Caminho das Centelhas
5 Bibidi-Bobidi-Bardo
Às últimas semanas não foram fáceis. Depois que eu e Luise nos recuperamos, Barbatos nos colocou em aulas especiais e particulares para que pudéssemos absorver o máximo de informações sobre a ilha e reino afastado de Zetsuen. A professora Galliardos aceitou de imediato falar sobre os perigos dos monstros de Zetsuen depois do horário para nós, assim como os professores Lisandre, Kaidus e Zigaão. Respectivamente professores de combate teórico, história do mundo, lições de arsenais e processos alquímicos. Parecia legal no começo o fato de que teríamos aulas só pra nós, mas não eram aulas com o mesmo conteúdo letivo, eram aulas focadas em tudo que poderíamos precisar em Zetsuen. Basicamente não ficaríamos a frente dos outros alunos, só aprenderíamos o necessário para a missão. Normalmente a academia não faz isso, mas a partir do momento que começou a envolver mortes de alunos, medidas tiveram que ser tomadas! O grupo do qual iriamos para Zetsuen ainda se manteria em três pessoas da nossa academia e três da academia Eden, o terceiro membro do nosso grupo foi escolhido, ao que parece ele estava fora em missão e voltaria hoje.
-Quantas aulas ainda faltam hoje Sword? Minha mente já tá explodindo de informações, eu quero dormir um pouco – se doía Luise enquanto desmanchava na cadeira com preguiça
-Bom, creio que temos só mais duas a do Barbatos e a...
Interrompendo minha fala, um cheiro horrível invade a sala, olho para trás e vejo um pássaro e junto dele esse cheiro horroroso.
-Como fui esquecer, hoje tem aula da louca Natureza, uaah – digo enquanto bocejo
-A Natureza não, me coloque pra assistir mais meia hora da Lisandre falando, mas a aula da Natureza não
-Boa noite meus aluninhos, queridinhos, do meu coraçãozinho!
-Se ela usar inho novamente minha espada vai escorregar sem querer no pescoço dela – De cara fechada, diz Luise
Natureza Amor, ela não era alguém incapaz de saber algo, pelo contrário, ela sabe tudo quando o assunto é fauna e flora. O problema é que ela é tem uma vibe meio estranha para se dizer o mínimo. Ela ensina bases de fauna e flora, mas ela mesma pediu para mudar o nome da matéria para bichinhos amigáveis e irmãs plantinhas.
-Estamos bem senhora Natureza, respondo fingindo felicidade.
-Aí credo, nada de senhora, me chama só de Natureza mesmo fofinho.
Luise começa a sacar a espada, mas a seguro... não sei se vou conseguir fazer isso no próximo inho.
-Vocês dois parecem cansados, mas hoje a aula vai ser divertidíssima para vocês, vou explicar sobre um amigão que pode ser muito útil para vocês em uma ocasião de vida ou morte.
-Deixa eu adivinhar, é sobre esse gambá de asas?
-Coitado, não fala assim do pobre pássaro Luise. Mas, sim, vamos falar hoje sobre o ‘Volans quisquiliae foetidus’ ou popularmente conhecido em Zetsuen como carnicinha .
-O nome do pássaro é carnicinha, mas eu não posso chamar ele de gambá?
-Vou levar em consideração seu cansaço Luise, sei que não é sua vontade ofender o coitado.
-Claro que não, minha vontade é de dar um banho nele mesmo.
-E se eu te dissesse que o mal cheiro do carnicinha não é por falta de banho?
-Claramente eu não acreditaria.
-Pois bem Luise. O carnicinha também conhecido entre às tribos indígenas mais antigas de Zetsuen esse camaradinha é conhecido como O Purificador! Carnicinhas, normalmente fazem seus ninhos perto de rios, lagos ou qualquer outra fonte de água doce, isso porque seus ovos só eclodem perto da água.
-Ainda não entendi como essa coisa vai nos ajudar.
-Vocês leram a parte do dossiê que fala sobre a situação do interior de Zetsuen não leram?
-Sim, diz que quanto mais perto do local dos acontecimentos, pior as coisas são, desde aparecimentos abruptos de monstros, até infertilidade da terra para produzir alimento.
