Caminhos Cruzados
15 E o último a sair, que apague a luz...
Notas iniciais
Bem... Olá, Olá! Então é isso, eu voltei! Sim, milagres acontecem mesmo quando não é Natal.
Nem sei se ainda tem pessoas que leem essa fic, mais mesmo assim tentarei me explicar bem rapidinho... :X Bem, estive muito sobrecarregada com a faculdade e ao mesmo tempo com o estágio, que com o pouco tempo que me sobrava eu me dedicava apenas, a estudar e assim, fui me desligando da fic...
- Tenho que dizer, no entanto, que não desisti, e espero mesmo continuar a postar atualizações regulares a partir de agora!
-- Muito obrigada a todas as pessoas amáveis que me apoiaram e me escreveram inúmeras mensagens e comentários me incentivando e pedindo para atualizar e não desistir! Vocês são a minha inspiração e a cura mais maravilhosa para qualquer bloqueio de imaginação e até mesmo um gole de ar fresco no final de um dia agitado na faculdade! Eu adorei ler todas as opiniões de vocês e não posso ser mais grata pelo apoio de todos, por isso mais uma vez: Obrigada! *-*
Não vou enrolar muito, por isso divirtam-se e se preparem, porque o drama voltou... Milhões de beijos ;*
Misuka.
Mais uma vez se perguntou o que deveria fazer se suas suspeitas fossem realmente verdade. O que faria com um novo bebê? Lembrou-se do quanto havia sofrido quando Leslie nasceu. Tinha 19 anos, um amor frustrado, uma carreira em movimento, uma vida destruída e não sabia nada sobre bebês. Havia derramado muitas lágrimas junto a Leslie pedindo-lhe perdão por não ser uma boa mãe. Sentia-se tão fraca, tão inútil...
Contudo ainda assim conseguiu seguir em frente. Por sua filha faria tudo, até o impossível se precisasse. Decidiu se mudar para um novo país, queria recomeçar, e assim conseguiu enfim completar seus estudos. Então, escolheu para passar a infância de sua filha, o Canadá, que era um lugar repleto de beleza e harmonia, onde também havia conseguido um bom trabalho e felizmente um do qual ela realmente gostava. E assim logo adquiriu sucesso sob seus próprios esforços.
Sam fechou os olhos, deixando fluir novas lágrimas.
Agora tudo era tão confuso. Tão diferente de antes. Era verdade que já tinha pleno conhecimento sobre o que era ser mãe, que tinha um emprego estável, uma boa base econômica e um apartamento grande o suficiente para comportar outra criança. Entretanto, a situação a aterrorizava.
Levantou as mãos e escondeu seu rosto entre elas. Não pôde conter as lágrimas. Seus ombros tremiam sem parar, enquanto que milhões de questões passavam por sua cabeça. –O que devo fazer? O que devo fazer?
Apoiou o queixo em suas úmidas mãos respirando calmamente. Seu caráter forte havia tomado o controle novamente. Como se uma bússola acabasse de lhe apontar qual caminho deveria escolher.
Ela sabia que desta vez não teria escapatória.
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–Parabéns, você está grávida, felicidades... –
Sam caminhava pela calçada recordando as palavras da médica. Estava sorrindo, era como se seus braços sozinhos não eram longos o suficiente para abraçarem a tamanha felicidade que sentia. Levantou a cabeça admirando o lindo azul do céu enquanto aspirava uma grande quantidade de ar puro.
–Imagino que esteja muito feliz, não é mesmo Sam? Será mãe pela segunda vez... –
Suas mãos acariciavam seu ventre como num ato reflexo. Sua barriga ainda era plana, porém ela sorriu, sabendo que dentre poucos meses seu volume aumentaria e esse seria o sinal inconfundível que instantaneamente revelaria sua nova condição.
Inconscientemente, seu cérebro seguia repassando tudo o que a doutora havia lhe dito, como numa espécie de reprise sem fim.
–No entanto você deve ser muito cuidadosa –
–Por quê? -
–Você teve uma gravidez de risco com Leslie, se lembra? –
–Sim... -
–Este bebê poderá trazer as mesmas complicações. No momento não vejo nada de anormal ou alarmante, mas você “deve” ter muito cuidado principalmente nesses primeiros meses, certo? –
–Sim... —
Se sentou em um banco desfrutando daquele momento.
A refrescante brisa de outono combinada com os raios dourados não muito fortes daquele sol lhe proporcionavam uma maravilhosa sensação de bem estar que fluía através de si. Sam riu alegremente, o som de sua voz flutuava como uma brisa de verão entre os sons das outras pessoas. Fazia tanto tempo que não ria assim. Fechou os olhos aproveitando esse momento de tranquilidade. Sentia-se feliz.
Apesar de sua consciência seguir dando voltas na mesma frase.
–Deve ser muito cuidadosa... –
A mesma frase.
Porém ela já não dava ouvidos.
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–O que farei se Louise estiver mesmo grávida? –
Mais uma vez, seguia com o mesmo pensamento dando voltas em sua cabeça. Agora, já não era apenas uma mera hipótese, mas sim um provável fato.
Freddie apoiou a testa contra o vidro. A janela do apartamento lhe dava a vista de uma movimentada avenida, entretanto no momento não colocava atenção alguma na multidão de pessoas que por ali passavam.
–Deveria ter pensado no que fazia. Sou mesmo um idiota... Como pude me deixar levar por uma estúpida fantasia...? – Apertou fortemente os olhos. –E nem sequer usei proteção... Em quê diabos estava pensando...? –
Soltou um suspiro. Agonizante, preocupado. Inconscientemente apertou os punhos. Os dias se passavam cada vez mais rápidos, e a essas alturas já passara da hora de descobrir se Louise estava grávida ou não. No entanto, havia tentado tocar no assunto várias vezes com ela, antes, resolveu tocar no assunto ela inventara uma péssima desculpa, e tão logo como ele entrou ela conseguiu escapar da questão.
Freddie estava por um fio.
–O que vou fazer se ela estiver grávida? – Sua mente o levava a interrogatório diante de um tribunal fictício –Estaria ele disposto a passar o resto de sua vida ao lado de uma mulher que não amava e nunca amaria...? Seria capaz de aguentar? –
–Por um filho se é capaz de fazer tudo, até o impossível se precisar... – Sua mãe lhe havia citado a frase em mais de uma ocasião.
