Caminhos.
2 Capítulo 2: Radioactive
Notas iniciais
“É melhor estar na correria, do que não ter pra onde correr”
...
Já havia completado uma semana desde o ocorrido em Suna. A verdade é que pouco menos de metade da população sobreviveu. O ataque veio surpresa e em massa, não houve defesa e nem escapatória, a cidade foi completamente destruída, sobrando apenas destroços, um estado lastimável. Em uma reunião entre a atual aliança Kage foi decidido que não seria indicado a reconstrução imediata da cidade, infelizmente não foi descoberto os responsáveis pelo ocorrido, e nem suas intenções, deixando-os receosos. Foi-me dito por Shikamaru que de prontidão Naruto ofereceu refugio aos sobreviventes da Areia. Houve um debate para decidir se a Folha seria a mais indicada para oferecer suporte no momento, levando-os a aceitar a oferta do nosso novo Hokage, aparentemente devido nossa grande quantidade de recursos e expansão territorial. A verdade é que, no momento, temos a melhor proteção entre os cinco territórios.
Boa parte de Konoha recebeu os refugiados de Suna de braços abertos, estes por sua vez, tentavam demonstrar o máximo de gratidão possível, mas era inegável o estado de luto e o ar de tristeza que pairava. Outra pequena parte da cidade evitavam os cidadãos da areia, desgostosos com sua presença, o remorso e o preconceito eram notáveis, haviam sido criados anos atrás, no ataque onde a areia se aliou ao som contra a folha, muitos perderam familiares, amigos e até suas moradias, e é claro, a morte do Sandaime era mantida fresca na memória de todos. Memórias ruins são difíceis de serem apagadas.
Os hotéis e pousadas da vila estavam cheios, pelo que soube boa parte dos ninjas e uma pequena quantidade de moradores ofereceram suas casas para hospedagem dos refugiados. Ainda sim moradia estava se tornando um problema. Foi ordenada a construção de dez pousadas e cinco hotéis novos, enormes, diga-se de passagem.
Não se podia dizer que a situação no hospital estava melhor, a fumaça ocasionada pelo ataque gerou problemas de respiração em grande parte da população lá presente, até mesmo alguns ninjas de Konoha, havia também os casos graves que foram transportados e ainda estavam internados no hospital central da vila, que por sua vez estava praticamente lotado. O excesso de pessoa começara a se tornar incomodo, havia sempre pessoas se esbarrando, falta de vagas para quartos, e médicos com agendas lotadas. Manter a ordem nestas condições estava além do impossível, agradecia aos céus a ajuda de Ino e Tsunade, que por sorte minha antiga sensei havia concordado em permanecer mais algumas semanas para oferecer suporte.
Eu havia acordado mais cedo que o costume hoje, em parte porque meu sono vem sendo afetado por toda essa desordem, outrora, Naruto havia enviado um Anbu me convocar ao escritório do Hokage, e eu não estava em condições de me atrasar para meus deveres no hospital.
Caminhava pelas ruas calmas da cidade, o sol nasceu não havia muito tempo, deveria ser por volta de seis da manhã, talvez o único horário em que a cidade estava verdadeiramente calma. Era possível ver alguns vendedores abrindo suas lojas, e algumas senhoras varrendo a calçada de suas respectivas casas, movimentação quase nula. Cumprimentei algumas pessoas antes de apertar o passo para o escritório, o fato de Naruto ter enviado um agente me deixou curiosa, normalmente ele mesmo teria escapado para ir me convocar.
Demorei alguns minutos para chegar ao prédio, bati na porta da sala do Kage e ouvi um breve “Entre” como resposta. A me ver Naruto puxou um sorriso de orelha-a-orelha, apesar disso suas feições pareciam meio cansadas, devolvi o sorriso observando a sala, o Anbu que me convocou estava ali, um joelho e um punho apoiado ao chão, demonstrando respeito, notei que me olhou como se reprovasse a minha falta de respeito, soltou um “tsc”, na realidade eu não estava acostumada a me curvar perante Naruto, não que eu não o respeitasse, mas imaginar a cena me parecia estranho.
SAKURA-CHAN! – O loiro berrou sem parecer notar o ocorrido, levantando-se da mesa – Já comentei o quanto odeio toda essa papelada? – bufou fazendo cara irritada, acenando para que o Anbu se retirasse da sala.