-Um dos problemas também é à água contaminada. Os corpos dos alunos que morreram lá, eu tive acesso a alguns documentos de autopsia, bom, dá pra dizer que nenhum deles tinham um período regular de ingestão de água, teve até um que teve falência nos rins. Isso porque vocês vão viajar em direção ao epicentro dos acontecimentos e quanto mais perto, menos água. Afinal está tudo contaminado, mas esses camaradinhas aqui – ela faz um pequeno afago no pássaro – São a solução de seus problemas! Carnicinhas não só montam seus ninhos próximo a água doce, assim indicando a localização de uma fonte de água pra vocês, como eles também purificam a água onde ficam. Esses pássaros se alimentam de nam.
-Nam? Pergunto um pouco confuso.
-Ah claro, vocês estão no primeiro ano, ainda não aprenderam sobre o nam... bom, explicando bem basicamente, vocês entendem que existe mana em tudo né? Em todos os lugares, mana é o começo e o fim da vida.
-Isso a gente aprendeu senhora Natureza
-Já disse, sem senhora Sword! Enfim, o nam é o mana, só que quebrado, corrompido e muitas outras formas negativas do mana.
-Então é tipo bem e mal? Sendo mana o bem e o nam o mal
-Não dá pra dizer ainda querida Luise, mas dá pra dizer que é algo desse tipo. Às pesquisas sobre o nam são muito raras, afinal não é só envenenar um rio e o mana desse rio vai virar nam, não dá nem pra saber condições exatas do nam, só que ele é tudo que a mana não é. E existem criaturas que se alimentam desse nam, o carnicinha é uma dessas. Os rios de Zetsuen estão sendo infectados por causa da energia que está se espalhando ao redor da ilha, logo, uma energia feita de nam está quebrando o mana e deixando tudo instável por lá. Essas coisinhas se alimentam desse nam, assim purificando a água, deixando ela livre de nam e por tabela acabando com as impurezas.
-Não é que o fedorento tem utilidade.
-Eles só fedem por causa da energia negativa que eles carregam do nam, em qualquer coisa que exista nam em excesso, o cheiro é desagradável. Essas fofurinhas só fedem por causa de sua natureza, eles precisam disso pra viver, então, a consequência é ser um pouco fedido. Então, vamos estudar um pouco mais sobre esses pássaros, eles podem ser a chave da sua alimentação em Zetsuen. Vamos lá meus queridinhos!
-Ahhhh já chega – Luise saca a espada
-Não Luise, espera, faz isso não!
-Meus deuses, alguém me ajuda aqui, a aluna está fora de si
Apesar da Luise ter perdido a paciência com a professora Natureza. Hoje foi uma aula extremamente boa, nunca pensei que ficaria tão fascinado em aprender sobre a fauna de Zetsuen. Terminado a aula, eu e Luise estávamos nós direcionamos a sala de combate inferior. Uma sala especial que ficava nos pisos mais fundos da academia, tinha tudo que um aventureiro ou cavaleiro precisasse para aprimorar suas habilidades durante o treinamento.
-Sword, posso te fazer uma pergunta?
-Claro
-Por que você acha que nos escolheram? Tipo, ok que temos algumas qualidades, mas olha pra mim... olha pra você. Sem ofensas
Andando pelos corredores com as luzes quase todas já apagadas, e com os alunos em maioria já em seus dormitórios, uma antiga dúvida que eu havia me esquecido voltou através da pergunta da Luise... Por que eu entrei em Thunderbird? Por que me aceitaram?
-Sabe Luise, desde que eu fui aceito em Thunderbird eu me pergunto como entrei. Eu nunca fui um gênio como a maioria aqui, eu não sou poderoso, eu não sou de um clã nobre, eu não tenho uma habilidade inata. Então por que me aceitaram? Eu fiz essa pergunta depois que pegamos o dossiê inicial com a diretora Irons.
-E o que ela te respondeu?
-” Se neste momento é isso que te preocupa, talvez, realmente tenhamos errado”. Eu fiquei pensando nisso que ela disse, e acho que entendi. Não adianta questionar depois que já está feito, afinal, decisões só podem ser consideradas ruins ou boas depois de sua conclusão.
-Então ela disse da maneira dela, que só vai saber se tomou a decisão certa depois do desfecho dessa missão né?
-Exatamente.
-Você é diferente do que os boatos dizem Sword
-Existem boatos sobre mim?