–Tem toda razão, mamãe – murmurou em voz baixa, finalizando a conversa consigo mesmo –Por um filho se é capaz de tudo, até de sacrificar a própria felicidade... –
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Sam ajustou o cardigan em seu corpo. Estava de perfil em frente ao espelho, observando cuidadosamente sua aparência. Ajustou ainda mais a peça ao corpo. Ali! Uma curva bem pequena. Quase imperceptível aos olhos. A prova de que havia um ser se formando em seu interior. Sam sorriu e soltou o tecido. Com a roupa que usava, a gravidez passava despercebida até para si mesma... Sim, vendo-a assim, ninguém diria que estava nesse “estado”. Voltou a sorrir, no momento esse seria seu segredo.
Sentou-se na cama e colocou os sapatos. Rapidamente pensou no que faria durante o dia. Tinha trabalho atrasado, o suficiente para se entreter durante uma semana inteira.
–É melhor começar logo a trabalhar, preciso adiantar a parte dos novos representantes fiscais, todavia o quanto antes, se quero comunicar a notícia da minha gravidez a Suzenne. –
Pegou a metade das pastas, uma caneta, algumas folhas brancas e seu notebook. Ajeitava todos os materiais sobre a mesa quando repentinamente sentiu tudo ao seu redor girar. Se apoiando na borda da mesa com ambas a mão esperou até que a tontura passasse.
Porém, isso não aconteceu... Moveu uma das mãos para agarrar a cadeira que estava a poucos metros de distância, mas perdeu o equilíbrio. Tudo ao seu redor ficou preto e momentos depois já estava inconsciente no chão.
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Alguém colocava algo fresco em sua bochecha. Moveu-se poucos milímetros.
–Sammy...? –
A voz parecia distante...
–Sam? Está me ouvindo? –
Logo a consciência voltou ao seu corpo. Lembrou-se do trabalho, da tontura e finalmente do desmaio.
–Melanie? – Murmurou fracamente abrindo os olhos.
Sua irmã gêmea estava sentada ao seu lado na cama.
–O que está fazendo aqui? –
–O que estou fazendo aqui? Vim buscar a mochila da Leslie, liguei milhares de vezes, mas como ninguém atendia... – Fez uma pausa franzindo a testa –Quando cheguei você já estava desmaiada no chão... –
–Oh, bem... Me senti um pouco tonta –
–O que está acontecendo com você, Sam? –
–Nada, foi apenas uma queda de pressão... Já sabe, daquelas que sempre me acontecessem nessa época do ano... –
–Nunca aconteceu qualquer queda de pressão em nenhuma época do ano com você – Afirmou Melanie, franzindo o rosto –Está escondendo algo de mim? –
–Não.
–Não minta... –
–É normal Mel... Qualquer um pode sentir tontura às vezes. – Se levantou sem dificuldades –Esqueça isso, tá bem? Ainda, tenho muita coisa para fazer... –
–Se você diz... – Ela suspirou e também se levantou. Olhando a sua volta logo encontrou o que inicialmente veio buscar, e sem qualquer sinal de emoção, pegou a pequena mochila rosa junto a um casaquinho branco –Brad e eu pensamos em levar Danilo e Leslie ao cinema, e depois ir ao McDonald’s. Será que tenho sua permissão? –
Sam assentiu: –Claro que sim! As crianças irão adorar. Mas, Brad não está trabalhando? –
Melanie balançou a cabeça –A empresa está indo bem. Phill lhe deu o resto da semana de folga. –
–Hum... –
–Não chegaremos tarde, não se preocupe –
–Sei que não. Apenas lembre-se que amanhã ela tem que acordar cedo para ir à creche, por isso não deixe que ela consuma muito açúcar, ou então será um custo fazê-la dormir, e um custo ainda maior fazê-la acordar.
–Sim -
Sam se sentou e abriu a tela de seu notebook. Se cansando de fingir indiferença se virou para a irmã que ainda seguia de pé observando-a: –Algo de errado? –
Melanie sacudiu a cabeça: –Espero que não... Te vejo mais tarde Sam.
Revirou os olhos e voltou sua atenção para o computador –Até mais tarde. –
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Balançou a taça observando o líquido escuro. Com um único gole, terminou com a bebida sem vacilar nem uma única vez. A queimação passou por sua língua logo chegando à garganta. Então agarrando a garrafa rapidamente voltou a se servir.
Para as próximas semanas, desesperadamente, precisava arranjar algo que mantivesse sua cabeça ocupada para que não caísse na tentação de chamá-la.
Noite após noite, se tratava de não pensar, no entanto, seu cérebro era demasiado rápido. Bastava apenas um pouco de liberdade para que “certas” imagens começassem a dar voltas em sua cabeça, enlouquecendo-o.
Bebeu outra dose sem hesitar. A essas alturas a bebida lhe descia como se fosse água.
Ainda sentia culpa pelo que havia acontecido. Os dias se passavam e seu remorso aumentava cada vez mais. Algo dentro dele lhe mandava ficar longe de Sam a todo custo. Vê-la, significaria falar com ela, expor seus sentimentos outra vez. E ele não queria, não podia. Isso revelaria o quão vulnerável a ela, continuava sendo. Deus, quanto mais ainda teria que sofrer?
Essa era a única mulher que poderia facilmente quebrá-lo, como uma fina peça de cristal. E ela já tinha feito isso uma vez.
Por isso, voltou a formar a mesma barreira -que havia usado todos esses anos- ao redor de seu coração. Pelo menos assim, se certificava de se proteger da dor.
–Sinto muito Sam, mas é o melhor... –
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Na manhã seguinte...
–Posso ir ao orfanato? – pediu Leslie com determinação entrando na cozinha balançando seu vestidinho azul.
–Ao orfanato? – Repetiu Sam surpresa.
–Sim. Por favor mamãe, eu posso? –
–Se quer tanto, então sim. – Sam tomou um gole de caldo. Graças a Deus, algo que seu estômago aceitava –Mas com uma condição... – A menina ouviu atentamente –Irá apenas nos intervalos da creche, está bem? –
–Sim -
–Quer uma carona? –
–Não! – A menina respondeu rapidamente. Observando a curiosa expressão no rosto da mãe logo tratou de se explicar –Tia Mel vai me levar. Você precisa ficar aqui mamãe. Você tem que descansar, pra ficar boa logo – Leslie a abraçou preocupada. Havia se assustado muito depois que a ouviu vomitar outra vez esta manhã. Ontem a noite havia sonhado com ela. Foi um pesadelo horrível, no sonho viu sua mãe terrivelmente doente e sofrendo muito.