Naruto, eu estou cansada, o que houve para me chamar aqui tão cedo? – me senti um pouco culpada logo após ter dito isso, ele também estava cansado, era notável.
Na verdade eu gostaria se você poderia hospedar algumas pessoas de Suna por mim – olhou com o olhar pidão, minha cabeça já começava a balançar em negação, ele sabia que eu não era muito boa com hospedes, nunca cozinhava e sempre deixava a casa bagunçada. – Por favor, Sakura-chan! Sua casa nova é grande, tem quartos livres e são só duas pessoas.
Suspirei, sabia que teria de aceitar, só espero que realmente não se incomodem por meus modos em casa.
Posso saber quem são ao menos? – Naruto me olhou de canto de olho, e parecia escorrer uma gota por sua testa.
São apenas Temari e Gaara – tentei não demonstrar a supresa, mas minha casa com toda certeza não era apropriada pra um Kage, por outro lado, até gostava da companhia da loira que usava maria-chiquinhas, a mesma sempre vinha a Konoha como mensageira de seu irmão, era uma presença familiar, tinha um temperamento muito parecido com o meu, certamente não seria problema.
Temari eu entendo, provavelmente o hotel a qual ela sempre se hospedava estava cheio, mas imaginei que o Gaara iria gostar de ficar na sua casa. – O elo mais forte que o Kazekage tinha em Konoha era Naruto, era realmente uma grande amizade, esperava que ele gostasse de passar um tempo com o loiro.
Eu sei, também imaginei, mas acho que ele continuou insistindo que não queria incomodar Hinata e eu, que acharia um hotel com vagas, e mais alguns “blablablás” – O loiro comentou enquanto coçava a cabeça, ele parecia não entender a atitude.
Entendi completamente o ruivo, Naruto e Hinata haviam começado um noivado a pouco tempo, mais especificamente, assim que o loiro se tornou Kage pediu a mão da Hyuuga em frente sua família. Eles haviam se mudado e começado a morar juntos fazia três semanas, era inevitável que não estivessem em uma espécie de lua-de-mel, qualquer hospede em um momento desses se sentiria um completo intruso atrapalhando o amor dos dois.
Suspirei novamente, realmente não tinha saída.
Tudo bem, eles podem vir, mas que não esperem muita coisa – respondi ainda incomoda com a ideia, ter dois conhecidos como hospedes de longo tempo não me parecia muito confortável – avise-os que podem trazer suas coisas quando quiserem.
Já estão avisados – Naruto sorriu novamente de orelha-a-orelha vendo a duvida estampada na minha cara – e também disse que você insistiu muito para que ficassem na sua casa – falou como se tivesse sido uma escolha muito inteligente
Uma veia saltou de minha testa e um leve rubor tomou conta do meu rosto, o que ele teria feito se eu recusasse? Encarei Naruto me segurando para não desferir um soco naquela grande cabeça loira, me controlei forçando uma tosse enquanto a veia em minha testa desaparecia – E quando eles vão então? – falei relaxando minha postura
Talvez agora, não sei. Disse que podiam ir a qualquer hora, já que você passa grande parte do dia no hospital, entreguei minha chave reserva para eles – O sorriso continuava estampado em sua face, moveu os braços colocando as mãos atrás da cabeça.
Caminhei até a mesa, ficando de frente pra ele, encarei-o por alguns segundos, e desferi um soco rápido em sua cabeça – A CHAVE ERA PRA EMERGÊNCIAS, NÃO É PRA SAIR ENTREGANDO COMO SE MINHA CASA FOSSE UM HOTEL ABERTO, MAS QUE DROGA NARUTO! – Gritei em uma raiva temporária, enquanto ouvi-o começar a choramingar e passar a mão no galo que estava se formando.
Desculpa Sakura-chan, mas você não precisa ser tão cruel – Choramingava mais, enquanto minha postura voltava a relaxar – Monstro – O loiro pigarreou baixo em meio a tosses forçadas e eu resolvi fingir que não ouvi, olhei para o relógio em sua mesa me surpreendendo com o horário, iria me atrasar, merda.
Tenho que ir – Sai da sala pela janela, era a saída mais eficaz, antes que Naruto falasse algo ou me pedisse outro favor.
Não estava com cabeça para isso agora, algo me dizia que a convivência não seria das melhores. Que Deus me dê paciência.
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