-Não são muito bons, mas sim. O pessoal diz que você é um cara solitário e sem futuro que ficava se apoiando na Ania
-Eles não estão tão errados assim – dou um sorriso meio sem jeito
-Claro que estão. Eu te conheço só a alguns dias, e nesse pouco tempo percebi que você não é solitário. Danny, Ania, Enkiu, a Erina mesmo que da maneira dela, até os professores gostam de você, Lisandre, Galliardos, Barbatos. E sem futuro? De jeito nenhum, aposto que mesmo que a Ania tenha ganhado aquela luta, todo mundo viu o seu potencial, seu valor, sua força! E espera só pra ver a cara deles depois que nós concluirmos essa missão, vão ficar bobinhos e até com inveja.
-Valeu Luise
Sensação boa essa. Acho que ninguém nunca me elogiou tanto. Nem a Ania me elogia, ela só fica dizendo pra lutar e resistir. Obrigado de verdade Luise.
-Aí, quem é aquele cara junto do professor Barbatos?
-Ahn? Será que não é o terceiro membro do nosso grupo?
-Legal, vamos ver se ele é bom.
À medida que nos aproximávamos de Barbatos e a pessoa misteriosa perto dele, podíamos ver mais e mais, mas quando vi uma asa desenhada nas costas do sobretudo dele, que eu me dei conta. A asa esquerda de um pássaro num uniforme da academia Thunderbird, uma pessoa alta, forte e carrega em suas costas um martelo imenso. Esse cara é um membro do pássaro trovão, o esmagador de crânios, a força, a asa esquerda do pássaro trovão, a muralha de thunderbird... Sans Katheos!
-Que bom que chegaram, Luise, Sword... Quero lhes apresentar a Sans Katheos, o terceiro membro da sua equipe.
-Achei que aventureiros poderiam dar problemas políticos a Zetsuen – indaga Luise
-Apesar de Sans já ser um aventureiro de platina, ele ainda é um estudante da academia Thunderbird. Assim como todos os membros do pássaro trovão, ele se tornou aventureiro devido ao seu poder, conquistas e recomendação de algum pilar.
-Pilar? – continua questionando Luise
-Sim – respondo – Pilares são nobres ou aventureiros com nível significativo de influência dentro da comunidade de aventureiros, normalmente eles patrocinam ou recomendam novos aventureiros a grande guilda. Grande guilda essa que é responsável por todas as outras divisões de guildas de aventureiros espalhadas pelo continente.
-Obrigado Sword. Continuando, Sans retornou mais cedo de uma das missões que foi atribuída a ele, como ele é um aluno nosso, podemos ocultar as informações de suas missões e como ele também pediu para participar da missão em Zetsuen, juntamos o útil ao agradável. Como sabem, Sans é um causador de dano, por tanto é perfeito para uma missão em que conjuradores de magia são proibidos. Muito bem, hoje, vocês irão treinar o trabalho em conjunto de vocês contra um monstro que é realmente um problema em Zetsuen.
-Finalmente – comemora Luise
Nos últimos dias, apesar de estarmos treinando constantemente, nunca enfrentamos qualquer criatura que seja de Zetsuen, somente melhoramos nossas habilidades com o professor Barbatos, essa vai ser a primeira vez que vamos enfrentar uma criatura do país isolado.
-A criatura que irão enfrentar, é o Messorem! O local, vamos ver... vai ser seu habitat natural, as cavernas enlameadas de Tanikt.
Após o anúncio do monstro, a sala de treino começa a se transformar nas cavernas de Tanikt, a tecnologia desse salão não só permite replicar locais com a maior precisão possível, mas também todos os aspectos do ambiente! E por ser feita no subsolo, ela consegue expandir para o tamanho que desejar.
-Certo, vamos mostrar pro Barbatos o que podemos fazer. Você, grandão, Sans seu nome, não é? Qual sua especialidade como causador de dano? É um atirador, um assassino, um carregador ou um agressor?
Como se ninguém estivesse ali, Sans permanece em absoluto silencio.
-Você é surdo cara? Me responde logo – Luise diz um pouco mais exaltada
-Ele é um carregador Luise.
-Você o conhece Sword?
-Só a fama e os boatos, tenho um pouco da noção de suas habilidades, creio que o principal meio de dano do time vai ser você que é uma agressora, ele como carregador tem força para causar disengaje em uma luta.
Ele começa a caminhar para dentro dos túneis sem nem ouvir o que temos a dizer.
-Ei, espera aí seu armário burro, a gente tem que ter um plano.