–Mas já estou bem, meu amor -
–Não, não está! – interveio Melanie, assustando as outras duas. A jovem entrara silenciosamente sem a necessidade de bater, e agora estava recostada na porta da frente seriamente com os braços cruzados. E como era de se esperar mostrava claramente sinais de preocupação diante da repentina mudança no estado de saúde de sua irmã.
–Já estou bem – A jovem reafirmou revirando os olhos – Precisava apenas de uma boa noite de sono – Esta tarde, já havia decidido, iria comunicar a nova notícia a todos. Só esperava que sua paciência continuasse lhe acompanhando até o certo momento.
Logo depois, viria à parte mais difícil; Contar a Freddie. Apesar de ainda ter dúvidas se faria isso ou não. Sabia que assim que desse a notícia sobre a gravidez, a verdadeira origem de Leslie inevitavelmente viria à tona...
–Vou te esperar na portaria, princesinha – Melanie pegou seu casaco e se virou para a irmã: –Te vejo mais tarde Sammy, e não pense que engoli essa desculpa... –
A citada fez um sinal de adeus com uma das mãos e se virou para a filha: –Venha aqui princesinha – Chamou, arrumando o pequeno gorro de lã em sua cabeça e ajeitando seu cabelo castanho –Estive pensando... – disse lentamente –Bem.. Less, você não gostaria de voltar a viver no Canadá? –
–No Canadá? – Repetiu a menina espantada.
Sam assentiu. Por tantos anos estiveram morando no exterior, que agora o Canadá, acabou por se tornar a sua segunda casa, e o único refúgio seguro que conhecia. Naquele lugar havia aprendido o que era responsabilidade e como era sobreviver por conta própria. Havia sido seu refúgio uma vez, e sabia que seria novamente, se assim fosse necessário.
–Mas mami... Aqui estão à tia Mel e o tio Brad – Murmurou Leslie –E a tia Carly, tia Thaís, tia Erika, o Danilo, a Lise, o Noah... Meu amigo Freddie... Eu sentiria muita falta de todos eles. Quase nunca eu iria vê-los. O Canadá fica muito longe! –
–Sim, eu sei. Mas é só uma ideia... – Tentou sorrir –Agora é melhor que você vá, sua tia está esperando – Se despediu lhe dando um pequeno beijo na testa –Eu te amo –
–Eu também amo você mamãe! – Lhe abraçou –Direi ao Senhor Freddie que você mandou um oi, tá bom? –
Sam assentiu em silêncio seguindo a menina com o olhar até que a criança desapareceu pela porta. Quando teve a certeza de que estava sozinha novamente, acariciou seu ventre. Sorrindo enquanto cantarolava algo, cumprindo com a mesma rotina que costumava seguir quando estava grávida de Leslie. Com esse gesto, transmitia a esse pequeno ser o tanto que o amava e o queria. E apesar das estranhas circunstâncias na qual foi concebido, o que mais queria era que ele se sentisse muito amado e protegido.
–Hey, saiba que a mamãe te ama muito, bebê... – Sorriu enquanto deslizava sua mão pela imperceptível curva em sua barriga.
Instantaneamente começou a pensar seriamente em outra situação. Se Freddie não quiser saber dela nem da gravidez, voltaria definitivamente para Vancouver (Canadá), ou talvez iria para a França. Sim... Paris era um belo lugar para se crescer. Seus filhos seriam felizes lá... Logo se esqueceria de Freddie e começaria uma vida nova ao lado das crianças. Viveriam juntos os três, como se nunca tivessem voltado. E seriam muito felizes.
–Talvez tenha sido realmente um grande erro ter voltado... – Pensou tristemente. Logo sorriu voltando a abraçar seu ventre –Não, você não é um erro filhinho. Faria o mesmo novamente apenas para chegar a tal ponto e ter você... –
A melodia voltou a tomar forma em sua voz. Tranquilamente relaxava ao som da suave canção de ninar, que flutuava pelo ar.
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Naquela tarde:
–Já faz um tempo desde a última vez que tivemos uma reunião em família... – Comentou Pamella Puckett, observando suas filhas, o genro e Ramon, seu atual namorado. ( Pam )
(N/a: Acabei me dando conta que não havia introduzido a mãe da Sam e da Mel na fic, até o momento... :/ Ops, erro meu! Mas, como é muito tarde para voltar e concertar os capítulos anteriores –o que daria muita dor de cabeça e trabalho- Vamos apenas fingir que foi um errinho razoável? Enfim, sendo assim peço mesmo desculpas :| )
–Bem, da última vez você quase colocou fogo no gato, tentando assar biscoitos de chocolate – Ironizou Sam, provocando risos nos presentes, exceto na mãe.
–Como eu iria saber que o gato estava dormindo dentro do forno? E não é como se você também fosse uma verdadeira cheff de cozinha! – Adicionou Pam ofendida.
–Não sou – Sam soltou uma risada sarcástica. –Mas também nunca troquei o sal pelo açúcar no feijão!
–Aquilo não foi um erro! Quis ver como seria o gosto... – Argumentou Pam, surpreendendo a todos –Eu gostei... –
–Arrrg! Ainda me lembro do gosto... – Acrecentou Sam, fazendo uma careta.
Ramon soltou uma risadinha abafada.
–Parem! – Melanie interveio. Observando a todos os presentes. Não viemos aqui a fim de discutir os erros cometidos pela mamãe.
–Bem, pois foi Sam quem nos reuniu. Falaremos sobre os dela então... – Adicionou Pam.
Todo mundo se virou para Sam. Esta levantou as mãos na defensiva. –Não é sobre erro algum o que eu tenho para falar.
–Então? – Brad colocou as mãos ao redor de Melanie.
Sam juntou as mãos sobre seu colo endireitando as costas em posição reta contra o sofá. Seus olhos percorreram um vaso de flores com falso interesse. Soltando um leve suspiro por fim encarou sua família. –Eu pedi a todos que viessem aqui hoje, porque tenho um anuncio importante a dar. – Fez uma breve pausa e acariciou sua barriga: –Bem, eu... Eu estou grávida... –
Houve um silêncio instantâneo. Ramon foi o primeiro a quebrar a tensão com uma sonora risada.
–O quê? – Melanie perguntou, piscando como se não tivesse ouvido direito.
–Estou grávida.
