Notas iniciais
Boa leitura.

Dessa vez foi diferente. Depois de algum tempo(não tenho idéia do quanto) eu me senti consciente novamente,só que de uma forma diferente,quer dizer...Eu estava consciente dos meus pensamentos,dentro da minha cabeça,mas não estava consciente em corpo.Era como se meus membros estivessem tão pesados e doloridos que eu não poderia mexe-los,e não consegui mais abrir os olhos.Eu sentia tudo,sentia quando Severo me dava novamente a poção,quando me alimentava,quando me dava banho,mas o estranho é que ele me dava algo além disso,na época eu não sabia ainda mas mais tarde descobriria que ser espécie de poção do sono,só que em vez de dormir eu ficava num estado vegetativo,sem controle sobre meu corpo,porém sentindo e pensando claramente.

A minha teoria sobre isso é que eles não me queriam acordada,ainda.Talvez estivessem decidindo o que iriam fazer comigo,mas o tédio de dormir de forma consciente,presa no próprio corpo,por vários dias estava me matando,até que Severo parou de dar a poção e eu acordei.

Eu estava caída no chão,mas para minha surpresa o que eu tinha abaixo de mim era grama,e não piso como eu esperava.Levantei minha cabeça tentando ver onde eu estava mas era noite e tudo que eu podia enxergar eram vários vultos,uns 15 ou 20,formando uma meia lua perfeita em torno de uma fogueira enorme.O homem cobra estava logo a minha frente e dizia algo para os vultos,mas estranhamente eu não podia ouvir.Quando de repente ele parou de falar e se virou para mim.Minha visão de repente desembaçou e eu pude ouvir claramente o que ele dizia:

_Parece que nossa convidada finalmente acordou – Disse ele- Vamos levante-se que iniciaremos logo sua inserção.

Eu olhava pra ele meio desnorteada e me dei conta que ainda estava caída na grama.Com muita dificuldade,pois passei meses deitada,comecei a andar até ele,tropeçando nos meus próprios pés que insistiam em me desobedecer.Parei na sua frente,e tentando ao máximo não gemer devido a dor que se espalhava dos meus pés por todo o corpo,endireitei minha coluna e fiquei reta,olhado-o diretamente nos olhos amarelos.

Ele sorriu.

_Agora,para dar continuidade ao ao seu poder,nós precisaremos fazer dois pequenos rituais – Disse ele,me olhando de forma curiosa – Um para controlar melhor seu poder,ou você vai morrer muito dolorosamente logo da primeira vez que tentar usar magia.E o outro,o qual faremos agora,é para te incluir dentre os meus seguidores.

_Mas,você me disse que explicaria tudo o que esta acontecendo...Como eu posso saber se isso é o certo a fazer?Eu não compreendo nada do que tem acontecido nos últimos tempos...Eu... – Parei de falar quando percebi que muitos dos vultos riam-se de mim e do que eu acabara de dizer,até o homem cobra me olhava com um sorriso divertido,como um adulto que observa uma criança,pela qual não tem o menor carinho,se atrapalhar e se machucar com algo do qual não entenda.Ele me olhava exatamente assim,como se olhasse uma criança que não sabe de nada,mas que divertia ele com seus erros,mesmo que estes me machucassem.

_Você vai descobrir tudo isso em breve,mas antes o que vai acontecer aqui é estritamente necessário,e devo dizer que você não tenha escolha,a partir de hoje,ou melhor,a partir do momento em que Severo administrou a magia em você,você passou a pertencer á mim.

_Eu não pertenço a ninguém.E se foi você quem me fez passar por todo aquele inferno em nome de uma causa que eu desconheço,eu quero mais que você... – Eu estava quase gritando com ele,a raiva se espalhava em ondas pelo meu corpo e eu senti pela primeira vez a magia da qual ele falava agindo em mim.A terra começou a tremer e pedras voavam na direção dos vultos e do homem cobra,o qual desviava elas com facilidade.Mas havia um problema,eu sentia a magia aumentar e se expandir junto com a manha raiva,percebi que meus pés não tocavam mais o chão.Eu flutuava um pouco acima do solo,boa parte da terra em volta de mim se soltava do solo,formando crateras enormes,o chão tremia,mas então de repente eu senti minhas forças se esvaírem do nada,e cai no chão.