-Ele não vai parar, ele nem conhece a gente. Uma coisa que os mais fortes têm em comum é a capacidade de só reconhecer aqueles que são iguais ou mais fortes que eles. A gente só tem que provar que somos uteis, melhor, provar que ele precisa da gente
-Tá bom, e qual seu plano Sword?
-Messorem é uma criatura carniçal, mas acima de tudo tem hábitos necrófagos, então é só procurar por uma grande concentração de cadáveres e coisas mortas que encontramos o Messorem.
-Certo, e como se luta com um? Na verdade, como é um?
Eu tiro meu holoutilis do bolso e projeto a imagem de um Messorem para a Luise ver como ele é. Enormes dez patas de caranguejo, seu tronco é uma bolha transparente que dá pra ver seu estomago, apesar de ele não ter um, tudo que ele tem no seu interior é uma pequenina bolinha azul que libera ácidos e destrói completamente o que ele digere, seus braços são apenas ossos e nas suas mãos enormes garras que se banham do mesmo ácido que ele tem no estomago, sua cabeça é coberta por um pano preto.
-Que criatura nojenta. Mas e esse pano? A barriga dele é um ponto fraco?
-Apesar da barriga parecer um ponto fraco, é a parte mais resistente de seu corpo, já que o ácido que ele libera dentro do estomago é extremamente forte. Uma dica é que quando ele ataca com as garras usando ácido, dá pra ver o ácido sendo produzido dentro do seu estomago, assim dando uma chance de a gente saber o que ele vai fazer.
-Certo, agora me fala desse pano.
-Os pesquisadores que estudaram o Messorem, dizem que ele faz essa cobertura pelo seu rosto com pele que ele arranca dos cadáveres, ele prende essa pele ao seu crânio com sangue e seiva. Mas tirar isso pode ser só uma forma de irritar mais ainda essa coisa, porque não é algo que vai o enfraquecer, eles usam isso mais pra dar medo a suas presas mesmo.
-Então é uma criatura necrófaga, mas também uma criatura carniçal. Ele prefere presas mortas, mas também caça? Que bicho esquisito. Enfim, qual a principal fraqueza dessa coisa?
-Lâminas parecem não ter efeito algum a menos que estejam imbuídas com um elemento em específico.
-Qual?
-Elétrico.
-Por quê?
-Bom, o ácido que ele produz também é a chave pra matar essa coisa. Esse ácido passa por canais muito estreitos dentro do sistema dessa criatura. Normalmente, animais atingidos por raios tem o sangue contaminado e ele coagula, quando isso acontece com o Messorem, os estreitos canais dentro desse carinha fecham, assim o ácido começa a correr ele de dentro pra fora.
-Por que uma criatura teria algo que mata a si próprio?
-Por que humanos tem câncer?
-Ok, nessa você me pegou.
-Sabendo disso, o plano é o seguinte...
Explico tintim por tintim do que vamos fazer pra derrubar o Messorem, mesmo sem a ajuda direta do Sans, temos que provar nosso valor para essa missão.
-Às vezes nem acredito que temos acesso a uma sala de treinamento tão incrível, tipo, olha só isso. Ainda estamos em Thunderbird, mas realmente parece que estamos em algum jogo de cavernas de Zetsuen – Luise diz contemplando o ambiente ao redor
-Tirando o fato de que estamos sendo caçados ou estamos caçando uma criatura assassina, acho que é uma boa experiencia.
-Não seja tão negativo Sword, vai dar certo
— Assim espero.
Eu e Luise andamos por horas através do tuneis de cavernas e nada de achar o Messorem. Vez ou outra encontrávamos com Sans pelos túneis, ele só nos ignorava e ia embora.
-Sword
-Hã?
-Suas habilidades, o passo do céu, a espada sem forma e o fantasma da espada. São técnicas boas, mas ninguém nem nunca falou sobre elas, sabe, técnicas assim não andam baixas no radar dos alunos da escola. Como você as aprendeu realmente?