Brad se levantou do sofá e a envolveu em um caloroso abraço. Foi o único que conseguiu raciocinar rápido o suficiente e fazer alguma coisa –Parabéns Sam! –
Esta sorriu aliviada. Ao menos alguém em sua família estava ao seu lado.
–Então... Esse era o real motivo dos enjoos e desmaios? Foi por isso que estava tão doente... – Divagou Melanie –Mas como aconteceu...? –
–Minha filha se não sabe como... –
–Mãe! – exclamou Sam embaraçada.
–Quem é o sortudo? Nunca me disse que estava de namorado novo – afirmou Pam, pegando Sam de surpresa.
Melanie a olhou: –Espera, isso quer dizer que Freddie e você se reconciliaram?–
–Freddie? – Perguntou Brad incrédulo: –Ele é o pai? –
–Sim – Sam acariciou suavemente seu ventre. E no segundo seguinte ela se encontrou presa nos braços de Melanie, e em seguida nos de sua mãe.
–Que lindo, Sammy! Que lindo...! –
–Um novo bebê na família Puckett! Isso é perfeito! – Pam riu apertando-a no abraço.
–Então mamãe, como se sente sabendo que será vovó novamente? – Brincou Melanie
A mencionada irradiava felicidade –Uma velha! – Respondeu causando risos a todos –Mas não importa... Já que meus netos são as crianças mais lindas que existem –
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Logo após o tumulto inicial, as coisas voltaram ao seu curso normal. Ninguém deixou que Sam fizesse absolutamente nada. Ficando ali, sentada naquele sofá cada vez mais coberta por almofadas, quase se arrependendo de ter dado a notícia. Todos estavam agindo como se ela estivesse doente, ou pior, como se fosse uma menininha que a qual todos tinham que proteger... (Mas protege-la do quê?).
Brad se ajoelhou a sua frente colocando as mãos sobre seus ombros carinhosamente: –Não tinha me dito que tinha se reconciliado com Freddie, Sam... – sorriu –Isso é perfeito para Leslie e o bebê. –
–Ele ainda não sabe... – Sam se guardou de comentar sobre como as coisas estavam realmente entre eles. E ao mesmo tempo evitava pensar em Louise e em seu próprio bebê. Isso a fazia se sentir muito culpada.
O jovem se tornou pensativo durante alguns segundos e reiterou a questão na qual se questionava: –É curioso que Freddie e você... Bem... Tenham estado... -
–HEY! – Sam o golpeou no braço, furiosamente constrangida.
Ele riu –Quis apenas dizer no sentido que faz pouco tempo desde que voltaram a se ver, e já conseguiram se entender... –
Preferiu se manter em silêncio. Não queria falar sobre Freddie, e muito menos sobre os acontecimentos dos últimos meses. É claro que esclareceria tudo e contaria a todos o que realmente tinha acontecido entre os dois, entretanto não seria hoje.
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Freddie acenou com uma das mãos indicando o fim da aula. As crianças se aproximaram dele e educadamente se despediram. Continuou observando até que o grupo desaparecera por trás de um dos corredores que dava para o pátio principal. Era hora do lanche.
Inclinou-se para pegar suas coisas e guarda-las na mochila, quando notou pequenos passos se aproximando por detrás de si. Seu coração foi parar na garganta enquanto que rezava para que não fosse Sam. Virou-se e sua aparente preocupação imediatamente desapareceu, sendo substituída por um leve sorriso de alívio.
–Leslie! – Exclamou: –É bom te ver por aqui –
A pequena levantou a cabeça, porém não sorriu: –Oi Freddie –
Ela usava um vestidinho azul. E ele notou que era a primeira vez que ela parecia tão normal quanto qualquer outra garotinha de sua idade indo ao jardim de infância.
–Faz bastante tempo que não te vejo por aqui – disse ele.
–Mamãe não estava se sentindo “muito bem” – Respondeu no mesmo tom inerte.
Freddie notou que estava muito séria. Talvez fosse só impressão, entretanto nunca a tinha visto tão fechada e quieta. E aquilo o preocupava.
–Sua mãe? — Não terminou a pergunta, deixando claro que apenas a fez por cortesia.
Entretanto a menina pareceu toma-lo em outro ponto de vista...
–Deixe minha mamãe em paz! –
Freddie arregalou os olhos: –Quê?
–Deixe minha mamãe em paz. – Reiterou gentil, porém firmemente: –Por favor, não se aproxime mais dela... –
–Less... -
–Deixe minha mamãe em paz! – Gritou por fim apertando os punhos, enquanto sua voz falhava estando a ponto de chorar –Mamãe está doente por sua causa! Desde que... – não continuou, as lágrimas a impediram –Não chegue mais perto dela! – Reafirmou, balançando a cabeça negativamente.
–Less, eu... – Deu um passo em sua direção e só conseguiu que a pequena retrocedesse. Foi uma sensação horrível, ele agora via claramente o medo e a rejeição brilhando profundamente em seus olhos.
–Eu pensei que você fosse meu amigo... – As lágrimas escorriam sem trégua –Mas você... você só queria levar minha mamãe... Afastar ela do meu papai e de mim... –
Freddie a alcançou por fim. Abriu a boca, mas não sabia o que dizer. As palavras ficaram presas em sua garganta: –Eu não... –
Leslie se afastou dele. Lutando para conter o rio de lágrimas que se formava em seus olhos –Minha mamãe vai ficar com meu papai – Murmurou baixinho, usando a mesma frase que já havia repetido uma centena de vezes. Levantou a cabeça e a observou. Então nem sequer teve vontade de piscar quando ela soltou o resto –E você não é meu papai... -
Aquilo o golpeou. Confuso, passou as mãos pelos cabelos, inquieto –Less...
–Você não é meu papai... -
–Leslie me escute... –
–Não! – Ela gritou com todas suas forças em meio a soluços – Você mentiu pra mim... Disse que me ajudaria a encontrar meu papai, mas você só queria levar minha mamãe pra longe dele. –
–Leslie... –Freddie balançou a cabeça procurando encontrar palavras que conseguissem explicar toda aquela situação para a criança, mas não as achou.
–Fique longe da minha mamãe, vai embora com sua namorada! Deixe a gente em paz! –
Por vários segundos, ele permaneceu imóvel. Observando a menina como se ainda não entendesse o que estava acontecendo.
–Por favor, Freddie... – ela pediu suavemente, juntando suas mãozinhas em forma de súplica, lágrimas ainda rolando por seu rosto –Por favor, deixe minha mamãe, por favor... -
Freddie se sentiu ainda mais culpado. Até onde havia chegado com seu estúpido plano?