Olhei á minha volta por um momento,os vultos estavam dispersos e ainda se desviavam de algumas pedras,mas minha força estava acabando e essas caíram no chão com um estrondo,eu senti uma dor horrível,mas não tinha forças para gritar.O homem cobra se aproximou de mim com uma expressão feroz,e me erguendo pelo colarinho das minhas vestes,que eram brancas,me disse:

_Entendeu agora por que você não tem escolha?Entendeu agora por que tem de servir á mim e somente á mim?Você não tem o mínimo controle sobre essa magia,e se você continuar á usá-la assim você vai morrer,da forma mais dolorosa que possa imaginar,você precisa de mim e do meu poder para controlar e suprir essa magia,ou você não dura um dia.Entendeu agora? – Ele então me soltou me jogando com violência no chão,senti meu tornozelo se torcendo e não quebrando por um fio,mas não me importei.Tentei me apoiar no chão mas eu sentia minhas forças diminuírem cada vez mais.A dor era horrível,eu queria gritar,mas estava fraca demais.Era pior do que daquela primeira vez,e eu senti uma ânsia horrível por aquela poção,meu corpo,minha mente,minha alma pediam pela ardência dela descendo pela minha garganta.Alguma coisa me dizia que somente ela poderia me fazer recobrar as forças.

Olhei para ele implorando,eu ia morrer,não agüentava a agonia,era como se eu estivesse com falta de ar,ansiando por oxigênio.Era assim que eu ansiava pela poção.Isso somado a uma dor lancinante.Se com a poção eu queimava,sem ela eu sentia meu corpo se contorcia e rompia em agonia,como se eu estivesse no vácuo,tendo minha pele e meus músculos forçados ao extremo.

O homem cobra fez um sinal para um dos vultos,eles usavam mascaras prateadas mas eu tinha certeza que era Severo.Ele se aproximou de mim e puxou meu rosto para cima com uma das mãos,enquanto com a outra pegava um frasquinho com aquele líquido branco,aparentemente inofensivo,e forçou-me a bebê-lo,pois eu mal tinha forças para manter meus olhos abertos á essa altura.

Então eu senti o fogo,e gritei,o mais alto que pude,me contorcendo em agonia no chão,mas foi apenas por um segundo,e em alguns momentos a dor foi sucumbindo e eu parei de gritar,ofegante.

Todos os vultos se viraram para mim.Tremendo,devido á dor e ao susto eu me levantei do chão e olhei á minha volta.Crateras enormes e pedras gigantes se espalhavam em torno de mim e algumas pedrinhas flutuavam pelo ar até agora.Engoli em seco.

_Espero que depois dessa pequena demonstração de estupidez você tenha compreendido o que eu te disse.Eu poderia usar uma Cruciatus contra você mas acho que você já foi castigada o bastante – O homem cobra disse me olhando com ódio,o que fez com que eu me arrepiasse – Vamos começar logo com isso.

Ele foi então até a fogueira e eu percebi que um pedaço de ferro saia dela.Pegando o ferro com as mãos nuas,e sem demonstrar dor com isso ele se virou novamente para mim.

_ Aproximes-se

A passos lentos e receosos eu o obedeci.

_Ajoelhe-se

Com o coração batendo forte eu fiz o que ele mandou.Em um gesto bruto ele pegou meu braço e expôs meu pulso esquerdo,virou-se então para um dos vultos e com uma voz fria disse:

_Você poderia servir como mediador Lúcio?