-Bom, o passo do céu eu aprendi lendo um livro que a professora Lisandre me emprestou. Deucalião que era um dos mitos, tinha uma técnica parecida que ele chamava de caminhada celestial. Era uma técnica que anulava a gravidade e permitia que ele manipulasse o próprio corpo como bem entendesse através do espaço em que a habilidade atingia. Eu só resumi muito a habilidade dele, eu criei o passo do céu pra ser uma habilidade onde eu elevasse a aura do meu corpo pra manipular somente o meu corpo, é mais fácil controlar meu corpo do que o ambiente ao meu redor. O fantasma da espada é algo que aprendi vendo assassinos treinarem. Andar pelas sombras parecia divertido e também útil, mas eu não conseguiria fazer isso. Normalmente essa técnica é usada para enganar o inimigo ou pra cometer assassinatos mais facilmente, então eu criei algo que não só pode fazer essas duas coisas, como também eu posso usar para ser uma bucha de canhão para mim! Essa técnica é apenas a forma do meu vulto com um pouco de mana concentrada, dá pra dizer que é um clone temporário. Já a espada sem forma, é minha técnica mais forte, eu tenho a ideia de criar essa técnica desde que era pequeno, ter o poder de fazer uma espada que não perdesse pra ninguém. Eu descobri que toda espada está fadada a um dia perder, afinal, cada espada é forjada de uma forma diferente para derrotar espadas diferentes, então a menos que em cada luta eu tivesse uma espada diferente para cada inimigo, essa minha ideia não iria funcionar.
-E foi o que você fez, criou uma técnica que cria uma espada abstrata de puro mana que toma a forma que precisar para golpear o inimigo. É forte, mas perigoso também, afinal você não converteu o mana e aura, usou ele diretamente!
-Eu sei que é arriscado, mas não tinha outro jeito de fazer uma técnica tão forte.
-Você é ambicioso Sword, isso é bom. Aliás, tem uma outra também, você usou no final.
-O Limite da Razão né?
-Isso!
-Essa não era nem para eu usar, eu ainda estava idealizando essa técnica, mas lutar com a Ania não estava nada dentro dos meus planos, então eu só improvisei a técnica, ela não completamente pronta. Mas a ideia dela eu tive enquanto te via lutar, usando o fluxo, eu decidi criar algo parecido. Uma técnica que molda, muda e fortalece outras técnicas, imagine a espada sem forma com o limite da razão? Foi o que fiz naquele dia, mas como nenhuma das duas estavam boas o suficiente, eu só consegui um resultado abaixo da média hehe.
-A minha luta foi antes da sua, fora minutos apenas de distância e você criou uma técnica nesse curto período, cara, tem momentos que você nem parece só um aluno de academia.
-Diz isso porque ainda não viu os alunos do pássaro trovão em ação, esses caras sim dão medo.
-Sente isso?
-Medo? Claro, eles não são o pássaro trovão atoa.
-Não, o cheiro, cheiro de
-Animal morto!
KROKROKROKROKROKROKRO
-Que merda de barulho é esse?
-Messorem, ele tá perto.
Não dava para esperar, como um véu levantando-se do escuro, ergueu-se da nevoa ao redor dos tuneis aquela criatura, dois metros de pura morte avançado em nossa direção, quebrando rochas e obstáculos como se não fossem nada, o espanto com aquilo foi nossa pior reação, pois estávamos paralisados enquanto a criatura se aproximou e armou o golpe. “TROOOMMMM” como um trovão rugindo e lançando a criatura diretamente na parede
—Canção do trovão
Claro, ele, a asa esquerda do pássaro trovão, Sans Katheos.
-Você não me disse que era um elementalista do trovão
-Tentem não me atrapalhar!
-Eu não vou com a cara dele Sword. Aliás, porque você não sabia que ele era um elementalista do trovão?
-Ele não é, o martelo na mão dele. É forjado por anões, com certeza tem runas elementais nele, não só trovão. O que o Sans tá fazendo é só canalizar a energia.
-Entendi. Então, hora do plano?
-Sim, vamos começar!
Levando tudo em consideração, a nossa combinação não é das mais sinérgicas possível, Sans é um carregador enquanto Luise é uma agressora e eu sou um carregador também. Três causadores de dano sendo dois carregadores e um agressor, isso tem tudo pra dar errado, mas tem um jeito de dar certo. Vamos usar o Sans de isca, por ser um carregador ele suporta bastante dano enquanto causa dano, se tudo for pra ele, Luise tem chance de atacar e causar mais dano do que ele, mas caso alguma coisa vire para a Luise, eu também vou estar lá pra receber o dano e proteger nossa agressora.
-Luise, pela esquerda, vou estar a sua frente! Passo do céu.
-Ok. Fluxo!