Leslie enxugou o rosto e baixou a cabeça soluçando tristemente.
–Sinto muito... – Ele sussurrou de onde estava. Não se atrevendo a se aproximar dela por medo de ser rejeitado –Gosto muito da sua mãe, Leslie – Mordeu o lábio inseguro, incapaz de continuar.
A pequena levantou a cabeça, porém não disse nada. Fixou seus olhinhos tristes em Freddie e com pesar, se virou e começou a caminhar sem dizer mais nenhuma outra palavra. Freddie a observou tristemente. Elizabetty a esperava no fim do corredor, e tão de repente como havia chegado ela também se foi. Leslie se foi.
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Sam tapou o receptor ouvindo o grito do outro lado. Logo deu uma gargalhada.
–Um bebê! Isso é maravilhoso! – A voz de Carly soava animada e muito feliz –Te disse que todas aquelas questões se resolveriam, ainda assim não esperava que fosse ser tão rápido. Muito menos dessa forma... –
O rubor cobriu o rosto de Sam e por um momento estava feliz que Carly não estava ali para vê-la.
–O que Freddie disse? Deve estar muito animado... – A voz voltou a soar alegre.
–Ele ainda não sabe. Não contei... –
–Por quê? -
–Não consegui contar e... Não sei se deveria... -
–Sam, não... Você não pode estar falando sério! Por acaso quer que aconteça o mesmo que com Leslie? –
–Não, mas é claro que não Carly! Mas... E o que acontece com Louise e seu próprio bebê? E sobre o seu... seu novo estilo de vida? – Sam continuou lentamente –Freddie poderia me odiar por... –
–Ele te odiará se optar por esconder! Por Deus, Sam, pare de agir como uma adolescente inexperiente e assustada, e assuma as consequências pelas escolhas que faz. Não fuja! – A voz firme de Carly a pegou de surpresa. A jovem loira ficou em silêncio e baixou a cabeça, como se sua amiga estivesse lhe dando um sermão pessoalmente –Ele ficará muito feliz com a notícia, acredite em mim. E talvez isso sirva para que de uma vez por todas resolvam logo essa situação. – Fez uma pausa durante alguns segundos antes de perguntar calmamente: –Sam, você o ama? –
A pergunta de Carly fez com que sua mente retomasse todos os dias angustiantes que passara pensando nele –Queria poder dizer que não, que o odeio com todas as forças e que sequer gostaria de voltar a vê-lo, mas aparentemente quanto mais quero odiá-lo mais sinto que nunca amarei ninguém como eu o amo... – sussurrou.
–E ele também ama você, amiga. É justo, sei que às vezes Freddie deixa que sua natureza impulsiva o leve a fazer coisas que não precisaria fazer, mas... – Carly suspirou –Sam... Tenho certeza de que essa criança apenas trará a felicidade para todos. –
Sam apertou os olhos confusa. Às vezes Carly dizia coisas estranhas que resultavam em ser muito sábias para seu próprio tempo. Ela sempre foi seu ponto de equilíbrio, ter ficado todos esses anos longe de sua amiga foi uma das coisas mais difíceis que teve que enfrentar.
–Já disse a Leslie? – A jovem retornou com outra pergunta.
–Ainda não. Pensei em contar primeiro ao Freddie...
–Essa é uma ótima notícia Sammy! – Voltou a gritar alegremente –Mal posso esperar, temos que começar a pensar no enxoval do bebê! –
Sam soltou uma gargalhada: –Vai com calma, Carls. Nem ao menos descobri o sexo do bebê... –
–Pois eu já tenho um palpite. Freddie vai ser mais do que feliz com a notícia! –
Sam abriu apenas um pequeno sorriso –Espero que assim seja –
–Assim será. Mas, por favor, se cuide está bem? Lembre-se do que o médico disse... –
–Sim, eu sei. – assentiu simplesmente.
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Sem se importar varreu a mão através das prateleiras e jogou tudo no chão. Enfeites de porcelana, porta-retratos, livros; Tudo agora se encontrava no chão.
Dando meia volta, caminhou em direção a seu quarto. Agarrando o controle remoto, o jogou para o outro lado da cama acertando a parede. Lágrimas quentes escorriam por seu rosto. Lágrimas de raiva e impotência.
O plano tinha sido divertido no começo, quando fez Sam acreditar que ele havia superado toda a dor que ela havia lhe causado. A diversão se tornou ainda mais deliciosa ligada ao prazer, quando ela se rendia ao seu excelente desempenho, caindo cegamente em seu jogo. E então, tudo foi por água abaixo quando naquela noite ela se entregou a ele, perdera totalmente o controle da razão, aquilo foi muito além do que havia planejado...
Deixou-se cair no chão apoiando suas costas contra a cama. Sentia-se terrivelmente mal. Claramente consciente do que havia acontecido e da bagunça na qual se encontrava. Enterrou a cabeça em seus braços, tentando pensar no que deveria fazer.
Sentindo-se um pouco mais calmo, sabia que aceitaria o pedido de Leslie e acabaria definitivamente sua relação com Sam. A deixaria livre. Seus próprios sentimentos não eram importantes. Dizia a si mesmo. Apesar das numerosas lágrimas amargas ainda escorrerem por seu rosto, sabia que não lhe restava outra opção. A menina queria que seus pais ficassem juntos e ele não iria ser o obstáculo que impediria isso. Não era tão egoísta a ponto de sacrificar a felicidade de uma criança inocente. (n/a: Irônico, não?).
E se Louise realmente estivesse grávida, não iria querer que seu próprio filho sofresse os mesmos traumas de Leslie ao ver seus pais separados.
A decisão estava tomada, e ele apenas esperava que ao longo dos anos, ele pudesse olhar nos olhos de Sam sem sentir que toda sua vida estava acabada.
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Leslie facilmente adormeceu, exausta.
Naquela tarde, quando retornou do orfanato, não era a mesma menina de sempre. Normalmente sempre parecia muito feliz, tentando contar em um minuto tudo o que havia feito e o quanto tinha brincado com as outras crianças. Mas, foi diferente dessa vez... Quando Erika a trouxe de volta para casa, Leslie aparentava estar triste e também quase não falava.
