chegando na reta final :@ ---------------------------------- Dicionário: *Enervar - Ficar nervoso