Correndo a frente da Luise usando o passo do céu deu pra ver que o Messorem me notou. Ótimo! Venham a mim. Como dito, ele veio, as garras expostas e cheias de ácido prontas para atacarem. Usar o fantasma da espada só vai fazê-lo acertar a Luise que tá trás de mim, então vou ter que resistir, mas da minha maneira. Uso o passo do céu para titubear no ar, me coloco numa posição de cima para baixo com os pés e uso o passo do céu como um escudo de aura e energia nas solas dos meus pés. Segurando o golpe com meus pés, abre-se uma abertura para Luise atacar
—Técnica Secreta de cavaleiro, corte vertical, Fluxo!
A técnica alterada pelo fluxo mudou de direção, indo diretamente no pescoço da criatura, não foi suficiente para cortá-lo, mas o afastou.
-A gente manda muito bem juntos – Luise disse levantando o punho
-É, só tenta ser mais rápida pra eu não perder as pernas na próxima – falo batendo no punho dela com um soquinho
-Pode dar certo – uma voz séria diz atrás de nós – Se for da forma que vocês fizeram, pode dar certo.
-Agora quer trabalhar em grupo?
-Calma Luise, esse sempre foi o plano.
-Tsc... me dá nos nervos que você consegue prever até isso.
-Consegue usar aquele ataque de raios novamente Sans?
-Claro.
-Ótimo, então eu vou na frente. Contem até 30 e só depois disso, Sans dispare a mais forte rajada de trovão que puder, Luise, nessa hora eu quero que você mire na barriga dele e coloque o máximo de força que puder naquele golpe.
-Mas a barriga não é o local mais resistente?
-” A brecha na armadura, é sempre no local mais forte”
-Então vamos!
Começo a correr, assim como os instrui, eles só devem vir depois da contagem finalizada... 1, 2, 3. Atraio o primeiro golpe da criatura, 5, 6, está com mais ácido que o comum, como os livros dizem, quando se sente ameaçado essa coisa tende a produzir mais ácido, 9, 10. Continuar me esquivando não é uma opção, até porque essa coisa foi feita pra resistir e no momento que eu sair só um pouquinho do ritmo ela me acerta, 15, 16, mas preciso que ela continue produzindo mais e mais ácido. Essas coisas são consideradas criaturas de grau baixo, 19, 20, mas matam mais que uma de grau intermediário porque são espertas, não mostram seus padrões e surpreendem a presa 22, 23.
—Fantasma da espada!
Várias cópias de mim, isso vai deixá-la apavorada, produzindo a maior quantidade de ácido que ela pode pra matar todos de uma vez! 27, 28. Suas garras acertam cada vulto, mas o ácido continua a ser produzido... aqui, eu venci coisa feia.
—Passo do céu
Uso o passo do céu para ir pra cima, pouco mais de 3m do chão... agora é com vocês, 30.
-Canção do trovão variante A: Terremoto Chocante!
Um raio que se mistura com a terra, uma onda de energia direto para a criatura, não só a paralisando como causando um enorme dano, não esperava menos de um membro do pássaro trovão!
-Minha vez!
Dos céus Luise começa a cair, com a espada mirada no estomago da coisa. Aquela é a técnica que ela estava treinando todo esse tempo aqui mesmo no salão.
—Cartilha instrumental da espada: opus trovão 1
A espada toma tonalidades alaranjadas e faíscas começam a sair, então essa é sua técnica nova. Uma que o fluxo não pode fortalecer por não ser uma técnica de cavaleiro, tudo bem, foi por isso que eu criei aquela técnica e vim aperfeiçoando ela.
-Passo do céu
Me projeto na mesma instancia que Luise e toco sua espada antes dela acertar o alvo.
-Vou fazer sua cartilha se tornar uma sonata, LIMITE DA RAZÃO!
O limite da razão não foi feito para mudar uma técnica ou complementar ela como o fluxo, ele foi feito para elevar ela ao máximo de seu potencial de poder!
-Obrigado Sword... Sonata da lâmina: Concerto da tempestade!
A lâmina se torna branca e azul, as faíscas agora eram relâmpagos adultos e a estavam mais rápidas que qualquer coisa ao redor, essa é nossa primeira vitória em equipe. Quando a rapieira de Luise toca a barriga do Messorem uma grande explosão no seu interior se forma e a coisa começa morrer de dentro pra fora agonizando e se contorcendo, até que seus osso e pele começam a derreter.
-O que foi que aconteceu aqui? – pergunta Luise
-Só uma teoria minha, que se mostrou certa no final – digo enquanto caio no chão bufando de cansaço
-Pode nos explicar?