Sam tentou descobrir o que havia acontecido, mas a criança apenas respondeu que havia brincado bastante e que não havia ocorrido nada de diferente. Porém, quando Sam tentou interrogá-la sobre seu encontro com Freddie, ela lhe deu uma resposta nervosa e insegura. Disse que não tinham se falado muito, porque ele estava muito ocupado com as aulas. Sam não acreditou em sua resposta, tinha certeza de que estava acontecendo alguma coisa, no entanto não quis insistir, preferindo deixar por assim mesmo.
Agora se encontrava dormindo profundamente com a cabeça apoiada em seu colo. A agitação do dia realmente conseguiu derrubá-la. Sorriu observando sua filha em seu sono tranquilo e sereno. Levantou-se com cuidado e gentilmente a carregou até o quarto.
Leslie se encolheu debaixo das cobertas, e apertando amorosamente seu ursinho seguiu dormindo rendida pelo cansaço.
Sam sorriu e saiu do quarto, voltando a se aconchegar no mesmo sofá no qual estava anteriormente. Inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos, rezando para que o amanhã fosse melhor que seu instável presente. E desejando ter o bastante de fé e confiança em si mesma para não voltar atrás na decisão que havia tomado.
Amanhã... Amanhã, esclarecia as coisas com Freddie, contaria sobre a gravidez e também sobre Leslie.
Moveu as almofadas, procurando uma melhor posição para não acabar tendo dores na coluna, e assim confortavelmente poder acariciar seu ventre. O médico havia falado que deveria se cuidar e isso também incluía as fortes emoções. Ultimamente andava muito nervosa, a tensão e os problemas com Freddie estavam tornando-a cada vez mais vulnerável. As náuseas seguiam sem darem trégua e as tonturas toda manhã a faziam sentir como se vivesse no meio de um profundo oceano. Decidiu que era melhor que fosse dormir. Levantou-se com um pouco de dificuldade e caminhou até seu quarto. Estava tonta e deduziu que a causa era o nervosismo pelo dia difícil que viria com o amanhã. Nada que aproximadamente nove horas de sono não poderiam resolver...
Mais relaxada se afundou sob as cobertas. Suas pálpebras se fecharam quase que imediatamente, só então percebeu o quanto realmente estava cansada.
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–Mami, mami acorda! -
Sam abriu os olhos e imediatamente depois voltou a fechá-los. Sentia-se fraca, como se tivesse acabado de se deitar.
–Mamãe? -
Voltou a abrir os olhos com evidente esforço, concentrando sua visão no rostinho de sua filha, logo abriu um pequeno sorriso: –Hey princesinha, bom dia –
–Bom dia! –
–O que faz acordada tão cedo, princesinha? –
–Não mamãe, já faz um tempão que o despertador tocou! – Leslie respondeu, rindo –Você não ouviu? –
Sam piscou várias vezes sem entender, massageando os olhos se virou buscando um pequeno despertador que se encontrava em cima de seu criado mudo –O quê? Já são quase onze horas da manhã! – Estou realmente cansada... –Perdi completamente a hora hoje – Jogou para frente às cobertas e começou a se levantar rapidamente. Assim que colocou um dos pés no chão, tudo ao seu redor pareceu estar em movimento. Permaneceu sentada na beirada da cama durante vários segundos antes de se colocar de pé.
As tonturas batiam um novo recorde esta manhã. Nunca havia se sentido assim, essa fraqueza em seu corpo era terrível.
–A tia Mel já está vindo me buscar... – Leslie observava sua mãe enquanto terminava de tomar seu achocolatado.
–Eu sei – Colocou um prato com algumas torradas em cima da mesa. Tinha pedido a Melanie para que ficasse com Leslie hoje, assim poderia se ocupar mais tranquilamente da conversa que teria com Freddie. –Já pegou todas suas coisas? –
–Uhum! -
Sam suspirou outra vez. Realmente se sentia fraca hoje...
–Vamos Mamãe, a tia Mel já chegou! – O grito da menina a trouxe de volta a terra. Inclinou-se para lhe ajudar a abotoar o casaco e lhe entregar a mochila repleta de brinquedos e jogos. –Se comporte, Less. –
–Sim.
Acenou de onde estava para sua irmã em saudação e beijou amorosamente a filha na bochecha. Se sua conversa com Freddie corresse bem, contaria a novidade ainda esta noite para a filha.
–Se comporte – repetiu.
Leslie sorriu e abriu a porta do apartamento.
–Boa sorte! – Melanie lhe piscou murmurando num sussurro quase inaudível.
Sam balançou a cabeça e acenou com ambas as mãos apontando para a saída.
Já havia se passado do meio-dia e ainda não tinha comido nada. Só a ideia bastava, para que seu estômago começasse a se revirar. No entanto, teria que comer alguma coisa. Enganou seu estômago com um copo de suco e dois biscoitos amanteigados. Normalmente há essa hora já se sentia bem, porém hoje, a sensação de tontura e fraqueza pareciam não querer desaparecer. Lembrou-se das palavras do médico, e decidiu que logo depois de conversar com Freddie, se enfiaria na cama pelo resto da tarde.
Sentada frente ao espelho observou os traços de cansaço e exaustão presentes agora em seus olhos. Sua pele clara parecia extremamente pálida e seus lábios estavam ressecados. Devo estar anêmica. Optou por colocar um pouco de maquiagem, adicionando assim alguma cor em se rosto. E enquanto ajeitava o cabelo chegou a hesitar se deveria realmente ter essa conversa com Freddie, principalmente por estar se sentindo tão fraca. Mas já havia tomado essa decisão. Tinha que ser hoje.
De pé, estudou sua silhueta no espelho preocupada. Colocou-se de perfil se alto examinando com um olhar crítico. A gravidez não era notável.
Como você quer que alguém perceba, se tudo o que come, acaba devolvendo?
Sentou-se na beirada da cama e com um suspiro terminou de calçar o outro pé da sapatilha. E depois de uma última olhada no espelho, respirou fundo, tomando coragem e por fim saiu.
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Os pensamentos em sua cabeça eram tão contraditórios que não faziam outra coisa se não irritá-lo.
A culpa era a pior de todas as vozes. Essa sensação de raiva e frustração bastava para transforma-lo em outra pessoa; Um homem desconfiado, se tornando impossível para ele raciocinar atitudes coerentes. A maior parte do tempo passava na defensiva, com raiva do mundo, agindo como se todos ao seu redor estivessem em guerra com ele.
Massageou bruscamente a cabeça. Apertando os lábios. Alguns suaves passos foram ouvidos parando ao seu lado.