_Sim Milord – Disse um dos vultos que saiu da formação em meia lua e se postou ao lado de mim e do homem cobra,o Lord das Trevas,como eu viria a descobrir mais tarde,e apontou então a varinha para o lugar onde meu pulso era segurado.

_ Quod signum your cute gravi animae et mentis. – Começou dizendo ele,enquanto segurava firmementa a varinha apotada para meu pulso,o Lord aproximou o ferro do meu braço e eu percebi que havia um imagem nele,mas antes que eu pudesse perceber qual era ele encostrou o ferro quente na minha pele,forçando por alguns segundos antes de tira-lo,e uma linha amarela saiu da varinha,envolvendo a minha pele onde a marca havia sido feita — Haec monet vos obsequio ad Dominum. –Outra linha,dessa vez azul,saiu e envolveu a marca,enquanto o Lord com uma das mãos colocava o ferro de lado e continuava a segurar firmemente as costas da minha mão com a outra -Donec sit amet fidem et servitium, quod ei. – Mais uma linha surgiu,agora verde,e envolveu meu pulso — Et quod proditum memoriae est aeternumquod signum aeternae vestrae debitum. Et erit.-Uma última linha vermelha saiu,e todas elas formaram uma espécie de corda,que se juntou,e brilhou tão forte que me cegou por um momento,antes de sumir.

_Está feito – Disse o Lord se afastando de mim,enquanto Malfoy fazia o mesmo,voltando para a formação– Agora eu sou seu senhor e você é uma Comensal da Morte,você deve me honrar e obedecer,deve ser leal á mim,pois sua vida agora me pertence,e caso você não seja,as conseqüências serão enormes. Levante-se agora,temos mais um ritual á fazer nessa noite,e esse será mais doloroso ainda.

Com dificuldade eu me levantei.Minha cabeça doía horrivelmente e meu pulso parecia ainda estar em chamas,mesmo que o ferro não me tocasse mais,respirando fundo eu mantive minha postura reta enquanto esperava ele continuar.

_Agora sua magia se tornará real. – Ele disse e com um aceno da varinha fez um caldeirão já borbulhante,aparecer por sobre a fogueira.

Ele andou até o caldeirão e com uma concha pego um pouco do conteúdo e se aproximou de mim.Segurou meu queixo com uma mão,seu toque era frio e me deu arrepios,e com a outra me fez beber do líquido.

O líquido era de um cinza estranho,tinha a consistência de leite condensado e um cheiro muito forte que me lembrava álcool.Desceu amargo pela minha garganta e por um momento eu achei que não iria sentir dor.Mas assim que ele chegou no meu estômago eu caí de joelhos,meus olhos se reviraram nas têmporas e eu comecei a tremer como se estivesse tendo uma convulsão.Não sei se o que eu senti foi dor,pois essa palavra parece insignificante para definir o que eu senti naquele momento.Não há uma forma de descrever isso,tudo o que eu posso dizer é que na hora eu senti como se tivesse,definitivamente,morrido e ido pro inferno.Na verdade eu duvido que o inferno se compare com aquilo,foi simplesmente uma dor além de qualquer compreensão humana,e até hoje me pergunto o que me impediu de enlouquecer,ou melhor,o que me permitiu sobreviver.

O Lord se afastou novamente de mim.Eu estava acabada,não podia me mexer,a dor era muito forte.Eu vi um dos vultos vindo na minha direção enquanto os outros me observavam receosos,eu olhei para baixo por um momento,me perguntando o que estava deixando eles daquela forma.E vi que minhas vestes brancas estavam ensopadas de sangue,passei a mão pelo meu rosto e constatei que o sangue saía do meu nariz e dos meus olhos.Senti então uma ânsia forte e vomitei .Então tudo se tornou vermelho.E eu apaguei.

Notas finais
Esse capitulo foi um pouco tenso ne?Fiquei com muita pena da Katherine,e olha que ela ainda vai passar por muito mais...Reviews por favor,aceito criticas elogios e sugestões.