-Claro Sans, basicamente eu pensei o que era esse ácido no estomago dele. Era um ácido que feria pessoas e derretia até metal, mas que também estava dentro do corpo dele e não podia ser tão letal. A não ser que ficasse preso nas correntes sanguíneas claro. Então não poderia ser o ácido clorídrico que normalmente temos no estomago, nem mesmo um tipo de ácido sulfúrico. Então eu pensei em algum tipo de eletrolise. Com isso eu cheguei à conclusão que aquele estomago dele é vazio, e o ácido que vemos é uma massa produzida muito rápida que através da eletrolise muda para o estado líquido, e é assim que ele usa o ácido em suas garras. Ou seja, ele também tem muita energia dentro de si para fazer esse processo. Mas com isso, ele produz duas eletrolise dentro do mesmo corpo, a ígnea e a aquosa. Isso explica por que raio é o elemento que mais o afeta, afinal, energia é a base do funcionamento do corpo desse cara. Mas, ainda ficava a dúvida, qual ácido era o que ele produzia? Bom, a resposta tá dada, ele não produz o ácido no estomago e sim em suas vias de conexão com as garras. Então poderia ser qualquer tipo de ácido, até o mais perigoso, mas na verdade por causa do nível de ionização com toda certeza é ácido nítrico. Por isso quando aumentamos a carga significativamente, o processo foi afetado e o sangue coagulou, o ácido foi espalhado pelo corpo e ele morreu.
-Em resumo, você testou seu projeto de ciências aqui?
-Tipo isso hehe
DESFAZENDO SIMULAÇÃO, RETORNANDO A AMBIENTE BASE
Uma voz ecoa pelo salão de treinamento e tudo desaparece, voltando ao estado comum do lugar.
—Parabéns pelo trabalho em conjunto, a partir de amanhã treinamentos como este serão recorrentes. Vocês precisam masterizar o seu trabalho em equipe. Podem ir dormir, está tarde e amanhã será um longo dia.
Um atrás do outro se retirou do salão. Do lado de fora, Sans parou pouco antes da entrada dos dormitórios coletivos e nos disse algo.
—Imaginei que o fracasso da missão estava ligado ao fato de não ter nenhum conjurador de magia. Afinal a combinação de 3 causadores de dano seria muito instável. Mas 2 causadores de dano e um suporte pode ser algo que funcione
—Suporte? – perguntou Luise
—Sim, seu amigo, ele é um suporte, não é?
—Na verdade eu sou um causador de dano assim como você e a Luise – digo enquanto coço a cabeça meio desconfortável.
—Um causador de dano? Não, tá brincando né? Suas técnicas funcionam exatamente como a de um suporte, você a protegeu com aquela sua habilidade que te deixou veloz, planejou perfeitamente nosso plano, tinha até uma técnica de clones pra poder fugir. Tudo me diz que você é um suporte. Enfim, até amanhã.
—Vai aonde, espera aí seu grandalhão imbecil, quem tá chamando de suporte, pede desculpas agora
Seguro Luise pelo braço
—Tudo bem Luise
—Não tá tudo bem não, você não é suporte. É UM CAUSADOR DE DANO, VOCÊ É FORTE!
—Acho que ele tem razão, a formação de 3 causadores de dano é muito instável, então eu vou ser o suporte do time, ok? A gente se vê amanhã.
No fim, se isso é o que precisamos para vencer, eu vou fazer. Ser suporte não vai ser a pior coisa do mundo afinal.
Ainda naquela noite, andando pelos jardins para colocar as ideias no lugar, eu ouvi algo, uma música, alguém cantarolando algo.
Ôoo meu amor
Porque foi se assim?
Aberto o peito morre a flor
Minha vida, se resume a um canto
Meu amor partiu assim
Canto esta canção para você
Das águas da vida que turviaram
Cessou o canto, seu amor, sua vida
As florestas vividas e agora mortas
Queima a pele, o sangue, a vida
O medo tomou conta
Mas os campeões foram escolhidos
Então me diga destino, vai me desafiar?
—Bela canção – digo cessando aplausos
—Obrigado jovem estudante
—Pelo que posso ver, você é mais jovem que eu.
—Hihihi, é meu jeitinho.
—Mas apesar de bela, ela é mórbida, mas parece também uma declaração...
—De vingança? Porque realmente é. O dia do troco do destino está chegando!
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