–Freddie? -
Apertou a mandíbula e se virou para vê-la. Era o primeiro encontro real que tinham depois do que havia acontecido. E isso tinha ocorrido há pouco mais de um mês. Sam se mostrava tão radiante como sempre, talvez um pouco mais pálida que o habitual.
–O que faz aqui? – Praticamente latiu. Embora houvesse planejado não vê-la nunca mais, era difícil cumprir esse proposito tendo ela ali, bem à sua frente.
Porém, sem descanso, seu cérebro o lembrava da decisão que havia tomado. Esta era a oportunidade perfeita para cumprir o que havia prometido a si mesmo. Definitivamente cortaria todos os laços que pudessem uni-lo a ela. Também sabia que quanto mais rápido o fizesse, menor dor sentiria.
Sam piscou diante da rigidez em seu tom. Entretanto se manteve calma, sem entender: –Está tudo bem? Faz um tempo desde a últim... –
–Estou bem – a interrompeu. Virou-se outra vez batendo palmas a fim de chamar a atenção das poucas crianças que brincavam mais a frente. Estas se aproximaram obedientes, e calmamente começaram a recolher suas mochilas para logo se despedirem.
Ela observou como as crianças o abraçavam carinhosamente enquanto ele sorria devolvendo o abraço a cada um deles com o mesmo carinho. Teve que lutar contra as lágrimas que se formavam em seus olhos. Com razão Leslie gostava tanto dele, ele adorava crianças, e estas lhe retribuíam nas mesmas condições.
Os pequenos também se despediram de Sam educadamente, antes de saírem rindo e correndo deixando os dois completamente sozinhos.
Freddie virou-se para olha-la: –O que veio fazer aqui? –
Ela torceu as mãos. Parecia nervosa: –Preciso falar com você –
–Que coincidência, eu também –
–E sobre o quê? – Apesar de estar se mostrado bastante calma até o momento, por dentro, tudo em si tremia, com incerteza.
Desviou os olhos de Sam. Seu objetivo era muito claro, apesar das inconvenientes –e contraditórias– vozes em sua cabeça. Tomou ar e soltou a frase que acabaria com tudo –Queria lhe pedir desculpas pelo que aconteceu no coquetel. Foi um grande erro.
–U-um erro...? –
–Um terrível erro – Falou claramente, sem hesitar –Nunca deveria ter acontecido, Sam –
–Mas aconteceu... – Ela murmurou como se não acreditasse no que ele estava dizendo –Aconteceu, e não tem como voltar atrás. Pra você não significou nada?
Ele baixou o olhar e mordeu os lábios, sem saber como responder a isso.
–Bem, e o quê? – Disse logo que voltou a olhá-la. –Nós fizemos amor, tivemos um grande momento. Fim da história.
–Está tentando me dizer que se arrepende...? – perguntou suavemente fechando os olhos como se estivesse muito cansada.
Freddie seguiu a observando. Aquilo não estava funcionando. Estava perdendo a batalha e sabia... Sam estava tomando tudo com muita calma. Calma demais. Ele teria preferido ouvi-la gritar, xingar, assim estaria pisando em terreno familiar. No entanto, deste jeito tão quieto e reservado, não sabia como agir.
–Por Deus, Sam. Pense! Você tem uma filha e eu, uma namorada que pode agora estar grávida – Disse com firmeza, sem se importar que algumas pessoas no orfanato pudessem ouvi-lo –Acha mesmo que está tudo bem? Honestamente acha que isso é tudo? –
–Do que está falando...? – Murmurou solenemente.
–Escute a si mesma! – Gritou sem inibições –Não está tudo bem, entendeu? Não está bem! Nada disso está... – Abaixou a cabeça, não queria chorar. Não na frente dela.
–Freddie... – O cortou. Surda às suas palavras, colocou uma mão em sua bochecha com ternura.
Ele fechou os olhos suspirando pesadamente enquanto os angustiantes segundos dessa carícia se estendiam. Gritando em sua cabeça a voz de Leslie rompia como num eco sucessivo e enlouquecedor, apenas para lembrá-lo do que ele havia prometido a si mesmo e não estava cumprindo. Cego, a tomou pelos ombros e a afastou de si empurrando-a contra uma parede quase sem se dar conta –Ainda acha que sou aquele mesmo idiota de anos atrás? –
–O-o quê? – Falou fracamente ainda sentindo o golpe súbito que recebera no contato com o muro de concreto.
Ele riu. –Por acaso não se cansa de fingir? – Suas frustrações o atingiram, agora o que mais queria era colocar todo seu rancor pra fora –Jura que não sabe do que estou falando... – Gesticulou com ironia, porém ela não disse nada somente o olhou fixo, ainda sem entender –Abra logo o jogo! –Ele a balançou pelos ombros, agora praticamente gritando. –Quem foi seu amante?
Ela permaneceu em silêncio, se sentia tonta.
–Vamos Sam faça as contas... Ou por acaso continua pensando que acredito no fato de que você não me traiu? ...Não sou idiota, Sam! Leslie tem a idade exata do tempo em que nos separamos; A época em que você, terminou comigo; Acaso achou que eu não iria ligar uma coisa a outra...? – Enfatizou sarcasticamente –Admito, realmente você arrumou ótimas desculpas na época, mas acabou, diga logo a verdade! – ...Então, quis se separar para poder fugir com seu amante, não foi? –
A jovem não respondeu, não conseguiria nem se quisesse. Não queria acreditar no que estava acontecendo, no primeiro momento fechara os olhos pensando que aos abrir descobriria que na verdade tudo aquilo não teria passado de um terrível pesadelo. No entanto, o simples pensamento não durou muito, assim que os abriu sentiu como se toda sua força havia sido roubada sob o olhar duro de Freddie, e rapidamente voltou a fechá-los por medo de desmaiar ali mesmo.
O que mais queria era soca-lo, espanca-lo, acerta-lo com qualquer coisa, apenas para fazê-lo se dar conta do quão idiota ele realmente era. Mas, estava muito fraca para tentar qualquer movimento. Deveria mesmo dizer logo toda a verdade pra ele – Meditou com raiva – Queria poder jogar em sua cara que o pai de sua filha era o mesmo idiota que acabara de acusa-la de ter tido um amante, e que era o mesmo idiota que não a merecia. Queria, mas não conseguiria Freddie já não merecia saber.
Sob suas mãos, ele sentiu seu corpo fraquejar. Imediatamente esqueceu toda raiva que havia sentido há poucos minutos atrás, não estava acostumado a vê-la tão vulnerável e frágil. Seus ombros tremiam. Assustou-se ao notar o quão rude havia sido e a soltou rapidamente retrocedendo vários passos, a fim de assegurar de que estava tudo bem.
Sam conservava seus olhos fechados por conta do impacto e tinha a cabeça inclinada de lado, todavia sem se separar da parede. Parecia uma peça de cristal a ponto de se quebrar.
Freddie voltou a se aproximar.
–Sam, está se sentindo bem? – Lhe perguntou sem ocultar o tom de preocupação. O rosto da jovem estava muito pálido. Levantou uma mão, porém não teve coragem de coloca-la em seu ombro. Não havia se dado conta do que estava fazendo, quando mais novos brigavam direto medindo forças um com o outro, porém agora era diferente –Será que tinha a machucado?
Sam permaneceu quieta por vários segundos mais e na realidade parecia não respirar. Nervoso, Freddie passava a mão pelos cabelos.
–Sam? –
Voltou a dizer seu nome suavemente com esperança de que ela abrisse os olhos. E ela fez. Estavam úmidos e muito brilhantes. Voltou a fechá-los inconscientemente antes de se incorporar; quando os abriu, lágrimas rolavam livremente por seu rosto. Fez um esforço evidente para se incorporar.
Sentiu que deveria dizer alguma coisa. Oferecer-lhe um pedido de desculpas por ter sido tão rude e bruto, mas não encontrou as palavras certas que o encorajassem.
Sam parecia entender tudo perfeitamente. Começou a caminhar em direção à saída. Seus passos inseguros indicavam uma possível tontura. Logo perdeu o equilíbrio se apoiando novamente na parede ao seu lado.
–Está tudo bem? – A essas alturas Freddie se encontrava logo atrás dela segurando-a firmemente.
–Me solte... – A voz lhe saiu fraca e quase sem timbre.
Ele retrocedeu um passo. A jovem continuou seu caminho para logo, dali desaparecer.
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–Q-quê...? –
A pergunta feita com descrença estava em sintonia com o rapaz, que com os olhos extremamente abertos, caía sentado em uma poltrona com as mãos tremendo.
–Sabe Freddie? – Quase está me fazendo acreditar nessa sua atuação. Sempre pensei que você teria um belo futuro como ator dramático, e isso praticamente confirma que eu estava certa... – Carly riu e então começou a andar pela casa: –Então, aonde está a Sam? –
Ele seguia com os olhos abertos, rígido como uma estátua.
–Sam não está aqui, não é? – Suspirou –Aquela teimosa continua desobedecendo as ordens do médico e... Freddie? – Era evidente que este não estava prestando atenção –Freddie? –
Lentamente ele voltou a olhar para ela –Pode repetir, por favor? – Esperou que sua amiga estourasse em gargalhadas lhe dizendo que aquilo era só uma piada e que ele era muito idiota por ter acreditado. –Carly... –
–Você não sabia? – Franziu a testa –Pensei que a essas alturas ela já teria lhe contado –
O jovem deixou que o significado daquelas palavras assumisse por completo sua mente. E lentamente voltou a terra –Então é verdade... –
Carly o observava preocupada –Uma gravidez de cinco semanas, Freddie. Sam disse que hoje iria lhe contar... –
Ele permaneceu estático, abalado: –Deus... –
–Por isso pensei que você... –
Uma sensação terrível tomava conta de seu estômago –Meu Deus... –
– ...Ela não estava se sentindo bem, sabe? O doutor lhe ordenou fazer repouso absoluto diante de seu estado frágil, qualquer golpe poderia... –
–Deus, por favor, não... – Freddie sentiu o pânico quase engoli-lo. Imediatamente ficou de pé com a jaqueta em uma das mãos buscando rapidamente as chaves do carro. Uma expressão de alarme atravessava seus olhos castanhos.
–Freddie? – Carly o viu sair confusa.
Virou-se já com a mão na maçaneta da porta. Suas mãos estavam tremendo. Não disse nenhuma palavra, não precisou, o olhar horrorizado em seus olhos falava por si mesmo. Quando Carly o viu partir estava tão pálido quanto um pedaço de papel.
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Melanie abriu a porta a toda velocidade, e considerando a forma como suas mãos tremiam, quase foi um milagre ter conseguido abri-la. Colocou as chaves no bolso e entrou. O apartamento estava escuro.
As palavras de Sam seguiam dando voltas em sua cabeça, apesar de que havia lhe pedido com a voz muito suave e tranquila –Não me sinto muito bem. Passarei o resto da tarde na cama... Poderia ficar com a Less só por hoje, pra mim? – Ela não tinha lhe pedido para que fosse vê-la, ou que se preocupasse por ela, mas Melanie havia sentido que algo não estava bem, não conseguiria explicar ao certo o que aquilo significava, mas só se acalmaria depois de se certificar de que tudo estava realmente bem com sua irmã.
Com uma mão buscou o interruptor de luz na parede, para logo apertá-lo.
–Sam? – A chamou andando pelo corredor sem esconder o tom de preocupação em sua voz.
Não ouve resposta. Abriu a porta do quarto de sua irmã e encontrou a cama vazia e desarrumada.
–Sammy? –
Escutou o som da torneira vindo de dentro do banheiro –Sam? –
Se aproximou. Por trás da porta de madeira, fracos soluços se misturavam com o som da água que caía.
Assustada empurrou a porta entrando tão rápido quanto suas pernas permitiam. Sua irmã estava sentada dentro da banheira. A água quente caía sobre ela e o pijama que usava se encontrava completamente molhado e preso ao seu corpo. Abraçava suas pernas e debaixo delas, Melanie viu horrorizada como um grosso fio vermelho se perdia entre o rio aquoso que corria entre seus pés.
Sam levantou a cabeça e a olhou. Era impossível não ver o sangue que escorria por debaixo de suas pernas.
–Oh, Deus... – Sussurrou Melanie, cobrindo a boca com uma mão.
Sam deixou escapar um soluço. Parecia tão pequena ainda abraçada a suas pernas, seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e seu cabelo molhado pingava em suas costas. Não afastou os olhos de sua irmã em momento algum, talvez porque percebia que naquele momento, a vida que tinha já não seria tão importante se não conseguisse salvar a de sua única irmã.
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Continua...
Notas finais
ESPERO QUE TENHAM GOSTADO... Me deixem saber a opnião de vocês, okay? ^_^
Até a próxima!
Beijos e abraços.
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